quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Sobre Ler e Escrever


Imagem: Goole

 Publicado por Roberto Tostes

 Todo esforço de uma palavra ou página está num livro. Desfolhamos vida, peles, membranas e camadas antigas.

 Começar um livro é muito bom. Os primeiros parágrafos e páginas podem ser sempre mágicos. Entrar pelas folhas é abrir uma nova porta ou janela e descortinar uma paisagem, um novo mundo desconhecido. Tudo parece novo, chão, ares, cheiros, sons, cenários.

 Na textura do papel tateamos as páginas com nossos dedos e emoções, vamos decifrando as sensações e ideias de quem a escreveu, um processo que nos devora lentamente e muitas vezes nos engole vivos.

 Certos livros são tão apaixonantes que devem ser lidos da forma mais confortável possível: no sofá, na cama, na rede. Com atenção total, desligando tudo em volta. Só assim conseguimos nos entregar e mergulhar sem pensar em um mundo do qual não queremos sair.

 Até terminar um bom livro nos alegra, mesmo se o desejo era ainda ouvir suas palavras e personagens. O gosto e a saudade de ter terminado nos acompanham durante um tempo. Ler é viver. Viver é ler.

 Quando lemos escrevemos alguma coisa em nossas mentes e corações. E quando escrevemos também relemos algo, sinais do mundo que nos marcam e não nos largam. Com as palavras vamos decifrando pessoas, ambientes, barulhos e vozes que tentamos recriar como ficção.

 Quando escrevemos a memória pode ser um cinema mágico – num tempo lento, brilhante e com cores muito vivas: podemos nos empolgar e nos concentrar sem cansaço durante horas ou dias debruçados sobre diálogos, pensamentos, descrições, devaneios, memórias.

 Tudo por muito esforço e algumas poucas frases que nos satisfaçam, palavras, parágrafos e muitas emoções que encontram seu destino em poesia, conto, crônica ou um texto qualquer.

 Escrevemos para vivenciar de novo o que vivemos mas queremos sentir de novo. Escrevemos para procurar dentro de nós mesmos algo que não sabemos, não lembramos ou descobrimos. Nossos acontecimentos e tudo à volta, pessoas e coisas.

 Quem escreveu e terminou de produzir algo deseja muito que outras pessoas leiam. Escritores e leitores, estamos todos perdidos no mesmo misterioso universo de palavras e textos que nos cercam.

 Escrever e Ler são dois lados que se complementam na mesma moeda.

É muito importante entender o segredo do que mantém este fogo da linguagem aceso por centenas de anos de escrita: 

Não basta apenas ler e escrever:
Leia como quem Escreve.
Escreva como se estivesse Lendo.


 Fonte: Site Livros só mudam pessoas

Crimes do livro digital


Luis Antonio Giron, na Época

  Por que as más edições de e-books prejudicam o leitor e desmoralizam o mercado

Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)

 Leitores digitais como o Kobo e o Kindle começam a ganhar popularidade no Brasil. Agora o leitor tem acesso aos catálogos nacionais – e um possível revolução nos hábitos de leitura está em curso. Mas nem tudo é positivo nesse processo de transmigração do texto do papel às telas, da tinta para a tinta digital. As edições ruins, suspeitas ou simplesmente vagabundas de e-books começaram a proliferar. O consumidor é a vítima, mas essas edições colaboram em desmoralizar uma das indústrias de cultura mais veneráveis: a do livro. Nem mesmo nos tempos dos incunábulos, do século XIV ao XVII, abriu-se tanto espaço para aventureiros que se fazem passar por editores. Na realidade, não passam de piratas que vendem caro o que já se encontra gratuitamente nos sites de domínio público.

 Por isso, o leitor deve tomar cuidado com aquilo que os sites de vendas de e-books andam exibindo. Muitas vezes , as livrarias digitais vendem gato por lebre. Há livros baratos de conteúdo aparentemente incontestável que se revelam decepcionante tão logo o comprador os lê. Aquilo que se anunciava como uma experiência de leitura interessante não passa de um amontoado de arquivos ilegíveis.

 Um dos e-books mais vendidos no Brasil exemplifica a indigência do novo mercado digital. Trata-se das Obras de Machado de Assis. Está em quinto lugar em vendas nacionais, na lista publicada por Época, e é o campeão do site da Livraria Cultura, representante do Kobo no Brasil. No site da Cultura, Machado de Assis está até mesmo à frente da trilogia erótica Cinquenta tons de cinza, de E.L. James. O preço ajuda. Por apenas R$ 1,93, o leitor pode possuir tudo o que Machado produziu. Claro que não é nem bem assim, nem assim. O e-book, produzido por uma editora obscura – Samizdad Express, com sede sabe-se lá onde – não informa em que fontes se baseou para reunir indiscriminadamente crônicas, romances e contos, ao todo 26 livros. O volume se encerra com uma peça de Machado, Tu, só tu, puro amor, datada de 1880. Por quê? Ninguém explica.

 A edição não apresenta os critérios que deveriam envolver conhecimento no assunto – ou, no mínimo, uma técnica para disfarçar a ignorânica. Há erros gritantes de grafia. O próprio título, quando aparece pela primeira vez, está grafado assim: “Obras de Machao de Assis”. Nem mesmo o novo Acordo Ortográfico é respeitado: tremas, hífens e outras gralhas atrapalham qualquer jovem que queira se iniciar – ou se reiniciar – no português correto. Além disso, o editor anônimo ousa transcrever um trecho curto da biografia de Machado já publicada na Wikipédia – site cujas informações são mais que questionáveis. Pior ainda é que o livro é quase ilegível. O índice não oferece links para os livros e, no instante em que o leitor cai em uma determinada página, torna-se a versão atual de Teseu no meio do labirinto. O e-reader trava. Até agora, no instante em que escrevo esta crônica, não consegui voltar ao início do ebook. Dá saudade de folhear um livro de papel, assinado por especialistas e fáceis de manusear.

 Ora, o problema se repete em outras obras em domínio público, tanto nacionais como estrangeiras. A edição das Obras completas de José de Alencar, publicada pela Montecristo Editora, com sede em São Paulo, é ainda pior que a Samizdad. Os organizadores, igualmente anônimos, transformam os romances de José de Alencar em um monturo indistinto de material textual. Em que edição se basearam? Não informam. Não há uma biografia do autor, notas de rodapé nem qualquer outro tipo de informação básica. A sinopse publicada no site da Livraria Cultura sobre as “obras completas de José de Alencar” é a seguinte: “O Haras Personal corre o risco de ter o plantel liquidado, vendido para outras pessoas que não são da família. Três moças precisam provar que são capazes de gerir a herança que são os quarenta e um cavalos.” O preço de toda a obra de Alencar é uma barbada (R$ 9,99), mas o que o leitor recebe é um lixo. Um crime. E assim ao infinito.

 Já comprei obras “completas” de grandes autores em inglês e francês, como Marivaux, Henry James e Wilkie Collins, e me arrependi de pagar pouco para receber quase nada. Fui enganado. Evidentemente, poucas pessoas irão reclamar, já que o preço é baixo. E, cá entre nós, quantos leem o que compram? O que vale é a satisfação do colecionador de “possuir” uma obra completa. Alguém que me lê agora já tentou dar conta das obras de Machado e Alencar e tantos outros grandes autores em e-books? Pois é. Poucos. A única saída é opinar nos próprios sites, distribuindo notas baixas e reclamações.

 A pressa e a cobiça se tornaram as maiores inimigas do livro digital. Isso para não falar da pirataria propriamente dita, que corre solta.

 Minha dica de leitor escaldado é óbvia: vale mais a pena pagar mais caro por edições digitais de editoras reconhecidas – como a Penguin, excelente no campo da erudição – do que se jogar em obras completas maltratadas por oportunistas. No caso dos textos clássicos, a melhor opção está em procurá-los nos sites de domínio público, como OpenLibrary.org, Gutenberg.org e Archive.org. Ali, é possível encontrar boas edições antigas de obras primas universais ou de textos desconhecidos. O único problema é a formatação do texto, que pode vir repleto de irregularidades. E, por favor, não se livre ainda de seus queridos livros em papel. Nada ainda se compara a eles.

 A mudança nos hábitos de leitura proporcionada pelos leitores digitais deve ser acompanhada por uma atenção redobrada com o material que lemos. Caso o leitor não vigie o que está sendo publicado digitalmente, correrá o risco de cair em uma nova modalidade de barbárie. Ou, como eu, de travar para sempre no mesmo capítulo.



 Fonte: Site Livros só mudam pessoas

No Brasil, livro é produto de elite, diz entusiasta dos e-books


Leonardo Pereira, no Olhar Digital

  Campus Party proporciona discussão sobre futuro do mercado editorial e como o digital se adapta a isso

Leonardo Pereira/Olhar Digital

 A Campus Party criou uma situação curiosa ao promover um debate sobre livros digitais no palco que leva o nome de Johannes Gutenberg. Foi ele o inventor da impressão por tipos móveis, que possibilitou o desenvolvimento da imprensa e revolucionou o setor editorial no mundo. Nesta quarta-feira, 30, ao comentar a coincidência, o consultor editorial Carlo Carrenho, do Publishnews, disse que ela é mais do que oportuna, pois o alemão promoveu um momento de ruptura na história da humanidade – basicamente o que acontece hoje em relação ao mercado editorial.

 Assim como a invenção de Gutenberg, o livro digital leva informação a quem tem dificuldade de obtê-la. Antes dos tipos (basicamente carimbos em formato de letras), a cultura escrita era extremamente restrita, mas passou a se abrir porque a reprodução foi facilitada; com os e-books é a mesma coisa: o consumidor não precisa esperar que a obra recém-lançada chegue à livraria mais próxima. Porque ele nem precisa da livraria.

 Este cenário, obviamente, incomoda livrarias, distribuidoras e transportadoras, que veem uma clara ameaça aos negócios. “Nenhum dos principais players do mercado ganha dinheiro com livro digital, pelo contrário, tem muita gente perdendo”, disse Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, em que 3% das vendas de livros já correspondem a obras em formato digital.

