quinta-feira, 29 de julho de 2010

Por que não tem ONGs no Nordeste seco?

Adriano Couto

O Conversa Afiada recebeu uma colaboração de um leitor. O texto abaixo faz uma comparação entre o trabalho e a presença das Ongs estrangeiras na Amazônia e no Nordeste:
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Você consegue entender isso?
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Vítimas da seca
Quantos? 10 milhões
Sujeitos à fome? Sim
Passam sede? Sim
Subnutrição? Sim
ONGs estrangeiras ajudando: Nenhuma
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Índios da Amazônia
Quantos? 230 mil
Sujeitos à fome? Não
Passam sede? Não
Subnutrição? Não
ONGs estrangeiras ajudando: 350
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Provável explicação: A Amazônia tem ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.
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O nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras ajudando os famintos.
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Tente entender: Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres. Agora, uma pergunta: Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito? É uma reflexão interessante.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Igreja e Constantino

Adriano Couto

Para se compreender as relações entre a Igreja e o Estado após a concessão de liberdade de religião por Constantino, é necessário prestar atenção aos problemas políticos enfrentados pelo imperador nessa época. A anarquia do século da revolução romana entre 133 e 31 a.C. , terminou mediante o poderoso principado criado por Augusto após destruir o exército de Antônio.
Este se mostrou também fraco para superar o desafio do declínio interno e da presença dos bárbaros nas fronteiras do império; ademais, a prosperidade e a paz do primeiro período do principado foram seguidas por outro século de revolução, entre 192 e 284. Em 285, Diocleciano reorganizou o Império em bases mais autocráticas, tomadas de empréstimo dos despotismos orientais, numa tentativa de garantir a cultura greco-romana. Como o cristianismo parecia ameaçar esta cultura, Diocleciano fez uma fracassada tentativa de destruí-lo entre 303 e 305. Mas astuto, Constantino, seu sucessor, compreendeu que se o Estado não podia destruí-la pela força, o melhor seria usar a igreja como um aliado para salvar a cultura clássica. O processo pelo qual a Igreja e o Estado chegaram a um acordo começou quando Constantino conseguiu o controle completo do Estado. Embora oficialmente dividisse o poder com seu co-imperador, Licínio, entre 311 e324 , ele tomou a maioria das decisões importantes do Estado.
Constantino (274-337) era o filho ilegítimo do líder militar Constancio com uma bela mulher livre cristã do oriente, de nome Helena.Numa batalha,em 313, quando parecia que os inimigos lhe venceriam, Constantino teve uma visão de uma cruz no céu, com as seguintes palavras em latim: “ com este sinal, vencerás”. Tornando as como bom presságio ele derrotou seus inimigos na batalha da ponte Milvia sobre o rio Tibre.
Embora a visão possa ter ocorrido, é evidente que o favorecimento da igreja por Constantino foi um expediente seu. A igreja poderia servir como um novo centro de unidade e salvar a cultura clássica e o império. O fato de ter protelado o seu batismo até pouco antes da morte e de manter sua posição de Pontifex Maximus, sacerdote principal da religião pagã do Estado, parecem apoiar essa ideia. Ademais, a execução por ele ordenada, de um jovem que poderia reivindicar o seu trono, não condiz com a conduta de um cristão sincero. Talvez tenha sido uma mistura de superstição e sagacidade na sua estratégia de governo. Correta ou não esta interpretação de suas intenções, o fato é que Constantino inaugurou uma política de favorecimento da Igreja Cristã.
Em 313 ele e Lícínio garantiram a liberdade de culto pelo Edito de Milão. Nos anos seguintes, Constantino promulgou outros editos, que tornavam possíveis recuperação das propriedades confiscadas, o subsídio da igreja pelo Estado, a isenção ao clero pelo serviço público, a proibição de adivinhações, a separação do “Dia do Sol” (domingo) como um dia de descanso e culto. Ele tomou uma posição de liderança teológica no Concílio de Nicéia, em 325, quando arbitrou a controvérsia ariana. Apesar de um número de cristão não ultrapassar a um décimo da população do império nesta época, eles exerceram uma influência no Estado bem maior do que se podia esperar pela quantidade de membros que possuía.
Além de garantir liberdade e favores para a Igreja e submetê-la o serviço do Império, Constantino em 330, fundou a cidade de Constantinopla. A igreja percebeu, entretanto, que embora uma associação com o Estado lhe trouxesse benefícios, isto também traria muitas desvantagens. O governo, em troca de privilégios, da proteção e da ajuda que oferecia. Achava-se no direito de interferir em assuntos espirituais e teológicos. Em Ares (314) e em Nicéia (325), Constantino arrogou-se o direito de arbitrar a disputa da igreja, embora fosse apenas o soberano temporário do império. Infelizmente a igreja ganhou poder, mas se tornou uma arrogante perseguidora, da mesma forma como eram as religiões pagãs com os cristãos. Parece que no balanço final, a aproximação entre Igreja e Estado trouxe mais malefícios do que bênçãos à Igreja Cristã.

domingo, 25 de julho de 2010

Ensinamentos extra-bíblicos do catolicismo

Adriano Couto


A Igreja Católica para manter-se na esfera dominante, para continuar oprimindo e manter as pessoas alienadas, de tempos em tempos assim como regime militar baixava seus atos institucionais, a mesma criava dogmas(verdades de fé) e ensinamentos extra-bíblicos inquestionáveis,cujo questionamento poderia levar o "herege" a fogueira, verdadeiras falácias para manter os fiéis, desde simples camponeses até reis e imperadores sob seu jugo, fardo opressor. Confira a seguir algumas destas alterações estranhas as Sagradas Escrituras:

Ano 304 d.C. – Os bispos começaram a ser chamados de papa.
Ano 310 d.C. – Introduzidas orações pelos mortos.
Ano 320 d.C. – Começaram a acender velas.
Ano 325 d.C. – Constantino celebra o primeiro concílio das igrejas.
Ano 375 d.C. – Adoração de “Santos” (ídolos).
Ano 381 d.C. – A Igreja Cristã recebe o nome de Católica.
Ano 394 d.C. – Culto cristão é substituído pela missa.
Ano 416 d.C. – Começaram a batizar crianças recém-nascidas.
Ano 431-432 d.C. – Instituído culto à Virgem Maria, mãe de Jesus.
Ano 503 d.C. – Começa a existir o purgatório.
Ano 593 d.C. – Foi instituída a doutrina do purgatório.
Ano 606 d.C. – Supremacia papal.
Ano 709 d.C. – Costume de beijar o pé do papa.
Ano 787-788 d.C. – Adoração e culto às imagens de escultura.
Ano 830-840 d.C. – A Igreja começa a utilizar ramos e a tal “água benta”.
Ano 933-993 d.C. – Instituída a canonização de “santos”.
Ano 1074 d.C. – Instituição do Celibato.
Ano 1090 d.C. – Introduzido o terço.
Ano 1140 d.C. – Sete Sacramentos.
Ano 1184 d.C. – Inquisição. Efetivada posteriormente.
Ano 1190 d.C – Instituída a venda de indulgências (permissão para pecar).
Ano 1200 d.C. – A Ceia do Senhor é substituída pela hóstia.
Ano 1215 d.C. – Instituída a Transubstanciação.
Ano 1216 d.C. – Instituída a Confissão.
Ano 1316 d.C. – Introduzida a Ave Maria.
Ano 1415 d.C. – O cálice que era da Santa Ceia ficou apenas para o clero.
Ano 1439 d.C. – Decretado o purgatório.
Ano 1546 d.C. – Introduzidos livros apócrifos na bíblia. (Tobias, Judith, Sabedoria, Macabeus I e II, Eclesiástico e Baruque).
Ano 1854 d.C. – Anunciada conceição imaculada da virgem Maria.
Ano 1950 d.C. – Ascenção da virgem Maria.


Observe que ao decorrer da história, estas "verdades inquestionáveis" sempre foram justificativa para dominação, opressão e alienação. Você que acabou de ler este artigo faça também a sua análise e tire suas conclusões...

sábado, 24 de julho de 2010

Sou subversivo mesmo! E daí?

Adriano Couto


Sempre questionei. Nasci com o instinto furioso da discordância. Nunca nutri qualquer simpatia para com as ditaduras, não interessa qual configuração. Toda ditadura, todo absolutismo me provoca. Detesto imposições. Amo a proposta, a dúvida, a crítica, o pensar. Sou um amante da liberdade!

Sempre detestei a injustiça, seja ela qual for. Não suporto sistemas e esquemas totalitários, gente metida a Deus, "riquinhos" e sua esnobe mania de ostentar empáfias e futilidades. Sempre fui pobre, filho da periferia, coberto pela poeira da vida, marcado pela falta de padrinhos, nunca tive "as costas quentes". Condenado à sobrevivência, fui fazendo das palavras minha arma de grosso calibre. Ainda são poucos os que me lêem, mas ainda acredito...

Sempre amei a filosofia, a história, a sociologia e a teologia, ainda que todas estejam unidas na mesma subversão! Amo tudo que é, que não afirma sua existência no que tem, mas no que sabe ser. Amo gente que já viveu mais do que eu, que carrega nos cabelos a neve do tempo. Adoro seus conselhos e até aquela dose de desilusão que acompanha os que já se gastaram na luta.

Estudei em escola pública, sempre preguei mensagens perigosas, desafiei alguns pequenos impérios, detesto hipocrisia religiosa, o fanatismo que leva a alienação. Ainda estou aqui. Tentando, acreditando, utopicamente sonhando...

Quero a companhia dos poetas e dos profetas. De gente que se contorce com as mesmas dores que atingem os oprimidos. Quero acreditar que um dia, da massa que não pensa, surgirão pequenos gritos. Quero escrever, ainda que no rodapé das páginas da história, frases que acordem o exército dos subversivos.

Que não me venham apregoar a morte das tentativas! Sou subversivo, morro acreditando!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nomes Criativos, incomuns e esquisitos de igrejas evangélicas brasileiras (ah, e curiosos também!)




Adriano Couto


Alguns de nós sabemos como nossos irmãos tem algumas idéias fora do comum quando se trata de dar um nome a uma igreja quando abre um novo trabalho ministerial, estes nomes ora são esquisitos, incomuns, ora criativos e curiosos e no mínimo interessantes, quase um caso de estudo como a Comunidade Arqueiros de Cristo ou mesmo Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo. O que dizer de um nome como Igreja Pentecostal Marilyn Monroe ou Igreja Infantil Fofuras do Amanhã, é no mínimo muiiiiiiiiito estranho... Bem aqui segue uma compilação com o nome das igrejas e se você sabe de alguma que tem um nome incomum ou curioso escreva e compartilhe irmão!!!

