domingo, 30 de junho de 2013

Quantas línguas são faladas no Brasil?


E olha que esse número não considera as comunidades de imigrantes nem as pessoas que aprendem uma língua estrangeira. São só os idiomas indígenas, falados por cerca de 160 000 pessoas.

por Ivy Farias

Fora o português – o único idioma oficial – há aproximadamente 180 outras línguas no Brasil. E olha que esse número não considera as comunidades de imigrantes nem as pessoas que aprendem uma língua estrangeira. São só os idiomas indígenas, falados por cerca de 160 000 pessoas.

A situação não está nada bonita para essa gente: segundo o lingüista Aryon Rodrigues, da UnB, 87% das línguas indígenas estão ameaçadas de “morte” – encaixam-se nessa categoria as línguas com­­ 10 ­­000­ falantes ou menos. Se um idioma tem só um falante, ele já é considerado morto, pois essa pessoa não tem mais ninguém para conversar em sua língua.

Ao contrário das pessoas, línguas podem ressuscitar, desde que o conhecimento seja preservado (num dicionário, por exemplo) e passado adiante. Foi o que aconteceu com o hebraico, que sumiu na Idade Média – quando passou a ter somente uso litúrgico – para renascer como o idioma oficial de Israel. Se a língua morre sem registro, ela é considerada extinta. A lingüista Januacele da Costa, da UFPE, estima que esse tenha sido o destino de 1 200 idiomas brasileiros desde a chegada dos portugueses. Na tentativa de salvar as línguas indígenas, lingüistas e professores se esforçam para ensiná-las às novas gerações. Hoje, há 2 422 escolas que oferecem alfabetização bilíngüe para as crianças índias.

A babel brasileira

Conheça algumas das línguas faladas pelos índios
Tucuna (40 000 falantes)
É a língua indígena mais conservada do Brasil. Os tucunas, habitantes da região do alto Solimões, no Amazonas, aprendem sua língua nativa em escolas públicas – onde os professores são, em sua maioria, não-índios.
Macu (1 falante)
Não se sabe por onde anda o único falante, Sinfrônio Makú, de mais de 70 anos. A última notícia que se teve dele é que trabalhava como jardineiro em Boa Vista, Roraima.
Xipaia (1 falante)
Maria Xipáya, de Altamira, Pará, é a última falante. Ela é uma idosa que nem sabe a própria idade. A língua está sendo dicionarizada pela lingüista Carmen Lúcia Rodrigues, da UFPA.
Embiá (10 000 falantes)
O embiá é uma variante do guarani falada em 7 estados: Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de Argentina e Paraguai. Os falantes do embiá também se comunicam em português.
Xetá (1 falante)
Mais uma língua prestes a sumir do mapa: o índio Kwen, de aproximadamente 80 anos, é o único falante. Ele mora em Laranjeiras do Sul, Paraná.
Nheengatu (3 000 falantes)
Conhecida como a língua geral amazônica – era usada por índios de diferentes etnias, além de caboclos –, é derivada do tupinambá. O idioma foi adotado pelo povo baré, do Amazonas, após o sumiço da própria língua.
Puruborá (0 falante)
Todas as pessoas que sabiam falar o idioma puruborá já morreram. Os índios da tribo, em Roraima, falam o português, mas alguns ainda conhecem poucas palavras da língua de seu povo.

Fonte: Site da Revista Superinteressante

A ideologia do quebra-quebra

Bela matéria do Estado de Minas de hoje. Informa, trata do tema com seriedade, sem impor uma leitura parcial e ideologizada. Lembra o velho e bom jornalismo brasileiro.


Entenda a ideologia por trás da quebradeiraClassificados de vândalos, jovens que promovem destruição nos protestos seguem o Black Bloc, movidos por ideais anarquistas

Publicação: 30/06/2013 06:00 Atualização: 30/06/2013 08:32

Daniel Camargos e Alessandra Mello
Durante a batalha de quarta-feira, com os rostos cobertos, manifestantes orientados por gritos combinados dos Black Blocs queimaram concessionárias na Avenida Antônio Carlos e usaram tapumes como escudos  ((Euler Júnior/EM/D.A Press))
Durante a batalha de quarta-feira, com os rostos cobertos, manifestantes orientados por gritos combinados dos Black Blocs queimaram concessionárias na Avenida Antônio Carlos e usaram tapumes como escudos

