terça-feira, 29 de maio de 2012

Vaticano orienta bispos a checarem saúde mental de quem diz ver Maria

No século passado, 1.500 pessoas
diziam ver a Virgem Maria


O Vaticano distribuiu aos bispos de todo mundo uma espécie de manual sobre como averiguar a credibilidade de fiéis que afirmam ter visões da Virgem Maria.

As “normas relativas à forma de processo no discernimento de aparições de supostas revelações” recomendam que os bispos criem comissão de peritos composta por teólogos, canonistas, psicólogos e médicos para ajudá-los a determinar a “salubridade mental, moral e espiritual” dos visionários.

O documento afirma que distúrbio psicológico, tendências psicopatas, psicose, histeria coletiva, entre outros transtornos mentais, podem influenciar na presunção da existência do sobrenatural.

As normas foram aprovadas em 1978 pelo papa Paulo VI, mas seu texto, escrito em latim e nunca publicado oficialmente, foi agora traduzido para os principais idiomas (mas não ainda para o português).

No século passado, mais de 1.500 pessoas diziam ter visões de Maria. Desses casos, a Igreja considerou como críveis apenas nove.

Atualmente, pelo menos dois brasileiros propagam que têm contato de primeiro grau com Maria. Um é o recluso Cláudio Heckert, 66, que publica no site do movimento "Salvai Almas" comunicados da Nossa Senhora — pedidos de oração, na maioria dos casos. O outro é o advogado Pedro Siqueira (na foto abaixo), 39, que assegura conversar com a santa desde os oito anos de idade. Os dois são rejeitados pela igreja.

Em nota com data de dezembro de 2011, o cardeal William J. Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, disse que a publicação das normas visa a “ajudar os pastores da Igreja Católica em sua difícil tarefa de discernir aparições presumíveis, revelações, mensagens ou, mais genericamente, fenômenos extraordinários de suposta origem sobrenatural”.

De acordo com o manual, o bispo, nesses casos, pode tomar três decisões: (1) determinar ser a aparição digna de fé, (2) concluir que não é verdadeira, com possibilidade de o vidente pedir nova avaliação, e (3) declarar-se em dúvida, pedindo ajuda para dirimi-la.

Esse processo de decisão pode demorar anos, mas a recomendação da congregação é para que seja resolvido o mais rápido possível, de modo a evitar peregrinações. “Hoje, mais do que no passado, a notícia dessas supostas aparições é difundida rapidamente entre os fiéis por causa dos meios de informação de massa", escreveu Levada.
Siqueira diz conversar
com santa desde criança

A preocupação do Vaticano é que não haja exploração comercial das supostas visões. Em 2009, Bento 16 cassou o padre Franciscano Tomislav Vlasic por promover “falsas” aparições da Virgem Maria em Medjugorje, na da Bósnia-Herzegovina.

O padre tinha feito uma fortuna ao se declarar “guia espiritual” de seis crianças que em 1981 afirmaram ter visto Maria com o menino Jesus nos braços. O santuário de Medjugorje recebe até hoje milhares de católicos por ano de vários países, incluindo o Brasil. Quando se tornaram adultas, as videntes ficaram milionárias.

O curioso é que, se o manual tivesse efeito retroativo, muitos dos santos teriam de ser destronados. Para os descrentes, o manual do Vaticano é bizarro, porque entendem não haver nenhuma diferença entre uma aparição verdadeira e uma falsa.

Com informação da íntegra das normas e do Huffington Post.



Fonte: Paulopes Weblog

domingo, 27 de maio de 2012

Geólogos definiram data de crucificação de Jesus Cristo



Geólogos da Alemanha e dos EUA admitem terem definido a data exata da morte do Salvador da Humanidade, Jesus Cristo, baseando-se em uma análise da atividade sísmica na zona do Mar Morto.

De acordo com cientistas, a crucificação e a morte de Cristo se deram na sexta-feira, dia 3 de abril de 33 da nossa era. Os peritos na matéria conferiram os dados sísmicos com os respectivos textos do Novo Testamento e algumas observações astronômicas.

Segundo a mesma fonte, as trevas descritas nos Evangelhos que se seguiram à morte na Cruz foram causadas pelo furação de areia, um fenômeno freqüente naquela localidade palestiniana.


Fonte: Voz da Rússia/ Blog Libertos do Opressor

Escândalo no Vaticano: mordomo do Papa é detido como suspeito de vazamento de documentos confidenciais



Um ingênuo, vítima de um complô, ou um traidor? O reservado círculo que acompanha de perto os assuntos do Vaticano se pergunta quem é Paolo Gabriele, mordomo do Papa Bento XVI, detido como suspeito de vazamento de documentos confidenciais.

A acusação é séria e se for considerado culpado, poderá pegar 30 anos de prisão, segundo o jornal La Repubblica, após reportar que "o roubo da correspondência de um chefe de Estado", neste caso o Papa, "é um crime equivalente a atentar contra a segurança do Estado".

Apelidado de "Paoletto", Paolo Gabriele, de 46 anos, um romano sempre elegante, mora com a mulher e três filhos em um prédio dentro do Vaticano, de onde tem nacionalidade, e é um dos pouquíssimos laicos com acesso aos apartamentos do Papa.

É "o primeiro e o último a ver o Papa", noticiou o Corriere della Sera.

Mordomo de Bento XVI desde 2006, Paolo Gabriele ajuda diariamente o Papa a se vestir, por volta das 06h30, e não o abandona sequer por um instante durante quase todo o dia, servindo-lhe as refeições e acompanhando-o até a hora de deixá-lo, por volta das 19h30, após servir o jantar.

Gabriele "ama tanto o Papa que não o trairia nunca", afirmou, sob a condição do anonimato, um sacerdote com quem o mordomo se confessou no passado, citado pelo jornal La Stampa.

"Conheço Paolo há anos. Acompanhei-o espiritualmente e posso testemunhar que encontrei uma pessoa amante da Igreja e dedicado aos Papas, antes a João Paulo II e agora a Bento XVI", acrescentou o religioso.

"Nunca ouvi falar mal dele ou de fofocas a seu respeito e, acreditem que isto é raro, pois infelizmente no nosso meio se ouve falar muito mal das pessoas", disse o homem, qualificado de "monsenhor" pelo jornal.

O sacerdote apóia a hipótese, sem aprofundá-la, de que Gabriele, a quem qualificou de "simples e ingênuo", seria vítima de um conflito com alguém "muito poderoso" no Vaticano.

Para o jornal La Repubblica, Paolo Gabriele é um dos instrumentos de um grupo não identificado de "cardeais, arcebispos e monsenhores" que preparam "um verdadeiro golpe de Estado" no Vaticano.

O objetivo deste grupo é "tomar o controle da secretaria de Estado", ou seja, o governo do Vaticano, atualmente chefiado pelo cardeal italiano Tarcisio Bertone, considerado um fiel de Bento XVI, e "depois, sucessivamente, conquistar o conclave com um papa saído de suas fileiras".

"Os cérebros que conceberam o plano são os mesmos que forneceram à imprensa os documentos secretos por meio de 'espiões', com o objetivo de semear o caos e derrubar o governo vaticano", acrescentou o jornal.

A gendarmeria vaticana deteve Gabriele na quarta-feira e descobriu documentos confidenciais em seu domicílio, um mês depois da criação de uma comissão de investigação no Vaticano, composta por três cardeais e encarregada de esclarecer os vazamentos de documentos que abalam o pequeno Estado desde janeiro.



Fonte: AFP/ Blog Libertos do Opressor

1525: Fim da Guerra dos Camponeses

Com a decapitação do teólogo Thomas Müntzer, a 27 de maio de 1525, terminou a Guerra dos Camponeses, responsável pela morte de pelo menos cinco mil pessoas na Alemanha.

Pintura de Neuhaus sobre a Guerra dos Camponeses (1524/25)

Em 1524, os camponeses alemães se revoltaram contra os senhores feudais, para os quais eram obrigados a trabalhar. A crise do sistema feudal havia modificado a situação da população rural. Liderada por Thomas Müntzer, um pastor da Saxônia, a revolta camponesa alastrou-se pelos campos e cidades da Alemanha.

Os revoltosos baseavam-se na Bíblia para afirmar que os camponeses nasceram livres e reivindicavam a livre escolha dos líderes espirituais, a abolição da servidão, a diminuição dos impostos sobre a terra e a liberdade para caçar nas florestas pertencentes à nobreza. Lutero condenou o movimento dos camponeses, apoiando os príncipes e nobres.

Nascido em 1489, Müntzer estudou pelo menos três idiomas na Universidade de Leipzig e, mais tarde, Teologia em Frankfurt do Oder (no leste da Alemanha). A partir de 1514, passou a ter contato com as ideias do reformador Martinho Lutero.

Conflito com Lutero

Como pregador na paróquia de Zwickau, no leste do país, passou a divulgar as teorias da Reforma. Ao contrário de Lutero, Müntzer acreditava que as pessoas simples entendiam muito melhor sua pregação que os nobres e ricos. Sua conclusão de que a Igreja sempre estava ao lado dos ricos e poderosos levou ao conflito com Lutero e seus seguidores, sendo afastado da paróquia em 1521.

Ao lado do estudante Markus Stübner, o pastor Müntzer começou a seguir os passos do "pregador rebelde" Jan Hus, de Praga. Era a época do florescimento da Reforma pregada por Lutero. Usando seu talento de orador, Müntzer tornou-se figura carismática na pregação dessas idéias. Depois que se estabeleceu no pequeno povoado de Allstedt, Müntzer começou a atrair inclusive pessoas de outras localidades.

Sua intenção de falar uma linguagem acessível aos servos representava uma ameaça aos senhores feudais. Seis meses depois da chegada de Müntzer à pequena Allstedt, o conde Ernst von Mansfeld proibiu seus trabalhadores de frequentarem os ofícios religiosos do pastor.

Mas o teólogo e suas ideias ganhavam força. Em 1524, seu movimento secreto Aliança de Allstedt contava 30 membros. Poucos meses depois, já eram 500. As ideias eram divulgadas em publicações feitas na gráfica de Müntzer.

A batalha final

O movimento das camadas plebeias da população ganhava força também em outras regiões. Os levantes e as inquietações, entretanto, ainda eram localizados, em geral organizados por agricultores e servos dos centros urbanos.

Ainda em 1524, os camponeses do sul da Alemanha se aliaram pelo levante. Müntzer começou a migrar por todo o país, apoiando a rebelião. Em fevereiro de 1525, a revolta armada havia se espalhado por todo o sul do país e começava a se alastrar para o norte e leste.

Os lavradores, porém, não tiveram chances contra os soldados, armados e experientes. Na batalha de Frankenhausen, em maio de 1525, os camponeses foram cercados e mortos aos milhares. O teólogo acabou preso e, sob tortura, foi obrigado a negar suas teorias. Por fim, o decapitaram e sua cabeça foi pendurada como troféu nos portões de entrada de Frankenhausen.

Os vencidos permaneceram sob o jugo dos senhores feudais e mantidos na condição de servos, reforçada pelo princípio luterano da passiva submissão à autoridade. Os seguidores de Müntzer passaram a ser conhecidos como "anabatistas", por rejeitarem o batismo.(rw)


Fonte: Blog História UPF

Separação da Igreja e do Estado é aprovada na Noruega



Publicado por Folha.com

A Noruega, um dos poucos países desenvolvidos que continuava tendo religião oficial, superou uma última barreira nesta quinta-feira para separar a igreja protestante luterana norueguesa do Estado, após a aprovação dos parlamentares, indicou nesta quinta-feira o Parlamento.

