segunda-feira, 30 de julho de 2012

UFC e a hipocrisia social



Adriano Couto


O mais novo ópio do povo brasileiro é sem dúvida o UFC e o ídolo do momento é sem dúvida Anderson Silva. Os lutadores afirmam que “quem luta, não briga!”, mas de onde tiraram tal asneira? Trocam ameaças, praticamente se matam dentro das arenas diante de uma plateia entorpecida como em uma rinha de galo, sedenta de sangue, o homem é imbuído do espírito hobbesiano, de guerra de todos contra todos, sempre querendo a destruição do seu próximo.

As pessoas falam mal da Rede Globo, principalmente do Galvão Bueno, mas quando tem UFC, ficam grudadas na telinha, permitindo-se serem “trolladas” pelo próprio narrador que afirma estar ao vivo, sendo que a dita luta não estava sendo transmitida em tempo real. Tais pessoas assinam seu atestado de idiotice! Depois estes mesmos vem “poluir” as redes sociais com o costumeiro “mimimi”, quanta hipocrisia...

Sinceramente não gosto de UFC, não sou fã do tal de Anderson Silva, não acrescenta em nada na minha vida essa bestialidade famigerada que excita o lado animalesco, primitivo do ser humano, sedento de competição que visa sempre eliminar o seu concorrente. A sociedade em geral condena a violência, tem o discurso “politicamente correto”, tem discurso romântico, do homem Rousseauniano, mas em seu íntimo alimenta sentimentos mesquinhos, egoístas, invejosos, que anseia por eliminar um possível oponente... Hipocrisia extrema!

Grande parte dos indivíduos adora criticar a tudo e a todos, mas se estivessem no lugar dos criticados, fariam o mesmo, seja na política, no futebol, falam por despeito, o ser humano é invejoso por excelência! Prova disto é que neste pleito eleitoral teremos 481.656 candidatos, êita povinho cínico e falso! Todo mundo quer uma boquinha! “mamar nas tetas do governo”.

Segundo relatos bíblicos, o primeiro crime da história da humanidade, foi causado pela inveja e o pecado que Jesus mais condenou em suas pregações, foi sem sombra de dúvidas a hipocrisia! Sempre digo que a inveja e a hipocrisia são os motores da sociedade.

Tem casos que enquanto algo me serve está tudo bem, quando não me serve mais, passo a criticar ferozmente, o utilitarismo reina, de uma hora para outra, o amor torna-se ódio, isso ocorre geralmente na política... Quanta hipocrisia...
Aí é que entra o ópio, alienando, mascarando tais sentimentos, onde há todo um interesse por trás de tais “espetáculos” sejam eles futebolísticos carnavalescos e agora, o UFC, ópio em grande quantidade. Antes víamos nas ruas camisetas de futebol falsificadas, agora estão na moda, as camisetas e bonés do UFC igualmente falsificados.



A arena do UFC reproduz o circo perfeito conduzido é claro, pela tão “odiada” Rede Globo, cujos indivíduos mantém uma relação de amor e ódio.

O discurso de grande parte da sociedade é de honestidade, mas a prática é podre! Reafirmo que o homem gosta de ver sangue, quer destruir o próximo, prova disso é a exploração, a fome, a miséria e as guerras, ou você leitor (a) acha que o homem é bonzinho, se assim ele age, é porque tem interesses, experimenta “mexer” no bolso dele para você ver a sua reação, o homem somente é bom até quando lhe convém.

Na sociedade que vivemos tudo é jogo, competição, luta pela sobrevivência, o outro é um adversário em potencial, que pode lhe roubar os seus privilégios, o próximo é visto como ameaça. Observamos claramente quando ocorre um acidente automobilístico, todo mundo vai para o local e pergunta: “morreu alguém?” quando percebe que tem somente feridos ele suspira: “ufa! Graças a Deus que estão todos bem!” Mentira! Lá no fundo sua morbidez por sangue e morte é latente, isso vem desde os tempos das cavernas...

Programas televisivos, jornais estampam tragédias em suas capas, são os que vendem mais, a desgraça vende, dá IBOPE... Poderia aqui usar uma explicação religiosa para o fato, alegando que isso é consequência do pecado, que é coisa do Diabo e bláblablá, seria muito fácil, mas não gosto de buscar explicações metafísicas ou mitológicas, quero aqui estudar a sociedade e os indivíduos e o que leva realmente a tudo isso, eis o papel do sociólogo.

Não fugindo a esta regra, o UFC é claro, também vende, da IBOPE justamente pelos fatores já citados, excitando a morbidez hobbesiana dos indivíduos e tudo isso é potencializado pela imprensa, distribuído como ópio gratuitamente. O UFC aumentou ainda mais a sua fama nestas paragens tupiniquins, quando os lutadores , passaram a vestir as cores dos clubes de futebol, causando assim uma overdose nos mais fanáticos, causando uma euforia exacerbada, cito como exemplos, Paulo Thiago (Cruzeiro),Minotauro (Internacional) e claro, o Anderson Silva (Corinthians!!! Rede Globo!!! Tá ligado mano! Vai Curíntia! O Brasil é Curíntia! É Rede Globo Mano!)). Óbvio que por trás deste casamento UFC-clubes de futebol existe o capital, interesses econômicos, mas quero focar o impacto que tal parceria causa nos indivíduos, entorpecendo ainda mais as almas alienadas, fanáticas, sedentas por sangue e pela desgraça alheia, sob os mais variados pretextos: luta, esporte, patriotismo, é do meu time, é do Brasillll!!!!!!!!!

Reflexões acerca do Estado de Natureza Humana



Adriano Couto


Costumo afirmar que o homem é essencialmente hipócrita e invejoso, o mesmo tem estes instintos “domesticados” pela presença coercitiva do Estado. Baseio minha argumentação na formulação hipotética de Thomas Hobbes, exposta na célebre obra denominada “O Leviatã”, na qual Hobbes afirma que com a ausência do Estado, o homem vive em guerra de todos contra todos, onde reina a anarquia e toda sorte de ameças a sua existência. A solução apresentada pelo contrato Hobbesiano, faz com que o homem abra mão da sua liberdade em troca da segurança, surgindo assim a figura do Leviatã, que é o Estado propriamente dito.

Não creio no Estado de Natureza romântico Rousseauniano, colaborativo, onde afirma-se que o homem faz o bem, porque enxerga-se no outro, isso já explicita o fato de sua ação caritativa dá-se por que ele vê-se em tal situação e não por caridade desinteressada. Aqui também entra a crítica a grande parte dos religiosos, pois fazem o bem para receberem uma recompensa divina, não desinteressadamente como fazem os ateus, estes últimos fazem o bem por altruísmo e não porque almejam um lugar no céu...

O homem é “domesticado” pela sociedade, seus instintos primitivos, animalescos, são suprimidos pela lei, pela Ordem , pela moral religiosa...são forças de coerção que impedem que venha aflorar o espírito libertino e anárquico do homem.

Mesmo nos dias atuais com a presença do Estado de Direito, as pessoas rebelam-se e cometem atos de selvageria, imagina se o mesmo não estivesse presente...tomemos por exemplo, pessoas excluídas da sociedade, privada de todos os meios básicos que dignifiquem a sua pessoa enquanto ser humano, com certeza cometeriam atos de depredação, vandalismo, saques contra supermercados e lojas em busca de alimentos e roupas para a sua sobrevivência, somente não o faz devido a coerção, a repressão da lei, que pune os infratores que ousam violar as convenções sociais.

Outro exemplo clássico dos instintos egoístas dos seres humanos, dá-se quando duas criancinhas estão brincando, quando uma delas está de posse de um brinquedo, a outra também quer este mesmo objeto e se utiliza dos mais diversos artifícios para obtê-lo, lembrando que a mesma nada sabe de leis ou convenções sociais, ela naturalmente vai agredir a outra, se assim não o faz, é porque é reprimida pelos seus pais, seja através da admoestação ou palmadas, mostrando assim a necessidade da coerção desde cedo, estabelecendo os limites do aceitável, do certo e do errado, os pais nesta contexto fazem o papel do Estado.

O homem geralmente critica alguém que está em uma posição social mais privilegiada que a sua, por inveja, pois se estivesse no cargo político que o criticado está, ou se ganhasse o mesmo soldo que este indivíduo recebe, ele também cometeria tais práticas que diz condenar.

Afirmo que o Estado deve ser forte, fazendo-se presente em sua integralidade, garantir a preservação da Ordem e da Paz, trabalhar pelo progresso, desenvolvimento para o bem e felicidade geral da nação, nunca “afrouxar as rédeas”, pois geralmente as pessoas confundem liberdade com libertinagem, baderna e desordem de toda espécie, trazendo o caos social e a volta do Estado de Guerra.

O ser humano nada tem de romântico, todas as suas relações políticas e sociais dão-se em torno de interesses, geralmente os mais mesquinhos possíveis, o mesmo sempre almeja a queda do próximo, é seu instinto natural, a “luta pela sobrevivência”. Daí então a religião cumpre uma função social extremamente importante neste contexto, “aplacando” este instinto destrutivo do homem, incutindo o “Temor a Deus”, submetendo-o assim à Lei e ao respeito aos seus governantes. Mas em contrapartida, o homem movido por sua pérfida hipocrisia, distorce completamente os valores ensinados pela Igreja e, passa a realizar boas ações, não porque deseja realmente fazer o bem ao seu próximo, pois na grande maioria das vezes, ele sente aversão pelas pessoas que são diferentes dele, mas sim, em seu íntimo, visando exclusivamente uma vida pós-morte no Paraíso.

O homem é extremamente competitivo, belicoso, hipócrita e principalmente, invejoso, este último sentimento faz com que muitos dos conflitos venham a se concretizar. Logo a importância da presença do Estado em “acalmar os ânimos” do povo, coibindo toda sorte de vícios e ociosidade, reprimindo qualquer espécie de desordem que venha a provocar transtornos a sociedade, afastando o fantasma do anarquismo, zelando pela preservação da paz, pois somente através da Ordem estabelecida dá-se o Progresso.

Acerca do livro “O Segredo” e a Lei da Atração



Adriano Couto


Não tenho aqui a pretensão de “atacar” de guru, sacerdote pagão, mestre de espiritualidade, enfim, depende o credo do leitor, a nomenclatura correspondente, mas quero tratar sobre o assunto mencionado no título, que é algo que tem me despertado a atenção nos últimos tempos.

Recebi por email através de amigos, um slide de Power Point, sobre “o Segredo” (The Secret) e após os mesmos encaminharam-me um filme sobre o mesmo. Acompanhei com o “ceticismo” habitual, mas sem deixar de fazer os meus questionamentos é claro.