Pouco depois das 23h da última quinta-feira, durante a quarta Assembleia Popular que acontecia embaixo do Viaduto Santa Tereza, em Belo Horizonte, um jovem pediu a palavra e falou ao microfone: “Se vocês querem mudar e enfrentar a repressão, não será com cartaz. Tem que ter tropas para combater os cassetetes. Nós somos a tropa de choque do povo, somos o Black Bloc. Eu sou um vândalo, se é assim que a mídia me chama”. A fala do jovem, que se identificou como João, assustou as cerca de 200 pessoas que ainda estavam na assembleia e é uma das poucas faces nítidas de um movimento que intriga a polícia. Investigações  tentam entender como atuam e quem são os mineiros alinhados com o grupo que tem ideologia anarquista. 

Na última quarta-feira, durante a batalha que ocorreu nas avenidas Abrahão Caram e Antônio Carlos, foi possível identificar um grupo de manifestantes que partiram para o embate com a polícia e seguiam táticas definidas. Classificados como vândalos pela polícia, eles se orientavam com gritos combinados, usavam tapumes como escudos, escondiam o rosto e não hesitavam em devolver as bombas de gás lacrimogêneo em direção aos militares. 
“A Polícia Civil sabe da existência desse grupo e está fazendo investigações para tentar identificar quem são essas pessoas”, afirma a titular da Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, Paloma Boson Kairala. A polícia não revela detalhes da investigação, pois teme que atrapalhe o que já foi realizado. A corporação sabe que os integrantes do BB, como se referem ao grupo os próprios membros, têm como prisma a ideologia anarquista e pregam a quebradeira de órgãos públicos. 

Outro ponto identificado nas investigações é que os alvos principais do Black Bloc são os patrocinadores da Fifa, entre eles a fabricante de automóveis Hyundai e o Banco Itaú. Na batalha de quarta-feira em BH, a depredação foi iniciada numa revenda Hyundai e numa concessionária da Kia Motors, do mesmo grupo empresarial da Hyundai na Coreia, sede das duas. Porém, no Brasil, são representadas por grupos distintos.

“Esse grupo é organizado, mas existem pessoas que chegam lá por causa do calor e da emoção. Outros com passagens pela polícia que aproveitam para furtar. Tem de tudo nessas manifestações”, entende Paloma, mostrando que o grupo não consegue controlar os ataques traçados antes das manifestações. 

O Black Bloc é hostil à imprensa. Um e-mail enviado pela reportagem com várias perguntas foi respondido com um texto panfletário. “Somos o grupo que está na frente das grandes manifestações em momentos de conflito. Não somos nós que iniciamos, somos nós que seguramos a bomba e tomamos tiro para que o restante possa correr. Enquanto a maioria corre, nós retardamos o opressor ao máximo”, informa o grupo.

O texto destaca que não existe uma organização fixa e que o grupo pode ser visto como “coletivo temporário de anarquistas”. O grupo nega que existam líderes e também diz que não há reuniões e que os integrantes têm entre 17 e 30 anos. “A corporação policial torna-se nossa inimiga somente a partir do momento em que suas ações tomam caráter opressor ou repressor. Somos pessoas como quaisquer outras, temos vida, temos que estudar e trabalhar”, conclui o texto. 

Referências
Um dos guias para os seguidores é um manual de 397 páginas chamado The Black Bloc Papers, disponível on-line, com um histórico dos principais confrontos e também um detalhamento das estratégias recomendadas para os manifestantes radicais. O manual ensina noções de primeiros socorros, o que fazer em caso de prisão e recomenda dicas básicas, como sempre levar uma camisa diferente na mochila, para não ficar marcado pela polícia e poder fugir após os conflitos.

O BB não remete a movimentos anarquistas da década de 1980, mas, depois da onda de protestos, ganhou novos adeptos no Brasil e muitas páginas nas redes sociais. Caso do Black Bloc mineiro, que abriu seu canal de informação no Facebook no dia 21, quatro dias depois da segunda manifestação na capital mineira, que reuniu cerca de 30 mil pessoas. Hoje já existem páginas do movimento em pelo menos nove estados, todas criadas depois do início dos protestos pela redução das tarifas na capital paulista. 