Para realizar esta mudança, é preciso reformar a Constituição, razão pela qual o Parlamento a aprovou pela segunda vez nesta quinta-feira, depois de ter votado na segunda-feira. Na ocasião, foram contabilizados 161 votos a favor da separação e três contra.

Quando foi perguntado nesta quinta-feira aos parlamentares se confirmavam este primeiro resultado, “ninguém se opôs”, indicou o porta-voz do Parlamento, Torodd Noreng, à AFP.

Após esta nova aprovação, o Parlamento terá que iniciar as gestões necessárias para reformar a Constituição. A separação entrará em vigor oficialmente no dia 15 de junho.

Cerca de quatro milhões de noruegueses, de um total de 4,7 milhões, pertencem à Igreja da Noruega, que apoia esta reforma constitucional.


Fonte: PavaBlog

As 10 características dos grandes líderes

Por Raúl Candeloro

Muita gente acha que para ser um grande líder é preciso nascer com as características certas. Mas muitos estudos já foram feitos e provam o contrário: liderança pode ser aprendida!

Algumas pessoas têm, sim, mais facilidade e agem naturalmente da maneira certa. Outras precisam de um pouco mais de estudo e prática, mas são capazes de alcançar o sucesso em um cargo de liderança.

Quando falamos de liderança, uma coisa é certa: é preciso agir da maneira correta para inspirar, motivar e conseguir os melhores resultados da sua equipe. E para isso é preciso que você esteja constantemente aprimorando suas habilidades de líder.

Leia as dez características de um grande líder, identificadas por Brian Azar. Quantas delas você já tem desenvolvidas? Quantas ainda precisam de uma atenção especial? Lembre-se: para uma organização ter resultados excepcionais, é preciso ter líderes excepcionais que construam equipes também excepcionais.

1. GRANDES LÍDERES COMETEM ERROS E SE RESPONSABILIZAM POR ELE
Ser um grande líder não significa que você não possa cometer erros. Mas sim que você precisa se responsabilizar por eles e rapidamente começar a resolvê-los (ao invés de culpar o primeiro que aparece). Além disso, um grande líder aprende constantemente com esses erros, garantindo que não aconteçam novamente, atrasando a evolução da empresa.

2. GRANDES LÍDERES CONSEGUEM FICAR “NEUTROS”
Grandes líderes aprendem a ter controle sobre suas emoções, principalmente de nervosismo. Eles não passam insegurança, não intimidam e não tentam controlar os outros. Pelo contrário: agem como pacificadores e neutralizadores. Ao invés de aguçar, acalmam e tranquilizam.

3. GRANDES LÍDERES NÃO EXTERNALIZAM SEUS PROBLEMAS
Um líder comum, muitas vezes, estressa sua equipe com os seus problemas. Um exemplo típico: os diretores da empresa se reúnem com os gerentes para expor uma situação financeira difícil e pedem colaboração. Muitos líderes voltam correndo para as suas salas e na primeira oportunidade, reúnem a equipe para dizer que a empresa irá passar por um momento difícil, para todos se prepararem para a crise. Como você espera que a equipe trabalhe de uma maneira melhor depois disso? Grandes líderes não expõem todos os problemas (nem da empresa, nem os pessoais) para suas equipes. Muito pelo contrário. É quase que um trabalho de pai e mãe: eles tentam poupar emoções negativas e deixar os problemas de lado. A equipe deve estar focada em vender mais, em produzir melhores resultados. Deve estar focada em soluções, e não em problemas.

4. GRANDES LÍDERES TÊM NÍVEIS ALTOS DE PACIÊNCIA E COMPREENSÃO
Grandes líderes permitem que os outros sejam expressivos em suas opiniões e voltados para desafios e oportunidades. Eles sabem que isso ajuda a manter a diversão e a paixão de seus funcionários pelo trabalho. Grandes líderes não estão ocupados demais para ouvir sua equipe. E sabem entender as necessidades, desejos e expectativas de cada um.

5. GRANDES LÍDERES PRODUZEM GRANDES LÍDERES
Líderes excelentes não se sentem ameaçados sem ter o poder e o controle total de uma situação. Eles sabem que não têm a resposta para tudo e nem precisam ter. Eles sabem como construir e incentivar outros líderes sem medo da competição ou da perda de controle. Excelentes profissionais não temem que seus lugares sejam ocupados, pois sabem que há espaço para mais gente excelente. E quanto mais melhor, pois todo mundo ganha.

6. GRANDES LÍDERES DELEGAM E SABEM QUANDO “SOLTAR”
Grandes líderes se rodeiam de pessoas que têm talentos diferentes, habilidades, estilos de comunicação e diferentes jeitos de pensar. Essas diferenças incentivam a liberdade de expressão, a criatividade, a diversidade e a mudança.

7. GRANDES LÍDERES TÊM UM ALTO SENSO DE PROPÓSITO
Eles realmente querem incentivar e servir, ao invés de controlar e mandar nos outros. Eles acreditam em um ambiente de trabalho feliz, saudável e produtivo, onde possam ser um recurso valioso capaz de fazer outros profissionais crescerem, e se tornarem o melhor que eles podem ser.

8. GRANDES LÍDERES RECONHECEM E ACONSELHAM SEUS FUNCIONÁRIOS
CONSTANTEMENTE
Grandes líderes dedicam tempo para conversar individualmente com cada membro de sua equipe. Não somente sobre as funções a serem bem desempenhadas, mas também sobre quem eles são e como ajudam uns aos outros dentro da empresa. Grandes líderes sabem o valor e os benefícios de reconhecer sua equipe de diferentes maneiras.

9. GRANDES LÍDERES TÊM INTELIGENCIA EMOCIONAL
Grandes líderes conhecem a personalidade e as habilidades necessárias para liderar, inspirar, treinar e dirigir as pessoas e suas empresas para o próximo nível. Eles usam inteligência emocional que permite serem assertivos e conseguirem seus objetivos de maneira mais eficiente.

10. GRANDES LÍDERES SÃO AUTÊNTICOS E HONESTOS
Grandes líderes sabem o impacto e o valor da honestidade e da autenticidade. Eles estão 100% envolvidos com coração, mente e alma. Eles querem fazer uma diferença positiva com sua equipe, sua empresa, seus clientes, seus produtos etc. Eles acreditam em parcerias e alianças com alta qualidade, excelentes pessoas trabalhando juntas para criar relações “ganha-ganha”.

Veja que para ser um grande líder, não é preciso grandes atos de heroísmo. Nem é preciso mágica ou milagres. Basta que você esteja comprometido com você, com sua profissão, com sua equipe e com sua empresa. E que seu objetivo seja, acima de tudo, ajudar cada um a ser melhor.

Com estas 10 características, você pode agora analisar quais precisam ser mais desenvolvidas. Lembre-se: o poder de ser um grande líder está, acima de tudo, em suas mãos.


Fonte: Administradores.com

Palavra 'Facebook' é citada em mais de um terço dos divórcios nos EUA



Mark Zuckerberg mudou o seu status para "casado" no último sábado e recebeu mais de um milhão de "curti" dos seus seguidores.

Mas cada vez mais o Facebook é sinônimo de divórcio. Ou, pelo menos, um dos seus combustíveis.

Pesquisa da Academia Americana de Advogados Matrimoniais mostra que a palavra "Facebook" é citada em mais de um terço dos processos de divórcio nos Estados Unidos!

Mais: 80% dos advogados que cuidam de casos de separação afirmam que há um crescimento considerável do papel do Facebook nas crises conjugais que levam ao divórcio.

"Vejo o Facebook destruindo casamentos o tempo todo", disse Gary Traystman, advogado de New London (Connecticut), de acordo com o "NY Post".



Fonte: Page not found/ Blog Libertos do Opressor

Mãe mata filha de 6 anos em ritual com bíblia e orações em “idioma estranho”



Criança foi asfixiada com ajuda de vizinha. Bíblia e cinto ao lado do corpo indicam motivação religiosa

O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) prendeu nesta segunda-feira Elza Nunes Gusmão, de 37 anos, suspeita de assassinar a filha de 6 anos durante um ritual religioso em outubro de 2010. Sirleide Filgueira Duraes, de 30 anos, vizinha de Elza, também teria participado do crime e está foragida.

Sarah Nunes Gusmão foi encontrada nua, sem marcas de violência, na casa onde morava com os pais, no Parque Cocaia, Zona Sul. Em volta do corpo, havia uma Bíblia e um cinto aberto. No mesmo quarto, Elza e Sirleide rezavam em voz alta.

Segundo a delegada Cíntia Tucunduva, responsável pela investigação, as mulheres oravam em um “idioma estranho” e o que diziam era ininteligível. A gritaria continuou na delegacia e as duas foram liberadas até que a causa da morte de Sarah fosse revelada pelos laudos.

Em seu primeiro depoimento, Elza tentou explicar a morte da filha com um suposto sopro no coração constatado pelo pediatra meses antes.

A farsa foi desmantelada com o resultado dos exames feitos no IML (Instituto Médico Legal). Os laudos apontaram asfixia como causa da morte e havia fios de cabelo nas mãos de Sarah.

Fanatismo

O depoimento do pai foi mais uma evidência do fanatismo religioso de Elza. Na noite da morte da menina, ele exigiu que a criança fosse tirada do quarto onde ela e a vizinha rezavam. Autônomo, ele teve de trabalhar na madrugada e encontrou a filha morta quando voltou. Uma vizinha diz ter ouvido Sarah gritar: “Mãe, não faz isso e chama o pai”.

A delegada afirma que a Bíblia e o cinto fazem parte de um ritual, simbolizando a libertação da vida material. Elza e Sirleide sempre negaram o crime e alegam não lembrar o que aconteceu naquela noite.

A mãe de Sarah está presa provisoriamente. Elza é considerada foragida e a polícia acredita que ela se escondeu na casa de parentes em algum bairro da periferia da Zona Sul.



Fonte: Diário de São Paulo/ Blog Libertos do Opressor

sábado, 26 de maio de 2012

Nos tempos das cascatas, musas e cachoeiras

Juremir Machado da Silva


A mídia adora falar em rainhas, reis, princesas e musas.

Pintou mulher jovem em Brasília, é musa.

Faz parte dos clichês dos jornalistas para descrever mulher mais ou menos bonita no reino dos vampiros.

Tudo fez sentido. Quase nunca sei qual, mas faz sentido.

Paula Fernandes, musa sertaneja, gravou clip tomando banho de cachoeira.

Não é cascata. Por que fez isso? Ainda não sei. Mas faz sentido.

Tanto sentido quanto a mulher do Cachoeira ser dona de loja de lingerie.

Musa dos tempos do Cachoeira só pode ser sertaneja ou dona de loja de lingerie.

Faz sentido.

Tanto sentido quando os fetiches dos fanáticos pela esquerda e pela direita.

A tropa de esquerda bebe na cachoeira do Luis Nassif.

A tropa de direita esbalda-se nas cachoeiras dos desvairados, obcecados, caolhos e furibundos, uma turma que vai do Reinaldo Azevedo, o mais doido de todos, a um tal de Pondé, cujo sobrenome não lhe serve de raiz. A falta de ponderação é o seu mal.

