sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Em Porto Alegre, principais candidatos buscam aproximação com eleitorado religioso


Rachel Duarte

Os candidatos que lideram as pesquisas para a Prefeitura de Porto Alegre estão marcando compromissos com a finalidade de se aproximarem dos eleitores religiosos. Manuela D´Ávila (PCdoB) e Adão Villaverde (PT) têm participado de atos organizados por partidos cristãos que integram suas coligações. Já o prefeito José Fortunati (PDT) e o professor Wambert Di Lorenzo (PSDB), aceitam convites para eventos em igrejas católicas. Os representantes da esquerda mais radical, Érico Correa (PSTU) e Roberto Robaina (PSOL) optam por não misturar religião com política e condenam a postura dos adversários. Nesta sexta-feira (31), o PSTU exibirá programa eleitoral em defesa da descriminalização do aborto. O programa vai ao ar menos de uma semana após inauguração do Comitê Gospel da comunista Manuela D´Ávila.
Manuela D´Ávila discursa para lideranças evangélicas em lançamento de comitê Gospel./ Foto: Tomás Edson.

A inauguração do comitê Gospel de Manuela ocorreu no último final de semana, na presença de representantes de igrejas evangélicas, comandados pelo presidente do Partido Social Cristão (PSC), Getúlio Vargas. Segundo a candidata, o espaço é mais um gesto de aproximação dos diferentes grupos de militantes que apoiam sua candidatura. “Lançamos diversos comitês. É um momento de encontro com o militante. Foi para representar a inclusão social. É bem diferente de assinar cartas, como outras candidaturas fizeram”, disse provocando o petista Adão Villaverde.

Villaverde lançou uma carta compromisso com os portoalegrenses com um tópico sobre religiosidade. No texto, defende os territórios das comunidades tradicionais de matriz africana e se compromete em incluir estas áreas no plano diretor da cidade. Já nas ações práticas, compareceu no mesmo final de semana em agendas da Assembleia de Deus e dos movimentos sociais LGBT.

“As nossas relações com as inúmeras denominações e motivações religiosas vêm de longa data. Historicamente o PT tem relações com a igreja católica e evangélica. Mas, temos uma compreensão ecumênica de respeito a todas as convicções. Em todos os governos de que participamos fomos defensores da liberdade de culto. As matizes religiosas tem por essência a inclusão social, fazem trabalhos de amparo e acolhimento, também desenvolvemos políticas públicas neste sentido”, disse o coordenador da campanha petista Gerson Almeida.

Manuela, por sua vez, também fez um gesto para a comunidade LGBT, vítima do conservadorismo religioso, três dias depois de lançar o comitê Gospel. “Lançamos o Comitê LGBT no dia 28 de agosto porque é o Dia da Visibilidade Lésbica. Foi a única ação pensada”, explicou.

“Uso a frase ‘Deus nos abençoe’ nos discursos por convicção”, afirma Fortunati

Já José Fortunati e Wambert Di Lorenzo aceitam convites de igrejas católicas por convicção. “Sou católico e tenho afinidades com muitas teses sociais da igreja. Mas não posso instrumentalizar a igreja. Sigo apenas minhas convicções que estão na minha consciência moral”, explica Wambert.

O tucano visitou a rádio gospel Nova Aliança logo no primeiro final de semana como candidato. Neste sábado (01/09), ele participa de evento numa igreja católica da periferia de Porto Alegre. Ele defende que, enquanto os grupos religiosos quiserem o ouvir, ele irá se apresentar. “Sou candidato. Não sou um cristão político e o estado é laico. Jamais me servirei disso para pedir voto”, afirma.
Fortunati entrega o comando da cidade, "de forma definitiva", a Jesus Cristo | Foto: Ricardo Giusti/PMPA

Outro candidato que cumpre compromissos com pastores e cristãos é o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT). No dia 26 de agosto ele participou de evento na Igreja Encontros de Fé, ao lado do pastor Isaias Figueiró. Em setembro de 2011, durante a Marcha de Jesus, Fortunati chegou a dizer que “Jesus está no comando da capital”. Em todos os discursos, seja como prefeito ou como candidato, ele encerra dizendo “Que Deus nos abençoe”.

“Eu encerro todas as minhas falas com a frase ‘Que Deus nos abençoe’ porque não perdi minhas convicções só porque sou candidato. Mas eu respeito a diversidade religiosa. Na nossa gestão criamos um grupo de Diálogo Inter-religioso, para acolher todos os credos. Como prefeito, aceitei e aceito todos os convites de qualquer comunidade religiosa. Mantenho a mesma postura, por isso tenho algumas agendas de campanha neste sentido”, explicou.

Fortunati fez questão de dizer que não tirou fotos ao lado das lideranças religiosas, para não misturar o candidato e a fé. E, respondendo a crítica do presidente do Partido Social Cristão (PSC), Getúlio Vargas, aliado à Manuela D´Ávila (PCdoB), o prefeito disse que não há burocracia nos alvarás das igrejas evangélicas. “Liberamos conforme os critérios da lei. Não importa qual o estabelecimento, se não estiver com o devido isolamento acústico, não liberamos. Não é porque é uma igreja que terá privilégios, a lei é para todos”, defendeu.

Estado Laico e Aborto

Os candidatos Erico Correa e Roberto Robaina adotam postura neutra. “Não participei e nem vou de qualquer ato religioso. O estado é laico. Utilizar estas agendas é uma política manipuladora e um desrespeito com a própria religiosidade”, argumenta o representante do PSOL.

Para Erico Correa (PSTU), a religião na eleição municipal faz parte do ‘vale-tudo’ pelo voto. “Todos defendem no discurso o estado laico. Mas o voto religioso não é laico. Tem comunista indo à missa, candidatos tomando café com bispos e jantando com os homossexuais. Nossa candidatura vai denunciar o retrocesso do conservadorismo, que já trouxe perdas na esfera nacional quando a Dilma (Rousseff) assinou a Carta ao Povo de Deus e inviabilizou o Kit Gay”, defende.

O PSTU estreia um programa eleitoral nesta sexta-feira (31) defendendo os direitos reprodutivos da mulher e abrindo o debate sobre o aborto na eleição. Como se trata de um tema nacional, os adversários não imaginam que a disputa municipal sofrerá a mesma influência da eleição presidencial de 2010, onde a moral pautou os debates.
Adão Villaverde discursa na Igreja Assembleia de Deus./ Foto: Luiz Avila

“Isto não é da alçada do prefeito. Mas, o PT assume que sempre foi favorável aos direitos das mulheres e a autonomia das mulheres sobre seus corpos. Defendemos isso sem desrespeitar as religiões. Inclusive temos uma proposta de criar um comitê inter-religioso junto ao gabinete do prefeito”, fala o petista Gerson Almeida.

Manuela D´Ávila diz que mantém as convicções que a fizeram presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e defendeu estar disposta a resolver possíveis futuros impasses entre a base aliada sobre as políticas públicas de gênero. “O aborto não é tema municipal. Não irei utilizar minha campanha para responder à nenhuma candidatura sobre isso. Minha preocupação é com um SUS humanizado. E o meu programa de governo é aceito pelos partidos coligados. Se algo mudar, resolveremos as tensões. Toda gestão tem tensão”, fala.

“Usar religião na política é oportunismo”, reprova sociólogo

Mesmo se não render embates ideológicos, a fé poderá acabar rendendo votos de fieis simpatizantes dos candidatos nas urnas. Estratégia reprovada pelo sociólogo e professor de Teoria e Comportamento da Política Clássica da Ulbra, Ottomar Peske. “Isto é oportunismo. A boa fé não permite expedientes ao lado de religiosos ou atos políticos com religiões. Isso trabalha com mensagem no campo da subjetividade, é má fé”, avalia.
Wambert Di Lorenzo (PSDB) disse que tem afinidades com as teses sociais da igreja católica./Foto: Divulgação

Sociólogo luterano, Peske separa o campo do humano e terreno, do campo das discussões sobre fé. “Eu tenho as minhas convicções, porém, quando vou discutir política ou qualquer outra ciência, tento não misturar estas questões. Como dizia Kant: a fé inicia onde a razão termina”, salienta. Para o professor, utilizar a ética da religião serve para a política, o que legitimaria padres ou bispos se candidatarem. “Agora a ética da política não pode ser misturada à religião. Quem legisla ou governa tem que governar para todos, índios, judeus, cristãos. Misturar isso é apelo de marketing. Como fez Collor ao se apresentar utilizando a imagem de Deus. Ele pegou a fama de iluminado, recebendo a benção de Frei Damião e colocando a mãe na TV orando por proteção ao filho. É a tática do vale-tudo”, define.

Até o fechamento desta matéria o candidato Jocelin Azambuja (PSL) não foi localizado para falar sobre o tema. E, também convidado a falar sobre o assunto, o candidato Adão Villaverde foi representado pelo coordenador da campanha petista Gerson Almeida.



Fonte: Site Sul21

Wambert Di Lorenzo: “Vamos enxugar máquina pública e fazê-la eficiente”


Wambert diz que ciclovias são necessárias, mas não resolvem problema da mobilidade urbana | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira

O candidato do PSDB à prefeitura de Porto Alegre, Wambert Di Lorenzo, diz que uma das metas de seu governo será qualificar a gestão da administração municipal. O tucano explica que essa é uma bandeira do seu partido e irá aplicá-la na cidade para conseguir mais recursos para saúde e educação. “Vamos cortar cargos em comissão. Nosso estilo é enxugar a máquina pública e torná-la eficiente”, avisa.
Na conversa, que encerra a série de entrevistas do Sul21 com candidatos à prefeitura de Porto Alegre, Wambert explica seu projeto de alterar o caráter jurídico da EPTC, transformando a empresa numa autarquia e modificando sua forma de atuação. “O Estado não pode ficar atrás do poste esperando o cidadão cometer a infração. A EPTC não educa, apenas multa”, critica.

O candidato tucano também critica a adversária Manuela D’Ávila (PCdoB) e afirma que ela pretende aumentar o tamanho do Estado e influenciar na liberdade das pessoas. “Não tem ameaça comunista em Porto Alegre, tem a ameaça de uma comunista”, dispara.

“Nosso primeiro ano de governo será para tentar alcançar o equilíbrio fiscal. Assim o município poderá operar na saúde, na educação e na infraestrutura”

Sul21 – Quais são as suas propostas para a saúde?
Wambert Di Lorenzo -
O problema da saúde da família é fundamental, mas não é o mais importante. A saúde de Porto Alegre vive uma situação de calamidade pública, com uma carência de quase mil leitos na cidade. Precisamos ampliar os leitos de emergência o mais urgente possível. Minha proposta é de parceria com a sociedade, quer dizer, com a iniciativa privada, com os hospitais da rede privada e com os hospitais universitários. A rede pública hospitalar é muito pequena em Porto Alegre, incompatível com o tamanho da cidade. Eu acredito no protagonismo da sociedade. Em áreas de assistência social, de educação e de saúde, precisamos contar com a iniciativa da sociedade. O município não pode fugir do seu papel, mas nem sempre precisa protagonizar as aloés. Às vezes o papel do município é subsidiar. Esse é um dos princípios fundamentais da socialdemocracia: a subsidiariedade. Tem horas que o Estado tem que se ausentar e tem horas que o Estado tem que atuar indiretamente.

