terça-feira, 31 de agosto de 2010

Proclamação da República: Um feito heróico???

Adriano Couto

No dia 15 de Novembro de 1889 caía a Monarquia e nascia a República em nosso país. Mudou a forma de governo sem revolucionar a sociedade. Foi elaborada uma nova Constituição, trocada a bandeira e a Igreja separada do Estado (graças a Deus!), porém mantendo o povo na pobreza e a elite vivendo da exploração, o que hoje não muda muito.

A República era uma monarquia disfarçada, pois não houve transformações sociais com a mudança de governo, nosso país anoiteceu monarquia e amanheceu república devido ao caráter não revolucionário da dita proclamação.

A Proclamação da República tão celebrada foi um fenômeno militar e não civil, como é de praxe da história positivista, criou-se um mito fundador com o falseamento dos fatos e heróis para criar uma nova versão para ela, como já dizia o reformador João Calvino “a cabeça do homem é uma fábrica de ídolos”.

Os republicanos confabularam um plano simplista para ganhar o apoio de alguns militares, objetivando a deposição de alguns ministros de D. Pedro II, que também não ofereceu a mínima resistência e partiu para a Europa. Sabemos que durante a “epopéia” da “Cavalgada da República” Deodoro da Fonseca estava de repouso em seu leito, tendo saído de casa pela manhã, visitando quartéis e conversando com alguns militares e depois retornou para casa, botou o pijama e foi dormir! Imaginem a cena! Chega a ser cômico...

Marechal Deodoro ao ficar sabendo que um político fora convidado pelo Imperador para formar um novo governo, decide assinar o manifesto proclamando a República que para ele deveria ser militar, para Quintino Bocaiúva, liberal e para Benjamim Constant, sociocrática.

Inspirados nos ideais franceses, fazendo coincidir o movimento do 15 de novembro de 1889 com o centenário da Revolução Francesa de 1789, repleto de disposições positivistas, foi criado um panteão cívico e a heroificação dos envolvidos no movimento.

Já que não existia uma identidade republicana, foi criada a figura de um herói personalizada! (veja só a fábrica de ídolos em ação) quem é ele? Tiradentes!!! Isso mesmo! Um herói em heroísmo, o herói republicano por excelência é contraditório, veja só, ele é o Cristo e o herói cívico, é o mártir e libertador, é o símbolo da pátria e o subversivo, em nossos livros didáticos, o nosso alferes aparece de barba, túnica, longos cabelos e com semblante contristado, isso te lembra alguém? Não seria mera coincidência? Pois é, propositalmente assemelhado a Jesus Cristo, numa espécie de Redentor da República, dando a sua vida para semear os ideais republicanos.

Se você caro leitor observar atentamente na pintura do quadro da Proclamação da República, mostra o Marechal Deodoro em seu cavalo (não é o cavalo branco de Napoleão!) com o boné erguido e com a espada levantada! Isso te lembra alguém? Dom Pedro I no quadro da Proclamação da Independência, não é mera coincidência? Mas me diga uma coisa, cadê o povo nestes quadros? Cadê os cidadãos? Não é data em que honramos os feitos heróicos da nação?

Nosso Marechal em questão tentou dar um golpe na mesma República que ele mesmo “proclamou”, censurou a imprensa, fechou o congresso e por fim renunciou.

Acho que chega por hoje não é mesmo? É muita hipocrisia, muita mentira num acontecimento só! Vamos construir uma nova história, nós que dizemos amar nosso país temos por obrigação rever os fatos e desmascarar estas farsas que até hoje foi nos imposta pelo sistema dominador positivista, abaixo a alienação e vamos nos tornar agentes transformadores de uma nova sociedade mais justa e fraterna para todos!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quem está disposto a repartir o pão?

