quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O relativismo teme a verdade? Artigo de Claudio Magris

Não podemos viver sem distinguir entre o que – ao menos para nós – é relativo e o que – ao menos para nós – é absoluto. Todo pensamento, religioso ou não, que pretenda se apropriar da verdade é uma retórica mentirosa que facilmente degenera em dogmatismo persecutório. Mas toda filosofia que renuncie a ser busca da verdade e do significado da vida se reduz a um mero protocolo de um balanço empresarial, talvez fraudulentamente falsificado.

A opinião é do escritor italiano Claudio Magris, ex-senador da Itália, ex-professor das universidade de Turim e de Trieste, e prêmio Príncipe de Astúrias de Letras de 2004. O artigo foi publicado no jornal Corriere della Sera, 23-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Um fantasma ronda a Europa. Não é, como escrevia Marx em 1848, o comunismo, que agora só alguns embusteiros tentam tirar do armário do passado e agitam como um bicho-papão para as crianças. Hoje, os fantasmas que pulam para fora das trevas, como no túnel do terror dos parques de diversões, para assustar os visitantes e gratificá-los com os calafrios do susto, são os inimigos do relativismo, todos aqueles que têm o descaramento de ainda usar a palavra "verdade". Relativismo, palavra maleável e adaptável a gosto como uma goma de mascar, parece ser o sinônimo de liberdade, tolerância, civilidade; um distintivo que todo bem pensante deve portar ao alcance dos olhos, para evitar equívocos.

No coro retórico e midiático, o relativismo – assim como os conceitos a ele contíguos ou opostos, como tolerância e verdade – é muitas vezes distorcido radicalmente no seu sentido mais alto e profundo. O relativismo, corretamente entendido, não é a negação da verdade, muito menos do significado e da necessidade da sua busca. Ele é um sal indispensável, não um petisco; é um corretivo irrenunciável na busca da verdade, que impede que nos acreditemos como possuidores definitivos dela, como alguém que chegou a um pleno e indiscutível conhecimento da verdade e autorizados a impô-la aos outros. Esse relativismo – dirigido a todos os dogmatismos, a todas as palavras de ordem e a todas as opiniões dominantes do momento, sobretudo às próprias convicções – é a base da tolerância e da liberdade.

Mas há um outro relativismo que hoje dita leis como um dogma vulgar, renunciando a priori a buscar – certamente às apalpadelas, porque, na existência humana, não é possível de outra forma – uma verdade qualquer; renunciando a afirmar qualquer valor, ponto todas as escolhas morais no mesmo plano, como em um menu em que cada um escolhe segundo os seus gostos e as reações das suas papilas gustativas.

Quem se recusa a considerar a ética como um supermercado é rotulado, com intolerância, como retrógrado e reacionário. Esse relativismo é o oposto daquela dúvida crítica reivindicada, no caderno Lettura do dia 5 de fevereiro, por Giulio Giorello como elemento constitutivo da liberdade e da busca.

É justo e necessário, ao invés, contestar o relativismo como um opcional universal aplicado às escolhas morais. Não é preciso pensar em Bento XVI, alvo obrigatório no estande de tiro ao alvo de tiro do Circo midiático. Foram alguns filósofos totalmente estranhos à Igreja e a toda igreja que desmascararam esse falso, papagaiesco e intolerante relativismo, verdadeiro lobo em pele de cordeiro; por exemplo (mas certamente não é o único) Tito Perlini, figura de destaque da esquerda minoritária e crítica italiana, uma das cabeças pensantes da nossa cultura que entendeu mais a fundo as transformações epocais das últimas décadas.

Todo pensamento, religioso ou não, que pretenda se apropriar da verdade assim como nos apropriamos de um objeto ou da fórmula de um experimento é uma retórica mentirosa que facilmente degenera em dogmatismo persecutório, como a Inquisição e todos os fundamentalismos de todos os tipos. Mas toda filosofia que renuncie a ser busca da verdade e do significado da vida se reduz a um mero protocolo de um balanço empresarial, talvez – em nome da rejeição da verdade – fraudulentamente falsificado.

Não podemos viver sem distinguir entre o que – ao menos para nós – é relativo e o que – ao menos para nós – é absoluto. Práticas religiosas, morais sexuais, hábitos dos mais variados tipos, tradições até profundamente experimentadas e enraizadas são relativos, e relativos são os deveres e as proibições que eles proclamam. Matar uma criança ou escravizá-la em um trabalho brutal, mandar os judeus para Auschwitz não são escolhas relativas, justificáveis ou não, dependendo do contexto social e cultural, mas são – ou ao menos devemos assim considerá-las – um mal absoluto. Provavelmente para a natureza, para a força de gravidade e para o movimento dos astros, os campos de concentração e os Gulag não contam mais do que a extinção dos dinossauros, mas, para nós, sim.

A crescente mistura de culturas, costumes, religiões e civilizações, com os seus valores diversos, deve nos induzir a fazer o máximo esforço possível para pôr em discussão a nós mesmos e os nossos valores, prontos para abandoná-los se outros se revelem mais críveis; prontos para considerar relativo o que estávamos acostumados a considerar e a sentir como imutável, justamente porque, como foi dito, sempre haverá, infelizmente, esquimós prontos para criticar os negros do Congo por andar por aí pouco vestidos.

Mas – afirma Todorov, outro pensador iluminista que não tem nada a dividir com as Igrejas – devemos estabelecer alguns, pouquíssimos, valores não mais discutíveis, por exemplo a igualdade de direitos e a igual dignidade de cada pessoa, independentemente da sua identidade política, étnica, religiosa, sexual. Esse valor, por exemplo, para nós, não é "relativo", vivemo-lo como uma verdade existencial e moral. Pouco importa se alguns o consideram dado por um Deus sobre uma montanha ou elaborado pela consciência humana como os dois postulados fundamentais da ética de Kant, não menos universais do que os dez mandamentos.

Sem essa consciência, o relativismo se degrada a indiferença e a arbitrariedade que, sob o pretexto de respeitar todas as opiniões, pode autorizar a barbárie mais atroz: eu penso que não é lícito exterminar os judeus, linchar os negros, pôr no manicômio os dissidentes políticos ou decapitar os homossexuais; você, ao contrário, pensa que sim; cada um tem direito à sua própria opinião, e todos somos pessoas respeitáveis. Mas é preciso dizer que quem pensa que é lícito traficar órgãos arrancados de crianças ou eliminar os deficientes não é uma pessoa respeitável; é um porco ou, na melhor das hipóteses, um imbecil condicionado por preconceitos sociais ou raciais forçados.

Todo verdadeiro liberal crê, criticamente e sem presunção, em um critério de verdade. Em um incisivo artigo no jornal Il Sole 24 Ore do dia 15 de janeiro, Massimo Teodori, polemizando com justiça contra tantas prepotências clericais, se refere em geral ao relativismo. Mas, quando cita, com um profundo consenso que eu compartilho plenamente, a proibição – vigente na Grã-Bretanha – da clonagem humana considerada como "eticamente inaceitável", ele proclama um valor que não considera relativo, como tantos outros.

Naturalmente, é difícil identificar os valores a serem julgados não mais negociáveis, mas é nesse caminho e nessa busca que se joga a mais alta aventura da consciência humana. O relativista, para quem tudo é intercambiável, ao contrário, é – escreve Perlini – intolerante a toda busca de verdade, na qual vê um perigo para a sua plana segurança, que ele se convence que é o exercício da razão, assim como troca a indiferença ética por democracia. Um liberal de 24 quilates como Dario Antiseri salientou como a autêntica fé, justamente afirma acreditar na verdade e não saber o que é a verdade, se oferece ao diálogo sem a pretensão de possuir a chave do absoluto.

A fé, além disso, ao contrário de tantas ideologias, ajuda a não elevar a absoluto qualquer realidade humana, histórica, social, política, religiosa, eclesiástica; pode ser uma defesa contra toda idolatria e, portanto, contra todo totalitarismo, que sempre se apresenta como um falso absoluto que exige obediência cega. Os fundamentalistas de todos os tipos – sobretudo, mas não apenas, os religiosos – também perseguiram sangrentamente essa liberdade e essa verdade. O bom relativismo impede que a busca da verdade se desnaturalize em tiranias espirituais e materiais.

O autêntico iluminismo, fundamento da nossa civilização, malvisto pelos fundamentalista clericais e anticlericais, é o expresso por um gênio da laicidade como Lessing, quando escrevia que não pretendia possuir a verdade, que só cabe a Deus, e reivindicava ao ser humano a busca da verdade – que jamais a alcança definitivamente, mas, mesmo assim, é sempre busca de verdade.

Certamente, a afirmação de uma verdade também pode ser instrumento da vontade de poder, como Nietzsche havia visto genialmente, e isso acontece quando se presume "ter" a verdade, como presumem os fundamentalistas de todos os tipos, triunfalmente beatos ou triunfalmente ateus, agressiva e pateticamente ímpares à vida. Não é possível ser fanáticos da verdade, que às vezes pode ser cruel e devastadora; às vezes pode ser humanamente necessário calá-la ou atenuá-la a quem pode ser dolorosamente ferido por ela, mas isso tem a ver com o amor ou ao menos com o respeito pelos outros, e não com a presunção relativista para a qual não existem o verdadeiro e o falso.

É justo criticar, por exemplo, a Igreja Católica por tantos "não" por ela pronunciados, como diz o livro de Sergio e Beda Romano, mas, em alguns casos, ensina Camus, é com um "não", com uma posição "contra" alguma coisa que começam a liberdade e a dignidade. Muitas pessoas boas estão convencidas, como eu ouvi uma vez uma senhora dizer no café, de que Einstein defendia que tudo é relativo...


Fonte: IHU Online

Teologia precisa desenvolver tolerância às diferenças

Ao ministrar a aula inaugural do Bacharelado em Teologia da Faculdades EST, o professor Dr. Gmainer-Pranzl argumentou que o ensino e a pesquisa teológica devem ter perspectiva global, na medida em que uma “teologia mundial” tem muito a aprender a partir de formas seculares de viver e pensar.

“Teologia e igreja não se tornam relevantes pelo fato de despejarem respostas religiosas sobre todos, mas por levarem a sério as pessoas com suas questões e seus problemas concretos”, disse o diretor do Centro de Teologia Intercultural e Estudos das Religiões na Universidade de Salzburg.

A reportagem é de Micael Vier B. e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 28-02-2012.

A atuação da igreja e da teologia, analisou, não deveria estar voltada somente àqueles com os quais elas têm intimidade, mas também aos estranhos, aos incômodos, aos críticos e até aos adversários. “Isso significa reconhecer que estamos inseridos num mundo culturalmente plural e conflitivo, no qual convivemos com pessoas crentes, com pessoas que têm um credo diferente e com pessoas que não creem”, assinalou.

Diante de estudantes e professores, o palestrante afirmou que uma teologia capaz de dizer algo ao mundo será sempre uma teologia comunicativa, participativa e missionária. A capacidade de diálogo representada pela teologia intercultural, destacou Pranzl, não serve para encobrir as diferenças, mas para desenvolver uma tolerância à ambiguidade a partir da qual se torna possível uma práxis de comunicação da fé capaz de passar por cima das fissuras culturais e sociais.

Pranzl admira o trabalho de dom Erwin Kräutler, bispo católico do Xingu. Ele contou que Kräutler, ao solicitar aos moradores da região que lhe dessem um conselho por ocasião de sua investidura no cargo, o povo pediu que fosse um “bispo que ouve”. A afirmativa do povo amazônico indica que a responsabilidade da fé não acontece mediante o ensinamento de uns pelos outros, mas como intercâmbio recíproco no qual todos contribuem com algo ao terem a oportunidade de ouvir, mas também de se pronunciar.


