terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Diretor de prisão obriga detentos a assistir TV evangélica 24h por dia

A Igreja Batista da Lagoinha instalou TVs de LCD em celas de uma prisão em Belo Horizonte, mas diretor da unidade, que é membro da igreja, só permite que os detentos vejam programas de emissoras religiosas.

Uma das principais denominações evangélicas de Belo Horizonte, a Igreja Batista da Lagoinha, bancou a instalação de TVs LCD de 32 polegadas em todas as celas de uma prisão da cidade.

Os aparelhos ficam praticamente o tempo todo sintonizados na emissora da igreja, a Rede Super.

Os presos do Ceresp (Centro de Remanejamento do Sistema Prisional) São Cristóvão não têm a opção de desligar a TV -no máximo podem tirar som e brilho na hora de dormir- e o controle de canais é feito na sala do diretor, Luís Fernando de Sousa, membro da igreja.

Em funcionamento desde 3 de outubro, o sistema é considerado um sucesso pelo governo mineiro, que o está levando para outras unidades.

Segundo Sousa, as TVs levam tranquilidade às dez celas do local e deixam os detentos "amparados espiritualmente". Ele disse que a igreja propôs a instalação.

"Você chega na cela e está todo mundo quietinho, de olho na TV. Mudam a forma de conversar, falam "bom dia, senhor diretor, tudo bem?" É gratificante."

O diretor contou que a Rede Super fica no ar "24 horas, praticamente". A preferência, disse, não foi imposição da igreja, mas escolha "natural", já que a Rede Super não tem "pornografia nem apologia ao crime". O canal exibe os cultos da igreja.

Ele disse que abre espaço para as emissoras católicas Rede Vida e Canção Nova e, recentemente, para a TV Justiça e para um canal educativo. Um preso disse à Folha, porém, que são raros os momentos sem a Rede Super.

Sousa descartou exibir outros canais por terem "muita droga e crime" e passarem programação "não salutar".

Outro argumento é que o Ceresp é um centro de triagem e os presos costumam ficar lá só cerca de uma semana. "É o tempo que tenho para plantar a semente", disse.

Sousa guarda em sua sala uma coleção de DVDs que exibe para os presos, por passarem "mensagem boa".

São filmes bíblicos na maioria, mas também sobre vida animal e sucessos como "À Espera de Um Milagre", que se passa em uma prisão e emocionou os detentos, de acordo com Sousa.

"O cara está preso e vou passar "Fuga de Alcatraz'?"

MULHER NUA E GUGU

O diretor disse que só tem ouvido elogios, mas, ao visitar o local, a Folha viu que o projeto não é unanimidade.

O preso Marcelo Corrêa disse sentir falta de poder mudar de canal: "Queria ver o que acontece no mundo".

O Ceresp abriga presos célebres, como Sérgio Sales (primo do goleiro Bruno), Thales Maioline (chamado de "o "Madoff mineiro") e membros da torcida organizada Galoucura, do Atlético-MG, suspeitos de matar um torcedor do Cruzeiro.

Roberto Augusto Pereira, o Bocão, presidente da Galoucura, disse sentir falta de assistir a notícias e jogos de futebol. "Mas já adianta para passar o tempo", afirmou.

Entre os satisfeitos com a programação evangélica está Denison Balbino, preso sob suspeita de tráfico de drogas, que disse ter se reencontrado com a religião graças à TV.

"A religião é um fator de refreio social. A gente aprende isso em sociologia", afirmou o diretor Sousa.

Ele rechaça ceder aos apelos de liberar a programação. "Eles não têm instrução, não estão preparados para escolher o que é bom, vão querer ver programa com mulher nua e o do Gugu", afirmou.

Sousa disse não acreditar que restringe a liberdade dos presos e que faz o mesmo que prisões que obrigam os detentos a trabalhar ou estudar.

O subsecretário de Administração Prisional de Minas, Genilson Zeferino, disse que a parceria com a igreja é "fantástica" e que as TVs são uma "peça fundamental na humanização" dos presos.

"ABSURDO"

O juiz Márcio Fraga, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), disse considerar "imprópria e absurda" a medida. Apesar de afirmar que as TVs podem tranquilizar os presos, ele lembrou que o Estado brasileiro é laico.

Pregação ininterrupta pela TV contraria liberdade de crença

HÉLIO SCHWARTSMAN

Por qualquer ângulo que se analise, a iniciativa da Igreja Batista da Lagoinha de, digamos, proporcionar programação televisiva de conteúdo espiritual edificante aos presos esbarra em sérias controvérsias jurídicas.

A mais grave delas é que, na prática, todos os reeducandos ficam obrigados a assistir à TV evangélica, 24 horas por dia. Isso, pode-se arguir, constitui uma segunda pena, à qual não foram condenados pela Justiça.

Em termos mais precisos, a pregação religiosa ininterrupta pode violar o princípio da liberdade de crença, assegurado pelo inciso VI do artigo 5º da Constituição.

Por mais fiéis que a Igreja Batista da Lagoinha esteja a arregimentar na região de Belo Horizonte, entre os presos existem representantes de várias crenças, muitos dos quais podem sentir-se constrangidos com o proselitismo da fé de que não comungam.

Do ponto de vista público, a situação não é mais tranquila. O acordo pelo qual a penitenciária permitiu que a Igreja Batista da Lagoinha instalasse as TVs pode ser interpretado como uma afronta ao princípio da laicidade do Estado (art. 19 da Constituição), que veda ao poder público estabelecer alianças com igrejas.

Ainda que se admita que o acordo é apenas uma colaboração de interesse público -hipótese em que seria permitido, a penitenciária, em respeito ao princípio da impessoalidade da administração, deveria ter oferecido a mesma oportunidade a outras igrejas e -por que não?- empresas comerciais instaladas no país.

Caso houvesse outros interessados em fazer o mesmo que a Igreja Batista da Lagoinha, um processo licitatório precisaria ser aberto.

O fato de o diretor da prisão ser membro da Igreja Batista da Lagoinha apenas reforça as piores suspeitas.

A laicidade, isto é, a separação total entre Estado e igreja, é a melhor garantia de que poderosos não vão impor a terceiros suas opções religiosas pessoais. É uma parte importante do pacote das liberdades públicas.



Fonte: Folha de São Paulo/ Blog Libertos do Opressor

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Rascunho de um desabafo pessoal

Kaue Jones


Por favor amigos, não me execrem pela linguagem chula, simplória e ultra informal usada neste desabafo, jamais teria coragem de chamar essa escrita de artigo. Só o transcrevo aqui por sugestão do Mário, pois era apenas um desabafo pessoal e sem intenção alguma direcionado a um amigo, pior ainda, este seria apenas o comentário de uma foto que vi no álbum dele, algo que comecei a escrever pra deixar como comentário que não fosse maior do que duas linhas, e, movido pelo calor da inconformidade, saí atirando conforme a minha mente me guiou, por todos os cantos.

O motivo causador do estopim.

Tudo começou quando fui visitar o Orkut de um amigo que estudou junto comigo, que na mesma época que eu, ouvia os bons clássicos do Rap nacional.

Sabe, cresci e aprendi muito no rap, ele me ajudou muito no desenvolvimento da minha escrita, e para mim, pessoalmente, é muito atraente escrever pensamentos em uma base sonora com a mesma liberdade de um texto ou poesia rimada, esta forma de arte, pra quem sabe usar de forma coerente, se torna algo muito mais didático e verdadeiro.

Surpreendeu-me seu Orkut estar cheio de citações e comunidades relacionadas a Cristo e ao protestantismo, ainda mais ainda uma tatuagem com o nome do senhor barbado de 2000 anos em seu braço, porém, como não sou dono da verdade, respeito todas as formas de pensamentos, por mais contraditórias que elas possam parecer… Afinal, quem no mundo também já não foi ou continua sendo contraditório?

Mas… o que me surpreendeu de verdade, e me fez ter um sentimento de repulsa e inconformismo daqueles que temos poucas vezes na vida, foi ver a seguinte foto relacionada em seu álbum, seguida da distinta descrição.





“Issu eh real!!! Agradeça a DEUS por cada minuto de sua vida!!!”


A partir daí nasceu o desabafo mais longo, mais rápido e talvez mais perplexo que já escrevi em tempos… acreditem, esse texto não foi escrito por mais do que 5 minutos, e eu ao menos o revisei, então me perdoem de todos os erros, excesso de palavras, ou forma esdrúxula na qual ele tenha sido escrito pra um assunto tão complexo, na verdade, só coloquei o mesmo no site a pedido do Mário, meu perfeccionismo, que venho lutando há muito tempo, jamais me deixaria escrever um artigo do qual eu não levei sequer menos de 10 minutos pra escrever e nem ao menos dei uma revisada, então tratem desse texto como um grande rascunho, apenas isso…



Sem mais delongas vamos ao desabafo.


Agradecer a Deus ao que? Que enquanto estamos aqui usando nosso Orkut, diariamente uma criança morre de fome?

Essa foto é muito triste e é muito egoísmo dizermos em agradecimento quando um ser vivo se definha em dores e fome ao nossos olhos.

Faz-me bem a incredulidade em Deuses, Allahs, Cristos, Espíritos e todas as formas de divindades e misticismos criadas pelo homem, porque isso não me anestesia, pelo contrário, me dá mais vontade de lutar pelo bem humano, pela paz de todos, sem exceção e sem recompensa final de um paraíso do qual ninguém nunca viu e que talvez ao menos exista.

Não entendo um brasileiro ser cristão, sendo que, os jesuítas, pelo seu doentio cristianismo, vieram aqui e mataram nossos ancestrais indígenas, os verdadeiros donos dessa terra, usando a desculpa deles serem meros servos de divindades demoníacas, ou pior, existir brasileiros negros protestantes, porque essa é a mesma religião que dizia em tempos não tão distantes que os negros eram desalmados e vieram a terra para serem escravos. Isso me deixa perplexo, como pode o mesmo cristianismo que hoje negros e descendentes defendem, ser o mesmo que era usado antes para a segregação racial na terra? Isso é irracional.

Cristianismo é racismo, porque vocês acham que, um Jesus árabe mouro de cabelos encaracolados, é sempre retratado nos quadros e pinturas como um viril senhor nórdico de olhos verdes e cabelos longos e loiros? Etnocentrismo meu amigo, etnocentrismo, leiam sobre isso.