Aqui segue as igrejas e seus nomes (ria com moderação):
Igreja da Água Abençoada
Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
Congregação Anti-Blasfêmias
Igreja Chave do Éden
Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta
Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
Igreja Batista Ô Glória!
Congregação Passo para o Futuro
Igreja Explosão da Fé
Igreja Pedra Viva
Comunidade do Coração Reciclado
Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
Cruzada de Emoções
Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
Congregação Plena Paz Amando a Todos
Igreja A Fé de Gideão
Igreja Aceita a Jesus
Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém
Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
Igreja Barco da Salvação
Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo
Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
Comunidade Arqueiros de Cristo
Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
Igreja Palma da Mão de Cristo
Igreja Menina dos Olhos de Deus
Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água
Igreja Batista Ponte para o Céu
Igreja Pentecostal do Fogo Azul
Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
Igreja Filho do Varão
Igreja da Oração Eficiente
Igreja da Pomba Branca
Igreja Socorista Evangélica
Igreja ‘A’ de Amor
Cruzada do Poder Pleno e Misterioso
Igreja do Amor Maior que Outra Força
Igreja Dekanthalabassi
Igreja dos Bons Artifícios
Igreja Cristo é Show
Igreja dos Habitantes de Dabir
Igreja ‘Eu Sou a Porta’
Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
Igreja da Bênção Mundial
Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
Igreja Sinais e Prodígios
Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
Igreja do Manto Branco
Igreja Caverna de Adulão
Igreja Este Brasil é Adventista
Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção)
Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
Ministério Eis-me Aqui
Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
Igreja Evangélica Facho de Luz
Igreja Batista Renovada Lugar Forte
Igreja Atual dos Últimos Dias
Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te
Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
Igreja Evangélica Bola de Neve
Igreja Evangélica Adão é o Homem
Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
Ministério Maravilhas de Deus
Igreja Evangélica Fonte de Milagres
Comunidade Porta das Ovelhas
Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica
Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
Igreja Evangélica Luz no Escuro
Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim
Igreja Pentecostal Planeta Cristo
Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos
Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta
Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés
Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão
Congregação Anti-Blasfêmias
“Igreija” Evangélica Muçulmana Javé é Pai
Igreja Abre-te-Sésamo
Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus
Igreja Bailarinas da Valsa Divina
Igreja Batista Floresta Encantada
Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder
Igreja Dekanthalalabassyí
Igreja do Louvre
Igreja ETQB, Eu Também Quero a Bênção
Igreja Evangélica Batalha dos Deuses
Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados
Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior
Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida
Igreja Pentecostal Marilyn Monroe
Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo
Associação Evangélica Fiel até debaixo d’Água
Comunidade Evangélica Não há Deus Maior
Congregação Anti Blasfêmias
Congregação Cruzada de Milagres
Igreja “A” de Amor
Igreja Abastecedora de Água Abençoada
Igreja Abominação a Vida Torta
Igreja Arqueiros de Cristo
Igreja das Bailarinas da Valsa Divina
Igreja Batista da Velhice Tranqüila
Igreja Batista Dedo de Deus
Igreja Batista Floresta Encantada
Igreja Batista Moça Bonita
Igreja Batista Nero se arrependeu, e você?
Igreja Bola de Neve
Igreja Pronto-Socorro das almas
Igreja Clínica da Alma
Igreja Congregacional Boca do Peixe
Igreja Congregacional Explosão da Fé
Igreja Coração Reciclado
Igreja Cristo é Show
Igreja Cruz Erguida para o bem das almas
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Igreja da Oração Eficiente
Igreja da Pomba Branca
Igreja Este Brasil é Adventista
Igreja Evangélica Shun Kuan Tai Shun
Igreja Infantil Fofuras do Amanhã
Igreja Jesus é médico de verdade
Igreja Lugarzinho no Céu
Igreja O Cuspe de Cristo
Igreja Olimpíada Bíblica
Igreja Pentecostal Jesus Vêm, Você fica
Igreja Sede de Fé
Igreja Subimos com Jesus
Igreja Universal de Oposição ao Mal
Igreja Universal do Reino de Deus
Talvez cheguemos a conclusão que denominar uma igreja é mais difícil que criar uma, enfim... Talvez possamos sentar todos no banco da igreja o Lugarzinho no Céu, bem através de Jesus o nosso está garantido! Hehe!

Frases (evangélicas?) que não aguento mais!!!




Adriano Couto


1. Amém? Está fraco. AMÉM? Amém ou não amém?
2. Quem quer receber uma bênção de Deus hoje, levante a mão.
3. Existe a lei da semeadura, e o número da conta é...
4. Isso é roubo, meu irmão; você nasceu pra ser cabeça, não cauda!
5. Esse acidente aconteceu porque você deve ter dado brecha.
6. O Diabo quer lhe destruir.
7. Estou vendo uma obra de bruxaria em sua vida.
8. Vamos quebrar as setas inimigas.
9. Nada vai impedir que você seja um conquistador.
10.Não há nada de errado com o dinheiro; o único problema é o amor ao dinheiro.
11. Nossa denominação ainda vai conquistar o mundo.
12. A partir de hoje Butiá nunca mais será igual.
13. Nós somos um povo que não conhece derrota.
14. Venha para Jesus e pare de sofrer.
15. Você é filho do Rei e não merece estar nessa situação.
16. Temos a visão de conquistar a Europa para Cristo.
17. Essa doença não existe, ela é apenas uma ameaça do Diabo.
18. Deus está nos dirigindo para abrirmos uma igreja em Boca Raton.
19. Vamos amarrar os demônios territoriais que estão sobre o Brasil.
20. Todos os que fizerem a campanha das sete semanas alcançarão seus sonhos.
21. Compre esta Bíblia fantástica com os comentários de...
22. Estamos num mover apostólico e o avivamento brasileiro é semelhante ao do livro de Atos.
23. Teremos uma explosão de milagres na maior concentração religiosa da história.
24. Vamos ficar em pé para receber o Grande Homem de Deus, fulano de tal, com uma salva de palmas.
25. Quando vejo essa multidão de quinze mil pessoas, só tenho vontade de dizer que amo cada um de vocês.
26. O Reino de Deus precisa de um candidato na Câmara; vamos eleger nosso irmão que vai fazer a diferença.
27. Deus abrirá uma porta de emprego para você, meu irmão.
28. Semana que vem teremos mais uma sessão de cura interior.
29. Enquanto não pedirmos perdão ao Paraguai pela guerra, nunca seremos uma nação próspera.
30. Os Estados Unidos são uma bênção porque o presidente deles é crente.
31. Tudo é miçanga, só Deus é jóia.
32. Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono.
33. Este carro ficará desgovernado em caso de arrebatamento.
34. Crianças, cantemos: “Cuidado olhinho no que vê, cuidado mãozinha no que pega... nosso Pai está olhando pra você”!
35. Olhe para o seu irmão do lado e diga: Eu amo você!
36. O Espírito Santo está me revelendo que existem ladrões nesta igreja que não entregaram seus dízimos.
37. Ah, seu problema é maldição hereditária.
38. Quando você não entrega o dízimo na casa de Deus, Ele não tem compromisso financeiro com você.
39. Quero que vocês dêem uma oferta especial para manutenção do nosso programa de rádio e TV, pois foi Deus quem mandou pregar na mídia.
40. Ora em línguas aí, irmão.
41. Restitui, eu quero de volta o que é meu.
42. A visão da nossa igreja é evangelizar. Obra social é com o governo.
43. Abram suas Bíblias no livro "X". Quem encontrou diga amém, quem não encontrou diga misericórdia.
44. Eu gostaria de cumprimentar a igreja com a paz do Senhor (se gostaria, então cumprimente, ou vai ficar na vontade?).
45. Abra o seu coração (como?).
46. Deus está aqui (que algo mais óbvio que isso).
47 - Deus está curando você, minha irmã, deste nódulo no seio que você nem sabia que tinha (depois dessa, dizer mais o que).
48. Deus está operando poderosamente (alguém já viu Deus operar "meia-boca"?).
49. Deus vai enxugar suas lágrimas (O que dizer? Como é fácil falar).
50. Tá amarrado! (alguém sabe quanto tempo o Diabo leva para se desamarrar?).
51. Deus vai dar à nossa igreja um programa na Globo (tô com uma pulga atrás da orelha. Acho que esse pastor quer figurar na novela das 8).
52. Irmãos, Deus me deu revelação. Esse será o ano de Elias, de Josué, de Gideão, de João Batista... (Não parece calendário chinês?).
53. Abra a boca e profetize; as palavras têm poder.
54. Hoje eu deixo de ser crente se Deus não operar um milagre. (Por favor, deixe mesmo!)
55. Meus irmãos, estas igrejas que usam rosas ungidas, sal grosso para descarrego, etc., não são de Deus!....Ao final do culto tragam seus documetos, carteira de trabalho, chave de casa e do carro para ungirmos, pois aqui a coisa é diferente, Deus opera!
56. Não diga isso. As palavras têm poder!!
57. Incendeia tua noiva, Senhor.
58. Seja um adorador extravagante!
59. Fui chamado para ser um levita na casa do Senhor. Posso cantar na sua igreja e vender meus CDs?
60. Não podemos fazer da igreja um clube.
61. Sendo dizimista, você pode colocar Deus contra a parede.
62. Meus irmãos, é hora de mudar o Brasil.
63. Quem tem um caroço em qualquer lugar do corpo, levante a mão que Jesus vai curar agora.
64. A Rede Globo conspira contra a igreja.
65. Quanto mais glória você manda pra cima, mais glória Deus manda pra baixo.
65. Não dá o dízimo na casa de Deus, mas acaba "dando" na farmácia (Hum, não sei não!)
66. Você que não dá o dízimo não tem moral pra exigir nada de Deus.
67. Vamos pisar na cabeça do diabo; o Diabo só conhece o número do meu sapato.
68. Quando o crente ora, deve esperar retaliação do Diabo.
69. Sabe qual o nosso problema? O mundo está entrando na igreja.
70.Eu soube que o Anticristo já nasceu e está se preparando para aparecer.
71. Eu soube de um pastor que encontrou uns feiticeiros que estavam jejuando para fazer os pastores caírem.
72. O Rei Leão da Disney é gay!
73. Minha irmã, você precisa da nossa cobertura! (essa é quase pornográfica).
74. Não esqueça de enviar os boletos bancários que eu prometo subir o monte nesta madrugada e interceder por sua vida.
75. Não fique triste com a morte do seu filho (ou com seu divórcio, ou com sei lá o que). Tudo tem um propósito e Deus sabe o que faz.
76. Irmãos, hoje o Senhor falou comigo pela manhã para trazer esta palavra.
77. Orei e a chuva parou.(então ora e manda chuva pro nordeste, não é?)
78. Estou sentindo uma opressão aqui.
79. Hoje vamos ouvir o testemunho do Irmão que era ex-gay, ex-traficante, ex-drogado, ex-macumbeiro, ex-cafetão, ex-morto, ex-satanista, ex-sei-lá-o-que e que agora é crente!!!
80. Todo inimigo, fora daqui!
81. Posso ouvir 3 aleluias e 8 améns?
82. Cuidado para não perder a benção, irmão.
83. Não adianta fugir de Deus, Ele vai ter pegar na curva.
84. Se não vier pelo amor, vem pela dor.
85. Sabe quanto custa uma consulta, uma internação? Dar o dízimo é mais barato.
86. Deus me revelou que 50 irmãos vão contribuir com mil reais cada um.
Quem é o primeiro? Se não tem ninguém, então devem existir aqui 50 valentes que vão contribuir com quinhentos... Agora chegou a sua vez, meu irmãozinho querido. Todos vocês que sobraram tragam suas ofertas de um real. (Que leilãozinho ordinário, heim?)
87. Tomara que ao sair daqui um carro não passe por cima de você; vou orar para que Deus lhe dê mais uma chance.
88. Não troque sua salvação por um copo de cerveja.
89. Nesta noite Deus vai disribuir dar sapatos de fogo (Eu prefiro os de couro!)
90. Infelizmente ele preferiu morrer sem salvação do que voltar pra nossa igreja.
91. O diabo tentou impedir que você viesse aqui nesta noite, porque ele sabia que você seria revelado
92. Eu tinha preparado uma mensagem, porém o Espírito Santo quer que eu pregue sobre santidade (...E dê-lhe regrinhas!).
93. Deus confirmou a mensagem desta noite enquanto a irmã cantava aquele hino.
94. Dê o melhor que você tem , Deus não quer troco de ônibus.
95. Tire a melhor nota que você tem e ofereça o melhor sacrificio ao Senhor.
96. Tive uma visão que no estacionamento da igreja só tinha carro zero km.(Acho que ele confundiu a igreja com a concessionaria ao lado).
97. Minha teologia é joelho no chão!!!(Essa teologia é no mínimo esquisita).
98. Deus conhece a sinceridade do meu coração! Eu preciso da sua ajuda para manter este programa no ar e o número da conta é... (Sim, eu sei que Deus conhece tudo. Eu é que estou com alguma suspeita).
99. Se você sair de férias e não deixar o cheque do dízimo vai dar tudo errado na sua viagem. (E agora? Esqueci! Deve ser esse o motivo porque furou o pneu do carro)
100. Deus não escolhe os capacitados mas capacita os escolhidos. (Há muitos pastores repetentes nessa escola de capacitação).
101. Não toque contra o ungido do Senhor. (Chavãozinho para proteger os líderes inseguros).
102. Não diga a Deus que seu problema é grande; diga ao seu problema que o seu Deus é grande. (Poesia de quinta categoria]
103. Você é a menina dos olhos de Deus [com remela?]
104. Aqui é uma igreja diferente (Sério? Então tá].
105. Se vocês confiam em nós, pastores, para trazer a palavra de Deus, devem confiar na nossa administração das ofertas. Não precisamos prestar contas a ninguém, só a Deus [Hummm. Acontece que a palavra foi fraquinha).
106. Chega de esperar; hoje o seu milagre vai chegar (Posso reclamar no Procon?).
107. Plante sua semente que você vai colher a cento por um (Pequenas igrejas, grandes negócios).
108. Deus sabe de todas as coisas (Que clichê cruel, na hora que não tem respostas para uma questão).
109. "Mateus, Mateus, primeiro os teus" [Não entendi, hã?]
110. Comunico o falecimento do irmão Fulano. Infelizmente, perdemos um bom dizimista (A família enlutada agradece pelo gesto de solidariedade...).
111. Depois do culto, compre meus livros e CDs de mensagens. Vão abençoar o ministério infantil que cuido. Tenho quatro filhos (Se a piada é sem graça, imagine a mensagem dos Cds e livros.).
112. Olhe para o irmão do lado e diga "você está bonito hoje" (Por que tenho que fazer esse tipo de coisa? Logo eu que sou gaúcho?).
113.Tem gente que lê muito e só cresce em sabedoria humana. O importante é o conhecimento de Deus ["conhessimento" com dois "esses", provavelmente...]