Fonte: IHU Online

Vaticano II, um Concílio Ecumênico

No dia 25 de janeiro de 1959, João XXIII anunciou a realização de um Concílio Ecumênico. O Concílio Vaticano II, que começou no dia 11 de outubro de 1962, terminaria no dia 08 de dezembro de 1965.

A reportagem é Laurence Desjoyaux e publicada pelo jornal La Croix, 24-02-2012. A tradução é do Cepat.

O que é um concílio ecumênico?

É um encontro de bispos cujo objetivo é precisar ou reorientar a doutrina da fé e fortalecer ou reformar a organização da Igreja. Ao contrário dos concílios regionais, um concílio ecumênico reúne os bispos da oikumène, do mundo inteiro. Suas decisões devem ser aplicadas pelos fiéis de todo o mundo. Já houve 21 concílios ecumênicos na história da Igreja.

Quem convoca um concílio ecumênico?

Os primeiros oito Concílios Ecumênicos foram convocados por imperadores romanos. Na época, a autoridade do Papa não era tão universal como hoje e apenas o imperador podia impor suas leis do Oriente ao Ocidente (1). Os treze Concílios seguintes foram convocados pelos papas.

O Código de Direito Canônico é claro: “Compete exclusivamente ao Romano Pontífice convocar o Concílio Ecumênico, presidi-lo por si ou por meio de outros, transferir, suspender ou dissolver o mesmo Concílio, e aprovar os seus decretos” (2). João XXIII convocou os bispos para o Concílio Vaticano II no dia 25 de dezembro de 1961, através da Bula Humanae Salutis.

Por quê?

O Concílio é convocado para examinar questões de doutrina ou de organização da Igreja. Trata-se muitas vezes de resolver na unidade e na cúpula conflitos que atravessam as comunidades locais. Assim, os primeiros Concílios tiveram por objetivo definir dogmas, tais como a natureza de Cristo ou da Trindade, enquanto diversas teorias se alastravam pela Igreja. Outros aconteceram depois de cismas para tentar resolver ou definir a posição da Igreja em relação ao ramo cismático.

Enfim, os Concílios Ecumênicos servem também para resolver problemas pastorais e disciplinares desde o uso do vestuário litúrgico até a prática de duelos passando pela publicação de admoestações de casamento. O Concílio Vaticano II não respondeu especificamente a uma crise na Igreja. Nos diferentes discursos que precederam o Concílio, João XXIII evocou mais a necessidade de um aggiornamento, de uma atualização da mensagem da Igreja, para melhor transmiti-la aos homens contemporâneos.

Quem participou do Concílio Vaticano II?

2.850 “padres conciliares”, todos os bispos, patriarcas, superiores de ordens e de comunidades religiosas, foram convidados. Em média, 2.400 deles estavam presentes em cada sessão. Eles vieram de 116 países e 64% não eram europeus, ao passo que do Concílio Vaticano I, 40% dos bispos eram italianos! Episcopados inteiros não puderam participar por terem ficado presos em seus países pelos regimes comunistas da China, da Coreia do Norte, do Vietnã ou da União Soviética.

Muitos outros atores participaram de perto ou de longe do Concílio. 487 peritos teólogos foram assim nomeados por João XXIII e Paulo VI para aconselhar os bispos. A estes se devem acrescentar cerca de cem observadores de outras Igrejas e 42 leigos ouvintes, incluindo sete mulheres que puderam acompanhar os debates (3).

Como se desenvolveram as sessões?

Os temas abordados durante o Concílio Vaticano II foram divididos em quatro sessões, de setembro a dezembro de 1962 a 1965. Durante essas sessões, houve 10 sessões plenárias públicas, sendo as demais sessões, 168 ao todo, abertas a um público restrito de observadores e ouvintes. Essas “congregações gerais” realizaram-se no salão nobre, um anfiteatro composto de duas tribunas de 190 metros de comprimento situado em frente à Basílica de São Pedro.

Elas começavam às 9 horas com a Eucaristia, depois os bispos debatiam os esquemas elaborados pelas 10 comissões preparatórias. Sob condições bem precisas, alguns tinham o direito de fazer o uso da palavra por 10 minutos e em latim para criticar estes textos ou defendê-los. Ao meio-dia, os trabalhos eram interrompidos para dar lugar a encontros oficiais ou semi-oficiais e para permitir aos peritos e às comissões especializadas alterar os textos de acordo com os debates na parte da manhã.

De que se fala no Concílio Vaticano II?

Os textos que resultaram do Concílio Vaticano II abordam os temas mais diversos como as fontes da fé, a liturgia ou ainda a liberdade religiosa e as relações com as outras religiões. Em geral, podemos agrupar os temas tratados em três categorias: o que é a Igreja, o que a Igreja faz e as relações da Igreja com o mundo (4).

Durante o Concílio, algumas matérias foram discutidas de forma especial. Na primeira sessão, o esquema sobre a Revelação foi muito criticado e João XXIII foi forçado a intervir no sentido de adiar o estudo do texto. Na segunda sessão, Paulo VI se envolve diretamente na questão da colegialidade. Finalmente, a elaboração de textos sobre o ecumenismo, a liberdade religiosa e os judeus deram lugar a acalorados debates na aula conciliar.

Como votam os padres conciliares?

Uma vez corrigidos, os esquemas iniciais são submetidos à votação. Dessa maneira, foram realizadas 538 votações durante as congregações gerais das quatro sessões. Com uma média de 2.200 cédulas, foram, no total, mais de um milhão de cédulas distribuídas. Enquanto um esquema não era aprovado por uma maioria de dois terços, ele era novamente modificado pelas respectivas comissões. Quando o texto era aprovado, ele podia ser promulgado pelo Papa sob a forma de Constituição, decreto ou declaração. Ao longo das quatro sessões do Concílio, foram promulgados quatro Constituições, nove decretos e três declarações.

Quanto custou o Concílio?

De acordo com a L'Osservatore Romano (5), o Concílio, incluindo a fase preparatória, custou 4,5 bilhões de liras italianas, ou seja, entre 30 milhões e 40 milhões de euros no valor de hoje. Os trabalhos exigiam diariamente o trabalho noturno de 200 trabalhadores durante quase cinco meses e teve que financiar a viagem e o alojamento de muitos dos bispos presentes em Roma.

As Conferências Episcopais da Alemanha e da América do Norte foram particularmente generosas. O custo do Concílio Vaticano II, no entanto, nunca foi abordado durante os trabalhos do Concílio para não perturbar a agenda ou acelerar artificialmente os debates.

Notas:
1. CHIRON, Yves. Histoire des conciles, Éd. Perrin, 2011.
2. Código de Direito Canônico, c. 338, § 1.
3. O’MALLEY, John W. L’Événement Vatican II, Éd. Lessius, 2011.
4. POUPARD, Paul. Le Concile Vatican II, Éd. PUF, 1983.
5. Le Concile Vatican II, Synthèse historico-théologique des travaux et des documents, numéro spécial de L’Osservatore Romano, Éd. Apostolat des Éditions, 1966.


Fonte: IHU Online

A suposta laicidade da política. Artigo de Angelo Scola

O âmbito político não precisa do consenso total (muito improvável) em torno de visões substantivas da vida. Só assim se realiza aquele bem comum essencial que Maritain sugeria, quando falava da sociedade humana como "corpo de comunicações sociais".

A opinião é do cardeal arcebispo de Milão, na Itália, Angelo Scola. O artigo que segue é um trecho da conferência que o cardeal proferiu na catedral de Notre-Dame, em Paris, neste domingo, 26 de fevereiro, no início da série de palestras quaresmais.

O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 26-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A ética cristã não pode ser proposta sem se confrontar com a situação contemporânea de inédito pluralidade em que estamos falando e atuando. O fato é que vivemos uma condição que Maritain já definia justamente como babélisme: "A voz que cada um profere nada mais é do que um ruído puro para os seus companheiros de viagem". Podemos dizer que vivemos uma crise comunicativa, no sentido de uma incapacidade para elaborar um código universal de entendimento. É óbvio que, na ausência desse código, a pluralidade causa problemas.

Essa despotencialização narrativa global, essa dificuldade de dizer algo que saia da medida puramente subjetiva, atinge centralmente o significado tipicamente universal da ética. Hoje, não prevalece uma contestação frontal aos códigos universais, incluindo o da ética cristã, mas sim um gradual processo de abandono da própria pretensão de universalidade: nenhum dos códigos secularizados conseguiu manter a sua promessa de dizer a verdade sobre a experiência humana de modo credível.

Desse modo, não só se difundiu uma desconfiança geral com relação ao anúncio cristão, mas também já vivemos na convicção mais ou menos explícita de que a razão humana é um instrumento frágil, incapaz de levar a termo a tarefa de conhecer a realidade e de estabelecer valores totalmente compartilháveis.

Tal desconfiança, além disso, não parece causar problema: assemelha-se cada vez mais a uma desilusão complacente, que celebra a provisoriedade, a incerteza, como exaltação suprema da liberdade de escolher sem as cansativas constrições do passado (éticas, religiosas, sociais).

Portanto, chegamos a uma espécie de "alegre resignação": o homem se descobre sozinho consigo mesmo, incapaz – ou simplesmente cansado – de procurar o sentido humano da sua própria experiência, mas, paradoxalmente, "contente" por ser assim e, por isso, disponível, sem o seu conhecimento, aos novos e sutis despotismos tecnocráticos.

A resignação complacente anestesia o desejo de edificar o bem comum, deixando as pessoas, assim, à mercê de lógicas que funcionam segundo fins que não são mais necessariamente humanos.

Considerada essa atmosfera que respiramos, entende-se como se tornou difícil se comunicar entre pessoas que têm concepções do mundo tão diferentes e contrastantes. Não é por acaso que as democracias estão hoje, em sua maioria, em crise: a dificuldade de se comunicar é um sintoma que não podemos subestimar se quisermos defender o espaço político de uma convivência democrática.

Habermas sempre esteve particularmente atento a esse indicador: "A condição em que uma democracia se encontra pode ser determinada apenas sentindo o pulso do seu espaço público político". E é bastante óbvio que a alegre resignação não é propriamente uma terapia: seria preciso, de fato, tirar a palavra de qualquer pessoa (e não só dos cristãos) que não tenha a intenção de se comprazer em dizer "adeus à verdade".

Essa neutralização do espaço público reduz drasticamente as "batidas" do pulso democrático. Naturalmente, a receita para se ter um espaço público vital também não pode ser a dedução do político do teológico.

Uma solução inteligente, ao invés, é a imaginada por Maritain, em seu discurso à Unesco de 1947 (La voie de la paix). Nessa ocasião, Maritain afirmou que, dado o fato da pluralidade irredutível dos atores sociais, o âmbito político deve visar a convergir rumo a um "pensamento prático comum", ou seja, um "conjunto de convicções capazes de dirigir a ação". O que implica aceitar a inevitável divergência das visões do mundo, apostando, ao mesmo tempo, na possibilidade de se entender concretamente sobre o que fazer.

Isso não significa renunciar ao plano da justificação teórica do agir prático (essa renúncia já seria niilista). Significa, ao contrário, reconhecer que o âmbito político não precisa do consenso total (muito improvável) em torno de visões substantivas da vida. Só assim se realiza aquele bem comum essencial que Maritain sugeria, quando falava da sociedade humana como "corpo de comunicações sociais".