Agora brasileiros somos o que? Um monte de afros e indígenas descendentes que cultuam os deuses europeus que hoje gospem nos misticismos dos nossos ancestrais e tratam as religiões do nosso passado como um mero submisticismo?

A melhor coisa que já fiz na minha vida foi estudar a fundo todas as grandes religiões, sem exceções. O cristianismo, islamismo, espiritismo, budismo e hinduísmo, etc… e comprovar através de muitos anos de estudos que todas elas sempre foram grandes farsas usadas para manipular massas, assim como também a política é. Hoje sem deuses e sem dogmas sou muito mais livre e feliz.

Cada religião está sempre certa e a outra errada. Já reparou que para o cristão, o espírita mexe com demônios e para o espírita os cristãos são ignorantes? Já para os islâmicos radicais, ambas são as faces do demônio já profetizadas por Allah.

Sabe por que para os evangélicos o candomblé é uma religião demoníaca? Porque é afro descendente, isto está escrito em antigos artigos cristãos, e, enxergar um evangélico negro cuspindo e endemonizando da religião dos seus ancestrais da áfrica, me dá tanta repulsa ao ver um nazismo as inversas. Enfim, eles abraçaram a religião do “homem branco” e demonizaram as suas raízes… O senhor de escravos solta gargalhadas hoje.

Cada religião tem seu Deus e povo escolhido, e assim nascem as guerras santas, e assim o mundo se evapora, povos escolhidos lutando entre si, cada um apoiado pelo seu doentio e invisível Deus.

Se os hebreus eram o povo escolhido de cristo, porque tantos milhões morreram em um holocausto promovido por um… Cristão… Hitler era um cristão fervoroso e tinha grande apoio do papado e do Vaticano para sua limpeza étnica. Porque Deus, Jesus e todos os anjos deixaram crianças, adultos e velhos morrerem dessa forma tão doentia nos campos de concentração?

A resposta é simples, não existem Deuses ou Demônios, todo o bem e mal é gerado por nós, e cabe a nós somente nós, sem divindades, exalar todo nosso amor para com o próximo.

A Bíblia é só mais um livro de histórias inventadas, assim como o Corão, ou um livro de mitologia dos deuses gregos, com seus Zeus, Hércules e etc, na antiga Grécia.

Recomendo a todos os leitores da Bíblia, Corão ou de qualquer outro livro inventado para enganar o homem com falsas promessas, a estudarem a essência das religiões, aquilo que não é pregado no culto, ou no centro, aquilo que é real, que mostra como a ganância do homem os faz enganarem massas, de pessoas boas, porque grande parte dos religiosos são pessoas boas, o problema não está nas pessoas, e sim no topo da pirâmide, dos pastores bilionários e de um Vaticano repleto de ouro, de um papa que gasta mais de 1 milhão de euros somente na sua troca de estilista e mudança de seus mantos papais enquanto uma criança como essa da foto morre de fome.(sim, essa história do papa é verídica).

Meu sonho é um dia viver em um mundo sem cores, países e religiões, aonde todos sejam iguais, respeitando as diferenças, e, aonde ninguém seja diferente por ter nascido em uma outra linha imaginária criado pelo homem(país). Um mundo aonde, ninguém ouça mais pastores, rabinos, padres e se guiem sempre pelo coração, convicção e ética, e saiba, que o ser humano como um todo é igual e que não existe povo escolhido algum.

Está na hora de crescermos e evoluirmos como tal. Morte a segregação.



Fonte: Site Livres Pensadores

OS ARQUÉTIPOS DA COLETIVIDADE HUMANA (SEGUNDO JUNG)

Quase todas as religiões no mundo tem um mito maior acerca do nascimento de um mito especial e/ou divina criança, que cresce para ser um líder espiritual, héroi ou ambos.

Sabemos que Jesus, não nasceu em 25 de dezembro. Estudiosos defendem como data de seu nascimento um dia entre os meses mais quentes. Esta data, 25 de dezembro, foi escolhida por volta de 273 E.C (Era Comum = AD), pelos pais da Igreja para coincidir com, e absorver, os festivais celebrando o nascimento de deuses pagãos. Segundo Peg Aloi, que escreveu um artigo para a Internet, chamado, "Você chama isto de Natal, nós chamamos isto de Yule", diz o seguinte : "Era comum aos pagãos celebrar o nascimento do Sol.... quando os Doutores da Igreja perceberam que os cristãos, pendiam para este Festival, eles de comum acordo resolveram que a verdadeira natividade, deveria ser solenizada neste dia".

Mais da metade da história da natividade ( como é geralmente conhecida) foi escrita por Lucas.

Ao menos 40 anos após a morte de Jesus. Do ponto de vista grego, adicionando detalhes que confirmariam a "Divindade" deste para as comunidades pagãs. Aqui estão as maiores coincidências entre a história da natividade de Jesus e as de nossos deuses:

01- Como Adonis ( grego) , ele nasceu de uma virgem.

02- Como Mithra (persa) e muitos outros, ele nasceu no Solstício de Inverno ou 25 de dezembro.
Nota 1: 25 de dezembro era com freqüência celebrado em vez do real Solstício, porque 25, era a prova concreta nos céus que os dias de fato, tornavam-se mais longos.

03- Como Krishna ( hindu) e Osiris ( egípcio), seu nascimento foi anunciado por uma estrela especial e por um anjo.

04- Como Osiris, seu nascimento foi seguido por três magos, sábios.

05- Como Adonis, ele nasceu em Belém.
Nota 2: Belém significa "a casa do pão", portanto "a casa do trigo e do Deus milho". Notem a inclusão do pão sagrado na comunhão cristã. Belém era um bosque dedicado à Adonis ou tamuz, o deus assírio/ babilônico da morte/renascimento, Deus dos grãos e o consorte da Deusa Ishtar. Os antigos adoravam Tamuz ( Ezequiel 8,14).

06- Como Mithra, seu renascimento foi testemunhado por pastores e magos.
Nota 3: As religiões, ditas da Terra, eram religiões dos povos rurais, do campo, e , esta é que é a origem da palavra pagã, que vem de pagien, do latim paganus, do francês, paysan, e significa, ..."que não está no limite das cidades".

07- Como Krishna , foi perseguido por um rei que tentou matar todos os recém - nascidos homens.

08- Como Dionísio ( grego) e muitos outros heróis pagãos, ele foi forçado a fugir e se esconder nos seus primeiros anos de vida.
Jesus era também chamado de Adonai, que é apenas a forma semítica do nome grego Adonis. O título Cristo, usado por ele é uma variação para se referir a Attis, Adonis, Tamuz e Osiris.

Todos estes Deuses tiveram uma morte sacrificial e foram conhecidos como "Deuses Salvadores". Os Festivais romanos do Solstício de Inverno, Saturnália, incorporam os nascimentos de Attis, Osiris e o Baal sírio. Estes deuses como muito outros, incluindo Jesus, eram designados como "Criança Divina", o "Filho do Homem", "Luz do Mundo ", "Sol da Retidão" e "Salvador".

Os povos nórdicos celebram o nascimento de seu "Deus salvador", Frey no Solstício de Inverno, e chamavam a véspera de Natal de "Monarect"a noite da Mãe. Para os celtas, o Deus do crescente luz/ano, nascia no Solstício de Inverno. Muito do restante da história de Jesus, eram incidentes que copiaram os maiores eventos ou símbolos nas vidas de deuses pagãos. Isto levaria muito tempo para cobrir toda esta história.
Mas ainda , sob a luz do Novo Testamento, especialmente no Evangelho de João, e prática cristã, Jesus é essencialmente o "Deus Avatar" ( Santo Mensageiro) da nova luz. Não existe um grande abismo na idéia do nascimento do Sol/Filho das Deusas, trazendo esperança e a promessa de um ano melhor para o desenvolvimento físico e espiritual do mundo e o nascimento de um 'reino de Deus' também para este mundo.

A palavra Christmas (Natal) , apenas significa o "o povo do Cristo" e também missa do Cristo. Os pagãos têm deuses Cristos e a partilha do vinho abençoado é basicamente a mesma coisa da comunhão na missa cristã. Na versão pagã da 'missa do Cristo' no Yuletide, eles celebram a 'vinda da nova luz e esperança no mundo'. A grande diferença é que os pagãos celebram isto todos os anos, e para os cristãos , isto aconteceu apenas uma vez. Um aspecto na vida de Jesus que merece ser vista é a importância da figura de Maria. Maria é aversão cristã do nome "Mari"- conhecido através do mundo ocidental como a Deusa da Lua e do Mar. Símbolos da Virgem Maria. Três Marias testemunharam e assistiram a morte de Jesus e a sua ressurreição. As 3 presenças nesta história seriam derivadas da imagem tripla da Deusa. As 3 faces como ela é normalmente adorada. A Virgem, a Mãe e a Anciã.

Autor:
Textos retirados de "Tradição Kairosean - The Templo of the Lady - Canadá", "Yule / Winter Solstice - Pashta MaryMoon Starhawk - A dança cósmica das feiticeiras", "Mistérios celtas - John Sharkey", "You call it Christmas, we call it Yule - Peg Aloi", "Lady Hedhog - Yuletide - Winter Solstice". Texto desenvolvido por Elvira Santiago.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UMA HISTÓRIA QUE SE REPETE ATRAVÉS DOS SÉCULOS

Adriano Couto


Hórus (3000 a.C)
Nasceu da virgem Isis-Meri.
O seu nascimento foi acompanhado por uma estrela a este que por sua vez foi seguida por três reis em busca do Salvador recém-nascido aos 12 anos era uma criança prodígio e aos 30 foi batizado por uma figura conhecida por Anup e assim começou o seu reinado. Hórus tinha doze discípulos e viajou com eles. fez milagres tais como curar os enfermos de andar sobre a água. Hórus também era conhecido por vários nomes tais como a verdade, a Luz, o filho que o adorado de deus. bom pastor cordeiro de deus, entre muitos outros. depois de traído por Tifão do, Hórus foi crucificado, enterrado e ressuscitou 3 dias depois.

Estes atributos de Hórus, originais ou não, parecem influenciar varias culturas mundiais e muitas outros deuses encontrados com a mesma estrutura mitológica.