Tirando os excessos do filme (exaltação de feitos extraordinários), fiquei curioso e decidi pesquisar mais a respeito, tanto que comprei o livro que deu origem ao filme e fiz leitura acurada para fazer ter um melhor entendimento.

O ensinamento central do “The Secret” é a Lei da Atração, que atraímos tudo com a força do pensamento, sejam coisas boas ou ruins e ali ensina a “domesticarmos” o nosso pensamento, educá-lo para utilizá-lo em nosso favor.

Segundo a autora, o segredo é conhecido desde a antiguidade, poucas pessoas detiveram tal conhecimento, este que foi ocultado do restante da humanidade e que hoje foi revelado. De acordo com o livro, O Segredo está presente em todas as religiões, os grandes Avatares utilizaram-se dele e também os grandes homens da história, sejam eles políticos, escritores, filósofos, políticos, artistas, dentre outros.

Não vou explanar todo o conteúdo de “O Segredo”, pois o texto se tornaria longo, quero focar somente na Lei da Atração que é a mensagem central da obra. Conforme citei anteriormente, retirando-se os relatos miraculosos, principalmente aqueles que dizem respeito ao sucesso financeiro e toda baboseira de auto ajuda barata, creio que o pensamento positivo, o otimismo em si faz sentido, deve ser incentivado em meio a um mundo tão conturbado em que vivemos. Não sou especialista no assunto, mas afirmo que pensamentos bons trazem coisas boas, sentimentos bons, te faz sentir melhor, ao passo que pensamentos negativos deixam o indivíduo muito mal, trazendo sentimentos ruins, depressivos, de autodestruição. Olhando por esta ótica e aplicando a reeducação do pensamento, das nossas metas e objetivos de vida, ensinando a olhar para o horizonte e visualizar a esperança, o amanhã, é válida a tentativa de ajudar as pessoas a sentirem-se melhor consigo mesmas.

Hoje a autoajuda está na moda, o “motivacional”, tudo que contenha esta palavra, vende e muito por sinal, as pessoas são basicamente infelizes, frustradas, não conseguem acompanhar os ditames da moda, as últimas tendências, o tão sonhado objeto de consumo apregoado pela mídia, às pessoas tornaram-se escravas de fato do consumismo, quem tá ganhando dinheiro em meio a tudo isso, são os psiquiatras, cujos consultórios estão sempre lotados. Não podemos esquecer que nem todos têm dinheiro para pagar uma consulta com um psiquiatra, fazer terapias e tudo mais que manda o script, então os desfavorecidos, acorrem às igrejas pentecostais e neopentecostais, sendo estas últimas com sua pregação famigerada da Teologia da Prosperidade, subliminarmente aplica a teoria do segredo em sua essência, atrair a prosperidade...

Não estou aqui condenando a obra, muito pelo contrário conforme afirmei anteriormente, me interessei muito pelo assunto que merece sim uma investigação profunda... citei acima que as pessoas são basicamente infelizes, logo, precisam de motivação e nesta ótica, o livro do segredo pode sim trazer algum conforto, servindo até mesmo de placebo para amenizar frustrações pessoais e fazer com que estas pessoas voltem a sonhar com dias melhores.

A força evangélica nas eleições municipais de 2012

O peso do voto evangélico em São Paulo e no Rio


Crescimento das correntes evangélicas no Brasil, como mostrou o IBGE, acirra disputa por votos de fieis. Desafio dos candidatos é atrair eleitores sem criar rejeição com setores da sociedade


Evangélicos da Assembléia de Deus no estádio do
Pacaembu, em São Paulo, para comemorar os
100 Anos de fundação da Igreja
(Adriano Vizoni)

“Uma banana para quem diz que um religioso não pode falar sobre eleições. Quer dizer que Marx vale mais do que Jesus?”, defende o pastor Silas Malafaia

Há mais de uma década os evangélicos são considerados eleitores-chave. Mas, desde junho, quando foram divulgados os dados referentes a religião do Censo 2010, a importância do grupo foi endossada em números. O crescimento dos evangélicos no Brasil pressiona candidatos e partidos a criar estratégias para atrair fieis e, ao mesmo tempo, evitar desgastes com a exposição de uma agenda moral que entre em conflito com outras crenças e segmentos da sociedade. Nos últimos 10 anos, pela primeira vez o catolicismo perdeu seguidores: ao todo 1,7 milhão de brasileiros deixou de se declarar católico desde 2000. No mesmo período, o protestantismo arrebanhou 16 milhões de pessoas. Os evangélicos ganham atenção. Os pastores, concentram poder. “Tenho sido bombardeado de Norte a Sul, de Leste a Oeste pelos candidatos. Com o crescimento da Igreja Evangélica, e como estou na mídia e tenho influência, é gente atrás o tempo todo”, afirma o pastor Silas Malafaia, uma das lideranças da Assembleia de Deus e vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que reúne 8.500 pastores de diversas denominações evangélicas.

Com o quadro estruturado para a corrida à prefeitura, quatro referências das principais igrejas pentecostais definiram seus candidatos. Em São Paulo, a Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), igreja evangélica com maior quantidade de fieis no Brasil, apoiará José Serra, do PSDB, repetindo o comportamento de 2010. “No estado de São Paulo, somos cerca de 8 mil pastores. Trabalharemos a conscientização do eleitor, mostrando o que é melhor, onde há maiores identificações. Tudo com muita cautela”, afirma o presidente político do CGADB, pastor Lelis Washington Marinho. No Rio, não houve uma organização semelhante da Assembleia de Deus, mas Malafaia, um dos principais nomes, declarou apoio a Eduardo Paes (PMDB). Ele deve, inclusive, aparecer na propaganda eleitoral.

O prefeito da cidade do Rio conseguiu arregimentar lideranças evangélicas importantes. A Universal caminhará com ele no pleito através do apoio do ministro da Pesca, Marcelo Crivella, do PRB. O deputado estadual Marcos Soares, filho de RR Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, também se engajará pela reeleição de Paes.

Em São Paulo, o voto evangélico está distribuído. A influência da Universal sobre o PRB reunirá seus fieis na candidatura de Celso Russomanno.

Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial, anunciou seus préstimos a Fernando Haddad, do PT. O pastor RR Soares não tem por hábito declarar seu apoio nas eleições e, por isso, a Igreja Internacional da Graça de Deus não se posicionou oficialmente. Mas Daniel Soares, outro filho de RR, será candidato a vereador na cidade de Guarulhos, município vizinho a capital, pelo DEM, partido da base aliada de Serra.

Rejeição a Haddad – Conquistar o eleitor evangélico é preciso. E a explicação não é só quantitativa. A ramificação pentecostal é mais forte, sobretudo, em áreas onde a renda é mais baixa e a escolaridade, menor. Uma receita atraente para a construção de um eleitorado orientado pelos pastores. “Uma banana para quem diz que um religioso não pode falar sobre eleições. Quer dizer que Marx vale mais do que Jesus?”, defende Malafaia. Em São Paulo, ele tem se reunido com pastores para reforçar questões morais que devem estar presentes na cabeça do eleitorado no momento do voto. A preocupação central de Malafaia é em relação ao candidato do PT, Fernando Haddad, chamado por ele de “o criador do ‘Kit Gay’”.

“Não adianta tentar dar uma de anjo agora. Nossa questão com o cara de São Paulo (Haddad) é que ele tentou promover o homossexualismo e ensinar crianças sobre isso. Ele não terá colher de chá. Um governante é para todos. Enquanto quiserem beneficiar um grupo social em detrimento do outro, não merecerá o nosso apoio”, diz Malafaia, que entrará em ação em um eventual segundo turno na capital paulista. Se a eleição não terminar no dia 7 de outubro, o pastor apoiará o oponente de Haddad - caso ele esteja na disputa - mesmo que o outro candidato em questão seja Celso Russomanno (PRB). O PRB é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, corrente cujo dono é o Bispo Edir Macedo, proprietário da TV Record. Em junho, Malafaia disse a VEJA que a distância que o separa de Macedo “vai do Brasil à China”. É uma distância, como se vê, menor da que aquela que o separa da Haddad.

“As nações mais democráticas e poderosas do mundo foram influenciadas pelo pensamento cristão, não tem como dissociar isso. É idiotice. O ser humano é religioso. Outra coisa é misturar Estado com religião”, diferencia o pastor.

Que o voto evangélico tem força, não há dúvida. Mas até hoje, quando um candidato tentou se eleger em uma disputa majoritária com a bandeira religiosa, o resultado não foi o primeiro lugar. “O piso é alto, mas o teto é baixo”, explica o cientista político da PUC-Rio Cesar Romero Jacob, que estuda o comportamento do voto religioso desde 1996.

Rio de Janeiro – No caso do Rio, os mapas analisados por Jacob mostram pesos diferentes do eleitorado evangélico entre as áreas de cidade. Em 2004, por exemplo, Marcelo Crivella, evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus, então candidato à prefeitura da cidade, ganhou votos em zonas eleitorais onde havia maior quantidade de fieis ligados às pentecostais. Em contrapartida, teve baixíssima votação em áreas de predominância católica. No espaço geográfico, isso significa que ele conseguiu angariar eleitores na parte pobre da zona oeste, como Bangu, Santa Cruz e Campo Grande, e na zona da Leopoldina, que inclui os bairros de Bonsucesso, Ramos, Olaria e Penha – onde estão os complexos do Alemão e da Maré, favelas com concentração de evangélicos. Na zona sul, onde ainda há maioria católica, Crivella foi mal.

“Em eleição majoritária, quando você tem candidatura que não soma, significa que subtrai, polariza, divide. O segredo da vitória é ganhar de muito em uma área e perder de pouco em outra”, explica Jacob. No Rio, os evangélicos avançaram sobre o vácuo deixado pelo fim do ciclo brizolista. Um dos sinais mais claros do esgotamento desse tipo de política foram as eleições de Sérgio Cabral e de Eduardo Paes. A partir de então, as correntes evangélicas ganharam uma relevância que pode ser decisiva na vitória de um candidato - desde que a campanha não seja baseada apenas na rede de igrejas evangélicas.

São Paulo- Em São Paulo, o panorama é diferente. Os pentecostais não têm o mesmo peso do Rio. “A força do PT e do PSDB impede que grupos religiosos tenham presença tão significativa. São Paulo é o centro do capitalismo brasileiro, há uma elite empresarial forte, que simpatiza com o PSDB. E existe uma elite sindical também muito forte, que prefere o PT”, explica Jacob. Os mapas paulistanos mostram que na capital existe maior coerência no voto, algo inexistente no Rio.