Isso significa que o político deve ser o âmbito em que todos os "diferentes" devem ter a possibilidade de contribuir responsavelmente com o bem comum da comunicação, tentando explicar o que para eles é válido, em uma linguagem que seja acessível para todos. Pode-se, então, ficar justamente perplexos diante da suposta laicidade de escolhas políticas que visem a eliminar toda referência religiosa no espaço público. É verdadeiramente público, e por isso sadiamente laico, somente aquele espaço que aposta na liberdade dos cidadãos, crentes e não crentes, de entrarem no jogo de uma "narração recíproca" em vista – como ensina Ricoeur – de um recíproco, embora fatigante, reconhecimento


Fonte: IHU Online

Onde está a direita brasileira?


José Serra está reunindo condições para entrar pesado na disputa pela prefeitura de São Paulo. A recomposição do ex-governador com sua criatura, Gilberto Kassab, pode representar um golpe de mestre contra a candidatura de Fernando Haddad. A maioria dos dirigentes petistas alimentou a hipótese de se aliar com uma parcela da direita paulistana para vencer o tucanato a qualquer custo.

A pirueta do dirigente do PSD embaralha o jogo. O PT terá de encontrar rapidamente uma linha de campanha diferente da que vinha acalentando até as tratativas com o prefeito da capital.

O partido fez, ao longo dos últimos seis anos, uma cerrada oposição a gestão de Kassab. Denunciou privatizações, aumentos de tarifas, agressões contra camadas populares, descasos com a infraestrutura, superfaturamentos de obras e outras mazelas. Esperava utilizar a munição acumulada como mote na campanha. Agora que o potencial noivo fugiu do altar após um namoro público, a tática dificilmente colará no eleitorado.

Outra arma de campanha – a denúncia das privatizações tucanas – está com a pólvora molhada desde que o governo federal decidiu privatizar os aeroportos em leilões cuja coreografia lembra muito as vendas de estatais da Era FHC. É claro que os petistas seguirão com suas manhosas explicações de que “concessão não é privatização” para tentar evidenciar diferenças com o possível adversário.

Campanha despolitizada

Uma variante na linha de ataque, caso Serra seja mesmo candidato, é insistir na tecla de que ele abandonou a prefeitura na metade do mandato para se candidatar a governador. É uma ofensiva de risco. O atual governador gaúcho Tarso Genro (PT) fez o mesmo em 2002. Desincompatibilizou-se da prefeitura de Porto Alegre para tentar o governo do estado. Perdeu na época, por outros motivos, mas levou em 2010.

A saída para o PT seria apostar na marquetagem sobre quem seria o melhor administrador para a capital. Pode colar, dado o imenso prestígio da agremiação no plano nacional. Será um duelo de máquinas eleitorais: de um lado o governo federal e de outro o governo do estado e a prefeitura.

Tudo leva a crer que esta será uma campanha despolitizada. Os contrastes entre PT e PSDB, ao longo dos anos, têm se mostrado mais como nuances de um mesmo projeto do que o embate de duas diretrizes antagônicas. No âmbito federal, ambos investiram em duros ajustes fiscais, em juros elevados, em prioridade para o pagamento das dívidas financeiras e em privatizações. Os graus variaram e isso fez a diferença em momentos de crise. O PT elevou o salário mínimo e investiu em políticas sociais focadas. O PSDB cortou mais na área social, congelou salários do funcionalismo e foi mais radical na ortodoxia. Mas nenhum rumou na direção de penalizar os que sempre ganharam na brutal desigualdade social do país.

A reforma agrária, depois de avançar um pouco nos governos de FHC e de Lula, estancou desde o ano passado. Não se fala mais em reforma tributária progressiva que taxe as grandes fortunas. A regulamentação dos meios de comunicação saiu da agenda oficial. E, entre outras medidas, a CPI da privataria segue no congelador.

Esquerda e direita?

Será ainda possível fazer uma campanha da esquerda contra a direita? Se entendermos, grosso modo, esquerda como o setor que enfrenta os mercados e defende os de baixo e direita aqueles que se aferram na defesa do capital e demonstram pouca sensibilidade social, a mensagem ficou clara nas duas últimas campanhas presidenciais. A postulação do PT representava a esquerda e a do PSDB a direita.
Mas se olharmos para a vida como ela é, as leituras ficam complicadas. Onde ou com quem está a direita brasileira?

No Brasil, pelo peso que teve a ditadura militar, quase ninguém se proclama abertamente de direita. No PSDB, todos se consideram de centroesquerda. No PMDB, no PTB, no PP e em outras legendas, a situação deve ser semelhante. Se nos pautarmos pela autodeclaração, não existe direita no Brasil.

Alguns petistas, com razão, acusam a coligação PSDB-DEM-PPS-PV de representar a direita no jogo institucional. Afinal, foi esta coalizão a responsável pela implantação a ferro e fogo do modelo neoliberal entre nós.

Mas é preciso mirar a base institucional – base parlamentar mais a composição da administração – de cada governo para tentarmos ver as cores do espectro político.

Composições de governo

O primeiro governo FHC (1995-1999) era integrado por PSDB, PFL, PMDB e PTB. O PMDB em algumas votações no Congresso apresentou-se dividido, mas a maioria era inequivocamente governista. Em seu segundo mandato (1999-2003), o tucano foi apoiado por PSDB, PFL, PMDB, PTB, PPS e PPB (atual PP). Foram essas agremiações que patrocinaram a venda acelerada de patrimônio público ao longo dos anos 1990.
O primeiro governo Lula (2003-2007) era composto por PT, PC do B, PSB, PTB, PDT e PL. Na gestão seguinte (2007-2011), a base aliada era formada por PT, PC do B, PSB, PTB, PL, PMDB, PL (atual PR). O PV não integrou formalmente as administrações, apesar de Gilberto Gil, Ministro da Cultura, ser filiado ao partido.

Quem é esquerda e quem é direita nessa sopa de letras?

Podemos, mais uma vez grosso modo, classificar como esquerda (por suas histórias) o PT, o PCdoB, o PSB e o PDT. O PSOL representa no Congresso a diminuta oposição de esquerda. A régua é muito flexível, pois seria difícil dizer que a atuação de líderes como Antonio Palocci, Paulo Bernardo, Guido Mantega (todos do PT), Paulinho da Força (PDT) ou Fernando Bezerra (PSB) tenham hoje em dia alguma coisa a ver com esquerda.

A direita, por sua vez, seria encarnada por PSDB, DEM, PMDB, PTB, PPS, PV, PSD, o PP, o PR, o PTB, o PSC, o PRB, o PTdoB, o PMN, o PHS, o PRP, o PRTB, o PSL e o PTC. Embora a maioria deles apresente declarações genéricas como programas partidários, suas atuações são marcadamente liberais e pró-mercado.
Bases parlamentares

Apesar dos petistas alardearem que a direita está toda na oposição, a afirmação não resiste a nenhuma análise séria.

Se olharmos a base parlamentar do governo, vamos verificar que a direita majoritariamente abriga-se sob as asas da situação.

Vejamos por blocos e número de deputados entre os 513 da Câmara:

Esquerda no governo (PT-PSB-PDT-PCdoB) – 154

Direita no governo (PMDB-PSD-PP-PR-PTB-PSC-PRB-PTdoB-PMN-PHS-PRP-PRTB-PSL-PTC) – 257

Direita na oposição (PSDB-DEM-PPS-PV) – 99

Esquerda na oposição (PSOL) – 3

No Senado o quadro não é diverso. O quadro assim se divide, num universo de 81 senadores:

Esquerda no governo (PT-PDT-PSB-PCdoB) – 24

Direita no governo – (PMDB-PTB-PR-PP-PSD-PRB) – 39

Direita na oposição – (PSDB-DEM-PV) – 16

Esquerda na oposição (PSOL) – 1

Sem partido – 1

Além disso, existem bancadas transversais e informais de empresários, ruralistas, evangélicos, sindicalistas e outros que se articulam acima das fronteiras partidárias. O DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) tem bons levantamentos sobre essas coalizões.
O que isso tudo quer dizer?
Muitas coisas.

Travas nas mudanças

A primeira é que o freio para a não implantação de reformas progressistas na sociedade brasileira não está na oposição, mas no governo. É a base aliada que trava o avanço da reforma agrária (ruralistas), do combate à homofobia (evangélicos), da reforma tributária (praticamente toda a base), da ampliação da comissão da verdade (figuras criadas na ditadura, como José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Collor) e da CPI da privataria, entre outras iniciativas. Neste último caso, o governo compraria uma briga com seus apoiadores oriundas dos governos FHC.
A segunda é que os embates eleitorais não têm se dado entre projetos excludentes ou oponentes no espectro ideológico.

Divisão no conservadorismo

A direita brasileira se dividiu a partir de 2002. Uma facção resolveu ficar na oposição e dali se fortalecer para voltar ao Planalto. Está se dando mal, pois o essencial de suas diretrizes foi abraçado pelo governo. Seu discurso tornou-se disfuncional.

A partir do segundo mandato de Lula, o liberalismo ganhou o impulso de um desenvolvimentismo difuso, possibilitado pelo bom desempenho do balanço de pagamentos e pela ampliação do mercado interno. Ambos são resultados de ações governamentais. Com crescimento econômico, inclusão social e aumentos salariais, o modelo ganhou nova legitimidade e a gestão petista conheceu inéditos índices de aprovação.

Outra facção da direita – majoritária – resolveu se integrar ao governo e disputar seus rumos. Está tendo amplo sucesso, como se pode ver pelo aumento dos cortes fiscais, pela guinada da política externa em direção a um maior alinhamento com os EUA e pela volta das privatizações. Em outras palavras, a direita passou a utilizar uma das táticas caras à esquerda, o “entrismo”.

Aqui voltamos ao início. Serra – caso saia candidato – unificará o PSDB, contará com o apoio do PSD e buscará uma aliança com o PMDB, aliado de primeira hora do governo Dilma. O PCdoB deve arriscar uma candidatura apoiada pelo PDT. O PTB, o PV e o DEM lançarão candidatos, além do PSOL e do novíssimo PPL. A tática é marcar pontos para a disputa nacional.

Nesse quadro, como o PT vai se diferenciar claramente do PSDB? Competência X incompetência, éticos X antiéticos, moralistas X amorais, abortistas X carolas? O arsenal e a criatividade da marquetagem não tem limites e nem prima pelo bom gosto. Mas política de verdade pode ser artigo em falta…
Gilberto Maringoni

No Carta Maior


Fonte: Blog Com Texto Livre

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Moralidade vem da natureza do homem, afirma biólogo


O biólogo holandês Frans de Wall, 53, afirmou que a moral é um valor intrínseco do homem e de outros animais de espécies superiores, como primatas, elefantes e ratos.

Ele explicou que, do ponto de vista científico, “moral” significa o impulso que esses animais têm de reconhecer seus iguais e na necessidade de se reproduzir e transmitir seus genes.

"Os humanos são ricos de tendências sociais", afirmou.

A tese de Wall é polêmica porque bate de frente com a corrente científica de que a natureza (da qual o homem faz parte) é neutra. Por esse ponto de vista, a moral é algo que se adquire nos primeiros anos anos de vida porque ela inexiste quando se nasce.

Do lado oposto à tese de Wall estão também os religiosos, cuja pregação é de que a moral (ou seja, a ideia do certo e do errado e do bem querer ao próximo) vem de Deus. Para os religiosos, o homem é intrinsecamente mau, já nasce pecador, e é por isso que se precisa aceitar Deus.

Em um encontro recente promovido em Vancouver (Canadá) pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, Wall disse que pesquisas científicas recentes refutam a ideia dominante desde o século 19, e endossada pelo biólogo Thomas Henry Huxley, de que a moralidade é um advento cultural.

