terça-feira, 10 de janeiro de 2012

''A primavera árabe nasceu do mal-estar dos jovens'', adverte Bento XVI

Os jovens foram particularmente afetados "pelo atual momento de incerteza" global e é do seu "mal-estar" que "nasceram os fermentos que nos últimos meses investiram, por vezes duramente, várias regiões", adverte Bento XVI. Jovens atingidos pela crise econômica no Ocidente, jovens que animam as revoltas do mundo árabe.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada em seu blog, Oltretevere, 09-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


O papa pronuncia o tradicional discurso de início do ano ao corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé e parte de um apelo pela defesa dos direitos daqueles que ele vê como os protagonistas do ano passado.

A crise econômica e financeira mundial "não atinge só as famílias e as empresas dos países economicamente mais avançados, onde a mesma teve origem, criando uma situação na qual muitos, sobretudo entre os jovens, se sentiram desorientados e frustrados nas suas aspirações por um futuro sereno, mas tal crise marcou profundamente também a vida dos países em vias de desenvolvimento", disse Bento XVI aos 177 representantes dos países que mantêm relações diplomáticas com o Palácio Apostólico.

O pontífice sublinhou que "respeito da pessoa deve estar no centro das instituições e das leis, deve conduzir ao fim de toda e qualquer violência e prevenir contra o risco de que a atenção devida às solicitações dos cidadãos e a necessária solidariedade social se transformem em meros instrumentos para manter ou conquistar o poder".

O papa dedica uma atenção especial à dramática situação da Síria, para a qual ele deseja um rápido fim "ao derramamento de sangue e comece um diálogo frutuoso entre os atores políticos, favorecido pela presença de observadores independentes".

Bento XVI lembrou aos embaixadores que, "em muitos países, os cristãos são privados dos direitos fundamentais e postos à margem da vida pública; em outros, sofrem ataques violentos contra as suas igrejas e as suas casas", mas evita mergulhar em complexos episódios geopolíticos.

O papa prefere lembrar a figura do ministro para as minorias cristãs assassinado no Paquistão, Shahbaz Bhatti, e incluir "os ataques cometidos contra várias igrejas no tempo de Natal" na Nigéria entre as dificuldades que os cristãos devem enfrentar em vários países africanos.

O papa, em seu afresco anual da diplomacia da Santa Sé, não deixa de mencionar temáticas mais especificamente ocidentais: com um olho nos Estados Unidos, ele lembra a doutrina da Igreja sobre o matrimônio entre homem e mulher, aborto, células-tronco embrionárias. Depois, fala da Itália, elogiando a decisão sobre o crucifixo nas escolas tomada pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. E dirige ao país "uma saudação particular na conclusão dos 150 anos da sua unificação política. As relações entre a Santa Sé e o Estado italiano atravessaram momentos difíceis depois da unificação. Mas, com o passar do tempo, prevaleceram a concórdia e a vontade mútua de cooperar, cada qual no seu próprio campo, para favorecer o bem comum. Espero – afirma o papa – que a Itália continue a promover uma relação equilibrada entre a Igreja e o Estado, constituindo deste modo um exemplo para o qual as outras nações possam olhar com respeito e interesse". Para o dia 14 de janeiro, está prevista a audiência do papa com o presidente do Conselho, Mario Monti.

Bento XVI deseja "novas regras que assegurem a todos a possibilidade de viver dignamente e desenvolver as suas capacidades em benefício da comunidade inteira", para depois passar a falar do "mal-estar" de outros jovens, os do Norte da África e do Oriente Médio, "onde os jovens – que, para além do mais, sofrem pobreza e desemprego e temem pela ausência de perspectivas seguras – lançaram aquilo que veio a tornar-se um amplo movimento de reivindicação de reformas e de participação mais ativa na vida política e social".

São 179 os Estados que atualmente mantêm relações diplomáticas plenas com a Santa Sé (no dia 27 de julho de 2011, foram estabelecidas as relações diplomáticas com a Malásia), perdendo apenas para os EUA. Setenta e nove países têm um embaixador junto à Santa Sé residente em Roma. Os outros são representados em geral de diplomatas residentes em outras capitais europeias. A Santa Sé, de fato, não aceita embaixadores credenciados também junto ao Quirinal [palácio do presidente italiano].

Recentemente, a Irlanda rebaixou a sua própria representação junto à Santa Sé de residentes para não residente. Durante o pontificado de Bento XVI, tornaram-se residentes os embaixadores não residentes da Austrália, Camarões, Benin e Timor Leste. Os núncios, isto é, os embaixadores do papa no mundo, são atualmente 100, mas alguns deles abrangem mais de um país.


Fonte: IHU Online

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