São Paulo é cercado por municípios industriais. Nas divisas, o sindicalismo é mais forte e, consequentemente, o PT também. Em 2004, a força de Martha Suplicy, que disputava a prefeitura, estava concentrada nas extremidades da capital, onde há população de menor renda e escolaridade, e mais evangélicos. Os católicos estão na parte central, um ninho tucano por excelência. O mapa da votação de José Serra, em 2004, endossa sua força justamente nessa área, cujos moradores apresentam maiores renda e escolaridade. O espaço da cidade de São Paulo mostra maior polaridade entre os dois partidos, nos quais os grupos religiosos se veem obrigados a se articular. Desta vez, no entanto, Haddad corre o risco de perder os eleitores onde o PT costuma mostrar vigor. O peso dos evangélicos, que não é pequeno - na zona leste chega a haver mais de 30% de seguidores de correntes evangélicas -, pode contribuir para esvaziar a balança do petista.




Fonte: Vejaoline.com/ Blog do Gari Martins da Cachoeira

domingo, 29 de julho de 2012

Brasileiro critica violência nos EUA e manda tweet em apoio ao governo da Síria

O artigo é fictício. Qualquer semelhança com fatos ou indivíduos reais é apenas algo lamentável.

O senhor Rogério de Souza, fervente militante do PCdoB, dedicou todo o dia de ontem a criticar com força e veemência a violências nos Estados Unidos, a raíz do massacre de Aurora. Logo depois, em um ato de coerência absoluta, enviou um par de tweets em apoio ao governo da Síria, antes de ir tomar seu café do McDonald’s.




“A culpa de cada um destes mortos é do capitalismo, do imperialismo e sua sede insaciável por lucros. E perceba que estou dizendo isto agora antes de discutir isto com amigos meus do PSOL e do PT, para que veja que não somos incapazes de ter pensamentos próprios; isto é algo que creio de coração” afirmou Rogério, em um dos pensamentos mais lógicos e centrados que teve nos últimos anos. “É uma sociedade onde é mais fácil conseguir uma arma que uma bebida, por exemplo. Qualquer um pode ir comprar uma arma. Isto não acontece aqui. Aliás, é até um tabu sequer tentar debater uma proposta de desarmamento como estamos fazendo nos governos progressitas da América Latina. Lá, as crianças crescem em uma atmosfera de muita pressão, vendo filmes violentos e jogando videogames sangrentos. Já aqui, por exemplo, temos uma cultura de fraternidade e solidariedade. Lamentavelmente massacres como o de Aurora se repetirão inúmeras vezes.” refletiu Rogério, enquanto limpava o vidro traseiro do seu Hyundai.

Depois do café e de dar uma esmola a um pedinte, Rogério prosseguiu em suas interessantes reflexões. “Mais uma vez o imperialismo tinge suas mãos de sangue. Minhas orações vão para cada uma das vítimas inocentes deste sistema perverso. É por isso que defendo o socialismo na internet, em casa ou no meu iPhone, pelo twitter, pelo Facebook. Hoje mesmo enviei uns tweets em apoio ao governo de Al Assad declarando toda minha solidariedade ao povo sírio, que é nosso irmão. Resista ao golpe, Al Assad. Mantenha-se firme custe o que custar. Nossa luta é contra tudo que oprime. Venceremos.”


Fonte: Blog Direitas Já

8 lições finlandesas de como evitar a corrupção

A Finlândia foi reconhecida internacionalmente como a nação menos corrupta do planeta e grande parte desse sucesso recai na estrita moralidade imperante no país. Apesar disso, e para facilitar a transparência, o país também conta com um conjunto de princípios enfocados para evitar o abuso de poder e que são insólitos na cultura brasileira. Esta é a maneira com a qual Finlândia luta contra a corrupção:



1. Na Finlândia qualquer compra realizada pelas Administrações Públicas, desde um edifício até uma caneta, tem de ser executada segundo os mesmos preços de mercado e incluir, necessariamente, três ofertas de fornecedores diferentes, para poder escolher a menor delas. Já por aqui, todo mundo quer ser fornecedor de autarquias públicas para majorar o preço do produto em três ou quatro vezes mais que os preços praticados no mercado. E esse governo continua insistindo no modelo de estatais e tentando ressuscitar elefantes brancos suicidados.

2. Princípio de transparência total das administrações públicas. Qualquer decisão tomada por um servidor público dentro do desempenho de sua profissão -exceto as relacionadas com a segurança- pode ser conhecida pelo resto dos cidadãos. Ninguém pode se negar a satisfazer as necessidades de informação não somente dos jornalistas senão dos eleitores.

3. Princípio de transparência total nas contas dos cidadãos. Os finlandeses podem saber quais são os rendimentos declarados de todos os residentes no país, não importa se é do desempregado recebendo o seguro-desemprego, do artista de maior sucesso da nação ou do CEO da Nokia.

4. Ausência de prefeitos: o governo dos municípios na Finlândia é responsabilidade dos “City managers”, isto é, de servidores públicos com experiência na administração de entidades dessa classe. Por conseguinte o cidadão pode distinguir com clareza que a pessoa no comando é alguém subordinado aos eleitores e que pode ser despedido ou substituído pelo Conselho municipal -o órgão eleito nas urnas e que ostenta a soberania popular-. Helsinque é a única exceção a este modelo.

5. Ausência de cargos de designação política: Na Finlândia os secretários de Estado e cargos de segundo escalão são servidores públicos de carreira que atingem o posto superando provas objetivas em vez da designação partitocrática. Em 2005 realizaram uma remodelagem do sistema para permitir às organizações políticas poder eleger os Secretários de Estado, ainda assim muitos deles seguem sendo na atualidade trabalhadores públicos que chegam ao cargo por bons trabalhos prestados e por méritos próprios. Enquanto isso, em um país abaixo da linha do Equador, iniciam se as negociações de rifas de cargos políticos do novo governo.

6. Estrutura de poder colegiada: a corrupção estende-se com maior facilidade quando o poder se concentra somente em um indivíduo, é por isso que na Finlândia promovem a tomada de decisões mediante o debate e o consenso. O conselho de ministros tem maior capacidade de poder que o Presidente da República.

7. Princípio de acesso livre ao poder. A possibilidade de se converter em um membro de alto posto da administração e nos ministérios finlandeses não recai em uma elite intelectual formada em determinadas instituições de ensino, nem em pessoas que possam atrair o investimento de diferentes empresas para sufragar suas campanhas eleitorais, nem em cidadãos filiados a organizações políticas que são promovidos pelos méritos internos dentro de sua organização. Na Finlândia os postos são ocupados por servidores públicos -seguindo uma tabela meritocrática- e cuja carreira está aberta a todos os finlandeses. O país evita, portanto, o modelo brasileiro onde os cargos de livre designação do governo -escolhidos ideologicamente- recebem trocentos e sete milhões de reais e se multiplicam de maneira obscura por todas as administrações, inchando o estado de forma nunca vista na história deste país.

8. Princípio da proporcionalidade no castigo. A quantia das multas por violar as normas costuma ser proporcional aos rendimentos dos indivíduos e empresas. Em 2001 Anssi Vanjoki, alto executivo da Nokia, foi considerado culpado de condução perigosa por guiar sua Harley Davidson acima dos limites de velocidade e teve que pagar uma multa equivalente a 174 mil reais. Este princípio de proporcionalidade no castigo, junto à mancha social da possibilidade de estar envolvido em um caso de corrupção, age de forma extremamente dissuasória ante possíveis tentativas de cruzar o limite da legalidade.


Fonte: Blog Direitas Já

Coreano levanta três vezes seu peso e atribui mérito a Kim Jong-il


O norte-coreano Om Yun Chol conseguiu levantar três vezes seu peso na disputa da categoria até 56 kg masculina. Chol, que pesa 56 kg e mede 1,52 m, quebrou o recorde olímpico ao erguer 168 kg em uma de suas tentativas.

"Como pode um homem levantar 168 kg?" disse Chol na coletiva após o feito. "Eu acredito que o grande Kim Jong-il me deu sua ajuda", disse.

"Estou muito feliz e digo obrigado ao nosso grande líder por me dar força para levantar o peso. Eu acredito que Kim Jong-il me deu o recorde e todos os meus feitos. É tudo por causa dele" completou Chol.

O norte-coreano também explicou que decidiu levantar o peso de uma só vez para deixar seus adversários mais nervosos. Assim ele se juntou a um pequeno número de atletas que já conseguiram levantar três vezes seu próprio peso, onde estão incluídos os tricampeões olímpicos Halil Mutlu e Naim Suleymanoglu.


Fonte: Blog O Esquerdopata

sábado, 28 de julho de 2012

Neopentecostais transformam a religião evangélica em um grande Mc Donald's da fé


O sociólogo Eduardo Guilherme de Moura Paegle afirmou que as igrejas neopentecostais brasileiras se organizaram nos moldes de uma empresa de fast-food, em um processo que ele chama de “McDonaldização” da fé cristã.

Quem entrar em um templo da Igreja Universal, por exemplo, disse, encontrará a mesma estrutura administrativa e os mesmos cultos, com pouquíssimas variações, quer onde esteja, em São Paulo, Lisboa ou alguma capital africana.


“É como pedir um lanche Big Mac”, afirmou Paegle, que é doutorando pela Universidade Federal de Santa Catarina. “Vale tudo, até pregação pelo celular.”


Ele observou que, assim como os restaurantes de comida rápida, os templos da Universal oferecem várias celebrações durante o dia para pegar quem não tem horário disponível nos horários tradicionais de culto. “Se o fiel dispõe de pouco tempo, é possível dar ao menos uma passadinha no Drive-Thru da Oração.”


Paegle foi um dos estudiosos que a CartaCapital ouviu para compor a reportagem publicada nesta semana sobre a “avalanche evangélica” anunciada recentemente pelo IBGE.


A revista dá destaque para a possibilidade de os evangélicos passarem a representar um terço da população em dez anos. Ainda assim dificilmente a maioria da população se tornará evangélica em algum momento, na avaliação do sociólogo inglês Paul Freston, estudioso sobre o Brasil e professor da Universidade de Wilfrid Laurier, no Canadá.


Freston argumentou que o avanço evangélico vai até certo ponto porque o declínio da Igreja Católica tem um limite. “Há um núcleo sólido que não vai desaparecer.”


Além disso, segundo o professor, a cada duas pessoas que se afastam do catolicismo apenas uma adere a uma religião evangélica. Na avaliação dele, o máximo que os evangélicos podem conseguir são 35% da população.


E mesmo que os evangélicos cheguem a tanto, isso não implicará profundas mudanças na sociedade brasileira, diferentemente, portanto, do que alguns preveem e outros temem. Porque “quanto mais uma religião cresce, mais ela fica parecida com a sociedade na qual está inserida”.


