sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Aberta temporada de “caça aos ciganos”

Adriano Couto



Na terra do champagne está sendo promovida uma verdadeira caça as bruxas, no que diz respeito ao povo cigano, cujas tradições, história, cultura, costumes está sendo praticamente extirpada, banida do território francês, para satisfazer os caprichos do “fascista” Nicolas Sarkozy, político de extrema-direita, com sua xenofobia, perseguição desenfreada contra as minorias, desrespeitando os Direitos Humanos. O mesmo está assemelhando-se a Hitler em sua “caçada” aos judeus e a Stálin com seus “expurgos”, eliminando quem não compactua com suas monstruosidades ou simplesmente não pensa igual aos seus interesses megalomaníacos.

O povo cigano desde sempre foi perseguido, vivendo como nômades, sendo perseguidos pela Igreja na Idade Média durante a Inquisição e também pelos regimes totalitários, em especial o Nazista.

Os ciganos são chamados também de rômanis, existem dúvidas quanto a sua origem, porém a mais aceita é a de que são originários da Índia. Este povo apesar de todo o histórico de perseguições, sempre preservou sua cultura, que é muito bonita, diga-se de passagem, porém as pessoas os vêem com desprezo e muitas vezes como malfeitores, exatamente como Sarkozy está fazendo.

Os ciganos vivem praticamente marginalizados, desrespeitados, são seres humanos com todos os direitos como qualquer outra etnia, inclusive o termo cigano é frequentemente utilizado como pejorativo para rotular pessoas.

Este megalomaníaco tem que ser detido e se a União Européia ficar de braços cruzados, quem sabe não estará abrindo as portas para um “novo holocausto” só que desta vez não com judeus, mas sim com ciganos?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Peronismo butiaense




Adriano Couto


Caro leitor você deve estar se perguntando, de onde retirei a expressão “peronismo butiaense”. Criei para fazer alusão ao governo anterior a 2005. Vou tecer aqui algumas comparações e você leitor vai associar claramente este governo que será citado com o de Perón na Argentina.

O governo dito “progressista” que na realidade foi retrógrado se comportou tipicamente como uma gestão peronista, de cunho populista, demagógico e com aparato repressor. Começando que lembro como se fosse hoje, que no seu último comício, na eleição de 2000, o ex-prefeito, pediu que: “é pra deixar filmado e gravado, me cobrem depois se isto não acontecer”, trouxe o deputado Chiamulera de Lajeado, o qual prometeu uma unidade da sua fábrica de refrigerantes em Butiá e também um representante da Motrisa também fez a promessa de instalação de uma filial de sua empresa em nossa terra. Já começo por aí só para frisar que não tenho memória curta...

Enquanto gestor, nosso Perón butiaense desenvolveu um forte paternalismo, um assistencialismo que beirava o ridículo, juntamente com sua esposa e secretária de assistência social, cuja popularidade se parecia com Evita Perón (entendeu a ligação?), distribuindo sacolas, estimulando povo ao ócio. Este desgoverno promoveu também festas ao ar livre, shows, lembrando a legítima política romana de pão e circo, onde eram promovidos espetáculos públicos para mascarar a miséria do povo!

Esta gestão construiu elefantes brancos que ficaram ociosos (Packing House e Shopping Rural), estes que foram reaproveitados pelo governo atual. Também não pavimentou nenhum metro de rua, foi desencadeada uma verdadeira perseguição ao funcionalismo público, em especial contra aqueles não tinham o mesmo alinhamento político, principalmente na área da educação, onde o despotismo imperava cuja secretária era uma verdadeira tirana, relembrando os tempos da ditadura (não é por acaso que o PP é herdeiro da ARENA e o ex-prefeito era policial civil, combinação perfeita não é mesmo?). Sem contar que empregou todos os familiares na prefeitura, promovendo um nepotismo descarado.

Nossa cidade era governada por uma aristocracia rural, por latifundiários, formando uma verdadeira oligarquia, que estava alheia aos interesses do povo, isto estava bem claro na composição do secretariado municipal...

Mas o povo é soberano e expurgou do poder os herdeiros da ditadura, governo este com traços peronistas, repleto de populismo, demagogia, perseguição e miséria, igualando-se ao peronismo argentino.

