Kaio Costa
Como eu já postei algumas coisas relacionadas aos religiosos, hoje eu vou postar sobre alguns mitos que aderem aos ateus/ateísmo e vou refutá-los:
1) "Ateus são seguidores do demônio/diabo/lúcifer."
Como se pode seguir um demônio quando não se crê em nenhum? Como seguir alguém em cuja existência simplesmente não se acredita? Normalmente quem crê em demônios crê imediatamente em entidades supremas, em deuses que os tais demônios antagonizam. Como o ateu não crê em deuses, não há razão nenhuma que o faça crer nos seus antagonistas malvados. Além do mais, a proferição desse mito dá à pessoa que o ouve o direito de responder algo do tipo "Você está rejeitando os deuses tupis. Está seguindo direitinho o caminho de Anhangá*!".
*o deus demoníaco da mitologia tupi
2) "Ateus são mais propensos ao suicídio."
A realidade nos mostra exatamente o contrário. Como já dito, os ateus têm muita paixão pela vida, como sendo ela única e desprovida de sucessão. A maioria dos ateus convictos, que largaram a fé pela Razão e pelo convencimento científico, costuma valorizar muito a vida que têm, dedica-a a produzir o máximo possível de bons frutos e bons legados e a curtir os prazeres oferecidos pelo universo o máximo possível. É ao menos uma razão especial que protege muitos descrentes de pensarem na "alternativa" de "fugir" de uma vida reversivelmente problemática. É certo que o ateísmo, no entanto, não imuniza ninguém contra fraquezas psicológicas ou situações críticas virtualmente irreversíveis que despertam tendências suicidas. Em contrapartida, a religião também não: estatísticas policiais ao redor do mundo mostram que religiões não protegem as pessoas de fraquezas psicológicas que levam ao suicídio; e Durkheim, no final do século 19, mostrava num de seus livros mais importantes que, por motivos envolvendo coesão social, livre-arbítrio e severidade de pecado, protestantes se matavam mais do que católicos, os quais por sua vez se suicidavam mais do que judeus. Nem por isso os mesmos cristãos que acusam repetidamente o ateísmo de facilitar o suicídio aceitam a conversão ao judaísmo.
3) "Para os ateus, a vida não tem sentido."
Como eu disse no mito nº2, lembramos que grande parte dos ateus convictos geralmente são apaixonados pela única vida que possuem, preocupam-se a construir bons legados, bons frutos. E o melhor, sem os interesses da expectativa por recompensas divinas ou o medo de perder pontos com alguma divindade ou ser punido por ela. O sentido de viver varia subjetivamente de um ateu para outro, dependendo da função e condição pessoal de vida que abraçou, mas há os interesses comuns de gerar bons frutos -- como filhos bem-educados e amados, escrever livros e deixar lembranças saudosas -- e aproveitar os prazeres fornecidos pela vida, pela natureza, pela tecnologia. Mesmo que, depois de tudo, venha um cometa "furioso" e destroce a Terra pondo fim a qualquer legado humano. O que interessa é o prazer de fazer o bem a si mesmo e aos outros. Vale também questionar: será que as vidas de pessoas como Auguste Comte, Richard Dawkins, Sigmund Freud, Steve Jobs e José Saramago realmente não têm/tinham sentido?
4) “Os ateus são fechados para experiências espirituais e sentimentos."
Muitos religiosos insistem na falácia de condicionamento da existência de sentimentos à crença em divindades. Contra ela, é de se relevar que amor, medo, alegria, admiração prazerosa, são sentimentos que ocorrem em todos. Sentimentalidade é inerente ao humano e independe de divindades. A única "diferença" entre os sentimentos dos ateus e os dos religiosos é que os primeiros não os atribuem a deuses, espíritos ou manifestações divinas, e sim a estímulos cerebrais. Não é por essa noção de sentimentos serem estímulos cerebrais que quem a adota não pode tê-los. Lembremos também que animais não-humanos de inúmeras espécies com complexidade neurológica significativa também possuem sentimentos explicitamente expostos. Também sentem alegria, medo, tristeza, prazer, etc. e não precisam de nenhuma crença religiosa para tal.
5) "Ateus são arrogantes e acham que sabem tudo."
Esse é um mito carregado de injúria vindo de pessoas que não "vão com a cara" de uma ciência que freqüentemente derruba suas "teorias" mitológicas. Um ateu geralmente tem a humildade de reconhecer que não sabe o que é tal coisa quando se depara com algo desconhecido. Por exemplo, o que ele vai responder quando alguém lhe pergunta quantos planetas há naquela galáxia localizada a 100 milhões de anos-luz da Terra, fora um natural "não sei"? Ao contrário das religiões, ateus não criam narrativas fantasiosas para acharem que conhecem aquilo que no fundo não sabem do que se trata.
Fonte: Blog Ateísmo Pelo Mundo
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