De acordo com as observações do sociólogo Gedeon Alencar, autor do livro "Protestantismo Tupiniquim", já está havendo uma rápida transformação nas igrejas evangélicas.


“Quando eu era criança, os fiéis tinham de vestir roupa sóbria, não podiam usar cosméticos ou qualquer coisa que denotasse vaidade”, disse. “A TV era vista com desconfiança, os jovens não podiam praticar esportes.”


E tudo isso mudou ou está mudando, segundo Alencar. As roupas dos fiéis já não são tão sombrias e os cosméticos foram liberados. “Hoje há os ‘atletas de Cristo’, casas noturnas para evangélicos, bloco de carnaval.”


“Os evangélicos estão cada vez mais parecidos com os brasileiros”, afirmou. E as igrejas — ele poderia acrescentar — se assemelham cada vez mais com as lojas do McDonald’s.





Em Paulo Lopes


Se me permitem o pitaco, não creio que o vaticínio de Freston se aplique mais e os números reforçam isto. A aspecto cultural do fenômeno evangélico no Brasil alterou o cenário totalmente. Concordo com o Gedeon, é o protestantismo tupiniquim.
Acredito no “empate”, um encontro das populações evangélica e católica em 2033. A questão é : Qual será cara desta religião? A doutrina está líquida.



Genizah



Fonte: Genizah
Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/07/neopentecostais-transformam-religiao.html#ixzz21vEXUgTZ
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terça-feira, 24 de julho de 2012

Estudante lidera movimento para refundar partido do regime militar


Mais de três décadas depois de extinto o bipartidarismo no Brasil, um grupo com representantes em mais de 10 Estados brasileiros quer tirar dos porões do passado a Aliança Nacional Renovadora (Arena), criada em 1965 para sustentar a então incipiente ditadura militar. Mas engana-se quem pensa que o líder dessa iniciativa veste uniforme das Forças Armadas e penteia cabelos brancos. As mais de 150 pessoas comprometidas com o projeto são presididas por Cibele Bumbel Baginski, 22 anos, estudante de Direito na Universidade de Caxias do Sul, na serra gaúcha. A nova Arena, avisa Cibele, responde a um cenário em que a política brasileira está desmoralizada, com 30 siglas em atividade entre as quais "não existe partido de direita".

Aos apressados em reprochar a empreitada, Cibele ensina: o que a Arena professava era uma coisa, e o que os arenistas faziam nas rédeas do País era outra. "No período pós-64, havia a Arena, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e o governo. O que o governo ou o que os eleitos fizeram são atos dessas pessoas, não dos partidos - porque eles não têm autonomia jurídica para torturar ninguém, censurar ninguém, matar ninguém. Foi o sistema que fez, e não o partido. O partido político faz política, que é outra coisa."

De fato, não foi "política", e sim "Ato Institucional número 5" o nome de batismo da licença jurídica que permitiu ao Estado cassar os direitos dos cidadãos. Se a ordem legal frustrava o combate à militância de esquerda ainda em 1968, o AI-5 calhou como álibi para a censura e o assassinato, práticas em que Cibele não vê o dedo da Arena. "O partido não foi o executor, e com certeza a tortura é uma coisa muito errada, triste e lamentável, qualquer idiota sabe disso, mas o partido, em si, fazia política", sustenta a jovem, reconhecendo que Executivo e Legislativo andavam de mãos dadas: "O que os governantes faziam, eles estavam endossados pela lei para fazer."

Mas Cibele diz que não pretende voltar os olhos para trás. É mirando o futuro que ela juntou os amigos para dar vida nova à Arena. "A História do Brasil - a Revolução de 1964 e outros fatos - deve ser respeitada, mas um partido político não é uma instituição histórica para ficar remoendo fatos do passado. Deve-se respeitá-los, sim, conhecê-los, mas deve-se focar em propostas para mudar o País, que é o que um partido político faz: propor e fazer", ela diz, com a sabedoria de quem foi filiada ao DEM, circulou pelo PP e estudou o PCdoB.

E foi justamente munida de amizades com comunistas que a estudante teria descoberto, entre familiares de vítimas, o sentimento de que a Lei da Anistia quitou as dívidas da ditadura. "Conversei com um senhor que teve um parente sequestrado na época. Ele estava indignado - ele é de um partido de esquerda, aliás - e me disse o seguinte: 'Tudo que eu quero é que deixem o meu parente morto em paz para que eu possa rezar por ele. Eu não quero arrancar dinheiro do governo para enriquecer às custas dos cofres públicos, eu quero paz.' E, realmente, alguém assim quer paz, não quer ficar fazendo mídia às custas de quem morreu, sofreu e teve a sua história triste. Eles querem tranquilidade."

Como Arena alguma patrocina autoritarismo que não esteja previsto em lei, o alento de rezar no sossego de casa serve também aos saudosos de coturno: "Respeitamos a Constituição Federal de 1988, assim como a antiga Arena respeitava a Constituição da época." A nova Arena não está interessada em romper com a ordem democrática, mas em resgatar valores como o nacionalismo e o conservadorismo.

"A Arena de agora não é a recuperação daquele partido. Eu, por exemplo, não vivi naquela época. Tem muita gente nova. É um movimento dinâmico que resgata valores de conservadorismo, nacionalismo e tecnoprogressismo", afirma Cibele, anunciando mecanismos de consulta popular e de democracia interna: "Temos tópicos no programa que preveem pesquisas para ver o que a população realmente acha que vai ser mais eficiente - questões de maioridade, penas, aprimoramento do sistema educativo, desenvolvimento de tecnologias em várias áreas. É um programa amplo e, ao mesmo tempo, bem sintético, porque a Arena de agora, assim como a antiga, se fores reparar, é uma aliança de várias tendências diferentes."

Se o presidente deposto pelo Exército, João Goulart, propunha controlar as remessas de dinheiro ao exterior e nacionalizar refinarias estrangeiras, Cibele adverte que nacionalismo também é questão de firmar baluarte em favor dos costumes locais. "Tem várias pessoas que não gostam da invasão em excesso de outros países aqui dentro, porque a gente vai perdendo a cultura própria do Brasil. Se tu vais perguntar, por exemplo, para uma pessoa mais jovem do Nordeste se ela conhece aquela música, Luar do Sertão, do Catullo da Paixão Cearense, a criatura não conhece. Agora, axé tem um monte. Tu perdes a cultura porque tu vais botando Lady Gaga no lugar, às vezes, de um Teixeirinha da vida", lamenta.

Brasil sem direita

Para Cibele, a Arena vem suprir a vacância de uma representação de direita em um contexto de pragmatismo ideológico. "Eu diria que, entre os que estão por aí, não existe partido de direita. Existem centristas, um tanto governistas, na sua maior parte social-democratas (como o PSDB) ou liberais (como era o PFL, hoje Democratas, e o PP). O perfil do nosso partido não é focado no liberalismo. Como programa, a gente não defende o Estado mínimo nem o Estado máximo, porque o Estado máximo seria implantar uma ditadura aos moldes comunistas e marxistas, e o Estado mínimo seria simplesmente criar um anarquismo", ela pondera, exaltando a moderação como virtude própria do conservador.

Sem citar nomes, a jovem confirma ter sido procurada por políticos e militares. "Há assim, vamos dizer, pessoas interessadas que atuam no meio militar. Conversei com um general aposentado que me falou ser maravilhosa essa organização dos jovens. O pessoal mais velho tem restrições para participar, até mesmo por motivos de saúde, mas há interessados."

Ainda que o site provisório da legenda conclame a participação de militares e servidores públicos, Cibele rechaça abrir portas a toda a velha guarda arenista. "O (deputado federal Paulo) Maluf (PP) é o tipo de pessoa que eu gostaria de ver muito longe da Arena. Não é o tipo de pessoa adequada, que tenha o perfil de querer ser diferente de todo esse interessismo, dessa situação no Brasil. Uma pessoa procurada por 'n' crimes não tem o menor currículo para estar num partido que se propõe a ser honesto. Tem que fazer política, e não politicagem."

A líder da nova Arena não recua ao tratar de temas controversos, embora se preocupe com o arejamento das opiniões dentro do partido em assuntos como o aborto. "Estamos defendendo a conscientização ao controle de natalidade, mas isso não é um tema pacificado. Tenho uma opinião até complicada de expor porque, na posição em que estou, vou influenciar a opinião dos outros."

O recato é menor quando vem à baila o Bolsa-Família: "Os programas assistencialistas são ridículos. O que tu vês é uma mãe tendo uma penca de filhos e recebendo R$ 50 para dar comida para cada um. Tu achas que ela consegue alimentar um filho com R$ 50 um mês inteiro? Garanto que não. Com meu irmão aqui em casa, gasto bem mais que R$ 50 para alimentá-lo no mês", revela, preocupada também com o ócio dos beneficiários: "Daqui a pouco a criatura vai achar que é mais fácil ganhar bolsa do governo que trabalhar. O que o governo tem que fazer para distribuir renda é capacitar as pessoas e dar emprego para elas."

Sobre a Copa do Mundo de 2014, Cibele encontra no deputado federal Romário (PSB-RJ) um discurso a ser seguido. A estudante apoia uma petição que pretende enviar o evento para a Inglaterra. "A Copa no Brasil vai ser, depois de Brasília, o maior roubo ao contribuinte que tu vais ver na História. O Romário disse, e ele entende do assunto por ter sido jogador: 'manda essa Copa embora, vai ser uma roubalheira'. Não consegui conversar com ele a respeito do partido, e até gostaria de convidá-lo no futuro, mas enfim, a questão da Copa é que estão fazendo tudo em cima da hora e, daqui a pouco, vão dizer que não há prazo para fazer licitação - e, sem licitação, como é que tu vais controlar quanto dinheiro foi roubado?", ela pergunta.

Repelir a Copa vem também por coerência com a cartilha nacionalista, já que o evento estaria orientado para "os gringos virem aqui se divertir". "Porque o pobre não vai ver a Copa, o pobre não vai ter dinheiro para isso", antecipa, apontando problemas irresolvidos no País, como a falta de computadores na escola do irmão e a superlotação das UTIs.

Demonstrando conviver em harmonia com divergências, Cibele reconhece os méritos de dar a cara a tapa por suas convicções. "Simbolicamente, algumas pessoas vão remeter à época. Tu podes observar que vai acontecer uma coisa: as pessoas ou vão simpatizar muito ou não vão gostar, como amigos meus de partidos de esquerda que disseram 'bah, isso é terrível, tu podias ter inventado outra coisa'. É que nem sushi - ou tu gostas ou tu não gostas. É importante ter aquela sinceridade de dizer 'olha, eu acredito nisso, e não naquilo' e não precisar ficar agradando todo mundo com um discurso hipócrita. Tentar ser legal com todo mundo é estar mentindo. Ser sincero é uma coisa que ninguém faz hoje na política, e a gente precisa disso."