Além dos perfis nas redes sociais, o grupo tem como canal de comunicação um programa de computador usado para conversas on-line entre jogadores de videogame ou o TwitCasting, que permite transmitir um vídeo ao vivo a partir de aparelhos de telefone celular. Também trocam fotos, sempre imagens de confronto com a polícia ou cenas de depredação, mensagens de solidariedade entre os grupos, instruções sobre como agir nos protestos, vídeos e textos doutrinários. 

Somente o Black Bloc Brasil, grupo criado no Facebook em 2012, já tem quase 200 mil seguidores. Na página, uma foto de manifestantes quebrando uma estação de metrô e uma citação do Jack Kerouac, escritor norte-americano, símbolo da geração beatnik, autor de On the road: “Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas”.

Estudo
Jeffrey Juris é professor de antropologia do Departamento de Sociologia e Antropologia da Northeastearn University, em Boston, nos Estados Unidos, e estudou os Black Blocs após os conflitos em Gênova, na Itália, em 2001, durante encontro dos oito países mais ricos do mundo, o G-8, quando um manifestante foi morto atingido por uma arma de fogo. 

Juris explica que o Black Bloc não é uma organização, mas um conjunto de táticas editadas e difundidas pela internet por grupo de jovens militantes durante os protestos. Geralmente, mas sem ser uma regra, eles vestem calças e blusas pretas, botas e máscaras ou bandanas para cobrir o rosto. Aas máscaras servem para esconder a identidade, mas também tem outra função: “Expressar solidariedade coletiva através do anonimato e retratar imagens típicas da rebeldia juvenil”, afirma Juris. Ainda segundo o acadêmico, eles têm uma postura anticapitalista e rejeitam o mercado e o Estado.

Fonte: Blog do Rudá Ricci

sábado, 29 de junho de 2013

Exército está em treinamento pesado para agir a qualquer momento



Com a explosão das manifestações pelo país, tropas do Exército de Brasília estão recebendo treinamentos específicos, desde sábado, para aplicá-los durante os protestos, caso as Forças Armadas sejam convocadas a ir para a rua.

Por Lauro Jardim

Fonte: Veja / Blog Blitz Digital


Coronel do Exército afirma que o Brasil está a três passos da guerra civil

Escrito por Cel. Gelio Fregapani


Segue o artigo do Coronel na íntegra:

Os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina.


Falta ainda homologar no Congresso e unir as várias reservas indígenas em uma gigantesca, e declarar sua independência. Isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.

Quase tão problemática quanto a questão indígena é a quilombola. Talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.

O MST se desloca como um exército de ocupação. As invasões do MST são toleradas, e a lei não aplicada. Os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja: a convulsão social. Este conflito parece inevitável.
O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.

Pela primeira vez em muito tempo, está havendo alguma discussão sobre a segurança nacional. Isto é bom, mas sem identificarmos corretamente as ameaças, não há como nos preparar para enfrentá-las.

A crise econômica e a escassez de recursos naturais poderão conduzir as grandes potências a tomá-los a manu militari, mas ainda mais provável e até mais perigosa pode ser a ameaça de convulsão interna provocada por três componentes básicos:

— a divisão do povo brasileiro em etnias hostis;
— os conflitos potenciais entre produtores agrícolas e os movimentos dito sociais;
— e as irreconciliáveis divergências entre ambientalistas e desenvolvimentistas.

Em certos momentos chega a ser evidente a demolição das estruturas políticas, sociais, psicológicas e religiosas, da nossa Pátria, construídas ao largo de cinco séculos de civilização cristã. Depois, sem tanto alvoroço, prossegue uma fase de consolidação antes de nova investida.

Isto ainda pode mudar, mas infelizmente os rumos que seguimos apontam para a probabilidade de guerra intestina. Em havendo, nossa desunião nos prostrará inermes, sem forças para nos opormos eficazmente às pretensões estrangeiras.

A ameaça de conflitos étnicos, a mais perigosa pelo caráter separatista

A multiplicação das reservas indígenas, exatamente sobre as maiores jazidas minerais, usa o pretexto de conservar uma cultura neolítica (que nem existe mais), mas visa mesmo a criação de "uma grande nação" indígena. Agora mesmo assistimos, sobre as brasas ainda fumegantes da Raposa-serra do Sol, o anúncio da criação da reserva Anaro, que unirá a Raposa/São Marcos à Ianomâmi. Posteriormente a Marabitanas unirá a Ianomâmi à Balaio/Cabeça do Cachorro, englobando toda a fronteira Norte da Amazônia Ocidental e suas riquíssimas serras prenhes das mais preciosas jazidas.