O biólogo afirmou que os animais superiores têm tendências naturais à sociabilidade, reciprocidade, correção e consolação. Ele exibiu um vídeo que mostra um símio se privando de uma guloseima para oferecê-la a outro símio. Em outro vídeo, um rato desistiu de um chocolate para ajudar um companheiro a escapar de uma armadilha.

Para reforçar a sua tese, ele citou o evolucionista Charles Darwin, que chegou à conclusão, entre outras, de que os animais que desenvolveram instintos sociais acabaram adquirindo “um senso moral ou uma consciência”.
Para Wall, a moral
vem da empatia

Wall (foto) trabalha na Universidade Emory, de Atlanta, no sul dos Estados Unidos. Ele é autor do livro “A Era da Empatia".

Para ele, a moral humana vem da empatia [colocar-se no lugar do outro]. Essa empatia, disse, teve origem em pequenos grupos de humanos, na pré-história, decorrente de sua simpatia em relação a seus iguais.

Disse que essa simpatia se verifica hoje entre membros de pequenas comunidades e que o esforço da civilização tem sido de estendê-la para os integrantes de uma grande comunidade, que são os habitantes do planeta.

Com informação das agências.


Fonte: Paulopes Weblog

Guiné Equatorial tem povo na pobreza e um ditador milionário



Teodoro Obiang Nguema Mbasogo é um dirigente chave e um homem excepcional. Com uma fortuna pessoal de 468 milhões de dólares, mais do que a rainha da Inglaterra ou o emir do Kuwait, o presidente da Guiné Equaotiral é o chefe de Estado africano mais rico do continente. Prova de sua opulência, a polícia francesa confiscou há alguns dias uma pitada da fabulosa fortuna de sua família, neste caso de seu filho Teodorín, na luxuosíssima Avenida Foch, de Paris.


Eduardo Febbro - Direto de Paris

Paris - Há homens que merecem seu lugar na história. As democracias ocidentais – e não são as únicas - reconhecem a eles esse direito especial e, por isso, entre petróleo, gás, florestas e exploração de minerais, concederam privilégios e honras exorbitantes a um punhado de ditadores corruptos e homicidas que tem, nos bancos internacionais, mais dinheiro que o orçamento nacional do país que dirigem. O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, é um deles. Este ditador está há 31 anos no poder e hoje é o presidente da União Africana (UA), o organismo panafricano fundado graças à abnegação de Muammar Khadafi.

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo é um dirigente chave e um homem excepcional. Com uma fortuna pessoal de 468 milhões de dólares, mais do que a rainha da Inglaterra ou o emir do Kuwait, o presidente da Guiné Equaotiral é o chefe de Estado africano mais rico do continente. Prova de sua opulência, a polícia francesa confiscou há alguns dias uma pitada da fabulosa fortuna de sua família, neste caso de seu filho Teodorín : na luxuosíssima Avenida Foch, de Paris, o milionário Teodorín, também ministro de Agricultura e Florestas desta ex-colônia espanhola, tem um prédio de 5 mil metros quadrados, com seis pisos, 101 quartos, uma sala com colunas de coral, uma coleção de 500 pratos, uma mesa de cristal de 200 metros de comprimento, um dormitório de 200 metros quadrados, um salão de beleza, uma discoteca, um cassino ao melhor estilo de Las Vegas e um monte de roupas, joias e vinhos de vários milhões de euros. Este é apenas um segmento da cleptocracia sem freios : os Obiang tem propriedades dos sonhos até no Rio de Janeiro ou Malibú.

No ano passado, respondendo a uma ação apresentada pela ONG Transparência Internacional contra os dirigentes africanos que acumularam fortunas monumentais na França, a Justiça confiscou 11 automóveis de luxo dos Obiang. Entre eles havia um Aston Martin vermleho V8 V600 Le Mans (há apenas 40 exemplares no mundo), um Rolls Royce Phantom conversível, Ferraris, Porsches e um Maserati MC12, do qual só existem 50 no mundo. O ilustre Teodorín ganha oficialmente 3.300 euros mensais. De onde vem o dinheiro com o qual comprou esses automóveis e os demais objetos encontrados em sua residência em Paris.

O filho do ditador cobra gordas comissões das multinacionais madeireiras que operam nas florestas tropicais da Guiné Equatorial. Fontes da Transparência Internacional adiantaram que se trata de uma espécie de « imposto revolucionário » aplicado às multinacionais. O resultado da cobrança desse «imposto » pode ser encontrado na casa parisiense dos Obiang : um relógio Piaget Polo decorado com 498 diamantes (598 mil euros), duas jarras de porcelana (220 mil euros), três jarros do século XVIII com elefantes e rinocerontes (500 mil euros), uma cômoda da época da Realeza (2,8 milhões), um lote de 300 garrafas de vinho Chateu Petrus (2,1 milhões), mais outro lote de Romanée-Conti (250 mil euros).

Uma grande parte da população da Guiné Equatorial vive em situação de extrema pobreza e reprimida, mas as capitais que fazem negócios com o poder e recebem seus fundos não estão preocupadas com isso. Esse país da África Ocidental tem apenas um milhão de habitantes. Hoje é o terceiro produtor subsaariano de petróleo e gás graças à presença dos grupos petroleiros estrangeiros que se instalaram nos anos 90.

Além de estar a fente de seu país e de uma organização de 53 nações como a União Africana, Tedoro Obiang Nguema Mbasogo tem sido um ditador persistente : em suas três décadas de poder perdeu apenas um punhado de votos. Chegou à presidência em 1979 mediante um golpe de Estado e, em 1989, organizou um simulacro de eleições que ganhou com 99,96% dos votos. O grande Teodoro se reelegeu em 1996 com 99%, em 2002 obteve 97% e, em 2009, 95,4%. Foi uma façanha que o fez figurar no terceiro posto da lista dos dez presidentes melhores eleitos do mundo, atrás apenas de Ismail Omar Guelleh, de Djibuti, com 100% dos votos, e do presidente sírio Bachar el-Assad, com 97,6%. O décimo posto era ocupado pelo ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak (88,6%).

Os seus vínculos com a máfia e a corrupção são tão notórios que os analistas regionais adotaram uma curiosa denominação : narco-petro-ditador. Teodoro Nguema Mbasogo é um produto da história colonial e da posição que o Ocidente adotou com essas encarnações do mal cujos tronos estão apoiados sobre solos transbordantes de gás e petróleo. Com isso compraram as medalhas e o silêncio ocidental. E não só da Europa ou dos Estados Unidos. O presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo possui no Rio de Janeiro um apartamento de cerca de 3 mil metros quadrados no bairro de Ipanema pelo qual pagou 34 milhões de euros (cerca de 80 milhões de reais).

Esses dirigentes assistem a cúpulas internacionais, realizam visitas de Estado com toddas as honras, vestem-se com a alta costura de Paris, enquanto suas sociedades sucumbem. São, além disso, muito zelosos a respeito de seu estatuto. Quando o presidente da Guiné Equatorial visitou a Argentina em 2008 para firmar uma série de acordos bilaterais, Cristina Fernández de Kirchner lembrou ao mandatário algumas de suas obrigações básicas. No ato protocolar realizado no salão branco da Casa Rosada, a presidenta argentina disse a Obiang que não podia deixar passar a ocasião para manifestar sua « profunda preocupação com a situação dos direitos humanos denunciadas pelas Nações Unidas em seu país ». O mandatário se enfureceu e quase saiu da sala batendo a porta.

O filho do proto-ditador leva uma existência dourada de playboy : vive entre Estados Unidos, Brasil, Canárias e Paris. Os juízes franceses estão convencidos de que o ministro Teodorín Obiang comprou todas essas riquezas graças a fundos públicos subtraídos ilegalmente. A empresa madeireira guineana Somagui Florestal, que pertence ao ministro, realizou uma série de giros e transações suspeitas no exterior, acabando por dar origem a um processo. Talvez não seja o último. A Transparência Internacional interpôs outras demandas similares por « bens mal adquriridos » contra outros dois chefes de Estado africanos : Omar Bongo, do Gabão, e Denis Sassou-Nguesso, do Congo. Françoise Desset, a juíza encarregada de delitos financeiros, os acusa de « desvio e recepção de fundos públicos », « lavagem de dinheiro », « abuso de bens sociais » e « abuso de confiança ».

Tradução: Katarina Peixoto



Fonte: Site Carta Maior

Quem será o sucessor de Ratzinger? Começam as apostas

A imprensa italiana levantou a lebre e começou a falar de papáveis, as eternas apostas sobre quem pode ser o futuro pontífice. Até agora era uma questão tabu, ou ao menos prematura. Não se questionava abertamente porque ainda não havia a criação de um cenário propício. Porém, isso está mudando com a crise do chamado “Vatileaks”, os vazamentos de documentos internos da Santa Sé.

A reportagem é de Iñigo Domínguez, publicada no sítio Diario Vasco, 27-02-2012. A tradução é do Cepat.

À margem do escândalo, deu-se uma imagem de debilidade de Bento XVI e de desgoverno da Cúria, cujo principal responsável é o secretário de Estado, Tarcísio Bertone, alvo de muitas críticas. Também revela que se arrancam manobras para um conclave. E influi que Ratzinger, de saúde delicada, completa 85 anos em abril, idade com que morreu João Paulo II.

O nome que se movia no vazamento dos papéis, um segredo aos gritos, é o do italiano Angelo Scola de 70 anos e cardeal de Milão. Também ressoa o do prefeito da Congregação para o Clero, Mauro Piacenza, de 67 anos. No entanto, agora surgiram como possíveis candidatos outros dois homens da Cúria, o argentino Leonardo Sandri, 68 anos, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, e o canadense Marc Ouellet, de 67 anos, novo prefeito da Congregação dos Bispos. Em resumo, já está se criando uma atmosfera de fase final de pontificado. O que acarreta em apostas, mas que podem durar anos e desgastar dezenas de nomes.

Foi o consistório deste final de semana, a cerimônia de criação de novos cardeais, o que permitiu aflorar pela primeira vez a lista de “papáveis”. Os purpurados de todo o mundo, preocupados pelos acontecimentos, puderam encontrar-se em Roma e trocar impressões. Muito polêmica, a última fornada dos 22 novos cardeais, designados por Ratzinger, também influenciou, e o quadro geral que desenhou um hipotético conclave daqui há dois ou três anos: deu um peso dominante aos italianos e ao clero da Cúria. Precisamente dois setores envolvidos no escândalo, que fora da Itália se percebe como uma degeneração de vícios crônicos pela “italianização” dos despachos apostólicos e a resistência às operações de limpeza do papa.

Portanto, cresceram os indícios de que depois de dois estrangeiros se forja um papa italiano, e assim haveria surgido a reação de uma parte do colégio cardenalício em buscar um candidato alternativo, que tem apontado Sandri, argentino, mas de origem italiana, e Ouellet, de reconhecido prestígio. Neste fim de semana, destacou-se também o arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, protagonista da assembleia de cardeais, de sexta-feira, com um discurso temperamental que chamava a pregar “com o sorriso, e não com a expressão franzida”.

E mais, atribui-se ao mal-estar interno a ausência de um número raramente alto de cardeais nos atos do final de semana. Havia 133 de um total de 213, incluídos os 22 novos. Portanto, 80 não assistiram. Uma nota da Santa Sé explicou que “justificaram suas presenças por razões de idade, ou de súde, ou por compromissos precedentes inadiáveis”, mas muitos veem nisso um sinal de dissidência. Outros já voltaram no próprio sábado e não participaram da missa com Bento XVI.