Adriano Couto

É freqüente alguém tocar a campainha de nossa casa para pedir algum auxílio, uma peça de roupa, um litro de leite e, Às vezes aquele inevitável “pão velho”. Confesso que me sinto muito mal nesses momentos. Primeiro, porque me parece humilhante alguém ter de pedir comida para sobreviver e isto num país como o Brasil. Segundo, porque me parece algo próximo à perda da dignidade se contentar com “pão velho”. As pessoas têm o direito, antes de qualquer julgamento, de comer o pão novo de cada dia, como pedimos na oração de Jesus. E não há nenhuma lei humana, a meu ver, que possa contestar este direito humano básico fundamental para a sua sobrevivência.
O próprio Jesus entrou em conflito com os fariseus e escribas ao concordar que seus discípulos, com fome ao passar pelos campos colhessem espigas para se alimentar (Marcos 2, 23-28; Mateus 12,1-8).
Na oração do Pai Nosso, quando pedimos pelo pão de cada dia,significa que somos desafiados a lutar pelo pão nosso, o que inclui o pão de nossos vizinhos, amigos e mesmo vizinhos, a deixar o nosso comodismo e lutar por uma sociedade mais justa e fraterna em vez de ficarmos indiferentes ao sofrimento do próximo e neste ano temos a oportunidade para esta transformação, pois é ano eleitoral, os palanques estarão repletos de demagogia barata cada qual apresentado à solução mágica para os problemas sociais. Apesar de nos últimos anos nosso país ter avançado muito no aspecto social, a renda ainda é muito mal distribuída, quase toda a riqueza fica concentrada nas mãos dos poderosos, enquanto a maioria da população tem que sobreviver com migalhas. Compete a nós sermos agentes transformadores neste processo, exercendo a cidadania, votando naqueles candidatos que realmente estão comprometidos a lutar pelos menos favorecidos e não pelos interesses da burguesia. Numa canção pouco conhecida do Pr. Sílvio Meincke diz assim: “Ao rezar o Pai Nosso, amigo, oração que Cristo ensinou, você lembra o irmão sem abrigo, que na terra não achou. Do caboclo, posseiro, migrante que sem terra na vida ficou, enxotado, expulso, errante, toda a vida com terra sonhou. Se a terra pertence a Deus, como ele mesmo ensinou, reparti-la com todos os seus, do princípio ao fim desejou.”
Pense nisto! Reflita! De que maneira tu podes ser um agente transformador em tua comunidade?

sábado, 14 de agosto de 2010

Vai tchutchuca!

Adriano Couto

Em outra ocasião postei um artigo através do qual falei sobre a influência da música entre os adolescentes, fazendo um comparativo que outrora as mulheres eram chamadas de coisa mais linda, cheia de graça, atualmente são conhecidas por tchutchucas, cachorras, piranhas e etc. Esses são alguns dos rótulos que a turma do funk deu a nossas meninas. E sabe o que é pior, elas ainda obedecem aos comandos que as desmerecem. Há uma crise de identidade no meio das mulheres, pois elas já não gostam de ser chamadas de princesas, lindas, gatas e outros elogios piegas. O lance é ser chamado de vadia, popozuda, safada e outros apelidos depreciativos.

Nos bailes, o pancadão rola e os MC’s falam o que querem das mulheres. Pior, as próprias mulheres do funk não se dão o respeito. Veja só esse trecho de um funk cantado por um grupo de mulheres:

“Eu vou pro baile, eu vou pro baile
Sem, sem calcinha
Agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar
Daquele jeito!”


Gente é exatamente isso que elas cantam. E com orgulho. A declaração soa como um grito de libertação, mas na verdade é um grito de desvalorização. Não podemos concordar que chamem nossas meninas de cachorras e etc... Precisamos assumir uma postura de defendê-las e assim gerar uma resistência aos que insistem em minimizar a mulher e torná-la um simples objeto sexual.

Não estou aqui apregoando moral, mas creio que tem que haver pelo menos o mínimo de decência, pois crianças são expostas a esta pornografia escancarada, explícita. As pessoas nem mais percebem o que ouvem e o que cantam! Perderam completamente o senso estético, ético, moral, comunitário, sem falar que estas músicas são de uma pobreza cultural sem precedentes.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ração de cachorro e o salário dos trabalhadores

Adriano Couto

A declaração do goleiro Felipe do Santos Futebol Clube, está causando polêmica, o qual via twitcam, respondendo uma provocação de um torcedor, o mesmo dispara:
Aí fera… aí… cadê… aí fera… o que eu gasto com o meu cachorro de ração é o teu salário por mês. Então não f…” Fico profundamente indignado com a arrogância e prepotência deste atleta, fico me questionando a respeito dos salários astronômicos que jogadores de futebol ganham sem o mínimo esforço para isto, enquanto milhares de trabalhadores têm de sobreviver com salário miserável para sustentar suas famílias.
Essa é a inversão de valores em nosso país! Um semi-analfabeto, que ganha rios de dinheiro para jogar futebol, não tem controle emocional e nem um mínimo de inteligência para responder a um torcedor de sue time, em contrapartida um professor para concluir seus estudos gasta muito além de suas possibilidades e não é reconhecido e nem valorizado, ganhando salários medíocres.
Não sou contra o futebol, longe disto, pois sou torcedor também, mas creio que deveriam existir leis que regulamentassem os salários dos jogadores de futebol (parece utópico), pois os mesmos em sua maioria nem chegaram a sequer concluir o ensino médio, muitos foram péssimos alunos e o pior que servem de estimulo para muitos jovens que em vez de estudarem, matam aulas para jogar futebol e como nesta profissão não é qualquer um que alcança o almejado sucesso, então muitos deles ficam por aí, desempregados e sem qualificação para o mercado de trabalho, pois trocaram a sala de aula pelas “peladas”.
Muitos desses “meninos prodígios” do futebol, são oriundos de famílias humildes, passaram pelas mais diversas privações que um ser humano pode sofrer então os mesmos, ficam vislumbrados com os holofotes, a mídia, o sucesso, a fama, dinheiro, não se tem maturidade psicológica para lidar com estas situações, por isso muitos botam tudo que ganham fora com farras, orgias ou acabam se metendo em escândalos como este, existe muitos casos que conhecemos em que atletas perderam tudo que tinham por agirem desta forma e a mídia muitas vezes é culpada por ficar enchendo a bola dessa gente que pensam que estão acima do bem e do mal.
Um trabalhador literalmente mendiga o seu pão de cada dia durante uma vida toda, aposenta-se com um salário miserável, não chega a ganhar o equivalente a 1% da renda dos “astros da bola” passando todas as necessidades possíveis enquanto um medíocre ganha milhões e esnoba as pessoas humildes. Tem que haver uma justa distribuição de renda, não são todos os jogadores que tem este tipo de comportamento, mas estes são pessoas que em nada acrescentam a nossa sociedade, é um desrespeito ao torcedor que paga caro pelo ingresso nos estádios onde muitas vezes ocorrem brigas, mortes por causa dos clubes, dos “ídolos” enquanto os jogadores nem se importam, vão para os bares encherem a cara e depositar seus milhões no banco.
É a legítima máxima que o povão fala “quem nunca comeu mel quando come se lambuza” ou será ração de cachorro???

