terça-feira, 13 de julho de 2010

A supralunaridade da humanidade

Adriano Couto

Na Escola de Annales ocorre à reconstrução do tempo histórico, é um novo modo de se contar a história, libertando o homem de dogmatismos, talvez de conceitos ultrapassados, expondo suas contradições, tornando o seu conhecimento em atemporal, supralunar, ou seja, não estando preso a linha do tempo, sujeito a alienação, como ensinavam os filósofos da Grécia Antiga, pois os mesmos estavam preocupados com o eterno, com algo que não deixa de existir, tanto que antes de Heródoto “criar” a história escrita, ela era atemporal e supralunar, chamada anti-história, onde se usavam os mitos para explicar os assuntos mais importantes para o homem, como por exemplo, a criação do mundo, os deuses e etc.
A Escola de Annales nos mostra exatamente supralunaridade da história, ou seja, ela é cíclica, os fatos se repetem, diferenciando-se da Escola Tradicional Positivista que não aceita questionamentos, aliena o homem, impõe seu amontoado de fatos, criando seus “heróis”, numa seqüência de datas, numa cronologia desconexa, onde só o ganhador que conta a história, cujas fontes são apresentadas pelo mesmo, ao passo que os historiadores de Annales, buscam no cotidiano do homem, na sua vivência, seus relatos, vestígios, tais como certidões de óbito e entre outros documentos do dia a dia, para contar a Nova História, apoiando-se nas ciências sociais diferindo assim do dominador Positivista, tornado o homem seu objeto de estudo, ensinando que podemos nos libertar do sublunar, ou seja, do fluído modificado, daquilo que deixa de existir, nos colocando no caminho do eterno, atemporal, assim como os filósofos gregos, podemos ser também atemporais, supralunares, mostrando que a história se repete colocando que a mesma contém o segredo do homem, como disse Marx.
A Escola de Annales mostra que a história está em constante mudança, desmistificando o Europecentrismo Positivista que é imutável, inquestionável, fabrica seus “heróis”, figurando a história de indivíduos isolados. Annales é sujeita a crítica, proporciona o crescimento do homem, desenvolvendo sua atemporalidade, tirando-o da “caverna” conforme o mito de Platão, libertando-o da sublunaridade, esta que sempre leva ao fanatismo, xenofobia, racismo e toda espécie de opressão.

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