segunda-feira, 30 de abril de 2012

Em busca de Deus em tempos de Google


Não basta misturar fé com ritmos e termos das novas tecnologias. Aqui, trata-se de ciberteologia: fala o padre Antonio Spadaro, diretor da Civiltà Cattolica.

A reportagem é de Filippo Sensi, publicada no jornal Europa, 27-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Você ouve "ciberteologia" e lhe vem à mente Philip K. Dick, ou talvez um daqueles videogames de guerra, talvez com uma curvatura esotérica, que povoam os geeks. Mas, ao invés, é uma reflexão cognitiva já madura, embora em progresso, o esforço especulativo de "pensar o cristianismo no tempo da rede", como diz o subtítulo do último livro de Antonio Spadaro, há alguns meses diretor da Civiltà Cattolica, o mais antiga revista italiana, como ele mesmo diz com orgulho, em uma conversa com o jornal Europa, a partir justamente do seu livro (Cyberteologia, Ed. Vita e Pensiero).

Quarenta e cinco anos, jesuíta, com formação "mista, entre uma disciplina e outra", Spadaro nos preserva a fisionomia diferenciada da ciberteologia com relação às pastorais, às sociologias da rede, até mesmo das teologias contextuais: nas suas interrogações, há, ao contrário, uma urgência epistemológica, uma inteligência das fés que visa a ir ao último nó, rumo ao "Ponto Ômega", para usar o léxico de um pensador muito querido do diretor da Civiltà Cattolica, Teilhard de Chardin.

"É um autor complexo, genial, e o pensamento genial é sempre uma fonte, lamacenta, empastada", explica Spadaro. "É a ambiguidade que o torna grande, nos impõe que captemos nele mais as perguntas do que as respostas". Se o itinerarium do teólogo de Messina, por enquanto, estaciona junto à noosfera teilhardiana como tensão/atração da humanidade, cada vez mais conectada como em um sistema nervoso planetário, rumo à Deus, o ponto de partida da sua reflexão é que a Internet não pode ser banalizada como instrumento, mas já é o ambiente em que nos movemos.

"A rede e a Igreja – escreve – são duas realidades destinadas desde sempre a se encontrar. O desafio, portanto, não deve ser como 'usar' bem a rede, como muitas vezes se crê, mas sim como 'viver' bem no tempo da rede". Nessa contemporaneidade da reflexão, também ética, de Spadaro, pode-se ler um humanismo profundo, emprestado da longa visitação à literatura, em particular à escrita de Flannery O'Connor, à poesia de Gerard Manley Hopkins e de Walt Whitman (que o teólogo também traduziu). Uma dimensão que permite que o teólogo utilize uma sensibilidade linguística preciosa e penetrante.

Como quando se interroga sobre a persistência, no léxico da tecnologia, de conceitos tomados de empréstimo do plano religioso, como "salvar", "converter", "justificar", "compartilhar" ("a linguagem da fé é tão densa de significado que, depois, ultrapassa fronteiras", arrisca uma resposta o diretor da Civiltà Cattolica).

Ou como quando pergunta "como a busca de Deus muda no tempo dos sistemas de busca", para negar depois, radicalmente, a possibilidade de uma "googlelização da fé". Se o assunto de partida da ciberteologia é que não se pode fingir que essa dimensão da rede não existe, mas tem um impacto significativo sobre a nossa capacidade de pensar o fato cristão, segue-se daí que uma mera fenomenologia da rede, dos seus usos, das suas liturgias, dos seus gadgets continua sendo insuficiente nesse trabalho de focalização.

Ou seja, não se chega ao ponto, detém-se exclusivamente em empastar a fé com a terminologia imposta pelas novas tecnologias. Não é um trabalho de tradução, mas sim de tradição o que se exige do teólogo, de tradição e de inovação ao mesmo tempo.

Spadaro explica isso com uma referência à revista que ele dirige, a Civiltà Cattolica: "Cuidado com os mal-entendidos daqueles que opõem inovação e tradição. Olhando para a história da revista, por exemplo, pode-se captar um grande esforço de inovação justamente nas suas origens. Era em italiano, e não em latim. Tinha circulação nacional, antes que a Itália fosse unida. Ocupava-se de alta cultura, mas com uma linguagem legível, ordinária, comum, quase militante".

Uma paixão pelo original, pelo estado nascente à qual o teólogo não abdica nunca, em nenhuma das suas atividades, das suas predileções. Até mesmo na leitura das Escrituras, Spadaro se detém com gosto sobre o livro do Gênesis, da "criação do mundo como libertação criativa do caos". Porque, "na Bíblia – observa, cercado pelos livros do seu escritório, a amada Flannery O'Connor ao alcance das mãos, em uma prateleira ordenada –, a criação não é ex nihilo, mas é um gesto criativo que põe ordem em um caos informe e assustador".

Assim, a sua ciberteologia tenta sistematizar as sugestões especulativas que já se encontravam no anterior Web 2.0. Reti di relazione e, mais em geral, nas suas atividades de blogueiro que, no ano passado, gerou curiosidade até na revista Economist. Já passou muito tempo desde que Spadaro fundava a revista literária Bomba Carta, um projeto cultural que coordenava iniciativas de escrita criativa, juntamente com a produção de vídeo e a leituras via Internet. Hoje, o diretor da Civiltà Cattolica foi nomeado pelo Papa Bento XVI consultor do Pontifício Conselho para a Cultura e das Comunicações Sociais.

No entanto, ele dá de ombros ou, melhor, quase se alarma quando se destaca o dado biográfico, relacionando-o com o destaque dos cargos que ele possui: "Hoje, na Itália, definir como jovem uma pessoa de 45 anos é inquietante, porque indica que não há uma adequada valorização dos jovens, com o consequente risco de desencadear uma competição entre jovens e adultos".

Ele continua o seu raciocínio: "Na Itália, corremos o risco de viver uma hierarquia mais ligada à idade do que à competência: por favor, não há dúvida de que a experiência tem uma virtuosidade própria. Mas se a experiência é um valor – salienta Spadaro –, o frescor também o é. Atenção, por isso, ao trazer esses dois valores em conflito".

E, por outro lado, toda a base da sua ciberteologia é marcada por um esforço de conciliação, de recíproca compreensão entre duas esferas, duas dimensões das quais o teólogo conhece perfeitamente o perímetro, sem confusões, nem sobreposições quaisquer. Em um diálogo contínuo, no entanto, embora na diferença dos planos, o do ambiente tecnológico e o da Revelação: "No desafio que a mentalidade hacker começa a pôr à teologia e à fé – escreve ele no livro –, deve ser preservada a abertura humana à transcendência, a um dom indedutível, a uma graça que 'fura' o sistema das relações e que nunca é somente o fruto de uma conexão ou de uma partilha, embora ampla e generosa".

Se não fosse assim, adverte, a rede acabaria sendo uma "torre de Babel horizontal", dando uma falsa impressão de "onipresença" de "envolver tudo", da qual, no entanto, se estende e excede a Revelação. Até agora, estávamos nos prolegômenos de uma ciberteologia, de uma fides quaerens intellectum no tempo da intromissão e das oportunidades liberadas pelas redes sociais.

"Agora, o campo está aberto", admite Spadaro, despedindo-se. Se ainda não nas categorias estamos, contudo, dentro de um ecossistema de reflexão que promete mudar, e profundamente, a perspectiva teológica contemporânea.

O fato de que isso se deva a forty-something que se ocupou de Piervittorio Tondelli e de Tom Waits, de Raymond Carver e Nick Cave ou Andy Warhol é um desafio aos lugares-comuns com os quais muitas vezes mal compreendemos o papel da Igreja, o seu humanismo, a sua missão.


Fonte: IHU Online

Luteranas criam rede de justiça e gênero

Líderes e teólogas representando igrejas luteranas de dez países da América Latina e do Caribe criaram a rede “Mulheres e Justiça de Gênero”, com o propósito de incentivar o acolhimento e a inclusividade em todas as esferas da Igreja.

A informação é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 29-04-2012.

“Essa rede nos motiva a compartilhar a nossa caminhada. Ela leva à reflexão sobre o nosso papel na América Latina, reforça a nossa identidade e cria mecanismos mais sólidos para refletirmos teologicamente sobre o papel da mulher na Igreja. Não estamos sozinhas, somos um corpo que tem vários membros”, disse a pastora brasileira Márcia Blasi ao repórter Tobias Mathies.

Há mais de 40 anos mulheres luteranas lutam por mais espaço e justiça de gênero na sociedade, na vida comunitária, na expectativa de chegar aos cargos de comando na igreja. Mapeamento mostra que todas as igrejas luteranas da região ordenam mulheres ao sacerdócio e cresce o número de mulheres que se dedicam ao estudo da Teologia.

“O trabalho com mulheres sempre foi uma fortaleza na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e agora queremos dividir a nossa experiência para somar os nossos trabalhos”, disse a secretária geral da denominação brasileira, diácona Ingrit Vogt.

As 25 mulheres representantes das igrejas da América Latina e do Caribe estiveram reunidas na capital catarinense, concomitante à Conferência de Bispos, Presidentes e Lideranças das Igrejas filiadas à Federação Luterana Mundial, que realizou encontro em Florianópolis dias 23 a 27 de abril.


Fonte: IHU Online

"É difícil separar religião e política". Entrevista com D. Odilo Pedro Scherer

À frente da arquidiocese de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer cuida de cerca de 4,5 milhões de almas católicas e cumpre, com afinco, determinação do papa Bento XVI: levar o rebanho a confirmar e redescobrir sua fé. O trabalho envolve liderar as fileiras de bispos e outros sacerdotes, mas também garantir a presença da Igreja na mídia e ocupar espaços públicos - em um campo religioso cada vez mais competitivo. O cardeal, que participa, no fim de maio, do Encontro Mundial das Famílias com o papa, em Milão, acaba de passar 10 dias com 300 bispos na Assembleia-Geral da CNBB. Em conversa com a coluna, não recusou nenhuma pergunta: de eleições ("ajudamos a comunidade a discernir sobre cada candidato") à recente aprovação de aborto de anencéfalos pelo Supremo ("uma perda para a sociedade").

A entrevista é de Paula Bonelli e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 30-04-2012.




