terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Tolerância Religiosa








Adriano Couto


Fala-se muito em liberdade religiosa. A nossa Constituição no artigo 5º, inciso VI diz que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias". A Declaração Universal dos Direitos humanos, também afirma que a Liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais. A pesar de o Estado Brasileiro ser laico, essa não é a impressão que temos às vezes, pois, uma boa parte dos feriados nacionais e municipais são na verdade feriados religiosos cristãos.

Não é difícil vermos também celebrações ecumênicas que na maioria das vezes são dirigidas apenas por padres e/ou pastores. É comum presenciarmos em praças públicas, paradas de ônibus, ou mesmo dentro dos ônibus, alguém empunhando uma Bíblia como se fosse uma metralhadora, pregando um "evangelho" com palavras agressivas, apelativas, demonizantes; condenando ao inferno quem não crer como ele/ela. Isso é liberdade religiosa ou abuso da liberdade religiosa? Se vivemos em um Estado Laico, por que no lugar do crucifixo não se coloca também, por exemplo, uma imagem de Buda, uma foto de Maomé, uma imagem de uma Divindade africana, um símbolo Bah’ai, uma imagem de Krishna, etc.? Por que no aniversário de emancipação de uma cidade, no lugar de um culto católico e/ou evangélico, não se faz uma mística macro-religiosa com a presença de sacerdotes cristãos e não cristãos? Esses últimos são indignos? Não são filhos de Deus? Já pensaram se uma Yalorixá (Mãe de santo) entrasse em um ônibus e começasse a falar sobre a influência dos orixás na vida das pessoas, pedindo que os passageiros seguissem tal religião? Como os passageiros cristãos agiriam? Creio que no mínimo ela seria "convidada" a descer do ônibus ou parar de falar.

Muitos cristãos ainda hoje se auto-afirmam donos da verdade. Exterminaram índios e negros, mataram bruxas, maçons, etc. e ainda hoje, condenam ao inferno os homossexuais, divorciados, muçulmanos, Espíritas etc. A pesar de tudo isso, ainda falam de Paz do Senhor. Creio que os cristãos precisam muito aprender sobre paz e tolerância religiosa com religiões como o Budismo, o Candomblé, a Fé Bah’ai, o Hinduísmo, o Kardecismo etc.

Esses têm muito a nos ensinar sobre tolerância religiosa; pois boa parte deles têm sido vítimas de intolerância por parte dos cristãos sem revidar os ataques. Não pode haver uma cultura de paz, sem tolerância religiosa.
O Código Penal Brasileiro, Art. 208 afirma: "Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto do time religioso.” Já pensou se esta resolução fosse seguida a risca?

Ainda assim, o Brasil é o país mais tolerante do mundo na questão religiosa, herança portuguesa, isso mesmo! Apesar da inquisição portuguesa e tudo mais que já sabemos, a Península Ibérica foi refúgio de judeus e muçulmanos durante as perseguições promovidas pelo Igreja Católica na Idade Média. Na Espanha Muçulmana, os três monoteísmos conviviam harmoniosamente, culminando no seu desenvolvimento tecnológico e cultural, tendo seu ápice na época das Grandes Navegações, cujos cientistas judeus e muçulmanos trocaram conhecimentos e desenvolvendo a engenharia náutica, que naquele tempo era conseiderado algo extraordinário, inimaginável, futurista.

Este quadro mudou quando o Rei Fernando “o Católico” subiu ao trono espanhol, este querendo fazer uma “média” com o Papa, instaurou a Inquisição no país perseguindo judeus e muçulmanos, restando aos perseguidos refugiarem-se em Portugal, daí então o legado de tolerância do povo português.

Porém o Brasil só é tolerante porque é sincrético, pois onde não existe sincretismo religioso não existe tolerância religiosa! E isto é fato, muitos países alegam liberdade religiosa em suas cartas magnas, porém não é o que ocorre na prática, principalmente em países islâmicos e nos EUA, onde neste último, o protestantismo dá as cartas e os mesmos se intitulam verdadeiros representantes da cristandade. Quem não lembra dos discursos fundamentalistas de George W. Bush?

Quando falamos em liberdade religiosa também devemos deixar claro a liberdade de não-crença, isto compreende os ateus e agnósticos, tão perseguidos quanto os grupos religiosos não-cristãos. Recentemente os ateus e agnósticos foram atacdos pelo apresentador da Band, José Luiz Datena que associou estas pessoas a criminosos, alegando que todo aquele que comete crimes é porque não acredita em Deus! Puro preconceito, ignorância e falta de respeito! Intolerância! Tenho amigos ateus e agnósticos que são pessoas maravilhosas e que seriam incapazes de fazer mal a alguém, pois são pessoas sérias e honestas, possuem ética, diferentemente de muitos malandros que fazem suas pilantragens e depois se escondem atrás de uma bíblia...chegando na cadeia dando uma de evangélico...quanta hipocrisia...

Exemplo contemporâneo de guerra devido à intolerância religiosa é o conflito entre judeus e muçulmanos na Terra Santa, pois enquanto não deixarem de lado seu orgulho, fanatismo e ódio pelo próximo, jamais alcançarão a paz! O fundamentalismo religioso é um obstáculo à paz, tanto que o próprio Jesus foi morto por fanáticos religiosos, Gandhi também.

Os cristãos deveriam seguir a risca o ensinamento Jesus que devemos amar uns aos outros e assim deve ser sem distinção, sejam eles ateus, agnósticos, religiosos de todas as confissões independentes de serem cristãos ou não. Respeitar a diversidade é fundamental para crescermos como seres humanos, mesmo nosso país sendo tolerante como afirmei anteriormente, o preconceito contra os não-crentes ainda é muito grande. Finalizo minha reflexão usando esta linda citação de Nélson Mandela: "Ninguém, nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pandora, Eva e as outras mulheres

Adriano Couto


Pandora foi a primeira mulher criada por Zeus, assim como Eva foi a primeira mulher criada por Deus, em ambas as mitologias, o mundo onde elas viviam era completamente desprovido dos pecados, de qualquer coisa que fosse nociva ao ser humano. No caso de Adão e Eva, esse era o paraíso.

E foi a curiosidade do proibido que condenou Adão e Eva, provocando sua expulsão do Jardim do Éden por terem provado do "fruto proibido" (apesar de muita gente insistir na maçã, em nenhum lugar da bíblia existe referência a esta fruta e a nenhuma outra, abrindo margem a inúmeras interpretações) enquanto que no caso de Pandora, ao abrir a caixa para ver o que tinha dentro (e tinha sido orientada a não fazê-lo), ela espalhou toda sorte de problemas, doenças, pecados sobre a terra.

Foi Eva quem seduziu Adão para comerem desse fruto. E na mitologia grega, Pandora seduz Epimeteu, guardião da caixa, e após uma noite de amor, ela rouba a chave para abrir a caixa.

Embora sejamos herdeiros da tradição judaico-cristã e o mito de Adão e Eva tenha sido consagrado como verdade literal e absoluta pelos teólogos fundamentalistas judeus e cristãos, estas histórias fantásticas serviram de pretexto para a legitimação do machismo, da opressão e demonização do sexo feminino. Ao longo da história as mulheres sempre foram condicionadas a categoria de ser inferior, devendo ser submissa aos homens, sendo considerada culpada por todas as desgraças que afligissem a sociedade. No Antigo Testamento existem inúmeras passagens em que as mulheres são relegadas a um segundo plano, tratadas muitas vezes como animais. Claro que existem muitas passagens que a beleza da mulher é exaltada, suas virtudes e sua maternidade posta em evidência (principalmente Maria mãe de Jesus), estas, porém são mínimas se comparadas as que exaltam o preconceito.

No Novo Testamento, Paulo afirma que as mulheres devem ser submissas aos seus maridos, o que eu não concordo, o referido apóstolo dos gentios faz muitas restrições às mulheres em suas epístolas, talvez devido ao fato de ser solteiro... creio que numa família o casal tem que andar juntos e não um subjugar o outro.

Ao longo da história, trechos bíblicos foram distorcidos para promover perseguições e atrocidades contra as mulheres, especialmente na Idade Média, onde muitas foram acusadas de bruxaria e foram massacradas pela Santa Inquisição.