Tem gente que tem fetiche por esses caras. É gente que, com toda razão, denuncia os mensalões do PT, mas jamais gasta uma linha com os mensalões do PSDB, do Dem ou de qualquer partido de direita. É gente que nunca se preocupa com trabalho escravo, proteção ambiental, direitos humanos, punição a torturadores, anistia para desmatadores e outros temas que contrariam a ordem supostamente natural dos privilégios orquestrados pela direita brasileira desde 1500.

A mídia brasileira, nos espaços de opinião, é dominada por uma direita atrasada. Essa turma da Veja defende no Brasil ideias próximas às de Marine Le Pen, algo que nem a direita republicana, a do Sarkozy, tem coragem de sustentar.

O esquerdismo midiático brasileiro não é diferente.

V eja e Carta Capital são as famosas duas faces da mesma moeda.

Reinaldo Azevedo e Luis Nassif poderiam dançar um bolero de rosto colado.

Mino Carta e Roberto Civita são farinha de um velho saco.

As águas dessa cachoeira rolam há décadas neste Brasil renovado por Paula Fernandes e pela nova musa de CPI.

Com uma musa dessa, melhor ir logo para a pizza.

Afinal, tudo vai terminar em motel.



Fonte: Correio do Povo

POR QUE PIQUET E SENNA VIRARAM INIMIGOS




Sanguessugado do CULTURA, ESPORTE E POLÍTICA

POR LEMYR MARTINS, UM DOS MELHORES, SENÃO O MELHOR REPORTER DE F1 DO BRASIL.

TEXTO EXTRAÍDO DE SEU LIVRO: OS ARQUIVOS DA F1.

Jamais entendi por que o país se dividiu na idolatria entre Ayrton Senna e Nelson Piquet. Seria normal a identificação com a espontaneidade - às vezes até azeda - de Piquet, ou a admiração pelo recato - até inexorável - de Senna com os fãs. Mas surgirem legiões anti-Senna ou anti-Piquet, sendo ambos tricampeões e brasileiros, é, no mínimo, algébrico.

Eu, que estive em minoria como fã dessa dupla fantástica, acho que, mesmo inconsciente, foram eles que animaram essa divisão com os dardos de suas pirraças particulares. E, ironicamente, quando tivemos a maior força na fórmula 1 nas pistas do mundo.

O primeiro desentendimento entre Senna e Piquet surgiu em 1983, quando Bernie Ecclestone, dono da Brabham e patrão de Piquet, quis conhecer melhor Ayrton Senna. Ele era a grande revelação da época e Ecclestone, como os demais donos de equipe, ficou de olho nele. Chamou Nelson Piquet e propôs: "eu gostaria de avaliar melhor esse brasileiro e fazer um comparativo entre vocês. O que você quer para topar um teste justo, em absoluta igualdade de condições?"

Piquet garante que exigiu apenas a igualdade. Daria meia dúzia de voltas com pneus velhos e acertaria o carro. Então colocaria pneus novos e faria a tomada de tempo. Senna deveria ter as mesmas condições.

"E se ele fizer o mesmo tempo ou menos?", provocou Ecclestone.

"Bom, se isso acontecer, eu te pago 100 mil dólares. Mas, se for o contrário, você é que me dá os 100 mil", propôs Piquet.

Ecclestone riu, concordou com a cara de quem tem um ás na manga, e os dois pilotos brasileiros foram para o circuito de Paul Ricard, na França, fazer o teste.

Piquet seguiu o roteiro combinado, mas teve uma surpresa ao entrar no carro: a mando de Ecclestone, a válvula de regulagem de potência do turbo compressor estava lacrada num ponto imutável. Era uma artimanha do patrão para que o teste fosse realmente justo. Afinal Piquet, além de malandro, conhecia bem o carro e o motor com o qual tinha sido campeão.

Na versão de Piquet tudo seguiu como o estabelecido: ele deu cinco voltas com os pneus usados, trocou-os por novos, fez o tempo de lmin7s (no pequeno circuito de Paul Ricard) e entregou o Brabham. Ayrton Senna fez a mesma coisa com os pneus velhos, mas usou mais jogos de pneus novos e não conseguiu atingir a marca de Piquet.

Mesmo assim o teste foi considerado muito bom e o próprio Piquet admite que elogiou Senna para o patrão, que resolveu contratá-lo.

Mas, segundo Piquet, a Parmalat, multinacional italiana, patrocinadora da Brabham na época, não aceitou.

"eles queriam um italiano (no caso Riccardo Patrese), e não outro brasileiro. Daí o Senna saiu dizendo que eu havia boicotado ele. Eu só ganhei 100 mil dólares", ironizava Piquet.

As relações azedaram mais quando Piquet saiu da Williams para a Lotus, em 1988, e disse que a primeira providência que tomaria antes de entrar no carro que fora de Ayrton Senna seria desinfetá-lo bem.

Em janeiro, porém, Piquet resolveu ser diplomático e jogar água fria na briga, elogiando Senna: "ele é um bom piloto, ainda não é campeão, mas seguramente será. Tem tanto talento quanto eu, e não é lógico essa história de ficar brigando, como se a torcida fosse obrigada a escolher entre um e outro. Acho que ele só está errado em já se achar o melhor isso é péssimo. É importante acreditar que alguém é melhor que você para continuar progredindo".

Em 1988, quando a guerra travada entre os dois parecia terminada, Senna, mesmo brincando, acendeu o estopim de uma explosão que nunca mais apagou.

Depois de assinar com a McLaren, Senna isolou-se do mundo e só reapareceu no dia 6 de março de 1988 no circuito do rio de janeiro, onde várias equipes, inclusive a Lotus, testavam pneus e fez uma declaração publicada na íntegra no jornal do brasil: "eu tinha que dar a outros uma chance de aparecer um pouco. Afinal, não tem sentido um cara ser tricampeão e eu continuar sendo assunto. Já que ninguém gosta muito dele, o único jeito era eu sumir para que ele pudesse aparecer um pouco".

A réplica, bem ao estilo de Piquet, veio rápida e atingiu Senna em cheio: "Senna desapareceu esses meses não foi para deixar eu aparecer. Foi para não ter que explicar à imprensa brasileira por que não gosta de mulher".

Estava deflagrada a nova guerra.


Fonte: Blog do Gilson Sampaio

Brasileiros discutem na internet criação de um partido islâmico

Na bandeira de um Brasil islâmico não
haveria lugar para "ordem e progresso"


O blog da SIM (Sociedade Islâmica do Maranhão) revela estar havendo entre as comunidades de muçulmanos um debate para a criação do PIB (Partido Islâmico Brasileiro). No blog há, inclusive, o que seria a bandeira de um Brasil de Maomé: uma lua crescente com uma estrela (símbolo do Islã) no lugar da inscrição positivista “ordem e progresso” e do Cruzeiro do Sul (que pode ser tomado como uma referência ao cristianismo).

O autor do post que apresentou uma proposta para a doutrina do partido se manteve no anonimato, identificando com o nome da sociedade, embora em alguns trechos escreva na primeira pessoa. É de se supor que seja um diretor da SIM.

Ele afirmou que o lema do PIB é "Islã, Propriedade e Família". O que lembra a TFP (Tradição, Família e Propriedade), uma organização católica de ultradireita.

O autor do post, contudo, ressaltou que o PIB vai combater “as doutrinas socialista e fascista”. “Queremos apresentar uma alternativa concreta ao povo brasileiro, a qual não é capitalista, nem comunista, não é liberal nem socialista, mas é única e exclusivamente ISLÂMICA”, escreveu.

O autor reconheceu que ainda é cedo para iniciar uma campanha para o recolhimento das 450 mil assinaturas para a criação do partido, conforme exige da legislação. Por isso, o “momento é para a construção [informal] de diretórios municipais e estaduais e depois o diretório nacional”.

Ele sugeriu colocar o nome do partido em “banho-maria”, de modo que possa ser mudado, se preciso, para torná-lo mais digerível, conforme ficou subentendido no blog.

Disse que o partido islâmico vai ter de enfrentar uma grande oposição porque “o Islã propõe uma total inversão da maioria dos valores cultuados pela sociedade brasileira”.

Como exemplos, mencionou que o islamismo não admite a cobrança de juros e a comercialização de bebidas alcoólicas. Por isso, disse, bancos e setor de bebidas estão entre os principais “inimigos” do Islã.

Ele reconheceu que, se fosse criado agora, o partido islâmico não teria condições de enfrentar os conflitos desencadeados pela sua proposta de “inversão dos valores” dos brasileiros.

Escreveu que a estratégia agora é a de “acúmulo de forças”, o que inclui, já nas próximas eleições, apoiar candidatos a vereador e a prefeito de partidos que “sejam aprovados pelo movimento [dos muçulmanos]”.

O autor revelou que se tornou muçulmano há dois anos e que participou da criação em 2005 do PSOL, partido que, segundo ele, se desviou de seus objetivos.

“Quando me reverti ao Islã, abandonei esta militância por acreditar que não há alternativa para o futuro da humanidade nas propostas defendidas por socialistas, capitalistas, fascistas, comunistas e outros istas”, disse. "O futuro e a libertação da barbárie passam, inequivocamente, PELO ISLÃ!”

Não há dados oficiais sobre quantos brasileiros são muçulmanos. A estimativa de suas lideranças varia muito, vai de 200 mil a mais de um 1 milhão de fiéis.

Com informação do blog da Sociedade Islâmica do Maranhão.



Fonte: Paulopes Weblog

quinta-feira, 24 de maio de 2012

As duas faces da Irmandade Muçulmana

A Irmandade Muçulmana, grupo religioso criado em Ismaília, no Egito, em 1927 é uma das protagonistas da eleição de hoje no país, que decidirá qual papel o Islã terá na vida futura da república. O candidato Abdel Moneim Aboul Fotouh representa, pela primeira vez, uma chance razoável de um ex-membro de alto escalão da Irmandade ocupar um dos cargos mais poderosos do mundo árabe. Para alguns, seria a culminância da revolução, mas, para céticos mais seculares, marcaria seu fim.

A reportagem é de Alexander Smoltczyk, da revista Der Spiegel e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 24-05-2012.

Tudo começou em Ismaília à margem do Canal de Suez quando Hassan al-Banna decidiu levar o Egito da idade moderna de volta a suas raízes. Ele foi o fundador do movimento. "Por que Ismaília?", pergunta Midhat Saki, uma autoridade menor da Irmandade Muçulmana na cidade. "Porque os colonialistas andaram por aqui como se o país lhes pertencesse. Eles permitiram que milhares perecessem durante a construção do canal", disse. "Eles beberam vinho, construíram igrejas e trouxeram missionários ao país. O xeque Banna começou a resistência aos missionários."

A Irmandade tem sua sede principal perto de uma loja de autopeças. As cadeiras ainda estão cobertas por capas de plástico e o símbolo da Irmandade, duas espadas cruzadas sobre o Alcorão, e as palavras "Preparai-vos", pende da escada.

Com Banna no comando, a Irmandade cresceu e contava mais de meio milhão de membros quando ele foi morto em 1949. Saki relata como a Irmandade construiu mesquitas, hospitais e fábricas e como tentou espalhar o "Islã verdadeiro", de baixo para cima, usando a si mesma como modelo, e não de cima para baixo como os revolucionários fariam posteriormente no Irã.