O problema é mais profundo do que parece; não é apenas a ambição estrangeira. Está também em curso um projeto de porte continental sonhado pela utopia neomissionária tribalista. O trabalho de demolição dos atuais Estado-nações visa a construção, em seu lugar, da Nuestra América, ou Abya Yala, idealizado provavelmente pelos grandes grupos financistas com sede em Londres, que não se acanha de utilizar quer os sentimentos religiosos quer a sede de justiça social das massas para conservar e ampliar seus domínios. O CIMI, organismo subordinado à CNBB, não cuida da evangelização dos povos indígenas segundo o espírito de Nóbrega, Anchieta e outros construtores de nossa nação. Como adeptos da Teologia da Libertação, estão em consonância com seus colegas que atuam no continente, todos empenhados na fermentação revolucionária do projeto comuno-missionário Abya Yala.

O processo não se restringe ao nosso País, mas além das ações do CIMI, a atuação estrangeira está clara:

— Identificação das jazidas: já feito;
— atração dos silvícolas e criação das reservas sobre as jazidas: já feito;
— conseguir a demarcação e homologação: já feito na maior parte;
— colocar na nossa Constituição que tratados e convenções internacionais assinados e homologados pelo congresso teriam força constitucional, portanto acima das leis comuns: já feito;
— assinatura pelo Itamarati de convenção que virtualmente dá autonomia à comunidades indígenas: já feito.

Falta ainda homologar no congresso e unir as várias reservas em uma gigantesca e declarar a independência, e isto não poderemos tolerar. Ou se corrige a situação agora ou nos preparemos para a guerra.

O perigo não é o único, mas é bastante real. Pode, por si só, criar ocasião propícia ao desencadeamento de intervenções militares pelas potências carentes dos recursos naturais — petróleo e minérios, quando o Brasil reagir.

Quase tão problemática quanto a questão indígena é a quilombola

A UnB foi contratada pelo Governo para fazer o mapa dos quilombolas. Por milagre, em todos os lugares, apareceram "quilombolas". No Espírito Santo cidades inteiras, ameaçadas de despejo. Da mesma forma em Pernambuco. A fronteira no Pará virou um quilombo inteiro.
Qual o processo? Apareceram uns barbudos depiercings no nariz, perguntando aos afro-descendentes: "O senhor mora aqui?" "Moro." "Desde 1988?" (o quilombola que residisse no dia da promulgação da Constituição teria direito à escritura). "Sim". "Quem morava aqui?" "Meu avô." "Seu avô por acaso pescava e caçava por aqui?" "Sim" "Até onde?" "Ah, ele ia lá na cabeceira do rio, lá naquela montanha." "Tudo é seu." E escrituras centenárias perdem o valor baseado num direito que não existe. Não tenho certeza de que isto não seja proposital para criar conflitos.


Tem gente se armando, tem gente se preparando para uma guerra. Temos de abrir o olho também para esse processo, que conduz ao ódio racial. Normalmente esquerdistas, talvez desejem começar uma revolução comunista com uma guerra racial.

Certamente isto vai gerar conflitos, mas até agora o movimento quilombola não deu sinal de separatismo.

Os Conflitos Rurais — talvez os primeiros a eclodir

O MST se desloca como um exército de ocupação, mobilizando uma grande massa de miseráveis (com muitos oportunistas), dirigidos por uma liderança em parte clandestina. As invasões do MST são toleradas e a lei não aplicada. Mesmo ciente da pretensão do MST de criar uma "zona livre", uma "república do MST" na região do Pontal do Paranapanema, o Governo só contemporiza; finge não perceber que o MST não quer receber terras, quer invadi-las e tende a realizar ações cada vez mais audaciosas.

É claro que os produtores rurais, desesperançados de obter justiça, terminarão por reagir. Talvez seja isto que o MST deseja; a convulsão social, contando, talvez, com o apoio de setores governamentais como o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo Pedro Stédile: "O interior do Brasil pode transformar-se em uma Colômbia. A situação sairá de controle, haverá convulsões sociais e a sociedade se desintegrará."

