sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Nesta guerra, a derrota será do mundo.

Sanguessugado do Olhar o Mundo

Não sei se os falcões americanos e israelenses, que querem atacar o Irã a todo custo, tem ideia do preço que o mundo iria pagar por ela.

Qualquer analista sabe que um bombardeio de sítios nucleares iranianos irá resultar numa guerra cujos litigantes não serão apenas Irã e Israel.

Seu primeiro efeito será fortalecer o apoio da população do Irã ao governo, mesmo daqueles que se opõem ao regime dos aiatolás, conforme estudo da Rand Corporation, em 2011.

Depois do ataque israelense e da inevitável retaliação iraniana, os EUA, mesmo muito a contra gosto terão de juntar-se a Israel. Obama, em tempo de eleições, não terá coragem de enfrentar a barragem do “partido da guerra” e arriscar-se a perder o apoio financeiro e os votos dos judeus americanos e dos fundamentalistas cristãos.

O Irã não tem meios para atingir o território dos Estados Unidos, mas pode, e prometeu, atacar não só o estado de Israel como também objetivos americanos, seus navios e suas bases na Arábia Saudita e no Bahrein.

A Síria, aliada do Irã, não vai estar em condições de lutar com ninguém.

Mas o Hisbolá, no Libano, tem muitos mísseis modernos armazenados à espera de um conflito com Telaviv. Quando eles forem lançados, Israel vai, como sempre, punir o Líbano, jogando assim mais um país na guerra.

O Hamas não tem grande poderio bélico, apenas o suficiente para obrigar Israel a deslocar tropas para para fazer frente a ele em Gaza e na Cisjordânia.

O Paquistão tem um acordo com o Irã de ajuda-lo caso ele seja atacado. Pode ser que o presidente Zardari, que é pró-americano, tente omitir-se, mas os generais do país, indignados com o assassinato em novembro de seus soldados pela aviação dos EUA, provavelmente vão obrigar seu país a cumprir seus compromissos com o Irã.

E a China? Ficará só olhando? Talvez não, afinal seus vínculos com o Paquistão são estreitos. Se, com a generalização da guerra, seus aliados de Islamabad forem atacados, os chineses não devem ficar de braços cruzados.

A essas alturas, o Oriente Médio estará em chamas. Milhares de pessoas morrerão especialmente no Irã e em Israel. Cidades serão pesadamente danificadas.

Mas haverá mais danos.

Os experts dizem que um ataque aéreo não destruirá o programa militar nuclear do Irã, no caso de existir. Apenas o retardará. Prevê-se que o efeito seja exatamente o oposto.

Se as acusações israelenses forem verdadeiras, o Irã investirá tudo para apressar o programa. Se forem falsas, aí os iranianos terão bons motivos para , sem demora, iniciarem um programa nuclear militar a toda velocidade. São afirmações de Jon Alterman, diretor do programa do Oriente Médio no Centro de Washington para Estudos Estratégicos.

Outra grave consequência da guerra vem do petróleo.

O Irá poderá fechar, tentar fechar ou minar o estreito de Ormuz que é vital para o suprimento do Ocidente. Poderá também atacar os campos de petróleo da Arábia Saudita e navios petrolíferos no Golfo Pérsico.

Qualquer destas hipóteses vai causar aumentos pra lá de elevados nos preços do petróleo.

Quem sofrerá mais serão as nações europeias que passam por momentos mais difíceis: Grécia, Espanha, Itália, Portugal e Irlanda.

Não somente elas, toda a Comunidade será gravemente prejudicada.

Outros países, por enquanto em situação menos delicada, passarão a ser problema.

A Alemanha não terá como atender às necessidades financeiras de todos eles. A recessão dificilmente será evitada.

Muitos países poderão ir à falência, até sair da Comunidade Europeia.

Não será de estranhar se não surgirem as primeiras divergências sérias entre os europeus e os EUA, como participantes dos ataques israelenses e, portanto, co-responsáveis pelos danos causados pela guerra.

A grande elevação do preço do petróleo e a crise, e mesmo a possível recessão da Europa terão um efeito destrutivo nas economias dos países que dependem das suas exportações para o Velho Continente.

Além das possíveis perdas de soldados e dos imensos gastos envolvidos numa guerra, os aumentos dos preços do petróleo vão repercutir nos EUA, abalando sua incipiente recuperação.

E no plano externo, mesmo que os iranianos se rendam, os americanos sairão perdendo. Sua imagem do Oriente Médio, que já não é boa, ficará péssima.

E não só nos estados árabes e no Paquistão, também na Turquia, que não deve entrar na guerra, mas, além de ter boas relações com Teerã, ainda depende da importação do petróleo iraniano.

Na Síria e na Líbia, onde o apoio americano aos rebeldes estava melhorando sua imagem, ela irá por água abaixo, pois árabe algum aceitará sua aliança com Israel contra as nações islâmicas.

Em janeiro, Zibignew Brzezinski, Assessor de Segurança Nacional no governo Clinton, declarou em entrevista :”Um ataque seria um desastre maior para nós do que para Israel, em curto prazo, e um desastre fundamental para Israel, no longo prazo”.

De fato, com essa guerra, o ódio a Israel se espalhará por todo o Oriente Médio, arregimentando jovens árabes para os movimentos terroristas numa proporção nunca vista.

Mais: o governo de Telaviv perderá a boa vontade dos principais países europeus– Alemanha, Reino Unido e França- que há poucos meses negaram ou se opuseram à reivindicação dos palestinos pela independência. Eles não o perdoarão por uma guerra que consideram errada, responsável por danos pesados à economia dos seus países. Pior: a imagem israelense na opinião pública mundial cairá a níveis baixíssimos.

A diplomacia israelense vem procurando provar que o programa militar nuclear do Irã ameaça, não só Israel, mas também todo o Ocidente.

Seu êxito é relativo.

De fato, para americanos e europeus, quanto mais potências nucleares, maiores ameaças de uma guerra sem paralelo.

O governo iraniano, por suas declarações agressivas, causa preocupações no Ocidente de que venha a fazer uso irrefletido da bomba, caso a possua. Esse argumento é de validade discutível, pois o atual governo de Israel também não se distingue pela moderação. E mais: tem faltado a compromissos assumidos e desrespeitado um sem número de decisões da ONU. Estranho ainda que nem europeus nem americanos demonstrem receio da Coreia do Norte nuclear. Serão seus dirigentes mais confiáveis do que os do Irã?

No entanto, por enquanto, só se sabe com segurança é que Israel possui de 200 a 300 engenhos nucleares. Já quanto ao Irã, não há nenhuma evidência concreta da existência de um programa nuclear com objetivos bélicos.

Por via das dúvidas, os estadistas do Ocidente exigem provas do caráter civil do programa iraniano. De acordo com as informações de que dispõem, o Irã estaria ainda longe de poder produzir uma bomba nuclear.

De outro lado, tanto nos EUA, quanto na Europa e mesmo em Israel, vozes esclarecidas consideram um ataque uma ideia devastadora para o mundo.

Segundo um membro graduado da Inteligência britânica, o Ocidente teria dois objetivos: ”Evitar a bomba iraniana e evitar que o Irã seja bombardeado.”

Tudo por uma questão de sobrevivência.


Fonte: Blog do Gilson Sampaio

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