Durante décadas, a Irmandade Muçulmana foi brutalmente reprimida pelos regimes egípcios comandados por Gamal Abdel Nasser, Anwar Sadat e Hosni Mubarak. Saki diz que ele mesmo foi espancado quando esteve na prisão. De lá para cá, a Irmandade virou uma força motriz na região. Ela influencia a política de Rabat a Damasco, e sua força crescente é temida tanto em Dubai quanto na Arábia Saudita e nos subúrbios de Londres e Paris.

A Irmandade tem hoje cerca de 600 mil membros no Egito. Seu braço político, o Partido da Justiça e Liberdade (PJL), ficou sendo o partido mais forte no Parlamento egípcio no fim do ano passado e começo do atual. A Irmandade tem uma estrutura hierárquica rígida, que permanece inalterada desde os tempos de Banna. Seu líder supremo é o presidente de sua direção executiva. Os membros são organizados em células chamadas "famílias". Cada família consiste de quatro irmãos.

"É claro que queremos o califado", diz Saki. "Todos os países islâmicos precisam se tornar uma nação, mas sem violência". A sharia, diz ele, só pode ser introduzida no longo prazo, e, certamente, não por decreto. "Precisamos servir de modelo para que outros nos sigam." Em seguida, Saki diz alguma coisa que aponta diretamente para o cerne do movimento: "Queremos mudar as pessoas. Sem violência! Primeiro o indivíduo, depois a família e depois o mundo." Ele está se referindo a um programa educacional que culmine com um ser humano melhor, que a Irmandade chama de "renascimento". Isso explica por que o partido quer ocupar postos-chave em educação e cultura. Para a Irmandade, isso é mais importante no longo prazo do que conseguir o controle da polícia ou do Judiciário.


Fonte: IHU Online

segunda-feira, 21 de maio de 2012

[Pânico na TV] Circo dos horrores



Por Leila Cordeiro

É cada vez maior o número de telespectadores, e até de profissionais de TV, abismados com tantas baixarias, desmandos e irresponsabilidades observados em alguns programas da televisão aberta que nos fazem pensar que qualquer código de ética que pudesse existir já foi para o espaço há muito tempo.

Em julho de 2010, a veterana e premiada atriz Laura Cardoso foi alvo de uma das maiores humilhações de sua vida sem nenhuma explicação. Laura saía do lançamento de um livro num shopping em São Paulo, quando uma pretensa humorista do programa Pânico a abordou pedindo uma “entrevista”.

Muito educada e simpática, a atriz aceitou conversar, mas jornalistas que estavam próximos a ela correram para avisá-la sobre as más intenções da “falsa repórter” que queria, na verdade, “arrotar” em seu rosto. Boquiaberta, Laura ficou perplexa com aquele absurdo e perguntou a uma amiga, quase sem acreditar naquilo:

- Mas o que foi que eu fiz para ela querer fazer isso comigo?

Quanta inocência da Laura, não? Ela que na época tinha 82 anos, e mais de 50 como respeitada atriz, disse depois que jamais poderia imaginar que num outro canal do mesmo veículo onde trabalhou em produções tão bem feitas e memoráveis, poderia haver algo tão repugnante no ar como essa coisa de “arrotar” sem mais nem menos no rosto das pessoas.

Diante disso, a tal “mulher arroto” acabou “aposentada” pelo próprio Pânico que, apesar da irreverência muitas vezes fora de controle, decidiu tirar a inconveniente personagem do ar. E nunca mais se soube dessa moça, que se prestou a esse papelão.

Por esses dias recebi pela internet um texto de Wagner Moura, também queixando-se de ter sido vítima de uma brincadeira de muito mau gosto do mesmo Pânico, cujos integrantes o cercaram para dar uma entrevista no meio da rua, na saída de uma premiação em São Paulo, e esfregaram gel em sua cabeça. Wagner demonstrou toda sua indignação ao escrever:

“Entrei num taxi. No caminho pra casa, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia."

O caso aconteceu em 2008 e alguns críticos estão especulando que ele poderia ter voltado à tona, pelas mãos de concorrentes, para desestabilizar a audiência do Pânico que mudou da Rede TV para a Bandeirantes, alavancando seus números no domingo. E é aí que mora o problema. Como um programa desse nível consegue ganhar tantos pontos na preferência do público?

O lixo está aí, indiscutível, mas não podemos deixar de analisar que se ele está com boa audiência é que tem gente assistindo e pelo visto, muita gente. Será que é disso que o povão mais gosta, a ridicularização do ser humano, o escracho, a bobagem explícita?

Essa é uma pergunta que deixo para os sociólogos de plantão: como um programa do nível desse Pânico, fazendo o que faz há tantos anos, consegue ser aplaudido por alguns setores da mídia e atrair um certo tipo de público que acha tudo muito engraçado e criativo?

Talvez, se lá em 2008, o ator Wagner Moura, premiado pela APCA, por sua atuação como Capitão Nascimento, em Tropa de Elite, tivesse levado a ficção a sério, não teria sido vítima de falsos repórteres cujo foco não é a a informação, mas a ridicularização e o constrangimento do ser humano...

Direto da Redação


Fonte: Blog Terra Brasilis

Comissão da Verdade julgará torturadores da Música Popular Brasileira

Compadre Washington está proibido de pronunciar "Tchaãn" e "tchudududupá" em todo território nacional.

DIVINO - Integrantes da Comissão da Verdade confirmaram, ontem à tarde, que os torturadores da Música Popular Brasileira serão identificados, julgados e punidos. "Passamos décadas sob implacável ditadura de sertanejos universitários, dançarinas de axé e vocalistas de pagode coxinha", desabafou Geraldo Vandré. Armado de uma queixada de burro, o compositor cantou os versos "é a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar" um tom acima da versão original.

Intimações foram enviadas para os grupos Soweto, Karametade, Katinguelê, Molejo, Os Morenos, Rouge, Vagabundos, Só Pra Contrariar, Raça Pura, Harmonia do Samba, Sampa Crew, Copacabana Beat, As Meninas e Mastruz com Leite. Latino, Maurício Manieri, Vini Shake Boom e Supla estão foragidos. Tiririca foi poupado por ter imunidade parlamentar. Integrantes do grupo Art Popular desapareceram após serem interrogados para explicar os versos "Até parece que o amor não deu / Até parece que não soube amar / Você reclama do meu apogeu / Do meu apogeu! / E todo o céu vai desabar" e "Pimpolho é um cara bem legal / Pena que não pode ver mulher".

A trilha sonora da novela Avenida Brasil está sub judice. "É um grande passo para renovarmos a cultura nacional", comemorou Artur Xexéo, enquanto ouvia um LP de Emilinha Borba.

No The i-Piauí Herald


Fonte: Blog Com Texto Livre

domingo, 20 de maio de 2012

Juiz deixa 'salário' de R$ 24 mil e busca outra profissão!


Um fato inusitado aconteceu em Aragarças-GO, divisa com Barra do Garças: um juiz de 30 anos de idade que está há um ano no judiciário pediu exoneração e informou que está à procura da profissão ideal.

Raul Batista Leite, que assumiu em outubro a comarca aragarcense, surpreendeu a todos ao anunciar no início do mês a sua decisão de abandonar a magistratura.

Com salário de R$ 24 mil, Raul dá adeus a uma profissão cobiçada por muitas pessoas e comentou com alguns amigos que não se identificou com a função de juiz.

Por telefone, ex-juiz que se formou em Goiânia-GO, disse ao Olhar Direto que vai continuar participando de concursos públicos à procura de outra carreira. E participar de concursos públicos realmente é o forte de Raul. Antes de ser juiz, ele passou no concurso público para promotor e policial federal.

“Eu vou continuar participando de concursos”, salientou. Raul, citando que gostaria de ser professor universitário. Perguntado sobre a questão financeira, porque um professor no nível máximo (com doutorado) ganha R$ 10 mil, bem abaixo do que ele ganhava, o ex-juiz disse que dinheiro não é tudo e que a pessoa precisa se sentir bem na função.

O salário de um magistrado em Goiás gira em torno de R$ 18 mil, mais adicional pelo Eleitoral, totalizando R$ 25 mil por mês. Com o pedido de exoneração de Raul, a comarca aragarcense está sendo dirigida provisoriamente por Flávia Morais Nogato de Araújo Almeida, titular de Piranhas.

Olhar digital


DELEGADOS.com.br

Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira

Cientistas questionam mito do bom colesterol

Não há evidências médicas de que altas taxas do o colesterol bom diminuem risco de infarto, segundo pesquisa


Os resultados são importantes devido ao uso de certos medicamentos, muitas vezes administrados para aumentar os níveis do HDL
Foto: Stock.Xchng


Cientistas questionaram, nesta quinta-feira, um dos grandes dogmas da medicina moderna: que níveis mais elevados de "bom" colesterol aumentariam automaticamente a saúde cardiovascular.

Em um estudo publicado na revista científica The Lancet, pesquisadores anunciaram ter descoberto que não há evidências médicas de que altas taxas de HDL (lipoproteínas de alta densidade) - o colesterol bom - diminuem o risco de infarto.

Concentrações elevadas de HDL são umas das principais taxas acompanhadas em exames de sangue. Elas são tão controladas quanto a manutenção de níveis reduzidos de "mau" colesterol (a lipoproteína de baixa densidade, ou LDL) como critério para o risco de obstrução das artérias.

A pesquisa
O estudo usou um método conhecido como randomização mendeliana para comparar o risco de infarto entre pessoas que herdaram boas variantes genéticas que renderam predisposição para taxas elevadas de HDL.

De acordo com a crença popular, esses indivíduos teriam menor risco de doença coronária. Contudo, a pesquisa, que contou com quase 12,5 mil pessoas com histórico de ataque cardíaco e mais de 41 mil saudáveis, mostrou que esse nem sempre era o caso.

Os resultados são importantes devido ao uso de certos medicamentos, muitas vezes administrados para aumentar os níveis do HDL, mas que podem causar efeitos colaterais.

Resultados
"Esses resultados nos mostram que algumas formas de elevar o colesterol HDL podem não ajudar a reduzir o risco de infarto do miocárdio em seres humanos", explicou Sekar Kathiresan, do Hospital Geral de Massachusetts e da Faculdade de Medicina de Harvard.

"Dessa forma, se algum tipo de intervenção, como o uso de medicamentos, elevar o colesterol HDL, não podemos assumir automaticamente que o risco de infarto do miocárdio tenha diminuído", acrescentou.

Por outro lado, o estudo afirma que o colesterol "ruim" continua sendo um indicativo de risco cardíaco.

Um outro estudo, também publicado na edição desta quinta da The Lancet, confirmou os benefícios das estatinas, medicamentos que reduzem o colesterol LDL, para proteger pessoas sem histórico de doença cardiovascular.



BAND, com AFP



Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira

Aliados querem Vaccarezza fora da CPI

A CPI decidiu não convocar para depoimento nenhum dos governadores que supostamente teriam ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Cachoeira



Surpreendidos com o flagrante da troca de mensagens via celular entre Cândido Vaccarezza (PT-SP) e o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira defenderam o afastamento do deputado petista, ex-líder do governo, do colegiado.

O comportamento de Vaccarezza, de tentar blindar Cabral na CPI, irritou os aliados, em especial os petistas que, em conversas reservadas, consideraram “insustentável” a permanência do ex-líder do governo como um dos integrantes da comissão. O envio da mensagem, em que o parlamentar avisa ao governador que a relação entre o PT e o PMDB pode azedar na CPI, mas insinua que ele será protegido, foi flagrado por um cinegrafista da emissora SBT na quinta-feira, 17.