Acho que chega, não? A lista do besteirol parece não ter fim.

Soli Deo Gloria.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A música e a censura da ditadura militar

Quando o golpe militar foi deflagrado, em 1964, ironicamente o Brasil tinha na época, os movimentos de bases político-sociais mais organizados da sua história. Sindicatos, movimento estudantil, movimentos de trabalhadores do campo, movimentos de base dos militares de esquerda dentro das forças armadas, todos estavam engajados e articulados em entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes), o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), o PUA (Pacto da Unidade e Ação), etc, que tinham grande representatividade diante dos destinos políticos da nação. Com a implantação da ditadura, todas essas entidades foram asfixiadas, sendo extintas ou a cair na clandestinidade. Em 1968, os estudantes continuavam a ser os maiores inimigos do regime militar. Reprimidos em suas entidades, passaram a ter voz através da música. A Música Popular Brasileira começa a atingir as grandes massas, ousando a falar o que não era permitido à nação. Diante da força dos festivais da MPB, no final da década de sessenta, o regime militar vê-se ameaçado. Movimentos como a Tropicália, com a sua irreverência mais de teor social-cultural do que político-engajado, passou a incomodar os militares. A censura passou a ser a melhor forma da ditadura combater as músicas de protesto e de cunho que pudesse extrapolar a moral da sociedade dominante e amiga do regime. Com a promulgação do AI-5, em 1968, esta censura à arte institucionalizou-se. A MPB sofreu amputações de versos em várias das suas canções, quando não eram totalmente censuradas.
Para censurar a arte e as suas vertentes, foi criada a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), por onde deveriam previamente, passar todas as canções antes de executados nos meios públicos. Esta censura prévia não obedecia a qualquer critério, os censores poderiam vetar tanto por motivos políticos, ou de proteção à moral vigente, como por simplesmente não perceberem o que o autor queria dizer com o conteúdo. A censura além de cerceadora, era de uma imbecilidade jamais repetida na história cultural brasileira.


Fonte: http://jeocaz.multiply.com/journal/item/78/78

Pra não dizer que não falei das flores: Hino da resistência estudantil!

Adriano Couto

“Caminhando e Cantando e seguindo a canção / Somos todos iguais braços dados ou não / Nas escolas, nas ruas, campos, construções / Caminhando e Cantando e seguindo a canção / Vem, vamos embora que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora não espera acontecer (...) / Pelos campos a fome em grandes plantações / Pelas ruas marchando indecisos cordões / Ainda fazem da flor seu mais forte refrão / E acreditam nas flores vencendo o canhão / Há soldados armados, amados ou não / Quase todos perdidos de armas na mão / Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição / De morrer pela pátria e viver sem razão (...)” música escrita e gravada por Geraldo Vandré.
Difícil quem ouve esta música e não se emociona . É uma canção envolvente.
Mas, meus caros, qual o significado desta canção para os estudantes? Qual a importância estudantil? Qual a mensagem a ser aprendida?
Era o ano de 1968, durante a ferrenha ditadura militar do Marechal Costa e Silva, conhecida como “Anos de Chumbo”. Foi editado o AI-5, que reunia amplos poderes na mão do ditador, entre eles o de governar mediante decretos.

Ocorria o III Festival Internacional da Canção (FIC), em fase final, diante de uma multidão de estudantes que torciam ferozmente pela vitória de Geraldo Vandré e sua música, pois era uma forte crítica ao Regime Militar.

Vandré concorria com a música de Tom Jobim e Chico Buarque, que era uma crítica tímida, enrustida, disfarçada do Regime. O que não agradava os estudantes da época, muito engajados na política e inconformados com a ditadura.

Eis que é anunciada a música vendedora: “... e o 2º lugar vai para... ‘Pra não dizer que não falei das flores’ de Geraldo Vandré”; “... e o 1º lugar na fase internacional vai para: ‘Sabiá’ de Tom Jobim e Chico Buarque”.

A multidão de estudantes enfurecida abafou o som do microfone com vaias e mais vaias. Ninguém pode calar os estudantes. Eles não aceitaram a vitória de Jobim e Buarque. A partir deste dia a música “Pra não dizer que não falei das flores” passou a ser um símbolo da luta contra o Regime Militar. Era sempre cantada em passeatas e protestos de estudantes.

Infelizmente ninguém me ensinou isto na escola (e talvez eu nem tivesse dado importância, afinal isto é cultura, não é o conteúdo escolar que os alunos estão conformados a dar atenção). Assim, meus caros, vem a tona uma importante questão: no Brasil, o que um estudante que terminou o 2ª grau aprendeu??

Vamos aos exemplos: quem terminou o 2º grau sabe (ou deveria saber...) que o boi, a girafa e o camelo têm um estômago dividido em pança, barrete, folhoso e coagulador; que ursos brancos não comem pingüins (ao contrário dos desenhos animados que os Norte-Americanos vendem para o Brasil) porque ursos brancos vivem no Pólo Norte e pingüins vivem no Pólo Sul; que o beija-flor bate suas asas, cerca de 80 vezes por segundo; que a raiz quadrada de 144 é 12; que o número atômico do elemento vanádio é 23, do crômio é 24 e do molibdênio é 42; que o magnésio e o cálcio são metais que pertencem à mesma família da Tabela Periódica; que a América se distancia do continente Europeu e Africano cerca de 1 cm por ano; enfim, etc, etc, etc...

Muitos estudantes que terminam o 2º grau (quando terminam...) vão ao mercado de trabalho em busca de emprego. Lá encontram a realidade da vida. E no emprego não vão usar os conhecimentos sobre o funcionamento do estômago da girafa, asas do beija-flor ou raiz quadrada de 144. Vão lidar com pessoas e serão limitados por regras de convivência social.

Para o sistema é interessante manter os estudantes alienados, pois assim os mesmos não Irão questionar as atrocidades, as mesquinharias e as maracutaias de quem está no poder, oprimindo e explorando o povo. Nós como estudantes, agentes transformadores, formadores de opinião que somos, devemos promover o diálogo construtivo, o debate enriquecedor para juntos construirmos uma sociedade mais justa e fraterna para todos.

domingo, 18 de julho de 2010

Ex-goleiro Bruno repete o que grande parte dos presos dizem: “Sou evangélico”

Adriano Couto

Todo sujeito que vai para atrás das grades, talvez por pensar que as autoridades
policiais e judiciárias sejam ingênuas, logo inventa que é evangélico e pede uma Bíblia. Isto ocorre diariamente em várias delegacias, Brasil afora. É o caso recente do ex-goleiro Bruno do Flamengo e sua esposa, suspeitos de ser estarem envolvidos no assassinato de Elisa Samudio, ex amante do goleiro e com quem teria tido um filho. Bruno foi questionado por uma policial sobre sua religião. “Sou evangélico”, respondeu.

Sabe-se que muitos presos realmente são desviados e acabaram-se envolvendo em crimes, o que os levou à cadeia. Ainda bem que o Código Penal e de Processo Penal em nada atenua a condição do acusado ou suspeito, sendo este evangélico.

Ter passado algum dia por uma igreja evangélica, não implica dizer que já foi evangélico. Há dois tipos de desviados: os que tinham um compromisso sério com Cristo e com sua obra, mas esfriaram na fé, são os desviados, e os que iam à igreja, mas nunca tiveram compromisso com Cristo e sequer com sua igreja. Passeavam na igreja. Eram esquentadores de bancos.

Segundo o pastor da igreja que Bruno frequentava, quando adolescente, o ex-goleiro fugiu várias vezes, quando era chamado para batizar-se. Certamente para não assumir um compromisso sério com a igreja e com Cristo.

