sexta-feira, 30 de março de 2012

Maquiavel em quadrinhos

Esse e o trabalho do colega Alvaro Fernandes, dono do blog Cientista Social Nerd.


























Fonte: Blog Ciência Social Ceará

A origem da continência militar


O uso da continência entre os militares alude aos gestos criados pelos cavaleiros medievais.


Frutos de uma sociedade isolada e tementes às terríveis invasões bárbaras, os cavaleiros eram um dos mais notórios integrantes do mundo feudal. Dedicado ao uso das armas e à proteção de propriedades, o cavaleiro deveria honrar pela sua posição mostrando pronta disposição para participar de uma luta ou defender as terras de seu senhor. Mais do que a bravura e o poder bélico, esse intrigante personagem medieval também se distinguia por uma série de rituais que reafirmavam sua condição.

Segundo alguns historiadores, para assinalar suas origens, os cavaleiros se singularizavam através de símbolos, acessórios e gestos. É nesse momento que podemos sugerir uma resposta sobre a gênese das saudações militares. Na Idade Média, quando passava por membro de mesma condição, o cavaleiro costumava levantar o visor de seu elmo em sinal de respeito e amizade. Ao olhar diretamente para seu próximo, buscava reafirmar a partilha de habilidades e valores com o outro cavaleiro.

Com o passar do tempo, esse gesto foi preservado na medida em que o uso de forças militares foi ganhando maior espaço e importância. Em outros relatos, temos a descrição de outro ritual que também pode ser visto como um precursor da continência militar. Quando se apresentava para o seu superior, o cavaleiro segurava a rédea de seu cavalo com a mão esquerda e levantava a mão direita para demonstrar que estava pronto para participar de um combate.

Muito provavelmente, por conta do desconforto que a armadura do cavaleiro propiciava, esse movimento foi simplificado até se resumir ao gesto de se levar a mão à cabeça. Ao longo da formação das monarquias nacionais, entre os fins da Idade Média e o início da Idade Moderna, essas saudações foram mantidas como meio de indicar a subordinação à hierarquia militar organizada no interior dos exércitos.

Nas fileiras do Exército Britânico, por voltas do século XIX, o soldado poderia executar a continência tocando seu chapéu com a ponta dos dedos ou retirando o mesmo da cabeça. Na década de 1890, em plenas minúcias da Era Vitoriana, o governo da Inglaterra decretou que a continência fosse realizada quando um subordinado estivesse portando algum tipo de boné ou chapéu.

Atualmente, a reverência militar deve ser feita em pé com a movimentação da mão direita até a cabeça. Rompendo as fronteiras da esfera militar, a continência hoje é também utilizada por facções terroristas e grupos paramilitares, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Contudo, podemos ainda falar sobre alguns casos em que se tentou desviar dessa célebre tradição.

Aficionado pelo esplendor militar do antigo Império Romano, Adolf Hitler resolveu trocar a continência clássica pelo “Ave, César” dirigido ao imperador Júlio César. Nessa continência, o subordinado deveria erguer o braço direito em uma inclinação de quarenta e cinco graus. No caso, a saudação sonora foi devidamente substituída pelo “Heil, Hitler”, que também era ruidosamente reproduzida por vários cidadãos alemães durante os comícios do fuhrer.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


Idade Média - Guerras - Brasil Escola



Fonte: Brasil Escola Portal R7

quarta-feira, 28 de março de 2012

Desenvolvimentismo e dependência

"O que chama a atenção é que até hoje, o "desenvolvimentismo de esquerda" não tenha conseguido se refazer do golpe, nem tenha conseguido construir uma nova base teórica que possa dar um sentido de longo prazo à suas intermináveis e inconclusivas deblaterações macroeconômicas e ao seu permanente entusiasmo pelo varejo keynesiano", escreve José Luís Fiori, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, em artigo publicado no jornal Valor, 28-03-2012.

Eis o artigo.

Na década de 1960, a crise econômica e política da América Latina provocou, em todo continente, uma onda de pessimismo, com relação ao desenvolvimento capitalista das nações atrasadas. A própria Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) fez autocrítica, e colocou em dúvida a eficácia da sua estratégia de "substituição de importações", propondo uma nova agenda de "reformas estruturais" indispensáveis à retomada do crescimento econômico continental. Foi neste clima de estagnação e pessimismo que nasceram as "teorias da dependência", cujas raízes remontam ao debate do marxismo clássico, e da teoria do imperialismo, sobre a viabilidade do capitalismo nos países coloniais ou dependentes.

Marx não deu quase nenhuma atenção ao problema específico do desenvolvimento dos países atrasados, porque supunha que a simples internacionalização do "regime de produção burguês" promoveria, no longo prazo, o desenvolvimento das forças produtivas capitalistas, no mundo dominado pelas potências coloniais europeias. Mais tarde, no início do século XX, a teoria marxista do imperialismo manteve a mesma convicção de Marx, que só foi questionada radicalmente, depois do lançamento do livro do economista, Paul Baran, "A Economia Política do Desenvolvimento", em 1957. Após sua publicação, a obra de Baran se transformou em referência obrigatória do debate latino-americano dos anos 1960. Para Paul Baran, o capitalismo era heterogêneo, desigual e hierárquico, e o subdesenvolvimento era causado pelo desenvolvimento contraditório do capitalismo. Além disto, segundo Baran, o capitalismo monopolista e imperialista teria bloqueado definitivamente o caminho do nos países atrasados.

As ideias de Baran casaram como luva com o pessimismo latino-americano dos anos 1960, e suas teses se transformaram numa referencia teórica fundamental das duas principais vertentes marxistas da "escola da dependência": a teoria do "desenvolvimento do subdesenvolvimento", do economista americano Andre Gunder Frank, que exerceu pessoalmente, uma forte influência no Brasil e no Chile; e a teoria do "desenvolvimento dependente e associado", formulada por Fernando Henrique Cardoso, com o suporte intelectual de um grupo importante de professores marxistas da USP.

A tese de Frank vem diretamente de Paul Baran: segundo Frank, o imperialismo seria um bloqueio insuperável, mesmo com a intervenção do Estado, e o desenvolvimento da maioria dos países atrasados só poderia se dar por uma ruptura revolucionária e socialista. Esta tese de Frank foi sendo matizada por seus discípulos, mas ainda é a verdadeira marca acadêmica internacional da teoria da dependência. Por outro lado, a tese central de FHC já nasceu menos radical: segundo ele, o desenvolvimento capitalista das nações atrasadas seria possível mesmo quando não seguisse as previsões clássicas, mas seria quase sempre, um desenvolvimento dependente e associado a países imperialistas.

O avanço da teoria do "desenvolvimento associado" foi interrompido pelo próprio sucesso político ao se transformar no fundamento ideológico da experiência neoliberal no Brasil, sob liderança do próprio FHC. Com relação a Frank e seus discípulos, ele mesmo "imigrou", nos anos 1980, para outros temas e discussões históricas, e sua teoria do subdesenvolvimento ficou paralisada no tempo, como apenas uma lista de características especificas, estáticas e intransponíveis, da periferia capitalista. Ou quem sabe, uma espécie de teoria dos "pequenos países".

Apesar de tudo, a "escola da dependência" deixou quatro ideias seminais, que abalaram o fundamento teórico do "desenvolvimentismo de esquerda", dos anos 1950:

1) O capital, a acumulação do capital e o desenvolvimento capitalista não tem uma lógica necessária que aponte em todo lugar e de forma obrigatória para o pleno desenvolvimento da indústria e da centralização do capital.

2) A burguesia industrial não tem um "interesse estratégico" homogêneo que contenha "em si", um projeto de desenvolvimento pleno das forças produtivas "propriamente capitalistas".

3) Não basta conscientizar e civilizar a burguesia industrial e financiar a centralização do seu capital para que ela se transforme num verdadeiro "condotieri" desenvolvimentista.

4) A simples expansão quantitativa do estado não garante um desenvolvimento capitalista industrial, autônomo e autossustentado.

O que chama a atenção é que até hoje, o "desenvolvimentismo de esquerda" não tenha conseguido se refazer do golpe, nem tenha conseguido construir uma nova base teórica que possa dar um sentido de longo prazo à suas intermináveis e inconclusivas deblaterações macroeconômicas e ao seu permanente entusiasmo pelo varejo keynesiano.



Fonte: IHU Online

FHC visita Lula, para ver se melhora sua imagem, e desagrada Serra


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou nesta terça-feira (27) o também ex-presidente Lula, no Hospital Sírio-Libanês, onde ele faz sessões de fonoaudiologia (exercícios para a voz).

Há algum tempo FHC procura apagar da memória histórica boa parte do que fez de ruim em seu governo neoliberal, buscando melhorar sua imagem em fotografias como esta ao lado de Lula, e outras que já tirou ao lado de Dilma, para melhorar o acervo do Instituto FHC.

É uma espécie de versão "esqueçam como governei" no lugar da frase "esqueçam o que escrevi", atribuída a ele. Mas atitudes como ir à Venezuela fazer campanha para a oposição anti-nacionalista apoiada pelos EUA, e apoiar o candidato da extrema-direita e da Chevron à prefeitura de São Paulo, José Serra, estragam toda essa tentativa.

Lula o recebeu como uma visita pessoal, assim como já solidarizou-se com FHC quando ele perdeu Ruth Cardoso.

O encontro começou às 11h e durou cerca de 50 minutos. Nenhum dos dois divulgou o teor da conversa, dizendo que a visita foi pessoal e não política. Mas dá para imaginar algo como uma conversa civilizada entre corintianos e palmeirenses. Com a diferença de que FHC não é exatamente palmeirense e tem como hobby fazer piadas nos bastidores a respeito de José Serra.