Segundo coincidem em assinalar vários meios de comunicação, muitas das 27 intervenções na assembleia de sábado, entre o papa e os cardeais, enfrentaram de forma crítica a crise vivida pelo Vaticano. O Corriere della Sera aponta que dois cardeais espanhóis, Julián Herranz e, no dia anterior, Antonio Cañizares, mostraram grande preocupação. Herranz, da Opus Dei, havia lamentado que se promoveu prelados italianos próximos de Bertone enquanto se deixou de fora arcebispos de grande prestígio, como os de Bruxelas, Londres ou Manila.


Fonte: IHU Online

Cientista mente para expor cético do clima

Uma das principais vozes científicas em defesa da realidade do aquecimento global causado pelo homem caiu em desgraça na semana passada. O hidrologista americano Peter Gleick assumiu publicamente que se passou por outra pessoa para tentar expor as táticas de um grupo de céticos do clima.

A reportagem é de Reinaldo José Lopes e publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, 28-02-2012.

O caso envenena ainda mais o debate público sobre o aquecimento global nos Estados Unidos, país que é um dos principais responsáveis pelo problema - graças às enormes quantidades de gases do efeito estufa que a nação produz - e onde a briga política entre os que acreditam no fenômeno e os que negam sua existência paralisa as ações para mitigá-lo.

O caso começou com o que parecia ser uma versão às avessas do chamado "Climagate", de 2009. Nessa polêmica anterior, hackers anônimos disponibilizaram na internet milhares de e-mails assinados pelos principais climatologistas do mundo. Algumas mensagens pareciam dar a entender que os cientistas estavam ocultando e manipulando dados para tentar persuadir o público de que o aquecimento global é causado pelo homem.

Várias investigações acabaram mostrando que os e-mails tinham sido tirados de seu contexto original e que não houve manipulação da ciência do clima. Mas o dano à reputação dos cientistas já estava feito, em especial em países como os EUA.

No dia 15 deste mês, veio o que parecia ser o troco. Um remetente anônimo enviou para órgãos da imprensa e blogueiros americanos o que pareciam ser documentos sigilosos do Heartland Institute, ONG conservadora americana que promove, entre outras coisas, o ceticismo climático entre o público.

Os documentos incluem uma lista dos doadores do instituto - entre eles a Microsoft e a General Motors - e detalhes de um plano para criar um currículo para escolas públicas sobre a mudança climática, com o objetivo de ensinar que os cientistas não sabem se o homem está mesmo alterando o clima.

'Suspeito óbvio'

A chefia do Heartland Institute veio a público para dizer que um dos documentos divulgados era falso e ameaçou processar o responsável pelo vazamento. Funcionários da ONG chegaram a especular que Gleick era um dos "suspeitos óbvios".

O cientista acabou admitindo a culpa numa postagem em seu blog no site "Huffington Post". Ele teria recebido uma versão dos documentos de maneira anônima pelo correio e, para confirmar a veracidade deles, teria se passado por um membro da diretoria do Heartland Institute.

Gleick foi condenado publicamente pela AGU (União Geofísica Americana), órgão ao qual pertence, e renunciou ao seu cargo no Pacific Institute, na Califórnia. À Folha, a secretária de Gleick disse que ele não daria entrevistas.


Fonte: IHU Online

A batalha do Vaticano entre 1959 e 1965


Que trabalho e que talento! As 570 páginas da nossa amiga e cofundadora da CCBF [Conférence Catholique des Baptisé-e-s Francophones], Christine Pedotti, são devoradas como um thriller.

A opinião é de Monique Hébrard, publicada no sítio Baptises.fr, 14-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Christine leu cerca de 50 livros de teólogos e de historiadores, jornais, relatos e memórias das testemunhas diretas do Concílio Vaticano II. Ela se impregnou deles a ponto de entrar na pele dos principais atores que ela põe em cena pouco a pouco, restituindo-nos não apenas seus atos e suas palavras, mas também os seus estados de ânimo. E tudo isso com uma notável empatia.

Christine não é partidária. Se ela tem uma empatia marcante por João XXIII, nem por isso ela considera Ottaviani como um inimigo. Um verdadeiro panorama da alma humana! Durante esses três anos do Concílio, entre a aula, os restaurantes, as casas religiosas, os escritórios das congregações e "os corredores", desenrola-se uma dramaturgia em escala mundial em torno de uma fantástica inversão das mentalidades.

O relato tem as qualidades de uma tragédia clássica (e às vezes de uma comédia). O perito Joseph Ratzinger e o seu companheiro Hans Küng não se deixam tratar, por sua audácia, como adolescentes e como "sans-culotte" por um membro do Santo Ofício! E certos truques para impor uma fórmula contra os adversários beiram o grotesco, ou até mesmo a desonestidade.

Mas o essencial não está aí. Ao longo desse diário das quatro sessões, assiste-se a uma mudança secular da Igreja. Os bispos que ali entram pela primeira vez com uma cerimônia solene e petrificada são um pouco como ovelhas submissas a um papa infalível, que realmente não têm consciência da sua parte de responsabilidade na Igreja universal. Não se levaram em conta alguns cardeais, particularmente franceses (incluindo o cardeal Lienart) e alemães (aos quais logo se uniram os belgas), e célebres teólogos que foram como peritos, que imediatamente se recusaram a aprovar todos os esquemas devidamente preparados pela Cúria.

Então, iniciaram batalhas sobre inúmeras questões. Entre as mais quentes: o latim, domínio sagrado dos clérigos (os Padres Conciliares tinham que fazer suas intervenções em latim!), a noção de povo de Deus, o ecumenismo, as outras religiões, o olhar positivo sobre o mundo, a concepção da verdade e da tradição, a colegialidade dos bispos.

Apareceram então Dom Lefebvre e alguns outros prelados muitos conservadores, para os quais qualquer mudança colocaria a Igreja e a Verdade em perigo e que queriam preservar a Tradição de um mundo julgado como malvado. Pobre João XXIII, que quisera "conversar" com o mundo!

Vendo a amplitude das batalhas, compreende-se que essa passagem de uma Igreja ainda marcada pela monarquia para uma Igreja do século XX pode ainda não ser aceita e que os argumentos dos "progressistas" e dos "conservadores" de então ainda são, desesperadoramente, os mesmos em 2012!

Os bispos conciliares certamente viveram uma conversão pessoal considerável, e a celebração de clausura do Concílio (com observadores leigos!) não tinha mais nada a ver com a da abertura. Certamente, não tinham previsto que, 50 anos depois, os seus sucessores ainda sustentariam posições contra as quais eles haviam votado com uma esmagadora maioria.

Com a aproximação do aniversário do Concílio, é importante compreender o que está em jogo e constatar que ele ainda não foi totalmente "aplicado", embora, na base, ele já foi muitas vezes superado. E o livro de Christine Pedotti é um presente para isso.


•Christine Pedotti, La bataille du Vatican. 1959-1965. Les coulisses du Concile qui a changé l'Église, Ed. Plon




Fonte: IHU Online

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

'Modelo sindical brasileiro é arcaico e inconveniente'

"O modelo sindical brasileiro é arcaico e inconveniente para a sociedade porque propicia o surgimento e a proliferação de milhares de sindicatos fantasmas, sem poder de barganha", alerta o ministro João Orestes Dalazen, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Ele prega uma grande reforma sindical. "Há muitos sindicatos débeis, onde ocorrem assembleias muitas vezes vazias, conduzidas por lideranças sindicais sem representatividade e ao sabor de suas conveniências".

A entrevista é de Fausto Macedo e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 27-02-2012.

Enquanto a reforma não vem, o ministro vai propor alteração legislativa para permitir que os sindicatos negociem diretamente por empresa, não mais por categoria. O expediente que Dalazen sugere é a convenção coletiva especial. Em minuta que prepara, ele expõe seus argumentos ao Congresso.

Ele governa uma Justiça que em 2011 recebeu 2,15 milhões de novas reclamações trabalhistas. Sob seu poder e orientação estão 1.383 varas do Trabalho em todo o País, 24 tribunais regionais, 3 mil magistrados e desembargadores e 40 mil servidores. No TST lhe fazem companhia 26 ministros.

Hoje, Dalazen inaugura no fórum do Arujá, na Grande São Paulo, o processo judicial eletrônico - versão que põe fim à secular Justiça de papel porque os autos irão transitar diretamente pelos computadores dos juízes e advogados das partes.

Aos 59 anos, juiz de carreira há 32, Dalazen é dono de uma biografia incomum na toga. Filho de família humilde de Getúlio Vargas (RS), na infância e na juventude dividiu os estudos com atividades braçais - foi engraxate, lavador de caminhão, garçom, cobrador e balconista. "Venho de baixo, como se diz."

Eis a entrevista.

Como reduzir os litígios na área trabalhista?


Os sindicatos devem negociar diretamente por empresa. Veja o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, sério, combativo, trava um diálogo permanente com as montadoras. Promove atuação inovadora e importante por meio do comitê sindical, órgão de representação no local de trabalho.

Como vê o modelo sindical?

Ultrapassado, arcaico. Isso se deve também ao fato de que, infelizmente, nossa organização prevê contribuição sindical obrigatória. Prevê monopólio da representação sindical. Em uma determinada base territorial, não pode existir mais de um sindicato, por exemplo, do comércio varejista.

O sr. é contra a contribuição?

Esse sistema de contribuição obrigatória de imposto sindical só serve para alimentar sindicatos fantasmas e para que alguns dirigentes se perpetuem no poder. As entidades não prestam o serviço que se espera. Bastaria que acabássemos com a contribuição sindical obrigatória e com o monopólio da representação sindical para que se produzisse profunda reforma na organização sindical.

Como é possível?

Precisamos ratificar a Convenção 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), de 1948. A maioria dos países ratificou, o Brasil não. A Convenção prevê regime de ampla liberdade sindical, possibilidade de surgirem sindicatos espontaneamente e desvincula o sindicato do Estado. Nosso modelo é inspirado no sistema fascista e corporativista dos anos 30.

O que isso acarreta?

O sistema é engessado, não funciona. O resultado é a criação de sindicatos que visam atender aos interesses preponderantemente das diretorias. No Brasil, com honrosas exceções, a criação de um sindicato transformou-se num grande negócio que só é bom para uns poucos dirigentes, não para os representados, sejam empregados ou empregadores. A reforma sindical que defendo alcança a área patronal e a de empregados.

Os sindicatos não atendem seus representados?

Vemos hoje inúmeros dirigentes sindicais que permanecem por décadas na direção de sindicatos ou de federações e confederações. Isso não é bom para a sociedade. Tenho grande apreço pelo movimento sindical, mas é forçoso reconhecer que nosso modelo é ultrapassado.

O sistema atual não é bom?

Só favorece as cúpulas sindicais, que permanecem indefinidamente no poder, à sombra de benefícios, sob os auspícios da famigerada contribuição sindical obrigatória. Se há a receita compulsória, é claro que não há estímulo para a sindicalização, novos associados que passem a contribuir espontaneamente como em qualquer associação. O descompasso é tão grave que nas negociações coletivas, sobretudo quando há dissídio, grupos negociam com empregados e não com os sindicatos, correntes opostas em uma mesma categoria defendem pontos de vista e pleitos diversos.

A contribuição é um mal?

A Medida Provisória que reconheceu as centrais sindicais permitiu que repartissem entre si parte da receita bilionária da contribuição sindical, o que propiciou a proliferação de sindicatos e uma guerra entre as centrais. Isso desestimula.

Sindicato deve prestar contas?

Não há nada que obrigue as entidades a prestarem contas do que recebem a título de contribuição. Foi vetado preceito da lei que previa a obrigatoriedade da prestação de contas ao Tribunal de Contas da União. As entidades chegaram praticamente ao paraíso. Imagine esse cenário: não presta serviços, aufere receita financeira polpuda e não presta contas das receitas, nem da aplicação dos valores. O sistema vive ciclo vicioso e, assim, se perpetua esse estado de coisas que só favorece dirigentes, com honrosas exceções.