Aos 62 anos, d. Odilo foi escolado nos corredores do Vaticano e carrega um blend de sotaques que reúne o original sulista, dialetos em alemão - falados em sua casa, na infância -, italiano e, agora, uma pitada de paulistanês. Na entrevista a seguir, ele revela que padres fazem psicanálise, diz gostar de Chico e Beethoven e explica por que a Teologia da Libertação, ao que parece, se foi para não mais voltar.

Eis a entrevista.

Qual o lado bom e o lado ruim de ser arcebispo de SP?

É uma enorme graça de Deus. E, sem dúvida, é motivo de muita alegria receber uma missão tão importante. O lado difícil são os enormes desafios. A arquidiocese de São Paulo é muito grande, e o volume de trabalho também. Além de participar de todas as atividades do universo religioso, é preciso acompanhar a mídia e estar no espaço público e político, seja pela natureza da Igreja, que represento, seja pela vontade das pessoas de ouvir o arcebispo em certos momentos.

O que o senhor sentiu ao receber a notícia de que seria nomeado bispo auxiliar para SP e mais tarde arcebispo?

Eu já tinha 52 anos e trabalhava na Congregação para os Bispos na Santa Sé, por onde passam as nomeações dos bispos. Portanto, sabia o que significava e as implicações do serviço. Senti, evidentemente, o peso da decisão. No momento em que disse "sim, aceito", senti uma enorme carga de responsabilidade.

Teve medo?

Medo, não. Mas pensei nas implicações e se daria conta.

O senhor já fez terapia? Padres podem fazer?

Eu nunca fiz, mas padres podem, sim, fazer. Por que não? Em algumas situações, é até aconselhado.

Conhece casos de padres que fizeram?

Conheço, mas não vou citá-los. O padre é um ser humano. Pode ter estresse, crise depressiva, disfunção neurológica hereditária, que provoca problemas psicológicos e comportamentais.

Quando o senhor não está envolvido com as atividades de cardeal-arcebispo, costuma fazer o quê?

Gosto muito de música popular e erudita. Beethoven, Bach e Brahms. Também Chico Buarque, Maria Bethânia... da MPB, gosto de vários cantores. Escuto música quando trabalho, no escritório, enquanto mexo na papelada. Este é um hábito que aprendi no seminário e que trago desde menino.

Vai ao cinema?

Pouco, infelizmente. Não dá tempo. Mas gosto de ir.

O senhor viu o filme Habemus Papam (ficção sobre um papa que, ao ser eleito, não consegue assumir por causa do peso da responsabilidade), que está em cartaz nos cinemas?

Ainda não. Vou tentar assistir na Itália, no idioma original.

O papa é esperado no Rio para a Jornada da Juventude, em 2013. Qual a importância do evento?

É muito importante, para que apareça o rosto jovem da Igreja. Para que interajam e vejam que há muitos outros jovens, inclusive de outros países, que creem como eles. Também é um momento de se encontrarem com o papa Bento XVI.

Quais são os desafios de realizar este evento?

São muitos, de todo o tipo, de ordem logística. Isso não é fácil em um evento para o qual se esperam milhões de pessoas. Está mais por conta da arquidiocese do Rio, que organiza localmente e está trabalhando duro. Estamos organizando, em âmbito nacional, o envolvimento de toda a juventude.

Existe a expectativa de um grande público no Rio?

Existe. O Rio de Janeiro atrai por si mesmo, mas não se vai para lá fazer turismo. A Jornada é momento de viver uma programação intensa, com várias temáticas, em conjunto, pelos participantes. Isso requer bastante esforço e até disposição para enfrentar alguns desconfortos. É evidente que, no fim, por melhor que seja a organização, em algum momento vai falhar. Não é que todo mundo poderá dormir em hotel de quatro estrelas, e é inevitável o congestionamento no trânsito, por exemplo. Mas o pessoal vai na alegria, porque é uma experiência única.

Como manter os jovens envolvidos com o catolicismo e o seu lado erudito?

A Jornada Mundial da Juventude é um modo de despertar isso. Não há como manter o interesse dos jovens, senão pondo-os em contato. Ninguém ama o que não conhece. O encontro é para deixar que a juventude faça suas perguntas, se expresse e perceba também os valores e toda a história da Igreja. Isso faz com que ela se sinta parte da Igreja e não a enxergue como algo distante.

Como se adaptar aos novos tempos sem perder a qualidade do catolicismo?

Este é um enorme desafio, que a Igreja enfrenta há dois mil anos. Estamos vivendo uma virada epocal, semelhante à ocorrida na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, e da Moderna para a Contemporânea. São momentos em que a Igreja tem de reaprender, propondo-se de forma nova, mas mantendo-se idêntica a si mesma. É o que estamos precisando fazer hoje.

A Renovação Carismática é um caminho?

É, mas não o único. Existem muitos outros, bem diversos da Renovação Carismática.

Como, então, frear a perda de fiéis para igrejas pentecostais?

Não há outro modo, senão ajudando os fiéis a se sentirem fortalecidos na própria fé e enraizados na Igreja. Mas a ideia que se passa é que só a Igreja Católica está perdendo fiéis. Outras perdem, porcentualmente, muito mais. Se vocês olharem o censo de 2000 a 2010, verão o quanto a Igreja Universal do Reino de Deus perdeu. Hoje, há uma oferta religiosa muito ampla, e eu diria agressiva. As pessoas, de alguma forma, estão sob pressão para fazer novas escolhas.

Este é um ano de eleições. Na sua opinião, a religião deve influenciar a política?

Não sei se a religião deve influenciar a política, mas as convicções religiosas dos cidadãos repercutem na política. Religião e política não se fundem, não se sobrepõem, mas é muito difícil separar as duas coisas.

Qual a orientação da Igreja Católica para o processo eleitoral deste ano?

A mensagem dos bispos é para que o povo se interesse pela participação política, procure conhecer bem os candidatos. Fiquem atentos à aplicação da lei 9.840, contra a corrupção eleitoral, o abuso do poder econômico e a compra de votos. Enfim, estejam atentos para escolher candidatos idôneos.

A Igreja apoia candidatos?

Não costumamos indicar candidatos, porque é uma questão de escolha livre e consciente de cada um. Recomendamos, também, que o clero não tome posição partidária, pois isso cria divisões. Não escolhemos partidos nem candidatos. Mas ajudamos a comunidade a discernir sobre cada um. E possa escolher aqueles sintonizados com nossas convicções - de justiça social, atendimento das necessidades da população carente, justiça econômica, promoção do desenvolvimento, respeito à dignidade da pessoa e moralidade pública.

Na Itália, sede do Vaticano, e em vários países desenvolvidos, o aborto é legalizado há muitos anos. A Igreja está na contramão da saúde pública?

A legalização do aborto não é a promoção da saúde pública, mas a legalização da morte de seres humanos. Se está na contramão de outras decisões? É possível, mas a Igreja não pode estar na contramão dos princípios básicos da dignidade humana, proclamados pelas nações, pela Constituição brasileira, pela ONU. Nem que todos os países aprovassem a legalização do aborto, a Igreja não poderia aprová-la.

Como o senhor recebeu a aprovação do aborto de anencéfalos pelo STF?

A aprovação não muda a posição da Igreja em relação à questão, que é de respeito pleno à vida daquele ser humano - ainda que seja muito breve. Se isso foi tornado legal, não significa que se tornou moral. Fique claro que não foi a Igreja que perdeu, nem os cristãos, mas a sociedade brasileira. A humanidade perdeu em sensibilidade, em respeito à pessoa e ficou mais endurecida em relação às fragilidades e aos defeitos humanos.

Se não houvesse celibato, haveria mais padres?

Não sei, talvez. É bastante difícil responder a esta pergunta de forma hipotética. Porém, há um fato: em outras igrejas que não têm celibato, também faltam ministros. O problema não é o celibato, mas uma coisa mais profunda, a experiência da fé e o valor da proposta religiosa.

Quais foram e ainda serão as consequências para a Igreja dos casos de pedofilia? Como o senhor os enxerga?

Não é só um problema da Igreja. Mais de 90% dos casos ocorrem embaixo do teto familiar. Lamentavelmente, também ocorreram e ocorrem em ambientes religiosos. Creio que trouxe um grande dano à credibilidade da Igreja, mas também está trazendo grande purificação. E uma atenção também da sociedade para a questão.

Como coibir, de forma prática, a pedofilia na Igreja? Palestra? Terapia?

Não é só na Igreja, é na sociedade como um todo. Como é possível tentar combater isso se, nas escolas, coloca-se camisinha ao alcance de crianças? São um convite a fazer sexo, a promiscuidade, desde cedo. A preocupação é combater a aids, mas não se percebe que ali está se promovendo um monte de outras consequências danosas. Dentro da Igreja, evidentemente estamos muito atentos em fazer uma nova retomada da consciência, respeito aos valores morais e da observância dos mandamentos da Lei de Deus.

A Teologia da Libertação está enfraquecida, mas ainda é lembrada como uma corrente da Igreja preocupada em abolir as injustiças sociais.

Foi um momento da história da teologia. Ela perdeu suas motivações próprias, por causa da ideologia marxista de fundo - materialismo ateu, luta de classes, uso da violência para conquistar objetivos -, que não casa com a teologia cristã. Isso foi percebido pouco a pouco. Talvez tenha tido méritos, por ajudar a recobrar a consciência de questões como justiça social, justiça internacional e a libertação dos povos oprimidos. Mas estes sempre foram temas constantes do ensino da Igreja. E vão continuar a ser.

Ainda há muitos padres da Teologia da Libertação?

Não sei se muitos. Ainda existem simpatizantes, mas já não são tantos assim.

Nos seminários brasileiros, ainda há bastantes padres da Teologia da Libertação lecionando?

Não, não creio.

O senhor poderia ser eleito papa um dia? Pensa nisso?

Não estou imaginando isso, não. Só um será eleito papa e existem tantos que podem ser escolhidos! É o conclave que decide, não alguém que se propõe ou que diz "quero ser papa" ou "vote em mim, eu vou ser papa". Isso não existe. Portanto, não passa pela minha cabeça outra coisa além de ser arcebispo de São Paulo.