Sul21 – Na sua ótica, o que determina a necessidade ou não de presença do Estado?
Wambert –
Vai depender do caso concreto. Eu seria irresponsável e leviano se prometesse construir 2 mil leitos hospitalares em Porto Alegre. Mas a iniciativa privada pode fazer isso. Outra questão importante na saúde é o diálogo com as categorias. Os profissionais são vítimas da má gestão do sistema. Precisamos qualificar e pagar melhor os servidores. E, para isso, é preciso ter dinheiro. Para ter dinheiro, é preciso equilíbrio fiscal, e isso o PSDB sabe fazer. Nosso primeiro ano de governo será para tentar alcançar o equilíbrio fiscal. Assim o município poderá operar na saúde, na educação e na infraestrutura.
Candidato pretende cortar número de CCs e chegar ao equilíbrio fiscal no primeiro ano de governo | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – Quando fala em “equilíbrio fiscal”, o senhor se refere a cortes no orçamento e racionalização da máquina pública?
Wambert –
Vamos cortar cargos em comissão (CCs). Fizemos isso no governo do Estado, onde não preenchemos mais de mil cargos de confiança. Quando fui presidente da FDRH, não tinha um CC lá. Hoje são mais de 40. Esse é o nosso estilo: enxugar a máquina pública e fazer com que ela seja eficiente.

Sul21 – Que tipo de reforma administrativa e institucional o senhor pensa em colocar em prática na prefeitura?
Wambert –
Estamos estudando ainda. Vamos aumentar a eficiência financeira do município com a atuação da advocacia pública para recuperar os ativos da cidade. Precisamos de uma ação fiscalizadora eficiente contra a sonegação de impostos. No Brasil, existem paraísos fiscais de ISSQN. O município de Barueri, em São Paulo, cobra 2% de ISSQN. Aqui em Porto Alegre é 5%. Boa parte dos contratos de leasing daqui da cidade são fraudados, porque o negócio é feito aqui, mas o CNPJ da empresa é de Barueri. Então perdemos uma fortuna em ISSQN. Já ouvi especialistas afirmando que deixamos de arrecadas R$ 1 bilhão por causa disso.

Sul21 – Qual suas propostas para a segurança pública?
Wambert –
É preciso ter coragem e dizer que segurança é competência do Estado e da União. Isso não significa que o prefeito vai se furtar e ser um irresponsável. Há muita coisa que o prefeito pode fazer, mas ele não pode chamar para si essa responsabilidade somente porque é um ano eleitoral. O prefeito não pode policiar a cidade. O que podemos fazer é uma patrulha eletrônica. Queremos criar centrais de monitoramento do trânsito que, em convênio com a Brigada Militar, poderão rastrear os carros.

“Nos Estados Unidos a polícia é municipal. Me deem uma polícia municipal que eu baixo a tolerância zero”

Sul21 – Qual o papel da Guarda Municipal?
Wambert -
Manter a segurança interna e externa dos ambientes públicos com armas de baixo poder ofensivo para manter a ordem, com supervisão da Brigada Militar. Essa patrulha eletrônica que iremos fazer será em sinergia com a BM. É uma coisa bastante óbvia, não é nenhum Santo Graal. Dizer que monitorar a cidade é estar a frente de seu tempo é uma mentira. Monitorar a cidade é tirar Porto Alegre do atraso.

Sul21 – O senhor defende o cercamento físico dos parques. Por quê?
Wambert -
Porque protege o patrimônio. Nas cidades mais importantes, mais belas e mais conservadas do mundo os parques são fechados. Paris, Roma, Londres…

Sul21 – Em Nova York, não.
Wambert –
Mas nos Estados Unidos a polícia é municipal. Me deem uma polícia municipal que eu baixo a tolerância zero e a doutrina da vidraça quebrada. Isso é um conceito nova-iorquino. Lá, quem deixar uma janela quebrada será multado. Ao invés de ir atrás do delinquente, o dono do prédio é que é punido. Com isso, os próprios moradores cuidariam do patrimônio e inibiriam o vandalismo.

Sul21 – Qual a sua posição sobre os conflitos na Cidade Baixa envolvendo o funcionamento dos bares e o descanso dos moradores?
Wambert –
Sou um frequentador da Cidade Baixa, adoro tomar um chopinho. Nesse embate ideológico trabalhamos com o conceito do bem comum. Não é o bem de uma classe ou de indivíduos, é o bem de todos. É uma equação complexa. Nesse bem comum, precisamos conciliar o meu gosto pelo chope, o trabalho do músico, o emprego do garçom e o descanso do morador. Precisamos de uma equação que permita que as pessoas se divirtam e que isso gere emprego e renda, mas que permita também que os moradores do bairro consigam dormir, que tenham sossego e tranquilidade. Então precisamos de políticas públicas de controle do ruído e da violência. É preciso colocar todos os interessados na mesa e localizar o bem comum. E aí o município entra com o seu poder de polícia.
Para o tucano, Manuela D'Ávila acredita numa ideologia ultrapassada | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – O senhor tem defendido a extinção da EPTC. Como seria esse processo?
Wambert –
O controle do trânsito passa pela extinção da EPTC. Vamos buscar uma solução jurídica para que ninguém fique desempregado. O que precisamos é mudar a postura do Estado. Antigamente, o policial militar usava um apito para monitorar o trânsito. Hoje o Estado torce para que o cidadão possa ser multado. O Estado deve fazer o controle prévio. É bom para todos que não haja infração. O modelo aplicado hoje é a punição da infração. O controle jurídico é posterior, apenas para punir. Precisamos mudar essa postura e torná-la preventiva, não punitiva. Não estou negando que o município precisa punir os infratores. Mas, antes, é preciso fazer um esforço para que a infração ocorra. O Estado não pode ficar atrás do poste esperando o cidadão cometer a infração. A EPTC não educa, apenas multa.
“Quem tem poder de polícia é a autarquia, não a empresa pública. A autoridade que o azulzinho tem para multar é a mesma que um funcionário do Banco do Brasil”

Sul21 – O que seria preciso mudar na EPTC para implantar esse novo sistema?
Wambert –
A EPTC é uma empresa e, portanto, precisa arrecadar e ter resultado financeiro. E empresa não tem poder de polícia. Quem tem poder de polícia é a autarquia, não a empresa pública. A autoridade que o azulzinho tem para multar é a mesma autoridade que um funcionário do Banco do Brasil. O que proponho é a criação de um Departamento Municipal de Trânsito, com caráter de autarquia. Esse órgão vai controlar o trânsito e mudar o conceito, que passará a ser preventivo, não arrecadatório. É preciso parar de achacar o cidadão. Vamos mudar o conceito dos pardais, fazendo o controle eletrônico por meio das lombadas. O conceito do pardal e da lombada mostra bem o Estado que se esconde e o Estado que orienta. Vamos trabalhar com controle explícito de velocidade, nada de ficar escondido torcendo para que o cidadão cometa uma infração, para que o Estado possa arrecadar em cima disso.

Sul21 – E os problemas de mobilidade urbana na cidade, como resolvê-los?
Wambert –
As ciclovias de Porto Alegre são uma piada. Aquele trecho de 400 metros na avenida Ipiranga é uma palhaçada, deveriam ter vergonha de inaugurar aquilo. Para transformar Porto Alegre em Pequim é preciso 50 anos. Estão implantando somente ciclovias esportivas que não servem para quem vai ao trabalho de bicicleta e não afetam em nada a mobilidade urbana. Então a bicicleta não resolve o problema da mobilidade, mas precisamos incentivas porque influencia na saúde pública e na qualidade de vida das pessoas.
Sul21 – E o que resolve?
Wambert – Transporte coletivo. Precisamos de competência e racionalidade para melhorar o serviço de transporte coletivo que já possuímos. Temos que trabalhar a ideia do metrô e do transporte fluvial, mas não adianta utilizar esses modais com a cidade estrangulada.

Sul21 – O senhor é a favor de uma licitação para a operação dos ônibus em Porto Alegre?
Wambert –
É necessário. Precisamos de mais terminais de integração, evitando que os ônibus que vêm da Região Metropolitana circulem pela cidade. E temos que repensar os corredores. Não sou contra eles nem a favor. Em alguns lugares os corredores são importantes, como na Assis Brasil. Em outros locais, como na Terceira Perimetral, os corredores de ônibus são latifúndios improdutivos.

Sul21 – Qual a sua opinião sobre os aumentos anuais da passagem?
Wambert –
Eles poderiam ser auditados. Os empresários têm dito que as políticas de meia passagem oneram quem paga a passagem inteira. Eles têm dito que, para ser barata, a passagem estaria sendo subsidiada por eles, os concessionários. Precisamos entender onde está o problema do preço da passagem e tentar fazer com que as passagens estejam mais ao alcance da população. O que falta em Porto Alegre são mais linhas transversais de ônibus. O bairro Moinhos de Vento está muito mal servido no transporte coletivo. Essa gente tem três carros em casa. É preciso dar transporte coletivo de qualidade, com linhas transversais, para que eles possam se locomover sem o carro.

“O Orçamento Participativo surgiu dominado por um partido único como uma experiência totalitária. Isso ocorria muito nos sovietes e nos conselhos do Nazismo”

Sul21 – Porto Alegre tem a cultura da participação popular consagrada pelo Orçamento Participativo. Quais são seus projetos para o OP?
Wambert –
Vamos ampliá-lo por regiões e intensificaremos o uso da consulta popular. O Orçamento Participativo surgiu como o consenso de um partido único. Hoje, o OP é um simulacro da Câmara de Vereadores, porque não é mais dominado por um único partido, mas por vários. Está na raiz do Orçamento Participativo o esvaziamento do Parlamento. O OP surgiu dominado por um partido único para concorrer com a Câmara de Vereadores. Nasceu, portanto, como uma experiência totalitária. Isso ocorria muito nos sovietes e nos conselhos do Nazismo. Todo partido de ideologia totalitária tem conselhos de comissários do povo para esvaziar o Parlamento. Nós vamos manter o OP, mas vamos usar outros mecanismos de consulta que não possam ser manipulados por nenhum partido, nem pelo prefeito. O OP é um simulacro de democracia representativa, como se a população tivesse dois representantes: um vereador e um conselheiro do OP. Os dois participam de partidos políticos.
"Eu acho que comunismo é coisa do passado, mas a Manuela não" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – O senhor acha que o PT domina o Orçamento Participativo?
Wambert –
Reconheço que não há mais o domínio absoluto do PT, como havia no início. Mas a partidarização do OP ainda existe. Os partidos políticos querem que seus militantes participem do OP para que possam influenciar as decisões. Precisamos de consultas populares, onde cada cidadão seja um voto. Vamos ampliar o princípio da participação popular através de uma experiência plebiscitária.