Serra, por sinal, não deve ter gostado muito da visita, pois atrapalha sua surrada estratégia de marketing aplicada em toda eleição: de desconstruir e vilanizar a imagem pessoal do adversário, desqualificando-o de forma infantilizada, como se a campanha se resumisse a chamar o adversário de "bobo, feio e malvado", camuflando as diferenças políticas reais entre os dois projetos de governo: o tucano é neoliberal e o petista é trabalhista.

O marketing serrista também visa camuflar as questões biográficas da vida dos candidatos que o eleitor exige saber, e alguns candidatos insistem em ocultar, como, por exemplo, o lado oculto da vida de José Serra flagrado no livro "A Privataria Tucana" sobre movimentações financeiras em paraísos fiscais da filha, do genro, do primo , de sócios e do ex-caixa de campanha de José Serra.

ZéAugusto

No Amigos do Presidente Lula


Fonte: Blog Com Texto Livre

segunda-feira, 26 de março de 2012

Psicólogo afirma que cérebro está programado para acreditar em Deus

por Dalane Santos, do Hypescience

Algumas habilidades humanas, tais como a música, são tratadas como dons: alguns parecem “ter nascido para a música”. No entanto, tarefas como andar e falar são comuns a todas as pessoas saudáveis, todos fomos “nascidos para andar” ou para falar. Será que é possível incluir a tendência de crer em Deus em um destes dois grupos? Acreditar em uma divindade é algo que vem naturalmente com o ser humano ou não?


Um estudioso e psicólogo, o norte-americano Justin Barrett, acredita que sim. Ao analisar pesquisas antropológicas de várias universidades americanas, ele defende que quase todos nós nascemos naturalmente “crentes em Deus”.

Isso significa que, usando a lógica do andar ou falar, estamos naturalizados com a religião e a crença tão logo ela nos é apresentada, ainda na primeira infância. Seria uma tendência incluída na mente desde o nascimento.

Um estudo psicológico com bebês de 9 meses de idade, conduzido pela Universidade Emory (Atlanta, EUA), fez experimentos cognitivos. Os pesquisadores observaram que o cérebro das crianças, para entender o mundo, faz associações a partir de “agentes” (qualquer fator de ação ao seu redor, não necessariamente uma pessoa), e de como podem interagir com eles.

Naturalmente, os bebês sabem que tais agentes têm uma finalidade, ainda que seja desconhecida, e que os agentes podem existir mesmo que não possam ser vistos (é por isso, por exemplo, que filhotes de animais buscam se proteger de predadores mesmo que não os tenham visto).

Essa tendência, segundo o autor, facilita que se acredite em Deus. Não nos causa estranheza atribuir determinados fenômenos a um ente desconhecido: nosso cérebro pode lidar com isso sem problemas.

Outra pesquisa, da Universidade Calvin, em Grand Rapids (Michigan, EUA) vai ainda além: não apenas temos naturalidade com a ideia de um agente invisível, como somos diretamente propensos a este pensamento. Além disso, tais tendências não desaparecem na infância, se prolongando pela vida adulta na maioria dos casos.

Desde a infância, somos condicionados a acreditar que todas as coisas têm um propósito fixo. Uma terceira faculdade americana, Universidade de Boston (Massachussets, EUA), estudou crianças de 5 anos que visitavam um zoológico e olhavam para a jaula dos tigres.

Os pesquisadores descobriram que as crianças são mais propensas a acreditar que “os tigres foram feitos para andar, comer e serem vistos no zoológico”, do que “ainda que possam comer, andar e serem vistos, não é para isso que foram feitos”.

Temos dificuldade em não saber a razão da existência de algo, por isso recorremos a divindades. Este ente superior, por deter uma resposta que o ser humano não pode descobrir, recebe naturalmente atribuições de onisciência, onipresença e imortalidade, pois nosso cérebro tende a depositar todo o universo desconhecido em tal entidade.

O autor ainda lança uma pergunta: se Deus é aceito pelas crianças em um mecanismo de atribuição do desconhecido, semelhante ao Papai Noel ou a Fada do Dente, por que as crenças nestes últimos morrem com a infância e a ideia de Deus tende a permanecer na vida adulta?

Isso se explica, segundo ele, porque a imagem de Deus é mais poderosa. Papai Noel sabe apenas que deve te entregar um presente no dia 25 se você se comportou, e a Fada verifica apenas se você escondeu o dente debaixo do travesseiro.

Deus, ao contrário – e desde sempre somos levados a acreditar nisso -, sabe não apenas tudo o que você faz, mas também todos os outros seres do mundo e do universo. É por isso que algumas pessoas só passam a crer em Deus depois de mais velhas, mas ninguém retoma na vida adulta uma crença no Papai Noel: isso é algo restrito ao imaginário infantil.


Fonte: Paulopes Weblog

domingo, 25 de março de 2012

"É possível acreditar em Deus usando a razão", afirma William Lane Craig

O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus

Marco Túlio Pires, de Águas de Lindóia

William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos" (Divulgação)

Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011. aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.

"Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério", disse. "Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável", continuou. "Normalmente as pessoas não me dizem 'boa sorte' ou 'não nos decepcione' antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo". Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.
O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris. Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.

Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. "Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso", escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.

Autor de diversos livros — entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão(Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Perfil

Nome: William Lane Craig
Profissão: Filósofo, teólogo e professor universitário na Universidade de Biola, Califórnia
Nascimento: 23 de agosto de 1949
Livros destacados: Apologética Contemporânea – A veracidade da Fé Cristã; Em Guarda, Defenda a fé cristã com razão e precisão; ambos publicados no Brasil pela editora Vida Nova
Principal contribuição para a filosofia: Craig foi responsável por reformular o Argumento Cosmológico Kalam (variação do argumento cosmológico que defende a existência de uma primeira causa para o universo) nos seguintes termos: 1) Tudo que começa a existir tem uma causa de existência. 2) O universo começou a existir. 3) Portanto, o universo tem uma causa para sua existência.
Informações pessoais: William Lane Craig é conhecido pelo trabalho na filosofia do tempo e na filosofia da religião, especificamente sobre a existência de Deus e na defesa do teísmo cristão. Escreveu e editou mais de 30 livros, é doutor em filosofia e teologia em universidades inglesa e alemã e desde 1996 é pesquisador e professor de filosofia na Universidade de Biola, na Califórnia. Atualmente vive em Atlanta, nos EUA, com a esposa. Craig pratica exercícios regularmente como forma de combater a APM (Atrofia Peronial Muscular) uma doença degenerativa do sistema nervoso que lhe causou atrofiamento dos nervos das mãos e pernas. Especialista em debates desde o ensino médio, o filósofo passa a maior parte do tempo estudando.


Por que deveríamos acreditar em Deus?
Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.

Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes?
Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus?
Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião?
A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’?
Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente?
Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta?
As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural?
A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus?
Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.

O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução?
Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo?
A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade?
As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade?
Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos?
Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?", perguntam elas. "Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.


Deus e o sofrimento no mundo


Se Deus existe, por que ele permite que exista sofrimento no mundo? Neste vídeo, Craig fala sobre o tema.


Veja.com - (Colaborou Gabriel Castro)


Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira

Cantor sertanejo João Mineiro morre aos 76 anos


Morreu na noite deste sábado, o cantor sertanejo João Sante Angelo, 76, da dupla sertaneja João Mineiro e Mariano, no hospital Paulo Sacramento, em Jundiaí (58 quilômetros de São Paulo).

João Mineiro, como era conhecido, estava internado na UTI após uma cirurgia para retirada da vesícula.

Há 20 anos ele fazia dupla com o cantor Mariano, data que foi comemorada no ano de 2011 com a gravação de um DVD. João Mineiro fez dupla com Marciano durante 18 anos, e em 1991, decidiu seguir a carreira solo.

A assessoria do cantor informou que o velório começará na tarde deste domingo no velório municipal Adamastor Fernandes, centro de Jundiaí.

O cantor será enterrado na segunda-feira (26) em Andradas (370 quilômetros de Belo Horizonte), sul de Minas Gerais.


Folha



JOÃO MINEIRO E MARCIANO - O SEU AMOR AINDA É TUDO






Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira



OBS: Grande perda para a nossa música, esta tão carente de letras e melodias bonitas, canções que falam de amor, de sentimentos...gosto muito das músicas de João Mineiro & Marciano

sábado, 24 de março de 2012

Diogo Mainardi se declara ateu e fala sobre crucifixos em locais públicos




OBS: muito interessante


Fonte: Youtube

Profanação

Da coluna de Tulio Milman, jornalista, publicada no jornal Zero Hora, 24-03-2012,

Profanação 1

Surpresa.

A palavra define o sentimento do pároco Carlos Haas ao avistar um barulhento grupo de cerca de 15 pessoas entrando na Catedral Metropolitana durante a missa oficiada pelo arcebispo dom Dadeus Grings.

De acordo com uma das participantes do Movimento Ocupa POA, que pediu para não ser identificada, o ato era uma homenagem aos indígenas que construíram o prédio.

Profanação 2

A partir daí, fiéis e manifestantes, entre os quais dois indígenas do Acre, entoaram seus cantos ao mesmo tempo, estabelecendo uma espécie de disputa sonora.

Procurado, Haas contou o que viu: “Eles subiram no altar e um deles chegou a se sentar na cadeira do arcebispo”.

Em nenhum momento, dom Dadeus interrompeu a liturgia. Meia hora depois, o grupo foi embora.

Profanação 3

Carlos Haas, que é o pároco da Catedral, afirma: “Se eles tivessem nos pedido, abriríamos espaço para a conversa e o diálogo”.