As referidas mitologias demonizam a busca do ser humano ao conhecimento, a sabedoria, atribuições estas conferidas somente aos deuses em questão e a aquisição da mesma é considerada uma afronta às divindades, sendo a mulher condenada e castigada pelo seu atrevimento de desobedecer aos deuses e consequentemente apontada como responsável por todos os males que afligem a humanidade. Devido a isto, por séculos a humanidade viveu nas trevas da ignorância, quem questionava, ou buscava a sabedoria era eliminado, o conhecimento era atributo exclusivo de sacerdotes e de teocracias (reis que se diziam representantes de Deus na terra), principalmente na Antiguidade e na Idade Média.

A mulher devido a estas mitologias machistas sempre foi relegada ao sofrimento, desprezo, submissas, sem vez e voz, somente com o advento do século XX, as coisas começaram a mudar, as mulheres estão assumindo seu espaço e sendo respeitadas, tanto que teremos pela primeira vez em nosso país teremos uma mulher na presidência da república.

Sei que o dia dedicado às mulheres é o dia 8 de março, mas a bravura e a capacidade das mesmas deve ser exaltada sempre, é cada vez maior o número de mulheres que são chefes de família, criam os filhos sozinhas, trabalham fora e são exemplos de liderança e personalidade.

Fiz um breve comparativo das duas mitologias para mostrar o quão enraizado está o machismo em nossa cultura, nossa sociedade ainda desrespeita as mulheres e não lhes dá o devido valor, muitas delas são violentadas, mortas por seus parceiros, recentemente foi criada a Lei Maria da Penha para punir os agressores, felizmente as coisas estão mudando.
Muitas mulheres trabalham nas mesmas funções que os homens e seus salários são mais baixos, o que é um absurdo! E ainda existem muitas outras situações dentre as quais as mulheres são desrespeitadas.

Mulheres são guerreiras, batalhadoras, nem de longe são o protótipo de sexo frágil! Isto é rotulação machista, resquício de uma mentalidade arcaica e conservadora. É hora de revermos os nossos mitos e o quanto eles podem interferir em nossas vidas, devemos quebrar os paradigmas e proclamar a igualdade de direitos! Chega de intolerância e fanatismo provindo de mitos descabidos e ainda fartamente alardeados em cercanias fundamentalistas.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quando a religião torna-se um mal

Adriano Couto


Este texto pode parecer estranho para quem me conhece e sabe que participo de uma igreja cristã, mas antes de abordar o tema, quero ressaltar que as religiões, independentemente da confissão de fé, traz inúmeros benefícios às pessoas, muitas tiveram suas vidas transformadas, curas através de sua fé, reintegração social devido ao engajamento em agremiações religiosas, isso é inegável e inquestionável, também no aspecto social, trabalho desenvolvido com doentes, órfãos, apenados, moradores de rua e entre outras pessoas menos favorecidas de nossa sociedade que muitas vezes são negligenciadas pelo governo, trazendo a estes, conforto e esperança, atitude louvável e digna de aplauso. Porém como toda instituição humana tem seu lado bom e ruim, vou abordar seu aspecto negativo, a mesma traz também dor e sofrimento, e criado muitos obstáculos à felicidade humana. Isso acontece, por que em minha opinião, os princípios básicos de amor, caridade e perdão, proclamados pelos mestres do passado – Krishna, Lao Tsé, Confúcio, Zoroastro, Buda e Jesus - foram suplantados por dogmas e rituais que contrariam as leis do bom senso e da razão. Mas que triunfaram a custo de muita dor e sangue.

Não há dúvida de que a fé religiosa é fundamental para muitos, os benefícios que ela traz são inquestionáveis como afirmei anteriormente, mas, no entanto, pela fé, também se cometem muitos danos aos seres humanos. Penso que as superstições, preconceitos, discriminações, perseguições, guerras e mortes provocadas por motivos religiosos só serão extintas quando a maioria das pessoas possuírem o conhecimento sobre como as religiões foram manipuladas ao longo do tempo, visando dar poder e privilégio para uns poucos.

Não quero aqui, atacar nenhuma denominação, mas tenho muitos amigos que são reprimidos por seus líderes religiosos (muitos são verdadeiros déspotas), não podendo sequer sair à noite com os amigos ou participar de qualquer outra diversão sadia próprias dos jovens ou até mesmo adquirir certos bens ou trabalhar em determinados locais, pois sofrem penalidades severas, onde a mais rigorosa é conhecida pelo nome de “disciplina” (o indivíduo fica um tempo X no “banco” sem funções eclesiais, é como se colocassem o antigo chapéu de burro na cabeça do infeliz, para o resto da congregação ficar julgando e condenado o suposto pecador) uma verdadeira tortura psicológica, impregnando um sentimento de culpa e botando medo literalmente! Muitos pastores (principalmente pentecostais) comportam-se como verdadeiros clérigos xiitas, com seus discursos retrógrados, arcaicos, recheados de ignorância, fanatismo, preconceito, intolerância, racismo e xenofobia, inúmeros deles sem o mínimo conhecimento de teologia, filosofia, psicologia (áreas do conhecimento demonizada pelos mesmos) muitos até mesmos são semi-analfabetos, não sabendo lidar com os conflitos da adolescência, acabam incitando o ódio a quem não está inserido em suas fileiras, fazendo uma verdadeira lavagem cerebral, promovendo um verdadeiro processo de alienação, movidos pelo mesmo fanatismo que alimenta os homens-bomba.

Todas as religiões possuem um potencial intrínseco pra a violência. Como elas falam com a autoridade da Palavra de Deus, muitas vezes sentem que isso lhe confere licença para inúmeros absurdos e até mesmo para matar, até mesmo o budismo com sua filosofia tolerante e pacifista, já deu origem a movimentos extremistas como no Sri Lanka em meados do século XX.

Estes penteco-xiitas acabam afastando estas pessoas de suas igrejas, lançando todos os seus infortúnios e frustrações pessoais sobre uma geração de jovens, causando-lhes mágoas, ressentimentos, traumas, sentimento de culpa, lotando os consultórios de psiquiatria e fazendo com que muitos acabem tornando-se usuários de antidepressivos e álcool e sei de casos de pessoas que se suicidaram devido a estes sentimentos, outras ficam complexadas para o resto da vida, numa ótica onde tudo é feio, tudo é pecado e aquilo que não se consegue admitir ou aceitar é coisa do diabo, então entra em cena aquela história de que tudo que é proibido é gostoso, de tanta repressão que o jovem sofre, quando o mesmo consegue se “libertar” do jugo dos pais e pastores, ele acaba extrapolando, excedendo todos os limites, caindo muitas vezes nas drogas, sofrendo com muitas adversidades, arcando com as conseqüências e posteriormente com o abandono e desprezo de seus “irmãos”, daí logo vem o julgamento: “Foi o capeta que tomou conta do fulaninho...”

Só para ilustrar um exemplo, para quem não sabe, a Bíblia faz 40 REFERÊNCIAS NEGATIVAS AO USO DE BEBIDAS ALCOOLICAS, 62 NEUTRAS E 145 POSITIVAS! Daí o que tu prefere seguir? Líderes religiosos manipulam os livros sagrados conforme lhe convém, criando um Deus a sua imagem e semelhança, como dizia Nietzche.

Não creio sinceramente, que os grandes mestres do passado, mandariam para a forca ou para a fogueira, quem não se juntasse aos seus discípulos. Ao contrário, penso que a maioria de nós, tem absoluta certeza de que Buda e Jesus, Krishna e Confúcio, desejavam apenas diminuir o sofrimento e ensinar o caminho da felicidade aos seus ouvintes.

Castigos no além e a punição com torturas nada tem a ver com o discurso daqueles mestres. A promessa de um inferno, os castigos corporais aos que não se submetessem aos imperativos da Igreja, foi uma arma poderosa para dar poder e enriquecer as autoridades eclesiásticas.

É preciso que saibamos as origens de nossas crenças. Que não sejamos fantoches nas mãos de um grupo que diz ter certeza o que Deus quer de nós, pois sempre coincide exatamente com o que eles (líderes religiosos) consideram certos, pois acredito que crer não significa deixar de pensar, o que muitas vezes parece o contrário, antes é preciso saber pensar para que a fé não se torne um perigo para o próprio crente ou para as pessoas que com ele convivem, saber pensar é poder tomar decisões com valores que colocam a vida e o ser humano acima das crenças.