Portal Terra


Fonte: Blog Terra Brasilis

domingo, 22 de julho de 2012

Maldição da série Batman é destacada supostamente por várias tragédias que a cercam



O ator Heath Ledger em cena de "Batman: O Cavaleiro das Trevas". Morte do ator difundiu a lenda de que a série é amaldiçoada

Uma lenda urbana recorrente em Hollywood é a dos filmes “amaldiçoados”, produções marcadas por tragédias e mórbidas coincidências.

Casos notórios são “O Corvo” (1994), que teve a morte de Brandon Lee em plena filmagem com uma bala que devia ser de festim, e “Poltergeist” (1982), que teve a atriz Dominique Dunne assassinada e a morte de Heather O’Rourke aos 13 anos após uma súbita doença.

“Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” vai ficar marcado como o filme que teve uma das chacinas mais violentas da história dos EUA em sua estreia, o que fez com que a lenda da “Maldição do Batman” retornasse, depois de nascer com a morte de Heath Leadger em 2008.

Veja algumas das coincidências que assolaram a produção da trilogia de Christopher Nolan.

2008 – O técnico de efeitos especiais Conway Wickliffe morreu durante a filmagem de uma perseguição. Ele operava uma câmera na parte traseira de uma caminhonete que não conseguiu fazer uma curva e se chocou contra uma árvore.

2008 – Após uma brilhante e assustadora interpretação do Coringa em “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, o ator Heath Ledger foi encontrado morto em seu apartamento em Nova York devido a uma overdose de remédios. O filme estreou após sua morte.

2008 – O ator Morgan Freeman, na época com 71 anos, sofreu um acidente sério de carro em agosto, quebrando o seu braço e ombro. Freeman dirigia perto de sua casa em Charleston, Mississippi quando seu carro capotou seguidamente e ele precisou ser retirado por bombeiros das ferragens.

2008 – No dia da estreia Londrina de “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, Christian Bale foi detido por cerca de quatro horas e acusado de agredir sua mãe e sua irmã. Segundo a polícia, a agressão foi “verbal” e o ator foi liberado.

2011 – Um extra morreu próximo ao set de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” depois de uma gravação com centenas de coadjuvantes em Wall Street. Ele estava em uma pausa nas filmagens quando teve um ataque cardíaco e foi encontrado já inconsciente. Ele foi levado a um hospital, mas não resistiu.

2011 – A produção de “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” foi marcada por dois acidentes automobilísticos. Durante gravações em Pittsburgh, o Batwing bateu enquanto perseguia outros veículos. Na mesma semana, uma dublê de Anne Hathaway bateu com uma moto contra equipamentos de filmagem. O equipamento foi destruído, mas ninguém ficou ferido em ambos os incidentes.

2012 – Um atirador invade uma sessão de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” em Aurora, no Colorado, mata 12 pessoas e fere cerca de 60.



HQ do Batman de 1986 tem cena de atirador em cinema





Personagem Arnold Crimp entra em sala de cinema adulto e mata três pessoas em "Cavaleiro das Trevas"

Na graphic novel "Cavaleiro das Trevas" ("The Dark Knight Returns"), de Frank Miller, publicada em 1986, há uma cena em que um homem invade uma sessão de cinema atirando.

Na publicação, o atirador Arnold Crimp entra em um cinema adulto durante a exibição de um filme pornô inspirado no Batman e mata três pessoas, depois de ouvir repetidas vezes a música “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin.

Na cena, o homem chega ao cinema vestindo uma capa comprida, com as mãos nos bolsos, passa pela bilheteria e entra na sala para atirar na plateia.


O atirador de Aurora, Colorado, James Holmes, de 24 anos

Na madrugada desta sexta, um homem entrou atirando na sessão de estreia do filme "Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge", matando 12 pessoas e deixando dezenas de feridos. O suspeito de ser o atirador disse que era o Coringa, inimigo clássico do super-herói.

Fonte: UOL, VIA Hangar do Vinna/ Blog Somente a verdade

Meta da Assembleia de Deus é eleger mais de 5.500 vereadores

A AD planeja eleger pelo menos
um vereador em cada cidade


No embalo do crescimento do número de evangélicos do país, a Assembleia de Deus cada vez mais se mete em política, inclusive com metas eleitorais. Nas eleições de outubro deste ano pretende eleger 5.565 candidatos (de diferentes partidos) a vereador ou um candidato para cada cidade. Dos 42 milhões evangélicos brasileiros, 12 milhões são da Assembleia de Deus.

A AD está para religião evangélica assim como o PMDB está para a política. Ambos congregam várias “tendências”, por assim dizer, sob um comando nacional. No caso da denominação religiosa são dois comandos: CGIADB (Convenção Geral das Igrejas Assembleia de Deus no Brasil) e Ministério de Madureira. Juntos possuem mais de 100 mil pastores no país. Ou cabos eleitorais.

“Temos igrejas em 95% das cidades”, disse Lélis Marinhos, presidente do conselho político nacional da CGIADB. “Isso favorece a divulgação dos candidatos."

Pesquisa feita pelo Datafolha com integrantes da Marcha para Jesus deste ano de São Paulo revelou que para 65% deles a pregação dos pastores terá influência em seu voto. Do total, 31% já tinham decidido que vão votar em quem a igreja mandar, independentemente de quem sejam os candidatos.

O pastor Abner Ferreira, da CGIADB, reconheceu que a denominação mudou. "Antes, ouvir rádio ou ver TV era pecado, mas hoje entendemos que são veículos extraordinários para pregar o evangelho", afirmou à Folha de S. Paulo.

Também antes a presença da AD e de outras denominações evangélicas na política não era tão visível como é hoje. A Frente Parlamentar Evangélica tem 76 deputados e, destes, 24 são da AD.

Para Frente, conforme tem ficado demonstrado em questões envolvendo os direitos dos homossexuais, por exemplo, a lei mais importante é a divina, a da Bíblia, não a da Constituição.

Talvez a AD não consiga cumprir a sua meta nas eleições deste ano. Mas não resta dúvida de que ela tem um projeto político para médio e longo prazo, assim como outras "legendas" evangélicas, como a Igreja Universal. O que é motivo mais do que suficiente para que a sociedade leve a sério a discussão sobre a importância da laicidade do Estado.

Com informação da Folha.



Fonte: Paulopes Weblog
Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/07/partido-da-assembleia-de-deus-traca-meta-para-2012.html#ixzz21MdNyk3s

sábado, 21 de julho de 2012

Como escolher sua religião




Fonte: Charlezine

Religião e Sexualidade: qual a relação?


Uma pesquisa realizada pela Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, concluiu que ateus vivem o sexo com mais prazer. O motivo é simples: eles sentem menos culpa. Para fazer a pesquisa foram selecionadas mais de 14 mil pessoas com vida sexual ativa de diferentes religiões e também ateus e agnósticos. Indivíduos de todos os grupos afirmaram recorrer a pornografia, masturbação e sexo oral para incrementar a vida sexual, porém os religiosos sentem culpa durante e muitos dias depois pela “perversão”.

Em uma escala de 0 a 10, os mórmons são os que mais apresentam culpa pelo sexo, com pontuação 8,19. Seguidos pelos Testemunhas de Jeová, evangélicos pentecostais, adventistas do Sétimo Dia e batistas, nessa ordem. Os católicos tiveram pontuação de 6,34 e os ateus, 4,71. Os agnósticos foram os penúltimos, com 4,81. Ex-cristãos que abandonaram sua igreja e se tornaram ateus disseram que agora têm mais prazer durante o sexo.

A pesquisa ainda aponta que 22,5% das pessoas que cresceram em famílias bastante religiosas tem vergonha de se masturbar. Entre quem não teve tanto contato com a religião o índice foi de apenas 5,5%.


Fonte: Gloss/ Charlezine

Religião e Pobreza: Qual a relação?



Quanto mais religiosos são os habitantes de um país, mais pobre ele tende a ser. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita em 114 países e divulgada no último dia 31 de outubro que mostra uma correlação forte entre o grau de religiosidade da população e a renda “per capita”. Vale lembrar que esse tipo de correlação é quase sempre traiçoeira. Quando duas variáveis estão correlacionadas (no nosso caso, Religião e Pobreza), é possível que uma delas seja a causa da outra ou vice-versa.

Desde o século 19, a sociologia tem preferido apostar na tese de que a pobreza facilita a expansão da religião. “Em geral, as religiões ajudam seus adeptos a lidar com a pobreza, explicam e justificam sua posição social, oferecem esperança, satisfação emocional e soluções mágicas para enfrentar problemas imediatos do cotidiano”, diz Ricardo Mariano, da PUC-RS. “As religiões de salvação prometem ainda compensações para os sofrimentos e insuficiências desta vida no outro mundo”, acrescenta.

Sem descartar um papel para as explicações sociológicas mais tradicionais, que chama de “fator ópio do povo”, Daniel Sottomaior, presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) levanta algumas hipóteses na direção contrária, isto é, de que a religião é causa da pobreza. “Ela promove o fatalismo e o deus-dará”, diz. Em certos lugares, ela desestimula a educação e impede a adoção do pensamento científico. Além disso, afirma Sottomaior, “a religião não apenas não gera valor como sequestra bens, dinheiro e mentes que deixam de ser empregados em atividades econômicas e de desenvolvimento”.

Para os religiosos ouvidos pela Folha na ocasião, é um terceiro fator, a riqueza, que pode reduzir o pendor das pessoas à religiosidade. Segundo o padre jesuíta Eduardo Henriques, “a abertura a Deus é inversamente proporcional à segurança oferecida pela estabilidade econômico-financeira, com exceções, é claro. Espiritualmente falando, os pobres tornam-se sinais eloquentes de que ninguém, pobre ou rico, basta a si mesmo. Por isso Jesus chamou os pobres de bem-aventurados”.

O teólogo adventista Marcos Noleto é mais radical: “Há uma incompatibilidade da fé prática com a riqueza. Assim como dois corpos não podem ocupar um mesmo lugar no espaço, na mente do homem não há lugar para duas afeições totais. Veja que Deus escolheu um carpinteiro e não um banqueiro para ser o pai de Jesus”.

O assunto é realmente polêmico, delicado e dá muito “pano pra manga”. Este post serve como um ponta-pé inicial dessa riquíssima troca de ideias (com o perdão do trocadilho). O espaço está aberto para você dar a sua opinião e interagir com os demais leitores nos comentários. Então vamos começar assim: O que você pensa a respeito dessa relação entre Religião e Pobreza?