A integrante do movimento garante que o grupo pediu licença e que a intenção era realizar o ato em outro horário, mas que o prédio não estava aberto.


Fonte: IHU Online

Urna eletrônica perde a virgindade. Brizola tinha razão



Saiu no Globo, na pág. 10 do Globo:

Especialistas violam urna eletrônica em teste


Grupo da Universidade de Brasília conseguiu decifrar códigos e identificar a ordem dos votos no equipamento.

Tribunal Superior Eleitoral vai reforçar (sic) segurança.

Os especialistas de Brasília seriam capazes de saber quem votou em quem!
Viva o Brasil!

É o voto de cabresto eletrônico!

Como se sabe, em nenhum país filiado à ONU se usa a urna eletrônica brasileira, porque ela não permite conferir o resutado.

Como se sabe, os pais fundadores dessa urna eletrônica – outra jaboticaba brasileira – são Nelson Johnbim e Eduardo Azeredo, o herói do mensalão de Minas, e autor do AI-5 Digital.

Sem comentários.

Quem tinha razão?

O engenheiro Brizola, que sempre disse: tem que ter o papelzinho, se não, não se confere o resultado.

Felizmente, o Congresso brasileiro e o Nunca Dantes impuseram o papelzinho, embora os progressistas de sempre – com a adesão incondicional do PiG – lutem contra ele.

Paulo Henrique Amorim

No Conversa Afiada



Fonte: Blog Com Texto Livre

De Dostoiévski a hoje: a fenomenologia do mal cotidiano. Artigo de Roberto Esposito

Um livro de Simona Forti ajuda a entender as origens e as metamorfoses da violência. O epicentro simbólico em torno do qual gira o texto está no célebre episódio dos Irmãos Karamázov, em que aparece o Grande Inquisidor. A necessidade é de desmontar a jaula interpretativa dentro da qual o problema foi encerrado por séculos de tradição filosófica.

A análise é do filósofo italiano Roberto Esposito, em artigo publicado no jornal La Repubblica, 21-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Como pode acontecer que, em um dia como outro qualquer, um homem desça de sua moto, entre em uma escola judaica em Toulouse, persiga e atire a sangue frio contra crianças com seus pais, depois suba novamente na moto e se afaste? O fato de ele ser o mesmo – ao que parece – que, na semana passada, matou alguns militares negros acrescenta ao horror do episódio uma motivação racista que o torna ainda mais odioso, mas não resolve o enigma que se perfila por trás dele.

Por que, em quais vestes, com quais lúgubres movimentos, o mal volta a se assomar em um mundo que parece tê-lo empurrado para as suas margens? E é o mesmo mal que nos persegue desde sempre? Que devastou a Europa nas primeiras décadas do século XX? Ou é um mal diferente, nos modos e nas intenções, senão nos seus resultados homicidas? Quais são e de quais fontes surgem os demônios que ainda se aferram à garganta?

Uma resposta de alto nível a essas perguntas é agora fornecida por Simona Forti em um livro, recém-publicado pela editora Feltrinelli, intitulado justamente I nuovi demoni. Ripensare oggi male e potere [Os novos demônios. Repensar mal e poder hoje]. É preciso dizer desde já que ele vai muito além de uma reconstrução, embora completa, da reflexão do século XVIII-XIX sobre o mal, para se engajar em um verdadeiro corpo a corpo com a tradição filosófica contemporânea.

A questão do mal – na sua relação constitutiva com o poder – se torna o ângulo de perspectiva a partir do qual a autora consegue encerrar em um mesmo giro de horizonte o pensamento que, de Kant, se move, de um lado, para Heidegger e Levinas e, de outro, para Nietzsche e Foucault, até chegar ao atual debate sobre niilismo e biopolítica.

O epicentro simbólico e o eixo de rotação interno do livro podem ser encontrados no mais célebre episódio de Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski. "Ei-lo: não estamos Contigo, mas com ele" – sussurra o Grande Inquisidor a Cristo, que voltou para entre os homens e foi preso, enquanto centenas de hereges queimam ad maiorem Dei gloriam.

Nessa cena lendária em que o ancião enuncia a Cristo os motivos pelos quais a Igreja teria escolhido o diabo, a autora identifica o "paradigma Dostoiévski" – aludindo ao olhar abissal com que a autora de I demoni rompe o limiar extremo diante do qual, mesmo captando a enigmática relação entre liberdade e mal, Kant havia se retraído, com medo da sua própria descoberta.

O rosto da medusa sobre o qual o escritor russo lança um feixe de luz, dilacerando de repente o véu com o qual a tradição metafísica o cobrira, é a consciência de que ser humano não faz o mal por ser inconsciente de fazê-lo, ou talvez por ser obrigado pelas circunstâncias, mas sim porque obtém dele o prazer inebriante de submeter outros seres humanos, até destruir a sua carne e o seu espírito.

Nesse sentido – que é aquele, primordial e ainda atual, da dominação e do sangue, da violência e da rendição –, toda uma linha interpretativa falou de niilismo como capacidade de reduzir o ser humano literalmente a nada, a pura matéria, viva ou morta, de uma vontade de poder desmedida.

Mas as palavras do Grande Inquisidor também dizem mais alguma coisa, não totalmente perceptível na fúria devastadora dos heróis negativos de I demoni. Eles dizem que o poder – como é exercido em todos os incunábulos da soberania – não é senão a outra face de uma vontade de obediência, que pede para ser ativada para proteger os seres humanos não só dos riscos externos, mas também de uma liberdade que eles temem exercer. Aqui, no coração da sua análise, Simona Forti abre uma passagem hermenêutica, já inaugurada por Nietzsche e alargado, de forma diversa, por Hannah Arendt e Michel Foucault.

No seu centro, está a identificação daquela vontade de vida ao qual a reflexão contemporânea atribuiu o nome de biopolítica. Independentemente do que se quiser entender com isso, o que esse dispositivo teórico coloca novamente em dúvida é aquela relação vertical entre vítima e carnífice que há muito tempo foi atribuída ao regime do mal – mesmo quando este se ampliou infinitamente tanto no número daqueles que o exerciam, quanto no daqueles que foram obrigados a padecê-lo.

Porque, nem mesmo quando essa relação – entre a maldade desenfreada dos perseguidores e a indigência mais inerme das vítimas – conheceu, no genocídio judaico, o ápice e, por assim dizer, o grau zero, nem então tratou-se de uma simples relação a dois. Mesmo nesse caso, entre uns e outros, inseriu-se a presença cinza e incolor de demônios menores que também colaboraram indiretamente com o massacre ou o permitiram com a sua inerte complacência.

Do livro de Hilberg sobre a Destruição dos judeus europeus, ao de Browning, Homens comuns, e de Goldhagen, Os carrascos voluntários de Hitler, tem sido amplamente documentado o papel desses desk killers que, protegidos pela sua tarefa burocrática, constituíram as engrenagens, silenciosas e decisivas, do mecanismo de extermínio. Mas talvez nada mais do que o processo de Adolph Eichmann – documentado nas extraordinárias reportagens de Hannah Arendt, editados com o título, talvez redutivo, mas certamente sintomático de A banalidade do mal – expressa o caráter, aparentemente inócuo, desse “Efeito Luciferino”, como Philip Zimbardo definiu o comportamento sádico induzido pela imitação e pela sujeição a um aberrante princípio de autoridade. E, além disso, o que mais transparece do sorriso estúpido dos soldados norte-americanos que, em Abu Ghraib, se fotografaram ao lado do corpo inerte de inimigos mortos ou torturados?

O que a autora deduz da evocação dos novos demônios – da inércia e do conformismo, da obediência cega e da irresponsabilidade – é a necessidade de desmontar a jaula interpretativa dentro da qual a tradição filosófica encerrou, efetivamente neutralizando-a, a fenomenologia do mal. O mal não é nem um simples vinco do ser, destinado a ser ressarcido e dissolvido nos processos de secularização, nem uma substância metafísica eternamente em luta com o princípio, igualmente absoluto, do Bem.

Ele, tudo menos enrijecido em uma lívida sentença de morte, nasce e se desenvolve como efeito sinistro de uma indiferenciada vontade de sobrevivência – sobrevivência a qualquer custo, mesmo o de se apoiar na infinita pirâmide de mortes que Elias Canetti vislumbrou nas características desfiguradas de um poder original (sobre o qual veja-se o belo ensaio por Giacomo Marramao Contro il potere, Ed. Bompiani 2011).

Mas Simona Forti foi além da desconstrução de uma leitura simplesmente dicotômica do mal. O que se perfila nas páginas finais da sua genealogia, dedicadas a dois autores do dissenso contra o regime soviético como Jan Patocka e Václav Havel, é uma modalidade não apenas crítica, mas também afirmativa de entender a relação entre poder e sujeitos. Se é verdade, como defendeu Foucault, que todo processo de subjetivação tem a ver com alguma forma de assujeitamento, também é verdade que o poder sempre gera, senão atualidade, ao menos a possibilidade de uma resistência.

Para mantê-la desperta, mesmo quando um peso infinito parece estar sobre as nossas vidas, é preciso tentar um desdobramento com relação a nós mesmos. De resistir à tentação do cedimento e do comprometimento com relação ao mal, através da ativação de uma força contrária à qual a tradição ocidental às vezes deu o nome, límpido e intenso, de alma.


Fonte: IHU Online

sexta-feira, 23 de março de 2012

Fina Estampa: O discurso de Griselda



Publicado originalmente em O Dia Online

“Trouxe meu discurso já escrito. Mas se ler tudo isso vou me atrapalhar. Por isso, prefiro falar o que me der na telha. Se eu gaguejar, vocês me dão um desconto, porque tô muito nervosa. Imaginem a responsabilidade: alguém como eu, que teve pouco estudo, dar um recado de otimismo e esperança a uma turma de formandos de Medicina, abrir pra eles com minhas pobres palavras uma janela pro futuro?