Acredito que as pessoas devem ser livres para acreditarem em Deus, nos anjos, na vida após a morte, no que achar melhor, no entanto, todos têm o direito também de saber como as religiões, através de seus dogmas - inventados por líderes religiosos que tinham em mente manipular o povo - foram usadas para causar grandes sofrimentos à humanidade, pois foi neste contexto que Karl Marx afirmou certa vez que “a religião é o ópio do povo.” Um mundo mais fraterno, e melhor de se viver, será aquele onde a ética e moral sejam produtos da razão, e do bom senso humanos, e não do que receitam textos antigos, vindos da sabedoria de algumas tribos selvagens e bárbaras. A fé deve existir para promover o amor e a paz, construindo assim um mundo mais justo e fraterno, servindo o seu semelhante e não para aliená-lo e promover atrocidades em nome de Deus!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Burguesia fede e me causa repugnância

Adriano Couto

Já dizia Cazuza que era burguês também. Pra justificar isso ele dizia: "Eu sou burguês, mas eu sou artista!" hahahaha! Grande coisa! Pra mim não muda nada, só piora. Antes de entrar no assunto em si eu gostaria de esclarecer que quando digo que não gosto da burguesia, não estou falando que não gosto de gente que tem condição financeira.

Ter uma boa condição financeira não faz de você um burguês, faz de você abençoado materialmente (nem sempre, pois muitas fortunas foram adquiridas por meios ilícitos). O que faz de você um burguês é adotar um comportamento burguês. Logo, o que importa não é se você é rico, mas o que você faz com o dinheiro que você possui.

Quando digo que a burguesia fede é porque a burguesia é fútil e tem motivações superficiais. A grande questão pela qual Deus abençoa pessoas financeiramente (para quem crê, lembrando que dinheiro não “cai do céu”, mas sim, fruto do trabalho e na minha concepção Deus capacita o homem para que ele possa batalhar pelo seu sustento) é para que elas abençoem outras pessoas também (entende-se aqui por ajudar as pessoas necessitadas). Mas ao contrário disso as pessoas que tem uma determinada condição elevada prefere acumular a dividir. E esse é o motivo da crise em qualquer esfera. É o acúmulo de renda nas mãos de poucas pessoas, aumentando assim as desigualdades e injustiças sociais, “pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males” (1 Tm 6,10).

A burguesia fede porque ao invés de dar pão ao faminto, ela permite que esse cate o lixo de sua mansão pra comer, a burguesia fede porque ao invés de vestir o nu, ela prefere repassar suas roupas para brechós de luxo, a burguesia fede porque ao invés de se misturar a multidão dando exemplo de modéstia, pavoneia suas plumas, relógios rolex, ternos Armani e carros de luxo enquanto o pobre chafurda a cara na merda diariamente. A burguesia fede porque mesmo depois de pavonear pelas ruas da cidade cheios de pompa, reclamam da violência porque um morto de fome roubou seu relógio de R$50.000,00.

Pois é depois desse discurso, tenho certeza de uma coisa, alguns concordarão em gênero, número e grau com o meu texto, mas outros se importarão mais com o "merda" que eu escrevi do que com o caos social que atravessamos. Mas é assim mesmo! Vamos pra frente! A hipocrisia do ser humano faz parte...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Aberta temporada de “caça aos ciganos”

Adriano Couto



Na terra do champagne está sendo promovida uma verdadeira caça as bruxas, no que diz respeito ao povo cigano, cujas tradições, história, cultura, costumes está sendo praticamente extirpada, banida do território francês, para satisfazer os caprichos do “fascista” Nicolas Sarkozy, político de extrema-direita, com sua xenofobia, perseguição desenfreada contra as minorias, desrespeitando os Direitos Humanos. O mesmo está assemelhando-se a Hitler em sua “caçada” aos judeus e a Stálin com seus “expurgos”, eliminando quem não compactua com suas monstruosidades ou simplesmente não pensa igual aos seus interesses megalomaníacos.

O povo cigano desde sempre foi perseguido, vivendo como nômades, sendo perseguidos pela Igreja na Idade Média durante a Inquisição e também pelos regimes totalitários, em especial o Nazista.

Os ciganos são chamados também de rômanis, existem dúvidas quanto a sua origem, porém a mais aceita é a de que são originários da Índia. Este povo apesar de todo o histórico de perseguições, sempre preservou sua cultura, que é muito bonita, diga-se de passagem, porém as pessoas os vêem com desprezo e muitas vezes como malfeitores, exatamente como Sarkozy está fazendo.

Os ciganos vivem praticamente marginalizados, desrespeitados, são seres humanos com todos os direitos como qualquer outra etnia, inclusive o termo cigano é frequentemente utilizado como pejorativo para rotular pessoas.

Este megalomaníaco tem que ser detido e se a União Européia ficar de braços cruzados, quem sabe não estará abrindo as portas para um “novo holocausto” só que desta vez não com judeus, mas sim com ciganos?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Peronismo butiaense




Adriano Couto


Caro leitor você deve estar se perguntando, de onde retirei a expressão “peronismo butiaense”. Criei para fazer alusão ao governo anterior a 2005. Vou tecer aqui algumas comparações e você leitor vai associar claramente este governo que será citado com o de Perón na Argentina.

O governo dito “progressista” que na realidade foi retrógrado se comportou tipicamente como uma gestão peronista, de cunho populista, demagógico e com aparato repressor. Começando que lembro como se fosse hoje, que no seu último comício, na eleição de 2000, o ex-prefeito, pediu que: “é pra deixar filmado e gravado, me cobrem depois se isto não acontecer”, trouxe o deputado Chiamulera de Lajeado, o qual prometeu uma unidade da sua fábrica de refrigerantes em Butiá e também um representante da Motrisa também fez a promessa de instalação de uma filial de sua empresa em nossa terra. Já começo por aí só para frisar que não tenho memória curta...

Enquanto gestor, nosso Perón butiaense desenvolveu um forte paternalismo, um assistencialismo que beirava o ridículo, juntamente com sua esposa e secretária de assistência social, cuja popularidade se parecia com Evita Perón (entendeu a ligação?), distribuindo sacolas, estimulando povo ao ócio. Este desgoverno promoveu também festas ao ar livre, shows, lembrando a legítima política romana de pão e circo, onde eram promovidos espetáculos públicos para mascarar a miséria do povo!

Esta gestão construiu elefantes brancos que ficaram ociosos (Packing House e Shopping Rural), estes que foram reaproveitados pelo governo atual. Também não pavimentou nenhum metro de rua, foi desencadeada uma verdadeira perseguição ao funcionalismo público, em especial contra aqueles não tinham o mesmo alinhamento político, principalmente na área da educação, onde o despotismo imperava cuja secretária era uma verdadeira tirana, relembrando os tempos da ditadura (não é por acaso que o PP é herdeiro da ARENA e o ex-prefeito era policial civil, combinação perfeita não é mesmo?). Sem contar que empregou todos os familiares na prefeitura, promovendo um nepotismo descarado.

Nossa cidade era governada por uma aristocracia rural, por latifundiários, formando uma verdadeira oligarquia, que estava alheia aos interesses do povo, isto estava bem claro na composição do secretariado municipal...

Mas o povo é soberano e expurgou do poder os herdeiros da ditadura, governo este com traços peronistas, repleto de populismo, demagogia, perseguição e miséria, igualando-se ao peronismo argentino.

Os peronistas “made in Butiá” estão se articulando para voltar ao paço municipal em 2012, estão fazendo suas barganhas eleitoreiras e coligações visando interesses escusos. Nesta campanha de 2010, apóiam a candidata da RBS, representante do agronegócio que promove miséria no campo e o enriquecimento dos latifundiários, apóia também o deputado que está envolvido no escândalo do desvio de R$ 40 milhões do DETRAN e claro, apóiam a atual DESGOVERNADORA que disse que os professores (entre os quais me incluo) “vocês não são professores, mas sim torturadores de crianças” e também disse que “o CPERS quer transformar o Rio Grande do Sul num Iraque”. Relembrando que eu não tenho memória curta, creio que o povo também não, tanto que retiramos estes parasitas do poder, mas ainda tem pessoas que tem saudade do peronismo, do seu amado Perón e sua primeira dama Evita, semelhante aquelas mulheres que sentem prazer em apanhar do marido. Prezados leitores, to começando a desconfiar que Perón não morreu, ele habita entre nós...

domingo, 12 de setembro de 2010

Considerações sobre o escândalo de Triunfo

Adriano Couto


O escândalo das diárias, ocorrido em agosto deste ano, envolvendo os vereadores de Triunfo e General Câmara, onde os mesmos promoveram uma farra com o dinheiro público, fazendo turismo em Foz do Iguaçu, é um fato que não deve cair no esquecimento e quero aqui tecer alguns comentários a respeito deste episódio veiculado nacionalmente.