A CPI decidiu não convocar para depoimento nenhum dos governadores que supostamente teriam ligações com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ao poupar governadores, instalou-se uma suspeita de clima de “pizza” na CPI.



ESTADãO


Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira

Lula e FHC iniciam amizade no Facebook


Lula compartilhou a foto acima e escreveu: "É noiz no Planalto, mano. #vidaloka"

FACE - Após criar sua página pessoal no Facebook, o ex-presidente Lula enviou solicitações de amizades a parlamentares da base aliada. "Meus amigos e minhas amigas, peço seu voto para me tornar prefeito no Foursquare", escreveu. Em seguida, deixou recados carinhosos para os aniversariantes e cutucou Fernando Collor. "Falar de mim é fácil, difícil é ser eu" escreveu Lula em sua timeline, enquanto alterava seu status para "em um relacionamento sério com Marisa Letícia".

A assessoria de imprensa do Instituto Lula informou que o ex-presidente conseguiu apoio suficiente para propor uma reforma agrária no FarmVille. "Nunca antes na história desse Facebook, um metalúrgico foi tão longe", diz o texto. O ex-presidente prometeu ainda enviar solicitações de "Meu Calendário" para as classes menos favorecidas e disse que irá se empenhar pessoalmente para implementar o Bolsa-Clique: "Todo braslieiro terá direito ao seu link patrocinado", vaticinou. Trinta milhões de pessoas curtiram.

Numa atitude que julgou "histórica", Lula enviou solicitações de amizade para Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Ambos aceitaram prontamente. Lula, no entanto, ainda não respondeu à solicitação de amizade enviada por José Dirceu. Segundo sua assessoria, o ex-presidente quer se certificar se não se trata de um perfil falso.

Antes de fazer logoff, Lula ainda teve tempo de compartilhar o link do perfil de Fernando Haddad. "O companheiro Haddad ainda tem poucos amigos", escreveu. Só 3% das pessoas clicaram.

No The i-Piauí Herald


Fonte: Blog Com Texto Livre

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Quantas faces tem Getúlio?

Pilhas de Getúlios Vargas atulham o escritório do jornalista Lira Neto em seu apartamento no bairro paulistano de Perdizes -os que se veem nesta página mal dão para contar a história.

A reportagem é de Fábio Victor e Marco Rodrigo Almeida e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 17-05-2012.

Misturados a livros e revistas sobre o líder trabalhista gaúcho, há um Getulinho joão-bobo em madrepérola com a inscrição "Sempre em Pé", a reprodução emoldurada de uma capa da revista

"Time" com a foto do político, broches, bonequinhos em metal, cerâmica e madeira. Há até um naco de tijolo da casa de Getúlio em São Borja (RS).

"Eu me cerco muito, que é para o santo baixar. O personagem tem que permear minha vida", afirma Lira, autor de uma biografia de Getúlio cujo primeiro volume acaba de chegar às livrarias.

Anunciada hiperbolicamente pela Companhia das Letras como "a biografia mais completa já escrita sobre um político brasileiro", a obra terá três volumes.

Com tiragem de 30 mil exemplares, dez vezes a de um lançamento comum no Brasil, o primeiro volume aborda do nascimento do político, em 1882, até a conquista do poder nacional, com a Revolução de 1930.

O segundo, programado para o início de 2013, irá de 1930 a 1945 (Era Vargas e Estado Novo). E o último, que sai em 2014, abrangerá de 1945 a 1954, ano em que Getúlio se suicidou no Rio.

Cearense de Fortaleza, 48 anos, autor de biografias de Castello Branco, José de Alencar, Maysa e Padre Cícero, Lira gastou dois anos e meio para concluir o primeiro tomo.

Como possivelmente se trata da figura pública sobre a qual mais se escreveu no país, desde que veio a público a tese, sustentada pelo autor, de que será a primeira biografia "moderna", ou "jornalística", de Getúlio, surgiram as primeiras contestações quanto ao ineditismo de certos aspectos do trabalho.

Ambivalência de Getúlio atraiu biógrafo

Coincidentemente batizada com o mesmo nome da mulher de Getúlio Vargas, Darcy, a mãe de Lira Neto, ainda é, aos 84 anos, "uma getulista muito ferrenha".

Quando o jornalista anunciou que escreveria uma biografia do político, dona Darcy lhe disse: "Não vá falar mal do meu velhinho".

O episódio é revelador do campo minado que enfrenta quem se arrisca a esquadrinhar a vida e o legado do político mais controverso da história brasileira, protagonista ao mesmo tempo de governos ditatoriais e de conquistas trabalhistas e sociais.

"Getúlio Vargas é fascinante justo pela impossibilidade de classificá-lo de forma única, por seu potencial de ambivalência. Fez muito bem e muito mal ao país, e sua herança continua a dividir opiniões", diz o biógrafo.

Antes mesmo de ser lançado, o próprio trabalho de Lira já provocou controvérsia.

Getúlio foi acusado por adversários, notadamente Carlos Lacerda, de participação em ao menos dois assassinatos, um aos 15 anos (de um estudante, numa briga em Ouro Preto), outro quando já era político (de um índio no RS).

Nos dois casos, Getúlio era inocente - no segundo o condenado era um homônimo.

CONTROVÉRSIA

Ao afirmar, no ano passado, que esclarecera as duas acusações tendo acesso a arquivos de forma pioneira, Lira Neto foi contestado.

O historiador, sociólogo e professor gaúcho Juremir Machado da Silva, autor de um romance biográfico sobre Getúlio, escreveu um artigo no jornal porto-alegrense "Correio do Povo" dizendo que ambas as histórias já estavam esclarecidas em outras obras e que Lira "tem tudo para ser picareta histórico".

À Folha, completou: "Lira anunciou ter descobertos coisas que todo historiador conhece. Não sei se ele fez um bom livro, porque não o li, mas começou mal, soa como operação de marketing".

O biógrafo admite que há menções aos dois casos em outros livros, mas sustenta ter sido o primeiro a pesquisar nos arquivos os inquéritos sobre os dois crimes.

"Não sou o primeiro a dizer isso, mas o primeiro a fazê-lo com base em provas documentais. Desafio qualquer pessoa a mostrar onde estão as citações ao inquérito original. Os documentos estavam intactos nos arquivos, fui o primeiro a manuseá-los."

"Não tenho a mínima intenção de polemizar com Juremir, não o valorizarei a esse ponto. O polemismo é a doença infantil do jornalismo", completou Lira.

Para o historiador Boris Fausto, autor de livros elogiados sobre Getúlio e a Revolução de 30 e que escreveu a contracapa da biografia de Lira, embora o lançamento não revele "nenhuma grande novidade", "traz uma quantidade imensa de informações e é escrito no bom estilo do jornalismo, numa narrativa muito detalhista".

VACINA

Lira Neto nasceu em 1963, nove anos após a morte de Getúlio. De sua infância cearense, lembra do político como alguém "endeusado, um mito, o pai dos pobres".

Questionado sobre qual a vacina para não se contaminar pelo Fla-Flu político-ideológico que cerca o personagem, o biógrafo respondeu: "Ser jornalista, buscar acima de tudo ser isento e contemplar o maior número de ângulos, não fechar os olhos para nenhuma interpretação. Sou um repórter".

Ainda que Lira não tenha atendido integralmente ao pedido da mãe -sua biografia expõe também defeitos e contradições do biografado-, sem dúvida a figura de Vargas que predomina neste primeiro volume é mais positiva que negativa.

"É que ele ainda não se tornou ditador", relativiza o biógrafo. A mãe dele não perde por esperar.



Fonte: IHU Online

Em 1907, Vargas relativiza escravidão e ataca cristianismo

Em 25 de dezembro de 1907, aos 25 anos, Getúlio Vargas foi o orador da sua turma na formatura na Faculdade de Direito de Porto Alegre.

No discurso, de 41 páginas, exalta as virtudes da civilização grega, e, num tom cientificista e rebuscado, passeia por biologia, psicologia, filosofia, arte e direito. Defende que a escravidão foi importante ao progresso do homem e ataca o cristianismo, em trecho citado por Lira Neto.

A reportagem é de Fábio Victor e Marco Rodrigo Almeida e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 17-05-2012.

Preocupada que a peça fosse usada por detratores do pai, a filha Alzira doou o discurso à Fundação Getúlio Vargas com recomendação de que não fosse divulgado, o que não impediu o biógrafo de consultá-lo.

Leia a seguir trechos do discurso, com ortografia original de 1907.

"E foi mais tarde sobre a soberba ruinaria da civilização greco-romana que desabrochou a flor mórbida do pessimismo christão. [...]

O amar aos outros surgiu como uma formula egoista, "interessada no desinteresse alheio", e a esmola é uma esperança de salvação creditada no activo da bemaventurança. A concepção monistica da philosophia grega foi substituida por esse dualismo absurdo, sobre-carga da maioria dos erros e prejuizos da intelligencia humana. [...]

Christo, preocupado com a salvação celestial menosprezou a familia, como a todos os bens da vida. [...]

Esta religião desnaturou a grandeza da sexualidade, a força propagadora da especie a união dos seres numa transfusão de magnetismo amoroso, considerado como um commercio impuro. A mulher amesquinhada, ser inferior, serpente tentadora do mal. [...]

A lucta não é a desordem, é a obediência dos inferiores aos superiores, é a subordinação aos mais capazes. [...]

Quando o homem não mais eliminou os vencidos, mas escravisou-os, deu um grande passo. [...] Não eliminaram o prisioneiro de guerra - absorveram-no, isto é, filtraram-no atravez o agrupamento social. Reduzido ao captiveiro foi um animal de carga mais intelligente, encarregou-se dos misteres inferiores da vida, arou a terra que proliferou em larga messe de beneficios. O captiveiro hoje prejudicial a economia dos povos e incompativel com a civilisação foi n'aquelle tempo um progresso.


Fonte: IHU Online

Excesso de liquidez

Zygmunt Bauman é hoje uma grife da sociologia, lido, citado e compartilhado em toda parte. Esse status se deve em grande medida ao seu conceito de "modernidade líquida", aplicado às sociedades pós-industriais que perderam o sentido de "pertencimento".

Desde os anos 1960, explica, houve uma aceleração radical das mudanças sociais e tecnológicas, o que acentuou os sentimentos de mobilidade e individualidade em todos os setores da vida cotidiana: família, posição social, emprego, orientação sexual, relacionamentos amorosos etc.

A entrevista é de Marcos Flamínio Peres e publicada no jornal Valor, 11-05-2012.

Bauman desenvolveu essa tese em "Modernidade Líquida" (2000), desdobrada em vários outros títulos que o levariam a conquistar um público fora dos muros da academia: "Amor Líquido", "Vida Líquida", "Medo Líquido" e "Tempos Líquidos" (todos publicados pela editora Zahar).

Essas sociedades "leves" e "líquidas" perderam o sentido de solidez e estabilidade, defende o sociólogo. Em consequência, o ser humano tornou-se mais autônomo, o que é um ganho, mas passou a conviver com um fardo pesado: o sentimento de incerteza. E esse estado, diz Bauman na entrevista abaixo, é "provavelmente irreversível".

Outras mudanças acentuaram mais drasticamente esse quadro: a globalização, a internet e o consumismo.