Fonte: IHU Online

domingo, 29 de abril de 2012

Crime Organizado

Adriano Couto



Acompanhamos na imprensa diariamente, notícias sobre ações de quadrilhas e similares e as estes muitas vezes atribuídas erroneamente ao Crime Organizado, sendo que grande parte destas operações são efetuadas por grupos isolados e sem conexão entre si. Para tal devemos antes de qualquer coisa conceituar tal expressão: "Crime Organizado é o grupo que detém a estrutura hierárquico-piramidal para a prática de infrações penais, contando com uma divisão de tarefas entre membros restritos, envolvimento direto ou indireto de agentes públicos, voltado para obtenção de dinheiro, poder, com domínio territorial determinado."

O potencial ofensivo do crime organizado é impressionante, o seu alcance excede os limites do país, vinculando-se com máfias internacionais. O dano social que causa é responsável por ¼ do dinheiro em circulação no mundo. Utiliza intimidação e ameaça contra quem ousa violar ou familiares (integrantes ou não). A corrupção e infiltração são uma de suas marcas, propiciando vantagens financeiras a autoridades dos Poderes do Estado, MP e PJ. Sua estrutura é sofisticada, empresarial com meios tecnológicos avançados para a integração de seus membros.

As Características mais marcantes são a sua antijuricidade; planejamento empresarial; estabilidade de seus integrantes, sua cadeia de comando (hierarquia); pluralidade de agentes (lavagem de dinheiro, laranjas); compartimentação (ex: se cair o chefe, pode-se agregar outros grupos ou formarão novos, dando continuidade a suas ações); Código de honra (os traidores são mortos); controle territorial (em geral dominam as favelas, nestas montam suas bases); fins lucrativos e também a diversificação de áreas de atuação.

Suas modalidades de atuação mais comuns são: Assaltos a banco; espionagem industrial; roubo de cargas; roubo a transporte de valores; contrabando; falsificação de produtos; fraude em licitações; falsificação de remédios; grupos de extermínio; prostituição; tráfico de órgãos, tráfico de drogas; desvio de dinheiro público; lavagem de dinheiro; sonegação fiscal; seqüestros; roubo de veículos; jogo do bicho; corrupção.

O crime organizado manifesta-se das mais variadas formas ao redor do mundo, sendo que nos Estados Unidos e na Itália, as máfias dividem-se por etnias; na Rússia existe a Bratva (ex-militares da URSS, extremamente violenta); no Japão opera a Yakuza (existe desde o Japão Medieval, especializada em assassinatos por encomenda, contratados por organizações de outros países, também realizam o tráfico de pessoas); Na Colômbia e México são famosos os Cartéis (traficantes que se unem).

No Brasil, o crime organizado divide-se em Comandos (formado nas prisões, tais como: CV PCC); Milícias (policiais corruptos, vide Tropa de Elite 2) e os Crimes do Colarinho Branco (crimes políticos, tão comum quanto possamos imaginar).

O Crime Organizado surgiu no Brasil com o advento do Regime Militar em 1964, no Presídio da Ilha Grande no RJ com a chegada de presos políticos. A chegada destes novos presos suscitou admiração e interesse dos presos comuns. Os presos políticos ensinaram técnicas de guerrilha; organização, hierarquia e disciplina; comunicação por códigos e sinais; técnicas de propaganda; coesão (montar uma única organização) e táticas de ação armada. Modus Operandi este completamente desconhecido por presos comuns.

Neste contexto nasceu o Comando Vermelho em 1979 no RJ, como um conjunto de presos comuns e presos políticos membros da Falange Vermelha, que lutaram contra o governo militar. Durante toda a década de 90, o Comando Vermelho foi uma das organizações criminosas mais poderosas do Brasil No início tinha como objetivo a luta contra os abusos das autoridades carcerárias,proibindo ataques, roubos, violência física e sexual entre os presos. No início dos anos 80, os primeiros presos foragidos da Ilha Grande começaram a pôr em prática todos os ensinamentos que haviam adquirido ao longo dos anos de convivência com os presos políticos, organizando e praticando numerosos assaltos a instituições bancárias, algumas empresas e joalherias.

Forças Armadas

Adriano Couto



As Forças Armadas, constituídas pelo Exército, Marinha e Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema da Presidente da República Dilma Rousseff e destinam-se: À defesa da pátria (agressão estrangeira em caso de guerra); à garantia dos poderes constitucionais; à garantia da lei e da ordem e participação nas operações de paz.

Quanto ao serviço militar, o mesmo é obrigatório para todos, em caso de crença religiosa ou convicção filosófica ou política, a fim de se eximir de atividade militar, será atribuído serviço alternativo. As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório, em tempos de paz. O indivíduo que pratica a insubmissão ou deserção comete um crime militar.

No que diz respeito à organização, as Forças Armadas são subordinadas ao Ministério da Defesa, cujo ministro é Celso Amorim. Os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica são nomeados pela Presidente Dilma.

A atuação das Forças Armadas, na garantia da lei e da ordem, ocorrerá somente depois de indisponíveis, inexistentes ou insuficientes os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, elencadas no art. 144 da CF. Essa defesa é de competência primária das forças de segurança pública (já explanadas em artigo anterior) lembrando que as forças de segurança pública são forças auxiliares e reservas constitucionais do Exército Brasileiro.

Conselho de sexologista: NAMORE UM BARRIGUDINHO!

Sanguessugado do Janela do Abelha

NAMORE UM BARRIGUDINHO!

(CARLA MOURA PSICÓLOGA, ESPECIALISTA EM SEXOLOGIA)

Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! ... Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim. Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta.

Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais) , acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê. Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa. E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.

E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar. Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `McSalad´ com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar.

Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará um relacionamento.

Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental: Homens barrigudinhos são confortáveis! Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível! Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar,a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar.

É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz.

CHEGA DE VIADAGEM!

O mundo inteiro sabe que quem gosta de homem bonito são os viados. Mulher quer homem inteligente, carinhoso e boa praça. Chega de ter a consciência pesada após beber aquela cervejinha, ou aquele vinho, e comer aqueles petiscos.

Chegou a sua vez!! Salada, é o caralho!!

Passe a diante para todos os barrigudos e simpatizantes! !

P.S.: E mandamos um recado para você "sarado gostosão": Enquanto você malha, sua namorada está tomando cerveja num motel, com um barrigudinho


Fonte: Blog do Gilson Sampaio

Sapo senta igualzinho a um homem e faz sucesso na internet



Sapos também descansam – caçar insetos com a língua não parece ser coisa fácil. O mundo descobriu isso depois que o usuário do YouTube RoltonB publicou um vídeo de um sapinho sentado tranquilamente em um banco, com as mãos na perna e tudo. Internautas indagaram se o animal não estava preso de alguma forma no pedaço de madeira, mas o responsável pela filmagem negou: “O sapo está bem. Não houve pregos, colas, abuso animal, etc. Depois, ele saltou do banco e foi pulando até a água”. O vídeo foi publicado há um dia, na segunda-feira (23), mas já soma 335.500 visualizações.




Fonte: Época/ Blog Libertos do Opressor

Jovens acreditam mais na evolução do que em Gênesis


A Bíblia, em Gênesis, afirma que Deus criou o homem, os animais e tudo mais, do jeito que existe hoje, mas a maioria dos jovens estudantes brasileiros, em torno de 15 anos, acredita na evolução biológica das espécies, conciliando, assim, religião com ciência.

É o que sugere uma pesquisa do biólogo Nelio Bizzo, professor da Faculdade de Educação das USP. Suas conclusões estão baseadas nas respostas a um questionário de 23 perguntas submetido a 2,3 mil alunos do ensino médio de escolas públicas e privadas de todas as regiões do país.

Do total dos alunos, mais de 70% se declararam religiosos. Entre eles, o número de católicos representaram 52%, o de evangélicos, 29% e os sem religião, 7,5%.

A maioria (64%) concordou com a afirmação de que “as espécies atuais de animais e plantas se originaram de outras espécies do passado”.

Bizzo afirmou que tal resultado surpreende porque mostra que os jovens religiosos são menos fundamentalistas do que se imaginava.

Disse que a percentagem dos estudantes que rejeitam completamente a origem biológica do homem é menor que a de evangélicos, que é o grupo de religiosos mais fundamentalista em relação à interpretação de Gênesis.

“A teoria evolutiva é talvez a coisa mais difícil de ser aceita do ponto de vista moral pelos religiosos, mas mesmo assim os dados mostram que a juventude brasileira é sensível à ciência”, afirmou.
Para Bizzo, brasileiros são
sensíveis à ciência

A crença religiosa se impôs mais nas questões que trataram na origem específica do homem. Do total dos estudantes, 44% concordaram que a origem do homem é igual a dos demais seres biológicos (“reações químicas que transformaram compostos inorgânicos em orgânicos “) e 45% discordaram. Houve, portanto, empate técnico.

Na avaliação de Bizzo (foto), se mantiver a atual tendência, cada vez mais os brasileiros religiosos vão interpretar de maneira flexível os textos bíblicos, ao mesmo tempo em que terão uma compreensão “mais sensível” da ciência.

De acordo com ele, isso ocorrerá inclusive em consequência de um maior conhecimento sobre a Teoria das Espécies, de Charles Darwin (1809-1882), autor do livro “A origem das Espécies”, segundo o qual todos os seres evoluíram por intermédio da seleção natural a partir de um ancestral comum.

Uma pesquisa de 2010, do Datafolha, já revelava que 59% de pessoas acima de 16 anos acreditavam na explicação científica para a origem da vida.

Com informação do Estadão.com.


Fonte: Paulopes Weblog

sábado, 28 de abril de 2012

Brasil envia Forças Armadas à fronteira após invasão de militares bolivianos

Força armada da Bolívia expulsou brasileiros do país; extrangeiros entraram armados no Brasil

Rua principal de Vila Bella divide Brasil e Bolívia

O Ministério da Defesa deslocou uma tropa para o município de Capixaba (AC), a 70 quilômetros de Rio Branco, após o Exército da Bolívia ter retomado o processo de expulsão de brasileiros que vivem em seu território.

Na semana passada, antes de expulsarem um colono brasileiro, os militares bolivianos circularam por Capixaba portando pistolas e armas de grosso calibre, fizeram compras no comércio local e até abasteceram seus veículos num posto da cidade.

