quarta-feira, 23 de março de 2011

Jovem butiaense é vítima de preconceito em escola por se declarar atéia

Adriano Couto




Mais uma vez torno a este assunto, você que está lendo pode estar pensando, lá vem ele de novo com essa história, mas fico me perguntando, até quando vou ter que continuar denunciando situações como esta? Nesta ocasião a minha amiga (a mesma do outro texto) na aula de Ensino Religioso da sua escola, foi perguntada pela sua professora se acreditava em Deus, qual religião que professava. Então a jovem deu sua resposta com argumentos contundentes, gerando desta forma a indignação da regente da classe que a interpelou dizendo que a mesma era obrigada a acreditar em Deus, que era inconcebível alguém não acreditar em Deus e outros absurdos... Antes de explanar minha indignação, afirmo que é louvável uma pessoa desenvolver sua espiritualidade, a transcendência, também não gosto de gerar conflitos, debato idéias e não pessoas. Porém paciência tem limite e a minha já foi pro espaço faz muito tempo! Enquanto tiver pessoas mesquinhas e preconceituosas nesta cidade, vou erguer minha voz em protesto!

Ninguém pode ser obrigado a crer ou a não crer e nem ser constrangido por não querer rezar a cartilha do professor. Nosso estado é laico, e por falar em estado, não sou acadêmico de Direito, mas conheço algumas leis e procuro citar, neste caso encontrei duas que são as seguintes:

INCITAÇÃO À DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO POR RELIGIÃO:
LEI 7.716/1989 – Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, RELIGIÃO ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa;

INJÚRIA
CÓDIGO PENAL – Art. 140 – Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
(…)
§ 3º – Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.
Pena – reclusão de um a três anos e multa.

Ou seja, ninguém pode ser obrigado a torcer pelo time A ou B, militar politicamente no partido C ou D, então quando se fala em religião, nem se fala, pior ainda, porque para muitas pessoas é aquilo que ela cultiva de mais especial em seu interior, é algo que envolve expectativas futuras, o além túmulo, todas as incertezas e inseguranças do ser humano, por isso é um assunto tão delicado e que não se deve obrigar a ninguém a tomar um posicionamento, cada um sabe o que é melhor para si.

Um questionamento que há muito tempo me incomoda, porque muitas dessas pessoas que se dizem acreditar em Deus vivem como se o mesmo não existisse??? O testemunho deveria falar mais alto, tem que viver aquilo que professa, seja lá o credo que for! Vamos deixar de ser hipócritas, sejamos coerentes com si próprios! Um exemplo típico vai numa penitenciária e pergunta aos que cometeram os crimes mais hediondos qual deles acredita em Deus e qual é ateu? Tu vai te surpreender com as respostas!

Os cristãos, em especial evangélicos sempre reclamam que são perseguidos, que a sociedade não os entende e etc, porém são os maiores perseguidores! Usam de preconceito, intolerância, fanatismo, racismo, xenofobia, homofobia e entre outros, se você não está inserido nas suas fileiras, tu és fuzilado com rotulações toscas, grosseiras, sendo amaldiçoado, espragejado, perseguido e vítima de fofocas é claro, que podem arruinar tua vida social conforme tenho presenciado alguns exemplos e se tu és ateu ou agnóstico nem se fala, as agressões se intensificam.

Falando em fofoca, muitos deles são peritos nesta “arte”, acho que rasgaram de suas bíblias o trecho da Carta do Apóstolo Tiago, capítulo 3, versículos 5-6.8 que diz o seguinte: “É isto o que acontece com a língua: mesmo pequena, ela se gaba de grandes coisas. Vejam como uma grande floresta pode ser incendiada por uma pequena chama!A língua é um fogo. Ela é um mundo de maldade, ocupa o seu lugar no nosso corpo e espalha o mal em todo o nosso ser. Com o fogo que vem do próprio inferno, ela põe toda a nossa vida em chamas.Mas ninguém ainda foi capaz de dominar a língua. Ela é má, cheia de veneno mortal, e ninguém a pode controlar”. Quem estiver pensando em vir pregar para mim, achando que estou supostamente endemoniado, nem tentem porque vão passar vergonha, pois modéstia a parte, estudei Teologia um bom tempo, tenho conhecimento em exegese, hermenêutica (ambos compreendem estudo da Bíblia em si e sua interpretação), teologia sistemática (engloba teologia doutrinal, dogmática e filosófica), soteriologia (doutrina da salvação), escatologia (estudo do fim dos tempos), apologética (defesa da fé cristã contra seitas e heresias) e entre outras ramificações do conhecimento teológico. Quando critico neste espaço, escrevo com propriedade, com conhecimento de causa, sei muito bem o que escrevo, ao contrário de muita gente que só fala besteira e arruínam a vida dos seus irmãos de fé, não quero ser o dono da verdade e nem pretendo ser, é um apenas um desabafo, pois não suporto este tipo de coisa, para concluir utilizo as mesmas palavras que o próprio Jesus disse naquela época para qualificar este tipo de gente: HIPÓCRITAS!!! RAÇA DE VÍBORAS!!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Intolerância religiosa no lar