Professor emérito da Universidade de Leeds (Reino Unido), Bauman deixou a Polônia em 1971, fugindo da perseguição antissemita promovida pelos comunistas. Talvez tenha sido esse olhar "de fora", de alguém vindo da periferia do continente europeu, que lhe permitiu apreender as transformações agudas por que vinha passando as sociedades ocidentais do capitalismo avançado.

Também deriva desse ponto de vista periférico seu entusiasmo, às vezes ingênuo, com o papel que países emergentes como o Brasil podem exercer na nova geopolítica que se configura. "Eles são laboratórios nos quais novos modos de coabitação humana são concebidos e testados."

Na entrevista a seguir, Bauman fala igualmente do recém-lançado "Ensaios sobre o Conceito de Cultura" (Zahar, trad. Carlos Alberto Medeiros, 328 págs.), obra de sociologia "dura" e leitura atenta, mas onde discute os fundamentos teóricos destes novos tempos "líquidos".

Eis a entrevista.

"Ensaios sobre o Conceito de Cultura" foi escrito 37 anos atrás, quando os estudos culturais estavam apenas começando a se consolidar nos departamentos de ciências humanas, enquanto hoje são hegemônicos. Tantos anos depois, o que mudou no debate intelectual?


Alguns anos atrás, quando este livro foi reeditado, me pediram para escrever uma nova "Introdução" justamente para responder a essa pergunta. Mas o aspecto interessante é que as mudanças verdadeiramente seminais ocorridas na sociedade e no papel da cultura se cristalizaram somente poucos anos atrás, após essa "Introdução" haver sido escrita e publicada... Tentei traçar e interpretar essas mudanças em "Culture in a Liquid Modern World" [que sai no Brasil em 2013 pela Zahar]. As mudanças que observei ali são, antes de tudo, uma transformação progressiva da cultura em commodity. A cultura passou de uma função "homeostática", estabilizadora, para servir ao mercado consumidor e promover a flexibilidade, a fome por novidades e a nova "onivoria cultural" das elites formadoras de opinião.

O senhor diz ali que vivemos hoje em uma "era da reciclagem", na qual as ideias são "enterradas vivas". Quais as consequências disso para o modo como vivemos?

Viver sob pressão de mudanças constantes e, em geral, imprevisíveis favorece uma cultura do esquecimento, em vez de uma cultura do aprendizado e da lembrança. Não temos tempo para digerir e assimilar novas informações antes que sejam afastadas de nossa atenção, espremidas por novidades mais recentes - do mesmo modo como substituímos velhos aparelhos pelos novos, recém-distribuídos nas lojas, e que possuem um ou dois recursos que seus predecessores não têm... Na sociedade consumista da modernidade líquida, as coisas começam a envelhecer já no momento em que nascem, e a distância temporal entre acolhê-las entusiasticamente e rejeitá-las como ultrapassadas vem se encurtando em uma velocidade cada vez maior.

O avanço da internet e das redes sociais tem algo a ver com sua afirmação segundo a qual "nada parece estar verdadeiramente morto ou vivo"?

A tecnologia digital, com seu espaço infinito para armazenar informação, intensificou esse processo a que me referi acima: não temos mais necessidade de expandir nossa memória pessoal, na medida em que toda informação existente está mantida em segurança em servidores da Web e pode ser recuperada quando o desejarmos. Hoje podemos esquecer sem nos sentirmos culpados... E fazemos isso. As coisas esquecidas não estão mortas - ou, ao menos, parece. Entretanto, se essa ideia é reconfortante, ao mesmo tempo é enganadora e potencialmente danosa. Nenhuma de suas consequências de longo prazo são realmente encorajadoras. Já seus resultados imediatos são a fragilidade dos limites do homem e o status provisório de quaisquer soluções para os problemas, além das sensações de desconhecimento - mais do que a capacidade de entender- e de impotência - mais do que a capacidade de agir efetivamente e com confiança no resultado.

Vivemos em um tempo mítico, sem passado nem futuro?

Hoje, o "tempo real" se constitui no padrão em relação ao qual todos os outros tempos são comparados. O valor supremo é a imediatez. Não há nada "mítico" nisso. Trata-se, antes, do fato de que essa preferência atual faz com que todos os outros tempos imagináveis pareçam serem percebidos como míticos! Somente o tempo vivido cotidianamente parece e é sentido como "real". Tudo aquilo que reside no "passado" e no "futuro" foi descartado. Nossas vidas, por assim dizer, são uma sucessão de "momentos presentes" - chamei tal percepção temporal de "pontilhista", para distingui-la da percepção até então dominante, a de imagens "cíclicas" ou "lineares". A história é hoje uma série de presentes, e esse presente transitório é a única constância... Em consequência, a incerteza é a única certeza...

Outro tema que desenvolve é a crise das ideias de nação e nacionalismo no mundo líquido. Em certa medida, "a doçura de se sentir incluído", o sentimento de pertencimento a uma dada comunidade, se transferiu para as mídias sociais?

Para as mídias sociais, para o mercado consumidor e para os Carnavais… Mídias sociais são "redes" fazendo o papel das comunidades enfraquecidas. Mercados consumidores: a partir dele, podemos comprar os ícones do pertencimento, mas sem o genuíno auto-sacrifício e a autoimolação que o pertencimento na vida real requer... E os Carnavais são similares às Copas do Mundo, aos jogos internacionais e às Olimpíadas. Esses três territórios "off-shore" resgatam a vida diária do "demasiadamente real", do pesado fardo do pertencimento corporal/espiritual…

Vê-se na Europa Ocidental, berço da ideia de nacionalismo, o fortalecimento de retórica e medidas anti-imigratórias, como na recente campanha presidencial francesa, ou ainda contra trabalhadores, mesmo que qualificados, como a proibição de pesquisadores estrangeiros de lecionarem em território francês. O nacionalismo, na verdade, não está recrudescendo?

O nacionalismo tem muitas causas - todas elas muito diferentes… Na Europa, o nacionalismo não está em crise porque o que está em crise é justamente a soberania do Estado-nação. A responsabilidade pela incerteza atual é posta na recente mudança de situação [econômica]. Essa é a razão por que o capital político tenta se construir a partir dos medos nascidos de um processo mais amplo de separação entre o poder, a capacidade de fazer as coisas, e a política, a capacidade de decidir que coisas precisam ser feitas. Na verdade, a União Europeia é um escudo que protege os Estados membros de calamidades muito piores, caso ocorresse um divórcio entre eles. Os problemas que os políticos nacionalistas prometem resolver por meio da ressurreição da "soberania plena" do Estado-nação são fadados a se aprofundar, e não serem sanados, pela desmontagem desse escudo protetor. A imigração, outro alvo dos políticos nacionalistas, também não poderia ser suprimida sem minar a economia europeia, seriamente dependente da capacidade e da mão-de-obra importadas...

Como potência emergente, o Brasil - e os Brics em geral - são bem diferente das sociedades "líquidas" e pós-industriais que o senhor abordou em seus livros, o que ele pode apresentar de novo ao mundo no que diz respeito à cultura e ao modo de vida?

Os centros onde as inovações culturais estão sendo gestadas, de onde se irradiam as inspirações e estímulos culturais, são famosos por suas mudanças de rota. O tempo presente não oferece nenhuma exceção. Outra questão é que os padrões da "periferia" importados dos centros atuais e aparentemente imitados e copiados tendem a ser -com a ajuda do conhecimento acumulado - adaptados, reformados e reajustados criativamente para diferentes realidades. De um ponto de vista histórico, há uma deficiência ligada ao fato de "ser o primeiro" e há uma vantagem em "juntar-se mais tarde". Se as sociedades que já passaram de seu apogeu, objeto de meus livros sobre a modernidade, podem estar vivendo o "ocaso da civilização" - como intuído cem anos atrás por Oswald Spengler em seu "O Declínio do Ocidente" -, os Brics exalam o ar de uma ressurreição. O Brasil, os demais do Brics e outros países são os centros potenciais de irradiação cultural.

O consumismo é o pior aspecto das sociedades líquidas?

Os candidatos ao primeiro posto são muitos, mas o consumismo é certamente um deles. Ele coloca em questão a sustentabilidade do planeta e, logo, as chances de sobrevivência da humanidade. Enquanto isso, corrói a solidariedade humana necessária para a defesa do futuro do planeta assim como pressiona e enfraquece os limites do ser humano. O consumismo também provoca muita dor e humilhação a uma massa de pessoas ameaçadas pela exclusão ao direito de uma vida decente e digna e relegadas ao status de "subclasse" - os frágeis consumidores...

Como o senhor desenvolveu o conceito de "sociedade líquida"?

Ao longo de um século de sua breve história, a sociologia lutou para se estabelecer como "ciência/tecnologia da não-liberdade": como uma oficina para formatar as questões sociais que seriam resolvidas na teoria, mas, sobretudo, para colocar em prática o que Talcott Parsons articulou de maneira memorável como "a questão Hobbesiana". Em outras palavras, tratava-se de saber como levar os seres humanos, abençoados com a ambígua dádiva do livre arbítrio, a serem guiados de maneira normativa em direção a um fluxo de ações previsível; ou, ainda, como reconciliar o livre arbítrio com a vontade de se submeter à vontade dos outros - isto é, elevar a "servidão voluntária", antecipada por La Boétie no limiar da modernidade, a princípio supremo da organização social. Em resumo: como levar as pessoas a quererem fazer aquilo que elas devem fazer... Em nossa sociedade individualizada, a sociologia encara a oportunidade excitante de se transformar em uma "ciência/tecnologia da liberdade". Acho que a sociologia não tem muita escolha a não ser seguir, agora como sempre, o mundo em transformação. A alternativa seria a perda de relevância. No entanto, esse caminho "sem escolha" não deveria ser causa de desespero, muito ao contrário. A modernidade líquida de fato coloca os indivíduos, e isso significa todos nós, num estado de indeterminação e incerteza provavelmente irreversível, pois, em nossa condição de fragilidade e transitoriedade, a contingência se tornou nosso habitat natural. Entretanto, é com esse tipo de experiência humana que a sociologia precisa se envolver, em um diálogo contínuo.

Seus livros sobre a sociedade líquida, escritos em estilo muito menos acadêmico do que "Ensaios sobre o Conceito de Cultura", tornaram-se um sucesso junto a um público mais amplo. Como lida com esses diferentes perfis de leitores?

O diálogo é certamente uma arte difícil. Significa esclarecer as questões em conjunto, mais do que conduzi-las por meio de seu próprio caminho; multiplicar as vozes, mais do que reduzi-las; ampliar as possibilidades, mais do que ter em vista um consenso total; perseguir o entendimento, em vez de visar a derrota do outro; e tudo isso deve estar animado pelo desejo de manter a conversa fluindo. Dominar essa arte consome um tempo terrível e não promete tornar nossa vida mais fácil. No entanto, promete torná-las mais excitante, mais útil aos outros, e transformar nossas escolhas profissionais em uma viagem de descobrimento contínua e interminável.

Qual a importância das teorias do sociólogo Pierre Bourdieu, que morreu há dez anos, para o desenvolvimento da disciplina?

Na minha opinião, a grande contribuição de Bourdieu está em haver ressuscitado o comprometimento das ciências sociais, assim como seus conceitos de capitais cultural e social. Além disso, atualizou os argumentos para a crítica da economia capitalista centrada nos lucros dos acionistas.