Ao acompanhar a excelente matéria do repórter Giovanni Grisotti da Rádio Gaúcha fiquei profundamente indignado, mesmo não sendo morador de Triunfo, isso me deixou revoltado, pois os edis triunfenses e seus vizinhos de General Câmara simplesmente desrespeitam os seus eleitores que lhe confiaram seu voto e o dever de representá-los na casa legislativa municipal.

Apesar de que, escândalos não são nenhuma novidade na terra do Pólo Petroquímico, que por sinal tem o maior PIB per capita do estado (e a população é pobre!), desde o final da década de 80 já existem históricos de corrupção envolvendo políticos da cidade.

Como boa parte da população depende dos cargos públicos ou empregos municipais, o silêncio dos moradores foi a forma de cumplicidade encontrada para proteger a administração; exceto um homem não se calou e, este foi o Pe. Genico Schneider.

Pe. Genico em entrevista ao Jornal Zero Hora relatou que: “Triunfo era uma antes da instalação do Pólo Petroquímico e virou outra depois. Todo mundo depende economicamente da prefeitura, tem alguém da família empregado ali, ou na Câmara, ou numa escola, ou no Posto de Saúde. Por isso, o medo de enfrentar a corrupção.” Comenta também que a Câmara não tem políticos de oposição para punir os responsáveis pelo escândalo das diárias. O padre foi a única autoridade com reconhecimento público do município a se manifestar sobre o assunto.

O referido padre teve que pagar um alto preço por suas declarações, recebeu telefonemas onde era intimidado, recebendo ameaças e também lhe foi informado que não seria mais bem recebido nos órgãos públicos daquela cidade, foi coagido a deixar Triunfo, pois o mesmo não se corrompeu, agiu como o sal da terra, como luz nas trevas da corrupção, um verdadeiro cristão! O mundo precisa de mais pessoas como o padre Genico!

Como cristão protestante, me alegro com a atitude deste sacerdote que exerceu o profetismo com autoridade! Denunciando as maracutaias locais! A corrupção! Isso é o mesmo que Jesus fazia, pagando com sua vida por mexer na posição de alguns privilegiados e, também ao mesmo tempo me envergonho de muitos pseudo- cristãos que se dizem evangélicos, que só querem dar glórias e aleluias e se calam feito covardes! Esquecem de olhar pro mundo que tem a sua volta e ver as injustiças, não lutam por uma sociedade mais justa e mais fraterna, só querem satisfazer o seu ego, a estes, Jesus chamou de hipócritas! Túmulos caiados, bonitos por fora e podres por dentro! Só pensam em bênçãos e esquecem dos necessitados que sofrem devido a corrupção vigente...

Triunfo virou uma verdadeira barganha, os governantes usam a arrecadação milionária, a máquina administrativa em troca de apoio popular, gerando empregos e comprometimento político, corrompendo os moradores, virando uma politicagem de quinta categoria! É uma vergonha estas maracutaias, mesquinharia, verdadeira baixaria os políticos já deixam a população propositalmente numa situação de pobreza para justamente poder corrompê-las e barganhar, para se perpetuarem no poder, já que muitas pessoas necessitadas não estão em condições de recusar tais ofertas, daí os nobres representantes deitam e rolam, fazem farra com o dinheiro público e riem da cara dos eleitores! Chega de corrupção! Nossa sociedade não agüenta mais! Cadeia nesses pilantras!

sábado, 11 de setembro de 2010

A guerra dos farrapos foi realmente uma “Revolução”?

Adriano Couto

Está se aproximando o 20 de Setembro, data do orgulho gaúcho e de exaltar o amor a nossa terra, então dedico este artigo um tanto quanto polêmico aqueles que são “gaúchos” somente na Semana Farroupilha, que nem sabem direito o que tão fazendo ou vestindo e muito menos sabem o significado da cor do lenço que trazem em seu pescoço e também aqueles cujo tradicionalismo exarcebado tiveram seu intelecto cauterizado pela alienação positivista que nossa história propõe, esta que é transmitida de geração em geração que nos leva a idolatrar um panteão de latifundiários. Como sou um gaúcho que ama esta terra sou a favor de um revisionismo histórico nesta fábula e a desmascarar a farsa que nos é imposta!

Começando que não há por que considerar como Revolução a Guerra Farroupilha de 1835. Não foi uma revolta popular, levando em conta os interesses em jogo; todavia, na condição de classe subordinada, o povo lutou. E se considerarmos os projetos da República e Federalismo, houve componentes progressistas no ideário político gaúcho, repletos de dispositivos maçons (um exemplo, a “fuga” de Bento Gonçalves do Forte do Mar na Bahia) e nestes, estão impregnados os interesses da elite.

Pode-se começar justificando o fato de estar errado o termo Revolução para o levante farrapo. Há um senso comum que diz ser Revolução uma troca dos que estão no poder, por meios drásticos. Trata-se de um entendimento equivocado das coisas. Revolução implica troca de classes no poder, uma alteração radical na estrutura institucional. O termo é usado gratuitamente na História do Brasil, tais como 1835, 1893, 1923, 1930 e 1964. Tal manipulação tem servido para valorizar os interesses da elite dominante, os quais não tinham projetos radicais de alteração das classes no poder.

A historiografia positivista oculta a instabilidade e miséria da peonada, submetida a uma dominação disfarçada de convívio paternal e fraternal. Convém lembrar que o povo jamais lutou por uma causa verdadeiramente sua embora as elites continuem festejando o 20 de setembro como se tivesse sido uma revolução popular, a verdade histórica está demonstrando que aquele evento nada teve de jacobino.

Complementando que nossa independência tão celebrada no dia 7 de setembro, por exemplo, não foi uma revolução, mas sim a substituição da expropriação e opressão de Lisboa pela hegemonia do sudeste, enfim, um prolongamento interno do antigo colonialismo.

Citando o movimento maragato de 1923, foi ideologicamente herdeiro do pensamento liberal-conservador de 1835, ancorado socialmente na elite dos estancieiros que, a despeito do apoio de outras classes, não tinha nenhum projeto para elas. Esta herança se manifestou na oposição ao centralismo borgista em nome de um sentimento liberal que buscou legitimar evocando o discurso sobre liberdade dos rebeldes farrapos. Quer dizer, os borgistas podiam recolher, no baú da ideologia farroupilha, o republicanismo, amortecido com a derrota de 1845 e revivido por Júlio de Castilhos em 1882. E os maragatos, no mesmo baú, foram recolher o entusiasmo liberal que animara a luta contra a tirania do Governo central. Enfim, os eventos de 1835 forneceram subsídios para diferentes ramificações do ideário político gaúcho posterior.

Acrescento um fato curioso e cômico
ao mesmo tempo ocorrido no ano de 1838, que ao tomar Rio Pardo, os farrapos prenderam a banda imperial e o maestro Joaquim José de Medanha e o coagiram literalmente a compor o hino farroupilha, hoje Hino do Rio Grande do Sul.

O gaúcho daquela época não era um homem “livre” e altivo como apregoam os tradicionalistas, mas sim sempre esteve submetido aos caprichos e vontades do estancieiro, sempre foi um solitário miserável, apenas acompanhado pelo álcool, do jogo e da cordeona, compondo um setor social rarefeito, pouco unido, muito débil diante da elite dominante e sem consciência de classe para entender e lutar por seus interesses, o verdadeiro gaúcho se caracterizou por ter uma vida errante, dura e difícil, o que inclusive o habilitou a enfrentar as durezas da longa e árdua revolta farroupilha, ou seja, seu cotidiano nada possuiu de lúdico e idílico como muita gente pensa.