Este conflito parece inevitável. Provavelmente ocorrerá num próximo governo, mas se ficar evidente a derrota do PT antes das eleições, é provável que o MST desencadeie suas operações antes mesmo da nova posse.

O ambientalismo distorcido, principal pretexto para uma futura intervenção estrangeira

Já é consenso que o ambientalismo está sendo usado para impedir o progresso, mesmo matando os empregos Caso se imponham os esquemas delirantes dos ambientalistas dentro do governo, com as restrições de uso da terra para produção de alimentos, um terço do território do País ficará interditado a atividades econômicas modernas.

Há reações, dos ruralistas no interior do País, nas elites produtivas e até mesmo em setores do governo, mas as pressões estrangeiras tendem a se intensificar. Se bem que raramente o meio ambiente serviu de motivo para guerra, hoje claramente está sendo pretexto para futuras intervenções, naturalmente encobrindo o verdadeiro motivo, a disputa pelos escassos recursos naturais.

No momento em que a fome ronda o mundo, o movimento ambientalista, a serviço do estrangeiro, mas com respaldo do governo e com apoio de uma massa urbana iludida, chama de "terra devastada" àqueles quadrados verdejantes de área cultivada, que apreciamos ver na Europa e nos Estados Unidos, e impede a construção de hidrelétricas para salvar os bagres. Com a entrada da Marina Silva na disputa eleitoral, nota-se, lamentavelmente, que todos os candidatos passarão a defender o ambientalismo, sem pensar se é útil para o País.

A três passos da guerra civil

O ambientalismo, o indianismo, o movimento quilombola, o MST, o MAB e outros similares criaram tal antagonismo com a sociedade nacional, que será preciso muita habilidade e firmeza para evitar que degenere em conflitos sangrentos.
Várias fontes de conflito estão para estourar, dependendo da radicalização das más medidas, particularmente do Ministério da Justiça:

— Roraima não está totalmente pacificada;
— o Mato Grosso do Sul anuncia revolta em função da decisão da Funai em criar lá novas reservas indígenas;
— no Rio Grande, os produtores rurais pretendem reagir às provocações do MST;
— Santa Catarina ameaça usar a PM para conter a fúria ambientalista do ministro Minc, que queria destruir toda a plantação de maçã.

Uma vez iniciado um conflito, tudo indica que se expandirá como um rastilho de pólvora. Este quadro, preocupante já por si, fica agravado pela quase certeza de que, na atual conjuntura da crise mundial o nosso País sofrerá pressões para ceder suas riquezas naturais — petróleo, minérios e até terras cultiváveis — e estando dividido sabemos o que acontecerá, mais ainda quando uma das facções se coloca ao lado dos adversários como já demonstrou o MST no caso de Itaipu.

Bem, ainda temos Forças Armadas, mas segundo as últimas notícias, o Exército (que é o mais importante na defesa interna) terá seu efetivo reduzido. Será proposital?
Que Deus guarde a todos vocês.

O cel. Gelio Fregapani é escritor, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia.

Fonte: Conservadorismo Brasil. / Site Blitz Digital

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Usuários de drogas podem ter 10% de vagas em concurso

Ideia foi apresentada ontem, em ciclo de debates na ALMG
Ideia foi apresentada ontem, em ciclo de debates na ALMG
PUBLICADO EM 26/06/13 - 03h00
Diante da escassez de investimentos públicos para os tratamentos de usuários de drogas no Estado e da alta taxa de ocupação das vagas públicas destinadas a esse tipo de abordagem, Minas poderá adotar uma medida polêmica: reservar 10% das vagas em concursos públicos no Estado para dependentes químicos.