 Segundo Hubert Alquéres, vice-presidente de Comunicações da Câmara Brasileira do Livro (CBL), todos os envolvidos no setor editorial estão focados no digital, ainda mais depois da chegada de Amazon e Google e do lançamento do Kobo pela Livraria Cultura. “Se o Brasil estava ainda muito cauteloso de entrar nesse mundo, percebe-se que agora é um caminho sem volta.”

  Democratização da leitura

 Os dados mais recentes da CBL dizem que o preço médio do livro no Brasil é de R$ 10 – em 2011, quando foram vendidos 470 milhões de exemplares, o mercado faturou R$ 4,8 bilhões. Sergio, então, fez as contas: um tablet bem básico pode ser comprado por R$ 400, portanto, 40 obras já valeriam o investimento. O problema, comentou, começa na questão da durabilidade: “O tablet, na mão do aluno, dura seis meses. O livro impresso dura dez.”

 Além disso, a banda larga brasileira não é das melhores e a penetração é muito baixa, sem contar o fato de que a parcela da população com acesso doméstico ao computador ainda é baixa. Mas nada disso convenceu Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais do Grupo Gol.

 “Livro no Brasil é produto de elite. Há em Buenos Aires (Argentina) mais livrarias do que no Brasil inteiro, e sabe quanto vai custar um device daqui a alguns anos? R$ 100”, disse ele, lembrando que embora grupos como o comandado por Sergio façam “esforços legítimos” em prol da difusão da leitura, o ideal é o digital, que por não ter empecilhos físicos teoricamente chega a todos os cantos. “Vivemos um divisor de águas, estamos diante de um fato novo, inegociável.”

  A briga do device

Há dois anos, antes que os gigantes olhassem para cá, a Vivo e o Grupo Gol lançaram a Nuvem de Livros, que disponibiliza obras a clientes da operadora por uma assinatura semanal. O modelo dispensa o uso de um Kobo ou Kindle e Roberto garante que o brasileiro pulará uma etapa ao adquirir o tablet, ao invés do e-reader, outra hipótese que desagrada livrarias.

 Sergio, da Cultura, afirmou que aparelhos como iPad dificultam a concentração, deixam a leitura mais lenta e comprometem a absorção do conteúdo. Por outro lado, Roberto atacou que os e-readers servem, na realidade, para fidelizar o consumidor e fazer com que ele compre produtos ou serviços mais caros futuramente. A Amazon, por exemplo, poderia usar o cadastro de quem adquiriu livros para oferecer televisores.

 Com o tablet você baixa o formato que quiser e pode comprar obras interativas, vídeos, jogos e outros tipos de aplicativos. “Para o brasileiro que lê dois livros por ano não faz sentido ter um leitor digital”, disse Carlo, do Publishnews. Mas um aparelho específico pode ajudar a prender o cliente por limitar os formatos de arquivo que podem ser lidos ali, criando um cenário parecido com o que instituiu o iTunes quando o MP3 foi popularizado.

 Quando a Apple fez com que a música digital caísse no gosto das pessoas, a indústria fonográfica levou uma chacoalhada. As primeiras a sentirem o impacto foram as empresas maiores, o que deve ocorrer com o mercado editorial. Se o brasileiro pular direto para o tablet, não há como força-lo a comprar de uma loja específica.

  Impresso tem futuro?

 “O livro impresso ainda vai durar um tempo; alguns tipos, como os de arte, existirão sempre – por outro lado, os digitais vão tomar cada vez mais espaço”, opinou Carlo.

 Para ele, as editoras não serão impactadas, desde que façam apenas seu serviço original. ”O que acontece é que muitas editoras viraram distribuidoras, e como a ruptura é na distribuição, essa editora está com problema, porque o autor agora publica direto, sem passar por ninguém. As editoras que souberem fazer a transição estão salvas.”

 Hubert, da CBL, acredita que no futuro o mercado será reorganizado de forma que existam grandes empresas de conteúdo – “se vai ser para impresso ou digital, não importa”. O papel deve continuar forte, mas sem ser o principal meio de consumo; tanto que até o governo, principal comprador de livros do país, já está migrando para o digital (saiba mais aqui). Segundo ele, como o brasileiro tende a se apegar rapidamente a novas tecnologias – como aconteceu com celular ou as eleições, hoje totalmente eletrônicas -, o e-book deve se consolidar rapidamente.

  Mais leitores

 Pesquisas dizem que pessoas que compraram e-readers ou passaram a consumir obras em formato digital começaram a ler mais por causa disso. Outras afirmam que quem não era leitor, se tornou um. Nada disso, porém, garante que essa novidade pode fazer com que o brasileiro leia mais.

 Há, de acordo com Carlo, um fator determinante: a cultura. E ela só mudaria em corrente. “O que é mais determinante para criar um leitor é pai e mãe”, ressaltou. “Ter pais que leem forma leitores.”



Fonte: Site Livros só mudam pessoas

Como Fernando Pessoa pode mudar a sua vida?


Bruna Chagas, no Livros e Afins

 Certa vez, uma professora muito querida de semiótica, na empolgação da aula, parou alguns instantes, olhou para a turma e contou uma situação que nunca mais me saiu da cabeça: um casal de amigos se casou por causa de Fernando Pessoa. É isso mesmo. O rapaz se apaixonou pela moça assim que ela declamou o enorme, porém belíssimo, poema Tabacaria, do heterônimo Álvaro de Campos, só que num lugar bastante inusitado: um bar, no meio daquela agitação maluca, música alta, bebida, muita gente. Eles se descobriram enamorados e desde lá nunca mais se separaram.


A história parece até simples e seria algo fácil se Tabacaria fosse apenas um soneto, mas não é bem assim. Não é pelo tamanho do poema que se pode dar o crédito ao poeta (ele tem mais de 15 versos e está no final do post). E sim pela qualidade da poesia contida naquele texto. Os poemas de Pessoa são instigantes, misteriosos e vão além de qualquer poema já lido antes. E, por isso, pelas intervenções da sua poesia, foi possível levantar essa questão: como o poeta de Orpheu poderia mudar a sua vida?!

 Vamos aos fatos: Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi um poeta singular, um dos maiores gênios literários que já caminhou neste mundo. Nasceu em Lisboa em 13 de junho de 1888 e morreu em Lisboa, no dia 30 de novembro de 1935. Foi jornalista, tradutor e crítico literário. Fundou a revista Orpheu em 1915 e teve como grande amigo Mário de Sá Carneiro. Mas nada foi tão importante quanto a criação de vários poetas ao mesmo tempo.


Os heterônimos (não são pseudônimos) foram sua maior contribuição para a humanidade, cada um com sua biografia, traços diferentes de personalidade e ainda características literárias distintas. Cada heterônimo possui seu próprio mundo, representando o que angustiava ou encantava o seu autor. Foram cerca de 72 heterônimos, mas em 2011, o biógrafo brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho revelou que na verdade são 127 ao todo. Os três mais importantes e significativos são:


Alberto Caeiro (meu preferido) é o mestre de todos os heterônimos. Nasceu em 1889, mas não era formado, só tinha o primário. É o poeta que pensa com os sentidos. Por isso, sensacionista. É poeta do campo, das coisas mais simples e belas do mundo. Para ele o mundo não encerra mistérios, como Deus, metafísica, “sentido último das coisas”. Nada disso importa. As coisas são apenas as coisas. E é esta realidade pura, sem símbolos que constitui a sua criação. Segue um trecho do Guardador de Rebanhos:

 “Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
 Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
 A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
 Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

 Mas a minha tristeza é sossego
 Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
 Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.”


Álvaro de Campos nasceu em 1890, era engenheiro, é o poeta modernista, que escreve as sensações da energia e do movimento bem como, as sensações de “sentir tudo de todas as maneiras”, pela experiência do tédio e da desilusão, até um pouco pessimista:

 “Grandes são os desertos, e tudo é deserto / Grande é a vida, e não vale a pena haver vida e da fadiga/O que há em mim é, sobretudo cansaço – / Não disto nem daquilo, / Nem sequer de tudo ou de nada: / Cansaço assim mesmo, ele mesmo, / Cansaço.”

 Em Tabacaria, o poeta trata da angústia com o cotidiano e dos sonhos de libertação ao mesmo tempo e isso é um exemplo do quanto esses versos foram vitais para o casal do conto de fadas moderno que foi citado no início deste post. Talvez a moça em questão tenha conseguido se libertar da angústia do amor até o momento, não correspondido, e enfim realizado um sonho, quem sabe?! (só uma ideia)


Ricardo Reis nasceu em 1914, era médico e é o poeta clássico, inspirado na poesia latina. Escrevia suas obras de maneira simétrica e harmônica, sempre com a razão. E como disse um professor de Literatura Portuguesa II, Fernando Pessoa – o Ortônimo era movido pela imaginação, por isso tantos heterônimos.

 De uns tempos para cá, Fernando Pessoa, bem como seus heterônimos, tem se tornado popular nessa nova geração por meio de compartilhamentos na internet via Facebook ou Twitter. Não importa o meio, ele sempre é citado. E isso não é ruim, não. É muito bom, pois cada heterônimo com seu modo de sentir e expressar o que o incomoda na vida, só faz aproximar os novos leitores, que no fim vão se interessar pela obra do português e buscá-lo a qualquer hora, a qualquer momento e lugar.