Concluo argumentando que não se justifica fazer todo um povo compartilhar de um ufanismo que só tem sentido em nível de interesses restritos. As camadas populares sempre perderam no campo de luta, desde os tempos de Cabral... Porque utilizar o nome do povo para encobrir interesses apenas de um grupo significa uma nova derrota popular, na medida em que, desse modo, impede-se que um episódio histórico sirva para a formação de uma consciência crítica. Como nossa historiografia é tipicamente positivista, então ela busca seus heróis do passado nas oligarquias é claro, e na Guerra Farroupilha existe um panteão de nomes a serem cultuados e idolatrados pelo povo gaúcho.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Proclamação da República: Um feito heróico???

Adriano Couto

No dia 15 de Novembro de 1889 caía a Monarquia e nascia a República em nosso país. Mudou a forma de governo sem revolucionar a sociedade. Foi elaborada uma nova Constituição, trocada a bandeira e a Igreja separada do Estado (graças a Deus!), porém mantendo o povo na pobreza e a elite vivendo da exploração, o que hoje não muda muito.

A República era uma monarquia disfarçada, pois não houve transformações sociais com a mudança de governo, nosso país anoiteceu monarquia e amanheceu república devido ao caráter não revolucionário da dita proclamação.

A Proclamação da República tão celebrada foi um fenômeno militar e não civil, como é de praxe da história positivista, criou-se um mito fundador com o falseamento dos fatos e heróis para criar uma nova versão para ela, como já dizia o reformador João Calvino “a cabeça do homem é uma fábrica de ídolos”.

Os republicanos confabularam um plano simplista para ganhar o apoio de alguns militares, objetivando a deposição de alguns ministros de D. Pedro II, que também não ofereceu a mínima resistência e partiu para a Europa. Sabemos que durante a “epopéia” da “Cavalgada da República” Deodoro da Fonseca estava de repouso em seu leito, tendo saído de casa pela manhã, visitando quartéis e conversando com alguns militares e depois retornou para casa, botou o pijama e foi dormir! Imaginem a cena! Chega a ser cômico...

Marechal Deodoro ao ficar sabendo que um político fora convidado pelo Imperador para formar um novo governo, decide assinar o manifesto proclamando a República que para ele deveria ser militar, para Quintino Bocaiúva, liberal e para Benjamim Constant, sociocrática.

Inspirados nos ideais franceses, fazendo coincidir o movimento do 15 de novembro de 1889 com o centenário da Revolução Francesa de 1789, repleto de disposições positivistas, foi criado um panteão cívico e a heroificação dos envolvidos no movimento.

Já que não existia uma identidade republicana, foi criada a figura de um herói personalizada! (veja só a fábrica de ídolos em ação) quem é ele? Tiradentes!!! Isso mesmo! Um herói em heroísmo, o herói republicano por excelência é contraditório, veja só, ele é o Cristo e o herói cívico, é o mártir e libertador, é o símbolo da pátria e o subversivo, em nossos livros didáticos, o nosso alferes aparece de barba, túnica, longos cabelos e com semblante contristado, isso te lembra alguém? Não seria mera coincidência? Pois é, propositalmente assemelhado a Jesus Cristo, numa espécie de Redentor da República, dando a sua vida para semear os ideais republicanos.

Se você caro leitor observar atentamente na pintura do quadro da Proclamação da República, mostra o Marechal Deodoro em seu cavalo (não é o cavalo branco de Napoleão!) com o boné erguido e com a espada levantada! Isso te lembra alguém? Dom Pedro I no quadro da Proclamação da Independência, não é mera coincidência? Mas me diga uma coisa, cadê o povo nestes quadros? Cadê os cidadãos? Não é data em que honramos os feitos heróicos da nação?

Nosso Marechal em questão tentou dar um golpe na mesma República que ele mesmo “proclamou”, censurou a imprensa, fechou o congresso e por fim renunciou.

Acho que chega por hoje não é mesmo? É muita hipocrisia, muita mentira num acontecimento só! Vamos construir uma nova história, nós que dizemos amar nosso país temos por obrigação rever os fatos e desmascarar estas farsas que até hoje foi nos imposta pelo sistema dominador positivista, abaixo a alienação e vamos nos tornar agentes transformadores de uma nova sociedade mais justa e fraterna para todos!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quem está disposto a repartir o pão?

Adriano Couto

É freqüente alguém tocar a campainha de nossa casa para pedir algum auxílio, uma peça de roupa, um litro de leite e, Às vezes aquele inevitável “pão velho”. Confesso que me sinto muito mal nesses momentos. Primeiro, porque me parece humilhante alguém ter de pedir comida para sobreviver e isto num país como o Brasil. Segundo, porque me parece algo próximo à perda da dignidade se contentar com “pão velho”. As pessoas têm o direito, antes de qualquer julgamento, de comer o pão novo de cada dia, como pedimos na oração de Jesus. E não há nenhuma lei humana, a meu ver, que possa contestar este direito humano básico fundamental para a sua sobrevivência.
O próprio Jesus entrou em conflito com os fariseus e escribas ao concordar que seus discípulos, com fome ao passar pelos campos colhessem espigas para se alimentar (Marcos 2, 23-28; Mateus 12,1-8).
Na oração do Pai Nosso, quando pedimos pelo pão de cada dia,significa que somos desafiados a lutar pelo pão nosso, o que inclui o pão de nossos vizinhos, amigos e mesmo vizinhos, a deixar o nosso comodismo e lutar por uma sociedade mais justa e fraterna em vez de ficarmos indiferentes ao sofrimento do próximo e neste ano temos a oportunidade para esta transformação, pois é ano eleitoral, os palanques estarão repletos de demagogia barata cada qual apresentado à solução mágica para os problemas sociais. Apesar de nos últimos anos nosso país ter avançado muito no aspecto social, a renda ainda é muito mal distribuída, quase toda a riqueza fica concentrada nas mãos dos poderosos, enquanto a maioria da população tem que sobreviver com migalhas. Compete a nós sermos agentes transformadores neste processo, exercendo a cidadania, votando naqueles candidatos que realmente estão comprometidos a lutar pelos menos favorecidos e não pelos interesses da burguesia. Numa canção pouco conhecida do Pr. Sílvio Meincke diz assim: “Ao rezar o Pai Nosso, amigo, oração que Cristo ensinou, você lembra o irmão sem abrigo, que na terra não achou. Do caboclo, posseiro, migrante que sem terra na vida ficou, enxotado, expulso, errante, toda a vida com terra sonhou. Se a terra pertence a Deus, como ele mesmo ensinou, reparti-la com todos os seus, do princípio ao fim desejou.”
Pense nisto! Reflita! De que maneira tu podes ser um agente transformador em tua comunidade?

sábado, 14 de agosto de 2010

Vai tchutchuca!

Adriano Couto

Em outra ocasião postei um artigo através do qual falei sobre a influência da música entre os adolescentes, fazendo um comparativo que outrora as mulheres eram chamadas de coisa mais linda, cheia de graça, atualmente são conhecidas por tchutchucas, cachorras, piranhas e etc. Esses são alguns dos rótulos que a turma do funk deu a nossas meninas. E sabe o que é pior, elas ainda obedecem aos comandos que as desmerecem. Há uma crise de identidade no meio das mulheres, pois elas já não gostam de ser chamadas de princesas, lindas, gatas e outros elogios piegas. O lance é ser chamado de vadia, popozuda, safada e outros apelidos depreciativos.

Nos bailes, o pancadão rola e os MC’s falam o que querem das mulheres. Pior, as próprias mulheres do funk não se dão o respeito. Veja só esse trecho de um funk cantado por um grupo de mulheres:

“Eu vou pro baile, eu vou pro baile
Sem, sem calcinha
Agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar
Daquele jeito!”


Gente é exatamente isso que elas cantam. E com orgulho. A declaração soa como um grito de libertação, mas na verdade é um grito de desvalorização. Não podemos concordar que chamem nossas meninas de cachorras e etc... Precisamos assumir uma postura de defendê-las e assim gerar uma resistência aos que insistem em minimizar a mulher e torná-la um simples objeto sexual.