Como cristão sinto-me profundamente indignado e constrangido ao mesmo tempo, pois agora virou moda, tudo quanto é pilantra quando vai pro xilindró, se diz evangélico, crente ou qualquer coisa do tipo. Não vou ser hipócrita dizendo que não creio que as pessoas podem mudar, se arrepender e etc, senão estaria contradizendo a minha profissão de fé cristã, mas a maioria dos casos é só fachada.

Tem pessoas que extrapolam na vida, chegando ao fundo do poço literalmente falando, metida em toda sorte de vícios, encrencas da pior espécie, daí quando se vêem sem saída, vão correndo pra igreja mais próxima e posar “crente”, se “esconder” atrás de uma bíblia, muitas vezes escondendo a “graxa debaixo dos cascos” dando contra-testemunho, logo os críticos acabam rotulando os cristãos com os adjetivos mais absurdos e botando tudo no mesmo saco, prejudicando muitas vezes o trabalho sério de muitas instituições cristãs, colocando as mesmas em descrédito, por causa de pilantras que se aproveitam da boa fé das pessoas para tirar vantagens.

Fora com esses lobos em pele de cordeiro! Chega de pilantras usando o nome de Deus! Vamos desmascarar estes hipócritas! Chega de alienação! Chega de fanatismo!

História dos Ciganos

Introdução à história dos ciganos

Autora: Denize Carolina Auricchio Alvarenga da Silva Historiadora e Educadora

Não podemos lidar com a trajetória cigana da mesma forma com que tratamos do percurso de outros povos que possuem documentos e registros escritos pelos próprios. Sua história é contada a partir do contato com outras sociedades; os interessados na reconstrução de sua história usaram, principalmente, acervos de arquivos oficiais de locais por onde eles passaram. Alguns utilizaram-se do contato no cotidiano e de história oral como Maria de Lourdes Sant’ Ana que conviveu durante dois anos em Campinas com seus habitantes Ciganos e Alexandre Mello Moraes Filho e seus colaboradores do Rio de Janeiro.
Lendas e Hipóteses sobre as origens
Para uns eles seriam indianos, outros acreditam que egípcios. Não faltaram também hipóteses de que teriam vindo de algum outro lugar da Ásia como a Tartária, Silícia, Mesopotâmia, Armênia, Cáucaso, Fenícia ou Assíria. Alguns deram crédito às hipóteses de serem europeus de regiões afastadas da Hungria, Turquia, Grécia, Alemanha, Bohemia ou Espanha (em um misto de mouros e judeus), ou mesmo de africanos de outras regiões (que não o Egito) como a Tunísia. Mas através de pesquisas estas hipóteses foram sendo descartadas e delas apenas duas continuaram sendo examinadas pelos ciganólogos: a origem egípcia e a indiana.
Ao longo de suas andanças seculares os ciganos incorporaram culturas de diversos países, o que dificulta enormemente os estudos que tentam reconstruir sua origem e dispersão pelo mundo.
Ciganos e alguns estudiosos recorreram a Bíblia para explicar suas origens; definiram-se como descendentes de Caim “Sela, de seu lado deu à luz Tubal Caim, o pai de todos aqueles que trabalham o cobre e o ferro” (Gênesis, capítulo 4,versículo 22). Aplicou se também um texto de Ezequiel (capítulo 30, versículo 23) “Dispersarei os egípcios entre as nações, eu os disseminarei em diversos países”, este último trecho foi associado, pois eles eram conhecidos como egípcios quando chegaram a Europa.
Outras versões ainda resistiram ao tempo como a descendência de Caim e por isso o castigo de vagar pelo mundo, a hipótese de terem sido os fabricantes dos pregos que crucificaram Jesus, ou que teriam roubado o quarto prego tornando assim mais dolorosa a pena dele. E ainda que eles seriam os responsáveis pela segurança de Jesus, mas não puderam impedir que o levassem pois estavam bêbados. Há também a teoria que antes da Natividade os egípcios teriam recusado hospitalidade a Santa Família e como punição seus dependentes foram condenados a levar uma vida errante.
Apenas no século XVIII começou a ser discutido o assunto com mais seriedade e lingüistas apontaram indícios mais palpáveis da origem indiana em 1753 quando se comparou o idioma romani com o sânscrito, mais precisamente o hindi que é uma de suas derivações. A partir de análises comparativas de seus costumes e linguagem com outros de diferentes povos, os estudiosos foram apontando datas aproximadas de sua presença nos locais onde passaram um tempo considerável e adquiriram parte de sua bagagem cultural. Ainda há divergência entre pesquisadores da ciganologia, mas os estudos mais recentes apontam para a origem indiana.
Ao chegarem a Europa diziam ter vindo do Egito condenados por Deus a viverem desterrados devido ao pecado de seus antepassados de se negarem a acolher a Virgem Maria e seu filho. Mais tarde se verificou que não eram originários do Egito, mas já estavam conhecidos popularmente como egípcios, apesar de não saberem informar onde ficava essa região. Também não é provado que a denominação de egípcios tenha vindo dos ciganos, pode ter sido uma definição dos europeus para explicá-los, se baseando na escritura de Ezequiel que fala da dispersão dos egípcios. Outra evidência é a falta de elementos egípcios no dialeto cigano.
Comparando se a língua, tipo físico e algumas crenças religiosas delineia-se uma trilha geográfica que permite localizar os ciganos na Índia. Mas a região exata ainda não está definida, acredita se que teriam vindo Sind, Punjab ou de outro ponto. Outro estudo foi feito a respeito de características físicas e relatos dos caracteres dos ciganos comparando com os hindus e as principais semelhanças são o rosto comprido e estreito na altura dos pômulos, cabelos e olhos negros, pele bronzeada, nariz um pouco agudo, boca pequena, estatura variando de regular a alta, corpo robusto e algo que apesar de não ser físico era notável: a agilidade.

A Dispersâo - Uma História de Perseguiçao e Sofrimento
Infelizmente pouco sabemos a respeito dos ciganos que, sempre, em grupos numerosos vem há tantos séculos penetrando em diversos territórios pelo mundo.
Alcançaram os Balcãs nos primeiros anos do século XIV e depois de um período de cem anos já estavam espalhados por toda a Europa. O surgimento desses errantes na Europa coincide com uma época de perturbações sociais e intenso movimento nas estradas.
Independente da precisão da entrada dos ciganos na Europa sabe-se que o caráter misterioso deles transformou a curiosidade inicial em hostilidade devido a seus hábitos muito diferenciados. Eram considerados inimigos da Igreja que condenava suas práticas sobrenaturais como a cartomancia e a leitura das mãos. A partir do século XV esses ciganos migraram também para a Europa Ocidental, onde quase sempre afirmavam que sua terra de origem era o Pequeno Egito, por isso foram denominados egípcios, egitano, gipsy entre outros. Alguns grupos se apresentaram como gregos e atsinganos e ficam conhecidos com grecianos na Espanha, ciganos em Portugal e Zingaros na Itália. Na Holanda a partir do século XVI se utiliza a denominação heiden, que significa pagão. Na França também foram chamados de tsi – ganes, manouches, romaniche e boémiens.
Distribuíram-se por várias zonas da Europa, mas as razões históricas que levaram ao seu nomadismo devem-se essencialmente à sua difícil integração social. Devido ao tom escuro da sua pele, eram vistos nas terras aonde chegavam pelos gadje (estrangeiros em romani) como malditos ou enviados do demônio. Também pelo fato de alimentarem práticas de quiromancia e adivinhação fez com que fossem repudiados pela Igreja Católica e pelas diferentes religiões cristãs.
Os preconceitos e a hostilidade geraram diversos tipos de perseguições. Na Europa, a perseguição aos ciganos não se fez esperar. O Estado que viu no seu nomadismo uma ameaça social, mais propriamente através da Inquisição, desencadeou os seus mecanismos de perseguição. Os ciganos foram assim proibidos de usar os seus trajes típicos, cujas cores berrantes e gosto extravagante fugiam à norma social, de falar a sua língua, de viajar, de exercer os seus ofícios tradicionais ou até mesmo de se casar com pessoas do mesmo grupo étnico. Isto fez com que os traços fisionômicos dos ciganos se alterassem, e por isso não é hoje invulgar encontrar ciganos de olhos claros e cabelo louro. Em alguns países foram mesmo reduzidos à escravidão: na Romênia, os escravos ciganos só foram libertados em meados do séc. XIX, através da apresentação de um projeto resultado de uma campanha de libertação apresentado a Assembléia e em 1855 libertaram-se os duzentos mil ciganos feitos escravos pelos senhores moldo valáquios, outros pertenciam ao Estado e ao clero. Também foram escravos na Hungria e Transilvânia sob as acusações de roubo, antropofagia e outras violações da lei. Na Boêmia os ciganos tinham a orelha esquerda cortada se aparecessem na região e lá também foram acusados de canibalismo. Em períodos mais recentes, juntamente com os judeus, prevê-se que talvez cerca de meio milhão tenha perecido no Holocausto. Os seus cavalos foram mortos a tiro, os seus nomes alterados (daí que não seja invulgar encontrar ciganos com nomes dos gadje) e as suas mulheres foram esterilizadas. Os seus filhos foram brutalmente retirados às suas famílias e entregues a famílias não-ciganas.
Na Hungria e Pensilvânia sob pretexto da antropofagia são esquartejados e enterrados vivos nos pântanos.
Na Sérvia também foram mantidos escravos até meados do século XIX e a sua caça era feita com muita crueldade. Deportações, torturas e matanças ocorreram em vários pontos desse país.
Hordas de ciganos vindos dos Pirineus chegam a Espanha banidos dos países que já tinham passado. Foi um período de paz durante o reinado de Carlos III que os utilizou nas artes, mas governos posteriores derramaram contra eles perseguições, tirando seus empregos e privilégios. Numerosos emigraram para Portugal, indo mais tarde alimentar as chamas da fogueira da Inquisição de D. João II que promulgou leis de punição. Documentos atestam que chegaram na Inglaterra por volta de 1430 e logo se espalharam pelas Ilhas Britânicas, País de Gales, Irlanda e Escócia, onde também foram perseguidos e em 1563 as autoridades ordenam que abandonem o país em três meses sob pena de morte. Acreditando que os ciganos vinham do Egito, os ingleses chamaram os de "gypsies". Trabalhavam como menestréis e mercenários, ferreiros, artistas, e damas de companhia.
Na Espanha um decreto de 1449 ordena o desterro de todos os que não tenham ofício reconhecido, nos séculos XVI e XVII são perseguidos e torturados para confessarem seus crimes. Em 1663 Felipe IV os proíbe de se reunirem, de usarem seu idioma, suas roupas e danças. O objetivo era a desculturalização e desintegração como grupo até que em 1783 sob o reinado de Carlos II fez se uma política mais favorável e foram, considerados neo castelhanos.
Depois de atravessarem a Pérsia e viverem durante séculos no Império Bizantino, foram para norte no séc. XIV. Portugal foi um dos países que deportou muitos ciganos para as suas colônias, neste caso África e Brasil.
No século XVIII os ciganos são o avesso do ideal social da época, o século das luzes honra o trabalho.
No final do séc. XIX houve uma terceira migração de ciganos do leste Europeu para os EUA. Sem pátria, num mundo onde tudo muda a uma velocidade alucinante, o destino previsto para os ciganos é, muitas vezes, sombrio.
Após a Segunda Guerra Mundial, muitos ciganos das áreas rurais da Eslováquia foram forçados pelos governos a trabalhar nas fábricas da Morávia e da Boémia, as regiões centrais, mais industrializadas, do território checo. Porém, em 1989, com a Revolução de Veludo e o fim do comunismo no país, os ciganos foram os primeiros a perder os seus empregos, até então garantidos por um regime que pregava a igualdade e homogenia social. É verdade que existe uma pequena e assimilada elite intelectual cigana, mas a maioria dos ciganos da Europa Central ainda vivem em esquálidos cortiços das grandes cidades. Junte-se a isso as perspectivas econômicas sombrias, um surto de ataques neonazistas e o fascínio que a prosperidade ocidental exerce e temos um panorama desolador da região do mundo que mais ciganos alberga. O resultado é que milhares de ciganos emigram para países ocidentais, onde trabalham ilegalmente, pedem esmola ou buscam asilo político. Estima se hoje que existam 10 milhões de ciganos, 60% vivendo na Europa Oriental. A Romênia com 2,5 milhões de ciganos abriga a maior concentração mundial. Em vários países europeus e em demais continente onde emigraram vivem populações flutuantes em que se atribui origem nômade, mas com marcas culturais bem definidas. As denominações variam conforme o lugar que estão. Mesmo possuindo uma só origem, o povo cigano, durante perseguições e injustiças ao longo dos séculos, tentam conservar sua cultura e tradição inalteradas até os dias de hoje. Uma prova disto é o romanês, o idioma universal cigano falado pelos clãs no mundo. Atualmente, dentre dezenas de grupos ciganos, os que predominam são os seguintes:
Grupo Kalon – falam o calon, são originários do Egito; durante séculos situaram-se na Península Ibérica (Portugal e Espanha) e se espalharam por outros países inclusive da América do Sul deportados ou migrantes. Os Kalons, em algumas situações, tiveram que ocultar sua origem, criando um dialeto próprio, extraído da língua regional. O nomadismo é maior entre esse grupo.
Os Rom ou Roma falam a língua romani e são divididos em vários sub grupos com denominações próprias como os Matchuaia (originários da Iugoslávia), Lovara e Churara (Turquia), Moldovano (originários da Rússia), Kalderash (originários da Romênia) Marcovitch (Sérvia), .
Sinti falam a língua sintó e são mais encontrados na Alemanha, Itália e França, onde também são chamados Manouche. Fazem parte desta divisão as famílias Valshtiké, Estrekárja e Aachkane todas francesas.
Ciganos, ao contrário dos judeus, nunca demonstraram um desejo de ter o seu próprio país, assumindo-se párias. Nas palavras de Ronald Lee, escritor cigano nascido no Canadá, "a pátria dos roma é onde estão os meus pés".