E o que fica para os leitores do Livros e Afins é que Pessoa sempre vai mudar a vida de alguém, não importa o tempo, idade, raça, sexo ou credo. Há um poeta (ou vários no caso de Pessoa) em cada um de nós e para cada um de nós, basta saber usá-los. Segue alguns versos de Tabacaria, inspirem-se:

 TABACARIA

 Não sou nada.
Nunca serei nada.
 Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

 Janelas do meu quarto,
 Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
 Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
 Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
 Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
 Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
 Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

 Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
 De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

 Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
 Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

 Falhei em tudo.
 Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

 (ainda há inúmeros versos: deixo aqui o leitor na curiosidade para procurar a continuação do poema)

 Álvaro de Campos, 15-1-1928


 Fonte: Site Livros só mudam pessoas

Uma espiada nos livros do ‘Big Brother Brasil 13’


Fani encara o “Grande mentecapto”, de Fernando Sabino Terceiro / Reprodução/TV Globo

 Entre a autoajuda e a religião, leitura funciona como indicador dos perfis dos participantes reality

 Leonardo Cazes, em O Globo

 RIO – Se alguém o convidasse para passar até três meses confinado numa casa e fosse possível levar apenas um livro, qual você escolheria? “Ulisses”, de James Joyce, com suas 912 páginas? Ou algum dos tijolaços da série “Crônicas de Gelo e Fogo” (Leya), de R.R. Martin, em que é baseada a série de TV “Game of Thrones”?

 Os participantes do “Big Brother Brasil” precisam responder a esta (angustiante) questão, já que a produção só permite que eles levem um livro para o confinamento. E, normalmente, as escolhidas são publicações de autoajuda, com mensagens motivacionais e estratégias para vencer no jogo, ou então religiosos.

 Nesta edição, a veterana Fani foi flagrada cochilando com um exemplar de “As 48 leis do poder” (Rocco), de Robert Greene, nas mãos. A obra conta como mestres no jogo do poder se deram bem, seja no Japão feudal ou na Chicago de Al Capone. Pela aplicação da aluna, ainda não dá para saber se as lições serão úteis para mantê-la na casa por mais tempo. Fani também deu uma olhada em “O grande mentecapto”, de Fernando Sabino, levado pelo nerd da casa, Ivan.

 Eliéser, outro veterano, optou por apelar para as forças divinas e está lendo “Amor acima de tudo” (Thomas Nelson Brasil), de Max Lucado. O livro fala sobre o amor de Deus pelos homens na Terra e como é possível amar uns aos outros do mesmo modo como Ele nos ama. Uma leitura um tanto controversa para um programa em que apenas um será o vencedor. Seria uma estratégia de sobrevivência do paranaense aparecer como bom cristão?

 No entanto, nenhum livro causou tanta surpresa como o escolhido pela eliminada Aline. A moça levou consigo “O pequeno príncipe”, clássico de Antoine de Saint-Exupéry, publicado originalmente em 1943 e que atravessa gerações. Não se sabe ao certo quais pílulas de sabedoria a moça buscava, mas, pelo visto, não deu certo. Curiosa foi a declaração de seu noivo Jeferson, ao ser indagado sobre o livro: “Ela gosta de ler revista de fofoca de celebridade. Eu nunca a vi lendo um livro”. Ficamos combinados.

 Outro eliminado, Dhomini, preferiu um livro de não-ficção, “Harpas Eternas — Volume I” (Pensamento/Cultrix), de Josefa R.L. Alvarez, que conta a história de Jesus Cristo desde o seu nascimento até os 12 anos, baseada em uma pesquisa histórica em vários países do Oriente Médio. Ao menos é o que garante a autora.

 No “Big Brother Brasil” também há espaço para leituras “cabeça”. O artista plástico Aslan saiu na frente na disputa pelo papel de intelectual da casa ao encarar “Insurgências poéticas — Arte ativista e ação coletiva” (Annablume Editora), de André Mesquita. A obra é uma dissertação de mestrado apresentada pelo autor na Universidade de São Paulo (USP), em 2008, e que levanta os pontos de contato entre movimentos sociais e práticas artísticas. Livro que deve demorar os três meses para ser digerido.

 Vale lembrar que, no último “BBB”, o bicho do mato Fael era um leitor voraz. Na sua passagem pela casa, quatro livros passaram pelas suas mãos: “O poder da Cabala” (Imago), de Yehuda Berg, “Quem mexeu no meu queijo” (Record), de Spencer Johnson, “Conversando com os espíritos” (Sextante), de James van Praagh, e “Sobre homens e lagostas” (Objetiva), de Elizabeth Gilbert, até que a produção decidiu recolher todos os exemplares da casa, no 52º dia. Vencedora do programa na 11ª edição, Maria alavancou as vendas de “Deixe os homens aos seus pés” (Universo dos Livros), de Marie Forleo. Gostos literários à parte, as escolhas dos brothers servem de sinais dos seus perfis.


 Fonte: Site Livros só mudam pessoas

Claro TV exibe filme de sexo explícito no Canal Disney



Paula de Toledo Piza levou um susto na manhã desta quinta-feira ao flagrar seus dois filhos, uma menina de 8 anos e um garoto de 4, vendo um filme de sexo explícito na televisão. Ao ser expulsa da sala, a menina ainda falou: “Não fiz nada”.

 De fato, ela não fez absolutamente nada. Nem ela nem os demais assinantes da Claro TV que assistiam à programação do Canal Disney naquele momento, por volta das 9h30. Por razões ainda não esclarecidas, imagens de um canal adulto entraram no lugar da programação infantil. No horário, o canal costuma exibir as aventuras dos irmãos “Phineas e Ferb” (foto).

 Paula e seu marido, o analista de sistema Carlos Sabino Villalba, estão revoltados. “Assinamos o Pacote Família. Por isso, deixo as crianças na frente da TV sem preocupação”. Villalba registrou um B.O. (boletim de ocorrência) e diz que vai cancelar a sua assinatura.

 Procurada pelo blog, a empresa reconhece o problema, mas diz: “Na manhã de hoje detectamos que dois de nossos canais transmitidos tiveram a sua programação trocada. A questão foi diagnosticada prontamente por nossos técnicos e a correção foi feita em 8 segundos. Nossa equipe está agora analisando a origem da alteração indevida de canais, que nunca aconteceu antes em nossa programação. Todas as hipóteses estão sendo analisadas. O sinal trocado foi enviado para menos de 800 clientes.”



 Fonte: UOL / Blog Libertos do Opressor

Semeando, colhemos! (31/01/2013) - Comentário de Luiz Carlos Prates




Fonte: SBT SC Youtube

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Namore um cara que lê!



“Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre.”

baseado no "Namore uma garota que lê", texto escrito pela Rosemary Urquico e traduzido e adaptado para o português pela Gabriela Ventura

 Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras.

 Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê.

 Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar.

 Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo –e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil.

 Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e –talvez não admita– sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína.

Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances. Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência.

 Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo.

 E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre.

 Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar –com o coração aquecido– para o seu lado.

 Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio.

 Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho.

 Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do "e eles viveram felizes para sempre", namore um cara que lê.

 Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve.



Fonte: Blog Acepipes Escritos

Namore uma garota que lê



Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

 Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

 Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

 Compre para ela outra xícara de café.

Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

 É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

 É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

 Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

 Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

 Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype. Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslan, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

 Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

 Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

 Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura


Fonte: Skoob

Ozzy Osborne é escolhido o primeiro papa da Igreja Metal


Osborne é o sumo sacerdote da nova igreja com registro oficial

 Alexandre Milas, editor da revista Metal Hammer, escolheu o mítico Ozzy Osborne (foto), antigo vocalista da banda Black Sabbath, para ser o papa da primeira Igreja Metal, que acaba de ser aberta no Soho, em Londres.

 A Igreja foi registrada em 2011 na Grã-Bretanha como religião e já tem milhares de seguidores declarados. Seu lema é Everything louder than everything else (Tudo mais alto do que qualquer outra coisa).

 O hino provavelmente será a música Holy Diver [ver vídeo abaixo], de Ronnie James Dio (1942-2010), que foi o primeiro que levou dois dedos como símbolo do rock pesado. Dio já foi canonizado como o primeiro santo da Igreja Metal.

 Milas está escrevendo os dez mandamentos da nova religião. Ele já nomeou Byff Byfford, líder da banda Saxon, como “Profeta e Primeiro Embaixador do Heavy Metal para a Paz Mundial”.

 A nova fé se inspirou na hierarquia da Igreja Anglicana para nomear como arcebispos Bruce Dickinson, vocalista dos Iron Maden, e Rob Halford, dos Judas.

 James Hetfield, vocalista dos Metallica, será um dos bispos. Provavelmente ele será um dos porta-vozes da nova religião. Na avaliação de Milas, ele tem um rosto perfeito para representar a imagem da nova religião.

 Milas teve a ideia de criar a Church of Riff em uma noite de bebedeira no The Crobar, que é um ponto de encontro em Londres de roqueiros.

 É, por assim dizer, uma brincadeira séria, porque os britânicos poderão se declarar devotos da nova fé no próximo censo.

  Provável hino da nova fé



  Com informação do Diário de Notícias.

Fonte: Paulopes 

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2013/01/osborne-eh-o-papa-da-igreja-metal.html#ixzz2JUnzVTwD Paulopes informa que reprodução deste texto só poderá ser feita com o CRÉDITO e LINK da origem.

Coreia do Norte enfrenta acusações de canibalismo devido à fome no país


Agência japonesa está utilizando cidadãos norte-coreanos para coletar informações dentro do país

Do R7

Reportagem do Sunday Times aponta possível crise humanitária na Coreia do Norte

 Relatos aterrorizantes de norte-coreanos devorando pessoas para saciar a fome — em alguns casos os próprios filhos — tomaram conta do noticiário internacional nos últimos dias. As informações expõem o desastre humanitário pelo qual o país oriental pode estar enfrentando.

 Os primeiros relatos foram publicados no último domingo (27) pelo diário britânico The Sunday Times. O jornal compilou o trabalho de repórteres independentes que foram enviados à Coreia do Norte pela agência de notícias Asia Press, com sede em Osaka, no Japão.

 A Asia Press informa que possui uma rede dos chamados “jornalistas-cidadãos” dentro da Coreia do Norte. Os “citizen journalists” (termo em inglês) são pessoas comuns que atuam como jornalistas, coletando informações e produzindo notícias.

 De acordo com a reportagem do Sunday Times, um homem foi recentemente fuzilado no país por ter matado e devorado seus dois filhos, no que foi descrito como um "ataque de fome".

 O diário informa ainda que a fome teria matado cerca de 10 mil pessoas no país somente em 2012.