O que tenho a dizer é que o estudo é importante. O saber é uma bênção. Mas não é um diploma que faz um homem e, sim, o valor que ele dá ao seu trabalho. O estudo prepara, mas o trabalho duro e honesto é que dignifica. Assim como é o caráter, e não os títulos, e menos ainda a aparência, que faz a nossa caminhada no mundo valer a pena, pois nos torna uma pessoa de verdade.

Essa é minha mensagem de otimismo e esperança pra vocês, que estão na boca pra ocupar seus lugares no mundo: sejam honestos acima de tudo. Façam um bom trabalho e amem o seu próximo.”


Fonte: Pavablog

Presidente da União Africana telefona para Lula e recebe solidariedade na condenação do golpe de estado em Mali


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou no início da tarde desta sexta-feira, dia 23, com o presidente de turno da União Africana, Thomas Boni Yayi, e expressou sua solidariedade à União Africana na condenação ao golpe que derrubou o governo eleito no Mali. Thomas Boni Yayi, que também é presidente da República do Benin, esteve em Brasília hoje para uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff e em seguida ligou para desejar pronta recuperação ao ex-presidente, que estava na sede do Instituto Lula, em São Paulo.

Lula e Boni Yayi conversaram também sobre as relações entre Brasil e África e o ex-presidente reiterou seu compromisso de participar no Seminário que o BNDES vai organizar, dia 3 de maio, no Rio, para apresentar aos brasileiros o Programa para Desenvolvimento das Infraestruturas na África, o Pida (leia mais sobre o seminário abaixo).

Sobre os acontecimentos no Mali, Lula declarou que é “inadimissível aceitar qualquer golpe de estado que atente contra um governo eleito democraticamente”, disse Lula.

Um golpe militar, liderado por jovens oficiais, derrubou o presidente Amadou Toumani Touré nesta quinta-feira, dia 22. Os militares renegados decretaram a suspensão da constituição o fechamento das fronteiras e impuseram um toque de recolher em todo o território do país. Ao menos quatro pessoas morreram e 40 ficaram feridas durante o golpe. Os golpistas alegaram que o presidente não armava suficientemente o exército para enfrentar os conflitos com os grupos armados no norte do país. Novas eleições presidenciais estavam marcadas para 29 de abril.
Além da União Africana, a Comunidade Européia e o Conselho de Segurança da ONU já condenaram publicamente o golpe, assim como fizeram Brasil, Estados Unidos e França, antiga metrópole colonial do Mali.

No Instituto Cidadania



Fonte: Blog Com Texto Livre

Deus é uma hipótese que a ciência pode comprovar?



Segundo o físico Victor Stenger, experimentos seriam capazes de provar a existência de Deus

Para o professor de física da Universidade do Havaí e professor de filosofia da Universidade do Colorado, Victor Stenger, religião se discute. Tanto que ele se dedica a propagar a ideia de que a ciência seria capaz de comprovar ou refutar a existência de Deus.

Apesar de muitos pesquisadores afirmarem que a ciência é neutra em relação à religião, 93% deles dizem que não acreditam que exista um Deus, segundo uma pesquisa feita pela Academia Nacional de Ciências dos EUA. “Isso nos faz pensar dos motivos pelos quais essa elite intelectual se difere de população em geral. E a resposta óbvia é a ciência”, argumenta Stenger.

De acordo com o físico, mesmo com essa noção de que “religião não se discute” sendo muito usada em seu meio, ele acredita que Deus seja uma questão científica de extrema importância e, logo, deveria ser mais investigada. Afinal, as perguntas fundamentais da humanidade são “de onde viemos”, “o que somos” e “para onde vamos” – e, em todas elas, uma entidade divina teria um papel fundamental.

“Podemos pensar na existência de Deus como uma hipótese e, então, analisar a evidência empírica dela. Afinal, várias religiões dão a seus deuses características que podem ser testadas”, conta Stenger. “Se a ciência se deparasse com uma situação que não pode ser considerada natural, poderíamos passar a considerar a possibilidade de um mundo além da matéria e de um criador”, explica.

Pesquisas

O físico enumera experimentos que, em sua opinião, já deveriam ter provado Deus como o conhecemos. Como várias religiões apostam no poder da oração para pedir por intervenções divinas, cientistas tentaram provar a sua eficácia – e teriam descoberto que a taxa de sucesso da oração é a mesma do efeito placebo. “Ou seja, esse poder está em sua mente”, afirma Stenger.

“Outra questão é a moralidade. Se ela vem de uma fonte divina, as pessoas religiosas deveriam se comportar melhor do que as outras. Mas a história mostra que, em média, não há essa diferença de comportamento e sabemos que existiram assassinos impiedosos que eram religiosos”, conta.

Stenger também discute a criação dos humanos. Para ele, se fôssemos a criação mais especial divina, o Universo deveria ser feito sob medida para nós. “Mas ele não é. Temos que nos adaptar – e os dias de hoje mostram que essa adaptação não é fácil”, conclui.

Depois de analisar estudos que buscaram revelações, evidências do criacionismo e explicações para milagres, o professor está convencido de que Deus não existe. Ou, pelo menos, os deuses das religiões mais conhecidas. Afinal, ele não descarta a ideia de um ser que poderia ter criado o Universo “por diversão” e depois ter nos abandonado. Ou então de uma divindade que prefere se manter escondida. “Mas qual é o sentido de adorar uma criatura destas?”, argumenta.


Fonte: Revista Galileu/ Blog Libertos do Opressor

De presidente a pregador: a última reencarnação de Jimmy Carter


Do pódio presidencial ao púlpito, dos reatores nucleares ao Evangelho, a parábola de Jimmy Carter (foto), ontem presidente e hoje pregador, se completou.

A reportagem é de Vittorio Zucconi, publicada no jornal La Repubblica, 21-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há mais ou menos 40 anos, quando ele se fazia fotografar ensinando a Bíblia às crianças, isso parecia ser um truque eleitoral, um recurso publicitário para seduzir votos devotos.

Mas essa fé de Jimmy Carter, 39º presidente dos Estados Unidos que passou para a história com uma auréola de insucessos e de impopularidade, era uma fé verdadeira, profunda, sofrida, assim como a sua dificilíssima administração.

Tendo chegado aos 87 anos de vida, uma idade em que mentir para os outros e para si mesmo é inútil, James Earl Carter, "Jimmy, o Dentão" por causa de seu deslumbrante sorriso equino, chegou à sua quinta encarnação. De cultivador de amendoim nas planícies infinitas da sua cidade do Sul, chamada justamente de Plains, a oficial de tripulação dos submarinos adepto aos reatores nucleares. De oficial a homem político até a máxima poltrona nacional em 1976. De presidente a incansável missionário secular global pela paz, pelos direitos dos palestinos, pelo respeito das regras eleitorais nas democracias recém-nascidas, a passagem ao apostolado místico era inevitável.

Ele saíra da Casa Branca em 1981, com apenas 57 anos, derrotado por um Ronald Reagan e por uma América que se haviam cansado com a sua honestidade um pouco deprimente e sonhavam com o retorno às ilusões de grandeza de uma América como "luminosa cidade sobre a colina".

A recordação do seu histórico sucesso ao convencer os israelenses e egípcios a uma paz, que custaria a vida de Anwar Sadat, mas que pouparia ao Oriente Médio ao menos uma guerra de destruição total, foi ofuscada pela profunda recessão econômica, pelo aumento furioso dos preços dos combustíveis – sempre uma armadilha letal para os presidentes no sinal do "se aumenta a gasolina, o governo é ladrão" – e pela humilhação infligida por Khomeini com o rapto da embaixada norte-americana no Teerã.

Outros presidentes que saíram em ruínas da sua aventura no mais alto trono se consolariam jogando golfe, como o honesto Ford, escrevendo memórias autoabsolutórias, como o resmungão Nixon, ou se diluindo no esquecimento, como George W. Bush, o desaparecido da história norte-americana, o nome que nenhum dos candidatos republicanos à Casa Branca não ousa nem pronunciar.

Mas Jimmy, que havia adotado, pela primeira vez, como seu nome oficial não o "James" escrito na certidão de nascimento, mas sim o apelido Jimmy, tinha a sua própria fé cristã, refugium trombatorum, além de peccatorum. Logo ele recomeçou a pregar na Igreja Batista de Maranatha, entre as nogueiras de Plains.

Haviam lhe proposto um púlpito televisivo, que ele sempre recusou, por ser muito ostentação, muito descaramento para a sua modéstia. Nos congressos do seu partido, o Democrata, ele aceitou, como penitência, fazer aparições nas horas em que ninguém assiste à televisão, para não reavivar más memórias no partido e no eleitorado.

Mas nos 30 anos decorridos desde a sua expulsão do paraíso artificial da política, "não passou um dia em que eu não li alguma página da Bíblia". E não houve noite em que, antes de dormir ao lado da esposa Rosalynn, a ex-cabeleireira da cidade natal com a qual está casado há 66 anos, desde julho de 1946, ele não tenha discutido com ela uma passagem do livro: "Justamente ontem à noite, Rosalynn e eu discutimos Mateus 10, 34, em que o Senhor diz que não veio trazer paz, mas a espada. Acredito que ele quis dizer que veio para subverter a alma, para trazer o sinal da contradição a nós", disse ele em uma entrevista.

