segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Jesus Cristo: Um olhar político socialista



Adriano Couto

Em quase todos os seus sermões, Jesus Cristo pontifica a base de uma sociedade na qual os seres humanos não explorem uns aos outros, na qual o homem não seja lobo do homem.

Recentemente em seu novo livro intitulado: “Jesus de Nazaré, da Entrada em Jerusalém até a Ressurreição”, o Papa Bento XVI afirma que Jesus não era um revolucionário e enumera argumentos em torno de sua tese, mas fico a me perguntar: Quem é o Papa para julgar se Jesus era um revolucionário ou não? A discrepância entre o homem de Nazaré que não tinha onde reclinar a sua cabeça e o pontífice que vive na pompa em meio ao ouro do Vaticano é gritante! Acho engraçado que a Igreja Católica se considera “dona de Jesus”, quando se trata do Cristo, somente a sua opinião é válida!

A Igreja Católica explorou e explora Jesus Cristo até hoje, tentando transformá-lo num milagreiro vulgar. Apesar da formidável organização da Igreja Católica, não conseguiram anular ou eliminar o grande líder social que foi Jesus Cristo.

Quando ele explanou o objetivo de seu apostolado, citou: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor ”(Lc 4,18).

Nestas citações vemos claramente que o compromisso do Cristo era preferencialmente pelos POBRES e se a instituição seguisse a risca os ensinamentos de seu Mestre jamais se aliaria aos poderosos, pois o próprio Cristo foi um revolucionário, um marginalizado político (refugiado político no Egito, com sua família; estava em um país dominado por potência estrangeiras; viveu na Galiléia, área periférica de seu país); foi um marginalizado religioso (tendo sido excomungado da sinagoga); viveu como pobre e morreu como um marginalizado social-político-religioso (condenação capital). Foi o primeiro socialista da história, ensinando a partilha igual dos bens e jamais acumulou nada para si, pois também está escrito: “O Filho do homem não tem onde repousar a cabeça". (Mt 8,20).

A Bíblia fala explicitamente desta opção radical pelos pobres, antes mesmo do nascimento de Jesus. Segundo o relato do Evangelho de Lucas, Maria após ser saudada por sua prima Isabel, encheu-se do Espírito Santo e proferiu o Magnificat que é um hino de louvor a Deus e destaco a seguinte afirmativa em meio a este lindo cântico: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos” (Lc 1, 52-53).



Em certa ocasião, Jesus foi procurado por um jovem muito rico, que por sua vez era um fiel observador das tradições judaicas e perguntou ao Messias, o que ele deveria fazer para herdar a vida eterna. Após as justificativas do jovem, Cristo olhou para ele e disse: Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me".Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.Então Jesus disse aos discípulos: "Digo-lhes a verdade: Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus.E lhes digo ainda: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus" (Mt 19,21-24).

Outra citação clássica, que comprova que os ensinamentos do Cristo eram socialistas, tanto que os socialistas cristãos se inspiraram nesta passagem bíblica para justificar seus argumentos é a seguinte: “Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um.” (At 4,34-35).

Teria ainda muitas outras citações da própria Bíblia para justificar o argumento da opção do Cristo pelos pobres, mas citei estas porque considero relevantes. Acabamos de ver que o homem de Nazaré foi estritamente ligado aos desvalidos de sua época, seu amor era devotado aos excluídos, perseguidos e marginalizados. Revolta-me a prática contraditória das instituições que se julgam representá-lo, estas que em sua grande maioria segregam este mesmo pobre que o Cristo deu de comer, aconselhou, amou e defendeu a sua causa. Tenho náuseas quando vejo estes pseudopastores televisivos e padres “pop star” que pedem dinheiro descaradamente, fazendo com que as pessoas mais humildes se desfaçam de seus bens para entregar nas mãos de charlatães, picaretas da fé! Pelo conhecimento que tenho da Bíblia e dos ensinamentos do Cristo, sei que jamais ele compactuaria com essa podridão toda que é propagada em seu nome, as instituições perverteram seus ideais revolucionários e se colocaram a serviço do capitalismo, corrompendo-se totalmente e colocando em descrédito o anúncio da mensagem libertadora.

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