 Outras histórias similares foram descritas pelos jornalistas-cidadãos. Em um dos casos, um senhor desenterrou o próprio neto e canibalizou o corpo da criança para não morrer de fome.

 Uma terceira pessoa, “enlouquecida pela fome”, diz o jornal, ferveu o próprio filho para se alimentar.

 As dezenas de entrevistas e relatórios coletados levaram a Asia Press a concluir que, somente em 2012, mais de 10 mil pessoas morreram por causa da fome no país comandado por Kim Jong-un.

 A agência de notícias asiática compilou um relatório de 12 páginas com os relatos de canibalismo no país.

 Um membro da empresa comentou a situação norte-coreana.

 — É particularmente chocante os numerosos testemunhos que nos atingem sobre os casos de canibalismo.




 Fonte: Portal R7 Notícias

“A ideia do Brasil pujante e poderoso é um mito”


Eduardo Crespo não apenas conhece a realidade econômica brasileira por ser um acadêmico argentino preocupado com o desenvolvimento: há anos mora no Brasil. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sua dupla condição de economista e cientista político faz de seus enfoques um desafio permanente ao saber convencional, que entende a economia como disciplina alheia à política.

 A entrevista é de Arturo H. Trinelli e publicada pelo jornal argentino Página/12, 20-01-2013. A tradução é do Cepat. 

 Eis a entrevista. 

 Como o Brasil terminou o ano de 2012? 

O ano econômico foi bastante ruim. Esperava-se para o final de 2012 uma leve recuperação, que não se verificou. Desde que Dilma assumiu, em 2011, primeiro houve um aumento da taxa de juros, depois uma queda, mas com forte ajuste fiscal durante todo esse ano, que prosseguiu no ano seguinte. Os investimentos públicos despencaram, e isso arrastou boa parte do gasto privado, basicamente investimentos. Desvalorizou-se um pouco a moeda, embora as exportações tenham crescido 5% em 2011 e diminuíram em 2012. A economia passou de um crescimento de 7,5% em 2010 para fechar o ano de 2012 em 1%.

 Por que desacelerou? 

 Creio que o principal argumento é a política fiscal conservadora. Nos últimos meses o Brasil vem tirando algumas medidas de estímulo, como, por exemplo, diminuir a pressão dos impostos sobre a atividade privada. E creio que isso não vai funcionar, porque tirar impostos não garante por si só um aumento dos investimentos privados.

 Que papel cumpre a burguesia paulista nos investimentos?

 São Paulo é o estado neoliberal do Brasil. Aí é onde mais o PT tem dificuldades de entrar. É onde mais se vê a influência do neoliberalismo. Essa ideia de que há uma burguesia paulista que impulsiona um processo de desenvolvimento creio que é totalmente equivocada.

 Não há burguesia nacional? 

 A burguesia nacional no Brasil foi cúmplice do desmantelamento do Estado. Basicamente, os militares foram os que impulsionaram as últimas políticas desenvolvimentistas relevantes, não os empresários. Necessita-se de uma burocracia estatal com estas ideias e esta visão. Quando chega a democracia, o lobby militar se fragiliza e o lobby civil começa a ser cada vez mais permeável às influências neoliberais. Dizer que há uma burguesia nacional no Brasil é um mito.

 Muitas vezes se critica a falta de liderança do Brasil no Mercosul. 

 Em primeiro lugar, se necessitará que o país líder tenha uma política definida orientada para o crescimento sustentado de longo prazo. Isso hoje o Brasil não tem: não é a locomotiva do Mercosul. Durante a última década registrou um crescimento médio menor que o resto, e tem superávit comercial com seus sócios do bloco. Essa macroeconomia brasileira coloca uma restrição muito grande ao Mercosul. A isso é preciso acrescentar que não existe nenhum tipo de compensação: é o pais mais competitivo, pelo menos nos produtos industriais, e não existem políticas compensatórias para os sócios menores. Definitivamente, o Brasil não exerce uma liderança.

 É porque prioriza a relação com os BRIC? 

 Não, pela via econômica os esforços remetem a manter as regras do jogo e um esquema geral. Mas não há uma vocação de crescimento como a que existia no Brasil na década de 1970. Isso trava bastante a evolução do Mercosul.

 Poder-se-ia então pensar que o Brasil se superestima? 

 Totalmente. Na Argentina não se entende o que é o Brasil. A ideia do Brasil pujante e poderoso é um mito, que talvez remete a certo ideário desenvolvimentista quando nos anos 1970 efetivamente o Brasil estava experimentando um crescimento próximo dos 10% ao ano. Era uma China, digamos. De 1930 até 1980 foi, junto com o Japão, o país de maior crescimento. Por exemplo, São Paulo nessa etapa passou a ser uma cidade moderna com quase a metade da população argentina. Esse Brasil acabou.

 O que se prioriza atualmente? 

 Desde a crise da dívida externa e o retorno da democracia impôs-se um neoliberalismo um pouco mais civilizado que aquele que tivemos aqui [na Argentina] com Menem. A privatização não foi tão longe: a Petrobras não foi privatizada, como o nosso país privatizou a YPF. Não foi um desmantelamento completo como no caso argentino. Por isso, ao contrário da Argentina, o Brasil não quebrou. Isso explica a emergência de um audaz como Kirchner, disposto a reverter a situação. No Brasil, Lula encontra um esquema que não se desmoronou completamente. De fato, o plano real ainda está aí, com suas metas. O neoliberalismo, no Brasil, não saiu pela porta dos fundos, como na Argentina. Não é interpretado como um fracasso rotundo como este que ocorreu na Argentina, para além de que Macri e outros dirigentes atualmente busquem ressuscitá-lo.

 No Brasil o neoliberalismo não foi tão destrutivo.

 Sim, de fato, o Bolsa Família começa antes de Lula. Inclusive, os 20% mais pobres da população brasileira melhoraram com esse neoliberalismo, que não foi tão ruim para eles. Não foi como na Argentina, que produziu uma pauperização dos setores de baixa renda. Por isso, este esquema tem um consenso muito grande que não é fácil reverter de todo. Como não foi tão destrutivo, preserva algumas das estruturas criadas pelo desenvolvimentismo. Por exemplo, podem ter um tipo de mudança muito apreciado, mas o BNDES segue gerando condições para que as empresas tenham uma enorme competitividade, com financiamento barato, através de uma série de regras de jogo, etc. Mas também é certo que quando surgiram governos populares como o de Lula, não foi possível ir tão a fundo em certas questões como aqui [na Argentina].

 O quanto a desaceleração brasileira influiu na Argentina? 

 Muito. Na realidade, o que “caiu em cima” da Argentina foi o Brasil. De todas as maneiras, eu creio que o nosso país estaria em condições de crescer este ano 4% ou 5%. De fato, não tem grandes problemas estruturais que o impedem de crescer a esse ritmo, que no contexto atual seria muito bom. Não está endividado em dólares, tem reservas, a conta corrente ainda não é negativa e os preços internacionais dos produtos que o país exporta ainda são muito elevados. O único inconveniente que vejo, ao contrário de outros países da região, é a dificuldade de colocar títulos em pesos a taxas razoáveis.

 Então, não há nada que indique que este ano seja delicado, como advertem alguns economistas?

 Absolutamente. O Brasil, provavelmente, terá alguma recuperação se aumentar seu gasto público, e dessa forma se reativará a indústria automotiva. E a colheita argentina seguramente será maior.

 Que efeitos se pode esperar da reforma da Carta Orgânica do Banco Central? 

 Sem dúvida, foi uma das grandes medidas dos últimos tempos. Nenhum Banco central pode ser “independente”. Independente de quem? Me parece que o ideal seria criar algum instituto financeiro de desenvolvimento público, como é o BNDES no Brasil. Seria o próximo passo.

 Alguns ortodoxos relativizam o novo esquema macroeconômico argentino a partir de 2003, do qual só destacam que se favorece pelo “vento em popa”. Quais seriam as características mais singulares desta etapa? 

 Para mim, a principal mudança estrutural que está havendo é um enorme desendividamento. Macroeconomicamente, há um esquema diferente ao de anos anteriores: os problemas de balança de pagamentos já não são por endividamento. A crise financeira internacional nos pega de lado. Pode haver algum inconveniente conjuntural, mas este esquema não desmorona como antes. As dificuldades se originam na conta corrente quando esta não é superavitária, mas isto é muito mais que uma mera “pós-convertibilidade”, como alguns denominam esta etapa. Entendo que há margem para continuar com transformações estruturais.

 Como quais? 

 Criar um banco de desenvolvimento, uma indústria de bens de capital nacional. Quer dizer, podemos nos financiar internamente e com o Estado assumindo um protagonismo maior. Repito, nas atuais condições eu acredito que se poderia crescer entre 4% ou 5%, e a partir daí começar a encarar estas transformações.



Fonte: IHU Online

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Criador do perfil 'Irmã Zuleide' que satirizava evangélicos nas redes sociais é preso por constrangimento, injúria e difamação



DJ utilizava foto de professora de Campinas para satirizar evangélicos. Perfil da 'Irmã Zuleide' possui 2,1 milhões de fãs em rede social. 

 O DJ Álvaro Oliveira Rodrigues, de 30 anos, responsável pelo famoso perfil 'Irmã Zuleide' nas redes sociais, foi detido durante a madrugada do último domingo (27) em Santos, no litoral de São Paulo. Rodrigues assinou um termo circunstanciado e foi liberado em seguida, mas responderá por constrangimento, injúria e difamação.

 Com cerca de 2,1 milhões de seguidores no Facebook, o perfil da Irmã Zuleide, que utiliza um tom cômico para tratar assuntos do cotidiano, é uma febre na internet há quase dois anos. A polícia começou a investigar o DJ porque a foto utilizada no perfil é, na verdade, de uma professora de Campinas, que afirma sofrer vários transtornos com a situação.

