segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quem está disposto a repartir o pão?

Adriano Couto

É freqüente alguém tocar a campainha de nossa casa para pedir algum auxílio, uma peça de roupa, um litro de leite e, Às vezes aquele inevitável “pão velho”. Confesso que me sinto muito mal nesses momentos. Primeiro, porque me parece humilhante alguém ter de pedir comida para sobreviver e isto num país como o Brasil. Segundo, porque me parece algo próximo à perda da dignidade se contentar com “pão velho”. As pessoas têm o direito, antes de qualquer julgamento, de comer o pão novo de cada dia, como pedimos na oração de Jesus. E não há nenhuma lei humana, a meu ver, que possa contestar este direito humano básico fundamental para a sua sobrevivência.
O próprio Jesus entrou em conflito com os fariseus e escribas ao concordar que seus discípulos, com fome ao passar pelos campos colhessem espigas para se alimentar (Marcos 2, 23-28; Mateus 12,1-8).
Na oração do Pai Nosso, quando pedimos pelo pão de cada dia,significa que somos desafiados a lutar pelo pão nosso, o que inclui o pão de nossos vizinhos, amigos e mesmo vizinhos, a deixar o nosso comodismo e lutar por uma sociedade mais justa e fraterna em vez de ficarmos indiferentes ao sofrimento do próximo e neste ano temos a oportunidade para esta transformação, pois é ano eleitoral, os palanques estarão repletos de demagogia barata cada qual apresentado à solução mágica para os problemas sociais. Apesar de nos últimos anos nosso país ter avançado muito no aspecto social, a renda ainda é muito mal distribuída, quase toda a riqueza fica concentrada nas mãos dos poderosos, enquanto a maioria da população tem que sobreviver com migalhas. Compete a nós sermos agentes transformadores neste processo, exercendo a cidadania, votando naqueles candidatos que realmente estão comprometidos a lutar pelos menos favorecidos e não pelos interesses da burguesia. Numa canção pouco conhecida do Pr. Sílvio Meincke diz assim: “Ao rezar o Pai Nosso, amigo, oração que Cristo ensinou, você lembra o irmão sem abrigo, que na terra não achou. Do caboclo, posseiro, migrante que sem terra na vida ficou, enxotado, expulso, errante, toda a vida com terra sonhou. Se a terra pertence a Deus, como ele mesmo ensinou, reparti-la com todos os seus, do princípio ao fim desejou.”
Pense nisto! Reflita! De que maneira tu podes ser um agente transformador em tua comunidade?

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