Ricardo Gondim se tornou um estranho no ninhoO pastor Ricardo Gondim (foto), 54, anunciou em seu blog que está se afastando do que ele chama de “movimento evangélico” para não ter de compactuar com a intolerância e com a transformação dos cristãos em consumidores.
Em um texto com o título “Tempo de Partir”, indagou: “Por que uma ruptura radical?” Ele respondeu que está preservando a sua “alma da intolerância”. “O movimento evangélico nacional se apequenou.”
“Vejo-me incapaz de tolerar que o Evangelho se transforme em negócio e o nome de Deus vire marca que vende bem”, escreveu. “Não posso aceitar, passivamente, que tentem converter os cristãos em consumidores e a igreja, em balcão de serviços religiosos.”
Gondim afirmou que não abandonará a sua vocação de pastor, mas ainda não sabe que rumo vai tomar. “Mas estou certo dos caminhos por onde não devo seguir.”
Ele disse que a sua fé está marcada por rompimentos. Foi batizado na Igreja Católica, passou pelo presbiteriano, pertenceu à Assembleia de Deus e ultimamente estava na Igreja Betesda, onde virou “um estorvo”.
Gondim começou a se tornar um “estranho no ninho” quando, no começo de 2011, escreveu o artigo “Deus me livre de um Brasil evangélico”, onde destaca que o puritanismo religioso importado dos Estados Unidos, caso continue se expandindo, causará uma devastação na cultura brasileira, entre outros danos.
O pastor criou nova polêmica entre seus pares quando defendeu a união entre homossexuais. E também quando escreveu que Deus não está no controle de tudo, porque, se estiver, Ele pode ser apontado como o responsável também pelas mazelas da humanidade.
Mais recentemente ele disse, em uma entrevista na TV, que os ateus têm de ser ouvidos e respeitados. Já antes dessa entrevista chegou ser chamado de "pastor herege".
Gondim escreveu qual foi o resultado desses seus posicionamentos: “Senti na carne a intolerância e como o ódio está atrelado ao conformismo teológico”.
O pastor contou em seu artigo de agora que vivenciou algumas falcatruas cometidas por cúpulas de igrejas, como o aliciamento em eleição de pastores. Em outro caso, disse que participou de “cruzadas evangelísticas” cujo objetivo foi tão somente filmar multidão para exibi-la nos Estados Unidos com a finalidade de arrecadar dinheiro.
Seguem trechos do artigo do pastor.
- "Sou testemunha ocular de pastores que depois de orar por gente sofrida e miserável debocharam delas, às gargalhadas."
- "Não consigo admirar a enorme maioria dos formadores de opinião do movimento evangélico (principalmente os que se valem da mídia). Conheço muitos de fora dos palcos e dos púlpitos. Sei de histórias horrorosas, presenciei fatos inenarráveis e testemunhei decisões execráveis."
- "As decepções não foram suficientes para azedar a minha alma, sequer fortes para roubar a minha fé."
- "Recuso-me a continuar esmurrando as pontas de facas de uma religião que se molda à Babilônia".
- "Horrorizei-me com o programa da CNN em que algumas das maiores lideranças do mundo evangélico americano apoiaram a guerra do Iraque. Naquela noite revirei na cama sem dormir."
- "Quero dialogar com as ciências sociais. Preciso variar meus ângulos de percepção. Não gosto de cabrestos. Patrulhamento e cenho franzido me irritam."
Fonte: Paulopes Weblog
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