Fonte: Charlezine

A chave egípcia

Autor: Demétrio Magnoli - Convidado


A democracia turca evidencia que o Islã não é incompatível com a liberdade

O Egito tem, hoje, dois poderes. O presidente Mohammed Mursi, eleito pelo povo, representa a democracia, que é o poder novo. A cúpula das Forças Armadas, que dissolveu o Congresso e avoca para si prerrogativas legislativas e constituintes, representa o estamento militar, que é o poder velho. O confronto inevitável entre os poderes rivais moldará a evolução política do país. Como Mursi emanou da Irmandade Muçulmana, o confronto também deixará marcas profundas no mais antigo e influente partido islâmico do mundo árabe. De certo modo, no Egito se esculpe o futuro da Primavera Árabe.

A Irmandade Muçulmana e o estamento militar são os atores centrais da História do Egito moderno. A Revolução Nacional de 1952, conduzida por Gamal Abdel Nasser e seu grupo de oficiais militares, fundou um Estado nacionalista, pan-arabista e modernizante. O partido islâmico, criado em 1928, apoiou a revolução, mas logo se afastou de Nasser, que enxergava no Islã político um desafio à unidade do poder revolucionário. O conflito alcançou o ápice em 1964, quando Sayyd Qutb, líder da ala radical dos Irmãos, foi preso e executado sob falsa acusação. Os seguidores de Qutb exilaram-se, então, na Arábia Saudita, iniciando um longo intercâmbio ideológico com os teólogos da seita fundamentalista Wahab. Duas décadas mais tarde, desse caldo de cultura emergiria, no campo da jihad afegã, a organização terrorista Al-Qaeda.

De Nasser a Anuar Sadat, e daí a Hosni Mubarak, a revolução degenerou em ditadura militar corrupta e burocrática, enquanto a Irmandade, proscrita, se libertava da sombra de Qutb e se reformava lentamente. O levante popular do início de 2011 não decorreu de um chamado do partido islâmico, mas seguiu consignas laicas e democráticas. Na hora das eleições, porém, a força social dos Irmãos relegou as demais correntes oposicionistas a papéis secundários. O segundo turno da eleição presidencial foi um embate entre o partido islâmico e o estamento militar.

O novo presidente expressa, ao mesmo tempo, a raiz fundamentalista dos Irmãos e a vontade popular canalizada nas urnas. Mursi dá sinais de saber distinguir uma da outra, e dá prioridade à segunda sobre a primeira: vitorioso, anunciou sua desfiliação do partido islâmico e convidou figuras da oposição democrática a integrar o governo. A derrubada do antigo ditador, nas manifestações populares da Praça Tahir, foi apenas o primeiro ato de uma complexa transição política.

Durante a “era Mubarak”, que durou três décadas, a cúpula das Forças Armadas assumiu o comando de empresas estatais monopolistas, convertendo-se numa “burguesia de Estado”. Os chefes militares pretendem conservar os privilégios herdados moldando uma democracia de fachada e reservando a si mesmos as prerrogativas de um “poder moderador”. Realista, a Irmandade Muçulmana tece compromissos táticos com a Junta Militar que, às vezes, enfurecem as lideranças laicas da Primavera Egípcia, mas revela uma clara consciência de que a difusão de sua própria influência depende da extensão da democracia – e, portanto, da progressiva subordinação das Forças Armadas ao poder civil.

Uma evolução democrática do Egito deflagraria uma segunda etapa da Primavera Árabe

Inspirados pela tese do “choque de civilizações”, analistas ocidentais observam com pessimismo o desenvolvimento do drama egípcio. O mundo do Islã não se preparou historicamente para a democracia, dizem eles, e o triunfo eleitoral do partido fundamentalista seria a prova de que tudo se resumirá à substituição de uma ditadura militar pró-ocidental por uma ditadura teocrática hostil aos Estados Unidos, à Europa e, sobretudo, a Israel. As proclamações democráticas da Irmandade Muçulmana não passariam de um ardil destinado a iludir os incautos, na etapa intermediária da transição de poder. O Irã dos aiatolás, que também emanou da queda de um regime ligado ao Ocidente, prefiguraria o futuro do Egito.

Ninguém conhece o futuro – e, obviamente, uma revolução é sempre um enigma. Imaginar, contudo, que Mursi não seja mais que a máscara circunstancial de um Qutb eterno corresponde a um exercício radical de negação da História. Os Irmãos renunciaram ao terror há mais de quatro décadas e tentam, nem sempre com sucesso, moderar os impulsos do palestino Hamas, que nasceu de sua costela. Eles denunciaram a cooperação de Sadat e Mubarak com Israel, porém admitem uma solução de dois Estados na Palestina. Continuam a dizer que o Corão deve formar a base da vida egípcia, mas se declaram comprometidos com os princípios do pluralismo político e da liberdade de religião. Tudo isso forma um conjunto doutrinário incoerente, pleno de tensão, pontilhado por contradições. A História é assim mesmo: não cabe no molde das narrativas cartesianas.

Bernard Lewis, o autor original da tese do “choque de civilizações”, sugeriu que a Turquia aponta o caminho da salvação do mundo muçulmano. Seu modelo era o regime de Mustafá Kemal Ataturk, fundador da República laica e autoritária, assentada sobre o “poder moderador” dos militares, que substituiu o Império Turco-Otomano. No fundo, ele queria dizer que o Islã se redimiria pela negação radical do Islã.

A História pregou uma peça em Lewis: a Turquia libertou-se há pouco do autoritarismo, sob o governo de um partido islâmico reformado que cortou suas próprias raízes fundamentalistas. A jovem democracia turca ainda não está isenta de tentações repressivas, mas evidencia que o Islã não é incompatível com as liberdades políticas. A Turquia atual, não o Irã dos aiatolás, parece ser a fonte de inspiração para o Egito de Mursi – e da Praça Tahir.

Uma evolução democrática do Egito deflagraria uma segunda etapa da Primavera Árabe. Nessa hipótese, a chave egípcia abriria os cadeados que prendem o mundo árabe no alçapão do fundamentalismo religioso.


Fonte: O Estado de S. Paulo, 19/07/2012/ Instituto Millenium

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Internet demais pode causar distúrbios mentais



Publicado originalmente no site CBS Charlotte

Um novo estudo, realizado na Universidade de Gotemburgo, na Suécia, afirma que ficar online por muito tempo pode causar problemas mentais.

A pesquisa acompanhou durante um ano 4,1 mil jovens com idades entre 20 e 24 anos que usam o computador o e o celular constantemente. A maioria deles apresentou estresse, depressão e distúrbios do sono.

Sara Thomée, coordenadora da pesquisa, disse que há uma ligação inequívoca entre o uso exagerado de telefones celulares e computadores com esses distúrbios mentais.

“A utilização constante do computador tarde da noite está associada não apenas om distúrbios do sono, mas também com estresse e sintomas depressivos em homens e mulheres”, diz a pesquisadora.

É fácil passar tempo demais usando a internet e deixando outras questões importantes para trás. Isso pode causar ansiedade e o abandono de atividades de interação social que resultam em uma sobrecarga emocional.

O estudo monitorou ainda por 32 pessoas consideradas usuárias megaconectadas de tecnologias de comunicação e informação.

Os resultados sugerem que pessoas que checam seus celulares com frequência são mais estressadas e apresentam mais sintomas de depressão.

Por isso, os pesquisadores aconselham que as pessoas dosem o uso das
tecnologias para evitar problemas de sono, assim como problemas mentais.

“Mesmo quem usa o computador apenas para jogar. É necessário fazer pausas, ter um tempo para se recuperar após o uso intensivo. É fundamental colocar limites”, afirma Thomée.

tradução: Agência Pavanews


Fonte: Pavablog

Por que elas preferem os homens que leem?

Leitura torna você muito mais interessante aos olhos da mulheres

Publicado originalmente no Viva Bem

Deixe seu cérebro malhado com bons livros / Shutterstock

Você se encantou com aquela gata, ela olhou para você e deu todos os sinais de “pode avançar o sinal”.

Confiante nas horas gastas na academia para ficar em forma, você se aproximou dela, mas depois de uma conversa morna acabou desistindo, já que a deusa se desinteressou totalmente da sua pessoa e só faltou bocejar.

O problema, meu caro, pode ter sido uma simples e comum falta de conteúdo. E agora, como malhar o cérebro e ficar mais interessante?

Segundo o escritor, Jeremy Beal, colunista do site “Ask Men”, a melhor maneira é encarar uma boa e velha leitura. “Ler é quase um ato de revolta em nossa cultural passiva da tela digital”, explica.

O escritor listou alguns motivos para transformar radicalmente seu estilo através dos livros e entender por que elas preferem os homens que leem. Confira:

Ler deixa você mais esperto

A leitura força você a se sentar e manter o foco, além de incrementar o seu vocabulário e suas habilidades analíticas. Isso significa que aquele cara no metrô com o nariz enfiado em um romance pensa mais rápido do que o outro passageiro com fones de ouvido, que está batucando na janela. Adivinhe quem terá mais facilidade em convencer a gata na hora do xaveco?

Ler faz com que você “entenda a piada”

Quase tudo sobre o que as pessoas falam está em um livro, ou a ideia foi tirada de um voluma. Cada episódio da sua série preferida ou da novela, notícia nos jornais, ou até um jogo de futebol pode ser contextualizado nos personagens, tramas e motivações que têm sido escritos nos últimos três mil anos. Portanto, ler faz com que você entenda várias referências que são parte da cultura mundial, onde sempre vale o ditado “nada se cria, tudo se transforma”.

É divertido

Quem já não ouviu no cinema a frase “o livro é bem melhor que o filme”? Se você nunca mais pegou um romance desde que saiu da escola, provavelmente vai achar que o cara é um chato. Acontece que, quando alguém lê, as lacunas deixadas pelo escritor obrigam seu cérebro a imaginar, em uma experiência que não existe na TV ou na telona.

Por isso, quase sempre aqueles que leram a trama em que um longa é baseado acham que o “livro é melhor”, já que a experiência com as palavras impressas é bem mais pessoal e impossível de ser reproduzida.

É uma viagem

Quem viaja muito tem sempre uma história interessante para contar e acaba exercendo um certo fascínio aventureiro. Por isso, talvez este seja o ponto mais importante de pegar um livro: ler é o mais perto que você chegará de alguma experiência sem sair da poltrona.

Alguns argumentariam dizendo que ler não é o mesmo que passar por uma aventura de verdade. Tudo bem, o ponto é válido, mas existem várias responsabilidades na vida que talvez impeçam você de se jogar em algo como velejar ao redor do mundo, lutar contra uma ditadura ao mesmo tempo que vive uma paixão ou procurar uma civilização perdida na selva.