 Ainda em 2011, a professora, que preferiu não se identificar, não conhecia o perfil que utilizava sua foto, até que uma colega da escola mostrou a página para ela. Assim que soube da situação, a vítima mandou algumas fotos para a polícia com o objetivo de remover todo o conteúdo da internet. Segundo a professora, o constrangimento causado pelo perfil fez com que ela virasse motivo de chacota na cidade onde mora.

 Após vários meses de investigação, um advogado da vítima descobriu que o dono da página faria um show em uma casa noturna do Centro de Santos. Sabendo disso, a professora seguiu para a Baixada Santista, acompanhada do advogado, e procurou o 1º Distrito Policial da Cidade, que começou a investigar o caso.

 Segundo a polícia, quando os policiais entraram na boate, Rodrigues não estava caracterizado como 'Irmã Zuleide', mas foi encontrado e detido. O DJ é natural do Rio Grande do Norte e confessou ser o autor do personagem. Em depoimento, ele disse que sua intenção era satirizar uma igreja evangélica e ironizar seus seguidores. Segundo ele, a foto da professora foi achada em uma pesquisa aleatória feita por um buscador.


 Fonte: G1 / Blog Libertos do Opressor

Tragédia em Santa Maria premeditada? ‘Estranhas coincidências’ geram repercussão na internet



Site aponta "estranhas coincidências" na tragédia de Santa Maria, que deixou pelo menos 230 mortos, na boate Kiss. 

 Com a tragédia de Santa Maria, que deixou pelo menos 230 mortos em uma boate que se incendiou no Rio Grande do Sul, diversas especulações foram feitas sobre as razões “reais” do desastre. Dentre diversas observações, algumas chocam, apontando para uma ação premeditada de influência “diabólica”. Líderes evangélicos exortam a todos que orem e apoiem aos afetados pela tragédia.

 Informações de um texto chamado “Incêndio na boate: Acidente ou sacrifício?” no site Osilluminati.com está circulando na Internet, detalhando “estranhas coincidências”.

 O texto aponta por exemplo, que antes de começar o show, a boate Kiss postou em seu Facebook, “hoje temos a banda gurizada, a kiss VAI PEGAR FOGO”. Em seguida, o post foi apagado.

 Outras "estranhas coincidências" apontadas são o fato de que o dia do desastre, 27 de janeiro, foi o dia Internacional em Memória do Holocausto e que o cartaz da banda que provocou o incêndio era de uma caveira dançando e pegando fogo. 

 Entretanto, a “coisa mais estranha”, diz o artigo, é que a última música que foi tocada foi Die Young, que traduzindo significa Morrer Jovem.

 De acordo com o texto também, uma sobrevivente disse que viu uma mulher de vestido vermelho sorrindo para todos.

 O desastre aconteceu depois que a banda Gurizada Fandangueira fez um show pirotécnico usando um sinalizador dentro da boate. Dos integrantes da banda, apenas um morreu e os outros saíram ilesos do local em chamas.

 Um internauta postou no site do Yahoo, perguntas e respostas, que o incêndio da boate foi obra do Diabo, alegando que o “O nome da boate era KISS - abreviação de "Knights In Satan's Service" ou seja "Cavaleiros em Serviço de Satanás".

 “Esse incêndio foi obra do demônio. o pecado do sexo, da nudez, da bebida - todos esses aumentam o poder do Diabo”, explicou o dono do post, Rafael.

 Para corroborar a hipótese, no Facebook, o apóstolo João Carlos da Igreja Apostólica Leão de Judá em Jundiaí afirmou que o fato de que 245 jovens serem mortos não é normal. “245 jovens foram mortos num evento no Rio Grnde do Sul (sic). É normal morrer tantos jovens assim??? Não mil vezes não. Tudo que não é normal é espiritual.”

 “Amado quantos desses jovens o pai, a mãe falaram para não irem neste lugar, mas esse jovens não deram ouvidos para seus pais, a rebeldia e desobediência levou mais de 245 jovens para morte. É triste saber que o diabo matou e infelizmente vai continuar matando mais jovens ainda.”

 Entretanto, comentando sobre a polêmica ao The Christian Post, o líder do movimento Eu quero uma Igreja, que propõe uma Nova Reforma Protestante, Ádryan Krysnamurt Edin da Luz, criticou que muitos façam “julgamentos” neste momento.

 “Nisso vemos, como o sistema religioso cria pessoas para julgamento e falta de amor!” disse ele, em um email ao CP.

 Apesar das diversas especulações, Ádryan afirma que o importante neste momento é que as pessoas saiam a “cuidar dos necessitados”.

 “A verdadeira religião não é julgar nesse momento de tanta dor, mas sim: cuidar dos mais necessitados, dos que precisam do nosso abraço, carinho e ajuda (Tiago 1:27).”

 Ele rejeitou comentários ouvidos por ele como “Ah! Eles estavam numa balada, boate.. se estivesse numa igreja não teria ocorrido essa tragédia”, dando exemplo da tragédia da Renascer quando o telhado de um templo caiu sobre 400 fieis que estavam no local.

 Segundo ele, ainda que Deus não deixe faltar nada para os que são fieis a ele, entretanto, “Ele não nos livra da dor, Ele passa conosco na dor”.

 “O oportunista dirá: ‘Tudo podemos, vamos arrebentar naquele que nos fortalece’... O verdadeiro homem de Deus, refutará: ‘Leia os versículos que vem antes, o 11 e o 12 de Filipenses 4:13... Sei estar abatido, isto é, enfermo, triste, depressivo, angustiado, aflito; e sei ter abundância, ou seja, estar feliz (continua)’.”

 “(...) A verdadeira vida em Jesus é: no mundo tereis aflições. Nós estamos chorando, chorando com os que choram. (...) É hora de fazermos alguma coisa! É hora de orarmos por eles, é hora de ajudarmos e demonstrarmos o amor que recebemos de Jesus.”

 Os desastres, diz o líder cristão, bem como a fome da África, as doenças, a falta de saúde e educação são consequências dos pecados humanos, e de homens poderosos que detém a maior parte da riqueza da Terra em suas mãos.

 Ádryan exorta que todos “chorem por eles e com eles (envolvidos na tragédia), para que o Consolador conforte as suas famílias. A noite vai passar, em breve não haverá mais choro, nem mais morte, nem mais dor.”


 Fonte: The Christian Post / Blog Libertos do Opressor

10 Razões porque a escola falha em formar novos leitores


Embora eu tenha sim levado em conta que segundo as pesquisas a escola é a principal incentivadora entre o público leitor, é também a escola uma, das tantas responsáveis por sermos um país de poucos leitores. Obviamente esta lista leva em consideração um pouco da minha época de escola - que já faz um tempo, mas não mudou muito - e dos relatos que ouço sobre a escola e suas ações de incentivo à leitura. Nesta lista, 10 de algumas atitudes que colaboram para tão pouco interesse dos estudantes na leitura, especialmente dos estudantes do ensino público e das camadas mais humildes da população brasileira:

1 - Grade Curricular Defasada: Creio que isto é uma realidade nacional, onde temos a impressão que a literatura não produziu mais nada desde Machado de Assis, Jorge Amado, Eça de Queirós, e outros autores clássicos da literatura mundial. Não que tenhamos de abolir os clássicos, mas também não se pode incentivar a formação de novos leitores sem debater a produção literária contemporânea;

 2 - Obrigação: Não raro encontramos escolas em que muitas vezes a leitura é imposta como obrigação. Leia Tal livro. Resenhe tal autor. Isto nunca funcionou, e jamais funcionará, pois muitas vezes os estudantes por questão da obrigação da leitura, encontram formas mais criativas de resenhar o livro, o que hoje aliás, está ainda mais facilitado com tantos blogs de literatura;

 3 - Leitura Isolada: Geralmente são exigidas ações isoladas de cada leitor, que lê e apresenta seus livros para os colegas. Apenas isso, sem debate, e muitas vezes nem mesmo o professor fomenta o debate, sendo que em alguns casos, muitas vezes há professor que não leu o livro cobrado pelo estudante.

 4 - Bibliotecas Desatualizadas: Salvo raras exceções, também não há muito o que o professor fazer, já que muitos são os exemplos de bibliotecas escolares cujo acervo está totalmente desatualizado, sem investimentos e recursos que viabilizem aos estudantes a leitura gratuita de obras de interesse dos jovens;

5 - Formas atrativas são a exceção: Não estou querendo dizer neste post que a escola apenas é a culpada por novos leitores, sendo que pelo Brasil há muitas experiências exitosas de incentivo a leitura, mas que no entanto geralmente são a exceção num sistema em que a prática é falar da histórias da literatura e exigir algumas leituras durante o ano;

 6 - Não há cobranças: Pode parecer contraditório dizer que a obrigação é um dos problemas, e no mesmo post dizer que não haver cobranças também, no entanto os olhos desviados de resenhas copiadas e a não cobrança sobre os estudantes criam cenários tristes como em uma palestra que fiz a alunos do ensino médio em que uma turma de 40 estudantes, menos de 10 haviam lido no máximo 1 livro no ano;

 7 - Apartheid Intelectual: Já na escola e nas suas indicações de leitura se começa a prática do apartheid intelectual dividindo os livros em aqueles que são "para pessoas inteligentes" ou aqueles "que são coisas para crianças ou que não possuem valor intelectual". Este é um debate muito importante pois o prazer da leitura deve ser algo evolutivo;

 8 - Língua e Literatura separados: Outro fator que pode gerar a falta de interesse pela leitura é que o ensino da língua e da literatura são muitas vezes distantes. É necessário primeiramente que o indivíduo conheça bem sua língua, tenha noção do impacto e do poder da palavra, pois só assim aprenderá a reconhecer a dubiedade de sentimentos impressos numa frase, ou num verso, e assim reconhecer a importância da mesma, e da mesma forma compreender como aquela leitura acabou auxiliando-o;

 9 - Ensino não evolutivo: No sistema de ensino um dos grandes problemas, muitas vezes até comentados aqui no blog, é que o mesmo não é evolutivo, exigindo muitas vezes leituras que um adolescente de nove, dez anos talvez não entenderá. Além disso, venhamos e convenhamos, que exigir de um estudante de menos de quinze anos a compreensão total de textos que autores escreveram em sua plenitude intelectual é um tanto exagerado. Há de se haver uma evolução no incentivo da leitura, é possível iniciar-se lendo os mistérios de Marcos Rey, Ana Maria Machado, e também autores contemporâneos, criando uma espécie de armadilha estabelecendo o hábito em manter a leitura.