Não estou aqui apregoando moral, mas creio que tem que haver pelo menos o mínimo de decência, pois crianças são expostas a esta pornografia escancarada, explícita. As pessoas nem mais percebem o que ouvem e o que cantam! Perderam completamente o senso estético, ético, moral, comunitário, sem falar que estas músicas são de uma pobreza cultural sem precedentes.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ração de cachorro e o salário dos trabalhadores

Adriano Couto

A declaração do goleiro Felipe do Santos Futebol Clube, está causando polêmica, o qual via twitcam, respondendo uma provocação de um torcedor, o mesmo dispara:
Aí fera… aí… cadê… aí fera… o que eu gasto com o meu cachorro de ração é o teu salário por mês. Então não f…” Fico profundamente indignado com a arrogância e prepotência deste atleta, fico me questionando a respeito dos salários astronômicos que jogadores de futebol ganham sem o mínimo esforço para isto, enquanto milhares de trabalhadores têm de sobreviver com salário miserável para sustentar suas famílias.
Essa é a inversão de valores em nosso país! Um semi-analfabeto, que ganha rios de dinheiro para jogar futebol, não tem controle emocional e nem um mínimo de inteligência para responder a um torcedor de sue time, em contrapartida um professor para concluir seus estudos gasta muito além de suas possibilidades e não é reconhecido e nem valorizado, ganhando salários medíocres.
Não sou contra o futebol, longe disto, pois sou torcedor também, mas creio que deveriam existir leis que regulamentassem os salários dos jogadores de futebol (parece utópico), pois os mesmos em sua maioria nem chegaram a sequer concluir o ensino médio, muitos foram péssimos alunos e o pior que servem de estimulo para muitos jovens que em vez de estudarem, matam aulas para jogar futebol e como nesta profissão não é qualquer um que alcança o almejado sucesso, então muitos deles ficam por aí, desempregados e sem qualificação para o mercado de trabalho, pois trocaram a sala de aula pelas “peladas”.
Muitos desses “meninos prodígios” do futebol, são oriundos de famílias humildes, passaram pelas mais diversas privações que um ser humano pode sofrer então os mesmos, ficam vislumbrados com os holofotes, a mídia, o sucesso, a fama, dinheiro, não se tem maturidade psicológica para lidar com estas situações, por isso muitos botam tudo que ganham fora com farras, orgias ou acabam se metendo em escândalos como este, existe muitos casos que conhecemos em que atletas perderam tudo que tinham por agirem desta forma e a mídia muitas vezes é culpada por ficar enchendo a bola dessa gente que pensam que estão acima do bem e do mal.
Um trabalhador literalmente mendiga o seu pão de cada dia durante uma vida toda, aposenta-se com um salário miserável, não chega a ganhar o equivalente a 1% da renda dos “astros da bola” passando todas as necessidades possíveis enquanto um medíocre ganha milhões e esnoba as pessoas humildes. Tem que haver uma justa distribuição de renda, não são todos os jogadores que tem este tipo de comportamento, mas estes são pessoas que em nada acrescentam a nossa sociedade, é um desrespeito ao torcedor que paga caro pelo ingresso nos estádios onde muitas vezes ocorrem brigas, mortes por causa dos clubes, dos “ídolos” enquanto os jogadores nem se importam, vão para os bares encherem a cara e depositar seus milhões no banco.
É a legítima máxima que o povão fala “quem nunca comeu mel quando come se lambuza” ou será ração de cachorro???

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Vivemos num estado laico e não ateu!

Adriano Couto

Hoje pela manhã olhando as notícias do portal O Galileo, li uma entrevista da candidata do PV à Presidência da República Marina Silva, onde consta sua indignação por ser “caçada” literalmente falando devido a sua profissão de fé evangélica. Marina já havia reclamado dos preconceitos que sofre por parte da sociedade por ser "evangélica" e advertiu que não se podem privar aqueles que seguem essa orientação religiosa de ter os "seus alinhamentos políticos", porque quem o fizer estará condenando a "segregação política uma comunidade que é muito importante para o país".
Marina externa sua indignação falando assim:
- Já fui discriminada por ser pobre, por ser negra, por ser mulher. Agora tenho sofrido preconceito por ser evangélica, o que é estranho. Porque, graças a Deus, eu sei que o Estado é laico. E Estado laico não é estado ateu, mas para favorecer os que crêem e os que não crêem. Do mesmo jeito que quero ter o direito de professar a minha fé, a Constituição assegura o direito de quem não tem fé nenhuma e de quem professa uma outra fé, que não é a minha, a cristã evangélica. O que não se pode privar é aos cristãos evangélicos de terem seus alinhamentos políticos. Se não, a gente vai fazer segregação política de uma comunidade que é muito importante para o nosso país.
Lembrando que neste blog não faço campanha para nenhum partido, apesar de ter minhas convicções políticas, pois recebo visitas de pessoas das mais diversas agremiações partidárias, portanto devo respeitar meus leitores e não tornar este local, um espaço tendencioso, como muitos tablóides e emissoras que vemos por aí, que tentam manipular a opinião pública.
Porque cito a candidata Marina Silva? Pois a discriminação que ela sofre por ser cristã, também sofro no âmbito acadêmico. Como o curso de história é ateu por excelência, os professores falam de tolerância religiosa, de respeitar os credos e etc, mas “caem de pau” literalmente se tem algum cristão em sala de aula, não respeitando a laicidade do Estado que garante a liberdade religiosa das pessoas.
Tempos atrás em uma aula questionei o porquê de ataques à fé cristã em sala de aula em detrimento a outras filosofias, muitas vezes engrandecendo o islã, o hinduísmo ou até mesmo pregando um ateísmo escancarado, professores levando para o lado pessoal suas convicções e as impondo em sala de aula como “dogmas”, tornando as aulas tendenciosas e manipuladoras, não respeitando o credo religioso dos presentes, pois fazer críticas a igreja como instituição tudo bem, é saudável o questionamento, mas contra a fé das pessoas, é condenável!tem outros professores e colegas que quando percebem que foram longe de mais em seus ataques preconceituosos falam assim : “Ah! Eu acredito em Deus...” esta afirmação para mim é muito subjetiva, banal e não tem sentido nenhum, pois a própria bíblia cristã diz: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.” (Tiago 2,19). Se tu queres ser ateu, cristão ou independente da confissão religiosa, tudo bem, mas vamos nos respeitar, vamos debater idéias e não pessoas, pois na mídia, nas universidades estão pregando um ateísmo escancarado, ridicularizando quem pensa diferente principalmente com quem é cristão, uma verdadeira “caça as bruxas”, não respeitando o artigo v, parágrafo VI da nossa constituição que diz assim: “ é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Por que não tem ONGs no Nordeste seco?

Adriano Couto

O Conversa Afiada recebeu uma colaboração de um leitor. O texto abaixo faz uma comparação entre o trabalho e a presença das Ongs estrangeiras na Amazônia e no Nordeste:
.
Você consegue entender isso?
.
Vítimas da seca
Quantos? 10 milhões
Sujeitos à fome? Sim
Passam sede? Sim
Subnutrição? Sim
ONGs estrangeiras ajudando: Nenhuma
.
Índios da Amazônia
Quantos? 230 mil
Sujeitos à fome? Não
Passam sede? Não
Subnutrição? Não
ONGs estrangeiras ajudando: 350
.
Provável explicação: A Amazônia tem ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.
.
O nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras ajudando os famintos.
.
Tente entender: Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres. Agora, uma pergunta: Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito? É uma reflexão interessante.

domingo, 18 de julho de 2010

Ex-goleiro Bruno repete o que grande parte dos presos dizem: “Sou evangélico”

Adriano Couto

Todo sujeito que vai para atrás das grades, talvez por pensar que as autoridades
policiais e judiciárias sejam ingênuas, logo inventa que é evangélico e pede uma Bíblia. Isto ocorre diariamente em várias delegacias, Brasil afora. É o caso recente do ex-goleiro Bruno do Flamengo e sua esposa, suspeitos de ser estarem envolvidos no assassinato de Elisa Samudio, ex amante do goleiro e com quem teria tido um filho. Bruno foi questionado por uma policial sobre sua religião. “Sou evangélico”, respondeu.

Sabe-se que muitos presos realmente são desviados e acabaram-se envolvendo em crimes, o que os levou à cadeia. Ainda bem que o Código Penal e de Processo Penal em nada atenua a condição do acusado ou suspeito, sendo este evangélico.

Ter passado algum dia por uma igreja evangélica, não implica dizer que já foi evangélico. Há dois tipos de desviados: os que tinham um compromisso sério com Cristo e com sua obra, mas esfriaram na fé, são os desviados, e os que iam à igreja, mas nunca tiveram compromisso com Cristo e sequer com sua igreja. Passeavam na igreja. Eram esquentadores de bancos.