Atys
(Grécia – 1200 AC)
Atys, da Phyrigia, nasceu da virgem Nana, crucificado, colocado no túmulo, 3 dias depois ressuscitou.

Mithra
(Pérsia -1200 AC)
Nasceu de uma virgem, teve 12 discípulos e praticou milagres. Após sua morte foi enterrado e ressuscitou 3 dias depois. Também era referido como “A Verdade”, “A Luz”... Curiosamente, o dia sagrado de adoração a Mithra era um Domingo.

Krishna
(Índia – 900 AC)
Nasceu da virgem Devaki com uma estrela no Ocidente a assinalar a sua chegada. Fez milagres em conjunto com seus discípulos, e após a morte ressuscita.

Dionísio
(Grécia 500 AC)
Nasce de uma virgem a 25 de Dezembro, foi um peregrino que praticou milagres tais como transformar a água em vinho, e é referido como “Rei dos Reis”, “Filho pródigo de Deus”, “Alpha e Omega”... Após sua morte, ressuscitou.

Jesus Cristo
Anunciado por uma estrela a Ocidente, que seria seguida por 3 reis magos para encontrar e adorar o salvador. Tornou-se pregador aos 12 anos, e aos 30 foi Batizado por João Batista e assim começou o seu reinado. Jesus teve 12 discípulos com quem viajou praticando milagres tais como curar pessoas, andar sobre a água, ressuscitar mortos, e também foi conhecido como “Rei dos Reis”, o “Filho de Deus”, a “Luz do Mundo”, Alpha e Omega”, Cordeiro de Deus”... Depois de traído pelo seu discípulo Judas e vendido por 30 pratas, foi crucificado, colocado num túmulo, três dias depois ressuscitou e ascendeu aos céus.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Opinião: Rev. Richard C. Halverson sobre a evolução da igreja

“No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou à Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à Ámérica, e tornou-se um negócio.”

(Rev. Richard C. Halverson)


Fonte: Blog Libertos do Opressor

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Deus, um Delírio, de Richard Dawkins





Somos todos ateus no que concerne à maioria dos deuses que a humanidade já acreditou. Alguns de nós só vão um deus além disso.
Eu sou contra a religião porque ela nos ensina a nos satisfazermos ao não entender o mundo.
Bush e Bin Laden estão, na verdade, do mesmo lado: o lado da fé e violência, em oposição ao lado da razão e discussão. Ambos têm uma fé implacável de que estão certos e de que o outro é maligno. Ambos acreditam que, quando morrerem, ascenderão aos céus. Cada um crê que, quando matar o outro, seu caminho ao paraíso no outro mundo será muito mais rápido. O ilusório 'outro mundo' será bem-vindo a ambos. Este mundo seria um lugar muito melhor sem nenhum dos dois. (fonte)




Richard Dawkins, biólogo e professor da cátedra de Compreensão Pública da Ciência na prestigiosa Oxford University, talvez seja o ateu mais ilustre do nosso tempo. Pesquisador premiado, talentoso popularizador da ciência e introdutor do termo meme, uma espécie de equivalente cultural do conceito biológico de “gene”, Dawkins é mais conhecido (e atacado) por sua feroz crítica das religiões. Ao contrário dos cientistas que – apesar de ateus ou agnósticos, como o são a esmagadora maioria dos cientistas – estão reconciliados com a idéia de que ciência e religião são empresas que podem coexistir desde que os limites de cada uma sejam respeitados, Dawkins encara as religiões como uma perigosa fonte de obscurantismo que ameaça a busca da verdade, o trabalho da razão e a paz.

A culminação da sua cruzada anti-religiosa (valha o oxímoro) é o livro The God Delusion, que será lançado no Brasil pela Companhia das Letras no segundo semestre. Até onde pude averiguar, o livro deve sair com o título de A Ilusão de Deus, o que é uma tradução no mínimo imperfeita. “Delusion”, em inglês, designa um tipo de ilusão com características patológicas. “Delírio”, neste caso, talvez fosse uma melhor solução. Para piorar, a ambigüidade própria ao genitivo no português pode sugerir que é o não-existente Deus que anda iludido. . . Talvez a tradução mais conforme com as intenções do autor fosse Deus, um Delírio. Atualização: a tradução que saiu terminou optando pelo título que considerávamos melhor; parabéns aos tradutores.

Terminei de ler o livro, com tremenda admiração pela coragem e erudição de Dawkins. A obra poderia ser dividida, grosso modo, em duas partes: uma demonstração cientifica da extrema improbabilidade da existência de Deus e uma tentativa de explicação do porquê da popularidade das religiões ao redor do mundo. A primeira parte do argumento é impecável; a segunda, bem mais fraca.

Alguns dos pressupostos do livro de Dawkins são irrefutáveis. Os ateus e agnósticos formam um enorme contingente humano, mas não encontraram ainda canais efetivos para a defesa de sua visão de mundo. Prova disso é o fato de que qualquer candidato a presidente dos EUA que se declarasse ateu estaria condenado a perder a eleição. Apesar de que é improvável que qualquer amostra de 500 indivíduos norte-americanos instruídos não inclua um ateu, nenhum dos membros do Congresso tem coragem de se declarar não crente – isso implicaria condenar-se a não ser reeleito. Nenhuma pregação da eliminação de um grupo étnico ou sexual seria protegida pela primeira emenda à constituição americana, a que garante liberdade de expressão, já que ela não inclui discursos que incitam o ódio. No entanto, basta que o ódio se apresente como religioso (“a homossexualidade é um pecado!”) para que ele passe a ser aceitável. Ninguém questionaria o direito de qualquer cidadão declarar que o marxismo ou o liberalismo são idéias imbecis, mas qualquer ataque à religião nesses termos é imediatamente qualificado como um desrespeito. A religião desfruta desse curioso privilégio: a livre discussão de seus postulados continua barrada à razão, mais de 200 anos depois da revolução iluminista. Ninguém se referiria a uma criança de 5 anos de idade como "conservadora" ou "liberal", mas fala-se impunemente de "criança católica" ou "criança muçulmana", ao invés do que seria correto, "crianças de pais católicos" ou "crianças de pais muçulmanos". Ninguém tem nenhuma prova de que os religiosos são pessoas mais morais em suas ações que os ateus, mas essa associação automática continua operando em nossa sociedade, com conseqüências desastrosas. Por outro lado, há montanhas de evidências correlacionando o ateísmo a níveis mais altos de informação, preparação científica e QI, mas a palavra "ateu" ainda carrega um terrível estigma.

Dawkins desmonta admiravelmente a hipótese deísta, mostrando que a ciência da evolução já nos forneceu os mecanismos para entender como a complexidade surge da simplicidade. É óbvio que a ciência não pode provar a inexistência de Deus, assim como não pode provar a inexistência de fadas ou do saci-pererê. Mas a hipótese deísta, de um Deus criador de toda a complexidade do mundo, além de não ser capaz de apresentar qualquer evidência que a sustente, contraria toda a evidência disponibilizada pela pesquisa científica acumulada ao longo dos séculos. A desconstrução que oferece Dawkins das “provas” da existência de Deus são alguns dos momentos mais brilhantes do livro, só comparáveis ao rolo compressor que ele passa sobre a falácia do “projeto inteligente” (intelligent design), máscara pseudo-científica recentemente encontrada pelos criacionistas para tentar conquistar espaço igual ao da ciência nas escolas e que, apesar de generosos subsídios de fundações conservadoras como a Templeton, ainda não conseguiu alistar nem meia dúzia de cientistas sérios em sua defesa.

A principal crítica feita por Terry Eagleton ao livro de Dawkins – a de que ele ignora as sutilezas da teologia – me parece, por isso, essencialmente injusta. Dawkins escreveu um livro que tenta demonstrar porque a hipótese deísta não se sustenta. Exigir que ele dedique páginas às diferenças entre São Tomás de Aquino e Duns Scott é como esperar que uma crítica racional da astrologia perca tempo debatendo as diferenças entre os astrólogos chineses e os mexicanos. Continuo achando extremamente engraçado que um marxista como Eagleton escreva frases como porque o universo é de Deus, ele compartilha de sua vida, que é a vida da liberdade. É por isso que ele funciona por si mesmo, e é por isso que tanto Richard Dawkins como a ciência são possíveis. O mesmo é verdadeiro dos seres humanos: Deus não é um obstáculo a nossa autonomia e prazer mas, como argumenta Aquino, o poder que permite que sejamos nós mesmos. Qual é a evidência que apresenta Eagleton para sua tese? Nenhuma. É porque é. Porque Aquino disse. É difícil acreditar que alguém possa escrever coisas assim e ainda declarar-se marxista. O pobre Karl deve estar revirando-se no Highgate Cemetery, com seguidores como Eagleton.

O livro também foi criticado por razões, digamos, táticas, ou seja, por “jogar gasolina no incêndio”, como argumenta Marcelo Gleiser, um ateu, nesses dois artigos na Folha (link para assinantes). Muitos acreditam que é melhor concentrar-se na crítica aos fundamentalismos religiosos, ao invés de empurrar todos os crentes para o campo inimigo. Essa é, acredito, a posição dos que reclamam do “radicalismo” ou “intolerância” de Dawkins, como alguns dos leitores dessa resenha escrita por Lucia Malla. Eu concordo com a resposta da Lucia, de que não se deve confundir ênfase com intolerância. Muitas vezes, o ataque ao “radicalismo” de alguém é só uma forma de reconhecer que seus argumentos não podem ser refutados com facilidade.