Brizola e a "Legalidade"

Pronunciamento do governador Leonel Brizola, transmitido pela Rádio Guaíba, direto da sede do governo, o Palácio Piratini, em Porto Alegre, no dia 28 de agosto de 1961)

"Peço a vossa atenção para as comunicações que vou fazer. Muita atenção. Atenção, povo de Porto Alegre! Atenção Rio Grande do Sul! Atenção Brasil! Atenção meus patrícios, democratas e independentes, atenção para estas minhas palavras!

"Em primeiro lugar, nenhuma escola deve funcionar em Porto Alegre. Fechem todas as escolas. Se alguma estiver aberta, fechem e mandem as crianças para junto de seus pais. Tudo em ordem. Tudo em calma. Tudo com serenidade e frieza. Mas mandem as crianças para casa. Quanto ao trabalho, é uma iniciativa que cada um deve tomar, de acordo com o que julgar conveniente.

"Quanto às repartições públicas estaduais, nada há de anormal. Os serviços públicos terão o seu início normal, e os funcionários devem comparecer como habitualmente, muito embora o Estado tolerará qualquer falta que, porventura, se verificar no dia de hoje..

"Tenho os fatos mais graves a revelar"

"Hoje, nesta minha alocução, tenho os fatos mais graves a revelar. O Palácio Piratini, meus patrícios, está aqui transformado em uma cidadela, que há de ser heróica, uma cidadela da liberdade, dos direitos humanos, uma cidadela da civilização, da ordem jurídica, uma cidadela contra a violência, contra o absolutismo, contra os atos dos senhores, dos prepotentes. No Palácio Piratini, além da minha família e de alguns servidores civis e militares do meu gabinete, há um número bastante apreciável, mas apenas daqueles que nós julgamos indispensáveis ao funcionamento dos serviços da sede do Governo. Mas todos os que aqui se encontram estão de livre e espontânea vontade, como também grande número de amigos que aqui passou a noite conosco e retirou-se, hoje, por nossa imposição.

"Aqui se encontram os contingentes que julgamos necessários. da gloriosa Brigada Militar o Regimento Bento Gonçalves e outras forças. Reunimos aqui o armamento de que dispúnhamos. Não é muito, mas também não é pouco para aqui ficarmos preocupados frente aos acontecimentos. Queria que os meus patrícios do Rio Grande e toda a população de Porto Alegre, todos os meus conterrâneos do Brasil, todos os soldados da minha terra querida pudessem ver com seus olhos o espetáculo que se oferece.

"Aqui nos encontramos e falamos por esta estação de rádio, que foi requisitada para o serviço de comunicação, a fim de manter a população informada e, com isso, auxiliar a paz e a manutenção da ordem. Falamos aqui do serviço de imprensa. Estamos rodeados por jornalistas, que teimam, também, em não se retirar, pedindo armas e elementos necessários para que cada um tenha oportunidade de ser também um voluntário, em defesa da legalidade.

"Não nos submeteremos a nenhum golpe"

"Esta é a situação! Fatos os mais sérios quero levar ao conhecimento dos meus patrícios de todo o País, da América Latina e de todo o mundo. Primeiro: ao me sentar aqui, vindo diretamente da residência, onde me encontrava com minha família, acabava de receber a comunicação de que o ilustre General Machado Lopes, soldado do qual tenho a melhor impressão, me solicitou audiência para um entendimento. Já transmiti, aqui mesmo, antes de iniciar minha palestra, que logo a seguir receberei S. Exa. com muito prazer, porque a discussão e o exame dos problemas é o meio que os homens civilizados utilizam para solucionar os problemas e as crises. Mas pode ser que essa palestra não signifique uma simples visita de amigo. Que essa palestra não seja uma aliança entre o poder militar e o poder civil, para a defesa da ordem constitucional, do direito e da paz como se impõe neste momento, como defesa do povo, dos que trabalham e dos que produzem, dos estudantes e dos professores, dos juízes e dos agricultores, da família.

"Todos, até as nossas crianças desejam que o poder militar e o poder civil se identifiquem nesta hora para vivermos na legalidade. Pode significar, também, uma comunicação ao Governo do Estado da sua deposição. Quero vos dizer que será possível que eu não tenha oportunidade de falar-vos mais, que eu nem deste serviço possa me dirigir mais, comunicando esclarecimentos à população. Porque é natural que, se ocorrer a eventualidade do ultimato, ocorrerão, também, conseqüências muito sérias. Porque nós não nos submeteremos a nenhum golpe, a nenhuma resolução arbitrária. Não pretendemos nos submeter. Que nos esmaguem! Que nos destruam! Que nos chacinem, neste Palácio! Chacinado estará o Brasil com a imposição de uma ditadura contra a vontade de seu povo. Esta rádio será silenciada tanto aqui como nos transmissores. O certo porém é que não será silenciada sem balas. Tanto aqui como nos transmissores estamos guardados por fortes contingentes da Brigada Militar.

"Assim, meus amigos, meus conterrâneos e patrícios ficarão sabendo por que esta rádio silenciou. Foi porque ela foi atingida pela destruição e porque isso ocorreu contra a nossa vontade. E quero vos dizer por que penso que chegamos a viver horas decisivas.

"Os americanos, que espoliam e mantêm nossa pátria na miséria"

"Muita atenção, meus conterrâneos, para esta comunicação. Ontem à noite o Sr. Ministro da Guerra, Marechal Odílio Denys, soldado no fim de sua carreira, com mais de 70 anos de idade, e que está adotando decisões das mais graves, as mais desatinadas, declarou através do 'Repórter Esso' que não concorda com a posse do Sr. João Goulart, que não concorda que o Presidente constitucional do Brasil exerça suas funções legais! Porque, diz ele numa argumentação pueril e inaceitável, isso significa uma opção entre comunismo ou não. Isso é pueril, meus conterrâneos. Isso é pueril, meus patrícios! Não nos encontramos nesse dilema. Que vão essas ou aquelas doutrinas para onde quiserem. Não nos encontramos entre uma submissão à União Soviética ou aos Estados Unidos. Tenho uma posição inequívoca sobre isto. Mas tenho aquilo que falta a muitos anticomunistas exaltados deste Pais, que é a coragem de dizer que os Estados Unidos da América, protegendo seus monopólios e trustes, vão espoliando e explorando esta Nação sofrida e miserabilizada. Penso com independência. Não penso ao lado dos russos ou dos americanos. Penso pelo Brasil e pela República. Queremos um Brasil forte e independente. Não um Brasil escravo dos militaristas e dos trustes e monopólios norte-americanos Nada temos com os russos. Mas nada temos também com os americanos, que espoliam e mantêm nossa pátria na pobreza, no analfabetismo e na miséria.

"Esses que muito elogiam a estratégia norte-americana querem submeter nosso povo a esse processo de esmagamento. Mas isso foi dito pelo Ministro da Guerra. Isso quer dizer que S. Exa. tomará todas as medidas contra o Rio Grande. Estou informado de que todos os aeroportos do Brasil, onde pousam aviões internacionais de grande porte, estão guarnecidos e com ordem de prender o Sr. João Goulart no momento da descida. Há pouco falei, pelo telefone, com o Sr. João Goulart em Paris, e disse a ele que todas as nossas palestras de ontem foram censuradas. Tenho provas. Censuradas nos seus efeitos, mas a rigor. A companhia norte-americana dos telefones deve ter gravado e transmitido os termos de nossas conversas para essas forças de segurança. Hoje eu disse ao Sr. João Goulart: 'Decides de acordo com o que julgares conveniente. Ou deves voar, como eu aconselho, para Brasília, ou para um ponto qualquer da América Latina. A decisão é tua! Deves vir diretamente a Brasília, correr o risco e pagar para ver. Vem. Toma um dos teus filhos nos braços. Desce sem revólver na cintura, como um homem civilizado. Vem como para um País culto e politizado como é o Brasil e não como se viesse para uma republiqueta, onde dominam os caudilhos, as oligarquias que se consideram todo-poderosas. Voa para o Uruguai, então, essa cidadela da liberdade, aqui pertinho de nós, e aqui traça os teus planos, como julgares conveniente'".