Segundo o pastor da igreja que Bruno frequentava, quando adolescente, o ex-goleiro fugiu várias vezes, quando era chamado para batizar-se. Certamente para não assumir um compromisso sério com a igreja e com Cristo.

Como cristão sinto-me profundamente indignado e constrangido ao mesmo tempo, pois agora virou moda, tudo quanto é pilantra quando vai pro xilindró, se diz evangélico, crente ou qualquer coisa do tipo. Não vou ser hipócrita dizendo que não creio que as pessoas podem mudar, se arrepender e etc, senão estaria contradizendo a minha profissão de fé cristã, mas a maioria dos casos é só fachada.

Tem pessoas que extrapolam na vida, chegando ao fundo do poço literalmente falando, metida em toda sorte de vícios, encrencas da pior espécie, daí quando se vêem sem saída, vão correndo pra igreja mais próxima e posar “crente”, se “esconder” atrás de uma bíblia, muitas vezes escondendo a “graxa debaixo dos cascos” dando contra-testemunho, logo os críticos acabam rotulando os cristãos com os adjetivos mais absurdos e botando tudo no mesmo saco, prejudicando muitas vezes o trabalho sério de muitas instituições cristãs, colocando as mesmas em descrédito, por causa de pilantras que se aproveitam da boa fé das pessoas para tirar vantagens.

Fora com esses lobos em pele de cordeiro! Chega de pilantras usando o nome de Deus! Vamos desmascarar estes hipócritas! Chega de alienação! Chega de fanatismo!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dia dos Namorados

Adriano Couto

O dia dos namorados é uma das datas comemorativas mais lucrativas para o comércio, perdendo somente para o Natal e o Dia das Mães, o capitalismo opressor se utiliza do romantismo das pessoas, de seus sentimentos, colocando na cabeça dos casais que para demonstrar uma prova de amor, é necessário dar um presente bom e caro, pura ilusão e alienação, pois não leva em conta a pessoa em si, mas o consumo de bens e produtos, enriquecendo o sistema e atolando em dívidas os apaixonados.
O dia dos namorados em minha concepção deve ser celebrado todos os dias, quando os namorados vivenciam situações do cotidiano, adversidades, formando uma verdadeira parceria, demonstrando seus sentimentos um ao outro e não somente em uma data que o sistema impõe e prega que quem não dá presentes não ama a pessoa que está a seu lado. Em nosso país, a data é comemorada no dia 12 de Junho por ser véspera do 13 de Junho, Dia de Santo António, santo português com tradição de casamenteiro, provavelmente devido suas pregações a respeito da importância da união familiar que era combatida pela heresia da época chamada Catarismo. O casamento - em queda na Idade Média - gerava filhos que a seita catara condenava pois para esta o mundo era intrinsecamente mau pois, ao invés de ter sido criado por um Deus bom, teria sido criado por um Deus mau.
A data provavelmente surgiu no comércio paulista quando o publicitário João Dória trouxe a ideia do exterior e a apresentou aos comerciantes e depois foi assumida por todo o comércio brasileiro para reproduzir o mesmo efeito do Dia de São Valentin, equivalente nos paises do hemisfério norte, comemorado no dia 14 de fevereiro para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dia do índio

Adriano Couto


Nossa sociedade costuma “homenagear” com datas comemorativas pessoas “ilustres” ou alguns grupos de pessoas em específico. Quero tratar aqui sobre o dia do índio, este comemorado no dia 19/04, que assim como o dia do trabalho, da mulher, da abolição da escravatura e entre outras datas, que é uma estratégia do dominador de mascarar, amenizar, disfarçar as atrocidades cometidas contra essas pessoas.
Os índios sendo nativos, povo numeroso, com cultura, costumes, religião, idiomas, sociedade organizada, foram dizimados pelo branco europeu, tendo sua civilização destruída, subjugados pela “cultura” européia. Escravizados, mortos, roubados, um verdadeiro extermínio, uma “limpeza étnica”, movida pela ganância, cobiça e até mesmo “em nome de Deus”, com a bênção dos papas, com o envio de missionários jesuítas principalmente para “catequizar” os índios e ensinar a religião cristã em contraponto à “religião diabólica” dos nativos, quando na verdade os mesmos tinham a função de literalmente “amansar” os nativos para facilitar a conquista dos dominadores, sendo que os europeus teriam escravos alfabetizados, cristãos e conhecedores de técnicas agrícolas.
Nos dias de hoje, os poucos índios que ainda restam, continuam sendo desrespeitados, discriminados, quando os mesmos por direito, são os donos da terra e deveriam gozar até mesmo de privilégios e principalmente conservando a sua cultura e não vivendo confinados em reservas e tendo que assimilar a cultura do homem branco praticamente a força, tornando-os consumistas, urbanizados e como no passado, suscetíveis as mais variadas doenças.
As suas reservas mesmo estabelecidas por lei, não são respeitadas, pois os grandes latifundiários invadem, os magnatas do capitalismo vão implantando indústrias, acuando os nativos até retirá-los de sua terra, como na polêmica Usina Hidrelétrica de Belo Monte que será construída em meio a protestos de ONGs e dos próprios índios.
Mas infelizmente em nossa sociedade capitalista opressora, os pobres e oprimidos não tem voz e nem vez, os índios apenas lutam pelo o que é seu por direito e clamam por justiça!

terça-feira, 13 de julho de 2010

A supralunaridade da humanidade

Adriano Couto

Na Escola de Annales ocorre à reconstrução do tempo histórico, é um novo modo de se contar a história, libertando o homem de dogmatismos, talvez de conceitos ultrapassados, expondo suas contradições, tornando o seu conhecimento em atemporal, supralunar, ou seja, não estando preso a linha do tempo, sujeito a alienação, como ensinavam os filósofos da Grécia Antiga, pois os mesmos estavam preocupados com o eterno, com algo que não deixa de existir, tanto que antes de Heródoto “criar” a história escrita, ela era atemporal e supralunar, chamada anti-história, onde se usavam os mitos para explicar os assuntos mais importantes para o homem, como por exemplo, a criação do mundo, os deuses e etc.
A Escola de Annales nos mostra exatamente supralunaridade da história, ou seja, ela é cíclica, os fatos se repetem, diferenciando-se da Escola Tradicional Positivista que não aceita questionamentos, aliena o homem, impõe seu amontoado de fatos, criando seus “heróis”, numa seqüência de datas, numa cronologia desconexa, onde só o ganhador que conta a história, cujas fontes são apresentadas pelo mesmo, ao passo que os historiadores de Annales, buscam no cotidiano do homem, na sua vivência, seus relatos, vestígios, tais como certidões de óbito e entre outros documentos do dia a dia, para contar a Nova História, apoiando-se nas ciências sociais diferindo assim do dominador Positivista, tornado o homem seu objeto de estudo, ensinando que podemos nos libertar do sublunar, ou seja, do fluído modificado, daquilo que deixa de existir, nos colocando no caminho do eterno, atemporal, assim como os filósofos gregos, podemos ser também atemporais, supralunares, mostrando que a história se repete colocando que a mesma contém o segredo do homem, como disse Marx.
A Escola de Annales mostra que a história está em constante mudança, desmistificando o Europecentrismo Positivista que é imutável, inquestionável, fabrica seus “heróis”, figurando a história de indivíduos isolados. Annales é sujeita a crítica, proporciona o crescimento do homem, desenvolvendo sua atemporalidade, tirando-o da “caverna” conforme o mito de Platão, libertando-o da sublunaridade, esta que sempre leva ao fanatismo, xenofobia, racismo e toda espécie de opressão.