O fato é, ressalta o colunista Jeremy Beal, que ao vivenciar as vidas de outras pessoas e visitar todos os tipos de lugares pela leitura, essa memória emocional com certeza o tornará um pessoa melhor – e de quebra bem mais atraente.


Fonte: Pavablog

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Homens de Deus não devem se casar com mulheres mais velhas ou de raça diferente, segundo bispo Edir Macedo. Leia na íntegra



Relacionamentos e as diferenças entre homem e mulher, idade, raça e a complexidade que os envolve foram tema de um artigo do bispo Edir Macedo para a sessão de comportamento do site da Igreja Universal do Reino de Deus.

O texto trata das diferenças de idade e raça entre homem e mulher, e dá recomendações explícitas sobre o que deve ou não ser feito quando o assunto é casamento. Macedo afirma que “o rapaz que deseja fazer a obra de Deus não deve se casar com uma moça que tenha idade superior à dele [...]para não se deixar influenciar por ela”. O líder da Universal abre exceções para homens “suficientemente” maduros, mas ressalta que essa “diferença não deve ultrapassar dois anos”.

“Muitas pessoas não gostam quando fazemos estas colocações”, afirma Macedo. Entre os argumentos usados pelo bispo para justificar sua postura, estão a possibilidade de traição quando a esposa envelhecer ou a probabilidade de ela tornar-se “mandona” com o passar do tempo: “Para evitar este ou outros transtornos, oriundos da diferença de idade (a do marido inferior à da esposa), é preferível que não haja qualquer compromisso de casamento”.

Sobre a diferença de raça e cor, Macedo é enfático ao afirmar que “não haveria nenhum problema para o homem de Deus se casar com uma mulher de raça diferente da dele, não fossem os problemas da discriminação que seus filhos poderão enfrentar nas sociedades racistas deste mundo louco”, e justifica sob o argumento de missões: “os pais não terão como evitar que aconteçam rejeições ou críticas por parte dos coleguinhas nas escolas nos países onde eles poderão estar pregando o Evangelho”.

O bispo Edir Macedo afirma que não tem opinião pessoal contrária à miscigenação, mas que a orientação para que os fiéis procurem esposas de sua raça visa uma melhor aceitação por sociedades estrangeiras, que não estão acostumadas com a realidade brasileira.

A igreja, diz o bispo, busca “alertar sobre esta situação não porque tenha qualquer objeção quanto ao casamento envolvendo mistura de raça ou cor. Não, muito pelo contrário! Temos vários homens de Deus casados com mulheres de raças diferentes. Não teríamos absolutamente nada a comentar a este respeito, mas temos visto este tipo de problema acontecendo com as crianças dentro das nossas igrejas, em outros países”, justifica-se.

Confira abaixo a íntegra do artigo “Homem de Deus quanto à idade e à raça”, do bispo Edir Macedo, para o site Arca Universal:

O rapaz que deseja fazer a Obra de Deus não deve se casar com uma moça que tenha idade superior à dele, salvo algumas exceções, como por exemplo aquele que é suficientemente maduro e experiente na vida para não se deixar influenciar por ela. Mesmo assim, a diferença não deve ultrapassar dois anos.


Muitas pessoas não gostam quando fazemos estas colocações; entretanto, temos visto que quando a mulher tem idade superior à do seu marido, ela, que por natureza já tem o instinto de ser ‘mandona”, acaba por se colocar no lugar da mãe do marido.


E o pior não é isto. A mulher normalmente envelhece mais cedo que o homem, e quando ela chega à meia-idade, o marido, por sua vez, está maduro mas não tão envelhecido quanto ela. E a experiência tem mostrado que é muito mais difícil, mas não impossível, manter a fidelidade conjugal.


Para evitar este ou outros transtornos, oriundos da diferença de idade (a do marido inferior à da esposa), é preferível que não haja qualquer compromisso de casamento. Devemos crer que Deus tem reservado para cada servo uma serva, de acordo com as suas aspirações, que por sua vez vão ao encontro das aspirações dela.


Por esta razão, não é bom que o rapaz se afobe e se case com a primeira que aparecer, só porque quer fazer a Obra de Deus e precisa de uma esposa. Não! Se ele não confia que Deus irá lhe suprir com a sua outra metade, como vai confiar que Ele fará a Sua Obra por seu intermédio?


Quanto à raça


Não haveria nenhum problema para o homem de Deus se casar com uma mulher de raça diferente da dele, não fossem os problemas da discriminação que seus filhos poderão enfrentar nas sociedades racistas deste mundo louco.


É preciso que ambos estejam conscientes quanto aos riscos de traumas ou complexos que as crianças poderão absorver durante os períodos escolares, e, a partir daí, carregarem-nos por toda a vida.


Infelizmente, os pais não terão como evitar que aconteçam rejeições ou críticas por parte dos coleguinhas nas escolas nos países onde eles poderão estar pregando o Evangelho.


O homem de Deus precisa estar sempre preparado para servir a Deus onde quer que Ele assim determine, e, assim, nem sempre estará em um país onde não haja esse tipo de situação. Portanto, é necessário que o casal examine também esta questão, antes de qualquer compromisso mais sério.


O homem de Deus não pode simplesmente dizer: “Ela tem o Espírito de Deus e eu também. Nós nos amamos e vamos nos casar”. Não! Não deve ser apenas isto! Ele tem o futuro totalmente comprometido com uma missão de extrema importância, e não pode ser limitado. É preciso que haja uma avaliação esmerada quanto aos passos no presente.


Procuramos alertar sobre esta situação não porque a Igreja Universal do Reino de Deus tenha qualquer objeção quanto ao casamento envolvendo mistura de raça ou cor. Não, muito pelo contrário!


Temos vários homens de Deus casados com mulheres de raças diferentes. Não teríamos absolutamente nada a comentar a este respeito, mas temos visto este tipo de problema acontecendo com as crianças dentro das nossas igrejas, em outros países.


Procuramos, portanto, trazer à baila esta situação a fim de evitarmos transtornos no futuro do homem de Deus e na obra que está reservada para ele.



Fonte: Gospel +/ Blog O Diário Alexandrino

Municípios contratam pastores para curar pacientes do SUS na base do milagre

14 municípios, sendo 2 no RN, 3 na Paraíba, 4 no Pernambuco, 2 no Espírito Santo, 5 na Bahia, 3 em Alagoas, 6 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo, resolveram combater o caos nos hospitais públicos e do SUS contratando pastores, de igrejas locais, para promover uma sessão de milagres e curar os pacientes.


Um pastor está substituindo cerca de 20 médicos e reduzindo os custos dos municípios com a saúde. Na primeira tentativa, de substituição dos médicos pelos pastores, em uma unidade com 150 pacientes na UTI, 149 morreram, mas 1 foi salvo pelo milagre divino. O prefeito da cidade só lamentou a perda dos 149 votos.


O Ministério da Saúde disse que essa substituição é temporária, porque o Brasil é um país rico e sem pobreza, muito em breve novos médicos serão contratados para os hospitais e os pastores serão devolvidos para as suas igrejas.


Sem médicos, hospitais recebem pastores para tentar fazer milagre com os pacientes


Fonte: Site G17

domingo, 15 de julho de 2012

De repente, classe C


Sou ex-pobre. Todos querem me vender geladeira agora. O trem ainda quebra todo dia, o bairro alaga. Mas na TV até trocaram um jornalista para me agradar
Eu me considerava um rapaz razoavelmente feliz até descobrir que não sou mais pobre e que agora faço parte da classe C.

Com a informação, percebi aos poucos que eu e minha nova classe somos as celebridades do momento. Todo mundo fala de nós e, claro, quer nos atingir de alguma forma.

Há empresas, publicações, planos de marketing e institutos de pesquisa exclusivamente dedicados a investigar as minhas preferências: se gosto de azul ou vermelho, batata ou tomate e se meus filmes favoritos são do Van Damme ou do Steven Seagal.

(Aliás, filmes dublados, por favor! Afinal, eu, como todos os membros da classe C, aparentemente tenho sérias dificuldades para ler com rapidez essas malditas legendas.)

A televisão também estudou minha nova classe e, por isso, mudou seus planos: além do aumento dos programas que relatam crimes bizarros (supostamente gosto disso), as telenovelas agora têm empregadas domésticas como protagonistas, cabeleireiras como musas e até mesmo personagens ricos que moram em bairros mais ou menos como o meu.

A diferença é que nesses bairros, os da novela, não há ônibus que demoram duas horas para passar nem buracos na rua.

Um telejornal famoso até trocou seu antigo apresentador, um homem fino e especialista em vinhos, por um âncora, digamos, mais povão, do tipo que fala alto e gosta de samba. Um sujeito mais parecido comigo, talvez. Deve estar lá para chamar a minha atenção com mais facilidade.

As empresas viram a luz em cima da minha cabeça e decidiram que minha classe é seu novo alvo de consumo. Antes, quando eu era pobre, de certo modo não existia para elas. Quer dizer, talvez existisse, mas não tinha nome nem capital razoável.
De modo que agora elas querem me vender carros, geladeiras de inox, engenhocas eletrônicas, planos de saúde e TV por assinatura. Tudo em parcelas a perder de vista e com redução do IPI.

E as universidades privadas, então, pipocam por São Paulo. Os cursos custam R$ 200 reais ao mês, e isso se eu não quiser pagar menos, estudando à distância.
Assim como toda pasta de dente é a mais recomendada entre os dentistas, essas universidades estão sempre entre as mais indicadas pelo Ministério da Educação, como elas mesmas alardeiam. Se é verdade ou não, quem pode saber?

E se eu não acreditar na educação privada, posso tentar uma universidade pública, evidentemente. Foi o que fiz: passei numa federal, fiz a matrícula e agora estou em greve porque o campus cai aos pedaços. Não tenho nem sala de aula.
Não que eu não esteja feliz com meu novo status de consumidor, não deve ser isso. (Agora mesmo escrevo em um notebook, minha TV tem cem canais de esporte e minha mãe prepara a comida num fogão novo; se isso não for felicidade, do que se trata, então?)

O problema é que me esforço, juro, mas o ceticismo ainda é minha perdição: levo 2h30 para chegar ao trabalho porque o trem quebra todos os dias, meu plano de saúde não cobre minha doença no intestino e morro de medo das enchentes do bairro.

Leandro Machado

No Advivo


Fonte: Blog Com Texto Livre

Luiz Felipe Pondé entrevista esposa de Russell Kirk

Como diz o jornal FSP, “enfim, parece ter chegado a hora de começarmos a ter acesso ao debate conservador anglo-saxão para além do senso comum. Pouco ou nada se sabe acerca da tradição conservadora entre nós, devido, antes de tudo, à falta de bibliografia“.