Há críticas do livro de Dawkins, no entanto, que me parecem atinadas, e Eagleton reproduz algumas delas. Dawkins tem uma tendência a exagerar a influência negativa da religião e a desprezar o papel positivo que ela pode cumprir em algumas situações. Sua análise de fenômenos sociais é grosseiramente unidimensional. Ele chega a declarar, por exemplo, que a abolição da religião representaria o fim dos problemas no Oriente Médio ou na Irlanda, o que é uma brutal simplificação. Qualquer que seja sua posição sobre a ocupação colonial eufemisticamente conhecida como o “conflito israelo-palestino”, a explicação do problema não pode prescindir de uma análise da estrutura política estabelecida a partir da fundação do estado de Israel. Que a religião passe, depois, a simbolizar o conflito para muitos dos atores nele envolvidos não quer dizer que ela seja a causa decisiva. Houve incontáveis contextos históricos nos quais judeus, cristãos e muçulmanos conviveram em relativa harmonia, como por exemplo na Al-Andalus medieval (para detalhes, consultar este livro). Não é correto afirmar, como o faz Dawkins, que a situação semi-colonial da Irlanda ante a Inglaterra se remonte a uma mera rixa entre protestantes e católicos, por mais que essa seja a fachada mais visível do conflito. Ao explicar os ataques terroristas do 11 de setembro como uma mera conseqüência do fundamentalismo religioso, Dawkins ironicamente repete os argumentos da direita religiosa que é sua grande inimiga – desprezando assim a análise da evidência histórica que mostra as raízes políticas do problema.

Em outras palavras, como biologia e cosmologia o livro é impecável e confirma a sólida reputação do autor. Quando ele se move na direção do terreno das ciências sociais e da filosofia, patina. Acho inconcebível que um ateu tente explicar o papel das religiões no mundo sem engajar-se nem uma única vez com Nietzsche, Freud ou Marx. Esses três “pensadores da suspeita” ofereceram ferramentas sofisticadíssimas para a compreensão do problema. Dawkins as ignora e substitui-as por um modelo tosco, mecânico, reducionista, que se limita a explicar a religião como resquício de um modo de pensamento infantil. Mas claro, se Dawkins soubesse tanto de filosofia e ciências sociais como ele sabe de biologia e cosmologia, ele não seria Dawkins. Seria Deus.

Leituras relacionadas (em português):

Resenha de O Anti-Cristo, de Friedrich Nietzsche,

O fantasma de Darwin, de José Colucci Jr.

Santa Ilusão, resenha de Hélio Schwartsman na Folha.

Resenha de Renato Zamora Flores, na Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul.

Capítulo de Decompondo o Arco-Íris, de Richard Dawkins.

Resenha de A Escalada do Monte Improvável, de Richard Dawkins.

Portal do Ateísmo.

Entrevista com Richard Dawkins.

Citações de Richard Dawkins.

(em inglês):

The Atheist.

Interview with Richard Dawkins.

Beyond Belief, in the New York Times.



By: O Biscoito Fino e a Massa

Fonte: Blog Com Texto Livre

Por que São Paulo odeia Getúlio Vargas?

Ele conferiu cidadania à classe trabalhadora e isto, para uma burguesia elitista, preconceituosa e reacionária, é uma afronta Getúlio Vargas
Plínio de Arruda Sampaio
De São Paulo/Terra Magazine


São Paulo tem uma dívida não paga com Getúlio Vargas. Talvez nenhum outro governante tenha feito mais para o desenvolvimento econômico desse Estado do que o grande presidente.

Não fora a defesa do preço do café, certamente, os fazendeiros quebrariam pela impossibilidade de resistir aos efeitos da crise de 1929. Nessa ocasião, Vargas ordenou a queima de café, a fim de restringir a oferta e manter o preço do produto em um nível mínimo.

Seu antecessor, o "paulista" (de Macaé, RJ) Washington Luiz, que se negou a fazê-lo com uma frase que ficou histórica: "quem não pode pagar entrega o que tem".

Não apenas os fazendeiros são devedores: assumindo a chefia da nação, em 1930, um dos primeiros atos de Vargas foi decretar a legislação trabalhista, o que possibilitou a industrialização do país, da qual o principal beneficiário foi o Estado de São Paulo.

No entanto, apesar disso tudo, não há, na cidade de São Paulo, nem um só monumento, rua, praça ou edifício público importante com o nome do estadista. Políticos com muito menor importância foram aquinhoados com essas homenagens e até políticos estrangeiros tem seus nomes nas placas de lugares importantes.

A ingratidão de São Paulo não é isolada. Os governos da burguesia não dão importância a essa figura maior da política brasileira no ensino na História. Num país de muito poucos estadistas, Vargas figura entre os três maiores deles, junto com por José Bonifácio e o Padre Feijó.

É impressionante, entretanto, o número de brasileiros, entre vinte e quarenta anos, que não têm a menor ideia da personalidade de Vargas e desconhecem totalmente, não apenas o que ele fez, mas a tragédia que cercou sua morte - para ele e para o povo brasileiro.

Essa ingratidão tem um motivo: a burguesia não perdoa Vargas pela edição da legislação trabalhista, porque ela conferiu cidadania à classe trabalhadora e isto, para uma burguesia elitista, preconceituosa e reacionária, é uma afronta.

Basta dizer que, durante a Constituinte, um deputado da base janguista, coagido a votar na emenda de reforma agrária que o Presidente esposava, procurou o relator da mesma com a seguinte frase: "posso votar na sua emenda, mas com uma condição: o trabalhador que trabalha numa fazenda desapropriada não pode receber um lote de terra nessa fazenda". Diante da perplexidade do Relator, ele emendou: "É uma questão de respeito".

Cabe à esquerda resgatar a figura de Vargas. Ela tem certa dificuldade em fazer isto porque Vargas, durante o período em que fingiu flertar com o nazismo a fim de coagir os norte americanos a ceder o know how e a conceder empréstimos para a construção da siderurgia brasileira - peça fundamental para a industrialização do país - deportou a mulher do líder comunista, Luiz Carlos Prestes, para a Alemanha, onde ela foi morta em uma câmara de gás.

O resgate dessa figura maior da nossa História é indispensável, a fim de que as novas gerações possam inspirar-se na sua visão e, sobretudo, em seu nacionalismo para defender o país das agressões externas.



Plínio Soares de Arruda Sampaio, 80 anos, é advogado e promotor público aposentado. Foi deputado federal por três vezes, uma delas na Constituinte de 1988, é diretor do "Correio da Cidadania" e preside a Associação Brasileira de Reforma Agrária – ABRA.
Fonte: Site do Correio do Povo/ Coluna de Juremir Machado da Silva

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

“Ler a Bíblia foi o que me levou a não crer mais em Deus” diz pastor americano

“Eu sou ateu”, diz ’Jack’, um pastor afiliado à Convenção Batista do Sul, com mais de 20 anos de ministério. ”Vivo minha vida como se Deus não existe”, diz ‘Adam’, que faz parte da equipe pastoral de uma pequena igreja em um dos estados mais religiosos dos EUA. Os dois, que pediram para terem suas identidades protegidas, são pastores que perderam a fé. Ambos construíram suas vidas e carreiras ao redor da fé, mas agora dizem sentir-se encurralados, vivendo uma mentira.

“Passei a maior parte da minha vida acreditando e buscando essa fé religiosa chamada cristianismo. Ao chegar a este ponto de minha vida, simplesmente não sinto mais que posso crer nele. Quanto mais eu lia a Bíblia, mais perguntas eu tinha. Quanto mais as coisas que ela afirma não faziam sentido para mim, mais dificuldade eu tinha.”, afirma Jack.

O pastor Jack disse que há dez anos começou a sentir sua fé se esvair. Ficou incomodado com as inconsistências no relato dos últimos dias da vida de Jesus, a improbabilidade de histórias como a “Arca de Noé” e as ideias expressas na Bíblia sobre as mulheres e seu lugar no mundo.

“Ler a Bíblia foi o que me levou a não crer mais em Deus”, conclui. Ele diz ainda que era difícil continuar trabalhando no ministério. “Comecei a olhar para isso como apenas uma atividade profissional e faço o que tem de ser feito”, disse. “Venho fazendo isso há anos.”

Adam disse que suas dúvidas iniciais sobre Deus vieram ao ler o trabalho dos chamados neoateístas – autores populares como o cientista Richard Dawkins. Ele disse que seu objetivo era fazer uma pesquisa para ajudá-lo a defender sua fé.

“Pensava que Deus fosse grande o suficiente para lidar com todas as perguntas que eu pudesse ter”, afirma. Mas não foi isso que aconteceu. ”Percebi que tudo que me ensinaram a acreditar era uma espécie de abrigo seguro. Eu nunca realmente me interessei pelo ensino secular ou por outras filosofias… Eu pensava, ‘Ó, meu Deus. Estou crendo nas coisas erradas? Será que passei toda minha vida e ministério pregando algo que não é verdade?’”, relata Adam.

Ele disse que temia pela salvação de sua alma. “No momento que sentia estar perdendo a fé, mas ainda temia por minha salvação, pedi a Deus que tirasse minha vida antes que eu perdesse totalmente a fé”, lembra Adam. O pastor agora se considera um ‘agnóstico ateísta’. “Não acho que podemos provar que Deus existe nem que ele não existe”, disse. “Vivo a minha vida como se Deus não existisse.”

Ele e Jack dizem que quando pregam aos fiéis, tentam ater-se às porções da Bíblia que ainda acreditam – as que ensinam como ser uma pessoa boa. Ambos disseram que gostariam de abandonar seu ministério, mas não têm condições.

“Quero sair da situação que estou o mais rápido possível, porque tento ser uma pessoa de integridade e caráter”, disse Adam. “Com a economia do jeito que está, minha falta de capacitação para o mercado e apenas com o diploma do seminário, fico em uma posição difícil.”

Revelar o ateísmo secreto ‘será devastador’

Jack disse que seu segredo o faz sentir isolado e que certamente perderia um monte de amigos se admitisse que deixou de ser cristão. Sua esposa não sabe e ele acredita que possivelmente iria perdê-la também. ”Será algo muito confuso para ela”, disse Jack. “Será muito devastador e vai levar algum tempo para trabalharmos essa questão.”

Adam disse que sua esposa sabia de sua crise de fé, mas não que ele a perdera completamente. “É uma situação muito difícil. Não consigo pensar em outra carreira que seja tão drasticamente afetada por uma mudança de opiniões ou ideias”, disse ele.

“No começo, tive medo que, se perdesse minha fé, me tornaria uma pessoa horrível“, disse Adam. “Desde que perdi a fé percebi que ela realmente não tinha influência sobre quem eu sou, meu caráter e minhas ações. Não vivo de maneira diferente do que vivia quando era um crente fervoroso.”