Adriano Couto

Após o feriadão de muitas festas, volto com minha coluna semanal, tratando sobre um assunto que tomei conhecimento hoje que me deixou muito revoltado, já falei sobre isto algumas vezes neste espaço, mas dessa vez ocorreu muito próximo a mim, com uma amiga muito especial, onde a mesma está sofrendo com violentas perseguições religiosas dentro de sua própria casa.

A família desta amiga participa já faz alguns anos de uma denominação pentecostal de nossa cidade, sendo ela criada neste contexto religioso, porém ocorre que já faz algum tempo após muito estudar filosofia iluminista (minha favorita!), lendo também Nietzsche, Voltaire, Bertrand Russel, Sartre, dentre outros, e questionar algumas coisas, a mesma descobriu-se atéia, não sendo os ensinamentos religiosos compatíveis para seus anseios. Devido a isto ela parou de freqüentar a sua denominação por não concordar com o que lhe era apresentado e também porque já não se sentia bem neste local, pois já não fazia mais sentido estar ali se não acreditava no que era pregado. Então ela me procurou e falou abertamente sobre seu posicionamento a respeito do assunto e perguntou qual era a minha opinião, após ouvir sua explanação dei-lhe meu apoio para o que fosse necessário, inclusive lhe emprestei alguns livros.

Desde que ela deixou de freqüentar a instituição, começaram as perseguições religiosas por parte da família e pessoas próximas, toda sorte de ameaças, chantagens, insinuações de que a mesma poderia estar possuída por supostos espíritos malignos, sendo que seus pais chamaram “irmãos” para orarem por ela e fazerem um exorcismo. A repressão aumentou ainda mais quando ela se viu obrigada a confessar para a família sua opção ateísta, onde perdeu amigos, o apoio dos próprios familiares que a constrangem a todo o momento, sendo que se torna impossível a convivência na casa paterna, inclusive esta amiga está pensando em ir embora da cidade devida tamanha perseguição, ela diz que entende sua família, porém eles jamais a entenderão, pois estão cegos pelo fanatismo e com medo que ela “vá para o inferno”, obsessão esta que faz com que os mesmos venham a agir desta forma. Ela me relatou que existem muitos outros casos como o dela aqui na cidade, porém são silenciados por pastores e familiares sob a alegação de manifestação diabólica.




Convém lembrar que o Código Penal Brasileiro, Art. 208 afirma: "Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa” é crime! Pois seus pais lhe proibiram até a aproximação dos amigos, pois os mesmo são endemoniados e são de má influência (também estou na lista! Que momento!). Agora toda a semana receberá visita de outros religiosos para orarem para repreender este “espírito maligno”. Vivemos em um Estado Laico, nesta situação está sendo desrespeitado até mesmo o direito básico de Ir e Vir.

Compartilho com ela minha revolta, pois estamos no século XXI e alguns penteco-xiitas não aprendem a conviver com as diferenças! Como podemos obrigar a pessoa crer em algo contra a sua vontade? Temos o direito e a liberdade de crença e não crença que deve ser garantida por lei! Se a pessoa assume um posicionamento como ateu ou agnóstico ela deve ser respeitada igualmente. Pessoas que promovem este tipo de terrorismo religioso são geralmente mal resolvidas com si próprias, cheias de frustração, querem tiranizar quem pensa diferente, não respeitam ninguém, se acham donos da verdade, acima do bem e do mal, são arrogantes, prepotentes, hipócritas, totalmente diferentes do modelo que Cristo pregava.

Como humanista que sou, apresento- me como porta voz dos “desviados” (rotulação que recebem aqueles que deixam a congregação) dos “desigrejados” (aqueles que acreditam em Deus e que não freqüentam igreja alguma), dos ateus e agnósticos, estes últimos dentre os quais tenho muitos amigos, pessoas maravilhosas.
Sempre que souber de algo desta natureza, que representa um verdadeiro desrespeito a liberdade de expressão, vou explanar neste espaço com certeza, levantarei minha voz contra! Denunciarei esta barbárie, esta amiga é muito jovem ainda para sofrer tamanha perseguição, imagine como deve estar à situação psicológica desta moça, com ameaças de inferno, castigo divino e privações que vem sofrendo? Isto é crime! É proibido questionar? Filosofia é coisa do diabo? Que ridículo!

Chega de despotismo religioso! Ninguém é obrigado a crer no que não quer! Vamos nos respeitar!