Sul21 – No dia que o senhor venceu as prévias do PSDB, disse que o comunismo não deu certo em lugar nenhum e não daria certo em Porto Alegre. O senhor acredita que a candidata do PCdoB Manuela D’Ávila pretende implantar um regime comunista na cidade?
Wambert -
Existe uma filósofa chamada Hanna Arendt que diz que uma coisa é o totalitarismo e outra é o movimento totalitário. Não acho que haja uma ameaça de o país virar comunista, mas há pessoas com mentalidade totalitária no poder. Há oito anos, desde a eleição de Lula, o Brasil vive essa experiência. Não creio que o Brasil vá virar uma Cuba ou uma Coreia do Norte. Tem gente que quer simplificar esse debate fazendo caricaturas e me chama de direitista. Não sou de direita, sou um social-democrata, que é uma democracia de centro-esquerda. Os valores que defendo – liberdade e dignidade – estão acima da discussão sobre esquerda e direita. Sou um filósofo do personalismo, nossa doutrina é ter a pessoa em primeiro lugar.

Sul21 – O senhor imprimiu um certo teor ideológico na sua campanha ao criticar o comunismo.
Wambert –
Nossa campanha terá um perfil ideológico. Mas quem diz que a Manuela é comunista não sou eu. Quem diz isso é ela mesma, está no Twitter dela. O comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas no século XX. Matou três vezes mais gente que o nazismo. O comunismo é a maior máquina de matar inventada pela humanidade. Por que é que uma pessoa tem apego a essa doutrina? Ela é que vai ter que explicar. A Manuela vai ter que explicar por que o partido dela lamentou a morte do tirano da Coreia do Norte. Não tem ameaça comunista em Porto Alegre, tem a ameaça de uma comunista. Eu acho que comunismo é coisa do passado, mas a Manuela não.

“Tarso Genro e Manuela D’Ávila são viúvas do Muro de Berlim”

Sul21 – O senhor acredita que ela propõe a instauração de um regime comunista na cidade?
Wambert -
Não propõe, mas sonha com isso todos os dias. Não vão conseguir implantar uma tirania comunista, mas sabem que podem avançar em direção ao Estado total e influenciar nos nossos níveis de liberdade. Há vários tipos de desrespeito à liberdade. Por exemplo, a utilização da Polícia Federal como instrumento de governo e não de Estado. O que a PF fez no ano eleitoral, quando Tarso Genro concorreu, foi vergonhoso. Prenderam um diretor do Banrisul com um mandato fajuto por um crime impossível. Lembro de ver o superintendente da Polícia Federal dando entrevista na televisão tremendo de nervosismo e de vergonha. A PF se serviu como a Gestapo do PT. Então, eu sei que a Guerra Fria terminou e que o Muro de Berlim caiu. Eles é que não sabem. Tarso Genro e Manuela D’Ávila são viúvas do Muro de Berlim.

Sul21 – O senhor possui somente o apoio do PRP, partido de pouca expressão em Porto Alegre. Como pretende conduzir suas alianças caso vença a eleição?
Wambert –
Meu sonho é que o PSDB faça uma política pragmática, não fisiológica. Os partidos hoje são fisiológicos, são apenas quadros físicos sem ideologia. Quando a senadora Ana Amélia Lemos (PP) abraçou a Manuela, me caíram os butiás do bolso. A Arena, que apoiou os militares, com o partido que fez a Guerrilha do Araguaia. Política é a arte do diálogo, não da promiscuidade. Isso é um desserviço ao eleitor, corrompe a cabeça dele e o deixa confuso.
Wambert rejeitou marqueteiros na campanha e diz que prefere manter sua autenticidade | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – Ideologicamente falando, não restam muitos partidos com os quais o PSDB possa se aliar. A grande maioria dos partidos compõe a base de sustentação do governo federal.
Wambert -
A aliança é programática, não meramente ideológica. A ideologia é do partido, mas o governo tem um programa. Sem coalizão ninguém governa, nem mesmo o PT. Hoje em dia, com o pluripartidarismo, ninguém tem a maioria absoluta do parlamento.

Sul21 – Até o momento, o senhor tem ficado nas últimas posições nas pesquisas de intenção de voto. A propaganda eleitoral na televisão pode lhe ajudar a ir para o segundo turno?
Wambert –
Tenho 3min40seg na televisão. Farei propostas honestas para a cidade, com uma campanha limpa e transparente. Não vou ficar com um sorriso fingido. Me apresentaram alguns marqueteiros e um deles disse que eu precisava sorrir mais. Não sou o Tiririca nem a Manuela. Ela fala de saúde pública sorrindo. O segundo marqueteiro me disse que a ideologia acabou. Ele queria me transformar num pacote de bolachas. Então recusei marqueteiros, tenho apenas um publicitário para cuidar do conceito da campanha. Não vou perder minha autenticidade e ser manipulado pelo marketing.


Fonte: Site Sul21

Opressão (imperialista?) Cerca de 70 mil presos em campos de concentração



Ditador da Coréia do Norte, Kim Jong Un, mantém 70.000 cristãos presos em campos de concentração



Com a morte do ditador Kim Jong II, da Coréia do Norte, os olhos da comunidade internacional se voltaram para o país, esperando que seu sucessor, seu filho Kim Jong Un, iniciasse um processo de abertura política. A esperança de que o novo comandante de país diminuísse, ou eliminasse de vez, uma série de restrições para os cidadãos foi reforçada quando proibições sobre alimentos ocidentais, como pizza e batatas fritas, e as restrições ao uso de telefones celulares, por exemplo, chegaram ao fim.

- O novo governante foi mostrado na televisão estatal, sorrindo estranhamente e visitando um parque de diversões – explica Ryan Morgan, analista do International Christian Concern, sobre a postura exibida por Kim Jong Un.

Porém apesar da mensagem de esperança de um futuro de tolerância no país, Morgam afirma que nenhuma melhoria foi notada na condição da igreja cristã perseguida no país comunista. De acordo com o analista, um cristão fiel e toda sua família ainda podem ir para a prisão no país pelo crime de possuir uma Bíblia.

- Não ouvimos qualquer relato de melhora para os cristãos no país e não temos motivos para acreditar que alguma coisa mudou – afirma.

De acordo com o WND, o analista comentou sobre o recente relatório da Comissão Sobre a Liberdade Religiosa Internacional, que afirma que o regime norte-coreano está cada vez mais tratando as religiões como “ameaças potenciais à segurança do país”. Ele falou também sobre os campos de concentração, para onde esses religiosos acabam sendo enviados.

- O regime norte-coreano ainda tem mais de 70.000 cristãos aprisionados em campos de concentração – detalha.

Segundo o ministério Portas Abertas, a Coreia do Norte ainda está em primeiro lugar na lista dos maiores perseguidores dos cristãos no mundo. No país, qualquer forma de adoração à outra pessoa além do ‘Grande Líder’ (Kim II-Sung) e do “líder supremo” (Kim Jong-II) é vista como traição.

- Acredita-se que pelo menos 25% dos cristãos esteja definhando em campos de trabalho forçados por que se recusaram a adorar o fundador da Coreia do Norte, Kim II-Sung [avô do atual líder – afirma ainda o ministério, que ressalta também que cerca de dez milhões de habitantes do país estão desnutridos, e milhares de pessoas estão sobrevivendo apenas comendo grama e cascas de árvore.

Link: Redação Gospel+



Fonte: Blog Timbre Vivo

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

POR QUE A VULGARIDADE FEMININA É TÃO INSISTENTE?




Por Alexandre Figueiredo

A inflação de "mulheres-objeto", em pleno primeiro quartel do século XXI, num Brasil que promete ser a nova potência da humanidade planetária, é preocupante.

O mercado editorial e midiático que se alimenta nessas "acidentais" e "despretensiosas" exibições de corpos "avantajados" torna-se tão insistente que existem "musas" de "todo tipo": de ex-BBBs a paniquetes, passando pelas funqueiras "mulheres-frutas", pelas "garotas da laje", "miss bumbum", "musas do MMA", "musas do Brasileirão" e o que vier.

Numa época em que precisa-se promover a emancipação feminina, não somente no mercado de trabalho ou na vida amorosa, mas numa série de valores morais, culturais e outros, é preocupante que nada menos do que 50 "boazudas", aproximadamente, figuram nos sítios de celebridades mostrando apenas sua única e exclusiva qualidade: os corpos que excitam um público machista e sexualmente obsediado.

As notas já são mais que repetitivas que até se duvida, e muito, das ocorrências "acidentais" de fulana que "paga calcinha", da sicrana que "paga cofrinho", da beltrana que "deixa o sutiã cair por ação do vento (sic)". Mas os empresários, produtores e editores que investem nesse hiperespetáculo machista não estão aí. As apelações das "musas" podem enfurecer até budista que eles continuarão insistindo.

Recentemente, temos o caso da anunciada "aparição" de Solange Gomes e de Andressa Soares, a Mulher Melancia, num decadente programa popularesco de TV. As duas, aliás, já fizeram juntas uma pose com seus glúteos em close, investindo fundo na baixaria televisiva que ainda irá ao ar em breve.

Enquanto isso, a ex-integrante do Big Brother Brasil, Maíra Cardi, esquecendo que deveria manter a compostura num aeroporto do Rio de Janeiro, cheio de passageiros, transeuntes e turistas, preferiu investir no exibicionismo, fazendo caras e bocas e "apertando" o decote, insinuando uma pseudo-sensualidade vulgar e desesperada. Tudo pela fama a qualquer preço.

"PRISIONEIRAS" DE SEU CORPO

Esse sensacionalismo anda preocupando bastante, porque não é isso que fortalecerá o feminismo, não é isso que expressa a liberdade do corpo da mulher. Pelo contrário, não se pode definir como liberdade do corpo o fato dessas "musas" serem prisioneiras e escravas do culto ao corpo, da obsessão pretensamente sensual que nada diz e nada contribui em coisa alguma na vida.

Fazendo uma comparação com outras mulheres famosas, como atrizes e modelos, nota-se que as mulheres que não vivem da vulgaridade pseudo-sensual adotam uma postura discreta e sóbria. Brasileiras como Deborah Secco, só para citar uma mulher considerada símbolo sexual de muitos homens, simplesmente passeiam pelo saguão dos aeroportos sem muito exibicionismo, sem bancarem as "gostosas" a qualquer custo, sem apelar para "mostrar demais" seus "dotes" físicos.

No exterior, então, musas como a modelo Cindy Crawford e as atrizes Emma Watson, Natalie Portman e Salma Hayek - esta famosa pelo protótipo de morena ultrasensual - aparecem de forma mais discreta, quando muito exibindo uma sensualidade light e menos apelativa possível, através de calças jeans justas ou de decotes discretos. Nada de exibicionismo, nem de caras e bocas.

Dá até para imaginar o tom de promoção que Maíra Cardi arrumou com sua exibição "acidental" do seu decote. A foto resultada aparentemente não indica, mas quem percorreu as proximidades, com atenção, deve imaginar que a ex-BBB e o fotógrafo combinaram a pose previamente, tudo pelo sensacionalismo barato na mídia nacional.

Essa insistência de prevalecer a vulgaridade feminina constrange e humilha a mulher brasileira. Não se trata de sermos contra a sensualidade. Mas a verdadeira sensualidade possui contextos, situações certas, e uma certa sutileza. E isso as "musas populares" não sabem fazer, e acham que estão sendo modernas com isso. Não estão. Elas estão, isso sim, sendo grotescas, antiquadas e um tanto caricatas quando "se mostram demais".