Visão hierofânica do mundo

Adriano Couto

Para o homem medieval, o referencial de todas as coisas era o sagrado, tudo era relacionado ao sobrenatural, temia-se tudo, ávida era árdua, difícil, devido a brevidade da vida, pestes, calamidades, guerras constantes, o homem convivia com o medo da morte. Portanto com a influência exclusiva da igreja, ele torna-se “místico”, “espiritualizado”, tudo tem ligação ao transcendental, mas acima de tudo o homem medieval não passa de um supersticioso, agarrando-se a mitos, crendices. A sociedade medieval estava habituada a viver sob o signo do sobrenatural. A hierofania manifestava-se também em setores diferentes do campo religioso, tais como a política e a economia.
A comunicação entre os mundos humano e divino, estavam sempre aberta, os anjos e demônios eram onipresentes a quem procurava atrair ou exorcizar. As narrações da época falam de batalhas entre Deus e os demônios, inclusive evocando-se as mediações destes em suas batalhas temporais.
A magia era largamente praticada, pois era entendida como uma hierofania e se manifestava de três formas: o milagre, o maravilhoso e a feitiçaria.
A feitiçaria era considerada uma hierofania maligna, juntamente com a bruxaria, cuja diferença é a que a primeira é técnica dominada conscientemente por alguém e a segunda provém de poderes inconscientes, inerentes ao indivíduo. Não posso deixar de citar a teofania que é a manifestação do próprio Deus, cuja manifestação citei anteriormente que quando evocado, o mesmo participava das batalhas e definia seus resultados.
Polêmica era a questão do ordálio, este se baseava na idéia de que Deus se manifestaria quando lhe fosse pedido um julgamento, em 1215 a igreja aboliu a prática do mesmo como prova jurídica.
Tudo se dava em torno do sobrenatural, a igreja oferecia seus sacramentos para livrar os fiéis dos males, as relíquias dos santos para os protegerem das investidas dos demônios e a mesma apresentava-se como protetora espiritual das pessoas, somente através dela e seus “favores”, bênçãos e etc, o homem poderia proteger-se do mal e salvar a sua alma.
A Inquisição era o instrumento de repressão e “justiça” da igreja, aplicando condenações contra os hereges, cujos ensinamentos estavam desacordo com a mesma.
A sociedade medieval era teocêntrica, Deus era o centro de tudo, por isso esse hierofanismo, que tudo girava em torno do sagrado, que o mundo era uma constante batalha entre o bem e o mal, o que não era de Deus, era do Diabo, tornando o homem inseguro, medroso, supersticioso, alienado, fanático e a igreja colaborava para que a sociedade se tornasse assim, devido as suas pressões, devido as suas pressões, ensinamentos e monopólio do ensino, da cultura, suprimindo o homem da sua liberdade de pensamento, pois tudo aquilo que não era de acordo com sua doutrina, era considerado pecado, tornando a Idade Média conhecida como Idade das Trevas.

Tendências modernas

Adriano Couto


Uma nova sociedade foi gerada nos últimos anos. O conhecimento e a comunicação ditam as novas regras. Produzir passa a ser tarefa dos que não acompanha este processo, enquanto que criar e projetar gera a nova fonte de poder.
No âmbito comercial, o mercado sul-americano está sendo pressionado a integrar a ALCA, submetendo os governos às regras de mercado que beneficiam a hegemonia norte americana. O capitalismo selvagem e predatório destrói o meio ambiente e, por causa da ganância pelo ter e o poder, também deforma o caráter humano.
O ser humano, hipnotizado pelo desejo consumista, está contribuindo para formar uma sociedade cada vez egocêntrica e imediatista. Como conseqüência, temos a violência desenfreada, a corrupção em vários setores sociais, o descaso com os miseráveis e até o desvirtuamento de culturas inteiras.
O sucateamento dos sistemas produtivos dos países em desenvolvimento ano após ano enfrenta um mercado cada vez mais competitivo. O frágil governo destes países obriga suas nações a entrarem nessa disputa carentes de saúde, educação, moradia, lazer, emprego e direito a uma vida digna.
Pessoas vivem angustiadas porque mal conseguem manter seus padrões de vida. Emprego para gari e coveiro são capazes de atrair milhares de pessoas para as grandes metrópoles, forçando-as a viverem nas favelas.
O terrorismo, arma dos desfavorecidos do regime capitalista, toma o cenário mundial em atentados contra as grandes potências ditatoriais refletindo a ira contra as estruturas concentradoras de renda, que depõe governos, destroem economias e ditam as normas na competição internacional pelo poder.
A crise financeira e das próprias “religiões tradicionais” arrasta multidões de pessoas para os templos modernos. No entanto, muitas destas “igrejas” servem de fachada para formação de mega negócios às custas da humilde fé do povo sofrido. Dessa forma, dar esperança aos desfavorecidos torna-se um negócio lucrativo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A influência da música

Adriano Couto

É fácil constatar que nos últimos anos, e de forma cada vez mais intensa, os adolescentes vêm lançando mão dos recursos culturais como forma de socialização entre os grupos de iguais ou mesmo junto aos mais velhos: os jovens. Este fenômeno é visível nas escolas, nas ruas, nos clubes e até nas igrejas. Nestes lugares eles se reúnem em torno de diferentes expressões culturais e se tornam visíveis através do corpo, das roupas, das expressões verbais e de comportamentos próprios das diferentes formas de expressão. Neste contexto, a música é a que mais os envolvem e os mobilizam.
Todos sabemos que a música exerce extraordinária influência sobre as pessoas. Esta arte é usada até com fins terapêuticos, de relaxamento ou de estímulo para o trabalho, o crescimento das plantas e o aumento de produção dos animais.
Quem não ouviu falar da histeria causada pela Beatlemania na década de 60? Suas músicas mudaram comportamentos na época e ainda hoje criam estilos entre os jovens e adolescentes. Mas não foram só os Beatles, o rock também distanciou adolescentes e jovens do modelo exigido pela sociedade daquele tempo. Em alguns tempos, criou anarquistas ao invés de pessoas responsáveis.
Na década de 80 começaram a surgir algumas bandas que em suas letras musicais, traziam humor e malícia. A partir de então, este gênero só aumentou, resultando no que hoje poderíamos chamar de “besteirol da música brasileira”. Sem a pretensão de moralizar, o sucesso de músicas como “boquinha da garrafa” e “éguinha pocotó” revelam o desprezo da nossa juventude pela cultura brasileira e o desrespeito à pessoa humana.
Embora o funk seja uma expressão cultural, não podemos negar que, na maioria dos casos, este estilo musical exalta contra-valores. Há algum tempo, alguns telejornais apresentaram casas de baile funk que promoviam o abuso de menores, relações sexuais em meio às danças, sem contar os nomes atribuídos às nossas belas mulheres brasileiras que na boca de Tom Jobim eram “... cheia de graça...” e no funk, são “cachorras”.
Fazendo uma comparação entre a música clássica e o heave metal, facilmente notamos que há um abismo entre estes dois estilos. A este ponto é de questionar. Será que músicas que levam o ouvinte à perda da consciência, com gritos histéricos, um instrumental ensurdecedor e danças frenéticas, trazem algum benefício ao adolescente em formação? Não será uma manifestação da falta de alguma coisa? Um vazio que se tenta preencher com o barulho e a libertinagem sexual de tantas músicas modernas? Estes são questionamentos que deviam ecoar forte nas reflexões e nas opções de um adolescente.

O trabalho infantil em nosso país

Adriano Couto


Hoje em nosso país segundo estatísticas, existem milhares de crianças e adolescentes que trabalham, tanto em serviços simples, como em serviços pesados também.
Nas regiões mais pobres do nosso país, principalmente no semi-árido nordestino, crianças desde cedo, trocam seus carrinhos e bonecas, por foices e enxadas para ajudarem no sustento da família, geralmente numerosa e sem as mínimas condições necessárias para seu bem-estar e sobrevivência. Nos canaviais, é um exemplo típico desta realidade, crianças trabalham como “bóias frias” ou até mesmo em carvoeiras, olarias e entre outras atividades, arriscando muitas vezes sua integridade física e até mesmo a vida.
Acredito que nossos jovens devem ser incentivados e apoiados pára estudar e ingressar no mercado de trabalho, mas também não podemos condenar essas famílias miseráveis que colocam seus filhos para ajudar no sustento da casa. O que devemos condenar é a exploração do trabalho infantil, pois em muitos casos, os pais não querem trabalhar e obrigam os seus filhos a ser pedinte nas ruas, até mesmo assaltar, para sustentar algum vício que os progenitores possam ter.
O nosso governo em parceira com a sociedade deveria analisar mais de perto tal situação e realizar políticas públicas para amenizar esta triste realidade. Mas fica pairando a pergunta no ar: Quem é o culpado? Os políticos ou a sociedade? Analise as estatísticas, reflita e você terá o resultado.