A tropa do Exército Brasileiro, que conta com apoio da Polícia Federal, tem a missão de guardar a fronteira e impedir novas entradas não autorizadas de militares bolivianos em território nacional.

O Ministério da Defesa movimentou o Exército e a Polícia Federal após o governador do Acre, Tião Viana (PT), ter informado ao Gabinete de Segurança Institucional que colonos brasileiros estão sendo expulsos de suas casas e suas terras estão sendo ocupadas por soldados bolivianos.

Existem mais de 500 colonos brasileiros na região do Alto Acre, que abrange os municípios de Capixaba, Acrelândia, Plácido de Castro, Epicilância, Brasiléia e Assis Brasil. Além dos colonos, existem 50 produtores rurais com pequenas fazendas, que variam de 100 a 300 hectares de pastagens.

O colono José Carlos Caldas, expulso pelos bolivianos, perdeu a plantação e a pequena criação de gado, além de outros bens. Parte do gado teria sido abatida pelos militares para alimentar a tropa boliviana.

O colono registrou o caso na delegacia da Polícia Federal de Epitaciolândia e pediu ajuda do governo brasileiro. A propriedade que ele ocupava na Bolívia pertencia ao pai dele há mais de 40 anos.

"O grave é que a Bolívia não parece empenhada em manter boas relações diplomáticas. Qualquer ação militar que envolva os exércitos dos dois países na fronteira deve ser comunicada, mas nem o Exército Brasileiro, nem o Itamaraty e nem o Governo do Acre foram informados da operação. A situação exige por parte da diplomacia brasileira um protesto forte junto aos diplomatas bolivianos", disse ao Blog da Amazônia o secretário Nilson Mourão, de Justiça e Direitos Humanos do Acre, após participar de uma reunião em Capixaba com a presença do ministro Eduardo Paes Sabóia, da Embaixada do Brasil na Bolívia.

Mourão adiantou que ele e o ministro estão elaborando um relatório em que sugerem que a Bolívia seja tolerante com a presença dos colonos brasileiros até o final do ano. Até lá, o os colonos serão assentados pelo Incra em território brasileiro.

"No povoado boliviano de Vila Bella, com cerca de 60 casas, não existe energia elétrica. Estamos dispostos, como sinal de boa vontade, a oferecer energia do Luz para Todos que passa no lado brasileiro da rua que divide os dois países. Estamos sugerindo, ainda, que haja um entendimento envolvendo a diplomacia dos dois países em relação aos 50 proprietários que possuem fazendas de 100 a 300 hectares na Bolívia, na região do município de Capixaba", acrescentou Mourão.



Terra



Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira

São Francisco, o incompreendido

Antes de Francisco, a pobreza parecia apenas sacrifício e renúncia, enquanto, com ele, "através da experiência da pobreza", o homem renasce, "rico de um novo olhar sobre o real".

A opinião é do escritor italiano Luca Nannipieri, diretor do Centro de Estudos Humanísticos da Abadia de San Savino, em Pisa. O artigo foi publicado no jornal Europa, 26-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Jesus de Nazaré não foi compreendido no seu aspecto subversivo nem mesmo pelos seus primeiros seguidores. Segundo a antropóloga Ida Magli, de fato, "ele é o único que tentou uma obra impossível: mudar totalmente, subverter a cultura em que nasceu, enfrentando-a no seu focus, no seu centro, destruindo suas estruturas principais, negando todos os seus valores essenciais. Com base nas teorias antropológicas, é impossível que um indivíduo, pertencente a um determinado modelo cultural em que nasceu, fala a sua língua, absorveu os seus significados, valores, costumes desde o nascimento, pode sair dele, possa viver negando totalmente os seus conteúdos. Jesus, ao invés, conseguiu" (Gesù di Nazareth, Ed. Bur Rizzoli).

Cristo é uma figura insuperável, porque a radicalidade dos seus gestos jamais foi seguida plenamente nem mesmo pelos seus primeiros fiéis, mas apenas atenuada, circunscrita, limitada. Dois mil anos de cristianismo são também dois mil anos de traição da sua mensagem. A mesma sorte recaiu sobre Francisco de Assis.

O filósofo Massimo Cacciari reflete a respeito de modo admirável no livro Doppio ritratto, San Francesco in Dante e Giotto (Ed. Adelphi). Segundo Cacciari, Francisco testemunhou com a sua vida um modo de conceber a relação com o mundo, até então impensado senão por Cristo e jamais seguido depois dele. Com Francisco, o pobre não é mais "a figura de quem, absolutamente nada possuindo, está à mercê de todos, encolhido no canto. (...) Pobre não é o necessidade, aquele que carece-de, mas, pelo contrário, o perfeito, aquele que imita perfeitamente o Filho".

Antes de Francisco, a pobreza parecia apenas sacrifício e renúncia, enquanto, com ele, "através da experiência da pobreza", o homem renasce, "rico de um novo olhar sobre o real". Francisco não faz como os estoicos ou os sábios que convidam a desprezar os bens terrenos pela sua vaidade. A pobreza nele é uma escolha "que nada inveja, nada quer à disposição. Pobre é aquele que tudo “tem” como irmão e irmã, isto é, sem ter". "Somente o Pobre é verdadeiramente poderoso", porque a sua comunhão com as coisas é "livre da cadeia do possuir e do depender".

Essa revolução de pensamento permanece, porém, in-audita, não ouvida, a tal ponto que apenas "na solidão, em meio aos animais, ele a prega". Para Cacciari, essa novidade foi incompreendida seja pelos seus coirmãos, quanto por Giotto e Dante.

Giotto, nos afrescos da Basílica Superior de Assis, representa Francisco como uma figura pacificada, em harmonia com a sua Ordem, com a Igreja e a sociedade, enquanto, ao invés, o santo, quando vivo, foi uma alma em luta, dividiu grupos e pessoas, ficou desapontado com a sua própria Ordem, muitas vezes dilacerado em seu interior. E Dante, no Paraíso, trai a força de Francisco, porque não sente o porte inaudito da sua pobreza. O livro de Cacciari se detém no santo de Assis e nos dois sumos artistas, mas são claros as possíveis referências ao nosso tempo.

Matteo Renzi disse ter ficado impressionado com Nelson Mandela, mas o que aconteceria em Florença se Renzi tivesse a mesma radicalidade de visão que Mandela demonstrou? Walter Veltroni se inspirava muitas vezes em Martin Luther King, mas o que aconteceria com o Partido Democrático se Veltroni tivesse seguido concretamente a mesma subversiva novidade de valores que levou Luther King a abalar os fundamentos da sociedade norte-americana?

Todos nós sentimos a força catalisadora desses homens, mas, ao invés de igualá-la, a adaptamos, suavizando o seu ato subversivo, atenuando o seu radicalismo. Citamo-los, representamo-los como mitos, mas não queremos ser como eles.

Barcelona surgiu sobre o mito de Santa Eulália, uma menina de 13 anos, à qual, em 303 d.C., se impôs que renegasse o fato de ser cristã. Ela se recusou, e a trancaram em um barril de vidros e de pregos, e o fizeram rolar. Depois, arrancaram seus seios e, após a sua enésima rejeição, a pregaram em uma cruz. Agora, o seu corpo está na catedral, mas quantos desde então podem se dizer iguais a ela? Quantos amaram a força "desordenada" do Pe. Milani e da Escola de Barbiana? Porém, mesmo os seus próprios alunos não souberam regenerar a audácia da sua mensagem.

O Pe. Pietro Cesena, nos arredores de Piacenza, juntamente com um grupo de pessoas, repropõe hoje mesmo uma ideia de comunidade que remonta às origens da palavra evangélica, mas o que ele muitas vezes recebe, na católica cidade de Piacenza, é o silêncio, a desconfiança. Proclamar um valor ou testemunhá-lo. A diferença sempre foi enorme.