Solange e Andressa demonstram extremamente grotescas na sua "medição de bumbum" e Maíra parece alguém traumatizado com o risco de ostracismo, daí a apelação da pseudo-sensualidade. Outras musas do gênero, seguindo o mesmo "descaminho" - sobretudo uma Geisy Arruda que também "deixou escapar" um dos seios - , apenas se tornam constrangedoras e grosseiras nos seus atos.

E isso não as faz mais desejadas. Elas só são desejadas para um público machista, grosseiro e sem capacidade intelectual de traçar sequer uma fantasia sexual. As "boazudas", neste caso, vem com o produto pronto, "mulheres-objetos" que já chegam com a "fantasia" pré-fabricada pela mídia das celebridades e pelo mercado de revistas "sensuais". O machismo agradece com isso. Mas a sociedade em geral fica envergonhada com todo esse "espetáculo".


Fonte: Blog Mingau de Aço

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mercenários da Blackwater Já Operam No Brasil



O General-de-Brigada Durval Antunes de Andrade Nery, Coordenador de Estudos e Pesquisas do Cebres (Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos), denuncia em entrevista publicada no O Dia, que a recriação da IV Frota da Marinha dos EUA tem como objetivo uma futura intervenção militar nas jazidas de petróleo de pré-sal, recém descobertas pela Petrobrás no litoral brasileiro.

Além disso, o General relata a existência de mercenários da Blackwater em plataformas de petróleo administradas pela Halliburton e pertencentes à família Bush situadas na plataforma continental brasileira, devidamente licitadas pela ANP. A relação entre a Halliburton e a Blackwater é bem conhecida no mundo e seu histórico de ilegalidades e arbitrariedades está bem documentado no Google:

•Halliburton's Hidden Treuhand
•The few, the proud, the Blackwater
•Role of security companies likely to become more visible
•Waxman on warpath over Blackwater payments

Dick Cheney, atual Vice-Presidente dos EUA, era o Presidente da Halliburton antes de assumir a vice-presidência. A Halliburton possui escritórios no Rio de Janeiro e Macaé (RJ) e em Salvador (BA).

Segundo o relato de um Coronel de Exército Comandante de Batalhão na Amazônia, mercenários também já ocupam reservas indígenas contando com bases fluviais bem equipadas e fortemente armados, onde militares brasileiros so podem entrar com autorização judicial. Conforme já prevíamos no artigo anterior sobre a Blackwater, o futuro já chegou: mercenários já ocupam bases na Amazônia brasileira!!

Transcrevemos, a seguir, a matéria publicada no O Dia (bem escondida, por sinal). Este blog tentará contato com o General Durval para tentar colher maiores detalhes e informações sobre a denúncia.


16/08/2008 20:24:00

Essa IV frota é amiga?

Coordenador do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, general vê com preocupação a reativação da esquadra dos EUA encarregada de proteger o comércio nos mares do sul e critica a presença de “mercenários” em plataformas do nosso litoral

Rio - Para a maioria dos militares brasileiros, não há como desassociar a recriação da IV Frota dos Estados Unidos da descoberta de imensa jazida de petróleo no nosso litoral. Entre esses militares, está o general de brigada da reserva Durval Antunes de Andrade Nery, coordenador de estudos e pesquisas do Cebres (Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos), que reúne entre seus pesquisadores diplomados pela Escola Superior de Guerra. Abaixo os principais trechos da conversa dele com O DIA.

IV Quarta Frota

“A decisão dos Estados Unidos de recriar a IV Frota foi apresentada como destinada a proteger o livre fluxo do comércio nos mares da região. Ora, se alguém tem condições de proteger, tem condições de impedir esse fluxo comercial. Pergunto: Por que proteger o comércio de uma área que não vive situação de guerra? E isso quando o Brasil dá notícia da extensão das jazidas do pré-sal como uma das maiores de todo o mundo”.

Grupo Halliburton dos EUA

“Esta empresa está envolvida com o apoio logístico em todo o mundo no que diz respeito ao petróleo, principalmente no Iraque. A Halliburton é uma empresa que hoje, no Brasil, mantém um de seus (ex-) diretores como diretor da ANP (Nelson Narciso Filho, indicado pelo presidente Lula e aprovado em sabatina no Senado). Esse homem tem acesso a dados secretos das jazidas de petróleo no Brasil”.

Bush e o pré-sal

“Logo depois que o mundo tomou conhecimento da existência das reservas do pré-sal, o presidente (George W.) Bush disse na imprensa: ‘Não reconheço a soberania brasileira sobre as 200 milhas’. O pré-sal ultrapassa as 200 milhas. Tudo que existe ali para exploração econômica é do País, isso segundo a ONU. Por que o presidente norte-americano recria a IV Frota logo após não reconhecer nossa soberania?”

O comando da IV Frota

“Poderíamos imaginar que a IV Frota vai ter missão humanitária, mesmo custando uma fortuna manter porta-aviões nucleares com 50, 60 e 100 aviões navegando permanentemente nos mares do sul. Mas, por que nomear para o comando o contra-almirante Joseph Kernan, especializado em táticas de guerra submersa e no treinamento de homens-rãs? Um homem que com seus sabotadores deu um banho nas guerras do Afeganistão e do Iraque está à frente da IV Frota para proteger?”

Blackwater no Brasil

“(Após a eleição de Bush), a Hallibourton, contratada pelo governo dos EUA para planejar a redução das despesas do país com as Forças Armadas, criou uma empresa chamada Blackwater — firma de mercenários, com contrato de seis bilhões de dólares e que, só no Iraque, tem 128 mil homens. Eles fazem segurança e matam. Pergunto: Quem está fazendo a segurança das 15 plataformas que a família Bush tem no Brasil, todas vendidas (em licitação) pela ANP? Ainda faço um desafio: vamos pegar um barco e tentar subir numa plataforma. Garanto que vamos encontrar os homens da Hallibourton armados até os dentes e que não vão deixar a gente subir”.

Estranho na selva

“Coronel que até o ano passado comandava batalhão na região da (reserva indígena) Yanomami contou que estava fazendo patrulha em um barco inflável com quatro homens em um igarapé quando avistou um sujeito armado com fuzil. Um tenente disse: ‘Tem mais um cara ali’. Eram cinco homens armados. O tenente advertiu: ‘Coronel, é uma emboscada. Vamos retrair.’ Retraíram. Perguntei: ‘O que você fez?’ Ele disse: ‘General, tive que ir ao distrito, pedir à juíza autorização para ir lá.’ Falei: ‘Meu caro, você, comandante de um batalhão no meio da Amazônia, perto da fronteira, responsável por nossa segurança, só pode entrar na área se a juíza autorizar? Ele respondeu: ‘É. Foi isso que o governo passado (Fernando Henrique) deixou para nós. Não podemos fazer nada em área indígena sem autorização da Justiça”.

15 homens e 10 lanchas

“O coronel contou que pegou a autorização e voltou. Levou três horas para chegar ao igarapé, onde não tinha mais ninguém. Continuou em direção à fronteira. De repente, encontrou ancoradouro, com um cara loiro, de olhos azuis, fuzil nas costas, o esperando. Olhou para o lado: 10 lanchas e quatro aviões-anfíbio, no meio na selva. ‘Na sua área?’, perguntei. ‘É’, respondeu. Ele contou que abordou o homem: ‘Quem é você?”. Como resposta ouviu: ‘Sou oficial forças especiais dos Estados Unidos da América do Norte’. O coronel insistiu: ‘Que faz aqui’. E o cara disse que fazia segurança para uma pousada. Ele perguntou qual pousada? Ouviu: ‘Pertencente a um cidadão americano’. Quinze homens estavam lá, armados. Hallibourton? Blackwater?”

Crise do Petróleo

“Temos (no pré-sal), talvez, a maior jazida de petróleo do mundo. Será que países desenvolvidos vão se aquietar sabendo que o futuro deles depende do petróleo? Os Estados Unidos tem petróleo só para os próximos cinco anos. Tanto é que o país não consome o dele, porque suas reservas são baixas. Passa a pegar o que existe no mundo. Foi assim no Irã, em 1953, quando derrubaram o (primeiro-ministro Mohamed) Mossadegh. Os aiatolás pegaram de volta e agora querem outra vez atacar o Irã. No Afeganistão, deu no que deu. No Iraque, tomaram o petróleo de lá. Agora vem o petróleo do Mar Cáspio e a Georgia (em guerra com a Rússia por território onde passam gasodutos). E no Brasil, como será? Essa (IV) Frota é só amiga? Está aqui só para proteger?”.


Fonte: Blog Projeto S.I.L.I. (Search for Intelligent Life in Internet (Busca por Vida Inteligente na Internet)

“Depressão da segunda-feira”: mito ou realidade?




Natasha Romanzoti, no HypeScience

Cuidado, pessoal. Ela vem chegando aí: a indesejada e odiada segunda-feira. Principalmente aos domingos, é muito comum ouvir reclamações sobre o dia que está por vir, e não é por menos, afinal, ele assinala o começo da semana de trabalho.

Por semana de trabalho, nós queremos dizer segunda a sexta, que são os dias em que a maioria das pessoas tem que levantar cedo para estudar ou trabalhar.

Por consequência, a sexta-feira é o dia mais feliz da semana, porque assinala o começo do exato oposto: o senhor fim de semana, no qual a maioria de nós não estuda ou trabalha.

Pelo senso comum, portanto, é bem fácil entender qual é o dia mais chato e o mais legal da semana. Cientificamente, no entanto, há um erro nessa ideia: a segunda-feira, dizem os pesquisadores, não é pior do que qualquer outro dia da semana de trabalho, exceto a sexta.

Ou seja, a “alegria de sexta” é real: nós, de fato, relatamos mais prazer e felicidade e menos estresse ou preocupação às sextas-feiras, assim como aos sábados e domingos, em comparação com o resto da semana.

Já o conceito de “depressão da segunda” não é correto, segundo os cientistas.

A conclusão foi tirada a partir de entrevistas por telefone com mais de 340.000 americanos. Os pesquisadores averiguaram os efeitos positivos e negativos do humor nos dias da semana.

Os resultados mostraram que nós nos sentimos igualmente estressados na segunda, na terça, na quarta e na quinta. É o mesmo mau humor, não há nada de pior com a coitada da segunda. E, sim, nós nos sentimos mais bem humorados a partir da sexta, em antecipação ao fim de semana.

“Apesar de nossas crenças globais sobre segundas-feiras, podemos concluir que esta crença deve ser abandonada. Mitos culturais podem superenfatizar vastamente o padrão de humor em dias de semana”, explica o professor Arthur Stone, da University Stony Brook (Nova York, EUA).

Então, se amanhã você acordar se sentindo particularmente irritado ou estressado, lembre-se: o sentimento vai continuar até quinta-feira, melhor não descontar tudo na segunda. Se não isso der certo, confira nossas dicas para quem odeia segundas-feiras.[io9, BBC]


Fonte: Pavablog

sábado, 25 de agosto de 2012

O Mito da Igualdade



E ainda tem gente que acredita nessa idéia.



"A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade... Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".

Ruy Barbosa


MITO DA IGUALDADE

Por Raphael M.S.