Os peronistas “made in Butiá” estão se articulando para voltar ao paço municipal em 2012, estão fazendo suas barganhas eleitoreiras e coligações visando interesses escusos. Nesta campanha de 2010, apóiam a candidata da RBS, representante do agronegócio que promove miséria no campo e o enriquecimento dos latifundiários, apóia também o deputado que está envolvido no escândalo do desvio de R$ 40 milhões do DETRAN e claro, apóiam a atual DESGOVERNADORA que disse que os professores (entre os quais me incluo) “vocês não são professores, mas sim torturadores de crianças” e também disse que “o CPERS quer transformar o Rio Grande do Sul num Iraque”. Relembrando que eu não tenho memória curta, creio que o povo também não, tanto que retiramos estes parasitas do poder, mas ainda tem pessoas que tem saudade do peronismo, do seu amado Perón e sua primeira dama Evita, semelhante aquelas mulheres que sentem prazer em apanhar do marido. Prezados leitores, to começando a desconfiar que Perón não morreu, ele habita entre nós...

domingo, 12 de setembro de 2010

Considerações sobre o escândalo de Triunfo

Adriano Couto


O escândalo das diárias, ocorrido em agosto deste ano, envolvendo os vereadores de Triunfo e General Câmara, onde os mesmos promoveram uma farra com o dinheiro público, fazendo turismo em Foz do Iguaçu, é um fato que não deve cair no esquecimento e quero aqui tecer alguns comentários a respeito deste episódio veiculado nacionalmente.

Ao acompanhar a excelente matéria do repórter Giovanni Grisotti da Rádio Gaúcha fiquei profundamente indignado, mesmo não sendo morador de Triunfo, isso me deixou revoltado, pois os edis triunfenses e seus vizinhos de General Câmara simplesmente desrespeitam os seus eleitores que lhe confiaram seu voto e o dever de representá-los na casa legislativa municipal.

Apesar de que, escândalos não são nenhuma novidade na terra do Pólo Petroquímico, que por sinal tem o maior PIB per capita do estado (e a população é pobre!), desde o final da década de 80 já existem históricos de corrupção envolvendo políticos da cidade.

Como boa parte da população depende dos cargos públicos ou empregos municipais, o silêncio dos moradores foi a forma de cumplicidade encontrada para proteger a administração; exceto um homem não se calou e, este foi o Pe. Genico Schneider.

Pe. Genico em entrevista ao Jornal Zero Hora relatou que: “Triunfo era uma antes da instalação do Pólo Petroquímico e virou outra depois. Todo mundo depende economicamente da prefeitura, tem alguém da família empregado ali, ou na Câmara, ou numa escola, ou no Posto de Saúde. Por isso, o medo de enfrentar a corrupção.” Comenta também que a Câmara não tem políticos de oposição para punir os responsáveis pelo escândalo das diárias. O padre foi a única autoridade com reconhecimento público do município a se manifestar sobre o assunto.

O referido padre teve que pagar um alto preço por suas declarações, recebeu telefonemas onde era intimidado, recebendo ameaças e também lhe foi informado que não seria mais bem recebido nos órgãos públicos daquela cidade, foi coagido a deixar Triunfo, pois o mesmo não se corrompeu, agiu como o sal da terra, como luz nas trevas da corrupção, um verdadeiro cristão! O mundo precisa de mais pessoas como o padre Genico!

Como cristão protestante, me alegro com a atitude deste sacerdote que exerceu o profetismo com autoridade! Denunciando as maracutaias locais! A corrupção! Isso é o mesmo que Jesus fazia, pagando com sua vida por mexer na posição de alguns privilegiados e, também ao mesmo tempo me envergonho de muitos pseudo- cristãos que se dizem evangélicos, que só querem dar glórias e aleluias e se calam feito covardes! Esquecem de olhar pro mundo que tem a sua volta e ver as injustiças, não lutam por uma sociedade mais justa e mais fraterna, só querem satisfazer o seu ego, a estes, Jesus chamou de hipócritas! Túmulos caiados, bonitos por fora e podres por dentro! Só pensam em bênçãos e esquecem dos necessitados que sofrem devido a corrupção vigente...

Triunfo virou uma verdadeira barganha, os governantes usam a arrecadação milionária, a máquina administrativa em troca de apoio popular, gerando empregos e comprometimento político, corrompendo os moradores, virando uma politicagem de quinta categoria! É uma vergonha estas maracutaias, mesquinharia, verdadeira baixaria os políticos já deixam a população propositalmente numa situação de pobreza para justamente poder corrompê-las e barganhar, para se perpetuarem no poder, já que muitas pessoas necessitadas não estão em condições de recusar tais ofertas, daí os nobres representantes deitam e rolam, fazem farra com o dinheiro público e riem da cara dos eleitores! Chega de corrupção! Nossa sociedade não agüenta mais! Cadeia nesses pilantras!

sábado, 11 de setembro de 2010

A guerra dos farrapos foi realmente uma “Revolução”?