A sugestão foi feita pelo presidente da Comissão de Enfrentamento ao Crack, o deputado estadual Vanderlei Miranda (PMDB), durante o ciclo de debates Um Novo Olhar sobre o Dependente Químico, encerrado, ontem, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na capital. “Fomos muito cobrados de que o poder público não ajuda na reinserção de usuários de drogas. Sugeri isso ao governo, mas ainda não obtive resposta para decidirmos o que fazer”, afirmou.
O projeto causa polêmica entre entidades que lidam com o tratamento de dependentes químicos. Para Robert William, da ONG Defesa Social, que trabalha com o tratamento de dependentes químicos, o investimento deveria ser em vagas públicas de tratamento. “Em certo ponto, pode parecer bom (reservar empregos públicos para usuários de drogas), ajudando o dependente a se reinserir. Mas o principal é que o Estado invista em vagas públicas de tratamento”, frisou.
Segundo Cleiton Dutra, assessor de política de gabinete da Subsecretaria de Política Anti-Drogas, a reserva de vagas para usuários de drogas em concursos públicos não foi analisada. “Não tenho conhecimento do assunto, isso deve ser analisado. Mas, independentemente disso, vamos expandir as vagas públicas futuramente”, disse.

Números

Minas oferece 1.600 vagas de para tratamento de dependentes químicos – 96,34% das quais ocupadas, segundo a subsecretaria de Polícia Anti-Drogas – e pretende chegar a 3.000 mil, mas a expansão não tem data prevista.

Fonte: Site O Tempo

Libertários e o cristianismo

Jesus em um vitral
A filosofia libertária, a qual é a base da Free Nation Foundation (Fundação Nação Livre) [N.R.: Free Nation Foundantion é um think-tank libertário que tem como objetivo a criação de nações libertárias ao redor do mundo], é compatível com o Cristianismo. Não só isso, o libertarianismo é a única filosofia política compatível com a ética de Jesus. Além disso, apesar de que muitos cristãos e muitos libertários não estejam cientes disso, os cristãos estão logicamente alinhados com a mais radical ala do movimento libertário – os anarquistas. Eu pretendo sustentar essas afirmações aqui para encorajar mais cristãos a participarem da Free Nation Foundation.
O libertarianismo como uma filosofia moral está baseado nos princípios de que é errado iniciar violência e é errado roubar. Muitas pessoas concordam com esses princípios, mas elas não os aplicam ao governo. O libertarianismo é único no sentido de que ele não exime as ações governamentais desses requisitos de justiça elementar. Consequentemente, os libertários condenam as atividades estatais como a guerra e a tributação, e os libertários querem reduzir o poder governamental ao mínimo, de forma a reduzir o crime governamental. Isso significa que os libertários são minarquistas ou anarquistas, dependendo de quanto governo eles acreditam que seja possível abolir. Reduzir o máximo possível o poder governamental é a mesma coisa que maximizar a liberdade, então somos denominados libertários.
A filosofia libertária não é uma visão completa de mundo. Ela não diz nada sobre metafísica, epistemologia, estética ou teologia. Ela tampouco tem muito a dizer sobre moralidade, exceto que o roubo e a iniciação de violência são errados, mesmo quando praticados pelo governo. A maior parte dos libertários que eu conheço é cética quanto ao poder sobrenatural da mesma forma que é cética quanto ao governo. Tudo depende se a sua religião admite o roubo e a iniciação de violência pelo estado.
As coisas que Jesus ensinou sobre o fim do mundo, o Reino de Deus, a redenção, a salvação, agraça e a vida eterna são essenciais ao Cristianismo como religião. E as fortes convicções de Jesus sobre caridade, casamento, inveja, honestidade, fidelidade, piedade, riqueza material e serviço a Deus são essenciais na definição de uma perfeita vida cristã. Mas é o que Jesus ensinou sobre roubo e violência que define a filosofia política cristã, porque filosofia política consiste dos princípios para o uso do poder político, que é financiado por roubo e baseado na violência.