Fonte: IHU Online

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Muito antes de Keynes

"As guerras e a preparação para a guerra foram importantes no desenho estratégico do desenvolvimentismo", escreve José Luís Fiori, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, em artigo publicado no jornal Valor, 25-04-2012. Ele pergunta: "Esse "desenvolvimentismo inglês" é o único caminho possível de sucesso? Não. Ele pode ser seguido por qualquer país? Também não". "De qualquer forma, - continua Fiori - o importante é entender que este foi o caminho seguido pelas duas maiores potências liberais da economia capitalista internacional". Eis o artigo. O "milagre econômico inglês", que deu origem ao capitalismo moderno, começou no século XVII, muito antes da chamada "revolução industrial". De forma aproximada, se pode dizer que seu início ocorreu entre a "República de Cromwell" (1649-1659) e o reinado de Guilherme III, o "rei holandês", que governou a Inglaterra entre 1689 e 1702. Cromwell aumentou o poder naval da Inglaterra, fez guerra e venceu a Holanda (1652-1654) e a Espanha (1654-1660), as duas grandes potências marítimas do século XVII, e conquistou a ilha da Jamaica, em 1655, criando a primeira colônia do futuro Império Britânico. Além disso, Cromwell editou, em 1651, o 1º Ato da Navegação, que fechou os portos ingleses aos navios estrangeiros e se transformou no primeiro ato mercantilista agressivo da Inglaterra, fechando as fronteiras de sua economia nacional. Três décadas depois, Guilherme III enfrentou e venceu a França na Guerra dos 9 Anos (1688-1697), iniciou a Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1712) e conquistou e submeteu Irlanda e Escócia. Ao mesmo tempo, no campo econômico, promoveu uma "fusão revolucionária" das instituições financeiras holandesas - que eram mais avançadas - com as finanças inglesas, criando o Banco da Inglaterra e um novo sistema de financiamento da dívida pública inglesa, atrelado à bolsa de valores e ao sistema de crédito da banca privada. Uma "revolução financeira" que deu à Inglaterra um poder de fogo econômico e militar - em qualquer lugar do mundo - muito superior ao das demais potências europeias. Foi nesse período que William Petty (1623-1687) - o pai da economia política clássica - escreveu dois ensaios que revolucionaram o pensamento econômico do século XVII: o "Tratado sobre Impostos e Contribuições", publicado em 1662, e a "Aritmética Política", publicado depois da sua morte, em 1690. No momento em que Petty publicou sua obra, a Inglaterra ainda era uma potência de segunda ordem e se sentia cercada pela Holanda, Espanha e França. Essa era sua preocupação fundamental, quando formulou o conceito de "excedente econômico", e estabeleceu uma relação direta entre o tamanho desse "excedente" e o poder internacional de cada país. O que Petty não propôs nem previu, foi que a Inglaterra virasse uma potência agressiva, e que seu expansionismo se transformasse num motor fundamental para o próprio crescimento do "excedente interno" da economia inglesa, consagrando uma estratégia desenvolvimentista pioneira na história do capitalismo. Basta dizer que a Inglaterra participou de 110 guerras - entre 1650 e 1950 - dentro e fora da Europa, e financiou esse seu expansionismo bélico, depois da "revolução financeira" de 1690, com a sua "dívida pública" que cresceu de 17 milhões de libras em 1690, para 700 milhões em 1800, sem perder, em nenhum momento, a sua "credibilidade" nacional e internacional. Resumindo e apressando a história, já é possível identificar alguns traços fundamentais e específicos desse "desenvolvimentismo inglês": 1) O desenvolvimento inglês foi ligado umbilicalmente à expansão do poder internacional da Inglaterra, e essa expansão foi muito importante para o aumento da "produtividade" e do "excedente" da economia inglesa. 2) Nesse contexto, pode se entender porque as guerras e a "preparação para a guerra" ocuparam um lugar tão importante no desenho estratégico do desenvolvimentismo do estado e dos capitais ingleses. 3) O expansionismo inglês nunca foi liderado pela indústria ou pela burguesia industrial, e sim pelas suas elites ligadas à terra, às armas e às finanças. 4) A estratégia de desenvolvimento da Inglaterra seguiu sendo basicamente a mesma, antes e depois da crítica ao mercantilismo, da economia política clássica, e também, antes e depois da "revolução industrial". 5) O próprio protecionismo de Cromwell se manteve até o século XIX, e só foi abandonado depois que a Inglaterra já era a maior potência militar e econômica mundial. 6) A finança, a dívida pública e a imposição progressiva da libra como moeda do "território econômico supranacional" da Inglaterra, foram os principais instrumentos de poder responsáveis pelo sucesso internacional do capitalismo inglês. 7) Por fim, o desenvolvimentismo inglês não teria sido o mesmo sem a complementaridade dos EUA, que foi sua principal fronteira de expansão financeira, e depois se transformou no herdeiro direto desse mesmo modelo inglês de desenvolvimento e expansionismo contínuo. Agora bem: esse "desenvolvimentismo inglês" é o único caminho possível de sucesso? Não. Ele pode ser seguido por qualquer país? Também não. De qualquer forma, o importante é entender que este foi o caminho seguido pelas duas maiores potências liberais da economia capitalista internacional. (Vide: P.J. Cain and A.G. Hopkins, "British Imperialism, 1688-2000", Longman, London, 2001) Fonte: IHU Online

domingo, 22 de abril de 2012

Brasileiro é de direita, mas gosta de uma ” mãozinha” estatal

O PSD, partido do Kassab, fez uma pesquisa para ver as preferências e opiniões da população, os resultados são interessantes:

Mais de 30% dos brasileiros são de centro-direita, mais de 80% é contra legalização de drogas e mais de 60% é contra o aborto, mas no caso das relações homossexuais e adoção de crianças por casais gays, a população é mais progressista e acha pessoas do mesmo sexo podem ser casar e ter filhos. No aspecto judicial maioria da população defende a pena de morte e maioridade penal para jovens de 16 ou 14 anos idade e os projetos sociais são vistos com bons olhos por uma grande parcela da população, mas essa mesma parcela se diz contra o Bolsa Família.

No aspecto econômico fica interessante e incoerente. Maioria acha que o melhor é ter seu próprio negocio, é contra a alta carga tributária e acredita que o setor privado é melhor gestor que o estado, mas mesmo assim são contra a privatização de empresas estatais.

Fica claro nessa pesquisa que o brasileiro tem uma noção bem fraca ou ausente de ideologia e correntes políticas, não consegue manter uma coerência com o que afirma. Exemplo, no area economica onde maioria acredita que o setor privado é melhor gestor, mas ao mesmo tempo demoniza a privatização de estatais. Logo podemos concluir que temos uma população que é de direita no aspecto social e muitas vezes conservadora, mas na economia fica um misto de liberal com social democrata.

Pesquisa com resultados e outros detalhes

http://www.psd.org.br/pesquisas/


Fonte: Blog Direitas Já!

As pessoas não conseguem mais ler textos longos

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Por força de um texto lido neste Observatório (“Internet e o comércio da distração”) assumi o compromisso de, assim que pudesse, retirar A geração superficial, de Nicholas Carr, de uma pilha de livros novos num canto de estante para ler com calma. A obra é interessante porque mescla história do livro e das ideias sobre o mesmo com constatações acerca das transformações produzidas na leitura, no mercado editorial e no próprio livro em decorrência das novas tecnologias da informação.

Apoiando-se na obra de outros autores, Carr defende a tese de que, assim como o livro impresso mudou a forma dos homens pensarem e se comunicarem, a internet também está fazendo isto. No primeiro caso, em virtude da concentração exigida pela leitura do livro, teria havido um ganho intelectual, cultural e civilizacional. No segundo, em razão da interatividade da internet, estaria ocorrendo um prejuízo cognitivo porque as pessoas não conseguem mais ler textos longos (os links produzem dispersão, a consulta dos e-mails e perfis sociais durante a leitura também etc...).

Carr afirma que já está ocorrendo um crescimento da compra de e-books e um declínio das vendas de livros impressos. Após fazer uma longa digressão sobre o que ocorreu com os jornais norte-americanos (que fecharam, faliram, reduziram sua circulação ou simplesmente migraram para a internet), o autor sustenta que o livro como produto cultural estaria condenado à desaparecer ou a se transformar num produto produzido em pequena escala e consumido por uma pequena elite de leitores.

Argumentos não são desprezíveis

A perspectiva adotada por Nicholas Carr sobre o futuro do livro é diametralmente oposta à de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière. Na obra Não contem com o fim do livro (editora Record), Eco e Carrière defendem a tese de que o livro não morrerá. Umberto Eco afirma, por exemplo, que “você não pode fazer uma colher melhor que uma colher. Designers tentaram melhorar, por exemplo, o saca-rolhas, com sucessos bem modestos e, por sinal, a maioria nem funciona direito. Philippe Starck tentou inovar do lado dos espremedores de limão, mas o dele (para salvaguardar certa pureza estética) deixa passar os caroços. O livro venceu seus desafios e não vemos como, para o mesmo uso, poderíamos fazer algo melhor que o próprio livro. Talvez ele evolua em seus componentes, talvez as páginas não sejam mais de papel. Mas ele permanecerá o que é”. Carrière lembra com pertinência que “...nunca tivemos tanta necessidade de ler e escrever quanto em nossos dias. Não podemos utilizar um computador se não soubermos ler e escrever. E, inclusive, de uma maneira mais complexa do que antigamente, pois integramos novos signos, novas chaves. Nosso alfabeto expandiu-se. É cada vez mais difícil aprender a ler. Empreenderíamos um retorno se nossos computadores fossem capazes de transcrever diretamente o que dizemos. Mas isto é outra questão: podemos nos exprimir com clareza sem saber ler e escrever?”

Sou leitor de livros há quase 40 anos. Não os dispensaria mesmo que caíssem em desuso. Prefiro usar transporte público justamente para poder ler um livro por algum tempo todos os dias. Tendo naturalmente a concordar com Umberto Eco, de quem já li vários livros, inclusive. Mas os argumentos fáticos e teóricos apresentados por Nicholas Carr não são desprezíveis.

Hoje finalizei a leitura do capítulo 6 do livro A geração superficial ao voltar para casa de ônibus. Lia e meditava sobre a leitura que havia feito de Não contem com o fim do livro, de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière. Ao meu lado, pouco depois que sentei e comecei a ler sentou-se uma adolescente, que mais adiante informou-me ter 17 anos de idade.

Garota multimídia

A moça sentou, escolheu uma música no seu smartphone Samsung, conectou-se à internet e pegou um livro da bolsa (Para Sempre, de Alyson Noel, sobre o qual nada posso dizer). Leu uma página e meia escutando música e navegando na internet. Depois fechou o livro e continuou a ler e a navegar na net por uns quinze minutos. Então, reabriu o livro e voltou a ler meia página, sempre escutando música e navegando na internet. O livro ficou no seu colo o resto do trajeto, ela completamente absorta na música e na sua atividade virtual, qualquer que fosse ela.

A princípio, a atitude desta garota me chamou bastante a atenção porque parecia confirmar o fenômeno que Nicholas Carr aborda no seu livro: distração, leitura fragmentada, incapacidade de se concentrar no livro por muito tempo etc... Quando ela desligou o smartphone e guardou o livro percebi que ela ia descer e puxei conversa.

“Você é uma garota multimídia, não?” “Por que?”, respondeu-me com um sorriso. “Porque você escuta música, lê um livro e navega na internet tudo ao mesmo tempo.” “É verdade.” “Você consegue prestar atenção a tudo ao mesmo tempo?” “Sim, estou acostumada a fazer isto.” “Do que você gosta mais, de navegar na internet ou de ler o livro?” “De ler o livro”, respondeu-me com ênfase e segurança.

Questão em aberto

Esta pequena amostra comportamental que colhi no ônibus sugere muitas coisas. A primeira e mais óbvia é que a adolescente afirmou gostar mais de ler o livro do que de navegar na internet, apesar de ter ficado muito mais tempo escutando música e navegando na internet do que lendo. A segunda é a total impossibilidade que tenho de medir a veracidade ou inveracidade da afirmação que ela fez de que consegue prestar atenção a tudo ao mesmo tempo. A terceira, mais importante, eu prestei atenção à conduta da adolescente enquanto lia o livro de Nicholas Carr e procurava confrontá-lo mentalmente com o que havia lido na obra de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière.