Agora, ele publicou um novo estudo, uma exegese da "Bíblia segundo Jimmy", que lhe valeu a ironia de alguns blogueiros anticarteriano, pelos quais foi logo rebatizado como "o Quinto Evangelista". Mais modestamente, a obra se intitula Niv: Lições de uma vida bíblica – As reflexões pessoais de Jimmy Carter, em que Niv é a New International Version [nova versão internacional] dos textos sagrados publicada no mundo anglófono nos anos 1970, entre muitas polêmicas. Assim como certamente são polêmicas as teses de Carter sobre os pontos críticos da chamada "moral" desfraldada pelos neofundamentalistas.

"Na minha Igreja de Maranatha (de uma expressão em aramaico, a língua dos Evangelhos, que significa: "Vede Aquele que vem"), os gays podem se casar, e isso está muito bem", pregou Carter também nas suas aparições televisivas. "A homossexualidade certamente era mais difundida até no mundo antigo, mas Cristo não diz uma única palavra de condenação ou de discriminação. Nas suas cartas aos Gálatas, o apóstolo Paulo escreve que Deus não faz nenhuma diferença entre homens e mulheres, e eu não vejo por que o Estado, que não representa ou não deve representar nenhuma religião ou denominação, deveria fazer isso. Por isso, eu saí da Igreja Batista do Sul, por ser muito intolerante e discriminatória".

Esse não é o tipo de homilias que a severa interpretação da mensagem cristã hoje dominante desejar ouvir, e hoje um Jimmy Carter não seria sequer eleito ao cargo de agente da carrocinha. Mas, na sua "quinta encarnação", a sós com sua esposa no já silencioso tálamo noturno, Jimmy Carter pode contemplar sereno o mais severo dos eleitores: sua própria consciência.


Fonte: IHU Online

População de 'uma Itália' sobe de vida no Brasil

Entre 2005 e 2011, 63,7 milhões de brasileiros ascenderam socialmente das classes D/E para C e da C para A/B. É o equivalente à população da Itália, compara o vice-presidente da Cetelem BGN, Miltonleise Carreiro Filho. Segundo ele, esse forte mercado consumidor é que deu sustentação para que o País atingisse a sexta colocação entre as maiores economias do mundo.

A informação é publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 23-03-2012.

"Se em 2005 um investidor estrangeiro tivesse vendo para o País, ele teria abocanhado uma Itália de potenciais clientes", observa o executivo. E o pilar desse forte movimento de mobilidade social é a classe C. Só no último ano, 2,7 milhões de brasileiros das classes D/E ascenderam à classe C. O aumento do emprego, da renda e do salário explica essa mobilidade social.

Aliás, o Brasil encabeça o ranking de 12 países onde a pesquisa da Cetelem BGN é feita como o mais otimista com a situação. Numa escala de um a dez, a nota média dada pelos brasileiros para a situação de seu país no ano passado foi 6,3, à frente de Alemanha e Rússia, com 6,2 e 4,2, respectivamente.

Apesar do otimismo, a pesquisa detectou que os brasileiros estão mais cautelosos para gastar neste ano. De 12 itens analisados, em 9 há recuo na pretensão de compras em 2012 na comparação com o ano anterior e estabilidade em apenas 3 itens: casa própria, motocicleta e equipamentos esportivos.

Até mesmo ícones do consumo, como carro, o brasileiro pretende reduzir as compras ao longo deste ano. De acordo com a pesquisa, 15% dos entrevistados pretendem comprar carro em 2012. No ano passado, essa fatia era de 18%.

No caso do celular, o recuo também foi expressivo: 17% planejam comprar telefone, ante 25% em 2011. Viagens e eletrodomésticos também apresentaram queda na intenção de compra no último ano, de 32% para 25% e de 38% para 30%, respectivamente. "A população não vai parar de gastar, mas está mais racional", diz Carreiro Filho.

Apesar dos ganhos de renda, até mesmo a classe C, a mais beneficiada pelo aumento do salário mínimo e pelo avanço dos preços dos serviços, pretende comprar menos neste ano. A intenção de compra de eletrodomésticos, por exemplo, é de 33% neste ano, ante 37% em 2011.

No caso do automóvel, o recuo também é significativo. Neste ano, 15% dos entrevistados da classe C manifestaram intenção de adquirir um veículo, ante 18% no ano passado. Já o sonho da casa própria se mantém para essa classe social. Neste ano, 10% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel, o mesmo porcentual de 2011.

Já para as classes de menor renda (D/E), o único item cuja pretensão de compra aumentou de 2011 para 2012 foi a casa própria. Para este ano, 9% pretendem adquirir um imóvel, ante 6% em 2011.


Fonte: IHU Online

Dica para os dias de prova





Fonte: Blog Ciência Social Ceará

“A ciência é um dos melhores modos para se conhecer a Deus”

“A ciência é um dos melhores modos para se conhecer a Deus”, defende, no convênio sobre o tema “Viver a fé católica”, promovido pela arquidiocese norte-americana de Denver, o padre Guy Consolmagno, astrônomo do Observatório Vaticano. Estudar cientificamente o universo ajuda a entender melhor “a pessoa de Cristo”. O religioso e cientista ítalo-americano, que há mais de 30 anos estuda os asteroides e os cometas (um asteroide foi batizado com o seu nome), não exclui a possibilidade de que haja outra vida inteligente no universo.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi e está publicada no sítio Vatican Insider, 20-03-2012. A tradução é do Cepat.

Mas o ET não faz a fé entrar em crise: “O que aprendemos não anula o que já sabemos. Se um dia descobrirmos que não estamos sozinhos no universo, tudo aquilo em que cremos não é que seja incorreto, pelo contrário, nos daremos conta de que é mais verdadeiro, de modos e formas que nunca pudemos imaginar”. Para confirmar tudo isso, o padre Consolmagno cita o Evangelho de São João: “No princípio era o Verbo, isto é, Jesus, a segunda pessoa da Trindade. O Verbo é a salvação, a encarnação de Deus no universo. Segundo o Evangelho, o Verbo existia antes do universo. O único ponto no espaço-tempo que é o mesmo em todas as linhas temporais. Este é o modo como a salvação acontece, e aqui se manifestou na pessoa de Jesus Cristo”. Antes da criação do universo, Cristo já existia; e, portanto, abraçava, não apenas a nós e a terra, mas a outros hipotéticos seres.

“O ateísmo moderno tende a considerar Deus simplesmente como uma força que “enche os vazios” em nossa compreensão do universo” – observa o jesuíta nascido em Detroit em 1952. “Mas usar Deus para encher os vazios de nosso conhecimento é teologicamente enganoso, já que minimiza Deus e o reduz a outra força dentro do universo em vez de reconhecê-lo como fonte de criação. Aqueles que crêem em Deus não deveriam temer a ciência, mas deveriam considerar a ciência como uma oportunidade que Deus deu à humanidade para que o conheça melhor”. A fé e a razão são como que as duas asas com as quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. É Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em definitiva, de conhecê-lo a Ele próprio, para que, conhecendo-o e amando-o, possa alcançar também a plena verdade sobre si mesmo. O padre Guy Consolmagno precisa que acredita em Deus “não porque Ele seja o final de uma cadeia lógica de cálculos, mas porque experimentou que a física e a lógica podem mostrar-me a beleza, a razão e o amor, mas não explicá-los”. Além disso, a fundamental diferença entre o jesuíta e o cientista ateu Stephen Hawking é que ele reconhece que Deus não é outra parte do universo que explica o inexplicável, mas o “Logos”, a “Razão” mesma.

As outras religiões ou filosofias podem dar-nos uma visão racional do universo, mas “apenas o Evangelho pode nos dizer que a razão mesma se materializa entre nós na forma de Jesus Cristo”. “Tomás de Aquino fala de numerosos mundos”. A encarnação, segundo o Evangelho, aconteceu aqui; mas poderia valer também em qualquer outro lugar. “A Bíblia é a ciência divina, um trabalho sobre Deus” – precisa o padre Consolmagno. “Não é necessário que seja ciência física” e explique como o universo foi construído. Mas um universo sem limites “poderia incluir outros planetas com outros seres criados pelo mesmo Deus de amor. A ideia da existência de outras raças e outras inteligências não é contrária ao pensamento tradicional cristão. Não há nada nas Sagradas Escrituras que possa confirmar ou contradizer a possibilidade de vida inteligente em outras partes do universo”. Nosso conhecimento não é completo; e é uma loucura “subestimar a capacidade de Deus para criar com uma profundidade de modos que nós não entenderemos nunca completamente”. E, portanto, seria da mesma maneira arriscado pensar que “entendemos a Deus completamente”, limitando sua ação ao planeta Terra, e aos outros seres humanos. Observar os asteroides, os meteoritos e os corpos celestes “é uma das coisas que me aproximam de Deus”. Santo Tomás, “que sempre foi proposto pela Igreja como mestre do pensamento e modelo do reto modo de fazer teologia”, reconhece que a natureza, objeto precisamente da filosofia, pode contribuir para entender a revelação divina.

A fé, portanto, não tem medo da razão, mas que a busca e confia nela. Assim como a graça supõe a natureza e a leva a término, do mesmo modo a fé supõe e aperfeiçoa a razão. Esta última, iluminada pela fé, se libera da fragilidade e dos limites derivados da desobediência do pecado e encontra a força necessária para elevar-se ao conhecimento do mistério de Deus Uno e Trino. Já João Paulo II, na encíclica Fides et Ratio, de 1998, advertia que “muitos arrastam sua vida até quase a borda do abismo, sem saber o que vão encontrar”.