A Filosofia Política de Jesus
Jesus era totalmente contra o roubo e a violência. Ele aderiu aos Dez Mandamentos, incluindo o oitavo: "Não roubarás" (Êxodo 20:15). E ele era um pacifista. Ele ensinou que nós não devemos usar a violência para resistir ao mal ou para punir os que praticam o mal. Ao invés disso, nós devemos responder aos que praticam o mal com amor. Nós devemos amar nossos vizinhos e mostrar boa-fé a nossos inimigos.
Qualquer leitor do Novo Testamento que o fizer de mente aberta, concluirá que Jesus advogava a não-resistência e a não violência, apesar de algumas passagens tenderem a apontar na direção oposta. Que Jesus se opunha à guerra e à violência é admitido até mesmo por Reinhold Niebuhr, o principal teólogo defensor dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Niebuhr escreveu:
É muito tolo negar que a ética de Jesus é uma ética absoluta e inflexível... Os comandos ‘não resista ao mal', 'ame seus inimigos'...'não seja ansioso pela sua vida,' 'seja perfeito como seu Pai é perfeito no paraíso' são todos de um fragmento, e eles são não inflexíveis e absolutos [1]
Mesmo que Jesus se considere o Messias que o povo judeu estava à espera, ele se recusou a liderar os Zelotes numa revolução violenta contra os Romanos, conquistadores e opressores do seu povo. Quando foram prendê-lo, um dos seus seguidores desembainhou sua espada e cortou a orelha de um servo de um alto sacerdote. Jesus disse:
Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça? | Mateus 26:52-54
Ao invés da violência, ele praticou o perdão, e ele não ofereceu resistência mesmo quando o crucificaram.
Jesus não acreditava em resistir ao mal com violência, no entanto, acreditava em protestar fortemente contra ela. Ele não era um colaborador ou um homem que negociaria com o demônio. Ele era um defensor radical do Reino de Deus. E ele ensinou seus discípulos a serem fanáticos e radicais como ele era. Ele os ensinou a obedecerem a Deus ao invés do governo.
Os Fariseus conheciam a atitude de Jesus sobre servir a ninguém além de Deus, Então os fariseus se retiraram e consultaram entre si como o apanhariam em alguma palavra; (Mateus 22:15), para deixa-lo em situação difícil perante a lei. Eles tentaram fazê-lo condenar publicamente o pagamento de impostos. Mas Jesus ainda não estava pronto para morrer, e eles não foram inteligentes o bastante para enganá-lo. Eles disseram a ele:
Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens.17 Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César? 18 Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto! Apresentaram-lhe um denário. Perguntou Jesus: De quem é esta imagem e esta inscrição? De César, responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. | Mateus 22:16-21
Quando ele estava pronto para morrer e estava sendo julgado por sua vida perante o governador, Jesus não mentiria, mas, de novo, ele se recusou a dizer qualquer palavra que daria ao governador uma desculpa para crucifica-lo.
E foi Jesus apresentado ao governador, e o governador o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes. E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti? E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o governador estava muito maravilhado. | Mateus 27:11-14
Jesus encorajou seus seguidores a manter a fé apesar do que aqueles no poder poderiam fazer a eles:
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. | Mateus 5:10-12
Ele os avisou sobre os maldosos Conselhos, e governadores e reis:
 Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios.  | Mateus 10:16-18