A minha própria conduta neste estudo de caso parece confirmar a tese de Carr. Mas no entanto também a contradiz. Minha dispersão existiu, sim, mas não foi improdutiva. O que eu fiz foi colher impressões laterais sobre uma conduta que dizia justamente respeito ao livro que estava lendo naquele momento. Esta minha atitude (desleixada, pelos padrões adotados por Carr) me ajudou a compreender melhor e mais profundamente o assunto de que trata o livro. E assim como eu li e prestei atenção à conduta de outra passageira, devemos admitir que as pessoas podem muito bem ler um livro e compartilhar sua leitura na internet com outros leitores ou colher informações sobre o mesmo em websites literários. Resumindo, o que determina a profundidade e o aproveitamento da leitura não é necessariamente a concentração absoluta sobre o livro.

Nem o livro vai desaparecer, como diz Eco e Carrière, nem a internet vai produzir necessariamente uma geração superficial como afirma Nicholas Carr. Pelo menos para mim a superficialidade dos internautas vai continuar uma questão em aberto.

***

[Fábio de Oliveira Ribeiro é advogado, Osasco, SP]


Fonte: Site Observatório da Imprensa

sábado, 21 de abril de 2012

Catolicismo: a alma antiliberal dos Estados Unidos

A Igreja Católica norte-americana é consciente de já ser a Igreja de referência para a alma religiosamente intransigente e antiliberal dos EUA.

A opinião é de Massimo Faggioli, doutor em história da religião e professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minneapolis-St. Paul, nos EUA. O artigo foi publicado no jornal Europa, 19-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Quando se considera o problema da liberdade religiosa para os cristãos, o pensamento corre para a China, para alguns países da Ásia Central, do Oriente Médio e da África, e certamente não para os Estados Unidos. Mas a Igreja mais poderosa do Ocidente, a católica norte-americana, começou, há alguns meses, a redefinir a sua própria agenda com base em uma questão, a da liberdade religiosa, que é a quintessência do fato político-teológico dos EUA modernos.

Os bispos norte-americanos lançaram oficialmente a campanha com o documento intitulado "A nossa primeira e mais amada liberdade" (Our First, Most Cherished Liberty), publicado no dia 12 de abril pelo comitê ad hoc da Conferência Episcopal. A liberdade referida pelos bispos da comissão, liderada pelo arcebispo Lori (em processo de transferência para a prestigiosa sede de Baltimore), é a liberdade religiosa, a seu ver sob ataque por parte do poder político dos EUA, particularmente do governo federal do governo Obama e do Partido Democrata em nível local.

Os bispos citam, além do já famoso mandato do Ministério da Saúde acerca da cobertura de seguro para a contracepção que deve ser garantida a todos os dependentes (católicos ou não) por hospitais e escolas católicas, outras áreas de atrito entre as políticas públicas e o magistério moral e social da Igreja Católica: as leis de imigração (a do Alabama, especialmente), o pedido dirigido à Igreja para definir claramente a diferença entre "ministro de culto" e "empregado da Igreja" (ligado às proteções contra as demissões injustas dos empregados seculares das Igrejas), a possibilidade de grupos católicos nos câmpus universitários de poder aceitar membros com base em valores morais bem precisos (contra a homossexualidade) com exceção das regras antidiscriminação das faculdades, a possibilidade para os grupos de voluntariado católico de agir sem se submeter às normas do governo acerca das adoções por casais homossexuais.

O documento dos bispos, acompanhado por um presenteísmo sem precedentes na mídia norte-americana, lança duas semanas de luta, do dia 21 de junho a 4 de julho (durante as quais o calendário litúrgico lembra mártires como Pedro e Paulo, São João Batista e Thomas More), em que as dioceses e as paróquias são convidadas a tomar iniciativas especiais pela defesa da liberdade religiosa da Igreja.

Embora citada como uma questão dentre outras, a contracepção é a mais importante do ponto de vista simbólico. Nos EUA, há um número substancial, embora minoritário, de católicos que rejeita a contracepção na teoria e na prática. Mas, significativamente, o documento dos bispos não cita a encíclica Humanae Vitae de Paulo VI (1968), a referência magisterial obrigatória: os bispos não querem dar a impressão de querer tentar vencer legislativamente uma batalha que perderam culturalmente dentro da Igreja. Esse não é o único problema dessa luta dos bispos.

Justamente nos dias em que Roma poderia anunciar o acordo com os cismáticos ultratradicionalistas de Lefebvre para o seu retorno à comunhão com o Vaticano, os lefebvrianos norte-americanos publicaram uma crítica mordaz do documento da Conferência Episcopal: "Essa exortação dos bispos norte-americanos está repleta de afirmações errôneas e de exemplos históricos trágicos em que os bispos tomam como modelo eventos em que certos princípios católicos ficaram comprometidos – eventos que a Conferência Episcopal mostra, ao invés, como modelo de exemplos esplêndidos de catolicismo" (cf. http://www.sspx.org/news/our_first_cherished.htm).

Os lefebvrianos não o podem dizer (o documento papal mais recente que eles citam é o Sílabo de Pio IX, de 1864), mas a declaração dos bispos peca em outras omissões importantes, como a questão da liberdade religiosa para grupos religiosos como o Islã norte-americano, que não têm a força necessária para impor a sua agenda à política. Esse passo dos bispos põe a Igreja em rota de colisão com o governo federal nos meses de campanha eleitoral para as eleições presidenciais de novembro próximo.

Assim, deve se cimentar a divisão política entre católicos democratas e católicos republicanos assim como a conhecemos na última década pelo menos.

O significado político de longo prazo é de porte ainda maior: com um episcopado politicamente na ofensiva, indiferente às divisões internas criadas por esse ativismo, e apoiado por Roma, a Igreja Católica norte-americana é consciente de já ser a Igreja de referência para a alma religiosamente intransigente e antiliberal dos EUA.

Essa explicação é dada eficazmente por Bad Religion: How We Became a Nation of Heretics, o livro (a ser lançado nestes dias) do colunista católico conservador do New York Times Ross Douthat: nos EUA, desapareceu o "centro" do ponto de vista do consenso religioso-moral do país.

A Igreja Católica está tentando preencher esse vazio e se substituir a esse centro que não existe mais. É uma passagem histórica epocal: uma aposta para ganhar a alma religiosa do país, às custas da coesão interna da Igreja.


Fonte: IHU Online

1918: Abatido o Barão Vermelho

Em 21 de abril de 1918, foi morto o barão Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho. Ele foi o mais conhecido piloto alemão na Primeira Guerra Mundial e sua fama extrapolou as fronteiras da Alemanha.

Manfred von Richthofen com a
Medalha de Honra ao Mérito

Nos Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha e Austrália, ele tornou-se conhecido como The Red Baron (O Barão Vermelho). A companhia aérea Lufthansa durante muito tempo aproveitou a popularidade do Barão Vermelho em suas campanhas publicitárias no mercado norte-americano.

O próprio Richthofen contou sua carreira de piloto de avião de caça num livro publicado em 1917. A primeira edição do Der rote Kampfflieger vendeu mais de 250 mil exemplares num ano e foi reeditado várias vezes. Escrita em estilo altamente arrogante, a biografia ajudou a criar o mito de um grande herói de guerra. A mãe de Richthofen descreveu a morte do piloto como o martírio de um jovem cheio de ideais e heroísmo.

Como muitos dos filhos da nobreza da época, Richthofen ingressou no corpo de cadetes imperiais aos 10 anos de idade. Posteriormente, tornou-se oficial de cavalaria. A carreira de oficial permitiu-lhe continuar praticando sua maior paixão – a caça.

Prazer em matar

Com o início da Primeira Guerra Mundial, o Exército alemão intensificou suas atividades de reconhecimento nos territórios inimigos. Richthofen pediu transferência para a recém-criada Força Aérea. Logo passou a participar de vôos de reconhecimento e bombardeios. Ele próprio dizia sentir um verdadeiro prazer em liquidar um inimigo.

Na primavera europeia de 1916, o tenente Richthofen passou a receber a formação de piloto de caça. Ele destacou-se por sua agressividade e, em pouco tempo, derrubara 16 aviões franceses e ingleses, o que lhe rendeu a Medalha de Honra ao Mérito, maior condecoração militar do Império Alemão, e o posto de capitão de esquadra. Tratava seus adversários como animais selvagens e, às vezes, derrubava até dois ou três caças por dia.

Avião pequeno e ágil

Richthofen foi também um dos primeiros a pilotar um triplano Fokker, que estreou nas frentes de batalha no outono europeu de 1916. Era um avião de caça pequeno, a agilidade e a velocidade de decolagem eram sua principal arma. Em manobras, era impossível colocá-lo em mira, mas, se seguisse um rumo fixo, tornava-se alvo fácil. Foi isso o que provavelmente acabou com Richthofen.

No dia 21 de abril de 1918, pouco antes de completar 26 anos, foi atacado pelas costas pelo piloto canadense Roy Brown, enquanto perseguia sua vítima de número 81. Ao mesmo tempo, infantes australianos dispararam do solo suas metralhadoras contra ele. Richthofen foi atingido por um tiro mortal.

Seu corpo foi enterrado com honras militares num pequeno cemitério de soldados no norte da França. Sete anos mais tarde, o cadáver foi exumado a pedido da família e sepultado em Berlim, novamente com honras militares e grande participação popular.

A Força Aérea alemã perdeu 7,7 mil pilotos na Primeira Guerra Mundial. Réplicas do triplano Fokker (que Richthoffen havia mandado pintar de vermelho para provocar seus adversários) estão expostas na maioria dos museus de tecnologia e aviação do mundo. Manfred von Richthofen virou nome de esquadras, quartéis, praças e ruas.

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Autor Werner Schwipps (gh)
Fonte: DW-World


Fonte: Blog História UPF

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Filipinos e chilenos são os que mais acreditam em Deus afirma estudo americano



Filipinos e chilenos são as pessoas mais religiosas do mundo, com os escandinavos e moradores dos antigos países do bloco comunista europeu na outra ponta, afirma um estudo americano divulgado nesta quarta-feira.

A pesquisa também destaca que quanto mais idosa, mais a pessoa acredita em Deus.

Os países onde as pessoas mais acreditam em Deus geralmente são os de forte presença católica, especialmente as nações em desenvolvimento. Além destes, aparecem Estados Unidos, Israel e Chipre, segundo o estudo do instituto NORC, da Universidade de Chicago.