Fonte: IHU Online

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Datena ataca Kassab e ameaça se demitir


Ricardo Feltrin, editor do sítio de entretenimento F5, da Folha, noticiou hoje mais uma das estripulias do apresentador José Luiz Datena, da Rede Bandeirantes. Ao vivo, ele garantiu que estaria sendo vítima de perseguição política e ameaçou pedir demissão da empresa. Não faz muito tempo, o polêmico jornalista rompeu contrato com a Record, que ingressou com um processo exigindo indenização.
“Em seu programa matinal na rádio Bandeirantes (90,9 FM) desta terça-feira (15), Datena ameaçou ‘pegar o boné’ (se demitir) da Band, e que os ouvintes deveriam saber que, se ele sair do ar, ‘já sabem o motivo’. O motivo, no caso, seria uma suposta pressão do prefeito Gilberto Kassab a Datena e à Band, por causa das denúncias que ele vem repercutindo em seu programa”, relata Feltrin.

"Isso é coisa de crime organizado"

As denúncias se referem ao ex-diretor da prefeitura paulistana e ex-assessor de Kassab, Hussain Aref Saab, que acumulou cerca de R$ 50 milhões em imóveis nos últimos anos. Aref era chefe do Departamento de Aprovação de Obras, responsável pela liberação de construções e reformas de imóveis em São Paulo. Com o seu jeitão agressivo, Datena comentou em seu programa na rádio:

“Isso é coisa de crime organizado, de máfia. O cara (Aref) tem quase 70 anos de idade, acha que ele ia fazer sozinho? O que eu fico indignado é esse prefeito achar que é uma coisa pessoal (quando a gente faz) denúncias contra ele”. Segundo Datena, as suas denúncias resultaram em pressões diretas de Gilberto Kassab contra o seu programa na Band. A assessoria do prefeito não comentou o caso.

"Esse cara é um ingrato"

O curioso é que Datena confessou, também ao vivo, que fez campanha para o ex-demo e atual presidente do PSD. “Se tem alguém que defendeu esse prefeito, que ajudou a colocar esse cara no gibi, fui eu... Sempre defendi o Kassab, sempre o colocava no 'Brasil Urgente'... Esse cara é um ingrato, acima de tudo. Fiz (ajudei) porque achava que era um baita de um prefeito”.

Em mais uma prova de que não há nada de isento na mídia, o apresentador da Band também revelou os motivos que o levaram a atacar o Gilberto Kassab. “Quando o cara esqueceu de ser bom político e começou a querer fundar partido, e esquecer a cidade, eu sentei o cacete mesmo. Eu tinha compromisso com o bom prefeito que ele era. Deixou de ser, porrada nele”. Muito educativo!

Altamiro Borges


Fonte: Blog Com Texto Livre

segunda-feira, 14 de maio de 2012

FHC é premiado nos Estados Unidos

Ex-presidente brasileiro recebeu prêmio de US$ 1 milhão da biblioteca do Congresso norte-americano .


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 80 anos, foi escolhido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para receber o Prêmio John W. Kluge, no valor de US$ 1 milhão. Ele foi escolhido pelo conjunto de sua obra acadêmica, por sua vida pública e pela contribuição social no período em que governou o Brasil. O Prêmio Kluge, como é conhecido, será entregue no dia 10 de julho, em Washington, capital norte-americana.

Para o júri que escolheu Fernando Henrique, suas obras contribuíram na “construção científica das estruturas sociais do governo, nas análises sobre as relações de economia e raça no Brasil”. O prêmio é concedido àqueles que desenvolveram estudos nas áreas de sociologia, ciência política e economia. “Ao longo de sua vida, Cardoso fez perguntas difíceis e muitas vezes desafiou a sabedoria convencional”, diz o texto sobre o ex-presidente.

Na página da biblioteca, ele é apresentado como coautor de mais de 23 livros e 116 artigos acadêmicos, com versões para vários idiomas. Também é apresentado como sociólogo que analisou as relações de “dependência excessiva da indústria e do trabalho em subserviência a governos autoritários”. “Cardoso se tornou conhecido internacionalmente por sua visão inovadora e desenvolvida”, diz o texto.

Intelectual

O ex-presidente é lembrado ainda como o intelectual que viveu no exílio durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). Fernando Henrique político também é lembrado no texto de apresentação da biblioteca, ressaltando sua eleição para o Senado, sua participação na fundação do PSDB, no Ministério das Relações Exteriores e no Ministério da Fazenda (governo do ex-presidente Itamar Franco) e sua passagem pela presidência da República por dois mandatos.

O prêmio é concedido pelo Centro John W. Kluge da Biblioteca do Congresso. O centro foi criado em 2000 para promover uma integração maior entre o chamado campo das ideias e o mundo – pesquisadores e sociedade. Receberam o prêmio, em anos anteriores, Leszek Kolakowski (em 2003), Jaroslav Pelikan e Paul Ricoeur (em 2004), John Hope Franklin e Yu Ying-shih (em 2006), além de Peter Lamont Brown e Romila Thapar (em 2008).




Band / Da Agência Brasil

Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira

Em defesa do Estado


Em sua obra Leviatã, Thomas Hobbes preconizava um Estado forte e absolutista

Por Cynthia Semíramis

De vez em quando, surgem teorias e práticas que pregam a diminuição do poder do Estado. Foi o caso, alguns anos atrás, da ascensão das ideias neoliberais, calcadas na intervenção estatal mínima na economia. Atualmente, é possível identificar discursos defendendo outra forma de diminuição do Estado, desta vez, desprezando a instituição política do Estado em favor de outras instituições.

Tem sido cada vez mais comum ouvir ou ler frases como “o Estado tem poder demais” e “precisamos fortalecer outras instituições”. Em parte, essas afirmações derivam do desencanto com a política partidária, seja por receio de corrupção, seja por não encontrar nela apoio a questões importantes para determinados grupos, como a defesa de povos indígenas, questões ambientais, combate ao racismo, ao machismo e à homofobia. Mas tais ideias também derivam da ignorância em relação ao poder estatal e das instituições que estão querendo valorizar.

Negar a importância do Estado como instituição que define as regras que devem ser seguidas por toda a sociedade significa também esvaziar o debate político. E, pior ainda, negar toda a construção histórica em torno de direitos humanos em nome de instituições que, em sua maioria, violam direitos.

O conservadorismo das instituições não estatais

Um dos problemas em relação a ampliar o poder das demais instituições é imaginar que elas são semelhantes ao Estado, tanto em sua história como estrutura. Assim, diminuir o poder estatal significaria simplesmente transferi-lo para outra instituição mais adequada aos próprios valores. Porém, as instituições não são intercambiáveis entre si: elas são diferentes em sua essência, e atuam em esferas diferentes. O que têm em comum é o poder calcado nos costumes e na moral, procurando induzir as pessoas a agir de determinada forma. Religião, família, escola são algumas das instituições com maior poder em nossa sociedade.

Nessas instituições, as regras a respeito de qual ação é permitida ou proibida são bastante rígidas e claras, baseando-se na tradição e nos costumes. O efeito dessas regras é bastante conservador. Procura-se manter as tradições mesmo que, para isso, a vontade dos indivíduos deva ser anulada. A liberdade sexual e de costumes, o combate ao racismo, os direitos de homossexuais, mulheres e crianças ainda são vistos com desconfiança por essas instituições, e há uma pressão constante para se voltar às tradições.

As mudanças de costumes são lentas, e muitas vezes só acontecem porque o Estado interfere, criando leis que alteram a dinâmica da instituição. A criação de uma lei para punir atos racistas tornou o racismo socialmente inaceitável e criticado. A proibição do trabalho infantil fez com que crianças passassem a ser vistas como sujeitos de direito e pudessem estudar em vez de serem submetidas a trabalho incompatível com sua idade. A aprovação do divórcio e posterior equiparação da união estável ao casamento tirou milhões de casais da clandestinidade, reconhecendo filhos e ampliando direitos como pensão em caso de morte.

Construindo o Estado

O Estado é uma instituição que foi historicamente construída para se sobrepor às demais instituições. Criado como alternativa ao poder religioso medieval e como forma de unificar sistemas jurídicos e políticos bastante diversificados, passou pelo fortalecimento da figura do monarca, chegando ao Absolutismo, marcado pela frase de Luis XIV, “O Estado sou eu”. Essa visão foi duramente criticada pelo Iluminismo e completamente subvertida com as Revoluções Burguesas.

A ascensão da burguesia fez com que fosse modificada também a lógica do Estado, reduzindo o poder da religião a ponto de se falar em Estado laico e reduzindo o poder do monarca e da nobreza, a ponto de se desenvolverem técnicas de ampliação da participação popular e implantar a república.

Foram criadas novas leis, recusando privilégios da aristocracia e incorporando valores burgueses em relação à propriedade e à democracia. Apesar disso, inicialmente foram mantidos vários dos costumes das demais instituições sociais, especialmente as regras da religião cristã em relação à família, mantendo as mulheres subjugadas aos homens – e foi necessária uma luta dentro da lógica dessas novas leis para quebrar esse tipo de discriminação. Isso só foi possível porque há a possibilidade de questionar e modificar costumes antigos por meio de lei, diminuindo o poder de outras instituições para ampliar discursos de reivindicação de participação política, direitos humanos e proteção a grupos discriminados.

O Estado moderno se diferencia das demais instituições por ter criado uma série de regras que limitam o seu poder e permitem o seu controle, impedindo ou procurando evitar que esse poder seja usado contra a sociedade. Existem a tripartição de poderes e um sistema de balanceamento no qual se procura evitar a concentração de poderes na mão de apenas uma pessoa – como era o caso do monarca no Absolutismo. Quem faz as leis não é a mesma pessoa ou o mesmo grupo que julga os conflitos causados pela lei. As regras devem ser leis claras e com a preocupação de evitar conflitos sociais.

E o Estado tem um poder que as demais instituições não têm: o poder de coerção, que consiste não só no monopólio do uso legítimo da força, mas na capacidade de poder forçar a pessoa a agir de determinada forma. Tem também o poder de criar e abolir crimes. Tem o direito de prender a pessoa que comete um crime, limitando seu direito de ir e vir. Tem o poder de obrigar as pessoas a pagar impostos, e a sofrer multa e sanções caso não façam o pagamento. E tem o poder de obrigar crianças a irem para a escola em vez de trabalhar, além da capacidade de punir quem desrespeitar a lei e empregar crianças.

O Estado tem o poder de mudar a sociedade, reconhecendo identidades historicamente discriminadas (como mulheres, pessoas negras e homossexuais), garantindo direitos a elas e lhes concedendo uma liberdade que elas não tinham em outras instituições. É importante lembrar que o Estado interfere na vida privada para impedir que as outras instituições pratiquem costumes que violem a lei, tais como manter uma pessoa em cárcere privado, torturá-la ou espancá-la por não ter seguido as regras dessas instituições.

Os problemas de desvalorizar o Estado

Abandonar a luta política e optar por desvalorizar o Estado significa a negação de um processo de conquista de direitos de grupos historicamente discriminados. As mulheres só obtiveram direitos porque argumentaram pela igualdade com base nas regras do Estado moderno; de outra forma, estariam ainda sendo proibidas de estudar, porque a instituição família e a maioria das instituições religiosas consideram que mulheres não precisam de educação quando sua função é ser apenas mães e esposas. Da mesma forma, se hoje o racismo é combatido, o casamento não é mais perpétuo e pessoas homossexuais têm seus direitos civis reconhecidos, isso se deve à compreensão do papel do Estado nas sociedades modernas: ele possibilitou a construção de um discurso para reivindicar direitos e impedir que fossem restringidos por causa das regras de uma ou outra instituição.