 10 - Dificuldade de convencimento: E para mim, talvez o motivo que pode ser compartilhado por toda a sociedade, que no seu todo tem sido incapaz de convencer sobre a importância da leitura e os impactos positivos para o leitor.


Fonte: Blog Listas Literárias

Um filme para sociólogos


Fábio Viana Ribeiro*

Assim como veterinários não são obrigados a gostar de cachorros e gatos, nem todos os sociólogos podem se sentir atraídos pela idéia de estudar a sociedade capitalista em seus aspectos conjunturais e estruturais. A observação, que não é minha, mas sim de um antigo colega de graduação, e autor de um blog que hoje não existe mais[1], remete ao fato, óbvio, de que qualquer profissão permite uma variação bem maior de interesses que aquela prevista pelo senso comum. A frase, um tanto quanto “escatológica”, de nosso antigo e talentoso professor, “que já estava cansado de estudar sociologia careta, e que seu interesse era agora estudar coisas improváveis, como ‘mulher com pinto’”, resume bem a idéia e dispensa maiores explicações.

 Do ponto de vista de sociólogos que não se interessam muito por “cachorros e gatos”, o mundo ao seu redor, inclusive seus próprios colegas de profissão, é antes de tudo um lugar muito divertido e interessante. Comparativamente, não é a todo momento que um sociólogo “tradicional” pode estudar o capitalismo: festinhas de aniversário, terminais de ônibus, aposentados que jogam baralho nas praças, golpistas profissionais, fã clubes, grupos religiosos estranhos, etc., em geral não costumam atrair muito a curiosidade de sociólogos sérios (a ausência de aspas é proposital). A não ser, claro, dentro de um contexto mais amplo, capaz de tornar tudo que em princípio poderia ser perturbador, desconcertante e surpreendente em coisas previsivelmente sérias. Para muitos outros sociólogos, todo o interesse começa aí.

 Não são muitos os filmes capazes de chamar tão pouca atenção nas prateleiras das locadoras quanto “Adam”, título pouco sugestivo de um filme de 2009, dirigido por Max Mayer. Além do título, contribuem para sua “camuflagem” a capa e os (habitualmente infames) comentários da embalagem, sugerindo tratar-se de mais uma comédia romântica ou algo semelhante. Não é o caso.


Anda que nem mesmo algumas das raras sinopses que podem ser encontradas na internet sobre o filme mencionem o fato, o assunto central é uma relativamente rara síndrome, cujo personagem que dá título ao filme é portador. Considerada uma forma leve de autismo, a síndrome de Asperger se caracteriza, de forma geral, por um quase bloqueio das capacidades de interação social. Em termos médios, a grande maioria dos indivíduos, não portadores dessa síndrome, atribui continuamente significados às suas próprias ações; quase como, por analogia, o faz um morcego, para efeito de se movimentar no espaço. Não sendo localizado qualquer obstáculo, no caso dos morcegos, ou havendo percepção de que “aquilo pode ser feito”, no caso dos humanos, a ação é levada adiante. O detalhe mais importante a ser considerado nessa perspectiva é o fato de que tais significados são reflexivos (no caso dos humanos) e envolvem uma contínua avaliação a respeito do “objeto” a que se dirigem[2]. Seja numa conversa banal, no guichê de uma repartição pública, parado sozinho à espera do ônibus, etc., os significados que atribuímos às nossas ações (falando, agindo, dissimulando uma atitude, etc.) “inspiram-se”, necessariamente, nas expectativas que alimentamos em relação ao comportamento de outros indivíduos.

 E eis aí o ponto que faz de “Adam” um filme muitíssimo interessante sob o ponto de vista de (alguns) sociólogos. Por não possuir pleno domínio sobre estes elementos básicos da interação social, um aspie[3] constitui-se num improvável e vivo exemplo de indivíduo que, mesmo tendo passado por um processo de socialização, não possui a capacidade, tipicamente social, de adaptar seu comportamento em função daquilo que percebe no outro. Ao contrário do autismo clássico, indivíduos portadores dessa síndrome são com frequência muito talentosos em algumas áreas do conhecimento, vivem uma vida normal, etc. Mas, ao mesmo tempo, encontram-se como que separados de todo o mundo social que os cerca.

 Talvez o maior mérito do diretor de “Adam” tenha sido alcançar a dimensão de “incomunicabilidade” dentro da qual vive o personagem. Afinal, onde reside nossa capacidade de, num sentido profundo, compreender o outro? Não talvez apenas nas palavras, nem mesmo por meio da interação social; mas por uma outra capacidade, essencialmente humana e que se materializa por meio dos sentimentos. O que, afinal, nos eleva acima da condição de meros seres biológicos e sociais. Não talvez por acaso, as cenas mais belas do filme parecem sugerir o milagre desse encontro.

 Especulações óbvias poderiam ser feitas, com maior ou menor grau de pertinência. De que a condição do homem moderno implica num individualismo e alheamento que são, em parte, características da própria síndrome de Asperger. Um sistema que produz seus próprios autistas. Ou ainda que, da mesma forma que a imensa maioria dos aspies são do sexo masculino, é também uma característica tipicamente masculina certa necessidade de isolamento – que em alguns casos chega a ser transformado em ideal de vida. Traço de comportamento muito raramente encontrado entre mulheres.

 Mas novamente, não é o caso. Ao perder o pai, que era uma de suas únicas ligações com o exterior, o personagem encontra-se fechado dentro de dois mundos. O de sua incapacidade de interagir com outros indivíduos e, ao mesmo tempo, o de viver num mundo que pouco sabe e se interessa por sua própria existência (como todos os que vivem nos grandes centros sabem…). Sua única saída vem de sua vizinha; por outros motivos, quase tão distante do mundo exterior quanto ele próprio. A distância existente entre ambos, que seria um grande problema para a maioria das pessoas, termina se transformando na rara chance de deixarem o isolamento de suas vidas.


Ficha Técnica

 Título original: Adam
Gênero: Drama / Romance
Direção: Max Mayer
Duração: 99 min.
Ano: 2009
País de origem: EUA

 * FÁBIO VIANA RIBEIRO é professor adjunto da Universidade Estadual de Maringá (Departamento de Ciências Sociais) e Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

 [1] “Observador Sociológico”, de autoria do Prof. Carlos Augusto Magalhães.

 [2] O que caracteriza, como se sabe, o conceito de ação social, de Max Weber.

 [3] Nome pelo qual são conhecidos os portadores da síndrome de Asperger.



 Fonte: Blog da Revista Espaço Acadêmico

Cuba devolve à Igreja Católica bens nacionalizados em 1961


do Religión Digital


Fidel Castro tem se aproximado cada vez mais da religiao

O governo cubano devolveu à Igreja Católica os locais onde ficavam um antigo colégio, uma capela e dois terrenos à diocese de Bayamo-Manzanillo, na província sudeste de Granma.

 O Conselho da administração provincial de Granma devolveu para a Igreja o imóvel onde ficava uma escola primária estatal, na cidade de Bayamo, de acordo com nota publicada no site da COCC (Conferência de Bispos Católicos de Cuba). Nessa edificação, antes, até maio de 1961, existia o Colégio Divina Pastora, quando o então Governo liderado por Fidel nacionalizou as instituições de educação privada, tanto católicas como evangélicas.

 Uma fonte do bispado de Bayamo-Manzanillo disse que esta decisão significa “poder dispor de algumas instalações em meio a uma carência de locais nesta diocese e isto sempre é uma bênção”. Não obstante, lamentou a falta de templos e capelas em muitos lugares, mas disse que se mantém “a aspiração” de tê-los no futuro, para o seu trabalho pastoral.

 Também destacou que os acordos com o governo local, ainda “em processo de execução”, também incluem a restituição da capela São Tarcísio, construída na década dos anos 1950, na cidade de Manzanillo, situada a uns 900 km ao leste de Havana.

 Segundo as fontes citadas, as autoridades do governo em Granma aprovaram, além disso, a entrega para a diocese de um terreno em Cauto Embarcadero, para levantar uma capela, e a autorização para construir outra paróquia, no mesmo terreno onde antes estiveram ambos localizados no município de Rio Cauto.

 Nos últimos anos, abriu-se uma nova etapa de estiramento nas relações entre a Igreja católica e Estado cubano, marcadas durante a revolução castrista pelas crises, desencontros, altos e baixos e por tensões.

 A construção de novos templos é uma das reivindicações que a Igreja católica insiste em recuperar, em Cuba, para realizar sua missão social.

 Já faz algum tempo que tem aumentado os contatos entre a Igreja e o Governo, as procissões públicas, e vários templos foram devolvidos.

 De acordo com dados do arcebispo de Havana, 60% da população cubana se consideram católicos em referência ao número de pessoas batizadas, há cerca de 650 templos, 340 sacerdotes e umas 600 religiosas.


 Fonte: Paulopes

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2013/01/cuba-devolve-a-icar-bens-nacionalizados.html#ixzz2JOwynFHR Paulopes informa que reprodução deste texto só poderá ser feita com o CRÉDITO e LINK da origem.

Ciências Sociais, Por Que?