A Justiça do Trabalho não dá conta de tanta demanda?

As providências ortodoxas de modernização da Justiça do Trabalho já se esgotaram, como a criação de cargos, novas varas, ampliação do quadro de magistrados e servidores. Em seus 70 anos, a Justiça do Trabalho apenas cresceu do ponto de vista quantitativo. Eram oito tribunais regionais e passaram a 24. Como está, o sistema não pode continuar. Além de constituir máquina pesada e onerosa para o Estado, não consegue dar vazão com a celeridade desejada aos milhões de processos. Em 2011, só nas varas do Trabalho deram entrada 2,15 milhões de reclamações, sem falar nos tribunais regionais e no TST.

O que é o processo eletrônico?

A implantação do processo eletrônico decorre não apenas dessas circunstâncias, mas de uma lei federal que obriga os órgãos do Poder Judiciário a encerrar a era dos autos impressos. Desde a criação dessa lei inúmeros sistemas eletrônicos foram desenvolvidos, mas cada um procurou resolver o problema a seu tempo e modo, sistemas e linguagens diferentes, que não se comunicam. Mais de 40 sistemas diferentes existem no Judiciário. A Justiça do Trabalho conseguiu, enfim, desenvolver um sistema uno e definitivo.

Como vai funcionar?

Vai substituir todos os outros no âmbito da Justiça do Trabalho. Começou a ser implantado em dezembro, em Navegantes (SC), depois em Caucai (CE) e Várzea Grande (MT). Agora em Arujá (SP). Vai proporcionar celeridade porque não terá mais aquela papelada, os autos físicos. Também vai propiciar ganho extraordinário porque estamos falando de um modelo sem filas, sem congestionamentos, de portas abertas da Justiça, dia e noite, pois as partes e seus advogados poderão acessar processos a qualquer hora.

Na prática, como vai ser?

Sem sair de seu escritório, o advogado, com verificação digital e senha que o incluirá no nosso cadastro, poderá peticionar à Justiça e, automaticamente, haverá distribuição do processo para uma vara. Apertando um botão, da mesma forma, haverá a designação da audiência.

Quanto tempo um processo trabalhista leva para terminar?

Em primeira instância até o tribunal regional cerca de um ano. Esse prazo vai cair pela metade. Todo processo judicial tem alguns atos básicos que não podem deixar de ser cumpridos, postulação de direitos, fase de defesa, probatória, de recursos e julgamento pelos tribunais.



Fonte: IHU Online

O retorno do panteísmo: a religião que substituiu o Deus único


Plutarco, que foi sacerdote do templo de Apolo em Delfos, anunciou a morte de Pan, e, com isso, do paganismo politeísta. Ferruccio Parazzoli, que não é um sacerdote, anuncia a morte do Deus único e, com isso, do cristianismo monoteísta.

Publicamos aqui o prefácio do teólogo italiano Vito Mancuso, professor da Università Vita-Salute San Raffaele, de Milão, ao livro Eclisse del Dio Unico, de Parazzoli.

O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 22-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Rejeitando tanto o teísmo quanto o niilismo, neste livro, Parazzoli abraça o panteísmo, no sentido de que o seu Deus (o princípio primeiro, o fundamento) torna-se aqui o próprio mundo, representação por trás da qual não há nada nem ninguém (negação do teísmo), sem, porém, que o seu sentido seja o nada e que haja a impossibilidade de estabelecer uma hierarquia de valores (negação do niilismo).

Embora despido de sua serenidade, Parazzoli refaz o caminho de Spinoza. Embora despido de sua alegria dionisíaca, Parazzoli refaz o caminho de Nietzsche. Sem serenidade e sem alegria, o percurso de Parazzoli ao panteísmo é bastante semelhante ao grito de Munch e, às vezes, em algumas expressões, a uma espécie de escárnio metafísico à la Hieronymus Bosch.

Contudo, independentemente do percurso pessoal, este livro é o documento de um novo credo, o credo de um homem que passa do Deus cristão a um Deum pagão, porque é exatamente essa impessoalidade neutra da Divina Energia aquilo que Parazzoli chama de Representação (ou também de Natureza e Mundo) e que para ele é tudo. A frase central deste estranho ensaio filosófico-teológico é, de fato, a meu ver, aquela que reporta os pensamentos do "feio caranguejo cinza", que, escondido atrás de uma vassoura, está prestes a morrer: "Entendi" (o sujeito é justamente o feio caranguejo cinza) "que mesmo aquele seu estar a morrer atrás de uma vassoura fazia parte de algo que acontece, e que esse algo é a própria vida de deus... o mundo nada mais é do que a vida de deus. Deus nunca desapareceu, a sua ausência é apenas um engano. Ao contrário, Deus está em contínua, total, dinâmica aparição, é tudo aquilo que aparece e que qualquer caranguejo pode ver, eternamente presente, sem passado nem futuro. Deus é apenas o presente, todo o mundo é apenas o presente, é a representação do que acontece. Não há nada mais fora de deus, nada acontece fora de deus. Deus é inevitável". Eis uma das mais claras e luminosas confissões de fé panteísta. Não há nenhuma eclipse ou poente de Deus; o que morre é apenas Deus para deixar de novo o lugar a Deum.

Este livro é o equivalente cristão do texto com o qual o pagão Plutarco, quase 20 séculos atrás, havia intuído o fim já próximo do paganismo, testemunhando-o na célebre página do De defectu oraculorum (O declínio dos oráculos): "Assim que se chegou a Palodes, reinou uma grande paz de ventos e de ondas; Tamos, da popa, com o olhar voltado para a margem, exclamou, como ouvira: 'Pan, o grande Pan, está morto!". O antigo texto continua observando que "ele ainda não havia fechado a boca quando um grande gemido, não de um mas de muitos, se elevou, misturado com gritos de estupor".

No século IV, quando a vitória do cristianismo monoteísta sobre o politeísmo pagão já estava conclamada, Eusébio de Cesareia interpretava esse trecho de Plutarco como símbolo do fim do paganismo, derrotado com todos os seus Deuses pelo advento de Cristo (Preparatio evangelica, v. 17 ).

Plutarco, que foi sacerdote do templo de Apolo em Delfos, anunciou a morte de Pan, e, com isso, do paganismo politeísta; Parazzoli, que não é um sacerdote, mas muitas vezes, nestas páginas, compara o escritor ao sacerdos, e a escritura à obra litúrgica escrevendo-a em maiúsculo, Obra, anuncia a morte do Deus único e, com isso, do cristianismo monoteísta.

Pode-se, portanto, tratar de uma ressurreição de Pan? Este livro seria talvez um sinal da incipiente vingança do paganismo panteísta? Trata-se de uma pergunta à qual só o tempo dará uma resposta.

O que é certo é que o que levou Plutarco a anunciar a morte de Pan, ou seja, o desaparecimento dos oráculos e da voz dos Deuses, é o mesmo elemento que hoje leva Parazzoli a anunciar o desaparecimento do Deus da tradição cristã. O defectus hodierno concerne à falta de uma voz divina qualquer que responda hoje às exigências de verdade e de justiça que surgem no coração humano, no sentido de que o Deus único (pessoal, onipotente, providente, juiz, criador e senhor, sem cuja vontade direta ou indireta nenhuma folha se move, que vendo o mal pode impedi-lo, mas o permite por um bem maior), esse Deus aí não sabe mais honrar com o seu silêncio a exigência de verdade e de justiça da alma humana.

O paganismo panteísta de Parazzoli tem os seus conselhos existenciais e espirituais a oferecer. Por exemplo, como quando se aproxima ao epicurismo, remetendo-se a Horácio: "Eu vivi, diz Horácio, e é simplesmente isso que me faz feliz, mas, para dizer 'eu vivi', é preciso ter a plena consciência do viver, uma felicidade submissa mas constante, semelhante a si mesma como a respiração e, como a respiração, pronta para se interromper. Uma saudação, e adeus".

Ou como quando se aproxima do estoicismo, com palavras das quais surgem a mesma nobre filosofia de vida de Sêneca, Epiteto, Marco Aurélio e, nos nossos dias, de Pierre Hadot: "Se a vida tem um sentido e a felicidade está na consciência de viver, é preciso uma meta para a qual navegar, gratos na fortuna, firmes nas adversidades. Então, a embaraçosa e às vezes frívola 'felicidade' se mudará na mais humana e sólida 'fortaleza', estado de vida subtraído ao capricho do destino e confiado ao exercício da vontade".

Ou como quando representa a espiritualidade do naufrágio que foi a proposta espiritual do grande Karl Jaspers: "O verdadeiro navegante sabe que, apontando para as certezas com as quais se alimentou, se quebrará miseravelmente. Por isso, abandonando-as, colocará a proa ao largo, buscando a salvação justamente na tempestade, fugindo das falsas certezas oferecidas pela terra, enfrentando o risco do mar aberto".

Ou como quando atinge a serenidade do Buda com palavras atribuídas, contudo, a Jesus: "Façam silêncio uma vez e escutem a paz. Tirem-na para fora, vocês têm a paz escondida dentro de vocês: terão um novo mundo, sem mais parábolas hiperbólicas, à medida do seu coração".

Alguns podem ver nisso uma incoerência, até um pouco de confusão. Mas Parazzoli não se interessa pela coerência do sistema; ou, melhor, tenho certeza de que ele subscreve plenamente as seguintes palavras de Nietzsche: "Eu desconfio de todos os sistemáticos e os evito. A vontade de sistema é uma falta de honestidade". A alguém que teoriza a dissolução do Deus único, a pluralidade e também uma certa dissonância dos caminhos propostos não podem ser desagradáveis; nesse caso, são justamente aquilo que se está procurando. (...)

Ferruccio Parazzoli quis investigar o pano de fundo escuro, "descobrir o ponto escuro do mundo no qual sentar a minha alavanca para virá-lo do avesso", como se lê no Discorso di Gesù morto. Nessas páginas, ele fez isso de forma ensaística, embora não desprovida de invenções narrativas, depois que, nos seus inúmeros romances, dentre os quais desejo lembrar Nessuno muore (Ed. Mondadori, 2001) e Il mondo è rappresentazione (Ed. Mondadori, 2011), ele o fez de forma narrativa.

Mas a investigação é única, assim como é única a vida. E a investigação, no fim, o levou a abraçar o panteísmo. Este livro se apresenta, portanto, como o honesto documento de um homem que foi católico por toda a vida e, portanto, naturalmente teísta, e que agora não é mais teísta, mas sim panteísta. Isso implica que ele deve deixar de ser ou de se considerar católico? Não necessariamente; ele poderia muito bem confluir no número diariamente crescente daqueles que inauguram novos modos de estar no mundo como católicos, daqueles que não podem nem querem se livrar de uma formação católica enraizada, mas, por outro lado, não podem nem querem mais silenciar uma consciência crítica que impede de continuar crendo em uma série de afirmações teológicas infundadas propostas ainda hoje pela hierarquia.

Nesse sentido, Parazzoli se coloca, a seu modo, dentro daquele fenômeno cada vez mais consistente dentro do catolicismo que o filósofo Pietro Prini, ele também católico, denominou de "cisma submerso", e que talvez seja só a ponta do iceberg.


Fonte: IHU Online

As Cientistas Sociais




Fonte: Blog Ciência Social Ceará

Perfeito retrato do brasileiro hipócrita e acéfalo!