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Vivemos num estado laico e não ateu!

Adriano Couto

Hoje pela manhã olhando as notícias do portal O Galileo, li uma entrevista da candidata do PV à Presidência da República Marina Silva, onde consta sua indignação por ser “caçada” literalmente falando devido a sua profissão de fé evangélica. Marina já havia reclamado dos preconceitos que sofre por parte da sociedade por ser "evangélica" e advertiu que não se podem privar aqueles que seguem essa orientação religiosa de ter os "seus alinhamentos políticos", porque quem o fizer estará condenando a "segregação política uma comunidade que é muito importante para o país".
Marina externa sua indignação falando assim:
- Já fui discriminada por ser pobre, por ser negra, por ser mulher. Agora tenho sofrido preconceito por ser evangélica, o que é estranho. Porque, graças a Deus, eu sei que o Estado é laico. E Estado laico não é estado ateu, mas para favorecer os que crêem e os que não crêem. Do mesmo jeito que quero ter o direito de professar a minha fé, a Constituição assegura o direito de quem não tem fé nenhuma e de quem professa uma outra fé, que não é a minha, a cristã evangélica. O que não se pode privar é aos cristãos evangélicos de terem seus alinhamentos políticos. Se não, a gente vai fazer segregação política de uma comunidade que é muito importante para o nosso país.
Lembrando que neste blog não faço campanha para nenhum partido, apesar de ter minhas convicções políticas, pois recebo visitas de pessoas das mais diversas agremiações partidárias, portanto devo respeitar meus leitores e não tornar este local, um espaço tendencioso, como muitos tablóides e emissoras que vemos por aí, que tentam manipular a opinião pública.
Porque cito a candidata Marina Silva? Pois a discriminação que ela sofre por ser cristã, também sofro no âmbito acadêmico. Como o curso de história é ateu por excelência, os professores falam de tolerância religiosa, de respeitar os credos e etc, mas “caem de pau” literalmente se tem algum cristão em sala de aula, não respeitando a laicidade do Estado que garante a liberdade religiosa das pessoas.
Tempos atrás em uma aula questionei o porquê de ataques à fé cristã em sala de aula em detrimento a outras filosofias, muitas vezes engrandecendo o islã, o hinduísmo ou até mesmo pregando um ateísmo escancarado, professores levando para o lado pessoal suas convicções e as impondo em sala de aula como “dogmas”, tornando as aulas tendenciosas e manipuladoras, não respeitando o credo religioso dos presentes, pois fazer críticas a igreja como instituição tudo bem, é saudável o questionamento, mas contra a fé das pessoas, é condenável!tem outros professores e colegas que quando percebem que foram longe de mais em seus ataques preconceituosos falam assim : “Ah! Eu acredito em Deus...” esta afirmação para mim é muito subjetiva, banal e não tem sentido nenhum, pois a própria bíblia cristã diz: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.” (Tiago 2,19). Se tu queres ser ateu, cristão ou independente da confissão religiosa, tudo bem, mas vamos nos respeitar, vamos debater idéias e não pessoas, pois na mídia, nas universidades estão pregando um ateísmo escancarado, ridicularizando quem pensa diferente principalmente com quem é cristão, uma verdadeira “caça as bruxas”, não respeitando o artigo v, parágrafo VI da nossa constituição que diz assim: “ é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.”