“A pior forma de injustiça é tentar tornar iguais coisas desiguais” – Aristóteles

Toda sociedade se estrutura ao redor de Mitos fundadores. Mito não é, como pressupõe o vulgar vernáculo racionalista, sinônimo de ‘mentira’. Não é uma ‘mentira’ porque não é uma narrativa de um fato histórico, e não sendo narrativa de um fato histórico não pode ser dito nem ‘verdadeiro’, nem ‘falso’, a partir de uma perspectiva historicista.

Um Mito é um continente (no sentido de uma forma que contém um conteúdo, não no sentido geográfico, obviamente…) de relações entre entes, dotado de máxima significação por uma valoração realizada pela Vontade de um Povo.

Um Mito é uma representação simbólica do impulso fundador e condutor de uma sociedade, justificando o surgimento daquela sociedade e estabelecendo todas as pautas culturais, as quais a mesma deverá obedecer em seu desenvolvimento.
O fato de não ser uma narrativa de um fato histórico, porém, não isenta um Mito de ser objeto de um juízo de ‘verdade’. Apenas altera o âmbito no qual tal juízo deve ser realizado.

A ‘verdade’ de um Mito está contida em sua capacidade de ‘afirmar a Vida’ do Povo no seio do qual ele surgiu, ou seja, de promover a expansão e fortalecimento das potencialidades criativas de um Povo e de sua vitalidade.

Um Mito incapaz de afirmar a Vida, ou que faça o contrário, é necessariamente auto-contraditório e, portanto, falso.

O Mito, portanto, para ser válido deve ser eminentemente realista enquanto Ideia. A negação das verdades existenciais eternas do Homem, dos seus fundamentos existenciais, constitui propriamente ‘negação da Vida’ e já identifica intuitivamente um Mito como absolutamente falso.

Um Mito é uma realidade simbólica eternamente presente em todas as sociedades, independentemente de seu ‘nível tecnológico’, de seu ‘progresso material’, ou de seu posicionamento frente à religiosidade. Existirá tanto em tribos primitivas e supersticiosas quanto em sociedades cientificistas e ateias.

Entre os muitos Mitos que ocupam uma posição central nas sociedades ocidentais modernas, o principal e o mais nefasto de todos é o Mito da Igualdade. Nenhum outro Mito é mais fanaticamente defendido, e nenhum pode ser tão ridiculamente falso e prejudicial às sociedades nas quais ele virulentamente se instala, como este.

Esse Mito pode ser formulado de duas maneiras. Ou ‘todos os Homens são iguais’, ou então, ‘todos os Homens não são iguais, mas deveriam ser.’ A primeira é simplesmente uma formulação míope e selvagem, a segunda é uma formulação covarde dos que, tendo sido forçados a reconhecer a surrealidade da crença na Igualdade, tentam salvar o Mito transplantando-o retoricamente para o âmbito do ‘dever-ser’.

Esse afastamento metafísico da Igualdade, que constitui verdadeira sacralização, possui o interessante condão de nos revelar as autênticas origens desse curioso Mito.

Tendo sido apresentado ‘filosoficamente’ ao Ocidente por meio da tradição iluminista, a qual supostamente deveria ser superior à tradição medieval por ser ‘racionalista’ e ‘ateia’, o Mito de Igualdade parece possuir algum tipo de ‘aura de respeitabilidade’, como se o fato desse Mito se originar de uma tradição racionalista o tornasse ‘real’, ou ‘mais real’.

O Mito da Igualdade, desconhecido na Antiguidade, está originariamente enraizado, porém, exatamente na tradição teológica da cristandade medieval e são exatamente as ciências empíricas as fontes dos principais ‘embaraços’ constrangedores dos seguidores dessa teologia contemporânea. Aparentemente, os iluministas e todos os seus herdeiros simplesmente rejeitaram aquilo que há de mais acessório no Cristianismo, a crença em Deus, permanecendo profundamente supersticiosos e cristãos em tudo aquilo que é filosoficamente relevante.

Constantemente, porém, nós somos colocados frente à realidade da profunda e radical desigualdade entre todos os homens em suas aptidões, e com o ‘problema’ de que, inevitavelmente, haja homens mais capazes do que outros.

Não digo apenas homens capazes em certa atividade, e outros homens capazes em outras, mas sim homens absolutamente mais capazes do que muitos outros em todas as áreas. Poucos exemplos são tão simples e claros, como o da criança que consegue notas excelentes sem estudar, enquanto seu colega se esforça profundamente em seus estudos conseguindo no máximo apenas resultados medianos.

Como subterfúgio covarde, os igualitários então são obrigados a recorrer a uma variação da ‘igualdade metafísica’ da teologia cristã. Segundo a teologia cristã, os homens são ‘iguais diante de Deus’, possuem exatamente ‘almas idênticas’, e, portanto, todas as diferenças entre os homens são apenas contingentes, relativas e efêmeras. Os homens seriam iguais no Paraíso, na Eternidade.

Analogamente, os igualitários que reconhecem a desigualdade natural entre os homens, afirmam que por sua vez existe algum nebuloso tipo de ‘igualdade moral’, que reside em algum ‘plano abstrato’ e, por isso, os homens deveriam ser ‘tratados’ com igualdade, formulações metafísicas estas que eles são incapazes de explicar e justificar. Em verdade, dificilmente alguém verá um (pseudo) filósofo ou pensador igualitário até mesmo se dispor a justificar suas crenças. Nem Rousseau, nem qualquer dos iluministas fizeram algo similar, para além de balbuciarem algumas semi-explicações insatisfatórias.

Em geral, tais justificativas tentam se apoiar na noção de uma ‘Razão’ como faculdade abstrata e universal. Ocorre que a tal ‘Razão’ como faculdade abstrata tampouco existe. O que existe é a ‘Razão’ como instrumento cognitivo prático, a qual é tão universal aos homens quanto sua ‘Altura’. Todos possuem alguma ‘Altura’. Também, todos possuem algo como uma ‘Razão’. Porém, assim como os homens possuem alturas variáveis, a qualidade desse instrumento cognitivo chamado ‘Razão’, também é absolutamente individual e variável entre os homens.

Não há, portanto, qualquer parâmetro possível para um estabelecimento de uma Igualdade entre os homens, a não ser recorrendo-se às superstições teológicas. Repetindo mais claramente: A Igualdade é uma mentira, uma farsa, um engodo, uma trapaça, uma tramoia. Não possui qualquer fundamento real, jamais teve, nem jamais poderá ter. Quem crê na ‘Igualdade’, ou está fingindo, ou simplesmente sofre de dissonância cognitiva. As sociedades modernas estão, então, fundadas numa farsa e são, consequentemente, eminentemente decadentes e filosoficamente ‘más’.

A ‘Igualdade’ é uma impossibilidade ontológica. Um ente é ele mesmo por conta de suas características individuais. Eu sou ‘eu’, por conta daquilo que me diferencia de tudo que é ‘não-Eu’.

Toda a multiplicidade de entes se realiza como multiplicidade pela Diferença, pela Individualidade. Assim, retirando-se os elementos individuais, a ‘Diferença’, que é o meio de alcançarmos a ‘Igualdade’, a partir do momento que tivermos dois entes idênticos, não teremos mais dois entes, mas apenas um.

Se a Diferenciação é o que gera a multiplicidade de entes, ou seja, aquilo a que chamamos ‘Universo’, ‘Realidade’, a desconstrução das diferenças entre os entes só pode ser vista como uma tentativa de se engajar em um processo de destruição do Universo. O ‘Igualitarismo’, é uma teologia ‘Anti-Vida’, uma teologia da destruição.

Não possuindo base natural, ou seja, real, o Mito da Igualdade só pode se sustentar por meio da coação oficial do Estado, ou por meio das formas difusas de coação, originadas da infraestrutura social, principalmente dos meios de comunicação e da educação. A principal demência derivada do Mito da Igualdade consiste exatamente na crença de que ‘se não há igualdade, isso é um erro, pois deveria haver’, e agir com base nesse preceito teológico, sustentando e tentando impor a ‘Igualdade’ frente a uma Realidade indiferente e hostil aos retardos supersticiosos dos homens.

‘Se não há igualdade, deveria haver’. Por quê? Por quê deveria haver igualdade? De onde se pode retirar a legitimidade para se estabelecer como Juiz da Natureza? Não se pode. Isso não existe onde há qualquer tipo de reflexão autêntica. E como se pode derivar um ‘dever ser’, de um ‘não ser’? Não se pode. Não há qualquer elo de necessidade, seja lógico, ontológico ou existencial, entre esses dois juízos.

Inevitavelmente, a única fundação possível, a única fonte de legitimidade para esse juízo falso, é novamente a teologia cristã, a superstição bárbara. Se os homens possuem uma ‘essência’ igual.

Se todos os homens são iguais em um plano abstrato, seja teológico, seja racional, então se deve fazer o possível para atualizar essa potência igualitária metafísica na realidade, como se estivesse a criar um ‘Paraíso na Terra’, como se quisesse promover a materialização da ‘Jerusalém Celeste’.

Vê-se, portanto, que o ‘Mito da Igualdade’ possui fortes características messiânicas e escatológicas, principalmente por estar intimamente associado a outro Mito, o do ‘Progresso’.

As consequências sociais dessa teologia anti-humana são evidentes. Todos os entes só podem ser aquilo que são, e nada mais. Sendo as diferenças entre os entes ontológicas e essenciais, qualquer tentativa de se gerar igualdade só pode ser efetuada nos entes que se diferenciam nos graus de uma mesma qualidade.
Ocorre, porém, que o que é inferior em grau em uma certa característica, não pode se elevar para além dos limites da própria capacidade. Ao contrário, o que é superior em grau, pode se rebaixar, pois já guarda consigo, a priori, todas as gradações que lhe são inferiores.

Isso significa basicamente que todo processo de equalização se realiza exclusivamente mediante uma ‘nivelação por baixo’, por uma mediocrização imposta ao que é superior, para que ele se aproxime do que é inferior.

Pensemos um cavalo de corrida e um ‘burrico’. Queremos torná-los iguais. ‘É injusto que o cavalo de corrida possa correr mais que o burrico! O burrico não merece isso!’. Que faremos então?

Poderemos tentar ‘educar’ o burrico a correr como um cavalo de corrida.
Logo perceberemos, porém, que isso é impossível.

O ‘burrico’ poderá correr um pouco mais do que já corre, mas apenas dentro das limitações já contidas nas próprias potencialidades dele mesmo.

Se ao invés de nesse momento percebermos que a ‘Igualdade’ é um engodo e resolvermos sabiamente que o cavalo de corrida e o ‘burrico’ devem ser utilizados naquilo que cada um tem de seu, ao invés de equalizados, quisermos continuar nesse projeto igualitário demente, qual será a opção restante? Aleijar o cavalo de corrida. Apenas assim será conquistada a Igualdade.

Parece, porém, que a maioria das pessoas crê em algo que não só é impossível, como também prejudicial para a sociedade. As razões para essa crença são duas apenas.

A primeira é a soma do ressentimento e da inveja daqueles que enxergam a si mesmos como incapazes frente a semelhantes mais afortunados. O desejo pela ‘Igualdade’ nesse caso não passa de manifestação de um medíocre sentimento vingativo.

