quinta-feira, 19 de maio de 2011

Fascismo Pentecostal



Adriano Couto

Este texto poderia ser muito longo, poderia consultar inúmeras fontes na internet, pois fatos para testificar o título não faltam, mas farei um relato da minha experiência pessoal que acredito ser mais relevante, pois falar de situações que ocorrem conosco dá uma maior credibilidade ao assunto.

Lecionei Filosofia e Ensino Religioso em uma escola do município, logo que assumi esta tarefa, tratei de trabalhar incansavelmente com meus alunos, o desenvolvimento do senso crítico, a formação de opinião. Para tal utilizei de todos os recursos pedagógicos possíveis. Além de evidenciar os aspectos sociais pertinentes a nossa realidade, foquei principalmente dois fatores que provocam a alienação: política e religião, apesar de ter uma postura neutra, estimulei os mesmos por si mesmos a questionarem as convicções pré-estabelecidas. Quanto ao aspecto político foi tranqüilo, mas no segundo... É o motivo principal deste texto.

Até então era uma pessoa muito religiosa, nunca tinha falado algo contra a fé cristã e de credo algum. Fiz um trabalho intensivo no que diz respeito ao questionamento, logo, muitos alunos contavam em casa que estavam gostando das aulas, tanto que os mesmos começaram a partilhar suas experiências familiares nas atividades de grupo.



Porém os pais começaram a comentar com os pastores de suas igrejas o que ocorria em minhas aulas, os relatos dos alunos sobre de como aprendiam as coisas por si próprios... Fato incomodou muito os dirigentes eclesiásticos locais, lembrando que no referido bairro em “quase toda esquina” tem uma igreja... Logo começaram os ataques orquestrados pelos pastores pentecostais daquela localidade, o Prof. Adriano era o amaldiçoado da vez.

Começaram com boatos descabidos para desmoralizar a minha pessoa, como não surtiu efeito porque a comunidade escolar me conhecia, começaram a manipular alguns alunos de cabeça fraca para me insultarem em sala de aula (curiosamente, os alunos que se diziam crentes eram os mais problemáticos! Porque será?). Após, vieram mães a escola para me ofender e exigir a direção a minha saída, cogitando inclusive um abaixo assinado (interessante que estas “servas do sinhô” em vez de trabalharem ficavam no portão da escola de fofoquinha ou senão de fuxico com seus reverendos...tem muitas “irmãs” o tamanho da língua é proporcional ao da saia, aconselho que lavar uma trouxa de roupa é mais edificante...).



O estopim foi um charlatão que se diz pastor de uma denominação inexpressiva (que serve só pra assaltar o povo) teve na escola para pedir meu afastamento, alegando que eu usava supostamente a “Bíblia do Diabo” nas aulas (que cara doente! Digno de pena!) ele alegou isto pois certa vez citei um trecho bíblico na aula de Ensino Religioso a pedido dos alunos, e a linguagem do referido versículo era diferente da tradução que ele portava (além de doente, ignorante é analfabeto!)

Fora situações que fui acusado de satanista, ateu (como se ser ateu fosse um crime!), inimigo da fé, que estaria corrompendo valores cristãos, modelos instituídos por Deus, prócer do comunismo ateu, que minha pessoa não deveria ensinar os alunos questionar as autoridades, pois se governam é porque Deus permite e se existe miséria na sociedade é porque estas pessoas são pecadoras e tudo isso ocorre porque é da vontade de Deus...

Que bando de gente doente! Só porque ensinei os alunos a observarem o mundo que estão inseridos, lhes ensinei a serem agentes transformadores naquele local, ensinei o método, VER-JULGAR-AGIR, próprio da Teologia da Libertação, ensinei a crítica social e paguei um alto preço por isso, sofri calúnias, perseguições e senti o peso do braço pastoral fascista, hipócrita e intolerante, as vezes me sentia como Estevão e Jesus diante do Sinédrio enfurecido, bando de fanáticos religiosos!



Sem contra as perseguições que sofro de familiares que congregam nestas igrejas, é aquela velha estória que só eles serão salvos e todo o restante irão para um suposto inferno, como não compactuo com estas asneiras, logo sou alvo de fofocas e intrigas constantes que inclusive já me causaram inúmeros contratempos.

Não sou contra a espiritualidade, cada um se relaciona com o ser superior que julga acreditar da maneira que achar conveniente, mas sou contra a religião institucionalizada! To cansado dessa ideologia fascista de “Deus, Pátria e Família” que impera também nas igrejas pentecostais. Não to generalizando também que todos os pentecostais tem essa mentalidade, tem pessoas maravilhosas neste meio, mas a grande maioria tem essa mentalidade fascista, doentia, como poderia eu estar inserido nestas fileiras depois de tudo que já me fizeram? Acontece que não sei ser falso e não sou hipócrita! Através deste texto você leitor (a) pode percerber porque critico tanto o movimento pentecostal, não é de graça, tenho os meus motivos que não são só estes que foram citados, tem muitos outros, mais isso vamos deixar para uma outra ocasião...Abaixo o fanatismo religioso!!!