A filosofia, que tem a grande responsabilidade na formação do pensamento e da cultura através do “apelo permanente à busca do verdadeiro”, tem que recuperar com força sua vocação original. Portanto, não há motivo para que exista “nenhuma competitividade entre a razão e a fé: uma está dentro da outra, e cada uma delas tem seu próprio espaço de realização”. Assim que, “a fé pede que seu objeto seja compreendido com a ajuda da razão; a razão, no auge de sua busca, admite que é necessário aquilo que a fé apresenta”. Crer na possibilidade de conhecer a verdade universalmente válida não é, em hipótese alguma, fonte de intolerância; pelo contrário, é condição necessária para um sincero e autêntico diálogo entre as pessoas. E os cientistas, com sua pesquisa, “nos dão um crescente conhecimento do universo em seu conjunto e da variedade incrivelmente rica de seus componentes, animados e inanimados, e das complicadas estruturas atômicas e moleculares”.


Fonte: IHU Online

quinta-feira, 22 de março de 2012

Primavera cristã: uma esperança mundial

É hora de aliar-se com o humanismo secular e com os mundos diferentes do europeu.

A reportagem é de Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera, 19-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Cristo é a força que deve transformar a história. E a Igreja deve falar mais de Cristo. Senão, ela se comporta como um treinador que tem na equipe Maradona e Messi e mantêm ambos no banco". Dom Vincenzo Paglia (foto), bispo de Terni e assistente da Comunidade de Santo Egídio sorri. Seu novo livro, Cercando Gesù [Buscando Jesus] (Ed. Piemme), escrito com o presidente da Rai Cinema, Franco Scaglia, se abre e se fecha em Jerusalém, é fortemente marcado pela atmosfera da Semana Santa e da Páscoa, tem acentos dolorosos, até mesmo dramáticos, que relembram os calvários medievais e A Paixão de Cristo de Mel Gibson. Mas, no fundo, traz uma mensagem de alegria.

"Na era do primado da ciência, do aparente domínio da tecnologia, a Igreja tem realmente uma chance formidável: a aliança entre cristianismo e humanismo", diz Dom Paglia. "Depois de três séculos de primado da razão sem Deus, sintetizados por De Lubac com a fórmula do 'drama do humanismo ateu', se abre uma era completamente diferente. Se Nietzsche anunciava a morte de Deus, e se nos massacres dos totalitários e nos excessos do capitalismo morreu também o ser humano, Deus e ser humano renascem juntos em uma só pessoa: Jesus. Mas muitas vezes os homens da Igreja falam de outras coisas. Perdem-se em questões de poder. Dão um peso muito excessivo à razão. A razão pode sustentar a fé no caminho para Deus, não pode substituí-la. O [Giovanni] Papini de Un uomo finito, que se rende à impossibilidade de elevar o ser humano à divindade, me lembra a busca de Agostinho: a consciência dos nossos limites não é o fim, mas sim o início; o ser humano parte da razão, mas não chega ao fim sem a fé".

Sobre o papa, o livro de Paglia tem palavras de grande admiração e afeto, define como extraordinária a escolha de um pontífice para liberar a escrivaninha e a agenda para escrever um livro sobre Jesus, que deve completar a trilogia dedicada por Bento XVI à figura de Cristo; assim como reconhece que, sobre a tragédia da pedofilia, o papa impôs uma linha clara e corajosa.

Mas também é verdade que, segundo Paglia, "não poucos homens da Igreja não captam plenamente o seu grande potencial de falar ao mundo moderno e de orientá-lo. Por isso, Bento XVI faz bem ao insistir sobre uma 'nova' evangelização".

"Um ano atrás, tivemos a primavera árabe. Por que não temos a primavera cristã? Por que, da América do Sul, não surge uma figura carismática como a de Dom Romero? Por que a energia liberada pelo Concílio como que se dispersou? Devemos recomeçar da figura de Cristo que transforma a história. E a transformação é eficaz se se tornar cultura, se conseguir fazer uma aliança com mundos diferentes do nosso. Como não ver que a Europa, curvada pela crise financeira e social, pode ter na a Igreja uma força em defesa do ser humano e uma aliada para construir um novo humanismo? E o alfabeto do humanismo são as Escrituras, particularmente o Evangelho. Muitas vezes, foi assim no passado".

No seu livro anterior, o best-seller In cerca dell'anima [Em busca da alma], os dois coautores identificaram o mal que consumia a Itália na inércia. Desde então, o cenário mudou, o espírito de Todi contribuiu para abrir uma nova temporada político-cultural, marcada por um compromisso direto dos católicos. Em Cercando Gesù, um padre atento ao social como Dom Paglia investiga uma dimensão nova, teológica, ligada também às sugestões literárias dos Evangelhos.

São interessantes as páginas sobre a natureza diferente da ressurreição de Lázaro, que volta milagrosamente à vida de homem e que, portanto, morrerá de novo, e a de Cristo, que renasce à vida do espírito e que, por isso, nunca morrerá mais, marcando o início de um novo mundo. É inesquecível a imagem de João Paulo II, que, durante a viagem à Terra Santa por ocasião do Jubileu do ano 2000, visitou o Santo Sepulcro, mas, por prudência, foi mantido longe da escada que sobe ao Gólgota, no temor de que a doença lhe negasse as forças para subi-la. Mas Wojtyla não quis deixar Jerusalém sem beijar, uma última vez, a rocha que acolheu a cruz de Jesus. Assim, à tarde, voltou de repente ao Sepulcro. Os religiosos tiveram que suspender as funções, os turistas foram literalmente postos para fora, e o papa fica por um longo tempo com o rosto e as mãos estendidas: "Naquele momento, consciente de que o cristianismo começava a partir dali, de onde o madeiro da cruz foi plantado e se elevou ao céu, João Paulo II tocava as alturas dos místicos".

O que resta hoje dos ensinamentos de Jesus, da sua indignação, da sua caridade, do seu sacrifício? Hoje, Jesus vive nos pobres, responde Dom Paglia, citando a Elsa Morante de La storia: "Eu jamais fui embora de vocês. São vocês que, todos os dias, me lincham, passam por mim sem me ver. Eu, todos os dias, passo perto de vocês mil vezes, me multiplico por tantos quantos vocês são, os meus sinais preenchem cada centímetro do universo, e vocês não os reconhecem...".

Por isso – sintetiza Dom Paglia – "Jesus não é um professor de moral, e o cristianismo não é apenas um sistema de valores. É a síntese entre ser humano e Deus, é o encontro com uma Pessoa que desorganiza o universo como o conhecemos e faz novas todas as coisas. O mundo de amanhã não espera nada mais além de que a Igreja anuncie a sua palavra".


Fonte: IHU Online

Religião volta ao debate político nos EUA e põe Obama em encruzilhada



O presidente Barack Obama discursa em uma igreja de Las Vegas

A religião é, sem dúvida, um dos grandes assuntos que voltam a ser discutidos a cada novo pleito nos Estados Unidos. Este ano não é diferente. Debate após debate, os republicanos que disputam a indicação do partido trazem o tema à tona, por vezes com mais força que a taxa de desemprego, o crescimento da economia ou a política externa norte-americana. Comentaristas especulam sobre a fé religiosa de Barack Obama, enquanto seus adversários políticos não perdem uma oportunidade de insinuar que o presidente americano não é suficientemente religioso e, talvez, nem mesmo seja cristão, como se isso tornasse sua presidência ilegítima.

"Não sei exatamente o que pensa Barack Obama, mas é uma vergonha vivermos em um país onde o presidente tem de afirmar acreditar em Deus para ser eleito", diz Ed Buckner, antigo presidente e atual diretor da American Atheists, principal organização ateísta dos EUA que promove a total separação da igreja e do Estado.

Fé tardia

Quando o assunto é religião, Barack Obama se encontra em uma encruzilhada. O presidente americano manda mensagens mistas, tentando apaziguar os conservadores cristãos, ao mesmo tempo em que procura agradar grupos de outros credos e ateístas, que compõem uma parte significativa do seu eleitorado com raízes liberais. O resultado disso é uma maior suspeita quanto à fé do ocupante da Casa Branca, que é filho de pai muçulmano não praticante e mãe agnóstica. No seu livro A origem dos meus sonhos, Obama conta que se uniu formalmente a uma igreja (Igreja da Trindade Unida em Cristo, de uma paróquia predominantemente negra de Chicago) pela primeira vez quando tinha 27 anos, causando rumores de que a sua descoberta da fé não passou de uma decisão pragmática do então jovem e ambicioso líder comunitário.

A necessidade de provar sua fé religiosa acompanha Obama desde sua primeira campanha presidencial, em 2008. Em meados daquele ano, o político passou a concluir seus pronunciamentos com "God Bless America" (Deus abençoe a América), desfecho praticamente obrigatório para todos os discursos presidenciais americanos, desde que a frase começou a ser usada pelo ídolo dos conservadores dos EUA, o ex-presidente Ronald Regan, na década de 80. Antes de ser consagrada por Reagan, a frase só tinha sido usada uma vez por um presidente americano da era moderna. Richard Nixon, quando conclui seu discurso sobre Watergate, em 1973.

No aniversário de dez anos dos atentados de 11 de Setembro de 2001, Obama abriu seu discurso para os sobreviventes e as famílias das vítimas, no Marco Zero, em Nova York, com o Salmo 46 da Bíblia, dizendo "Deus é nosso refúgio e nossa força". Surpreendentemente, na mesma ocasião, George W. Bush, apesar da fama de cristão linha dura, dispensou referências bíblicas e citou uma carta escrita por Abraham Lincoln, em 1864, consolando uma viúva que perdera cinco filhos durante a Guerra Civil.