A segunda, o desejo por ‘Igualdade’ dos que não são incapazes, surge a partir de um autodestrutivo senso de ‘piedade’, e de uma deficiência mental, uma ‘dissonância cognitiva’.

Inevitavelmente, esse Mito levará o Ocidente à ruína. Será uma ruína merecida, porém. Restará, para os que sobrarem, a missão de construir uma nova civilização sobre fundações mais sólidas.

Fonte: http://www.nuevorden.net/portugues/r_32.htm

http://conteudodissidente.wordpress.com/


Fonte: Blog Prezado...Cara Pálida

A cada 7 anos você troca metade dos seus amigos



Carol Castro 23 de agosto de 2012



Amigos para seeempre lalaia-laialaiala… para sempre mesmo? Ou só até os próximos sete anos. Pense em 2005 e recorde quem eram seus melhores amigos. Quantos ainda permanecem do seu lado até hoje? Se você for como a maioria, talvez metade deles tenha se afastado, dado lugar a novos amigos.

Um grupo de sociólogos da Universidade de Utrecht, da Holanda, conduziu uma pesquisa com pouco mais de mil participantes, entre 18 e 65 anos, para saber como era o círculo social de cada um. Sete anos depois, 604 pessoas foram entrevistadas novamente. Eles responderam perguntas como: como quem você ainda conversa sobre problemas pessoais? Quem te ajuda a consertar algumas coisas na sua casa? Quem você ainda faz questão de encontrar? Onde você conheceu essas pessoas? E onde você as encontra agora?

No total, as pessoas mantiveram a mesma média de amigos, mas muitos deles eram recentes. Só 30% dos colegas ainda mantinham a mesma opinião sobre alguns assuntos sete anos depois. E apenas 48% deles ainda faziam parte do círculo de amizades.
Triste, né? Mas é um pouco compreensível, afinal, as fases mudam (colégio/faculdade/trabalho/família), e cada um segue um rumo diferente. Já pensou se a gente for imaginar quantos amigos ainda continuam do nosso lado depois de 14, 15 anos? Quantos você consegue contar? Eu só consigo me lembrar de dois.

Crédito da foto: flickr.com/experimentofthenature



Fonte: Blog Ciência Maluca do Site da Revista Superinteressante

Nelson Rodrigues sobre liberdade e comunistas



Por André,



"Eu sou um anticomunista. Conhecíamos o canalha, o mentiroso, o vampiro de Düsseldorf. Todos os pulhas de todos os tempos e de todos os idiomas, mas, ainda assim, homens. O comunismo inventou alguém que não é homem. Para o comunista, o que nós chamamos de dignidade é um preconceito burguês. Para o comunista, o pequeno-burguês é um idiota absoluto justamente porque tem escrúpulos."


Nelson Rodrigues - 1969.


Fonte: Blog O bico do tentilhão

A essência do conservadorismo (Russel Kirk)




Escrito por Russel Kirk | 01 Junho 2012
Artigos - Conservadorismo
Mídia Sem Máscara

O conservador suspeita de todos os esquemas utópicos. Ele não acredita que, pelo poder do direito positivo, nós podemos resolver todos os problemas da humanidade. Podemos ter a esperança de fazer nosso mundo tolerável, mas não podemos torná-lo perfeito.

Uma amiga minha, a quem chamaremos senhorita Worth, teve uma conversa com uma vizinha – senhora Williams, digamos – que, no dia anterior, havia vendido um belo prédio antigo, há muito tempo pertencente à sua família, o qual seria demolido para que muitos automóveis usados fossem postos a venda no lugar. A senhora Williams tinha certos arrependimentos; mas, disse ela em caráter definitivo, “você não pode parar o progresso”. Ela ficou surpresa com a resposta da senhorita Worth, que foi esta: “Não, muitas vezes não; mas você pode tentar”.

A Senhorita Worth não acreditava que o Progresso, com P maiúsculo, é uma coisa boa em si mesma. O Progresso pode ser bom ou mau, dependendo da direção a qual se está progredindo. É perfeitamente possível, e não raramente ocorre, de se progredir em direção à beira de um precipício. O pensamento conservador, jovem ou antigo, acredita que todos nós devemos obedecer à lei universal da mudança; mas muitas vezes está em nosso poder escolher quais mudanças aceitaremos e quais mudanças rejeitaremos. O conservador é uma pessoa que se esforça para conservar o que há de melhor em nossas tradições e em nossas instituições, conciliando o que é melhor com a reforma necessária de tempos em tempos.

“Conservar” significa “salvar”... (Considere) a maldição do cupido: “Aqueles que mudam o amor antigo pelo novo, oram aos deuses para mudá-lo para pior.”

Um conservador não é, por definição, um egoísta ou uma pessoa estúpida; em vez disso, ele é uma pessoa que acredita que há alguma coisa em nossa vida que vale a pena salvar.

Conservadorismo, na verdade, é uma palavra com um significado antigo e honrado – mas, um significado quase esquecido pelos americanos até anos recentes. Abraham Lincoln queria ser conhecido como um conservador. “O que é o conservadorismo?”, disse ele. “Não é a preferência pelo antigo e experimentado, acima do novo e do não testado?” É isso; e é também um corpo de convicções éticas e sociais. Porém, a palavra “liberalismo” tem sido preferida entre nós por duas ou três décadas. Mesmo hoje em dia, embora haja um bom número de conservadores nas políticas nacional e estadual, em nenhum grande partido muitos líderes políticos descrevem a si mesmos como “conservadores”. Paradoxalmente, o povo dos Estados Unidos se tornou a principal nação conservadora do mundo exatamente quando deixou de chamar a si mesmo de conservador em seu próprio país.

No entanto, com a nossa severa oposição ao radicalismo dos soviéticos e nosso repúdio nacional do coletivismo em todas as suas variedades, um bom número de americanos agora têm muitas dúvidas quanto ao desejo de serem chamados liberais ou radicais. Os liberais, por um bom tempo, foram derivando para a esquerda em direção a seus primos radicais; e o liberalismo, nos últimos anos, passou a significar um anexo para o Estado centralizado e para a impessoalidade sombria do Brave New World, de Huxley, ou de 1984, de Orwell. Homens e mulheres que não se consideram liberais ou radicais estão começando a perguntar a si mesmos no que acreditam e do que deveriam se chamar. O sistema de ideias opostas ao liberalismo e ao radicalismo é a filosofia política conservadora.

O que é o Conservadorismo?

O conservadorismo moderno tomou forma por volta do início da Revolução Francesa, quando homens de grande visão na Inglaterra e na América perceberam que, se a humanidade existe para conservação dos elementos da civilização que tornam a vida digna de ser vivida, algum corpo coerente de ideias deve resistir ao nivelamento e ao impulso destrutivo de revolucionários fanáticos. Na Inglaterra, o fundador do verdadeiro conservadorismo foi Edmund Burke, cujas Reflections on the Revolution in France mudaram o rumo da opinião pública britânica e influenciaram incalculáveis líderes da sociedade no Continente e na América. Nos recém-criados Estados Unidos, os fundadores da República, conservadores por formação e por experiência prática, estavam determinados a moldar a Constituição que deveria guiar a sua posteridade em caminhos duradouros de justiça e liberdade. Nossa Guerra de Independência Americana não foi uma revolução real, mas antes uma separação da Inglaterra; estadistas de Massachusetts e da Virgínia não desejavam virar a sociedade de cabeça para baixo. Em seus escritos, sobretudo nos trabalhos de John Adams, Alexander Hamilton e James Madison, nós encontramos um conservadorismo sóbrio e provado, fundado sobre uma compreensão da história e da natureza humana. A Constituição que os líderes daquela geração elaboraram tem provado ser o dispositivo conservador mais bem sucedido em toda a história.

Os líderes conservadores, desde Burke e Adams, subscreveram certas ideias que podemos demonstrar, resumidamente, mediante definição. Os conservadores desconfiam do que Burke chamou “abstrações” - isto é, absolutos dogmas políticos divorciados da experiência prática e das circunstâncias particulares. Eles acreditam, todavia, na existência de certas verdades permanentes que regem a conduta da sociedade humana. Talvez, os princípios mais importantes que têm caracterizado o pensamento conservador americano são estes:

1. Homens e nações são governados por leis morais; e essas leis têm a sua origem em uma sabedoria superior à humana – a justiça divina. No fundo, problemas políticos são problemas morais e religiosos. O estadista sábio procura apreender a lei moral e reger sua conduta adequadamente. Nós temos uma dívida moral para com nossos antepassados, que nos concederam nossa civilização, e um dever moral para as gerações que virão depois de nós. Esta dívida foi ordenada por Deus. Portanto, não temos o direito de, impudentemente, mexer com a natureza humana ou com tecido delicado de nossa ordem social civil.

2. Variedade e diversidade são as características de uma grande civilização. Uniformidade e igualdade absoluta são a morte de todo verdadeiro vigor e liberdade na existência. Conservadores resistem, com imparcial virilidade, à uniformidade de um tirano ou de uma oligarquia e à uniformidade a qual Tocqueville chamou “despotismo democrático”.

3. Justiça significa que todo homem e toda mulher têm direito ao que lhes é próprio – às coisas que melhor se adaptam à sua própria natureza, às recompensas de sua capacidade e integridade, à sua propriedade e à sua personalidade. A sociedade civilizada requer que todos os homens e mulheres tenham direitos iguais diante da lei, mas essa igualdade não deve se estender à igualdade de condição: isto é, a sociedade é uma grande associação, na qual todos têm direitos iguais – mas não para igualar coisas. A sociedade justa requer liderança sólida, recompensas diferentes para habilidades diferentes e um senso de respeito e dever.

4. Propriedade e liberdade são inseparavelmente conectadas; nivelamento econômico não é progresso econômico. Os conservadores valorizam a propriedade para seu próprio interesse, é claro; mas a valorizam muito mais porque, sem ela, todos os homens e mulheres estão a mercê de um governo onipotente.

5. O poder é repleto de perigos; portanto, o bom estado é aquele no qual o poder é controlado e equilibrado, restringido por constituições e costumes sólidos. Na medida do possível, o poder político deve ser mantido nas mãos de instituições privadas e locais. A centralização é normalmente um sinal de decadência social.

6. O passado é um grande depósito de sabedoria; como Burke disse, “o indivíduo é tolo, mas a espécie é sábia.” Os conservadores acreditam que precisamos nos guiar pelas tradições morais, pela experiência social e por todo o complexo corpo de conhecimentos legados a nós por nossos antepassados. Os apelos conservadores estão para além da opinião precipitada do momento, pela qual Chesterton os denominava de “a democracia dos mortos” - isto é, as opiniões consideradas dos homens e mulheres sábios que morreram antes de nosso tempo, a experiência da espécie humana. O conservador, em suma, sabe que não nasceu ontem.

7. A sociedade moderna necessita urgentemente de uma verdadeira comunidade: e verdadeira comunidade é um mundo distante do coletivismo. A comunidade autêntica é regida por amor e caridade, não por força. Através de igrejas, associações voluntárias, governos locais e uma variedade de instituições, os conservadores se esforçam para manter a comunidade saudável. Os conservadores não são egoístas, mas zelosos do bem-estar público. Eles sabem que o coletivismo significa o fim da comunidade genuína, e substituem uniformidade por variedade e força por cooperação voluntária.

