segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Frases que entraram para a História

Duela a quien duela (como diria Fernando Collor), o presidente João Batista Figueiredo é um dos maiores frasistas da História. Seu modo de reconstituir a realidade em palavras desconcertou os brasileiros – do final dos anos 70 à primeira metade dos 80. Como em 1979, quando perguntado por um garoto sobre o que faria se seu pai ganhasse o salário mínimo.

– Eu dava um tiro na cuca – respondeu o general, sem hesitar.

As palavras do último comandante do regime militar marcam um período do país. Da mesma forma, a frase “Saio da vida para entrar na História”, escrita por Getúlio Vargas em 1954 como legenda de seu suicídio, é o emblema de uma época.

Por meio das tiradas de políticos como Collor, Figueiredo ou Vargas e muitos outros, é possível vislumbrar as fases do Brasil. Engraçadas ou infelizes, estudadas ou involuntárias, sérias ou irônicas, as frases servem para recontar a biografia da República.
A era Vargas
Getúlio Vargas (1883-1954):
“Política é esperar o cavalo passar.”
“Voltarei nos braços do povo.”
“Saio da vida para entrar na História.”
Os anos JK
Juscelino Kubitschek (1902-1976):
Ao assumir a Presidência (1956). “Esta é a última seca que assola o Nordeste.”
A renúncia
Jânio Quadros (1917-1991):
“Fi-lo porque o quis.” (embora tenha passado para a História como se tivesse dito “Fi-lo porque qui-lo”)
A Legalidade
Leonel Brizola (nascido em 1922):
Pelo rádio, durante a Legalidade, em 1961. “Povo de Porto Alegre, meus amigos do Rio Grande do Sul, venham para a frente deste palácio, numa demonstração de protesto contra esta loucura e este desatino.”
O Regime Militar
Marechal-presidente Humberto Castello Branco (1900-1967):
“A esquerda é boa para duas coisas: organizar manifestações de rua e desorganizar a economia.”

General-presidente Emílio Garrastazu Médici (1905-1985):
“Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranqüilizante após um dia de trabalho.”

Ministro Alfredo Buzaid (1914-1991), da Justiça:
“Não há tortura no Brasil.”

Ulysses Guimarães (1916-1992):
Na Bahia, em 1978, quando a Polícia de Choque avançou com com cães. “Respeitem o líder da oposição!” Os soldados recuaram.

General-presidente João Batista Figueiredo (nasc. 1919):
“Durante muito tempo o gaúcho foi gigolô de vaca.”
“Prefiro cheiro de cavalo a cheiro de povo.”
“Sei que o país é essencialmente agrícola. Afinal, posso ser ignorante, mas não tanto.”
“Todo povo é uma besta que se deixa levar pelo cabresto.”
“Um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar.”
Confirmando a abertura política. “É para abrir mesmo. Quem quiser que não abra, eu prendo e arrebento.”
Perguntado, em 1979, por um garoto, sobre o que faria se seu pai ganhasse o salário mínimo. “Eu dava um tiro na cuca.”
O colégio eleitoral
Tancredo Neves (1910-1985):
“Para a esquerda eu não vou. Não adianta empurrar. Ao dizer que campanha eleitoral era “uma luta para machos” e ser acusado de machista por uma deputada. “Não é nada disso, minha filha. Macho é hoje uma palavra unissex.”
Quando alguém tentou contar-lhe um segredo que “ninguém podia saber”. “Então não me conte. Se você, que é o dono do segredo, não consegue guardá-lo, imagine eu.”

Paulo Maluf (nasc. 1931):
“No Brasil, o político é veado, corno ou ladrão. A mim, escolheram como ladrão.”
A nova República
Ministro Dilson Funaro (1933-1989), da Fazenda, pai do Plano Cruzado:
“Vamos viver em outro mundo a partir de hoje.”

Deputado federal Roberto Cardoso Alves (nasc. 1927):
Sobre a votação do mandato de cinco anos para José Sarney. “É dando que se recebe.”

Luiz Inácio Lula da Silva (nasc. 1945):
“Se disputasse uma eleição, os votos do Sarney não dariam para encher um penico.”

Roberto Campos (nasc. 1917):
Em artigo sobre os direitos femininos na Constituição, em 1988. “Elas gostam de apanhar.”

Presidente da Câmara, Ulysses Guimarães:
No discurso da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988. “Eu tenho ódio e nojo à ditadura.”
A volta da eleição direta
Empresário Mário Amato (nasc. 1918):
“Se Lula ganhar esta eleição, 800 mil empresários vão deixar o país!”

Lula:
“Para se eleger, Brizola pisaria até no pescoço da mãe.”

Leonel Brizola:
Ao se aliar a Lula, no segundo turno, contra o candidato Fernando Collor. “Não seria fascinante fazer, agora, a elite brasileira engolir o Lula, este sapo barbudo?”

Cardiologista Enéas Carneiro (nasc. 1938):
“Meu nome é Enéas.”
A era Collor
Fernando Collor (nasc. 1949):
No segundo turno, acusando Lula de planejar um calote na poupança. “Eu sou contra o calote e o ‘beijo’ que o meu adversário quer dar na dívida externa e na dívida interna – aí incluída a caderneta de poupança.”
“O meu primeiro ato como presidente será mandar para a cadeia um bocado de corruptos.”
“A poupança é sagrada.”
“Vou liquidar o tigre da inflação com uma única bala!”
“Nesse presidente, ninguém coloca uma canga.”
“Eu tenho aquilo roxo!”
“Duela a quien duela.”
“Continuarei governando até o último dia de meu mandato.”
“Não me deixem só.”

Ministro Antônio Rogério Magri (nasc. 1941), do Trabalho:
Sobre o uso de carro oficial para levar sua cachorra ao veterinário. “A cachorra é um ser humano, e eu não hesitei.”
“Penso muito durante meus momentos de solidez.”

Primeira-dama Rosane Collor de Mello (nasc. 1963):
Sobre sua lua-de-mel. “Vamos passar 15 dias no Egito e depois vamos ao Cairo.”

Empresário PC Farias (1946-1996), tesoureiro da campanha de Collor:
“Se alguém queria me agradar com dinheiro, eu não tinha como recusar.”
“Sei bater o olho num sujeito e dizer se ele é honesto ou não.”
Violência
Paulo Maluf:
Na campanha para prefeito de São Paulo, em 1992. “Se está com desejo sexual, estupra, mas não mata.”
Separatismo
Ciro Gomes (nasc. 1957):
Ao criticar os separatistas do Sul. “As pessoas que defendem isso têm um desvio homossexual.”
Eleições 94
Sociólogo Fernando Henrique Cardoso (nasc. 1931):
“Sou mulatinho, tenho um pé na cozinha. Não tenho preconceito.”
Governo FH
Ministro Íris Rezende (nasc. 1933), da Justiça:
“O crime, muitas vezes, é inevitável.”

Ministro Eliseu Padilha (nasc. 1945), dos Transportes: Comparando Pelé ao asfalto. “São dois pretos admirados por todo o Brasil.”


Fonte: Agência RBS/ Site Portal Terra

Nenhum comentário:

Postar um comentário