segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Peronismo butiaense




Adriano Couto


Caro leitor você deve estar se perguntando, de onde retirei a expressão “peronismo butiaense”. Criei para fazer alusão ao governo anterior a 2005. Vou tecer aqui algumas comparações e você leitor vai associar claramente este governo que será citado com o de Perón na Argentina.

O governo dito “progressista” que na realidade foi retrógrado se comportou tipicamente como uma gestão peronista, de cunho populista, demagógico e com aparato repressor. Começando que lembro como se fosse hoje, que no seu último comício, na eleição de 2000, o ex-prefeito, pediu que: “é pra deixar filmado e gravado, me cobrem depois se isto não acontecer”, trouxe o deputado Chiamulera de Lajeado, o qual prometeu uma unidade da sua fábrica de refrigerantes em Butiá e também um representante da Motrisa também fez a promessa de instalação de uma filial de sua empresa em nossa terra. Já começo por aí só para frisar que não tenho memória curta...

Enquanto gestor, nosso Perón butiaense desenvolveu um forte paternalismo, um assistencialismo que beirava o ridículo, juntamente com sua esposa e secretária de assistência social, cuja popularidade se parecia com Evita Perón (entendeu a ligação?), distribuindo sacolas, estimulando povo ao ócio. Este desgoverno promoveu também festas ao ar livre, shows, lembrando a legítima política romana de pão e circo, onde eram promovidos espetáculos públicos para mascarar a miséria do povo!

Esta gestão construiu elefantes brancos que ficaram ociosos (Packing House e Shopping Rural), estes que foram reaproveitados pelo governo atual. Também não pavimentou nenhum metro de rua, foi desencadeada uma verdadeira perseguição ao funcionalismo público, em especial contra aqueles não tinham o mesmo alinhamento político, principalmente na área da educação, onde o despotismo imperava cuja secretária era uma verdadeira tirana, relembrando os tempos da ditadura (não é por acaso que o PP é herdeiro da ARENA e o ex-prefeito era policial civil, combinação perfeita não é mesmo?). Sem contar que empregou todos os familiares na prefeitura, promovendo um nepotismo descarado.

Nossa cidade era governada por uma aristocracia rural, por latifundiários, formando uma verdadeira oligarquia, que estava alheia aos interesses do povo, isto estava bem claro na composição do secretariado municipal...

Mas o povo é soberano e expurgou do poder os herdeiros da ditadura, governo este com traços peronistas, repleto de populismo, demagogia, perseguição e miséria, igualando-se ao peronismo argentino.

Os peronistas “made in Butiá” estão se articulando para voltar ao paço municipal em 2012, estão fazendo suas barganhas eleitoreiras e coligações visando interesses escusos. Nesta campanha de 2010, apóiam a candidata da RBS, representante do agronegócio que promove miséria no campo e o enriquecimento dos latifundiários, apóia também o deputado que está envolvido no escândalo do desvio de R$ 40 milhões do DETRAN e claro, apóiam a atual DESGOVERNADORA que disse que os professores (entre os quais me incluo) “vocês não são professores, mas sim torturadores de crianças” e também disse que “o CPERS quer transformar o Rio Grande do Sul num Iraque”. Relembrando que eu não tenho memória curta, creio que o povo também não, tanto que retiramos estes parasitas do poder, mas ainda tem pessoas que tem saudade do peronismo, do seu amado Perón e sua primeira dama Evita, semelhante aquelas mulheres que sentem prazer em apanhar do marido. Prezados leitores, to começando a desconfiar que Perón não morreu, ele habita entre nós...

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