8. Nos assuntos das nações, o conservador americano acredita que seu país deve ser um exemplo para o mundo, mas que não deve tentar reconstruir o mundo à sua imagem. É uma lei da política, bem como da biologia, que todo ser vivente ama, acima de tudo – até mesmo acima de sua própria vida –, sua identidade distintiva, que o diferencia de todos os outros seres. O conservador não aspira à dominação do mundo, nem aprecia a perspectiva de um mundo reduzido a um padrão único de governo e de civilização.

9. Os conservadores sabem que homens e mulheres não são perfectíveis; e nem o são as instituições políticas. Nós não podemos criar um paraíso na Terra, embora possamos fazer um inferno. Somos todos criaturas nas quais bem e mal estão misturados; e, quando as boas instituições negligenciam e ignoram os antigos princípios morais, o mal tende a predominar em nós. Por isso, o conservador suspeita de todos os esquemas utópicos. Ele não acredita que, pelo poder do direito positivo, nós podemos resolver todos os problemas da humanidade. Podemos ter a esperança de fazer nosso mundo tolerável, mas não podemos torná-lo perfeito. Quando o progresso é alcançado, o é através do reconhecimento prudente das limitações da natureza humana.

10. Os conservadores estão convencidos de que mudança e reforma não são idênticas: inovação política e moral pode ser tanto destrutiva como benéfica; e se a inovação é empreendida com espírito de presunção e entusiasmo, provavelmente será desastrosa. Todas as instituições humanas, em certa medida, se alteram de época para época, pois o lento processo de mudança é o meio de conservar a sociedade, exatamente como é, para o corpo humano, o meio de sua renovação. Mas, os conservadores americanos se esforçam para conciliar o crescimento e as modificações essenciais para nossa vida com a força de nossas tradições sociais e morais. Com Lord Falkland, eles dizem: “quando não é necessário mudar, é necessário não mudar.” Eles entendem que homens e mulheres são mais satisfeitos quando podem sentir que vivem em um mundo estável de valores duradouros.

O conservadorismo, então, não é simplesmente o interesse das pessoas que têm muitas propriedades e influência; não é simplesmente a defesa de privilégios e de status. A maioria dos conservadores não são nem ricos nem poderosos. Porém, eles fazem até mesmo o mais simples deles obter grandes benefícios de nossa República estabelecida. Eles têm liberdade, segurança pessoal e de sua casa, igual proteção das leis, o direito aos frutos de sua indústria e oportunidade para fazer o melhor que neles há. Eles têm um direito de personalidade em vida e um direito de consolo na morte. Os princípios conservadores são o abrigo das esperanças de todos na sociedade. E o conservadorismo é um importante conceito social para todo aquele que deseja justiça igualitária e liberdade pessoal e todos os amáveis caminhos antigos da humanidade. O conservadorismo não é simplesmente uma defesa do “capitalismo”. (“Capitalismo”, na verdade, é uma palavra cunhada por Karl Marx, projetada desde o início para significar que a única coisa defendida pelos conservadores é a grande acumulação de capital privado.) Mas, o que o verdadeiro conservador faz corajosamente é defender a propriedade privada e uma liberdade econômica, ambas para seu próprio bem e porque elas são meios para atingir grandes fins.

Esses grandes fins são mais do que econômicos e políticos. Eles envolvem dignidade humana, personalidade humana, felicidade humana. Eles envolvem até mesmo o relacionamento entre Deus e o homem. Pois o coletivismo radical de nossa época é ferozmente hostil a qualquer outra autoridade: o radicalismo moderno detesta a fé religiosa, a virtude privada, a individualidade tradicional e a vida de satisfações simples. Tudo o que vale a pena ser conservado está ameaçado em nossa geração. A mera oposição negativa e irracional à corrente de acontecimentos, agarrando-se com desespero ao que ainda mantemos, não será suficiente nesta época. Um conservadorismo de instinto deve ser reforçado por um conservadorismo de pensamento e imaginação.

Original adaptado de The Intelligent Woman’s Guide to Conservatism (New York: The Devin-Adair Company, 1957).
Do Russell Kirk Center.
Tradução: José Junio Souza da Costa


Fonte: Blog O Seringueiro

NOVA ORDEM MUNDIAL: RELATIVISMO MORAL E NEO-PAGANISMO PÕEM EM RISCO SOBREVIVÊNCIA DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL.





Embora seja ateu jamais descartei a importância da moral judaico-cristã na configuração da civilização ocidental. Creio que a maioria dos valores morais e éticos que deram forma a uma visão de mundo predominane no Ocidente deriva desses dois ramos do pensamento humano de raiz religiosa. Seria ocioso imaginar a civilização ocidental e seu apreciável desenvolvimento e organização social sem o contributo decorrente dessas duas vertentes.

No vídeo acima o Padre Paulo Ricardo, faz a abordagem de uma questão que é real e ameaçadora à civilização ocidental. Alude a um livro que traz ao debate a denominada Nova Ordem Mundial que tem na ONU e em organizações civis como fundações, ONGs, e os tais "think tanks", os veículos de difusão de um relativismo moral e ético que, através de um sutil jogo semântico, avança no sentido de impor essa nova ordem em nível global. Esse relativismo moral postula uma espécie de neo-paganismo que reduziria o ser humano a um intruso que estraga a festa da natureza, como se ele próprio, o ser humano, não fosse produto dessa mesma natureza.

Parte dessa sinistra construção mental já é expressada pelo pensamento politicamente correto e se materializa, por exemplo, no fanatismo ecológico, responsável pela criação de conceitos completamente idiotas como o de "sustentatibilidade", algo improvável do ponto de vista da física.
Ao reduzir os seres humanos a desprezíveis intrusos assesta-se um golpe mortal no seu bem maior, que é a liberdade. E mais ainda, no seu direito à vida e à procriação.

Na resta nenhuma dúvida que o triunfo da Nova Ordem Mundial tem por fim último a questão de ordem política, isto é, a luta pelo poder e sua manutenção dentro de um novo patamar institucional de viés globalizante que desmonta todos os mecanismos democráticos e a soberania das Nações.

É um assunto que vinha sendo cinicamente ridicularizado justamente por aqueles que estão imbuídos desse nesfasto propósito de destruir a civilização ocidental. Até há pouco tempo falar sobre a Nova Ordem Mundial era alimentar mais uma teoria conspiratória.

Entretanto, as coisas ficam cada vez mais claras. Tudo indica que o mundo caminha para uma conflagração global, porém não mais no modelo das guerras convencionais. Este confronto já está ocorrendo no plano da cultura atravéz de uma lenta lavagem cerebral que modifica, anula ou cria novos conceitos. No lugar de "liberdade" aparece algo como "sustentabilidade"; no lugar dos "direitos individuais", sugere-se os "coletivos".

Na medida em que se anula os direitos individuais atomizando-os nos "coletivos", tem-se o fim da liberdade e da democracia, porque a sede da liberdade é o indivíduo. O coletivo degenera a individualidade. No coletivo ninguém é livre, porquanto está sujeito a uma deliberação induzida por uma camarilha dirigente. Há sempre alguém que conduz a assembléia, não é mesmo?

Esta aí portanto um tema para ser pensado e debatido. O vídeo do Pe. Paulo Ricardo e o livro que ele sugere podem ser um bom começo, por que não?


Fonte: Blog do Aluízio Amorim

Candidatos à Presidência dos Estados Unidos, Obama e Romney falam sobre fé pela primeira vez na campanha




O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o pré-candidato presidencial republicano, Mitt Romney, falaram pela primeira vez durante a campanha eleitoral sobre sua fé religiosa.

Em entrevista divulgada nesta terça-feira pela "Cathedral Age", revista trimestral da Catedral Nacional de Washington (comunhão anglicana), Romney, ex-governador de Massachusetts, que é mórmon, afirmou que a fé é "uma parte integral" de sua vida e contou sobre os serviços que presta em sua igreja.

"Minha fé se baseia na convicção de que uma das consequências de nossa humanidade é a responsabilidade que devemos ter uns com os outros", explicou o republicano. Para Obama, que se declara cristão, sua fé o faz consciente de que é "amado" por Deus.

A revista, que tem uma tiragem de 30 mil exemplares, apresentou um questionário de oito perguntas idênticas a ambas campanhas e publicou as respostas na íntegra dos dois candidatos à Presidência.

"Em primeiro lugar, minha fé cristã me dá uma perspectiva e uma segurança que não acho que pudesse ter de outra maneira: sou amado. No final, Deus é quem tem o controle, e minha principal responsabilidade é amar a Deus com todo meu coração, alma e mente, e amar a meu próximo como a mim mesmo", disse o atual presidente.

Obama ressaltou além disso que sua fé cresceu durante o exercício da Presidência. "Este escritório tende a fazer com que a pessoa reze mais, e como o presidente Lincoln disse uma vez: ''me coloquei de joelhos muitas vezes pela arrasadora convicção de que não tinha outro lugar para ir", acrescentou.

A revista pediu a cada candidato que citasse sua passagem favorita das Escrituras, uma oração ou outras "palavras de sabedoria". Romney citou o Evangelho de São Mateus: "porque tive fome, e me destes de comer, tive sede, e me destes de beber; fui estrangeiro, e me acolhestes; estive nu, e me vestistes".

Por sua vez, Obama citou os versículos do profeta Isaías 40:31 e o Salmo 46, que começa: "Deus é nosso amparo e fortaleza, nosso breve auxílio nas tribulações", verso que leu no 10º aniversário dos atentados de 11 de setembro.

No domingo, Obama e Romney assistiram a ritos religiosos com suas famílias - o presidente na Igreja Episcopal de San Juan, em frente à Casa Branca, e o republicano em uma reunião sacramental na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Wolfeboro, no estado de New Hampshire.



Fonte: EFE/ Blog Libertos do Opressor

Estudo afirma que cultos se assemelham ao efeito das drogas para o cérebro



Um estudo divulgado recentemente pela Universidade de Washington, afirma que a participação em cultos em megaigrejas pode desencadear experiências transcendentais, que gerariam mudanças químicas no cérebro, assim explicou James Wellman, um dos autores da pesquisa, “Nós vemos essa experiência de pura alegria ser comum nas megaigrejas. Por isso digo que é como droga”.

A afirmação já bem no próprio no me do estudo, “God is like a drug: Explaining Interaction Ritual Chains in American Megachurches” (Deus é como uma droga: Explicando cadeias de interação ritual em megaigrejas), que foi apresentado na reunião anual da Associação Americana de Sociologia, em Denver.

A doutora Katie Corcoran, co-autora do estudo, explicou que outros tipos de experiências compartilhadas causam euforia, tais como eventos esportivos e shows, porém, “as igrejas parecem ser algo único, onde esses sentimentos não são apenas experimentados como euforia, mas sim como algo transcendente ou divino”.

Segundo explica Katie, essa experiência libera a oxitocina, uma substância química que estimula a interação social. No caso das megaigrejas, “a música moderna com letras otimistas, câmeras que mostram no telão uma audiência sempre sorridente, dançando, cantando ou chorando, além de um líder extremamente carismático, cujos sermões deixam as pessoas sensíveis ao toque do ponto de vista emocional… servem para criar essas fortes experiências emocionais positivas”, finaliza a doutora.


