segunda-feira, 12 de julho de 2010

A influência da música

Adriano Couto

É fácil constatar que nos últimos anos, e de forma cada vez mais intensa, os adolescentes vêm lançando mão dos recursos culturais como forma de socialização entre os grupos de iguais ou mesmo junto aos mais velhos: os jovens. Este fenômeno é visível nas escolas, nas ruas, nos clubes e até nas igrejas. Nestes lugares eles se reúnem em torno de diferentes expressões culturais e se tornam visíveis através do corpo, das roupas, das expressões verbais e de comportamentos próprios das diferentes formas de expressão. Neste contexto, a música é a que mais os envolvem e os mobilizam.
Todos sabemos que a música exerce extraordinária influência sobre as pessoas. Esta arte é usada até com fins terapêuticos, de relaxamento ou de estímulo para o trabalho, o crescimento das plantas e o aumento de produção dos animais.
Quem não ouviu falar da histeria causada pela Beatlemania na década de 60? Suas músicas mudaram comportamentos na época e ainda hoje criam estilos entre os jovens e adolescentes. Mas não foram só os Beatles, o rock também distanciou adolescentes e jovens do modelo exigido pela sociedade daquele tempo. Em alguns tempos, criou anarquistas ao invés de pessoas responsáveis.
Na década de 80 começaram a surgir algumas bandas que em suas letras musicais, traziam humor e malícia. A partir de então, este gênero só aumentou, resultando no que hoje poderíamos chamar de “besteirol da música brasileira”. Sem a pretensão de moralizar, o sucesso de músicas como “boquinha da garrafa” e “éguinha pocotó” revelam o desprezo da nossa juventude pela cultura brasileira e o desrespeito à pessoa humana.
Embora o funk seja uma expressão cultural, não podemos negar que, na maioria dos casos, este estilo musical exalta contra-valores. Há algum tempo, alguns telejornais apresentaram casas de baile funk que promoviam o abuso de menores, relações sexuais em meio às danças, sem contar os nomes atribuídos às nossas belas mulheres brasileiras que na boca de Tom Jobim eram “... cheia de graça...” e no funk, são “cachorras”.
Fazendo uma comparação entre a música clássica e o heave metal, facilmente notamos que há um abismo entre estes dois estilos. A este ponto é de questionar. Será que músicas que levam o ouvinte à perda da consciência, com gritos histéricos, um instrumental ensurdecedor e danças frenéticas, trazem algum benefício ao adolescente em formação? Não será uma manifestação da falta de alguma coisa? Um vazio que se tenta preencher com o barulho e a libertinagem sexual de tantas músicas modernas? Estes são questionamentos que deviam ecoar forte nas reflexões e nas opções de um adolescente.

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