Fonte: Blog Ciência Social Ceará

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Por que amamos tanto os bichos



CUMPLICIDADE 

A estudante Laura Aragão, de 9 anos, abraça sua “irmã” Hanna, fêmea de dog alemão, internada no hospital veterinário. Os bichos viraram parte emocional da família (Foto: Marcelo Min)

  Novas pesquisas científicas explicam nosso apego aos animais de estimação. Donos sofrem – e até se internam – com seus pets nos hospitais universitários 

Marcela Buscato e Nathalia Ziemkiewicz, na Época 

 As ideias do filósofo americano Henry David Thoreau sempre estiveram à frente de seu tempo. Ele morreu em 1862, a três anos de ver a Constituição americana oficializar a proibição da escravidão, uma das causas que defendera. Interessado nas interações humanas com a natureza, foi um dos precursores dos conceitos de ecologia e ambientalismo. Sua filosofia da desobediência civil – a resistência aos atos de governos injustos – influenciou líderes como o pacifista indiano Mahatma Gandhi. O pensamento de Thoreau permanece atual também num dos aspectos essenciais da vida moderna, quando trata da relação entre humanos e seus animais de estimação. Thoreau escolheu viver no campo, à beira de um lago, para desfrutar a vida simples. Lá, depois de observar os vizinhos e seus animais, chegou a uma conclusão que ainda hoje resume a relação do Homo sapiens com seus bichos domésticos: “Com frequência, um homem é mais próximo de um gato ou de um cachorro do que de qualquer outro ser humano”.

Capa da edição 766 de ÉPOCA que está nas bancas (Foto: Johnny Duarte/ÉPOCA )

Desde os tempos de Thoreau, muita coisa mudou – mas esse aspecto da vida moderna apenas confirmou a percepção do filósofo. Os animais tornaram-se parte da família. Numa pesquisa recente, nove em cada dez pessoas ouvidas nos Estados Unidos afirmam que seus sentimentos pelos animais domésticos são semelhantes àqueles que nutrem pelas pessoas mais próximas. Para os amantes dos bichos, é apenas a constatação do óbvio. Para quem não gosta de intimidade com os animais, é um desvio de comportamento a ser explicado por psicólogos. Como é possível o sentimento por animais rivalizar com o apego às pessoas?

 No recém-lançado What’s a dog for? (Para que serve um cão?, sem edição no Brasil), o jornalista americano John Homans investiga as explicações científicas e filosóficas para a “estranha situação de ter um predador em sua casa, deitado de barriga para cima, esperando alguém lhe fazer cócegas”. Em outro livro recente, também sem tradução no Brasil, Another insane devotion (algo como Outra devoção insana), o americano Peter Trachtenberg narra a procura por sua gata Biscuit, metáfora para seu casamento em crise. Ele descobre que o amor por Biscuit e o amor pela mulher guardam pontos em comum.

 Goste-se ou não, a elevação do status dos animais a integrantes da família está aí. Basta passear pelos perfis de amigos e parentes nas redes sociais para constatá-lo. As fotos do cachorro disputam espaço com as do bebê. As declarações de amor aos animais se sucedem em cascata. Vídeos que capturam a fofurice de cãezinhos e as proezas de bichanos – já viram os gatos cantores? – são campões absolutos de audiência. A oferta de produtos e serviços para os bichos de estimação é mais um indício de amor desmedido: há de padaria a manicure especializada, num mercado que movimenta R$ 12,5 bilhões por ano no país. Estima-se que os brasileiros, donos de 101 milhões de animais domésticos, gastem R$ 400 mensais em cuidados com eles.


 Fonte: Pavablog

O soldado Young Jin Han






por Rita Colaço

 É a primeira vez que publico a entrevista que fiz a este ex-soldado norte-coreano, em Agosto de 2006.

 Publico-a em forma de diário.

 Hoje, Young Jin Han vive na Coreia do Sul e é repórter do Daily NK. Lembrei-me dele, novamente, porque li isto e mais isto.

 Sou Young Jin Han. Tenho 35 anos. Fugi da Coreia do Norte em Junho de 2000 e durante três anos vivi no nordeste da China, até que em Agosto de 2003 consegui entrar na Coreia do Sul. 

 Eu passava fome na Coreia do Norte e acima de tudo não tinha liberdade. 

 Eu sempre sonhei com a liberdade. 

 Estudei na universidade, entre 1987 a 1991 e depois servi no exército.

 Na Coreia do norte, quem não trabalha para o Estado, nem vale a pena ir trabalhar para outro lado porque não recebe dinheiro. Num sistema socialista, o Estado dá dinheiro aos trabalhadores, mas agora, como a Coreia do Norte não tem dinheiro, os trabalhadores não recebem nada. Por isso, quando as pessoas trabalham não recebem nada. Se precisarem de alguma coisa vão aos mercados locais vender o que têm e trocam produtos. 

 Enquanto soldado do exército, recebia um salário mensal entre os cinco e os 10 mil wons. Com cinco mil wons conseguia comprar cinco quilos de arroz e com dois mil comprava uma pequena porção de carne de porco. São cerca de dois a três dólares por mês.

 Como as pessoas recebem pouco, não querem trabalhar. Mas a polícia obriga-as. Por isso, as pessoas vão para o trabalho, mas não trabalham porque o governo não lhes dá dinheiro. Em vez de trabalharem, saem e tentam encontrar outras coisas fora do trabalho. Vendem qualquer coisa, no mercado paralelo. 

 Até aos anos 80, do século XX, tínhamos saúde, educação e alimentos básicos de graça. O sistema até ia bem, mas depois da morte de Kim Il-Sung, em 1994, o sistema faliu. 

 Houve uma crise de fome. Não havia qualquer apoio. Até ao ano passado [2005] nem suplemento de arroz era providenciado. Esta crise durou quase 10 anos. O Estado começou outra vez a dar em Outubro do ano passado, mas em pequenas porções. Só que isso acabou outra vez este ano [2006]. Desde Março que só os soldados recebem arroz. As outras pessoas têm que se arranjar por si.

 Qualquer jovem norte-coreano serve no exército durante 10 a 13 anos. Desde os 17 até aos 30 anos. Durante esse tempo recebem treino militar, mas também fazem trabalhos de construção civil. Constroem estradas, edifícios…Trabalham como soldados e como operários de construção civil. Desde a crise da fome, muitos soldados sofrem de má nutrição, mesmo estando no exército, por isso são mandados de volta para casa porque não servem para o exército. Alguns roubam as aldeias mais próximas porque têm fome e claro que são castigados. Isto é o que se passa no exército regular. As tropas especiais, as que estão no paralelo 38, na DMZ [Zona Desmilitarizada], são bem nutridos, não sofrem de má nutrição. 

 O sistema educativo é bom, é gratuito, e os estudantes das universidades até recebem bolsas. Não têm de pagar, mas o dinheiro é pouco e os jovens estudantes são obrigados a trabalhar no campo nas férias. Trabalham para terem educação e têm que dar algumas coisas. 

 Por exemplo, quem quer estudar tem de criar coelhos e dar à escola pelo menos 10 peles de coelho para que a escola consiga vender essas peles e encaixar algum dinheiro. O governo não dá muito dinheiro às escolas. Na verdade, a escola não é totalmente gratuita porque os estudantes são obrigados a trabalhar. A escola vende essas peles a outros países para conseguir obter moeda estrangeira, esse dinheiro vai depois para o governo, que depois reenvia uma pequena parte à escola.

 A saúde também é gratuita. Os médicos tratam os pacientes de graça, mas cada doente deve comprar os seus próprios medicamentos. E as pessoas não têm dinheiro. 

Todos os médicos na Coreia do Norte trabalham para o Estado e todos os hospitais são estatais. Eles recebem um ordenado muito pequeno do governo, por isso têm de fazer dinheiro extra, indo também ao mercado vender qualquer coisa ou receber dinheiro extra dos pacientes. 

 Todos os norte-coreanos estão organizados. 

 Todos são obrigados a estar numa organização, num sindicato de trabalhadores, ou de estudantes. E cada organização controla e regula os seus membros. Uma vez por semana, cada membro dessa organização tem que criticar uma outra pessoa qualquer por algum motivo. Com este tipo de organização, o governo consegue controlar as pessoas. Para além disso, o governo faz execuções públicas para amedrontar os norte-coreanos e controlá-los. 

 Vejo Kim Il-sung e Kim Jong-il de formas diferentes. Não tenho maus sentimentos para com Kim Il-sung porque ele lutou pela nossa independência durante o período da ocupação japonesa. A economia esteve bem enquanto ele esteve no poder. Depois da chegada de Kim Jong-il ao poder, começaram as políticas do medo e da força militar. O exército e a polícia começaram a controlar todos os aspectos da vida e a fome apareceu. 

 Eu odeio Kim Jong-il. Eu não odeio Kim Il-sung. 

 Antigamente, aqui na Coreia do Sul, quando o número de refugiados era pequeno, o governo conseguia dar trabalho a todos, agora há tantos refugiados que o sistema de apoio não chega a todos e só 10% dos refugiados têm trabalho. Este é o grande problema dos refugiados norte-coreanos aqui, agora. 

 Outro grande problema é que os refugiados mantêm o pensamento, as tradições e o estilo de vida norte-coreanos, por isso não conseguem conviver bem com os sul-coreanos. Quem se transforma para parecer mais um sul-coreano arranja trabalho mais facilmente. 

 Hoje sou repórter do Daily NK. 

Estou na casa dos trinta. 

 Deixei os meus pais, irmãos e sobrinhos na Coreia do Norte. A maior parte dos refugiados norte-coreanos que vivem aqui [Coreia do Sul] ou na China deixou a família na Coreia do Norte. 

 Até meados dos anos 90, o governo norte-coreano castigava os familiares dos dissidentes, que também eram vistos como traidores, mas agora há cada vez mais dissidentes, por isso não conseguem castigar todas as pessoas. Por isso deixam as famílias viverem por si, mas só os vigiam.

 Nunca mais vi ou falei com a minha família.

 Gostava de voltar à Coreia do Norte, mas só depois da reunificação.

 Gostava de voltar à minha cidade-natal e reconstruí-la. 