"Então, o Exército é agente da desordem, soldados do Brasil?"

"Vejam, meus conterrâneos, se não é loucura a decisão do Ministro da Guerra. Vejam, soldados do Brasil, soldados do III Exército! Comandante, General Machado Lopes! Oficiais, sargentos e praças do III Exército, guardiães da ordem da nossa Pátria. Vejam se não é loucura. Esse homem está doente! Esse homem está sofrendo de arteriosclerose ou outra coisa. A atitude do Marechal Odilio Denys é uma atitude contra o sentimento da Nação. Contra os estudantes e intelectuais, contra o povo, contra os trabalhadores, contra os professores, juízes, contra a Igreja. Ainda há pouco, conversando com S. Exª. Revª. Arcebispo D. Vicente Scherer, recebi a comunicação de que todos os cardeais do Brasil haviam decidido lançar proclamação pela paz, pela ordem legal, pela posse a quem constitucionalmente cabe governar o Brasil, pelo voto legítimo de seu povo. Essa proclamação está em curso pelo País. As Igrejas protestantes, todas as seitas religiosas clamam por paz, pela ordem legal. Não é a ordem do cemitério ou a ordem dos bandidos. Queremos ordem civilizada, ordem jurídica, a ordem do respeito humano. É isso. Vejam se não é desatino. Vejam se não é loucura o que vão fazer. Podem nos esmagar, num dado momento. Jogarão o País no caos. Ninguém os respeitará. Ninguém terá confiança nessa autoridade que será imposta, delegada de uma ditadura. Ninguém impedirá que este País, por todos os seus meios, se levante lutando pelo poder. Nas cidades do interior surgirão as guerrilhas para defesa da honra e da dignidade, contra o que um louco e desatinado está querendo impor à família brasileira. Mas confio, ainda, que um homem como o General Machado Lopes, que é soldado, um homem que vive de seus deveres, como centenas, milhares de oficiais do Exército, como esta sargentada humilde, sabe que isso é uma loucura e um desatino e que cumpre salvar nossa Pátria. Tenho motivos para vos falar desta forma, vivendo a emoção deste momento, que talvez seja, para mim, a última oportunidade de me dirigir aos meus conterrâneos. Não aceitarei qualquer imposição.

"Desde ontem organizamos um serviço de captação de notícias por todo o território nacional. É uma rede de radioamadores, num serviço organizado. Passamos a captar, aqui, as mensagens trocadas, mesmo em código e por teletipos, entre o III Exército e o Ministério da Guerra. As mais graves revelações quero vos transmitir. Ontem, por exemplo - vou ler rapidamente, porque talvez isso provoque a destruição desta rádio -, o Ministro da Guerra considerava que a preservação da ordem "só interessa ao Governador Brizola". Então, o Exército é agente da desordem, soldados do Brasil?! E outra prova da loucura! Diz o texto: "É necessário a firmeza do III Exército para que não cresça a força do inimigo potencial".

"Eu sou inimigo, meus conterrâneos?! Estou sendo considerado inimigo, meus patrícios, quando só o que queremos é ordem e paz. Assim como esta, uma série de outras rádios foi captada até no Estado do Paraná, e aqui as recebemos por telefone, de toda a parte. Mais de cem pessoas telefonaram e confirmaram. Vejam o que diz o General Orlando Geisel, de ordem do Marechal Odílio Denys, ao III Exército: "Deve o Comandante do III Exército impedir a ação que vem desenvolvendo o Governador Brizola"; "deve promover o deslocamento de tropas e outras medidas que tratam de restituir o respeito ao Exército"; "o III Exército deve agir com a máxima urgência e presteza"; "faça convergir contra Porto Alegre toda a tropa do Rio Grande do Sul que julgar conveniente"; "a Aeronáutica deve realizar o bombardeio, se for necessário"; "está a caminho do Rio Grande uma força-tarefa da Marinha de Guerra", e "mande dizer qual o reforço de que precisa". Diz mais o General Geisel: "Insisto que a gravidade da situação nacional decorre, ainda, da; situação do Rio Grande do Sul, por não terem, ainda, sido cumpridas as ordens enviadas para coibir ação do Governador Brizola"

"Aqui ficaremos até o fim. Podem atirar"

"Era isto, meus conterrâneos. Estamos aqui prestes a sofrer a destruição. De vem convergir sobre nós forças militares para nos destruir, segundo determinação do Ministro da Guerra. Mas tenho confiança no cumprimento do dever dos soldados, oficiais e sargentos, especialmente do General Machado Lopes, que, esperamos, não decepcionará a opinião gaúcha. Assuma, aqui, o papel histórico que lhe cabe. Imponha ordem neste País. Que não se intimide ante os atos de banditismo e vandalismo, ante esse crime contra a população civil, contra as autoridades. É uma loucura.

"Povo de Porto Alegre, meus amigos do Rio Grande do Sul! Não desejo sacrificar ninguém, mas venham para a frente deste Palácio, numa demonstração de protesto contra essa loucura e esse desatino. Venham, e se eles quiserem cometer essa chacina, retirem-se, mas eu não me retirarei e aqui ficarei até o fim. Poderei ser esmagado. Poderei ser destruído. Poderei ser morto. Eu a minha esposa e muitos amigos civis e militares do Rio Grande do Sul. Não importa. Ficará o nosso protesto, lavando a honra desta Nação. Aqui resistiremos até o fim. A morte é melhor do que vida sem honra, sem dignidade e sem glória. Aqui ficaremos até o fim. Podem atirar. Que decolem os jatos! Que atirem os armamentos que tiverem comprado à custa da fome e do sacrifício do povo! Joguem essas armas contra este povo. Já fomos dominados pelos trustes e monopólios norte-americanos. Estaremos aqui para morrer, se necessário. Um dia. nossos filhos e irmãos farão a independência do nosso povo! Um abraço, meu povo querido! Se não puder falar mais, será porque não me foi possível! Todos sabem o que estou fazendo! Adeus, meu Rio Grande querido! Pode ser este, realmente, o nosso adeus! Mas aqui estaremos para cumprir o nosso dever".


Radio Guaíba

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A História do Dilúvio

Marcos Emílio Ekman Faber
Quase todas as crenças religiosas da antigüidade possuem o mito do dilúvio, até o século XIX, o dilúvio era considerado como verdadeiro, porém com o avanço tecnológico e científico o homem iniciou um processo de descrença neste ocorrido. Porém a geologia contemporânea comprova que ocorreu na região do Crescente Fértil um dilúvio que abrangeu todo o mundo conhecido da época.

O Dilúvio

Não se sabe exatamente qual a origem do mito do dilúvio, porém esta história é representada das mais diversas formas por boa parte das civilizações conhecidas.
"Supõe-se que a idéia de dilúvio seja baseada na lembrança de alguma catástrofe produzida por inundações. Essa noção, porém, surge sempre como um castigo divino à maldade, vícios e devassidões a que se entregavam os homens." (Dicionário de Mitologia greco-romana, São Paulo: Abril Cultural, 1973).

O dilúvio na mitologia greco-romana

A mitologia greco-romana nos conta a história de Deucalião e Pirra, os sobreviventes do dilúvio imposto por Zeus com o propósito de exterminar a raça humana.

Segundo esta tradição, Deucalião reinava sobre a Tessália na Idade do Bronze, época em que o homem estava muito degenerado, entregando-se a vícios e maldades. Zeus, para castiga-los, decidiu destruir a raça humana através de uma dilúvio. Deucalião, porém recebe orientação de seu pai, conhecedor das pretensões de Zeus, e constrói uma embarcação onde fica com a mulher Pirra durante a inundação> Segundo esta história, a Terra inteira é submergida e seus habitantes mortos. Deucalião e Pirra ficam nove dias e nove noites encerrados na embarcação, no décimo dia desembarcam no monte Parnaso. Zeus perdoa os dois sobreviventes lhes concedendo a realização de um pedido, os dois pedem pelo repovoamento da Terra, Zeus ordena-os que joguem por atrás de si os ossos de suas mães, os dois jogaram, então, para de atrás de si pedras, que representam os ossos da mãe Terra, das pedras lançadas por Decalião nascem homens e das pedras lançadas por Pirra nascem mulheres, estes repovoaram a Terra.

O dilúvio na mitologia Maia

A América também possui seu mito sobre o dilúvio, a mitologia Maia descreve na história do Popol Vuh onde é narrada a história de um dilúvio que dizimou a raça humana.
"Segundo o Popol Vuh, o mundo era um angustiante nada, até que os deuses - o Grande Pai e a Grande Mãe, um criador, a outra fazedora de formas - resolveram gerar a vida. A intenção de ambos era serem adorados pela própria criação. Primeiro, fizeram a Terra, depois, os animais e, finalmente, os homens. Estes, inicialmente, foram criados de barro. Como não deu certo, o Grande Pai decidiu retirá-los da madeira. Porém, os novos homens, apesar de ativos, eram vaidosos e frívolos, obrigando o Grande Pai a destruí-los em um dilúvio." (Enciclopédia Encarta, Microsoft Corporation, 2001)

O dilúvio na mitologia Suméria

O mito sumério de Gilgamesh nos conta os feitos do rei da cidade de Uruk, Gilgamesh, que parte em uma jornada de aventuras em busca da imortalidade, nesta busca encontra as duas únicas pessoas imortais: Utanapistim e sua esposa, estes contam à Gilgamesh como conquistaram tal sorte, esta é a história do dilúvio. O casal recebeu o dom da imortalidade ao sobreviver ao dilúvio que consumiu com a raça humana.
"Tudo começou na antiga cidade de Shurupak às margens do rio Eufrates nessa cidade viviam os deuses: Anu, deus do céu, Enlil, seu conselheiro, e também o supremo deus Ea. Naqueles dias, a Terra fervilhava, o povo se multiplicava e o mundo a mugir como touro selvagem (...) os deuses irritaram-se com este barulho. Enlil foi logo reclamar na Assembléia dos deuses: 'É um tumulto intolerável. Ninguém mais consegue dormir com essa balbúrdia dos homens'. E foi assim que eles, os deuses, decidiram exterminar a raça humana."(TAMEN, Pedro. Gilgamesh, Rei de Uruk. São Paulo: ed. Ars Poetica, 1992.)
Na tradição suméria, o homem foi dizimado por encomodar aos deuses, mas segundo este mito, o deus Ea, por meio de um sonho, apareceu a Utanapistim e lhe revelou as pretensões dos deuses de exterminar com os humanos através de um dilúvio.
"Homem de Shurupak, derruba tua casa e constrói um barco. Abandona tuas posses e salva tua vida. Renuncia aos bens terrenos e conserva coração puro." (TAMEN, Pedro. Gilgamesh, Rei de Uruk. São Paulo: ed. Ars Poetica, 1992.)
Dos mitos sobre o dilúvio, sem dúvida, a história do encontro entre Utanapistim e Gilgamesh é o que mais se assemelha a história bíblica de Noé e o dilúvio. Até mesmo a questão moral está presente, quando o deus Ea pede a Utanapistim que renuncie aos bens materiais e conserve o coração puro, mas as semelhanças não param por ai.
"O barco que deves construir deve ter a mesma largura e comprimento, o convés coberto, tal como uma abóbora, e leva então para dentro do barco sementes de todas as coisas vivas." (TAMEN, Pedro. Gilgamesh, Rei de Uruk. São Paulo: ed. Ars Poetica, 1992.)
É muito semelhante a questão da preservação das espécies, citada na história bíblica, onde Utanapistim deve levar no barco sementes de todas as coisas vivas.