Fonte: Blog Tudo em cima

Conheça sua Carne



ALCATRA
Está localizado a parte traseira do boi junto ao dorso, sendo um dos cortes mais nobres e saborosos para churrasco. A chamada alcatra inteira compreende a picanha, a maminha e o miolo da alcatra (de onde vem o baby beef. A parte de dentro, chamada coração da alcatra, é um excelente pedaço para churrasco. A alcatra deve ser de preferência preparada na grelha e assa rapidamente, ficando pronta em 15 a 20 minutos. Se for utilizar o espeto, corte a alcatra em fatias de 8 a 10 cm. de comprimento ou então em pequenos cubos. Evite cortes finos, porque a carne resseca com facilidade.

PICANHA
Unanimidade nacional, a picanha é um corte tradicional de churrasco. É facilmente reconhecível por seu formato triangular e capa de gordura que a cobre por inteiro,e que não deve ser retirada para assar pois alterará seu sabor e suculência. A picanha é uma carne que varia entre 1kg e 1,5kg. Preste atenção se alguém tentar lhe vender uma picanha que tenha mais de 1,5 kg: peças maiores incluem um pedaço de coxão duro. Se a parte de baixo ainda estiver com ´nervura´ ou ´pele´ prateada, retire-a antes de salgar e levar a carne ao fogo. Para assar a picanha em um espeto, corte em fatias grossas, com cerca de quatro dedos de distância entre os cortes. Para preparar picanha na grelha, corte-a em pedaços grossos, para deixá-la mal passada em seu interior, pois a picanha endurece um pouco se passar do ponto certo. Deve ser servida ao ponto ou mal passada.

MAMINHA
Também conhecida como a ponta da alcatra ou colita del cuadril. É uma carne saborosa e suculenta. Deve ser preparada de preferência em espeto, para que seja fatiada aos poucos em fatias finas. Limpe-a bem antes de assar, e tempere-a apenas com sal grosso. Na grelha, também fica saborosa. Deve ser servida entre mal passada até ao ponto, pois se ficar muito passada o sabor pode se alterar.

CONTRAFILÉ
Também conhecido como filé curto ou lombo desossado, ou bife de chorizo (Argentina e Uruguai). É macio, tem sabor acentuado e muito suco. Deve ser servido mal passado, no máximo, ao ponto, em bifes grossos ou então fatiado e servido picado.

FILÉ MIGNON
Considerado por muitos o mais nobre dos cortes, caracteriza-se pela maciez e sabor adocicado. Não é das carnes mais procuradas para churrasco, mas pode dar excelente resultado quando preparado na grelha (sempre em pedaços grandes ou inteiro). Também pode entrar como ingrediente do \"xixo\" ou \"espetinho\", com outro tipo de carne como frango ou carne suína, lingüiça, bacon, cebola, pimentão, etc.

COSTELA
Em duas versões: costela minga ou costela ponta de agulha e costela ripa. A minga sai da parte inferior da caixa torácica, formada por ossos mais finos e muitas cartilagens, e é mais entremeada de gorduras e carnes. O ideal é comprá-la em casas especializadas em churrasco, para que esteja cortada no tamanho certo e bem limpa. A costela ripa é aquela parte de cima do boi junto ao dorso. Tem ossos maiores e mais largos e a carne um pouco mais seca. As duas devem ir às brasas com o lado do osso virado para baixo. Só depois de bem assadas, devem ser viradas. Deve ser servida ao ponto. No Uruguai e na Argentina, recebe o nome de asado de tira e é cortada bem fina, em porções com cerca de 5 cm. de osso.

FRALDINHA OU VAZIO
É a ponta com carne da costela minga ou ponta de agulha. Escolha sempre fraldinhas grandes e com gordura, o que indica que ela provém de um animal de boa qualidade. A gordura deve ser retirada na hora de servir. Teste sempre durante o assado, pois ela pode estar muito crua em um momento e logo passar do ponto, ficando seca. Seu modo de preparo é simples mas deve ser cuidadoso: basta espetar a carne no espeto com parte maior para o lado de dentro (do espeto) e a porção mais fina em direção à ponta do espeto. Coloque bastante sal grosso e asse na churrasqueira em altura média. Para servir, bata na carne com as costas de uma faca, para eliminar o excesso de sal grosso, e corte-a em fatias. Se for levar de volta o fogo, espalhe um pouco de sal refinado. É muito saborosa, sendo considerada uma das melhores carnes para churrasco, devendo ser cortada em pedaços grossos.

GRANITO / PEITO
É carne do peito e vem com osso e bastante gordura. Deve ser assado com bastante calor e por muito tempo. Na hora de servir, deve-se retirar a gordura, em geral de cor amarelada.

CHULETA OU BISTECA
Parente nacional do corte americano conhecido como T-bone steak e do entrecôte francês. É muito saborosa e entremeada de gordura. Fica excelente cortada em pedaços com cerca de dois dedos de espessura e temperada apenas com sal grosso, e colocada na grelha a 20-25 cm. de altura do braseiro por cerca de 15 a 20 minutos. Para saber o momento exato de virar a carne na grelha, espere até que o suco da carne ´brote´ na superfície, o que ocorre em aproximadamente 7 a 10 minutos. Este é o momento de pegá-la com uma pinça comprida e virá-la.

CUPIM
O cupim é o conjunto de fibras musculares, entremeadas de gordura, situadas logo atrás do pescoço de bovinos de raça ou cruza zebuína. Tem sabor característico e paladar agradável, devendo sempre ser cozida lentamente. Muito utilizada em churrascos, pode ser assada enrolada em várias camadas de celofane especial para culinária que distribui o calor uniformemente e promove o cozimento da carne em seu próprio suco.


Fonte: Blog Saída pela Direita

Bispo da Igreja Anglicana Edward Robinson Cavalcanti e esposa são mortos a facada por filho



O bispo diocesano da Igreja Anglicana, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Dom Edward Robinson Cavalcanti, de 64 anos, e a esposa dele, a professora aposentada Mirian Nunes Machado Cotias Cavalcanti, também de 64 anos, foram assassinados na casa da família, na Rua Barão de São Borja, número 305, em Jardim Fragoso, Olinda, na noite do último domingo (26).

De acordo com a policia, o autor do crime é o filho adotivo do casal Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, de 29 anos. O rapaz morava nos Estados Unidos desde os 16 anos de idade e teria voltado ao Brasil há cerca de 15 dias depois de ter sido preso no país estrangeiro várias vezes por envolvimento com drogas e outros delitos.

Segundo o reverendo Hermany Soares, amigo da família, quando Eduardo chegou ao Brasil, ele foi buscá-lo no aeroporto e ainda no desembarque teria perguntado onde poderia comprar uma arma.

Ontem pela manhã, o rapaz saiu de casa, foi beber na praia e voltou à tarde. À noite, foi visto amolando uma faca na frente do portão de casa. Por volta das 22 horas, Eduardo começou a discutir com o pai, pegou a faca e golpeou o idoso. A mãe foi defender o marido e também foi esfaqueada.

O bispo Robison morreu no quarto. A mãe ainda foi levada para o Hospital Tricentenário, em Olinda, com uma facada no peito esquerdo, mas já chegou morta. Após o crime, Eduardo tentou cometer suicídio ingerindo uma substância ainda não identificada e desferindo vários golpes de faca no próprio peito. Ele foi levado para o Hospital da Restauração (HR) por uma viatura da Polícia Militar. Eduardo estava passando por um processo de deportação.

Segundo informações de parentes, o bispo Robinson foi o coordenador regional da primeira campanha do ex-presidente Lula para presidente da República, que, inclusive, o teria visitado em casa depois de eleito. O bispo também foi candidato à deputado federal e proferiu palestras na Organizações das Nações Unidas.


Fonte: Diário de Pernambuco com informações da TV Clube/ Blog Libertos do Opressor

domingo, 26 de fevereiro de 2012

É POSSÍVEL SABER SE DEUS EXISTE?: DEBATE ENTRE 6 INTELECTUAIS



Realizado na Universidade Francisco de Vitoria, de Madri

MADRI, terça-feira, 11 de novembro de 2008 (ZENIT.org).

«É possível saber se Deus existe?».


A esta pergunta responderam 6 professores universitários e intelectuais espanhóis, em um debate organizado pela Universidade Francisco de Vitoria, de Madri.

Quem respondeu favoravelmente à pergunta (os crentes) foram Pablo Domínguez, decano da Faculdade de Teologia de San Dámaso; Salvador Antuñano, professor da Universidade Francisco de Vitoria; e Víctor Tirado, professor da faculdade de Teologia de San Dámaso.

A resposta negativa foi oferecida por Gabriel Albiac, catedrático de filosofia na Universidade Complutense; Diego Carcedo, jornalista e escritor; e Javier Alberdi, matemático e filósofo.

O debate foi organizado em 5 de novembro pelo Instituto John Henry Newman, dessa Universidade.

A favor

1)- «Só há um modo válido de responder positivamente a esta questão que se propõe: sabendo que Deus existe. E isto já implica uma vantagem existencial e epistemológica para nossa equipe sobre a outra», afirmou Antuñano, quebrando o gelo da discussão.

2)- «Pois bem – prosseguiu –, quando alguém diz: ‘Eu sei que Deus existe’, é evidente que não o diz como quem vê as cores das coisas ou como quem fez uma soma ou uma dedução lógica. A pessoa o diz como quem conhece as coisas em um nível existencial e, também, em uma relação que tem a ver de alguma forma com a amizade, a filiação, o amor. Ela o sabe por experiência.»
3)- Para dar razões destes enunciados, o professor Antuñano expôs que o conhecimento de Deus tem um forte caráter subjetivo, porque nesse conhecimento está implicada a própria pessoa, mas que isso não significa que se confunda esta crença com uma autogestão por parte do sujeito, uma projeção interna de suas próprias idéias e desejos que termina gerando a ilusão fictícia de um ser imaginário chamado Deus.

4)- «Por isso – acrescentou –, saber que Deus existe tem também um caráter objetivo: há uma alteridade real nesse conhecimento. Nem tudo o que um homem pode projetar coincide necessariamente com o que Deus é, ou como descobre que Deus é. Mais ainda, há vezes que o que se projeta é exatamente contrário do que descobre quando sabe que Deus existe. Uma pura invenção minha não pode na realidade deixar-me satisfeito, o auto-engano dura pouco e gera frustração, tristeza e até violência.»


5)- O professor concluiu dizendo que este conhecer Deus é evidentemente muito mais que um mero conhecimento empírico, muito mais que o conhecimento matemático, lógico ou científico e certamente é muito mais que uma opinião: é o conhecimento certo e convencido de alguém a quem se ama porque se sentiu sua carícia de amor na própria vida.

Após esta intervenção, Víctor Tirado convidou os presentes a seguirem a pergunta do debate até o fundo e analisar o que há detrás do termo Deus ?

6)- Assim, afirmou que ainda que haja muitos caminhos para assinalar a existência de Deus, ele só apontaria um: «O homem é um paradoxo e isso se pode comprovar na própria consciência. Todos nós temos o dilema entre o que somos e o que gostaríamos de ser. O Bem não se vem daquilo que desejaríamos que fosse, é uma idéia de Bem transcendente, e disso todos temos experiência».

7)- Nessa linha seguiu Pablo Domínguez, o último a intervir da mesa dos crentes, que afirmou que no mundo da crença também havia vestígios de crença, também havia estupor pela perfeição do universo e também se elevava o olhar para encontrar a origem de tanta harmonia. Foi o único, junto a Javier Alberdi, que expôs sua experiência no debate.

8)- Assim, concluiu que a vivência de quem se encontrou com Deus não é meramente sentimental, mas racional; e que está convencimento de que é muito mais o que desconhecemos de Deus que o que sabemos, e que isso só é possível porque Deus se deu a conhecer.