Fonte: Blog Coréia do Norte Um segredo de Estado

domingo, 27 de janeiro de 2013

Jô Soares entrevista a dona da voz do Google Tradutor (Regina Bittar)




Fonte: Youtube

A Infelicidade da Juventude por Arthur Schopenhauer


Por André,

 O que faz da juventude um período infeliz é a caça à felicidade, na firme pressuposição de que ela tem de ser encontrada na existência. Disso resulta a esperança sempre malograda e, desta, o descontentamento. Imagens enganosas de uma vaga felicidade onírica pairam perante nós revestidas de formas caprichosamente escolhidas, fazendo-nos procurar em vão o seu original. Por isso, nos anos da juventude, estamos quase sempre descontentes com a nossa situação e o nosso ambiente, não importando quais sejam; porque lhes atribuímos o que na verdade pertence, em toda a parte, à vacuidade e à indigência da vida humana, com as quais só então travamos o primeiro conhecimento, após termos esperado coisas bem diversas. Ganhar-se-ia bastante se, pela instrução em tempo apropriado, fosse erradicada nos jovens a ilusão de que há muito a encontrar no mundo. Porém, é o contrário que acontece: na maioria das vezes, conhecemos a vida primeiro pela poesia, e depois pela realidade.

 Na aurora da nossa juventude, as cenas descritas pela poesia resplandecem diante dos nossos olhos, e o anelo atormenta-nos para vê-las realizadas, a tocar o arco-íris. O jovem espera que o curso da sua vida se dê na forma de um romance interessante. Nasce, então, a ilusão descrita no já mencionado segundo volume da minha obra principal. Pois o que confere a todas aquelas imagens o seu encanto é justamente o facto de elas serem meras imagens, e não a realidade, e nós, por conseguinte, ao intuí-las, encontrarmo-nos na calma e na suficiência plena do conhecer puro. Tornar-se realizado significa ser preenchido pelo querer, que inevitavelmente produz dores.


 Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida' 


 Fonte: Blog O bico do tentilhão

Quantos amigos você realmente tem? Volte ao mundo real enquanto há tempo.







Fonte: Site Instituto Paracleto

sábado, 26 de janeiro de 2013

O brasileiro e a leitura - Luiz Carlos Prates

                                                     


Fonte: Youtube

Neste País desgraçado... - Comentário de Luiz Carlos Prates




Fonte: SBT / SC

Sermões - Comentário de Luiz Carlos Prates




Fonte: SBT / SC

Pastor explica significado da marca da besta, 666



O pastor da megaigreja da Califórnia, Greg Laurie, que está ensinando à sua congregação uma série de mensagens chamada "Apocalipse: a próxima dimensão", falou sobre a marca da besta, mostrando que o mundo já está se movendo em direção ao cumprimento da profecia.

 "Nós nunca estivemos tão perto do fim do mundo como agora", disse Laurie, pastor da Igreja Harvest em Riverside, em sua mensagem no domingo.

 É, no entanto, importante saber que a Bíblia também fala sobre um novo começo em que haverá "perversão não, não o terrorismo, não guerra, fome ... não há problema de qualquer espécie." Como Isaías 11:9 diz, o conhecimento do Senhor encherá a terra. Mas "vai piorar antes de melhorar", alertou o pastor.

 Apocalipse 13 fala sobre os tempos de trevas espirituais, o período de tribulação, ele disse. "O filho de Satanás" vai surgir em cena ... "o homem da perdição, o homem do pecado, a besta ... mais conhecido como o anticristo ... o homem mais mal que já viveu ... a mais vil personificação da história de pecado e rebelião".

 Referindo-se à sua mensagem anterior sobre o anticristo, Laurie lembrou que a agenda do anticristo será deificar Satanás. O anticristo virá para tomar o lugar de Jesus, e para matar todos os cristãos. E o anticristo terá com ele o seu "líder de adoração diabólica, um guru religioso", o falso profeta, referida como a "segunda besta" em Apocalipse.

 Laurie então citou Apocalipse 13:15-18:. "E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta. E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.”

 Se você buscar o número 666 no google, você vai receber 543 milhões de resultados, disse o pastor. "E você provavelmente vai encontrar 543 milhões ideias sobre o que ele realmente significa. Eu não acho que qualquer um possa responder isso com certeza absoluta, mas isso é tudo que sei ... O anticristo vai introduzir uma sociedade sem dinheiro ... O final do jogo deste é para levar as pessoas a envolver-se em adoração ao diabo."

 Este cenário está se desdobrando diante de nós, Laurie disse. A tecnologia para fazer isso acontecer já está aqui. Ele citou Mark Hitchcock, um escritor sobre o tema da profecia: "O fato de que as palavras do Apocalipse 13 foram escritas na era de madeira, pedras, espadas e espírito, faz desta profecia uma das poderosas provas da natureza inspiradora e confiabilidade da palavra de Deus que alguém pudesse ter imaginado. Quem poderia prever um sistema de um mundo econômico que controla todo o comércio, senão Deus?"

 Deus conhece o futuro tão bem quanto nós conhecemos o nosso passado, Laurie disse. Embora às vezes nos esqueçamos até mesmo o nosso passado, Deus sabe o futuro com precisão completa. Só Deus pode dizer o que vai acontecer, como Isaías 46: 9,10 diz.

 Sobre a evolução da economia global, o pastor citou um especialista financeiro que disse à Fox News, "A reforma real é uma espécie de sindicato bancário, onde todos assinam a bordo, que vai haver uma espécie de um senhor bancário, um sindicato bancário que todo mundo vai ter que se curvar." Isso pode realmente acontecer? Na verdade, pode, Laurie disse. "E o líder será o anticristo, e ele terá a sua marca."

Laurie acrescentou, "a política econômica do Anticristo será muito simples. Pegue a minha marca e me adore, ou morra de fome ... Sem marca, sem mercadoria, sem selo, sem venda."

 A tecnologia para fazer isso já está aqui, disse o pastor. Uma manchete de 1° de junho de 2012 do New York Daily News se lê "Código de barras humano" poderia tornar a sociedade mais organizada." O artigo diz que, "implantes de microchips tornaram-se prática padrão para nossos animais de estimação, mas têm sido uma venda difícil quando se trata de a idéia de colocá-los em pessoas."

 Desde 2006, os novos passaportes americanos incluem tags de identificação por rádio frequência, conhecidas como RFID, que armazenam todas as informações no passaporte, bem como uma fotografia digital do dono. Em 2002, um chip de identificação implantado, chamado de VeriChip, foi aprovado pela Food and Drug Administration EUA. O chip pode ser implantado no braço de uma pessoa, e quando digitalizado pode extrair um número de identificação de 16 dígitos contendo informações sobre o usuário. No entanto, foi interrompido em 2010 em meio a preocupações sobre privacidade e segurança.

 "Eu estou dizendo que esta tecnologia será a marca da besta? Não, eu não estou", Laurie advertiu. "Eu só estou dizendo que a capacidade de tecnicamente executar isso existe."

 Nós não sabemos quando o período de tribulação começará, cinco ou 20 anos a partir de agora, Laurie disse. Mas, com a tecnologia de hoje, sabemos que tudo isso é "totalmente plausível." Mas não vamos exagerar, Laurie aconselhou. Nem todo selo colocado na mão de alguém por alguma autoridade é a marca da besta. Ou, se o número de um edifício de escritórios é 666, isso não é a marca da besta.

 Enquanto não sabemos exatamente quando a marca da besta vai aparecer, sabemos isso no entanto, que uma grande ilusão virá sobre o mundo e muitos acreditrão na mentira que conduz à sua destruição, como 2 Tessalonicenses 2:9 adverte. Destruição vai acontecer "porque eles se recusaram a acreditar que a verdade de que iria salvá-los." No tempo da tribulação, eles vão escolher a acreditar em uma mentira que o anticristo é "Deus", disse Laurie.

 Deus nos deu o livre arbítrio, o pastor enfatizou. Ele não vai nos forçar a acreditar em algo que não queremos acreditar. E se continuarmos a endurecer os nossos corações, vai chegar um dia em que Deus irá fortalecer a nossa determinação de não acreditar, alertou. Mas aqueles que respondem ao Espírito Santo também são reforçadas em sua vontade de acreditar, acrescentou.

 O falso profeta parece inofensivo - como uma cascavel bebê - mas vai ser tão prejudicial quanto o anticristo, Laurie disse. Ele vai enganar muitas pessoas.

 Já estamos caminhando para uma economia global e uma religião global, disse o pastor. A palavra de ordem para o dia é a tolerância, ele retratou. Nós temos pessoas que falam sobre os direitos reprodutivos das mulheres, o que significa que as mulheres têm o direito de matar seus próprios filhos; a morte com dignidade, que significa que a eutanásia dos idosos e tolerância religiosa, que significa que você tolera todas as religiões, exceto a que diz que Jesus Cristo é o único caminho para Deus, o Pai.

 No entanto, Apocalipse 14:01 fala sobre um outro tipo de marca, que nós, que somos crentes, queremos em nossas vidas: "E olhei, e eis que, no Monte Sião estava o Cordeiro, e com ele 144.000 que teve seu nome e o nome de seu Pai escrito em suas testas."

 Quem são essas pessoas? Estes são crentes messiânicos que encontraram Jesus como o Messias criado por Deus para anunciar o Evangelho, durante o período da tribulação, Laurie sugeriu. Nenhum deles se perdeu. "Deus não nos perde."

 Laurie disse que é importante para nós aprendermos com as características dos crentes que Apocalipse 14 se refere. Eles tinham a marca do Pai, e não a do anticristo. Você tem uma marca em você, e Deus pode vê-la, ele disse aos fiéis. Ainda hoje é importante que marca temos; Deus pode ver a marca.

 Eles cantaram uma nova música. As canções são sobre a celebração, explicou Laurie. Todos os crentes devem cantar uma "nova canção," o que Deus tem feito por eles hoje. Eles viveram uma vida pura - sem sexo antes do casamento ou fora do casamento, e só no contexto de homem e uma mulher casados, acrescentou. Eles também foram sinceros em sua fé. Eles não tinham nenhum engano ou hipocrisia. E eles "seguiram" o Cordeiro por onde quer que Ele fosse. Eles não eram como seguidores do Twitter, disse Laurie.

 "Você está pronto para encontrar o Senhor?" Laurie perguntou à platéia enquanto ele encerrava a mensagem.



 Fonte: The Christian Post / Blog Libertos do Opressor