Política e religião de mãos dadas

O caráter religioso da maior potência mundial não deixa de ser um fenômeno curioso. Na Europa, o ateísmo não só é comum como predominante em algumas nações (a porcentagem de ateístas em países como a Suécia, França, Dinamarca e Noruega varia entre 50% e 85%, segundo dados da publicação Cambridge Companion to Atheism). Desde a Revolução Francesa, a religiosidade não está tão arraigada aos governos do velho continente como está no caso dos Estados Unidos, onde a figura divina faz parte da identificação nacional. No país norte-americano, referências a Deus são encontradas em prédios públicos, no juramento à bandeira e até nas notas de dólares, que trazem impressa a frase "In God We Trust" (Em Deus Confiamos). "Vivemos em um Estado quase teocrático", afirma Buckner.

A Constituição dos EUA proíbe o governo federal de estabelecer uma igreja ou credo nacional, mas, no dia a dia das decisões políticas em Washington, os grupos religiosos são sempre considerados, impactando decisões que vão desde o acesso ao aborto e casamento entre homossexuais até pesquisa com células-tronco e ensino de ciência em salas de aula de escolas públicas.

"A América é uma nação de grande fé em Deus. A religião pode e deve ter um papel para que pessoas de todos os credos tenham assegurado que podem confiar em um líder que lhes dará a liberdade para praticar religião como elas querem e devem praticar", diz Kevin Irwin, monsenhor e teólogo da Universidade Católica da América.

Nos EUA, o credo religioso do presidente pode ter consequências profundas e de longo prazo para a sociedade, uma vez que o ocupante da Casa Branca pode, potencialmente, escolher um juiz da Suprema Corte que, por sua vez, pode criar paradigmas para ordens judiciais em toda a nação. "Uma pessoa que enxerga as leis ou os eleitores como a fonte dos direitos do povo pode adotar políticas diferentes daquelas adotadas por alguém que acredita que o Criador confere 'direitos inalienáveis' às pessoas, conforme estabelece a Declaração da Independência", afirma Ryan Messmore, pesquisador da Heritage Foundation, uma think tank (laboratório de ideias) sediada na capital americana.

Em um recente debate, todos os candidatos republicanos à presidência afirmaram que Deus ocupa um papel importante na vida deles. Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara de Representantes dos EUA que, em 2009, se converteu ao catolicismo, foi mais longe. O político garantiu que, se chegar à Casa Branca, ele sempre consultará Deus antes de tomar decisões importantes para a nação.

Semanas depois, foi a vez de Rick Santorum, candidato católico ultraconservador, declarar seu desgosto por um Estado laico. "O secularismo de John Frederick Kennedy me faz vomitar", declarou.

O único candidato republicano que evita falar sobre sua fé é o atual favorito, Mitt Romney. O ex-governador de Massachussetts é mórmon, religião vista pela maioria dos americanos como um culto baseado em credos pouco familiares.

No entanto, o enfoque que os políticos americanos, e particularmente os conservadores, estão colocando no fervor religioso não está alinhado com os dados demográficos da nação, podendo resultar na perda de votos. Ateístas e agnósticos compõem o grupo que atualmente mais cresce no país. Pesquisas recentes do Pew Research Centre e do Instituto para o Estudo do Secularismo do Trinity College, de Hartford, indicam que entre 12% e 20% dos americanos se enquadram nesse grupo, e o número de cidadãos sem identificação religiosa dobrou nos últimos 30 anos.



Fonte: Terra/ Blog Libertos do Opressor

terça-feira, 20 de março de 2012

As consequências do desastre de Fukushima no mar e no ar

Após o acidente de Fukushima, que completou um ano, toneladas de radioatividade vazaram para o ar e o mar. Ainda hoje a contaminação do entorno prossegue.

A reportagem é de Laura Corcuera e está publicada no jornal quinzenal espanhol Diagonal, 17-03-2012. A tradução é do Cepat.

Não há modelos precisos para medir as taxas de liberação de elementos radioativos (radionúclidos) quando o combustível nuclear, que vaza de uma central, entra em contato com a água do mar. Esta é a conclusão publicada por uma equipe de engenheiros e geólogos norte-americanos no último número da revista Science.

Os pesquisadores propõem realizar caros experimentos com materiais radioativos para reduzir o risco das centrais nucleares e voltar a ganhar a confiança da população na energia nuclear. Mas epidemiólogos e radiobiólogos estão tentando explicar desde antes do desastre de Fukushima que a fórmula risco/benefício (risco para a população e benefício industrial), que se utiliza na radioterapia, não pode ser aplicada à energia nuclear.

Em condições normais, uma central nuclear emite constantemente pequenas doses de radioatividade no ar e também na água. Com o acidente de Fukushima toneladas de material radioativo começaram a se dispersar quando a companhia elétrica Tokyo Electric Power (Tepco) começou a utilizar água do mar para esfriar três dos seis reatores da central, cujos núcleos estavam se superaquecendo.

A água foi vazou (e o processo continua) para o Oceano Pacífico e para o leito marinho. Do mar, o combustível radioativo é transportado para todo o planeta e é transferido para os ecossistemas marinhos e cadeias tróficas, onde pode permanecer durante muito tempo.

As algas, ricas em ferro, transferem radionúclidos diretamente para os seres humanos e também para os moluscos, crustáceos e peixes que consumimos. Daí a importância de saber a procedência do que comemos. O estrôncio 90 e o césio 137 têm uma vida média de 30 anos (nesse tempo ficará a metade de sua massa e em 60 anos uma quarta parte). O iodo 131 tem uma vida média de oito dias, mas o plutônio 239 tem uma vida média de cerca de 24.000 anos e com o tempo se transforma em amerício 241, outro elemento radioativo que pode ser incorporado ao organismo humano.

Além da radioatividade que a central de Fukushima está emitindo, hoje resta mais da metade daquela que saiu da central de Chernobil, em 1986.


Fonte: IHU Online

segunda-feira, 19 de março de 2012

Romário sobre Copa 2014: “Vai acontecer o maior roubo da história do Brasil”



Da Redação

O ex-ídolo do futebol brasileiro Romário deixou de incomodar zagueiros e goleiros adversários, mas não deixou a posição de atacante. Desta vez, o deputado federal escreveu um exaltado texto no Facebook criticando a reunião entre a presidenta Dilma Rousseff com o presidente da FIFA, Joseph Blatter, e afirmando que, se começarem a ocorrer “obras emergenciais”, sem licitação, “vai acontecer o maior roubo da história do Brasil”. “Aí eu quero ver se as pessoas que apareceram sorrindo na foto durante a reunião de ontem (sexta-feira) vão querer aparecer. Esse Brasil é um circo e os palhaços vocês sabem bem quem são”, escreveu.

As críticas do baixinho à reunião se deveram ao fato de que a presidenta se comprometeu a cumprir tudo o que fora acordado com a FIFA, mas não havia nenhum representante do Congresso no encontro. “O presidente da comissão da Lei Geral da Copa, Renan Filho, não estava lá. O relator da Lei da Copa, Vicente Cândido, também não. O presidente da Casa onde será votada a lei, Marco Maia, também não estava presente. E muitos outros que tem muito a ver com a Lei Geral da Copa, não estavam presentes. Na minha concepção de político, a política vai de mal a pior”, afirmou.

O deputado do PSB, partido que faz parte da base aliada do Governo Dilma, não poupou a presidenta. “Se continuar acontecendo coisas erradas e estranhas como esse encontro do Blatter com pessoas que não são ligadas a Lei Geral da Copa, ela será uma merda. E o governo federal está enganado o povo. E a presidente Dilma está sendo enganada ou se deixando enganar”.

Leia a íntegra da nota de Romário:

Tem coisas que só existem no nosso País, ou melhor, só acontecem no nosso País. O presidente da FIFA vem ao Brasil e se encontra com a presidente Dilma. Até ai perfeito! Nesse encontro estão presentes Aldo Rebello, ministro dos Esportes, ok; Pelé, embaixador honorário do Brasil para a Copa do Mundo de 2014, ok; Ronaldo, conselheiro do Comitê Organizador Local (COL), ok. Só uma pergunta: qual dessas pessoas tem a ver com a Lei Geral da Copa?

Nenhuma. O presidente da comissão da Lei Geral da Copa, Renan Filho, não estava lá. O relator da Lei da Copa, Vicente Cândido, também não. O presidente da Casa onde será votada a lei, Marco Maia, também não estava presente. E muitos outros que tem muito a ver com a Lei Geral da Copa, não estavam presentes. Na minha concepção de político, a política vai de mal a pior. E o povo tem total razão de reivindicar e cobrar principalmente mais seriedade e responsabilidade das pessoas que tem autonomia para decidir coisas importantes como essa (Copa do Mundo).

Não vou me aprofundar muito, mas é uma pena, ouvir nas rádios, ver na TV, abrir os jornais e ler que o governo federal se uniu a FIFA para que a Copa do Mundo seja a maior de todos os tempos. Uma mentira descabida! Não será a melhor e nós vamos passar vergonha. Se continuar acontecendo coisas erradas e estranhas como esse encontro do Blatter com pessoas que não são ligadas a Lei Geral da Copa, ela será uma merda. E o governo federal está enganado o povo. E a presidente Dilma está sendo enganada ou se deixando enganar.

Brasileiros, continuem cobrando e se manifestando porque essa palhaçada vai piorar quando tiver a 1 ano e meio da copa. O pior ainda está por vir, porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Ai vai acontecer o maior roubo da história do Brasil. Ai eu quero ver se as pessoas que apareceram sorrindo na foto durante a reunião de ontem vão querer aparecer. Esse Brasil é um circo e os palhaços vocês sabem bem quem são.