Contra :

1)- Gabriel Albiac, antes de tudo, esclareceu que não se pode demonstrar a não-existência de algo, e que a comprovação vem sempre por parte de quem afirma a existência: «Toda afirmação é falsa enquanto não se demonstre o contrário».

2)- Nesta diretriz, declarou que ele era ateu, não no sentido de esforçar-se em demonstrar a não-existência de Deus, mas no convencimento de que todo enunciado que contenha a palavra Deus pertence à crença, da mesma forma que qualquer termo que contenha um valor do Absoluto. Depois apresentou uma explicação erudita sobre o conceito do Ser na poesia de Parmênides.



3)- Por sua parte, Javier Alberdi expôs sua experiência. Narrou como um dia, sendo estudante do 2º ano de Teologia, percebeu que Deus tinha começado a fazer parte daquele desconhecido, e como Jesus havia se despojado de toda posição divina para ele. Ele voltou a sentir essa mesma vivência na morte de seu pai. Desde então se esforça por aceitar a vida como ela é, como o valor máximo, sabendo que morrerá e não haverá mais nada.

Problema ontológico e experiência testemunhal :


Após a primeira parte do debate, Víctor Tirado desafiou Gabriel Albiac a não reduzir um problema ontológico, como o de Deus, a um nominal:

«O conhecimento é experiência, intuição do real. Como é possível que haja ser? É preciso ir a Deus a partir do mundo, a partir do que somos».

A isso Albiac respondeu a partir da interpretação do texto grego do filósofo Parmênides. Esta opção tornou mais difícil a contra-réplica, já que o debate se centrou em um termo lingüístico do qual parecia difícil sair para ter uma verdadeira comunicação.


Assim, Pablo Domínguez apontou outra linha mais testemunhal: «Prévia à experiência intelectual – manifestou – houve outra experiência não contraditória com esta que é existencial, e isso é a Graça. A Graça é uma forma de conhecimento. O mundo está cheio de coisas que não podemos tocar nem medir. A unidade da qual falamos é o vestígio do saber acerca de Deus. Essa unidade que busco fora, encontro entre a Graça que recebi e a razão que busca».


Desta forma, afirmou: «Se sei que existe Deus, vejo a vida de uma maneira. Se não sei, vejo o mundo de outra, e o certo é que são duas formas de ver a vida que me obrigam a situar-me. As conseqüências de ambas são tão grandes que não pode ser que este problema me deixe indiferente».


No momento das perguntas abertas ao público houve várias observações e temas comuns. Entre as preocupações comuns se expressou a possibilidade ou impossibilidade de conhecer a realidade, assim como o tema do sofrimento e a necessidade de encontrar seu sentido.


Um dos participantes também teve a oportunidade de expor sua experiência com relação à pergunta do debate, e que outro perguntasse sobre a via da oração como caminho fiável para encontrar a realidade de Deus.

Diante isso, Pablo Domínguez concluiu:

«A oração é escutar. Nessa contemplação se descobre que Deus fala, e que quando Ele fala é entendido. Só posso dizer que eu experimentei isso, que é real, que não lhes engano, que não estou fazendo nenhum tipo de metáfora, que não quero conduzi-los à minha crença, que não ganho nada, que o digo porque o vivo. E porque o vivo, eu o digo».


O Instituto Newman é um departamento da Universidade Francisco de Vitoria que pretende pôr a fé em contato com a razão, a ciência a religião.


Mais informação em: www.elsentidobuscaalhombre.com



FONTE:Zenit/ Blog Beraká

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O crescimento da cristofobia



Jornal do Brasil
Ives Gandra Martins



Ayaan Hirsi Ali publicou na revista Newsweek, de 13 de fevereiro passado, artigo fartamente documentado sobre a guerra que os países islâmicos estão desencadeando contra os cristãos, atingindo sua liberdade de consciência, proibindo-os de manifestarem sua fé e assassinando quem a professa individualmente ou mediante atentados a Igrejas ou locais onde se reúnam.

Lembra que ao menos 24 cristãos foram mortos pelo exército egípcio, em 9 de outubro de 2011; que, no Cairo, no dia 5 de março do mesmo ano, uma igreja foi incendiada, com inúmeros mortos; que, na Nigéria, no dia de Natal de 2011, dezenas de cristãos foram assassinados ou feridos, e que no Paquistão, na Índia e em outros países de minoria cristã a perseguição contra os que acreditam em Cristo tem crescido consideravelmente. Declara a autora que “os ataques terroristas contra cristãos na África, Oriente próximo e Ásia cresceram 309% de 2003 a 2010”. E conclui seu artigo afirmando que, no Ocidente, “em vez de criarem-se histórias fantasiosas sobre uma pretensa “islamofobia”, deveriam tomar uma posição real contra a “Cristofobia”, que principia a se infestar no mundo islâmico. “Tolerância é para todos, exceto para os intolerantes”.

Entre as sugestões que apresenta, está o Ocidente condicionar seu auxílio humanitário, social e econômico a que a tolerância para com os que professam a fé cristã seja também respeitada, como se respeita, na maioria dos países ocidentais a fé islâmica.

Entendo ser o Brasil, neste particular, um país modelo. Respeitamos todos os credos, inclusive aqueles que negam todos os credos, pois a liberdade de expressão é cláusula pétrea na nossa Constituição.



Ocorre, todavia, que as notícias sobre esta “Cristofobia islâmica” são desconhecidas no país, com notas reduzidas sobre atentados contra os cristãos, nos principais jornais que aqui circulam. Um homossexual agredido é manchete de qualquer jornal brasileiro. Já a morte de dezenas de cristãos, em virtude de atos de violência planejados, como expressão de anticristianismo, é solenemente ignorada pela imprensa.

Quando da Hégira, em 622, Maomé lançou o movimento islâmico, que levou à invasão da Europa em 711 com a intenção de eliminar todos os infiéis ao profeta de Alá. Até sua expulsão de Granada — creio que em 1492 — os mulçumanos europeus foram se adaptando à convivência com os cristãos, sendo que a filosofia árabe e católica dos séculos 12 e 13 convergiram, fascinantemente. Filósofos de expressão, como Santo Tomas de Aquino, Bernardo de Claraval, Abelardo, Avicena, Averróes, Alfa-rabi, demonstraram a possibilidade de convivência entre credos e culturas diferentes.

Infelizmente, aquilo que se considerava ultrapassado reaparece em atos terroristas, que não dignificam a natureza humana e separam os homens, que deveriam unir-se na busca de um mundo melhor. Creio que a solução apresentada por Ayaan Hirsi Ali é a melhor forma de combater preconceitos, perseguições e atentados terroristas, ou seja, condicionar ajuda, até mesmo humanitária, ao respeito a todos os credos religiosos (ou à falta deles), como forma de convivência pacífica entre os homens. É a melhor forma de não se incubarem ovos de serpentes, prodigalizando auxílios que possam se voltar contra os benfeitores.

Ives Gandra da Silva Martins é jurista.


Fonte: Genizah

A 3 guerra mundial terá seu início ao Vivo



O esquema acima segue um princípio da Filosofia Indiana sobre relações externas. Porém, como não se tem informações suficientes, fica difícil determinar o papel específico de ator nessa nova guerra com data marcada para começar.

No centro do burrice humana tem dois atores. Fora dele, no extremos, encontram-se 4 "diretores" dessa cena que irá ter como palco o oriente médio.

O USA está em desespero para manter-se como país hegemônico do mundo. Porém, por problemas internos e por ascensão da China, a coisa para os próximos 30 anos tá feia.

A China não tem interesse que os USA quebre, pois se isso acontecer hoje, é provável que ela vá junto. Mas a China tem interesse em ultrapassar os USA, e isso se dará no modelo zumbi, isto é, é preciso matar a alma do USA sem eliminar seu corpo, pois ele serve de morada para os interesses do Poder Chinês. Isso é uma novidade na guerra, aliás, já experimentado com a doutrina Machal ou "plano Marchal". (Alemana e Japão/coreia do sul)

A Rússia é a trambiqueira do mudo. Ela tem interesse direto nesse cenário. Aliada do Irã na medida em que ele serve a Ela(Federação Rússia). Mantendo o cenário ruim do jeito que tá ou pior, a Rússia continua a ser a única fornecedora de Gás para a Europa, ótimo para os bandidos russos, travestidos de Estado.

A U.E. é a figura que tem que correr para tirar proveito, se não tá fora do jogo. França e Inglaterra são esse tipo de animal que fica sorvendo os restos de outro animal. Os dois atores da U.E. são aqueles que estão correndo atrás daquilo que perderam desde a 2Grande Guerra. É bom lembrarmos que a Inglaterra minou o império Otomano e ficou com muita coisa. A França procurou pegar algumas partes.... O resto da europa é o resto.


Nos dois círculos centrais estão todos os atores que irão participar da "Grande Burrice". Israel é um posto militar avançado dos USA, travestido de Estado. O Irã é a vítima da vez.

Pinta-se o Irã como sendo a besta. Os meios de comunicação contribui diariamente para termos horrores do Irã. E nós que nos achamos modernos(melhores) dos que as histórias da corochinha da Idade Média.

Essa mesma mídia nunca se reporta aos aliados dos USA como sendo bestiais. Os atores do 11 de setembro eram quase todos, a grande maioria, da Arábia "Saudita"(pois se trata de ser uma propriedade da família Saudita). Porém o Afeganistão foi atacado. Como assim, enfim, lá tinhas os feios e barbudos dos........

Os dois atores central desse filme de comédia são Israel e Irá. (o conceito filosófico das artes cênicas se dividem entre comédia, aquele drama que tem o fim desejado, a tragédia, que tem um fim ao qual o ser humano não deseja, mas sempre terá que enfrentar.)

No entorno dessa palco, estarão vários países. O posicionamento de cada um dependerá da interferência dos "diretores".

Por exemplo, se tomarmos a Armênia, Turquia, Georgia e Azerbaijão temos um imbricado jogo de interesse. A Georgia já sofreu recentemente um massacre russo. A Rússia impôs que duas províncias da Georgia se tornasse independentes. Abikassia e a Ossétia do Sul. Tudo isso pelo fato da Georgia ser um entreposto dos USA e atrapalhar os interesses da Russia com a Armênia. Por sua vez, a Armênia tem lá seus problemas com a Turquia e teve que fazer aliança histórica com a URSS e agora com a Rússia. A Armênia sem a aliança com a Rússia certamente será atacada pela Turquia.

Outros conflitos da região terão cunho étnico. Será regiões de cultura turca contra persa, e assim vai.

Indiferente ao inferno que milhares irão viver, os três grandes diretos estão preocupados em pegar o restante da energia que existe na região.

Sendo otimista, os efeitos desse teatro terá repercussão para fora do palco. Digamos que alguns da platéia do teatro poderão querer aproveitar a euforia e começar a atuar também.

Temos várias possibilidades, que vão do Tibet e China, Corei do Norte e Sul até a Argentina e Inglaterra. No caso mais próximo ao Brasil, vale notar alguns movimentos. Recentemente a Inglaterra enviou o Príncipe Herdeiro para as Ilhas Malvinas. Junto, segundo o governo Argentino, um submarino nuclear. Enfim, parece ser certo que se a coisa desandar no oriente médio a Argentina não irá perder a oportunidade.

Tudo isso parece ficção ou coisa desses aloprados que ficam falando do fim do mundo. Porém, tem muito evidências rolando. É só fazer a ligação.


Enfim, para finalizar, certamente o início desse espetáculo mórbido será televisionado. Como foi a "guerra" do Iraque. Aliás, será "tuitada" e "faceibucada". O problema será depois do primeiro intervalo. Ninguém sabe se o resto irá passar na televisão.

AMF


Fonte: Academia Maçônica de Filosofia