A pesquisa foi baseada em estudos internacionais realizados em 30 países em 1991, 1998 e 2008.

O resultado mostra que 94% dos filipinos "sempre" foram fiéis, seguidos pelos chilenos (88%) e americanos (81%). Nas últimas posições aparecem os alemães da antiga Alemanha Oriental (13%) e os tchecos (20%).

Segundo o estudo, os países mais ateus são os escandinavos e os que integravam o antigo bloco comunista do leste europeu (com exceção da Polônia), com as taxas mais fortes de ateus entre os moradores da antiga Alemanha Oriental (59%).

A crença em Deus caiu em todas as partes, com exceção de Rússia, Eslovênia e Israel.

O estudo mostra ainda que a fé é maior entre as pessoas mais velhas. Na média, 43% das pessoas com 68 anos ou mais têm a certeza de que Deus existe, contra 23% do grupo de 27 anos ou menos.

"As maiores mudanças acontecem a partir dos 58 anos. Isto sugere que a fé aumenta com a proximidade da morte", disse o coordenador do estudo, Tom W. Smith.


Fonte: AFP/ Blog Libertos do Opressor

terça-feira, 17 de abril de 2012

Paulo Freire é declarado o patrono da educação brasileira

O educador e filósofo pernambucano Paulo Freire (1921-1997) passa a ser reconhecido como patrono da educação brasileira. É o que estabelece a Lei nº 12.612, do dia 13 último. Freire dedicou grande parte de sua vida à alfabetização e à educação da população pobre.



Oriundo de uma família de classe média, Freire conviveu com a pobreza e a fome na infância, durante a depressão de 1929. A experiência o ajudou a pensar nos pobres e o levou, mais tarde, a elaborar seu revolucionário método de ensino. Em 1943, chegou à Faculdade de Direito da Universidade de Recife, hoje Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Durante o curso, teve contato com conteúdos de filosofia da educação. Ao optar por lecionar língua portuguesa, deixou de lado a profissão de advogado. Em 1946, assumiu a direção do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social de Pernambuco, onde passou a trabalhar com pobres analfabetos.

Em 1961, como diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade de Recife, montou uma equipe para alfabetizar 300 cortadores de cana em 45 dias. As experiências bem-sucedidas com alfabetização foram reconhecidas em 1964 pelo governo de João Goulart, que aprovou a multiplicação das experiências no Plano Nacional de Alfabetização. No entanto, poucos meses após a implantação, o plano foi vetado pelos militares, que assumiram o governo. Freire foi preso e expulso do país. Em 16 anos de exílio, passou por Chile, Suíça, Estados Unidos e Inglaterra e difundiu sua metodologia de ensino em países africanos de colonização portuguesa, como Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Em sua obra mais conhecida, A Pedagogia do Oprimido, o educador propõe um novo modelo de ensino, com uma dinâmica menos vertical entre professores e alunos e a sociedade na qual se inserem. O livro foi traduzido em mais de 40 idiomas.

Visão — Para a diretora de currículos e educação integral do Ministério da Educação, Jaqueline Moll, o Brasil presta uma homenagem a Paulo Freire por sua obra pela educação brasileira. “Paulo Freire é a figura de maior destaque na educação brasileira contemporânea, pelo olhar novo que ele constrói sobre o processo educativo”, afirma. “Ele tem ajudado muitos países no mundo a repensar a visão vertical que temos nas salas de aula, de um professor que sabe tudo e do estudante que é uma tábula rasa e nada sabe.”

“Uma homenagem mais que justa”, comemora Leocádia Inês Schoeffen, secretária municipal de Educação de São Leopoldo (RS), cidade a 50 km de Porto Alegre. Todas as 35 escolas públicas do município já aderiram ao Programa Mais Educação, que amplia a jornada diária para o mínimo de sete horas. “O Mais Educação, do ponto de vista da educação popular, não é restrito ao ambiente escolar, mas articula-se com a comunidade. Assim, há afinidade grande desse programa com o que o Paulo Freire defendia, que é fazer a leitura do mundo e a inserção do educando no seu meio, capacitando-o para que seja agente do seu momento histórico”, diz.

Reconhecido internacionalmente, Paulo Freire recebeu inúmeros títulos e importantes premiações. No portal Domínio Público, do MEC, pode-se baixar gratuitamente o livro Paulo Freire, de Celso de Rui Beisiegel, uma coletânea de análises de seus textos mais importantes.

A Lei nº 12.612, de 13 de abril de 2012 foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 16, Seção 1 página 1.

Diego Rocha


Fonte: Blog Terra Brasilis

Os limites do lulismo

"É bem possível que estejamos no momento de compreensão dos limites do modelo gestado no governo anterior. O aumento exponencial do endividamento das famílias demonstra como elas, atualmente, não têm renda suficiente para dar conta das novas exigências que a ascensão social coloca na mesa", escreve Vladimir Safatle, professor de Filosofia, em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 17-04-2012.

Segundo ele, o atual momento "pede uma esquerda que não tenha medo de dizer seu nome".

Eis o artigo.

Há alguns anos, o cientista político André Singer cunhou o termo "lulismo" para dar conta do modelo político-econômico implementado no Brasil desde o início do século XXI.

Baseado em uma dinâmica de aumento do poder aquisitivo das camadas mais baixas da população por meio do aumento real do salário mínimo, de programas de transferência de renda e de facilidades de crédito para consumo, o lulismo conseguiu criar o fenômeno da "nova classe média".

No plano político, esse aumento do poder aquisitivo da base da pirâmide social foi realizado apoiando-se na constituição de grandes alianças ideologicamente heteróclitas, sob a promessa de que todos ganhariam com os dividendos eleitorais da ascensão social de parcelas expressivas da população.

O resultado foi uma política de baixa capacidade de reforma estrutural e de perpetuação dos impasses políticos do presidencialismo de coalizão brasileiro.

No entanto é bem possível que estejamos no momento de compreensão dos limites do modelo gestado no governo anterior. O aumento exponencial do endividamento das famílias demonstra como elas, atualmente, não têm renda suficiente para dar conta das novas exigências que a ascensão social coloca na mesa.

É fato que o país precisa de uma nova repactuação salarial. As remunerações são, em média, radicalmente baixas e corroídas por gastos que poderiam ser bancados pelo Estado. Por isso, é possível dizer que a próxima etapa do desenvolvimento nacional passe pela recuperação dos salários.

A melhor maneira de fazer isso é por meio de uma certa ação do Estado. Uma família que recebe R$ 3.500 mensais gasta praticamente um terço de sua renda só com educação privada e planos de saúde. Normalmente, tais serviços são de baixa qualidade. Caso fossem fornecidos pelo Estado, tais famílias teriam um ganho de renda que isenção alguma de imposto seria capaz de proporcionar.

Entretanto a universalização de uma escola pública de qualidade e de um serviço de saúde que realmente funcione não pode ser feita sob a dinâmica do lulismo, pois ela exige investimentos estatais só possíveis pela taxação pesada sobre fortunas, lucros bancários e renda da classe alta. Ou seja, isso exige um aumento de impostos sobre aqueles que vivem de maneira nababesca e que têm lucros milionários no sistema financeiro.

Algo dessa natureza exige, por sua vez, uma mobilização política que está fora do quadro de consensos do lulismo. Porém a força política que poderia pressionar essa nova dinâmica ainda não existe no Brasil. Ela pede uma esquerda que não tenha medo de dizer seu nome.


Fonte: IHU Online

Facebook potencializa a banalidade da nossa falta de afeto, diz Pondé

Título original: Narcisismo no "Face"

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Cuidado! Quem tem muitos amigos no "Face" pode ter uma personalidade narcísica. Personalidade narcísica não é alguém que se ama muito, é alguém muito carente.

Faço parte do que o jornal britânico The Guardian chama de social media sceptics (céticos em relação às mídias sociais) em um artigo dedicado a pesquisas sobre o lado "sombrio" do Facebook (22/3/2012).

Ser um social media sceptic significa não crer nas maravilhas das mídias sociais. Elas não mudam o mundo. Aliás, nem acredito na "história", sou daqueles que suspeitam que a humanidade anda em círculos, somando avanços técnicos que respondem aos pavores míticos atávicos: morte, sofrimento, solidão, insegurança, fome, sexo. Fazemos o que podemos diante da opacidade do mundo e do tempo.

As mídias sociais potencializam o que no humano é repetitivo, banal e angustiante: nossa solidão e falta de afeto. Boas qualidades são raras e normalmente são tão tímidas quanto a exposição pública.

E, como dizia o poeta russo Joseph Brodsky (1940-96), falsos sentimentos são comuns nos seres humanos, e quando se tem um número grande deles juntos, a possibilidade de falsos sentimentos aflorarem cresce exponencialmente.

Em 1979, o historiador americano Christopher Lasch (1932-94) publicava seu best-seller acadêmico "A Cultura do Narcisismo", um livro essencial para pensarmos o comportamento no final de século 20. Ali, o autor identificava o traço narcísico de nossa era: carência, adolescência tardia, incapacidade de assumir a paternidade ou maternidade, pavor do envelhecimento, enfim, uma alma ridiculamente infantil num corpo de adulto.

Não estou aqui a menosprezar os medos humanos. Pelo contrário, o medo é meu irmão gêmeo. Estou a dizer que a cultura do narcisismo se fez hegemônica gerando personalidades que buscam o tempo todo ser amadas, reconhecidas, e que, portanto, são incapazes de ver o "outro", apenas exigindo do mundo um amor incondicional.

Segundo a pesquisa da Universidade de Western Illinois (EUA), discutida pelo periódico britânico, "um senso de merecimento de respeito, desejo de manipulação e de tirar vantagens dos outros" marca esses bebês grandes do mundo contemporâneo, que assumem que seus vômitos são significativos o bastante para serem postados no "Face".

A pesquisa envolveu 294 estudantes da universidade em questão, entre 18 e 65 anos, e seus hábitos no "Face". Além do senso de merecimento e desejo de manipulação mencionados acima, são traços "tóxicos" (como diz o artigo) da personalidade narcísica com muitos amigos no "Face" a obsessão com a autoimagem, amizades superficiais, respostas especialmente agressivas a supostas críticas feitas a ela, vidas guiadas por concepções altamente subjetivas de mundo, vaidade doentia, senso de superioridade moral e tendências exibicionistas grandiosas.