Fonte: ABC News/ Blog Libertos do Opressor

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Tolerância Religiosa








Adriano Couto


Fala-se muito em liberdade religiosa. A nossa Constituição no artigo 5º, inciso VI diz que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias". A Declaração Universal dos Direitos humanos, também afirma que a Liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais. A pesar de o Estado Brasileiro ser laico, essa não é a impressão que temos às vezes, pois, uma boa parte dos feriados nacionais e municipais são na verdade feriados religiosos cristãos.

Não é difícil vermos também celebrações ecumênicas que na maioria das vezes são dirigidas apenas por padres e/ou pastores. É comum presenciarmos em praças públicas, paradas de ônibus, ou mesmo dentro dos ônibus, alguém empunhando uma Bíblia como se fosse uma metralhadora, pregando um "evangelho" com palavras agressivas, apelativas, demonizantes; condenando ao inferno quem não crer como ele/ela. Isso é liberdade religiosa ou abuso da liberdade religiosa? Se vivemos em um Estado Laico, por que no lugar do crucifixo não se coloca também, por exemplo, uma imagem de Buda, uma foto de Maomé, uma imagem de uma Divindade africana, um símbolo Bah’ai, uma imagem de Krishna, etc.? Por que no aniversário de emancipação de uma cidade, no lugar de um culto católico e/ou evangélico, não se faz uma mística macro-religiosa com a presença de sacerdotes cristãos e não cristãos? Esses últimos são indignos? Não são filhos de Deus? Já pensaram se uma Yalorixá (Mãe de santo) entrasse em um ônibus e começasse a falar sobre a influência dos orixás na vida das pessoas, pedindo que os passageiros seguissem tal religião? Como os passageiros cristãos agiriam? Creio que no mínimo ela seria "convidada" a descer do ônibus ou parar de falar.

Muitos cristãos ainda hoje se auto-afirmam donos da verdade. Exterminaram índios e negros, mataram bruxas, maçons, etc. e ainda hoje, condenam ao inferno os homossexuais, divorciados, muçulmanos, Espíritas etc. A pesar de tudo isso, ainda falam de Paz do Senhor. Creio que os cristãos precisam muito aprender sobre paz e tolerância religiosa com religiões como o Budismo, o Candomblé, a Fé Bah’ai, o Hinduísmo, o Kardecismo etc.

Esses têm muito a nos ensinar sobre tolerância religiosa; pois boa parte deles têm sido vítimas de intolerância por parte dos cristãos sem revidar os ataques. Não pode haver uma cultura de paz, sem tolerância religiosa.
O Código Penal Brasileiro, Art. 208 afirma: "Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto do time religioso.” Já pensou se esta resolução fosse seguida a risca?

Ainda assim, o Brasil é o país mais tolerante do mundo na questão religiosa, herança portuguesa, isso mesmo! Apesar da inquisição portuguesa e tudo mais que já sabemos, a Península Ibérica foi refúgio de judeus e muçulmanos durante as perseguições promovidas pelo Igreja Católica na Idade Média. Na Espanha Muçulmana, os três monoteísmos conviviam harmoniosamente, culminando no seu desenvolvimento tecnológico e cultural, tendo seu ápice na época das Grandes Navegações, cujos cientistas judeus e muçulmanos trocaram conhecimentos e desenvolvendo a engenharia náutica, que naquele tempo era conseiderado algo extraordinário, inimaginável, futurista.

Este quadro mudou quando o Rei Fernando “o Católico” subiu ao trono espanhol, este querendo fazer uma “média” com o Papa, instaurou a Inquisição no país perseguindo judeus e muçulmanos, restando aos perseguidos refugiarem-se em Portugal, daí então o legado de tolerância do povo português.

Porém o Brasil só é tolerante porque é sincrético, pois onde não existe sincretismo religioso não existe tolerância religiosa! E isto é fato, muitos países alegam liberdade religiosa em suas cartas magnas, porém não é o que ocorre na prática, principalmente em países islâmicos e nos EUA, onde neste último, o protestantismo dá as cartas e os mesmos se intitulam verdadeiros representantes da cristandade. Quem não lembra dos discursos fundamentalistas de George W. Bush?

Quando falamos em liberdade religiosa também devemos deixar claro a liberdade de não-crença, isto compreende os ateus e agnósticos, tão perseguidos quanto os grupos religiosos não-cristãos. Recentemente os ateus e agnósticos foram atacdos pelo apresentador da Band, José Luiz Datena que associou estas pessoas a criminosos, alegando que todo aquele que comete crimes é porque não acredita em Deus! Puro preconceito, ignorância e falta de respeito! Intolerância! Tenho amigos ateus e agnósticos que são pessoas maravilhosas e que seriam incapazes de fazer mal a alguém, pois são pessoas sérias e honestas, possuem ética, diferentemente de muitos malandros que fazem suas pilantragens e depois se escondem atrás de uma bíblia...chegando na cadeia dando uma de evangélico...quanta hipocrisia...

Exemplo contemporâneo de guerra devido à intolerância religiosa é o conflito entre judeus e muçulmanos na Terra Santa, pois enquanto não deixarem de lado seu orgulho, fanatismo e ódio pelo próximo, jamais alcançarão a paz! O fundamentalismo religioso é um obstáculo à paz, tanto que o próprio Jesus foi morto por fanáticos religiosos, Gandhi também.

Os cristãos deveriam seguir a risca o ensinamento Jesus que devemos amar uns aos outros e assim deve ser sem distinção, sejam eles ateus, agnósticos, religiosos de todas as confissões independentes de serem cristãos ou não. Respeitar a diversidade é fundamental para crescermos como seres humanos, mesmo nosso país sendo tolerante como afirmei anteriormente, o preconceito contra os não-crentes ainda é muito grande. Finalizo minha reflexão usando esta linda citação de Nélson Mandela: "Ninguém, nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

domingo, 12 de dezembro de 2010

FORÇAS ARMADAS NA AMÉRICA DO SUL

Argentina

Orçamento de defesa 2008: R$ 3,4 bilhões
Forças ativas: 76 mil
Soldados para cada 100 mil hab.: 153
Reservistas: -
Total: 76 mil
"Sofre com a degradação do material militar, que está desestruturado. A Argentina está em um processo de redesenho lento e demorado, que deverá levar cerca de 10 anos. As Forças Armadas sofreram muito nos últimos anos com a pressão do governo, que retirou grande parte da autonomia que eles tinham. Por isso, caíram brutalmente em capacidade operacional e de equipamentos. Além de tudo isso, a crise econômica que eles enfrentam gera ainda mais dificuldades."


Bolívia

Orçamento de defesa 2008: R$ 447 milhões
Forças ativas: 46,1 mil
Soldados para cada 100 mil hab.: 498
Reservistas: 37,1 mil
Total: 83,2 mil
"A situação é parecida com o Paraguai, mas tem uma diferença: há três 'Bolívias' na prática: La Paz, Santa Cruz e Cochabamba. Elas são regiões diferentes e com condicionamento diferente. A Bolívia nunca teve uma força armada expressiva, mas sempre teve um contingente militar orientado para ações policiais. Não é uma força armada forte. Ela sofreu muito nos conflitos do passado e não conseguiu voltar a ser o que era. A Bolívia se aproximou da Venezuela, mas agora mantém um distanciamento seguro. Ao longo dos últimos anos, as Forças Armadas foram voltadas para o combate ao narcotráfico."


Brasil
Orçamento de defesa 2008: R$ 43 bilhões
Forças ativas: 326.435
Soldados para cada 100 mil hab.: 170
Reservistas: 1.340.000
Total: 1.666.435
"Neste período de compras, o País está em um processo contratual. As Forças Armadas do Brasil estavam muito fracas em termos de equipamento, o material era obsoleto, havia a necessidade de reciclagem. No entanto, isso não significa que o Brasil estava desprotegido. Por trás disso havia uma potência regional, com capacidade de transformar toda a estrutura do País em poder de maneira rápida. Além disso, sempre tivemos um Exército grande. A Força Aérea possui um núcleo mínimo operacional e a Marinha consegue fazer ações limitadas de patrulha. Mesmo mal, um núcleo mínimo de tarefas podia ser feito aliado a esse potencial natural."


Chile

Orçamento de defesa 2008: R$ 4 bilhões
Forças ativas: 60.560
Soldados para cada 100 mil hab.: 368
Reservistas: 40.000
Total: 100.560
"No Chile, as Forças Armadas são modernas. Não são 'top de linha', mas são bem dimensionados. Um exército robusto, mecanizado e bom, especializado no homem, com soldados bem treinados. Tem uma marinha também robusta que em um dado momento era a maior da região, com bons submarinos e fragatas. A Força Aérea é bem equilibrada e relativamente moderna."


Colômbia

Orçamento de defesa 2008: R$ 95 milhões
Forças ativas: 267.231
Soldados para cada 100 mil hab.: 594
Reservistas: 61.900
Total: 329.131
"É a força armada mais sofisticada da América do Sul, não só pelo equipamento, mas também pela capacidade de se redesenhar de maneira muito rápida. Eles pensam longe, a universidade está muito presente. A Colômbia possui uma força armada que em termos de material está bem, mas em termos de conceito, está muito bem. Eles superam todos os outros."


Equador

Orçamento de defesa 2008: R$ 43,5 mil
Forças ativas: 57.983
Soldados para cada 100 mil hab.: 416
Reservistas: 118.000
Total: 200.983
"O Equador estava bem, mas parou no tempo. E nesta parada, estão repensando a função institucional para incorporar tarefas mais de polícia do que de força armada, em um movimento semelhante ao ocorrido na Bolívia."


Paraguai

Orçamento de defesa 2008: R$ 234,9 milhões
Forças ativas: 10.650
Soldados para cada 100 mil hab.: 156
Reservistas: 164.500
Total: 175.150
"O país está em uma situação que sempre esteve: muito ruim. Eles compraram alguns equipamentos brasileiros no passado, alguns caças Xavante. Eles estiveram durante muito tempo sob o guarda-chuva brasileiro, mas deixamos o Paraguai de lado e o equipamento deles está praticamente inutilizado. Em termos materiais, o país não tem, na prática, capacidade de defesa. No entanto, tem um exército zeloso e com espírito de corpo forte, talvez o mais forte que se pode encontrar."