Utanapistim reúne sua família e constrói a embarcação que lhe foi ordenada por Ea, estes ficam por sete dias debaixo do dilúvio que consome com os humanos.
"Eu percebi que havia grande silêncio, não havia um só ser humano vivo além de nós, no barco. Ao barro, ao lodo haviam retornado. A água se estendia plana como um telhado, então eu da janela chorei, pois as águas haviam encoberto o mundo todo. Em vão procurei por terra, somente consegui descobrir um montanha, o Monte Nisir, onde encalhamos e ali ficamos por sete dias, retidos. Resolvi soltar uma POMBA, que voou para longe, não encontrando local para pouso retornou (...) Então soltei um corvo, este voou para longe encontrou alimento e não retornou." (TAMEN, Pedro. Gilgamesh, Rei de Uruk. São Paulo: ed. Ars Poetica, 1992.)
A história contada por Utanapistim é muito semelhante a descrita na Bíblia. O descontentamento divino frente as maldades e perversões humanas levando a divindade ao arrependimento pela criação dos homens e automaticamente a destruição destes através de um dilúvio.

A história bíblica do dilúvio

A história bíblica do dilúvio, a história de Noé, nos mostra um Deus descontente com as imprudências humanas, Deus resolve destruir os homens, porém poupa Noé sua esposa e três filhos com as respectivas esposas. A história do dilúvio bíblico conta que Deus ordena a Noé que construa uma arca e que deve convocar um casal de todos os animais viventes para que sobrevivam ao dilúvio.
"De tudo que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo." (Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada, Sociedade Bíblica do Brasil.)
Como nos conta a história bíblica, Noé e sua família ficam quarenta dias e quarenta noites debaixo de chuvas, toda a espécie humana é destruída, sobrando somente os tripulantes da arca. Quando sai da arca, Noé firma uma aliança com Deus, onde este promete que nunca mais haverá outro dilúvio igual.

Os assírios e o dilúvio

O Dicionário da Bíblia John D. Davis, afirma que nos registros assírios que enumeram os antigos reis da Assíria, apontam que estes governavam "após o dilúvio", também afirma que em registros do rei Assurbanipal, este refere-se a inscrições anteriores ao dilúvio.

A versão científica do dilúvio

Segundo a geologia moderna, o dilúvio realmente ocorreu na região do Crescente Fértil, porém não há comprovação de sua extensão global. Geólogos afirmam com base em estudos da erosão e das marcas geológicas que o dilúvio teria ocorrido em escala local, porém abrangendo todo mundo conhecido da época. Onde haviam civilizações, houve o dilúvio. Mas como explicar que uma cultura tão distante como a Maia tenha incorporado tal história em sua carta de mitos. Teria sido o dilúvio mundial?
"Há evidência muito forte, fora do livro de Gênesis, com respeito à destruição da raça humana, cuja única exceção é uma família. Inúmeras tribos selvagens, espalhadas pelo mundo, conservam a tradição de um dilúvio. Existem possíveis registros arqueológicos, como tantas evidências diretas de um dilúvio." (Bíblia Shedd).
A revista Super Interessante em sua edição de maio de 1995, afirma que não existem dúvidas sobre a ocorrência do dilúvio, porém não se pode definir a extensão precisa deste ocorrido, o que se pode afirmar é que ele abrangeu todo mundo conhecido da época.

Mas sobre histórias mitológicas como a dos Maias, não há estudo que aponte sua relação como o dilúvio dos povos do antigo Fértil Crescente, o que se pode afirmar é que pode ser uma coincidência ou então uma tradição trazida com os primeiros a chegarem a América. Esta última é a versão mais aceita no meio científico.
Sobre o dilúvio, não restam dúvidas, ele ocorreu realmente, porém, quanto a sua extensão, não se pode afirmar nada de concreto, mas segundo a arqueologia e a geologia contemporâneas, este ocorreu somente na região do Fértil Crescente, o que era, então, o mundo conhecido da época

Reflexos da Igreja Medieval nos dias de hoje

Adriano Couto


Não podemos falar de Idade Média, sem citar a Igreja Católica, esta que
exerceu influência fundamental na política, cultura, economia e claro, na fé
do mundo medieval. A Igreja Católica exerceu seu poderio soberanamente
sobre os senhores feudais, servos e o restante da população, determinando
o rumo da história, diga-se, a organização das Cruzadas. Porém, o
cristianismo medieval difere do cristianismo atual, pois o mesmo estava
impregnado pelo transcendental, milagres, santos “travando combates” com
o maligno, pregações apocalípticas e visão hierofânica do mundo. Nesta
época dá-se também o surgimento de grandes teólogos, denominados “pais
da igreja”, citamos os mais conhecidos Santos Agostinho e São Tomás de
Aquino, exercitando bravamente a apologética (defesa da fé cristã) contra
os hereges e infiéis (muçulmanos). Eis apenas alguns exemplos de como a
Igreja Católica impunha-se como a instituição mais poderosa do período,
inclusive coroando reis, ditando leis, tendo seu tribunal próprio, chamado
Tribunal do Santo Ofício, também conhecido por Tribunal da Inquisição,
onde julgava-se as causas temporais de ordem espiritual, denominadas
heresias. Mantinha sua economia forte, sustentada pelos dízimos, venda de
indulgências e perdão dos pecados.
Esta pesquisa tem por objetivo refletir os reflexos da igreja medieval nos
dias de hoje, ressaltando que a mesma pregava um cristianismo religioso e
não baseado somente na bíblia, pois somente o clero detinha as escrituras
não permitindo o acesso dos leigos as mesmas. Hoje as estruturas da igreja
pouco mudaram, porém os fiéis têm mais acesso a bíblia e mais
participação na vida eclesial.

Uma afronta à inteligência humana

Adriano Couto

Em todos os lugares as pessoas não sabem falar de outra coisa, senão do “BBB”. É impressionante ver como as pessoas preferem agir com tamanha bestialidade, gastando seu precioso tempo, acompanhando cenas de uma cultura inútil - o “BBB”.
Sabe-se muito bem que este tipo de programa é direcionado às classes menos letradas e também menos abastadas da sociedade. Empurra-se o lixo para essa parcela da sociedade, inculta e desinformada, e só assim sempre serão objetos de manipulação dos dominantes. Quanto mais ignorante for a população, a elite estará sempre ditando as normas.
As “celebridades” que participam deste tipo de programa, são pessoas vazias do saber, mas repletas de cultura inútil. São escolhidos PROPOSITADAMENTE estes perfis, pois o objetivo-fim é continuar mantendo uma massa de telespectadores que não pensam, onde são facilmente pervertidos em todos os sentidos.
Seja sábio e não utilize seu tempo, observando o inútil.
Diga não à Baixaria, à Bestialidade e à Burrice.

Dia dos Namorados

Adriano Couto

O dia dos namorados é uma das datas comemorativas mais lucrativas para o comércio, perdendo somente para o Natal e o Dia das Mães, o capitalismo opressor se utiliza do romantismo das pessoas, de seus sentimentos, colocando na cabeça dos casais que para demonstrar uma prova de amor, é necessário dar um presente bom e caro, pura ilusão e alienação, pois não leva em conta a pessoa em si, mas o consumo de bens e produtos, enriquecendo o sistema e atolando em dívidas os apaixonados.
O dia dos namorados em minha concepção deve ser celebrado todos os dias, quando os namorados vivenciam situações do cotidiano, adversidades, formando uma verdadeira parceria, demonstrando seus sentimentos um ao outro e não somente em uma data que o sistema impõe e prega que quem não dá presentes não ama a pessoa que está a seu lado. Em nosso país, a data é comemorada no dia 12 de Junho por ser véspera do 13 de Junho, Dia de Santo António, santo português com tradição de casamenteiro, provavelmente devido suas pregações a respeito da importância da união familiar que era combatida pela heresia da época chamada Catarismo. O casamento - em queda na Idade Média - gerava filhos que a seita catara condenava pois para esta o mundo era intrinsecamente mau pois, ao invés de ter sido criado por um Deus bom, teria sido criado por um Deus mau.
A data provavelmente surgiu no comércio paulista quando o publicitário João Dória trouxe a ideia do exterior e a apresentou aos comerciantes e depois foi assumida por todo o comércio brasileiro para reproduzir o mesmo efeito do Dia de São Valentin, equivalente nos paises do hemisfério norte, comemorado no dia 14 de fevereiro para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dia do índio

Adriano Couto


Nossa sociedade costuma “homenagear” com datas comemorativas pessoas “ilustres” ou alguns grupos de pessoas em específico. Quero tratar aqui sobre o dia do índio, este comemorado no dia 19/04, que assim como o dia do trabalho, da mulher, da abolição da escravatura e entre outras datas, que é uma estratégia do dominador de mascarar, amenizar, disfarçar as atrocidades cometidas contra essas pessoas.
Os índios sendo nativos, povo numeroso, com cultura, costumes, religião, idiomas, sociedade organizada, foram dizimados pelo branco europeu, tendo sua civilização destruída, subjugados pela “cultura” européia. Escravizados, mortos, roubados, um verdadeiro extermínio, uma “limpeza étnica”, movida pela ganância, cobiça e até mesmo “em nome de Deus”, com a bênção dos papas, com o envio de missionários jesuítas principalmente para “catequizar” os índios e ensinar a religião cristã em contraponto à “religião diabólica” dos nativos, quando na verdade os mesmos tinham a função de literalmente “amansar” os nativos para facilitar a conquista dos dominadores, sendo que os europeus teriam escravos alfabetizados, cristãos e conhecedores de técnicas agrícolas.
Nos dias de hoje, os poucos índios que ainda restam, continuam sendo desrespeitados, discriminados, quando os mesmos por direito, são os donos da terra e deveriam gozar até mesmo de privilégios e principalmente conservando a sua cultura e não vivendo confinados em reservas e tendo que assimilar a cultura do homem branco praticamente a força, tornando-os consumistas, urbanizados e como no passado, suscetíveis as mais variadas doenças.
As suas reservas mesmo estabelecidas por lei, não são respeitadas, pois os grandes latifundiários invadem, os magnatas do capitalismo vão implantando indústrias, acuando os nativos até retirá-los de sua terra, como na polêmica Usina Hidrelétrica de Belo Monte que será construída em meio a protestos de ONGs e dos próprios índios.
Mas infelizmente em nossa sociedade capitalista opressora, os pobres e oprimidos não tem voz e nem vez, os índios apenas lutam pelo o que é seu por direito e clamam por justiça!