Fonte:Redação Gospel+

Prisão de luxo na Noruega


Fábio Ramalho


http://noticias.r7.com/blogs/fabio-ramalho/2012/08/23/prisao-de-luxo-na-noruega/


Não se engane. As fotos parecem ser de uma casa confortável, com decoração requintada e certos luxos, como televisão de plasma, computador de tela plana e alguns equipamentos de academia. Mas não é bem assim. As imagens divulgadas esta semana são de uma prisão norueguesa que fica nos arredores de Oslo, capital e maior cidade do país.

Prisão com luxo e requinte: repare a televisão de plasma no lado esquerdo. / Foto: Agnews.

A cela foi totalmente reformada e adaptada para um “hóspede” polêmico: o extremista Anders Behring Breivik. Anders ficou conhecido como o matador norueguês que executou 77 pessoas. Oito das vítimas morreram em um atentado com carro-bomba e os demais - adolescentes, na grande maioria - foram mortos à tiros em um acampamento.

A defesa? Anders se diz inocente e alega legítima defesa. Vou repetir: legítima defesa por matar 77 pessoas. Os devaneios do acusado o fizeram chegar à corte sorrindo. Sorrindo e com uma saudação no melhor estilo facista, com punhos fechados.

Computador sem internet. Medida para evitar "contato com mundo exterior". / Foto: Terra.

Não precisa dizer muito para se perceber que se não for condenado simplesmente como assassino, o norueguês ainda assim será encarcerado no mesmo “xadrez de luxo” por sofrer de severos problemas psiquiátricos. “Essa pessoa é doente e não um criminoso comum” - disse um jurista europeu sobre o caso.

Enquanto a imprensa norueguesa discute e aguarda o final desse julgamento que se estende por toda a semana, me questiono daqui, do outro lado do mundo: eles que oferecem conforto demais ou nós é que não sabemos cuidar dos nossos psicopatas tupiniquins?

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Fonte: Portal R7

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Uma forma particular de sadismo


Ramonet: insistência dos dirigentes europeus no sofrimento social inspira-se em Schumpeter — mas assemelha-se curiosamente às ideias do Marquês de Sade

Por Ignacio Ramonet* | Tradução: Hugo Albuquerque | No Outras Palavras

Sadismo? Sim, sadismo. Como chamar de outra forma a complacência com aquilo que humilha as pessoas e as faz sofrer? Durante estes anos de crise, temos assistido — na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e outros países da União Europeia (UE) — à impediosa aplicação do ritual de punição “austeritária” exigido pela Alemanha, o que tem provocado um crescimento exponencial dos flagelos sociais (desemprego, pobreza, mendicância, suicídios).

Apesar disso, Angela Merkel e seus aliados continuam a afirmar que sofrer é bom e que, ao invés de suplício, o ato deveria ser considerado um instante de prazer… Segundo eles, cada nova expiação nos purificará, nos regenerará e nos aproximará do fim da tormenta. Essa filosofia da dor não se inspira no Marquês de Sade, mas sim nas teorias de Joseph Schumpeter, um dos pais do neoliberalismo, segundo o qual todo sofrimento social responde a um necessário objetivo econômico; e será errado, em consequência, amenizar o suplício, mesmo que ligeiramente.

Eis que Angela Merkel entra em cena como Wanda, a dominadora, encorajada por um coro de fanáticas instituições financeiras (Bundesbank, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional…) e por todos os eurocratas sectários habituais (José Luís Barroso, Von Rompuy, Olli Rehn, Joaquin Almunia…). Todos apostam na existência de um masoquismo popular, que empurraria os cidadãos não apenas à passividade, mas a clamar por mais punições e mortificações — ad maiorem Europa gloriam [Para maior glória da Europa, trocadilho com ad maiorem Dei gloriam, lema dos jesuítas (Nota da Tradução]. Sonham realmente em administrar os povos por meio daquilo que a polícia chama de “golpe do boa-noite cinderela” — isto é, fazer uso de substâncias capazes de eliminar total ou parcialmente a consciência das vítimas, deixá-las sem forças para, enfim, torná-las marionetes nas mãos de seus agressores. Mas devem tomar cuidado, porque as massas começam a rugir.

Na Espanha, por exemplo, onde o governo conservador aplica políticas selvagens de austeridade ao limite do sadismo [1], as manifestações de descontentamento social se multiplicam. Neste momento, o país se encontra (com a Grécia) no coração da crise financeira mundial. O presidente do governo, Mariano Rajoy, e sua equipe econômica têm dado, ao longo dos últimos meses, a impressão de avançar sem bússula. Dirigem a crise bancária com uma evidente falta de jeito, notadamente por deixar ocorrer a falência do Bankia e por praticar o negacionismo mais limítrofe, a propósito do plano de resgate europeu dos bancos espanhóis, que o ministro da economia local, Luis de Guindos, apresenta como a concessão de uma simples linha de crédito, que não afeta em nada o déficit público [2].

De fato houve, depois, a Cúpula Europeia de 28 e 29 de Junho — uma pressão conjugada da França, Itália e Espanha a fim de aceitar que o novo Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) possa emprestar diretamente aos bancos europeus em dificuldade (notadamente os espanhóis), sem que essa ajuda onere a dívida soberana dos Estados. Em contrapartida, contudo, os Estados deverão aplicar políticas severas de ajuste e austeridade exigidos pela UE, e ceder uma parte de sua soberania em matéria orçamentária e fiscal.

Berlim quer se beneficiar do choque causado pela crise, e de sua posição dominante, para alcançar um velho objetivo: integração política da Europa de acordo com as condições alemãs. ”Nosso projeto hoje — declarou Merkel num discurso no parlamento alemão, o Bundstag [3] — é atingir o que não foi feito (quando o euro foi criado) e acabar com o ciclo vicioso da dívida infinita e da não-aplicação das regras. Eu sei que isso é duro, doloroso. É uma tarefa hercúlea, porém indispensável”.

Se o chamado “salto federal” ocorrer, e se a Europa avançar rumo a uma maior união política, isso significará, para cada Estado-membro da UE, renunciar a novos elementos de sua soberania nacional. Uma instância central poderia intervir diretamente para ajustar o orçamento público e fixar os tributos de cada Estado, em nome dos compromissos europeus. Quais países estão dispostos a abandonar sua soberania nacional? Porque, se ceder certos aspectos da soberania é inevitável, em um processo de integração como a União Europeia, é necessário dizer também que não se deve confundir federalismo com neocolonialismo… [4]

Nos países da UE atualmente sujeitos aos planos de resgates, essas perdas de soberania já são uma realidade. Sobre a Espanha, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, também disse que a “troika” (BCE, Comissão Europeia e FMI) irá controlar a reestruturação do sistema bancário[5]. Será que isso mudará depois da decisão adotada na Cúpula Europeia de 28 e 29 de Junho últimos?

Isso é provável porque, como têm apontado os economistas Niall Ferguson e Nouriel Roubini: “A estratégia de recapitalizar os bancos, forçando os Estados a tomar emprestado dos mercados nacionais de bônus — ou do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) — foi desastrosa para a Irlanda e Grécia, pois isso causou uma explosão da dívida pública e tornou os Estados ainda mais insolventes. E, ao mesmo tempo, os bancos tornaram-se eles mesmos um risco incontrolável, na medida em que passaram a deter uma parcela ainda maior da dívida pública”[6].

Se isso não funcionou, por que persistir com essas políticas “de austeridade” por tantos anos? A inquietação das sociedades tem conseguido retardar o sadismo econômico encarnado pela Alemanha. Mas por quanto tempo?

* Ignacio Ramonet é presidente da Associação Memória das Lutas (Medelu) e editor do Le Monde Diplomatique, edição espanhola.


Fonte: Site Sul 21

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Correntes na rede: ingênuas e inúteis



Marcelo Pellegrini

O fenômeno das mensagens virais na internet, as chamadas correntes, é um velho conhecido dos internautas. Elas surgiram quando os e-mails eram ainda a principal forma de comunicação na web. Nesta época, as correntes eram variadas e com diversos efeitos musicais e de animação. Seu conteúdo se preocupava em reproduzir desde ensinamentos religiosos, udenismo político até piadas de humor raso e pedidos de doação.

O ato de compartilhar as mensagens faz parte da criação da identidade virtual do usuário, segundo a psicóloga

Com a popularização das redes sociais (primeiro o Orkut e agora o Facebook), as correntes migraram de plataforma, mas mantiveram a “pegada”: com idas e voltas, elas ainda são presença constante na timeline dos usuários da rede.

Apesar da boa vontade dos internautas, a psicóloga especialista em comportamento de internautas Andrea Jotta aponta problemas na cultura do compartilhamento. “Há uma falta de julgamento para entender que compartilhar uma informação não é algo simples. Isso não pode ser feito sem questionamento”, critica.

Segundo ela, a maioria das correntes nasce de uma brincadeira (trollagem, segundo o vocabulário virtual). Dessa forma, algo que não é real ganha contornos verdadeiros e é repassado por pessoas que compartilham conteúdos de fontes desconhecidas.

O usuário deve entender que o que ele compartilha afeta as pessoas de sua rede. Foto: Goiaba/Flickr


O último exemplo desse tipo de distorção é a imagem de uma garota que possui “lapitospirina” e por isso precisaria de ajuda.

A forma de colaborar é simples e cômoda: basta compartilhar a foto. Segundo a imagem, a cada compartilhamento, o Facebook doaria 10 centavos para a família da criança.

A verdade, no entanto, é que não existe nenhuma doença chamada “lapitospirina”.

Além disso, segundo a assessoria do Facebook, a empresa não ajuda com nenhuma doação vinculada a número de compartilhamentos. Ou seja, a corrente foi uma grande trollagem.

A velocidade com que a imagem se espalhou pelas redes socias se explica, segundo Jotta, por uma chantagem emocional que muitas das correntes carregam. “Em muitas correntes se lê a frase ‘se você não fizer isso’ ou ‘ajudem’. O que, em certa medida, funciona muito mais como uma chantagem emocional do que como altruísmo”, conta.

Uma das últimas correntes a se espalhar pelas redes sociais possui nome de doença que não existe

Por outro lado, diz ela, o hábito de compartilhar esse tipo de informação não pode ser entendido como algo ingêuo. “Os ingênuos são uma parcela mínima, a maioria das pessoas segue um movimento de massas para trabalhar a sua identidade na rede”, afirma a psicóloga Andrea Jotta. “Na maior parte das vezes, a questão não se coloca como ‘eu quero fazer o bem’, mas muito mais como algo no sentido de ‘eu tenho medo de ser visto como alguém que não faz o bem’”, explica.

Hoje, a única forma de denunciar as correntes falsas ou que carregam vírus é denunciá-las como spam ou como abusivas por meio de botões presentes no Facebook e no Orkut. No entanto, para a psicóloga, não há ferramenta mais eficiente do que o discernimento do internauta. “O usuário deve entender que o que ele compartilha afeta as pessoas de sua rede, por isso deve vetar conteúdos suspeitos e de fontes duvidosas”, conclui.


Fonte: Site Carta Capital