Peru

Orçamento de defesa 2008: R$ 2,34 milhões
Forças ativas: 114.000
Soldados para cada 100 mil hab.: 391
Reservistas: 188.000
Total: 302.000
"É um caso à parte. O Peru teve um crescimento político substantivo e a força armada cresceu junto. Elas são bem desenhadas, mas relativamente pequenas. Houve um esforço de modernização principalmente na área de exército e da Força Aérea para fazer frente a Chile, Equador e Bolívia. No entanto, elas não foram desenhadas para enfrentar múltiplas ameaças simultâneas. Podem enfrentar um conflito de média intensidade e outro pequeno, não mais do que isso. Nos últimos anos, este esforço foi mantido, com bom fluxo financeiro e de material internacional."


Uruguai

Orçamento de defesa 2008: R$ 529 milhões
Forças ativas: 25.382
Soldados para cada 100 mil hab.: 739
Reservistas: -
Total: 25.382
"Em situação diferente, o Uruguai reduziu as Forças Armadas em um desenho voltado para operações de paz. É o país que mais participa, em números relativos, de operações deste tipo. Eles fizeram uma opção por ser uma força de autodefesa pequena, praticamente voltada para a proteção da costa. São Forças Armadas voltadas para 'manter o status'."


Venezuela

Orçamento de defesa 2008: R$ 5,7 bilhões
Forças ativas: 115.000
Soldados para cada 100 mil hab.: 435
Reservistas: 8.000
Total: 123.000
"A Venezuela sofreu um 'Booster Frio', ou seja, uma injeção de material que não altera em igual proporção a capacidade de combatência, por não ter sido acompanhado de um desenvolvimento sistêmico das Forças Armadas. Isso não se transforma em poder, não gera novos mecanismo de doutrina e outros elementos, além de ter uma 'curva de decaimento' muito rápida. Os equipamentos da Venezuela tendem a ficar obsoletos e aumentar o custo de manutenção. Eles fizeram uma alteração muito radical no desenho das Forças Armadas. Eles criaram um exército popular que orbita em torno do regular. Isso faz com que eles tenham criado uma outra força armada."

Fonte: Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) e Salvador Raza, diretor do Centro de Tecnologia Relações Internacionais e Segurança (Cetris)

Site Terra

Quem foi Lenin? – Final

Em Quem foi Lenin – Terceira Parte, descrevi fatos relacionados com a vida que o casal levava no exílio, em Genebra, que antecederam à sua volta Rússia. Neste texto pretendo abordar fatos ligados ao seu retorno à pátria, em 16 de abril de 1917, quando Lenin e Krupskaia, sua mulher, tomaram um trem que, através da Alemanha levou-os à Suécia e depois à Russia, juntamente com trinta e dois outros revolucionários. Na estação de Petrogrado foram recebidos com flores, refletores, discursos e bandeiras, recepção que desgradou Lenin, por estar a revolução apenas no começo, e já havia deomonstrações de falsas aparências burguesas.
As autoridades que alí estavam para recepcão, foram ignoradas; Lenin, dirigiu-se diretamente aos soldados e operários, para incitá-los a acabar com a revolução operária. A multidão que o aplaudia escolta Lenin, no carro blindado em que se encontra, até o quartel-general dos bolchevistas, intalado no palácio que fora de Ksesinskaia, uma bailarina que fora amante de Nicolau II. Aí Lenin iniciou uma batalha que, em seis meses, o levou a chefe de Estado.
Referindo-se à chegada do líder do seu exílio, escreve Christopher Hill (Lenin), que: “No dia de sua chegada a Petrogrado, o Ministro das Relações Exteriores recebeu da Embaixada Britânica um memorando no qual Lenin era citado como homem extremamente perigoso e excelente organizador, que muito provavelmente haveria de encontrar numerosos adeptos na capital russa”.
A História registra que Lenin foi o teório organizador e líder da revolta. No entanto, sua figura não era familiar ao Soviete (menchevistas), por ter andado escondido durante os meses imediatamente anteriores à revolução; não apenas por isso, mas também porque preferia deixar o Soviete entregue a seus camaradas, que se distinguiam pela oratória.
Mas, na manhã de 8 de novembro de 1917, Lenin dirigiu-se ao Soviete de Petrogrado, para o trabalho que tinha que ser feito. Foi recebido com aplauso de camaradas entusiasmados, que, a um sinal seu, cessaram com o aplauso; Lenin foi direto ao assunto: “A revolução dos operários e camponeses, cuja necessidade urgente sempre foi proclamada pelos bolcheviques está nas ruas... Esta terceira revolução, em suas últimas consequências, tem de levar à vitória do socialismo”.
Após às teses de abril, a nova linha estatégica de Lenin, que seria adotada pelo partido, com os conselhos de deputados do povo, com todos os poderes numa República dos Sovietes, os bolchevistas conquistaram a maioria dos Sovietes e deram continuação ao novo programa: suprimir a polícia, o exército e o corpo de funcionários; confiscar todos os bens dos proprietários rurais; nacionalizar todas as terras; fundir todos os bancos num único banco nacional, controlado pelos trabalhadores. Aí estava, dizia Lenin, o primeiro passo para uma nova ordem.
Cumpre não esquecer que em 1917 ainda estava em curso a Primeira Guerra Mundial, na qual a Rússia integrava-a, por ter assinado o tratado da Triple Entente como um dos aliados contra a Alemanha. Por isso, as teses de abril tinha com um dos seus pontos a proposta de paz com a Alemanha, que causou reações contundentes por partes de todos que eram favoráveis ao prosseguimento da guerra ao lado dos aliados, sentimento que os leva a desencadear forte campanha difamatória contra Lenin.
As relações do líder com governo alemão, foram o alvo preferido pela imprensa liberal (Lenin voltou à Rússia depois de ter atravessado todo o território alemão, até a Suécia, com o seu país em guerra contra a Alemanha, sem ser molestado pelos alemães). Sobre o fato de Lenin ter atravessado a Alemanha, em 1917, com este país em guerra (Primeira Guerra Mundial) contra os aliados, o jornal italiano A Tribuna, assim se manifestou, em 29.04.1917:
“Lenin disse que foi obrigado a passar pela Alemanha porque a França não lhe permitiu transitar pelo país. Entretanto uma autoridade diplomática francesa noticiou que o Sr. Lenin jamais sonhou em pedir um sal-conduto para o território francês”.
No mês de abril de 1917 Lenin econtra-se isolado, mas isso não significaria que fosse perdurar tal isolamento; o tempo e os fatos fariam mudar essa situação: a burguesia e o proletariado não mais poderiam permanecer unidos pelo ódio contra a autocracia, de um lado, e, de outro lado, o soldado russo encontrava-se em mortal cansaço, e recusava-se a continuar combatendo no primeiro conflito mundial. Então o partido bolchevista logo tiraria vantagens importantes por ser o único partido qua havia se colacado ao lado do proletariado e contra a burguesia; mais ainda: era o único partido que queria a paz com a Alemanha.



REFERÊNCIAS:
ORLANDI, Enzo. ‘Lenin’. Tradução de Leda Rita Cintr Ferraz. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.
TROTSKY, Leon. Lenin, Sua Juventude. Tradução de Helene Iono. São Paulo: Global Editora, 1981.
Pedro Luso de Carvalho
By: Panorama