terça-feira, 13 de julho de 2010

A supralunaridade da humanidade

Adriano Couto

Na Escola de Annales ocorre à reconstrução do tempo histórico, é um novo modo de se contar a história, libertando o homem de dogmatismos, talvez de conceitos ultrapassados, expondo suas contradições, tornando o seu conhecimento em atemporal, supralunar, ou seja, não estando preso a linha do tempo, sujeito a alienação, como ensinavam os filósofos da Grécia Antiga, pois os mesmos estavam preocupados com o eterno, com algo que não deixa de existir, tanto que antes de Heródoto “criar” a história escrita, ela era atemporal e supralunar, chamada anti-história, onde se usavam os mitos para explicar os assuntos mais importantes para o homem, como por exemplo, a criação do mundo, os deuses e etc.
A Escola de Annales nos mostra exatamente supralunaridade da história, ou seja, ela é cíclica, os fatos se repetem, diferenciando-se da Escola Tradicional Positivista que não aceita questionamentos, aliena o homem, impõe seu amontoado de fatos, criando seus “heróis”, numa seqüência de datas, numa cronologia desconexa, onde só o ganhador que conta a história, cujas fontes são apresentadas pelo mesmo, ao passo que os historiadores de Annales, buscam no cotidiano do homem, na sua vivência, seus relatos, vestígios, tais como certidões de óbito e entre outros documentos do dia a dia, para contar a Nova História, apoiando-se nas ciências sociais diferindo assim do dominador Positivista, tornado o homem seu objeto de estudo, ensinando que podemos nos libertar do sublunar, ou seja, do fluído modificado, daquilo que deixa de existir, nos colocando no caminho do eterno, atemporal, assim como os filósofos gregos, podemos ser também atemporais, supralunares, mostrando que a história se repete colocando que a mesma contém o segredo do homem, como disse Marx.
A Escola de Annales mostra que a história está em constante mudança, desmistificando o Europecentrismo Positivista que é imutável, inquestionável, fabrica seus “heróis”, figurando a história de indivíduos isolados. Annales é sujeita a crítica, proporciona o crescimento do homem, desenvolvendo sua atemporalidade, tirando-o da “caverna” conforme o mito de Platão, libertando-o da sublunaridade, esta que sempre leva ao fanatismo, xenofobia, racismo e toda espécie de opressão.

Visão hierofânica do mundo

Adriano Couto

Para o homem medieval, o referencial de todas as coisas era o sagrado, tudo era relacionado ao sobrenatural, temia-se tudo, ávida era árdua, difícil, devido a brevidade da vida, pestes, calamidades, guerras constantes, o homem convivia com o medo da morte. Portanto com a influência exclusiva da igreja, ele torna-se “místico”, “espiritualizado”, tudo tem ligação ao transcendental, mas acima de tudo o homem medieval não passa de um supersticioso, agarrando-se a mitos, crendices. A sociedade medieval estava habituada a viver sob o signo do sobrenatural. A hierofania manifestava-se também em setores diferentes do campo religioso, tais como a política e a economia.
A comunicação entre os mundos humano e divino, estavam sempre aberta, os anjos e demônios eram onipresentes a quem procurava atrair ou exorcizar. As narrações da época falam de batalhas entre Deus e os demônios, inclusive evocando-se as mediações destes em suas batalhas temporais.
A magia era largamente praticada, pois era entendida como uma hierofania e se manifestava de três formas: o milagre, o maravilhoso e a feitiçaria.
A feitiçaria era considerada uma hierofania maligna, juntamente com a bruxaria, cuja diferença é a que a primeira é técnica dominada conscientemente por alguém e a segunda provém de poderes inconscientes, inerentes ao indivíduo. Não posso deixar de citar a teofania que é a manifestação do próprio Deus, cuja manifestação citei anteriormente que quando evocado, o mesmo participava das batalhas e definia seus resultados.
Polêmica era a questão do ordálio, este se baseava na idéia de que Deus se manifestaria quando lhe fosse pedido um julgamento, em 1215 a igreja aboliu a prática do mesmo como prova jurídica.
Tudo se dava em torno do sobrenatural, a igreja oferecia seus sacramentos para livrar os fiéis dos males, as relíquias dos santos para os protegerem das investidas dos demônios e a mesma apresentava-se como protetora espiritual das pessoas, somente através dela e seus “favores”, bênçãos e etc, o homem poderia proteger-se do mal e salvar a sua alma.
A Inquisição era o instrumento de repressão e “justiça” da igreja, aplicando condenações contra os hereges, cujos ensinamentos estavam desacordo com a mesma.
A sociedade medieval era teocêntrica, Deus era o centro de tudo, por isso esse hierofanismo, que tudo girava em torno do sagrado, que o mundo era uma constante batalha entre o bem e o mal, o que não era de Deus, era do Diabo, tornando o homem inseguro, medroso, supersticioso, alienado, fanático e a igreja colaborava para que a sociedade se tornasse assim, devido as suas pressões, devido as suas pressões, ensinamentos e monopólio do ensino, da cultura, suprimindo o homem da sua liberdade de pensamento, pois tudo aquilo que não era de acordo com sua doutrina, era considerado pecado, tornando a Idade Média conhecida como Idade das Trevas.

Tendências modernas

Adriano Couto


Uma nova sociedade foi gerada nos últimos anos. O conhecimento e a comunicação ditam as novas regras. Produzir passa a ser tarefa dos que não acompanha este processo, enquanto que criar e projetar gera a nova fonte de poder.
No âmbito comercial, o mercado sul-americano está sendo pressionado a integrar a ALCA, submetendo os governos às regras de mercado que beneficiam a hegemonia norte americana. O capitalismo selvagem e predatório destrói o meio ambiente e, por causa da ganância pelo ter e o poder, também deforma o caráter humano.
O ser humano, hipnotizado pelo desejo consumista, está contribuindo para formar uma sociedade cada vez egocêntrica e imediatista. Como conseqüência, temos a violência desenfreada, a corrupção em vários setores sociais, o descaso com os miseráveis e até o desvirtuamento de culturas inteiras.
O sucateamento dos sistemas produtivos dos países em desenvolvimento ano após ano enfrenta um mercado cada vez mais competitivo. O frágil governo destes países obriga suas nações a entrarem nessa disputa carentes de saúde, educação, moradia, lazer, emprego e direito a uma vida digna.
Pessoas vivem angustiadas porque mal conseguem manter seus padrões de vida. Emprego para gari e coveiro são capazes de atrair milhares de pessoas para as grandes metrópoles, forçando-as a viverem nas favelas.
O terrorismo, arma dos desfavorecidos do regime capitalista, toma o cenário mundial em atentados contra as grandes potências ditatoriais refletindo a ira contra as estruturas concentradoras de renda, que depõe governos, destroem economias e ditam as normas na competição internacional pelo poder.
A crise financeira e das próprias “religiões tradicionais” arrasta multidões de pessoas para os templos modernos. No entanto, muitas destas “igrejas” servem de fachada para formação de mega negócios às custas da humilde fé do povo sofrido. Dessa forma, dar esperança aos desfavorecidos torna-se um negócio lucrativo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A influência da música

Adriano Couto

É fácil constatar que nos últimos anos, e de forma cada vez mais intensa, os adolescentes vêm lançando mão dos recursos culturais como forma de socialização entre os grupos de iguais ou mesmo junto aos mais velhos: os jovens. Este fenômeno é visível nas escolas, nas ruas, nos clubes e até nas igrejas. Nestes lugares eles se reúnem em torno de diferentes expressões culturais e se tornam visíveis através do corpo, das roupas, das expressões verbais e de comportamentos próprios das diferentes formas de expressão. Neste contexto, a música é a que mais os envolvem e os mobilizam.
Todos sabemos que a música exerce extraordinária influência sobre as pessoas. Esta arte é usada até com fins terapêuticos, de relaxamento ou de estímulo para o trabalho, o crescimento das plantas e o aumento de produção dos animais.
Quem não ouviu falar da histeria causada pela Beatlemania na década de 60? Suas músicas mudaram comportamentos na época e ainda hoje criam estilos entre os jovens e adolescentes. Mas não foram só os Beatles, o rock também distanciou adolescentes e jovens do modelo exigido pela sociedade daquele tempo. Em alguns tempos, criou anarquistas ao invés de pessoas responsáveis.
Na década de 80 começaram a surgir algumas bandas que em suas letras musicais, traziam humor e malícia. A partir de então, este gênero só aumentou, resultando no que hoje poderíamos chamar de “besteirol da música brasileira”. Sem a pretensão de moralizar, o sucesso de músicas como “boquinha da garrafa” e “éguinha pocotó” revelam o desprezo da nossa juventude pela cultura brasileira e o desrespeito à pessoa humana.
Embora o funk seja uma expressão cultural, não podemos negar que, na maioria dos casos, este estilo musical exalta contra-valores. Há algum tempo, alguns telejornais apresentaram casas de baile funk que promoviam o abuso de menores, relações sexuais em meio às danças, sem contar os nomes atribuídos às nossas belas mulheres brasileiras que na boca de Tom Jobim eram “... cheia de graça...” e no funk, são “cachorras”.
Fazendo uma comparação entre a música clássica e o heave metal, facilmente notamos que há um abismo entre estes dois estilos. A este ponto é de questionar. Será que músicas que levam o ouvinte à perda da consciência, com gritos histéricos, um instrumental ensurdecedor e danças frenéticas, trazem algum benefício ao adolescente em formação? Não será uma manifestação da falta de alguma coisa? Um vazio que se tenta preencher com o barulho e a libertinagem sexual de tantas músicas modernas? Estes são questionamentos que deviam ecoar forte nas reflexões e nas opções de um adolescente.

O trabalho infantil em nosso país

Adriano Couto


Hoje em nosso país segundo estatísticas, existem milhares de crianças e adolescentes que trabalham, tanto em serviços simples, como em serviços pesados também.
Nas regiões mais pobres do nosso país, principalmente no semi-árido nordestino, crianças desde cedo, trocam seus carrinhos e bonecas, por foices e enxadas para ajudarem no sustento da família, geralmente numerosa e sem as mínimas condições necessárias para seu bem-estar e sobrevivência. Nos canaviais, é um exemplo típico desta realidade, crianças trabalham como “bóias frias” ou até mesmo em carvoeiras, olarias e entre outras atividades, arriscando muitas vezes sua integridade física e até mesmo a vida.
Acredito que nossos jovens devem ser incentivados e apoiados pára estudar e ingressar no mercado de trabalho, mas também não podemos condenar essas famílias miseráveis que colocam seus filhos para ajudar no sustento da casa. O que devemos condenar é a exploração do trabalho infantil, pois em muitos casos, os pais não querem trabalhar e obrigam os seus filhos a ser pedinte nas ruas, até mesmo assaltar, para sustentar algum vício que os progenitores possam ter.
O nosso governo em parceira com a sociedade deveria analisar mais de perto tal situação e realizar políticas públicas para amenizar esta triste realidade. Mas fica pairando a pergunta no ar: Quem é o culpado? Os políticos ou a sociedade? Analise as estatísticas, reflita e você terá o resultado.