Fonte: Site Sul 21

Disciplina é liberdade

Fabrício Wolff

É bem provável que você conheça esta frase de uma música da banda Legião Urbana. Ela é bem mais antiga. É bíblica e seu conteúdo merece reflexão.

Até pode parecer contraditório, mas é isso mesmo. Somente a disciplina pode trazer possibilidade de liberdade ao ser humano. E quando se pensa nesta frase, deve-se entender disciplina com o sentido mais amplo que ela possui. Disciplina não é ter obrigação. Ter disciplina é se auto-gerenciar, é buscar as condições necessárias para se ter liberdade de escolhas. Disciplina é ter caráter, forjado na auto-cobrança por resultados – não resultados para os outros, mas para si mesmo, para contemplar aqueles objetivos a que a gente se propõe.

Ninguém vence na vida sem ter disciplina. Não adianta traçar metas, planejar atitudes e, sem disciplina, não seguir aqueles objetivos mapeados. Vencer na vida não é amealhar recursos financeiros, mas sim ter o prazer do superar-se, do alcançar as metas, do vencer as dificuldades que nós mesmos colocamos como desafios. Todos nós conhecemos pessoas inteligentes, competentes e com outras virtudes que não chegam a lugar nenhum. Falta a disciplina. Sem ela, nada se conquista.

Aliada a outras virtudes, a disciplina permite chegar onde se quer. E quando se alcança os objetivos propostos, nos tornamos ainda mais fortes. Mais fortes, passamos a ter a oportunidade e a liberdade de fazer escolhas. E escolher é a verdadeira liberdade. Poder escolher é ter caminhos a seguir, é ter opções, é ter oportunidades criadas não pelo destino ou pela sorte, mas pelas possibilidades plantadas por nós mesmos, por aqueles que têm disciplina.

Em suma, quem tem disciplina faz o seu próprio caminho. E isso é ter liberdade.


Fonte: Blog Penso, logo insisto

Guerra da Água é silenciosa, mas já está em curso



A guerra da água é silenciosa, mas é uma realidade: conflito em Barcelona causado pelo aumento das tarifas, quase guerra na Patagônia chilena por causa da construção de enormes represas e da privatização de sistemas fluviais inteiros, antagonismos em Barcelona e em muitos países africanos pelas tarifas abusivas aplicadas pelas multinacionais. A pérola fica por conta da Coca Cola e de suas tentativas de garantir o controle em Chiapas, México, das reservas de água mais importantes do país.
Eduardo Febbro - De Paris



Paris - Quanto vale a vida? “Para começar, um bom copo de água”, responde com ironia Jerôme, um dos participantes do Fórum Mundial Alternativo de Água (FAME) que se reuniu na França, paralelamente ao muito oficial Fórum Mundial da Água (FME). Duas “cúpulas” e duas posturas radicalmente opostas que expõem até o absurdo o antagonismo entre as multinacionais privadas da água e aqueles que militam por um acesso gratuito e igual a este recurso natural cuja propriedade é objeto de uma áspera disputa nos países do Sul. Basta apontar a identidade dos organizadores do Fórum Mundial da Água para entender o que está em jogo: o Fórum oficial foi organizado pelo Conselho Mundial da Água. Este organismo foi fundado pelas multinacionais da água Suez e Veolia e pelo Fundo Monetário Internacional, incansáveis defensores da privatização da água nos países do Sul.

O mercado que enxergam diante de si é colossal: um bilhão de seres humanos não tem acesso à água potável e cerca de três bilhões de seres humanos carecem de banheiro. O tema da água é estratégico e tem repercussões humanas muito profundas. Os especialistas calculam que, entre 1950 e 2025 ocorrerá uma diminuição de 71% nas reservas mundiais de água por habitante: 18 mil metros cúbicos em 1950 e 4.800 metros cúbicos em 2025. Cerca de 2.500 pessoas morrem por dia por não dispor de um acesso adequado à água potável. A metade delas é de crianças. Comparativamente, 100% da população de Nova York recebe água potável em suas casas. A porcentagem cai para 44% nos países em via de desenvolvimento e despenca para 16% na África Subsaariana.

As águas turvas dos negócios e as reivindicações límpidas da sociedade civil, que defende o princípio segundo qual a água é um assunto público e não privado e uma gestão racional dos recursos, chocam-se entre si sem conciliação possível. Um exemplo dos estragos causados pela privatização desse recurso natural é o das represas Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, a oeste do Amazonas, no Brasil. As duas represas têm um custo de 20 bilhões de dólares e, na sua construção, estão envolvidas a multinacional GDF-Suez e o banco espanhol Santander. A construção dessas imensas represas provocou o que Ronack Monabay, da ONG Amigos da Terra, chama de “um desarranjo global”. As obras desencadearam um êxodo interior dos índios que viviam na região. Eles foram se refugiar em outra área ocupada por garimpeiros em busca de ouro e terminaram enfrentando-se com eles.

“Deslocamento de populações, inundação de terras agrícolas e de matas e esgotamento de espécies aquáticas são algumas das consequências nefastas dessas megaestruturas”, denuncia Ronack Monabay. As represas se Santo Antônio e Jirau ameaçam também várias populações indígenas ao longo do rio Madeira: os Karitiana, os Karipuna, os Uru-eu-Wau-Wau e os Katawixi. Outros grupos como os Parintintin, os Tenharim, os Pirahã, os Jiahui, os Torá, os Apurinã, os Mura, os Oro Ari, os Oro Bom, os Cassupá e os Salamãi também estão ameaçados. Nenhuma destas populações indígenas foi consultada sobre a viabilidade dos projetos. Eles foram impostos a elas, juntamente com todos os males que os acompanham.

O exemplo do Brasil é extensivo a outros projetos similares em Uganda ou Laos, onde as multinacionais da água semeiam a destruição. O direito à água para todos foi reconhecido pelas Nações Unidas em 2010. No entanto, esse reconhecimento está longe de ter se materializado em fatos. Emmanuel Poilane, diretor da Fundação France Libertés, criada por Danielle Miterrand, falecida esposa do também falecido presidente socialista François Miterrand, lembra de um dado revelador: “dos 193 países que integram a ONU, só 30 deles inscreveram esse direito na Constituição. Mas esses 30 países são todos do Sul”. O Norte quer água privada para encher os caixas de seus bancos e pouco importa o custo humano que a escassez de água pode causar às populações destes países.

A este respeito, Emmanuel Poilane recorda que “a cada três segundos morre uma criança por falta de água”. A própria existência do Fórum Mundial da Água, organizado por um Conselho Mundial da Água composto por multinacionais e pelo FMI é uma aberração. A batalha entre público e privado se deslocou inclusive para o Senado francês. No curso de um debate, um dos senadores socialistas lembrou que esse fórum não é uma instância das Nações Unidas, mas sim um lugar onde “se fazem negócios privilegiados entre as multinacionais”. É urgente que a água seja objeto de uma reapropriação cidadã”. Não é o caso. As instâncias internacionais estão ausentes porque os lucros à vista são colossais. A gestão da água foi confiscada pelos interesses privados.

Brice Lalonde, coordenador da Rio+20, cúpula da ONU para o Meio Ambiente, prometeu que a água será “uma prioridade” da reunião que será realizada no Rio de Janeiro em junho. O responsável francês destaca neste sentido o paradoxo que atravessa este recurso natural: “a água é uma espécie de jogo entre o global e o local”. E neste jogo o poder global das multinacionais se impõe sobre os poderes locais.

As ONGs não perdem as esperanças e apostam na mobilização social para contrapor a influência das megacorporações. Neste contexto preciso, todos lembram o exemplo da Bolívia. Jacques Cambon, organizador do Fórum Alternativo Mundial da Água e membro da ONG Aquattac, recorda o protesto que ocorreu na cidade de Cochabamba: “dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se na rua em protesto contra o aumento da tarifa da água potável imposto pela multinacional norteamericana Bechtel”.

A guerra da água é silenciosa, mas existe: conflito em Barcelona causado pelo aumento das tarifas, quase guerra na Patagônia chilena por causa da construção de enormes represas e da privatização de sistemas fluviais inteiros, antagonismos em Barcelona e em muitos países africanos pelas tarifas abusivas aplicadas pelas multinacionais. A pérola fica por conta da Coca Cola e de suas tentativas de garantir o controle em Chiapas, México, das reservas de água mais importantes do país. Jacques Cambon está convencido de que “o problema do acesso à água é um problema de democracia. Enquanto não se garantir o acesso e a gestão da água sob supervisão de uma participação cidadã haverá guerras da água em todo o mundo”.

A senadora brasileira Katia Abreu (PSD), que também é presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), propôs durante o Fórum uma iniciativa para “proteger em escala mundial as zonas essenciais à preservação dos recursos de água”. As palavras, no entanto, se chocam com a dura realidade: a das multinacionais e a da própria natureza. A ONU apresentou na França um informe sobre o impacto da mudança climática na gestão da água: secas, inundações, transtornos nos padrões básicos de chuva, derretimento de geleiras, urbanização excessiva, globalização, hiperconsumo, crescimento demográfico e econômico. Cada um destes fatores, constitui, para as Nações Unidas, os desafios iminentes que exigem respostas da humanidade.

A margem de manobra é estreita. Nada indica que os tomadores de decisão estão dispostos a modificar o rumo de suas ações. A mudança climática colocou uma agenda que as multinacionais, os bancos e o sistema financeiro resistem a aceitar. Seguem destruindo, em benefício próprio e contra a humanidade. Ante a cegueira das multinacionais, a solidariedade internacional e o lançamento daquilo que se chamou na França de “um efeito mariposa” em torno da problemática da água são duas respostas possíveis para frear a seca mundial.

Tradução: Katarina Peixoto


Fonte: Site Carta Maior