O que deveria ser o foco das demandas atuais é a ampliação desses discursos para encaixá-los no Estado democrático de direito. Afinal, o poder estatal permite estimular direitos sociais e forçar a mudança de costumes de forma bem mais efetiva do que se utilizando de outras instituições. Campanhas educativas são importantes, mas de impacto bem mais lento do que a obrigação de cumprir a lei.

Outra questão importante é que, ao abandonar a pressão para mudanças nas políticas estatais, abre-se espaço para que grupos que não sejam pluralistas ocupem esse lugar. É possível ter um retrocesso nas políticas de Estado, pois tais instituições irão impor as regras de sua instituição a toda a população, e não haverá pressão popular para impedi-las, posto que optaram por sair do debate político.

Se é uma instituição religiosa, o que se tem é a violação do Estado laico. E esse é um ponto delicado: não há liberdade para as pessoas se elas são obrigadas a seguir as regras de um grupo específico ao qual não pertencem. Não se deve obrigar um protestante a seguir a doutrina espírita nem um candomblecista a seguir a doutrina católica, nem um reconstrucionista helênico a seguir a doutrina judaica. E não cabe ao Estado obrigar ninguém a seguir as regras de uma determinada religião, mesmo que seja a religião da maioria: a minoria deve ser respeitada e não pode ser indiretamente forçada a obedecer as regras de instituição alheia. Pelo contrário: cabe ao Estado proteger a religião da minoria, impedindo que seus praticantes sejam perseguidos e impossibilitados de realizar seus cultos.

Para um Estado que tem poder demais, é possível controlá-lo de modo a impedir uma ditadura: pelo voto, pelo Judiciário, pela mídia, por pressão de ativistas (e a internet tem sido bem utilizada para articular ações), por interferência direta em políticas públicas. Nesse caso, a sociedade se defende contra os excessos do Estado.

Porém, se a opção for pela transferência de parte desse poder a outras instituições, não haverá Estado para impedir o massacre do indivíduo discriminado em nome de regras medievais que violam direitos humanos. Para defender a sociedade, há momentos em que é necessário defender o Estado para preservar o Estado laico e para garantir a autonomia das pessoas e o respeito aos direitos humanos.


Fonte: Revista Fórum, edição 109./ Blog Observadores Sociais

sábado, 12 de maio de 2012

Hollande, um novo presidente francês predestinado a decepcionar

Os franceses escolheram François Hollande porque ele prometeu ser um presidente diferente de Nicolas Sarkozy. Mas ele conquistou um dos empregos mais difíceis do planeta: reformar a França. Para ter sucesso, ele terá que decepcionar muitos de seus eleitores. Mas Hollande é um pragmático, não um ideólogo –e isso pode até mesmo ajudá-lo a se entender com Angela Merkel.

A reportagem é de Mathieu von Rohr e publicada na revista Der Spiegel e reproduzida pelo Portal Uol, 08-05-2012.


Até o final, o presidente Nicolas Sarkozy buscou fazer o mundo acreditar que ainda poderia vencer e que seria uma disputa extremamente apertada. Ele estava errado. Pela segunda vez na história da Quinta República, os franceses votaram em um candidato do Partido Socialista para a presidência. A última vez que isso aconteceu foi em 1981, quando François Mitterrand se tornou presidente.

A vitória de François Hollande é, acima de tudo, um acerto de contas político com Sarkozy. Quando ele iniciou seu mandato há cinco anos, Sarkozy desfrutava de um índice de aprovação de mais de 60%, mas ao final ele se tornou o presidente mais impopular da Quinta República, que teve início em 1958 com a reforma constitucional que fortaleceu enormemente o papel do presidente.

A falta de popularidade de Sarkozy foi, em grande parte, produto da crise econômica que já derrubou outros nove líderes europeus. Mas a rejeição a Sarkozy vai mais fundo: muitos franceses sentem que Sarkozy profanou o cargo, que não exibia dignidade suficiente, que era um novo rico que frequentemente se confundia com o Estado e agia como um Napoleão moderno. No final, até mesmo no campo conservador havia muitos que simplesmente o odiavam. Hollande, resumindo, foi conduzido à presidência pela força do desejo francês de se livrar de Sarkozy, cujo romance com os franceses terminou em ódio.

Após terem um presidente tão anormal, os franceses agora anseiam por um mais normal – e é precisamente isso que Hollande promete. Há não muito tempo, ninguém confiaria o cargo a Hollande. Ele era considerado pouco mais que uma piada. O candidato populista de esquerda, Jean-Luc Mélenchon, até mesmo o desdenhou como um “capitão de pedalinho” para riso geral. Afinal, ele foi apenas a segunda opção dos socialistas, escolhido depois que o ex-favorito Dominique Strauss-Khan caiu em desgraça após seus escândalos sexuais.

Mas, ao longo da campanha eleitoral, Hollande teve sucesso em convencer a maioria dos franceses de que tinha condições de ser presidente. Ele desenvolveu lentamente uma aura presidencial e, em discursos, se colocou na mesma categoria de François Mitterrand. E finalmente, no debate da semana passada contra Sarkozy, ele se coroou, iniciando 16 sentenças seguidas com “Eu, como presidente...”

Até mesmo o amigo próximo e conselheiro de Sarkozy, Alain Minc, reconheceu recentemente à agência de notícias “Reuters”: “Eu acho que todos nós subestimamos o sujeito. Ele demonstrou uma força de espírito incomum neste ano. O François Hollande que estamos vendo hoje é diferente daquele que todos nós conhecíamos. Nós o julgamos de modo diferente do que ele é. Ou estávamos errados ou ele mudou”. Por sua vez, Sarkozy subestimou Hollande até o final.

Durante a campanha, Hollande se posicionou claramente à esquerda. Ele prometeu criar um imposto de 75% para qualquer renda acima de 1 milhão de euros. Ele também disse que mudaria de volta a idade de aposentadoria na França de 62 anos para 60 anos. E prometeu um fim às políticas de austeridade europeias –se posicionando como a antítese de Angela Merkel e dizendo aos seus eleitores: “Eu não quero uma Europa de austeridade, onde os países são forçados a ficar de joelhos”.

Hollande decepcionará amargamente os eleitores

Ainda assim, é altamente improvável que Hollande será um presidente socialista gastador. E consequentemente ele decepcionará amargamente muitos de seus eleitores. Hollande será o presidente de um país economicamente doente. A dívida pública está em 90% do Produto Interno Bruto, a França não possui um orçamento equilibrado desde 1974 e, em quase 57%, a relação mais alta entre gastos do governo e PIB dentre os 17 países da zona do euro. Além disso, o desemprego se encontra em aproximadamente 10% e há toda uma geração de filhos de imigrantes que cresceu nos subúrbios parecidos com guetos, quase sem contato com o mercado de trabalho. Durante a campanha eleitoral, esses problemas tiveram apenas um papel secundário. Mas para o presidente recém-eleito, eles terão um papel central.

A grande pergunta é se Hollande poderá reunir o poder que precisará para reformar profundamente a França. No nível mais básico, ele é pragmático e, falando em “off”, muitos dos seus colegas até mesmo o descreveram como sendo um “social democrata”. Ele também prometeu repetidamente introduzir um orçamento equilibrado e será avaliado pela forma como cumprirá sua palavra.

Haverá uma grande celebração na Praça da Bastilha na noite de domingo. Mas, na segunda-feira, toda a França acordará com ressaca. Tempos difíceis aguardam o presidente e o país. Durante sua campanha, Hollande evocou repetidamente a grandeza da França. Mas essa grandeza agora é ameaçada precisamente pela fraqueza econômica que Hollande terá que enfrentar. Ele não poderá dar continuidade à tradição de incorrer em mais e mais dívida e não poderá transformar o país sem alienar muitas das pessoas que acabaram de votar nele. Hollande pode ter conquistado a presidência, mas seu novo emprego é um dos mais difíceis do mundo.

Um melhor parceiro para Merkel?

Apesar de sua retórica de campanha às vezes agressiva, não se deve esperar que Hollande se torne o maior antípoda de Merkel na Europa. Ele sem dúvida defenderá vigorosamente as posições francesas com a legitimidade adicional que os resultados eleitorais lhe deram. Mas muitos observadores políticos acreditam que as posições de Hollande em relação ao euro, ao Banco Central Europeu (BCE) e ao pacto financeiro serão semelhantes às de Sarkozy.

De fato, mesmo no final do ano passado, alguns dos assessores de Sarkozy estavam adotando posições que poderiam facilmente vir da plataforma de campanha de Hollande. Havia oposição a uma estratégia concentrada exclusivamente em austeridade e muitos eram favoráveis a uma intervenção direta do BCE. Logo, apesar das faces serem diferentes, a posição francesa provavelmente não mudará radicalmente.

É até mesmo possível que Merkel e Hollande consigam forjar um forte laço pessoal – e um ainda melhor do que o antes compartilhado por Merkel e Sarkozy. De certo modo, talvez seja até mesmo possível descrever Hollande como o Merkel francês: ele é pragmático, não um ideólogo. Ele busca o consenso e considera os resultados mais importantes do que poder exibi-los. Ele é um sujeito pé no chão e que demonstra empatia. E, na condição de economista que antes lecionava na universidade de elite Sciences Po, ele também compartilha a formação científica de Merkel.

Hollande poderá fazer uso de seus modos agradáveis em seu novo cargo. Esta eleição francesa revelou um país atolado em autoquestionamento e extremamente ansioso em relação ao futuro. Também é um país profundamente dividido em vários campos e com um número crescente de pessoas decepcionadas e frustradas. Como presidente, Hollande terá que unir esses campos. Nos tempos turbulentos enfrentados por seu país, ele deverá ser uma figura paterna que possa unir a esquerda e a direita.

Uma esquerda triunfante, uma direita rachada

Para a esquerda, a vitória eleitoral de Hollande é um triunfo. Ela não faz parte do governo há dez anos e não ocupa a presidência há 17 anos. Se a esquerda obtiver a maioria na eleição parlamentar do mês que vem, ela voltará ao poder após um longo período. Hollande libertou a esquerda do medo do fracasso que a atormentava desde que Lionel Jospin não conseguiu chegar nem ao segundo turno da eleição presidencial de 2002, após as pesquisas indicarem que ele venceria. Mesmo assim, ainda resta ver quão bem-sucedidos os socialistas serão no poder.

A direita, por sua vez, ficou em pedaços com a derrota de Sarkozy. Ao assumir uma posição dura sem precedentes em relação aos imigrantes e ao Islã, sua campanha acabou transformando seu partido conservador União por um Movimento Popular (UMP) em um quase espelho da Frente Nacional de extrema direita de Marine Le Pen. Ao final da campanha, o ministro da Defesa do UMP, Gérard Longuet, até mesmo cometeu um ato falho quando disse, “Nós da Frente Nacional...”, em uma entrevista de rádio, antes de se corrigir rapidamente, mas não o bastante.

Agora o campo da direita corre o risco de rachar em uma facção conservadora-liberal, que se sentiu incomodada com as táticas de campanha de Sarkozy, e uma facção mais à direita que até mesmo poderia se unir à Frente Nacional. Esse era o grande sonho de Marine Le Pen, que já se declarou “líder da oposição”. Mas, para o recém-eleito presidente François Hollande, seria um pesadelo.


Fonte: IHU Online