Fonte: Blog Com Texto Livre

Quem foi Lenin? – Terceira Parte

A família Ulianov muda-se para Moscou no outono de 1893; Lenin resolve morar sozinho em São Petersburgo. Aí, nos seus primeiros anos, Lenin diz da importância de pensar com clareza para não se desviar do caminho por falsas tendências. As grandes distâncias russas resultam num isolamento entre as cidades mais importantes, e também com o interior do seu imenso território. Quebrar esse isolamento é o propósito de Lenin para ir ao encontro das personalidades importantes da social-democracia internacional. Para Lenin, é imperioso saber como se comporta o desenvolvimento do marxismo no Ocidente. Então, ainda muito jovem, vê-se no exterior, na sua primeira experiência. Na Suíça, encontra-se com Pleklanov; em Berlim, com Karl Liebknecht; em Paris, com o genro de Karl Marx, Paul Lafargue.
Assim Lenin foi descrito pelo bolchevista Potresov, em suas Memórias, por ocasião dessa viagem ao exterior: "rosto emagrecido, a cabeça quase completamente calva, apenas com alguns tufos de cabelo, uma pequena barba avermelhada. Sob as sobrancelhas os olhos entreabertos pareciam astutos e penetrantes. Os amigos brincavam, dizendo que nascera velho e calvo e que pelo aspecto físico um típico negociante da Rússia setentrional".
Após ter retornado a São Petersburgo, Lenin tenta delinear a União de Luta pela Emancipação da Classe Operária, que passa a atuar em cerca de vinte círculos marxistas; os locais escolhidos para essa ação, para a divulgação dos primeiros lineamentos marxistas entre os trabalhadores, por meio de manifestos e panfletos, são os centros industriais russos. Nessa época, ou seja, em meados de 1890, Vladimir Lenin não é ainda o líder entre os marxista em São Petersburgo; mas já é importante no círculo dirigente, composto de quarenta pessoas.
Em dezembro de 1895, são presos todos os membros do círculo dirigentes: o descuido de um jovem ativista, leva a polícia a prendê-lo; e encontra com ele as provas do primeiro número do jornal Classe Operária, cuja impressão era aguardada. O prisioneiro logo aponta à polícia os membros da organização. Lenin é conduzido ao cárcere da Rua Spalernaia, onde fica recluso por pouco mais mais de um ano. Nesse período, mantem-se ativo com suas leituras e correspondência com companheiros da prisão e os que se encontram fora dela. Entre os inocentes comunicados que escreve da prisão, Lenin dá instruções, pede notícias, redige proclamações e manifestos. Para evitar a depressão e outros problemas de saúde, Vladimir exercita-se.
Sobre a prisão de Lenin, Gerard Walter escreve: “Para o frio planejador que foi Lenin, até a prisão oferecia vantagens. Ele a considerava uma pausa útil para voltar à boa forma. Tinha problemas com o estômago, e jamais tivera tempo para tratar-se quando em liberdade. Agora finalmente seguiria uma férrea dieta, que antes lhe fora aconselhada por um médico suíço. Era, muitas vezes, atormentado por problemas com os dentes; consegue, na prisão, licença para tratá-los com um dentista particular. Longas horas de sono, ginástica e, contra o tédio, leituras recreativas, traduções e um trabalho obrigatório: a elaboração de um de seus livros fundamentais: O desenvolvimento do Capitalismo na Rússia. Podia ler e escrever à vontade na prisão, e ainda pedir livros da biblioteca. Recluso, não lhe faltam calma e reflexão. No fim da pena Lenin disse, entre brincalhão e sério: 'Que pena, não pude terminar meu trabalho'”.
Ainda sobre a prisão e condenação de Lenin, escreve Christofher Hill: “Lenin foi mantido na prisão por mais de um ano, tempo em que continuou a elaborar panfletos e declarações, escrevendo com leite guardado em 'tinteiros' de pão fáceis de engolir quando necessário. Sentia-se, entretanto, muito solitário. Sua futura esposa, Nadiejda Constantinovna Krupskaia, encontramo-la, pela primeira vez, em pé num determinado ponto da calçada fora da prisão, horas à espera de que Lenin pudesse olhá-la de relance através de uma janela enquanto os prisioneiros faziam exercício”.
“Quando a final foi submetido a julgamento – diz Hill -, Lenin viu-se condenado a três anos de exílio na Sibéria, Chuchenskoie, perto de Minusinski, na Província de Jenissei. A não ser pelo clima adverso, e pelo fato de uma fuga tornar-se impraticável em região tão desolada e inacessível, as condições desse degredo não eram demasiado severas: Lenin ali pode receber livros para estudar, escreveu muita coisa, e completou O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia. Uma vez por semana podia livremente falar com os camponeses sobre questões jurídicas. E maio de 1898 viu chegar Krupskaia, que também fora condenada ao exílio e com quem se casou mesmo na Sibéria”.
Sobre a companheira de Lenin, escreve Curzio Malaparte: Nadejda Konstantinovna Krupskaia teve, na vida de Lenin singular importância: representa uma parte que surpreende até mesmo os que vêem em Lenin o Gêngis Khan da revolução proletária. Mulher enérgica e muito inteligente, de olhos claros e salientes, olhar doce e lento lábios grossos e moles, espírito claro e limitado, caráter paciente e resoluto, Nadejda Konstantinovna Krupskaia não foi apenas a secretária do revolucionário profissional, mas sua colaboradora devotada e incansável, mulher no sentido mais burguês do termo, aquela que, tanto em Chutchenskoie [Sibéria], como em Londres, Paris e Zurique, nos tristes anos de exílio, ou nos trágicos dias da revolução, zelará pela saúde de Lenin, pelo seu trabalho, descanso, suas distrações, e lhe proporcionará um ambiente doméstico simples mas tranqüilo, num clima de confiança e tranquilidade familiar”.
L. Fotieva (Lydia Alexandrovna Fotieva), autora do livro traduzido do russo para o espanhol com o título De la vida de Lenin, e depois traduzido para o português, por Zuleika Alambert, com o título de Lenin, escreve: “Antes de minha chegada a Genebra, não tinha uma idéia exata do caráter e do tamanho das divergências entre os bolchevistas e os menchevistas. No entanto, mesmo o pouco que chegava até nós fazia com que inclinássemos para os bolchevistas. Assim é que, quando cheguei a Genebra, senti todas as minhas simpatias voltadas para os bolchevistas – mais por intuição, que por compreensão absoluta – e a seguir incorporei-me ao seu círculo. Somente em Genebra, quando comecei a ler ávidamente a literatura do Partido, sobretudo o livro de Lenin Um Passo Adiante, Dois Passos Atrás, e conversando com os camaradas de mais idade, compreendi plenamente toda a profundidade e antagonismo das divergência entre Bolchevistas e Menchevistas”.
Sobre a vida de Lenin com sua mulher, em Genebra, diz L. Fotieva: “Foi nesse ambiente complicado, tenso e difícil em que me encontrei ao incorporar-me à colônia de emigrados em Genebra, no verão de 1904. Vladimir Ilitch e Nadiejda Constantinovna voltaram logo. Meu encontro com eles produziu-me enorme impressão. Era surpreendente a simplicidade e afabilidade deles. Era surpreendente a singular perspicácia de Vladimir Ilitch. Diziam que lia até o fundo da alma das pessoas”. L. Fotieva diz ainda, que, ao trabalhar com Nadiejda sentiu por ela um grande afeto. Afirma também que Nadiejda era uma pessoa equilibrada, tranqüila e cordial; e que possuía conhecimentos teóricos e grande experiência do trabalho partidário.
No próximo artigo sobre a vida de Lenin, escreverei ainda sobre fatos políticos e fatos que envolveram Lenin e Nadiejda, no período do exílio do casal, que antecedem à sua volta à Rússia.



REFERÊNCIAS:
ORLANDI, Enzo. ‘Lenin’. Tradução de Leda Rita Cintr Ferraz. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.
TROTSKY, Leon. Lenin, Sua Juventude. Tradução de Helene Iono. São Paulo: Global Editora, 1981.
Pedro Luso de Carvalho
By: Panorama


Fonte: Blog Com Texto Livre

Quem foi Lenin? – Segunda Parte

Encerrei o texto Quem Foi Lenin? - Primeira Parte, com este parágrafo: Depois de muita reflexão sobre os camponeses de Samara, Vladimir tornou-se um revolucionário; e, uma vez formada sua convicção, tomou a decisão de colocar em prática a sua teoria, e, para tanto, mudou-se em caráter definitivo para São Petersburgo, no fim do verão de 1893. Lenin assimilou dois elementos marxistas: a luta de classes e a necessidade de uma etapa capitalista.
Nesta segunda parte de Quem Lenin?, a abordagem do tema será sobre a sua atuação política e seu casamento com Nadejda Konstantinovna Krupskaia. A respeito da atuação do revolucionário Vladimir Ilitch Ulianov Lenin, diz o registro histórico que, aos 23 anos, já residindo em São Petersburgo, ele estava decido lutar pelo marxismo, e essa sua adesão seria, como de fato foi, irreversível.
Vladimir Ilitch rejeitava as idéias populistas que eram propagadas pelos seus contemporâneos. Para Lenin, acreditar que se podia realizar o socialismo com base nas massas camponesas seria um erro; na Rússia havia profundas distinções sociais, distinções essas que eram provocadas pelo capitalismo, que também atingia a economia rural; e havia ainda a falta de capacidade de agruparem-se, pois a classe dos camponeses não era homogênea. Para ele os camponeses podiam apenas lutar em si - ricos contra pobres -, o que em nada contribuiria para edificar uma nova ordem social.
Na Itália , Maurizio Ferrara publicou no L'Unità, em 19 de abril de 1970: “Lenin marxista e revolucionário nasceu de um indissolúvel entrecho de precoces virtudes intelectuais e de capacidade de análise e ação diante da realidade. Já era um homem 'absolutamente politizado' que, logo após deixar a província e se transferir para São Petersburgo, lança-se à luta sem, no entanto, abandonar, de todo, a profissão de advogado, que sempre lhe dava algum dinheiro. Emerge no mundo ainda restrito mas já férvido do marxismo. Filia-se a um círculo clandestino chamado 'dos Velhos', onde, rapidamente, torna-se um líder e supera os elementos que apenas convidam a preleções (...)”.
Para Lenin, não havia dúvida quanto a forma de ação para atingir o objetivo do marxismo, que aspirava: buscaria os pequenos lavradores, as demais pessoas pobres e os trabalhadores assalariados, colocando-os, para a sua revolução, ao lado da classe operária, e passaria a instruí-los como fazia com com os operários das fábricas. Para Lenin não seria necessário esperar a industrialização da Rússia, como ponto de partida para desencadear a revolução; essa sua posição era contrária a que defendia Plekhanov, o mais autorizado marxista russo da época.
Foi numa das reuniões realizadas em São Petersburgo, entre os militantes aos quais se integrara, que Lenin conheceu a mulher com quem logo se casaria, Nadejda Konstantinovna Krupskaia, oriunda da pequena nobreza, embora sem dinheiro; sua mãe (de Nadejda), após concluir seus estudos, foi trabalhar como governanta (serviço que mais tarde seria desempenhado também pela filha Nadejda Krupskaia). Nadejda não se descurava de seu trabalho, e à noite estudava; mais tarde, formou-se numa pequena faculdade para mulheres, em São Petersburgo.
Sobre Nadejda Konstantinovna Krupskaia, disse o crítico norte-americano (e autor de contos e romances), Edmund Wilson, no seu famoso livro Rumo à Estação Finlândia: “No início dos anos 1890, ensinava geografia em escolas dominicais para operários. Uma vez descobriu que uma de suas turmas era um grupo de estudos de Marx. Leu Marx também, e tornou-se marxista. Nas fotos que a mostram quando jovem, com blusas de colarinho alto e mangas largas da época Krupskaia parece um tanto masculina, os cabelos lisos escovados para trás, os olhos apertados com uma expressão de desdém, um nariz voluntarioso e uma boca com lábios carnudos, porém carrancuda”.
Em São Petersburgo foi realizado o casamento de Vladimir Ilitch Ulianov Lenin com Nadejda Konstantinovna Krupskaia, depois de terem se conhecido entre os militantes dessa cidade. Encontraram-se numa reunião em que os militantes projetavam Comitês de Instrução Popular e discutiam sobre literatura, artes e outros assuntos do gênero. Krupskaia conta do seu entusiasmo ao ouvir Lenin discursar, e de ouvi-lo dizer: “Se pensam, realmente conseguir alguma coisa com esse sistema, o melhor é acomodarem-se!” Nadejda Krupskaia passou a ficar perto Vladimir Ilitch, e tornou-se sua mais fiel colaboradora.
Na próxima parte de Quem foi Lenin?” será abordada a atuação do revolucionário Vladimir Ilitch Ulianov na fase embrionária do marxismo, com a importante colaboração de sua mulher Nadejda Konstantinovna Krupskaia; também será abordada a prisão de Lenin e seu manifesto do Dia do Trabalho escrito na prisão, de onde manteve correspondência com o Ocidente.