Pessoas com tais traços são mais dadas a buscar reconhecimento social do que a reconhecer os outros.

Segundo o periódico britânico, a assistente social Carol Craig, chefe do Centro para Confiança e Bem-estar (meu Deus, que nome horroroso...), disse que os jovens britânicos estão cada vez mais narcisistas e reconhece que há uma tendência da educação infantil hoje em dia, importada dos EUA para o Reino Unido (no Brasil, estamos na mesma...), a educar as crianças cada vez mais para a autoestima.

Cada vez mais plugados e cada vez mais solitários. Na sociedade contemporânea, a solidão é como uma epidemia fora de controle.

O Facebook é a plataforma ideal para autopromoção delirante e inflação do ego via aceitação de um número gigantesco de "amigos" irreais. O dr. Viv Vignoles, catedrático da Universidade de Sussex, no Reino Unido, afirma que, nos EUA, o narcisismo já era marca da juventude desde os anos 80, muito antes do "Face".

Portanto, a "culpa" não é dele. Ele é apenas uma ferramenta do narcisismo generalizado. Suspeito muito mais dos educadores que resolveram que a autoestima é a principal "matéria" da escola.

A educação não deve ser feita para aumentar nossa autoestima, mas para nos ajudar a enfrentar nossa atormentada humanidade.


Fonte: Paulopes Weblog

domingo, 15 de abril de 2012

Legalizar drogas agravaria violência na América Latina, diz Obama

Governo americano é contra a alternativa de legalizar as drogas, proposta por países latinos


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste sábado na Cúpula das Américas, na Colômbia, que legalizar as drogas não é o caminho para combater os estragos causados pelo narcotráfico na América Latina e no Caribe.

"Para mim, pessoalmente, e a posição do meu governo, é que legalização não é resposta", disse Obama, durante encontro com empresários do qual também participaram os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e do Brasil, Dilma Rousseff.

O presidente americano, porém, disse que os Estados Unidos estão "conscientes da nossa responsabilidade nessa questão" e que considera "legítimo ter uma conversa sobre se as leis estão fazendo mais mal que bem em alguns países".

A política de drogas é um dos principais assuntos da Cúpula das Américas. Países centro-americanos, assim como a Colômbia e o México, têm defendido uma revisão da atual estratégia de combate ao narcotráfico na região.

Segundo eles, a política atual – que concentra os esforços na repressão ao tráfico e na criminalização do uso de drogas – fracassou, o que seria comprovado pelos altos índices de criminalidade regionais.

Alguns, como o presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, defendem até a legalização de certas drogas e a regulamentação de um mercado para o comércio de narcóticos.

No entanto, Obama insistiu que a legalização pode agravar os problemas. Ele disse que, caso possam operar legalmente, grandes comerciantes de drogas terão influência muito grande sobre alguns países.

Segundo o presidente americano, o melhor caminho para combater os males causados pelo narcotráfico é fortalecer as instituições.

"As sociedades em que há fortes instituições, investimento, aplicação das leis, infraestrutura e economia próspera, são mais imunes que outros países com fracas instituições, alto desemprego e em que crianças só vejam oportunidade no comércio de drogas."

Oferta e demanda

Obama afirmou ainda que não se pode "olhar questão da oferta (de drogas) na América Latina sem ver questão da demanda nos Estados Unidos".

"O povo americano entende que o narcotráfico em sociedades da América Central, Caribe e parte da América do Sul são brutais e minam a capacidade dos governos de proteger cidadãos, erodindo instituições."
Por isso, disse Obama, os Estados Unidos têm se dedicado em compartilhar com esses países seu "know-how" no combate às drogas.

Ele afirmou ainda que seu governo gasta US$ 30 bilhões (R$ 55 bilhões) em prevenção e tratamento de dependentes, "encarando a questão não só em termos de aplicação da lei e combate ao tráfico, mas também como política de saúde".

Obama também se queixou da postura de jornalistas latino-americanos, que ao mesmo tempo em que cobram que os Estados Unidos intervenham nos países que vivem a Primavera Árabe, indagam por que os americanos são tão duros ao insistir que Cuba respeite os direitos humanos.

"Os meios de comunicação se concentram nas polêmica, e algumas conversas estão perdidas no tempo, falando em Guerra Fria, em "ianques"... Este não é o mundo em que vivemos hoje, temos de pensar com novas ideias", afirmou.




BBC Brasil a Cartagena


Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira

sábado, 14 de abril de 2012

Marina Silva é ordenada pastora da Assembleia de Deus



A Assembleia Geral Ordinária da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), realizada entre 15 e 19 de janeiro de 2001 em Brasília, decidiu não aceitar pastoras. Mais de dez anos depois, em outubro de 2011, a Convenção das Assembleias de Deus no Distrito Federal (CEADDIF), durante Assembleia Geral Ordinária aprovou a ordenação de pastoras. A proposta foi aprovada, depois de muito debate, por 70% da assembleia composta com 1,5 mil correligionários.

Para lideranças denominacionais, esta foi a última etapa para que haja o reconhecido nacional. Afinal, outras convenções como a de Madureira já ordenam mulheres, sendo a mais famosa a cantora Cassiane. A decisão do assembleianos do Distrito Federal aumentou a pressão na entidade para homologação das pastoras dentro da AD.

O pastor Sóstenes Apolos da Silva, presidente da Convenção das Assembleias de Deus no Distrito Federal, afirmou reconhecer o ministério pastoral das mulheres. Em entrevista ao site CREIO, o pastor comemorou o avanço e lamentou que algumas entidades ainda cultivem o que chama de ‘heranças machistas’.

“Que desculpa daria para não ordenar mulheres? Temos que fugir desta herança machista que temos que é resquício do catolicismo romano. A Assembleia de Deus em outros lugares como Estados Unidos, Europa, tem pastoras e até bispas em seus quadros. Vamos dar respaldo a estas mulheres que trabalham que fazem de fato e não por direito”, afirma.

Ele presidiu recentemente uma solenidade onde foram ordenadas pastoras e evangelistas assembleianas. A CEADDIF é filiada a CGADB, que não tem em seus quadros mulheres como membros e até o momento não se manifestou sobre o assunto. A dúvida agora é se a CGADB homologará a ordenação dessas pastoras.

Assista a ordenação da CEADDIF:








Fonte: Gospel Prime/ Blog Libertos do Opressor

2ª Guerra Mundial em Quadrinhos
















Via: Capinaremos


Fonte: Blog Ciência Social Ceará

As Novas Aventuras de Sigmund Freud














Via: Psico Loucos


Fonte: Blog Ciência Social Ceará

Os 25 livros preferidos dos brasileiros



Vocês devem se lembrar dos vários posts que fiz sobre a pesquisa do Instituto Pró-livro;
75% Dos Brasileiros nunca entraram em uma biblioteca | Quantos livros os brasileiros leem por ano? | Qual o escritor e os gêneros preferidos dos brasileiros? | por que o brasileiro não gosta de ler? . E quem leu lembra-se que eu esperava mais informações que seriam divulgadas. Pois bem, hoje uma leitora me enviou um link do portal G1 que divulga informações interessantes; hoje o post será sobre os 25 livros. Amanhã sobre os 25 escritores. Lembrem-se que sempre existe a comparação com a pesquisa de 2007.



O Top 3 é formado por livros religiosos [sim, A Cabana é religioso]. Vemos a ascensão de dois livros que não existiam em 2007 e foram direto para a memória do povo. Uma interessantíssima informação é que Ágape havia acabado de ser lançado quando a pesquisa foi realizada. E ainda assim, figurou no 3o livro mais “marcante”. A Bíblia estar em primeiro não é nenhuma surpresa. A Cabana, sim. Não esperava. Eu li o livro há muito tempo e não havia compreendido o seu poder sobre as pessoas. Acho que por toda a humanidade dada à Deus na obra, ela tornou-se referência no assunto.

O Sítio do Picapau amarelo também não é nenhuma surpresa estar entre os cinco primeiros. Já O Pequeno Príncipe é. Uma surpresa extremamente positiva. Afinal, foi um marco mundial. Dom Casmurro, ok. E uma das maiores surpresas dessa lista, pra mim; Crepúsculo. Não que eu duvidasse do impacto que o livro causou em toda uma geração, mas jamais havia pensado que ocuparia o lugar entre os 25 livros. Ingenuidade minha, talvez. Ainda mais que ficaria na frente de Harry Potter [que em 2007 ocupava a quarta posição]. No 9o lugar um romance que nunca ouvi falar “Violetas Na Janela”, de cunho espírita. O interessante é que essa obra mantém a mesma posição que possuía na pesquisa de 2007. E fechando o top 10, “A Moreninha”, outra obra que entre os “clássicos” eu jamais imaginaria entre os dez.

Clássicos X Best-sellers

Fazem parte da lista catorze clássicos e onze best-sellers. Dos 11 best-sellers que eu considerei, apenas seis não estavam em 2007. Dos clássicos, apenas Vidas Secas não fazia parte do top.

É interessante notar que alguns livros aparentemente não tão conhecidos ou rapidamente esquecidos pela mídia e pelos compradores fazem parte desse top. No entanto, a explicação é o quão a obra marcou seus leitores. E não estamos entrando aqui no mérito de qualidade, necessariamente. Mas no poder de ocupar um lugar eterno dentro do leitor. Algumas dessas obras são de caráter transformador e por isso é mais aceitável a sua presença. No entanto, outras são surpreendentes e interessantes. O que um livro como Violetas na Janela fez para seu público para merecer a nona posição? Pouca coisa certamente não foi.

Há muito o que se aprender com essas obras. Há algo nelas que pode ser aproveitado e analisado. Lembrem-se, não estou, necessariamente, falando de “qualidade literária”. É algo diferente. Algo que perpetua no leitor. E isso deve ser aproveitado por nós, tanto leitores como escritores. Afinal, o que “Moreninha” tem de tão diferente entre os clássicos pra ficar a cima das obras de Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Shakespeare?.


Fonte: Site Literatortura