A editora É Realizações lançou neste mês A Era de T. S. Eliot, obra capital de um dos maiores pensadores conservadores do século 20, o norte-americano Russell Kirk (1918-1994).

Annette Kirk, que foi mulher do autor de 1964 até sua morte, esteve no Brasil e conversou com a Folha sobre o que é ser conservador.

“Conservadorismo é uma disposição para conservar com uma capacidade de reformar, portanto, ser conservador hoje é a mesma coisa que ser conservador em qualquer época“, diz Annette Kirk.

A íntegra da entrevista está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha), mas também pode ser encontrada NESTE (O Bico do Tentilhão) e em outros sites. Por isso, transcrevemos abaixo o que encontramos na internet.



Luiz Felipe PONDÉ (Folha): A definição do conservadorismo ocupou Russel Kirk. O que significa ser conservador hoje?

ANNETTE KIRK: Conservadorismo é uma disposição para conservar com uma capacidade de reformar, portanto, ser conservador hoje é a mesma coisa que ser conservador em qualquer época. Russell segue [o filósofo britânico Edmund] Burke na compreensão do conservadorismo como a negação da ideologia, que definia como fanatismo político.
Diferentemente dos que defendem que a autonomia individual e a liberdade sejam de importância primordial, os conservadores preocupam-se com a liberdade ordenada. Conservadores também aceitam a mudança como um meio de preservação, mas acreditam que deva ocorrer gradualmente, de forma orgânica, guiada com prudência baseada na cultura, nos costumes e nas convenções da sociedade.


Luiz Felipe PONDÉ (Folha): Existe ainda pensamento conservador no Partido Republicano hoje em dia? Como a senhora vê a vida política americana sob Barack Obama?

ANNETTE KIRK: O Partido Republicano é um conglomerado de diferentes tipos que se consideram conservadores. Alguns fundamentam o apoio aos candidatos no programa econômico, outros no programa social ou na política exterior. Convergem na preocupação com o crescimento exagerado do governo e na intromissão na vida das pessoas.
Durante o governo do presidente Obama houve, internamente, uma expansão nos programas governamentais, e todos sabíamos que isso iria acontecer, mas o que tem surpreendido é ele ter continuado quase todas as políticas externas da era Bush. Obama desapontou alguns dos partidários na esquerda, pois não foi capaz de implementar todas as políticas esquerdistas. Como os Estados Unidos são essencialmente um país centralista, rejeitam as posições extremadas. No entanto, caso os republicanos não se unam com entusiasmo apoiando um candidato, Obama será reeleito.


Luiz Felipe PONDÉ (Folha): Qual a herança de Russell Kirk na vida acadêmica dos EUA?

ANNETTE KIRK: A coluna que ele publicou na “National Review” por 25 anos foi extremamente influente nos círculos acadêmicos. Russell também deu palestras em inúmeras faculdades e universidades e lecionou em diversas delas por um semestre ou mais. Muitos de seus livros são usados nas universidades até hoje. Além disso, a revista “Modern Age”, que fundou há mais de 50 anos, tornou-se um fórum para intelectuais apresentarem suas ideias sobre educação superior e reforma do ensino.
As ideias de Russell também estão surgindo em outros países. Tal interesse pode ser visto no número crescente de artigos e teses a seu respeito, bem como várias traduções de artigos e livros em línguas estrangeiras -não só em alemão, espanhol, italiano ou português mas em búlgaro, polonês, russo e japonês.


Luiz Felipe PONDÉ (Folha): O que um pensador conservador teria para dizer a um país latino-americano imerso em injustiça social e corrupção?

ANNETTE KIRK: Ao mesmo tempo em que afirma a imperfectibilidade da natureza humana e de qualquer sistema de governo, e a impossibilidade de alcançar o paraíso na Terra, o conservadorismo acredita num eterno contrato que une os vivos, os que já morreram e os que ainda estão por nascer.
Defende ainda que há coisas permanentes passadas de uma geração para outra, dentre elas, percepções éticas e convicções, numa espécie de “aliança intergeracional”. Os vícios e a falta de apreço pela lei resultam diretamente do declínio da religiosidade e de laços familiares sólidos que ajudem a infundir respeito pelo ordenamento jurídico, pela moralidade pública e privada, e o favorecimento de uma vida virtuosa.
Russell acreditava que para haver ordem na sociedade é necessário, primeiro, haver ordem nas almas e nas vidas dos cidadãos. Para ele, a sociedade moderna necessita de uma verdadeira compreensão do sentido de comunidade, que é o oposto de coletivismo; este substitui a diversidade por uniformidade, e a colaboração voluntária pela força.


Luiz Felipe PONDÉ (Folha): O que é ser uma mulher conservadora hoje? Apenas ser submissa? Qual a resposta que uma pensadora conservadora daria para o feminismo hoje?

ANNETTE KIRK: É difícil falar de feminismo hoje, pois existem muitos significados para essa palavra ao redor do mundo. Curiosamente, Russell escreveu, em 1957, um livro chamado “O Guia do Conservadorismo para a Mulher Inteligente“. Nele afirmava que as mulheres são conservadoras por natureza, pois ao vivenciarem realidades fatigantes percebem a necessidade real de segurança.
Como homens e mulheres são feitos segundo a imagem e semelhança de Deus, têm igual dignidade e direito à vida eterna. A vida na Terra deve permitir que se complementem, o que significa que a mulher deve acolher e nutrir os filhos com o apoio de um companheiro amoroso.
Quem fornece os meios materiais para a família pode ficar a critério do casal. Normalmente tem sido o homem aquele que trabalha fora, mas, como têm surgido oportunidades para as mulheres em campos anteriormente indisponíveis, pode ocorrer que, em algumas circunstâncias, o casal escolha que a mulher trabalhe fora ou meio-expediente e o homem tome conta das crianças.
Esse fator não deve ser decisivo para considerar um determinado casal conservador. Mais importante do que ganhar “o pão de cada dia” é o casal se manter unido nas questões espirituais, morais e sociais e no modo de educar os filhos.


Fonte "do pensamento no deserto"/ Blog O Seringueiro

O bispo vermelho?

FALECIDO AOS 91 ANOS NO RIO DE JANEIRO, D. EUGENIO SALES FOI UMA IMPORTANTE FIGURA DA ALA CONSERVADORA DA IGREJA CATÓLICA, TENDO SIDO UM DOS MAIS FERRENHOS OPOSITORES À TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

Mauro de Bias

Imagem: Reprodução Internet

Nesta segunda-feira (9), o Brasil perdeu uma importante figura da Igreja Católica no país. O cardeal D. Eugenio de Araújo Sales, ex-arcebispo do Rio de Janeiro, morreu de infarto por volta das 22h30 em sua casa, aos 91 anos, na capital fluminense. Nascido em 8 de novembro de 1920, em Acari (RN), o religioso era muito próximo do papa João Paulo II, de quem foi amigo, e Bento XVI, que lhe enviou uma carta de felicitações quando o brasileiro completou 90 anos.

D. Eugenio teve participação política relevante durante as ditaduras militares da América do Sul. Em sua casa ele recebia perseguidos políticos e fornecia esconderijo, com recursos da Arquidiocese. Outros tiveram auxílio para se exilar do país. Em maio de 2000, ele revelou ter abrigado mais de 4 mil pessoas entre 1976 e 1982. A estratégia do cardeal era de se relacionar bem com os militares para não gerar indisposição que pudesse atrapalhar a acolhida dos refugiados.

"Podem agradecer a Deus, mas não por meu intermédio”

Quando foi convidado pelo general Abdon Sena para celebrar uma missa em comemoração ao aniversário do AI-5, o religioso deu uma resposta bastante desconcertante: “Vocês que estão satisfeitos com o AI-5 podem agradecer a Deus, mas não por meu intermédio”.

Sua atividade política não parou por aí. D. Eugenio também ajudou a criar sindicatos rurais no Nordeste. Essa inclinação para a esquerda lhe rendeu o apelido de “bispo vermelho”. Apesar disso, Sales nunca abandonou os setores conservadores da Igreja, tendo sido um dos mais ferrenhos opositores à Teologia da Libertação. O movimento foi uma corrente de interpretação bíblica de visão marxista que ganhou força nos anos 70 e 80, com forte apelo social. A defesa de seus ideais levou seus maiores expoentes à excomunhão pela Igreja Católica, como foi o caso do frei Leonardo Boff. Por sua reação combativa e agressiva contra esta teologia e por sua defesa das doutrinas católicas tradicionais, Sales era visto com apreço pelos papas.

O cargo de arcebispo do Rio de Janeiro, tido como estratégico no Brasil pela Igreja Católica, foi ocupado por Sales por 30 anos, de 1971 a 2001. O papa Bento XVI lamentou a morte do cardeal por meio de telegrama enviado ao atual ocupante do cargo que foi de Sales, D. Orani Tempesta. "Foi um autêntico testemunho do Evangelho em meio a seu povo. Dou graças ao Senhor por ter dado à Igreja pastor tão generoso. Em 70 anos de sacerdócio e 58 de episcopado, sempre quis indicar o caminho da verdade na caridade e servir à comunidade, prestando particular atenção aos mais desfavorecidos”, escreveu o pontífice.

Atividade em direitos humanos

A historiadora Claudiane Torres explica que D. Eugenio foi uma peça importante durante a ditadura militar brasileira. “Há dois momentos de participação da Igreja. No começo, pode-se dizer que ela foi um pouco omissa. Mas, da metade para o final do regime, a Igreja tem uma atuação maior, apoiada nos direitos humanos. É um movimento no qual o D. Eugenio se inseriu ativamente”, diz.

“Ele teve uma participação bastante significativa na retirada de pessoas do Brasil, abrigando-as e levando-as para o aeroporto. Isso era uma coisa muito perigosa na época, e ele fez com bastante gente. É uma injustiça dizer que ele foi conivente com o regime”, explica a pesquisadora diante de críticas sobre o comportamento do arcebispo. D. Eugenio será sepultado nesta quarta-feira na cripta da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, às 15h.

Mas o historiador Francisco Carlos Teixeira, da UFRJ, chama atenção para outro aspecto da biografia de D. Eugenio Sales na revista Carta Maior: “Manteve-se, desde 1964, perto dos militares e das autoridades civis do regime, a quem nunca desafiou ou criticou abertamente”. No entanto, Teixeira destaca um episódio em que o cardeal discorda de uma posição ultraconservadora. “Em 1972, quando o arquirreacionário católico Gustavo Corção, das páginas de O GLOBO, atacava intelectuais de esquerda e religiosos progressistas, Dom Eugênio achou por bem condenar a virulência do autor e, em carta pastoral, conclamar os católicos a não darem ouvidos às catilinárias de Corção”, escreve.


Fonte: Revista de História/ Blog História UPF