REFERÊNCIAS:
ORLANDI, Enzo. ‘Lenin’. Tradução de Leda Rita Cintr Ferraz. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.
TROTSKY, Leon. Lenin, Sua Juventude. Tradução de Helene Iono. São Paulo: Global Editora, 1981.
Pedro Luso de Carvalho
By: Panorama


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Quem foi Lenin? – Primeira Parte

Após a queda do muro de Berlim, no dia 9 de novembro de 1989 - que foi o marco inicial da reunificação da Alemanha e do fim da Guerra Fria -, pouco se tem falado de Lenin, mas o certo é que dele sempre se falará, já que a sua vida e as suas realizações, principalmente a contar da chamada Revolução de Fevereiro (1917) , fazem parte da História.
Vladimir Ilitch Ulianov, que passaria a ser chamado Lenin, nasceu no dia 10 de abril de 1870, em Simbirsk, onde teve uma infância e adolescência feliz, junto a cinco irmãos seus. Ilia Nicolaevith, seu pai, era inspetor escolar, e muito estimado; por seus méritos, passou a fazer parte da nobreza hereditária, embora seu pai fosse um alfaiate pobre, de Astrakhan. Maria Alexandrovna, sua mãe, era filha de um médico de origem alemã (Dr. Blank), pessoa singular e de sólidas posses.
Era uma família feliz até o dia em que a dor entrou na casa dos Ulianovs, em janeiro de 1886, com a morte repentina de Ilia Nicolaevith, causada por hemorragia cerebral. No ano seguinte uma tragédia abalou ainda mais os Ulianovs, quando Alexandre, o mais velho dos irmãos, estudante de Biologia na Universidade de são Petersburgo, foi preso sob acusação de ter participado de uma conspiração, que fracassou, para matar o czar; foi submetido a julgamento, condenado à morte e enforcado.
Nesse mesmo dia, 8 de maio de 1887, Vladimir prestava exames no liceu de Simbirsk. A notícia da morte do irmão abalou-o profundamente. Sobre esse fato, escreveu Leon Trotsky: “A execução do irmão despertou um ódio ardoroso para com os verdugos. O futuro revolucionário já existia potencialmente no caráter do adolescente e nas condições sociais em que se formou. Porém, faltava um primeiro impulso, e este foi dado pela inesperada execução do irmão. Os primeiros pensamentos políticos de Vladimir tiveram inevitavelmente que se originar de uma necessidade dupla: vingar Alexandre e, pela ação, desmentir sua desconfiança”.
Após a morte do comportado, generoso e idealista Alexandre, os Ulianovs passaram a ser considerados subversivos em potencial, e por isso eram vigiados pela polícia e evitados pelas pessoas de Simbirsk, o que motivou Maria Alexandrovna a mudar-se com os filhos para Kazan. Segundo Leon Trotsky, “Vladimir ingressou na Universidade de Kazã trinta e sete anos depois que o seu pai e não na faculdade de ciências, mas na de Direito”.
Os Ulianovs mantinham-se confortavelmente com a pensão e a herança recebidas pela morte do chefe da família, Ilya Nicolaevith. Vladimir tornou-se o chefe da família, quando contava com apenas com dezessete anos de idade. A família Ulianov mais uma vez sentiu-se abalada e amargurada, dessa vez, com a prisão e o exílio periódico de outro irmão.
O período de tempo em que Vladimir estudou na Universidade de Kazan não passou de sete semanas; foi expulso depois de ter participado de uma greve estudantil contra o autoritarismo nas escolas (também a lembrança que tinham da execução de seu irmão recrudesceu essa situação); após a expulsão, Vladimir foi deportado para sua casa de verão, em Kokuchkino, propriedade do avô materno, onde sua irmã mais velha, Ana, que fora presa com Alexandre, lá se encontrava confinada, em que pese tivesse sido absolvida da acusação. Um ano depois, os Ulianovs retornaram a Kazan, mais propriamente à aldeia de Alakaievna, perto de Samara (hoje, Kuibishev) onde Maria Alexandrovna comprara uma pequena fazenda.
A intenção de Maria Alexandrovna era de que o seu filho Vladimir pudesse sentir-se interessado pela agricultura, o que não se concretizaria. O interesse de Vladimir estava voltado, isto sim, para os camponeses, pela precariedade de suas vidas; nessa época, acerca de 1888, descobre Marx, e retorna a Universidade, depois dos apelos de sua mãe às autoridades para o recebessem de volta para prestar exames sem freqüentar as aulas (em qualquer Universidade de sua escolha); em novembro de 1890, apresentou sua tese em São Petersburgo, e obteve a melhor nota entre os 124 estudantes regulares.
O sucesso obtido no exame, não lhe garantiria uma boa militância na advocacia, em Samara, onde defendia pessoas pobres; jovem e inexperiente, os ricos não o procuravam. O advogado Vladimir Ulianov defendeu pelo menos dez réus, e a todos eles foram proferidas sentenças condenatórias. Ante tal insucesso, tentou a carreira de promotor de justiça, mas descobriu que também essa não era a sua vocação. O futuro Lenin, nessa época já conhecia muito bem Marx, assim como a todos os autores revolucionários de sua terra.
Depois de muita reflexão sobre os camponeses de Samara, Vladimir tornou-se um revolucionário; e, uma vez formada sua convicção, tomou a decisão de colocar em prática a sua teoria, e, para tanto, mudou-se em caráter definitivo para São Petersburgo, no fim do verão de 1893. Lenin assimilou dois elementos marxistas: a luta de classes e a necessidade de uma etapa capitalista.



REFERÊNCIAS:
ORLANDI, Enzo. ‘Lenin’. Tradução de Leda Rita Cintr Ferraz. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1975.
TROTSKY, Leon. Lenin, Sua Juventude. Tradução de Helene Iono. São Paulo: Global Editora, 1981.
Pedro Luso de Carvalho
By: Panorama


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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pandora, Eva e as outras mulheres

Adriano Couto


Pandora foi a primeira mulher criada por Zeus, assim como Eva foi a primeira mulher criada por Deus, em ambas as mitologias, o mundo onde elas viviam era completamente desprovido dos pecados, de qualquer coisa que fosse nociva ao ser humano. No caso de Adão e Eva, esse era o paraíso.

E foi a curiosidade do proibido que condenou Adão e Eva, provocando sua expulsão do Jardim do Éden por terem provado do "fruto proibido" (apesar de muita gente insistir na maçã, em nenhum lugar da bíblia existe referência a esta fruta e a nenhuma outra, abrindo margem a inúmeras interpretações) enquanto que no caso de Pandora, ao abrir a caixa para ver o que tinha dentro (e tinha sido orientada a não fazê-lo), ela espalhou toda sorte de problemas, doenças, pecados sobre a terra.

Foi Eva quem seduziu Adão para comerem desse fruto. E na mitologia grega, Pandora seduz Epimeteu, guardião da caixa, e após uma noite de amor, ela rouba a chave para abrir a caixa.

Embora sejamos herdeiros da tradição judaico-cristã e o mito de Adão e Eva tenha sido consagrado como verdade literal e absoluta pelos teólogos fundamentalistas judeus e cristãos, estas histórias fantásticas serviram de pretexto para a legitimação do machismo, da opressão e demonização do sexo feminino. Ao longo da história as mulheres sempre foram condicionadas a categoria de ser inferior, devendo ser submissa aos homens, sendo considerada culpada por todas as desgraças que afligissem a sociedade. No Antigo Testamento existem inúmeras passagens em que as mulheres são relegadas a um segundo plano, tratadas muitas vezes como animais. Claro que existem muitas passagens que a beleza da mulher é exaltada, suas virtudes e sua maternidade posta em evidência (principalmente Maria mãe de Jesus), estas, porém são mínimas se comparadas as que exaltam o preconceito.

No Novo Testamento, Paulo afirma que as mulheres devem ser submissas aos seus maridos, o que eu não concordo, o referido apóstolo dos gentios faz muitas restrições às mulheres em suas epístolas, talvez devido ao fato de ser solteiro... creio que numa família o casal tem que andar juntos e não um subjugar o outro.

Ao longo da história, trechos bíblicos foram distorcidos para promover perseguições e atrocidades contra as mulheres, especialmente na Idade Média, onde muitas foram acusadas de bruxaria e foram massacradas pela Santa Inquisição.

As referidas mitologias demonizam a busca do ser humano ao conhecimento, a sabedoria, atribuições estas conferidas somente aos deuses em questão e a aquisição da mesma é considerada uma afronta às divindades, sendo a mulher condenada e castigada pelo seu atrevimento de desobedecer aos deuses e consequentemente apontada como responsável por todos os males que afligem a humanidade. Devido a isto, por séculos a humanidade viveu nas trevas da ignorância, quem questionava, ou buscava a sabedoria era eliminado, o conhecimento era atributo exclusivo de sacerdotes e de teocracias (reis que se diziam representantes de Deus na terra), principalmente na Antiguidade e na Idade Média.

A mulher devido a estas mitologias machistas sempre foi relegada ao sofrimento, desprezo, submissas, sem vez e voz, somente com o advento do século XX, as coisas começaram a mudar, as mulheres estão assumindo seu espaço e sendo respeitadas, tanto que teremos pela primeira vez em nosso país teremos uma mulher na presidência da república.

Sei que o dia dedicado às mulheres é o dia 8 de março, mas a bravura e a capacidade das mesmas deve ser exaltada sempre, é cada vez maior o número de mulheres que são chefes de família, criam os filhos sozinhas, trabalham fora e são exemplos de liderança e personalidade.

Fiz um breve comparativo das duas mitologias para mostrar o quão enraizado está o machismo em nossa cultura, nossa sociedade ainda desrespeita as mulheres e não lhes dá o devido valor, muitas delas são violentadas, mortas por seus parceiros, recentemente foi criada a Lei Maria da Penha para punir os agressores, felizmente as coisas estão mudando.
Muitas mulheres trabalham nas mesmas funções que os homens e seus salários são mais baixos, o que é um absurdo! E ainda existem muitas outras situações dentre as quais as mulheres são desrespeitadas.

Mulheres são guerreiras, batalhadoras, nem de longe são o protótipo de sexo frágil! Isto é rotulação machista, resquício de uma mentalidade arcaica e conservadora. É hora de revermos os nossos mitos e o quanto eles podem interferir em nossas vidas, devemos quebrar os paradigmas e proclamar a igualdade de direitos! Chega de intolerância e fanatismo provindo de mitos descabidos e ainda fartamente alardeados em cercanias fundamentalistas.