Adriano Couto

Está se aproximando o 20 de Setembro, data do orgulho gaúcho e de exaltar o amor a nossa terra, então dedico este artigo um tanto quanto polêmico aqueles que são “gaúchos” somente na Semana Farroupilha, que nem sabem direito o que tão fazendo ou vestindo e muito menos sabem o significado da cor do lenço que trazem em seu pescoço e também aqueles cujo tradicionalismo exarcebado tiveram seu intelecto cauterizado pela alienação positivista que nossa história propõe, esta que é transmitida de geração em geração que nos leva a idolatrar um panteão de latifundiários. Como sou um gaúcho que ama esta terra sou a favor de um revisionismo histórico nesta fábula e a desmascarar a farsa que nos é imposta!

Começando que não há por que considerar como Revolução a Guerra Farroupilha de 1835. Não foi uma revolta popular, levando em conta os interesses em jogo; todavia, na condição de classe subordinada, o povo lutou. E se considerarmos os projetos da República e Federalismo, houve componentes progressistas no ideário político gaúcho, repletos de dispositivos maçons (um exemplo, a “fuga” de Bento Gonçalves do Forte do Mar na Bahia) e nestes, estão impregnados os interesses da elite.

Pode-se começar justificando o fato de estar errado o termo Revolução para o levante farrapo. Há um senso comum que diz ser Revolução uma troca dos que estão no poder, por meios drásticos. Trata-se de um entendimento equivocado das coisas. Revolução implica troca de classes no poder, uma alteração radical na estrutura institucional. O termo é usado gratuitamente na História do Brasil, tais como 1835, 1893, 1923, 1930 e 1964. Tal manipulação tem servido para valorizar os interesses da elite dominante, os quais não tinham projetos radicais de alteração das classes no poder.

A historiografia positivista oculta a instabilidade e miséria da peonada, submetida a uma dominação disfarçada de convívio paternal e fraternal. Convém lembrar que o povo jamais lutou por uma causa verdadeiramente sua embora as elites continuem festejando o 20 de setembro como se tivesse sido uma revolução popular, a verdade histórica está demonstrando que aquele evento nada teve de jacobino.

Complementando que nossa independência tão celebrada no dia 7 de setembro, por exemplo, não foi uma revolução, mas sim a substituição da expropriação e opressão de Lisboa pela hegemonia do sudeste, enfim, um prolongamento interno do antigo colonialismo.

Citando o movimento maragato de 1923, foi ideologicamente herdeiro do pensamento liberal-conservador de 1835, ancorado socialmente na elite dos estancieiros que, a despeito do apoio de outras classes, não tinha nenhum projeto para elas. Esta herança se manifestou na oposição ao centralismo borgista em nome de um sentimento liberal que buscou legitimar evocando o discurso sobre liberdade dos rebeldes farrapos. Quer dizer, os borgistas podiam recolher, no baú da ideologia farroupilha, o republicanismo, amortecido com a derrota de 1845 e revivido por Júlio de Castilhos em 1882. E os maragatos, no mesmo baú, foram recolher o entusiasmo liberal que animara a luta contra a tirania do Governo central. Enfim, os eventos de 1835 forneceram subsídios para diferentes ramificações do ideário político gaúcho posterior.

Acrescento um fato curioso e cômico
ao mesmo tempo ocorrido no ano de 1838, que ao tomar Rio Pardo, os farrapos prenderam a banda imperial e o maestro Joaquim José de Medanha e o coagiram literalmente a compor o hino farroupilha, hoje Hino do Rio Grande do Sul.

O gaúcho daquela época não era um homem “livre” e altivo como apregoam os tradicionalistas, mas sim sempre esteve submetido aos caprichos e vontades do estancieiro, sempre foi um solitário miserável, apenas acompanhado pelo álcool, do jogo e da cordeona, compondo um setor social rarefeito, pouco unido, muito débil diante da elite dominante e sem consciência de classe para entender e lutar por seus interesses, o verdadeiro gaúcho se caracterizou por ter uma vida errante, dura e difícil, o que inclusive o habilitou a enfrentar as durezas da longa e árdua revolta farroupilha, ou seja, seu cotidiano nada possuiu de lúdico e idílico como muita gente pensa.

Concluo argumentando que não se justifica fazer todo um povo compartilhar de um ufanismo que só tem sentido em nível de interesses restritos. As camadas populares sempre perderam no campo de luta, desde os tempos de Cabral... Porque utilizar o nome do povo para encobrir interesses apenas de um grupo significa uma nova derrota popular, na medida em que, desse modo, impede-se que um episódio histórico sirva para a formação de uma consciência crítica. Como nossa historiografia é tipicamente positivista, então ela busca seus heróis do passado nas oligarquias é claro, e na Guerra Farroupilha existe um panteão de nomes a serem cultuados e idolatrados pelo povo gaúcho.