Quando, pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem. | Mateus 10:23
Embora Jesus tenha sido contra a violência, ele não era submisso e moderado. Ele demandou uma devoção em tempo integral e serviço por toda a vida a ele acima de tudo e de todos. Sua filosofia política incluía os princípios morais libertários: oposição inflexível ao roubo e à iniciação de violência. Mas Jesus foi mais contra a violência que muitos libertários são. Ele era um anarquista pacifista. Ele era um extremista que estava disposto a morrer por suas crenças em vez de conciliar. Ele era um fora-da-lei que fundou uma “seita religiosa ilegal” e, por causa disso, ele foi executado pelo estado.
As Palavras e Atos Políticos de Paulo
A defesa mais forte do governo no Novo Testamento está nas cartas de Paulo aos Romanos, onde ele diz que nós devemos pagar nossos impostos e honrar e obedecer aos nossos governantes, porque eles são ministros de Deus e se você resistir a eles, você está resistindo a Deus e você será condenado ao inferno (Romanos 13). As declarações de Paulo são bastante claras e inequívocas, mas há razões pelas quais os cristãos devem desconsiderá-las: (1) elas veem de Paulo e não de Jesus, então não são da fonte mais autorizada e (2) o próprio Paulo as ignorou.
Por exemplo, quando Paulo estava em Damasco (Atos 9:23), os líderes judeus fizeram uma armadilha para matá-lo, e o governador do Rei Aretas mandou guardas aos muros da cidade para prendê-lo (2 Coríntios 11:32-33), mas Paulo desafiou a lei, e seus amigos cristãos o colocaram numa cesta à noite e desceram ele por uma janela no muro, e ele escapou das autoridades. Paulo também fugiu das autoridades em Icônio (Atos 14:5-7) e ele se escondeu de judeus bravos e autoridades do governo em Tessalônica (Atos 16:4-7). Ele não teve tanta sorte em Cesaréia, onde ele ficou preso por dois anos por divulgar ideias ilegais. Finalmente, a sorte desse fora-da-lei se acabou completamente quando ele perdeu sua apelação para Roma e foi executado pelo governo “legitimamente estabelecido”,
As Palavras e Ações de Pedro
O apóstolo Pedro também ensinou o respeito ao imperador e seus governantes (I Pedro 2:13-17), mas, como Paulo, ele nem sempre seguiu seu próprio conselho. Pedro e outros apóstolos que estavam com ele foram presos e colocados na prisão por pregar e curar sem uma licença (Atos 5:17-21). E o que Deus fez? Deus condenou Pedro por violar a lei? Deus perdoou Pedro e disse que ele violou a lei por uma boa razão, mas que ele deveria pagar o preço como um opositor responsável? Não! Deus enviou um anjo para abrir as portas da prisão, que tinham sido fechadas e lacradas pelas autoridades governamentais. Deus tomou o lado dos apóstolos criminosos e os tirou da prisão! Deus não somente ajudou e deu apoio a esses “criminosos”, ele fez com que o anjo dissesse a eles para irem ao templo pregarem o Evangelho e violarem a lei de novo! Os apóstolos fizerem o que foi dito a eles e foram presos novamente. Quando o Conselho perguntou a Pedro por que ele deliberadamente violou a lei ao pregar em nome de Jesus, Pedro respondeu: "Nós devemos obedecer a Deus e não aos homens" (Atos 5:29). As autoridades foram convencidas por Gamaliel a não matar os apóstolos. Em vez disso, o conselho fez com que os apóstolos apanhassem e fossem posteriormente liberados sob as ordens de não falarem em nome de Jesus.
Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo. | Atos 5:41-42
Pedro, como Paulo, foi ao final executado pelo governo Romano pelo crime de colocar Deus acima do governo. Esses contraventores condenados foram os dois grandes apologistas do estado do Novo Testamento. As suas ações mais do que compensam as poucas palavras aberrantes que eles ofereceram em nome dos poderes governamentais.
A Igreja Fora-da-Lei
Os discípulos e seguidores originais de Jesus até o quarto século continuaram a praticar sua filosofia de não-resistência, amor e perdão. Naqueles dias, o Cristianismo era uma religião fora-da-lei. Aqueles pegos praticando o Cristianismo eram perseguidos. Foi escondendo-se e fazendo coisas que eram ilegais aos olhos do governo que o Cristianismo teve sucesso em divulgar o Evangelho pela Europa. [2] Tentando seguir as pegadas de Jesus, nenhum cristão se tornaria um soldado depois do batismo até pelo menos a época de Marco Aurélio (por volta de 170 D.C.). [3] Aristides, Justino Mártir e Tatiano no Século II, Tertuliano, Orígenes, Cipriano e Hipólito no Século III e Lactâncio no Século IV deram declarações que mostram que eles consideravam a guerra como pecado organizado e uma negação à maneira de Jesus. [4]
A Igreja Estabelecida
A Igreja foi cristã [5] até o Imperador Constantino se declarar cristão em 312. Depois disso, a Igreja se tornou a religião do estado e se opôs ao Cristianismo. A Igreja foi longe até o ponto de pronunciar que a atitude do Cristianismo primitivo estava sujeita à punição, e tão cedo como em 314 o Concílio de Arles decretou que “aqueles que jogarem fora suas armas em tempos de paz devem ser excomungado”. [6] Liev Tolstói disse que a aliança entre a Igreja de Roma e o Império Romano foi “o momento quando a maioria dos cristãos abandonou sua religião”. [7] Ele descreveu o acordo entre a Igreja e o imperador sarcasticamente, conforme segue:
... eles santificam o seu ladrão-chefe, e dizem que procede de Deus, e eles o ungem com óleo santo. E ele, por seu turno, organiza para eles o congresso de sacerdotes que desejam, e ordena a eles a dizer qual a relação de cada homem com Deus deve ser, e ordena cada um a repetir o que eles dizem.
E todos começaram a repetir, e estavam contentes, e agora esta mesma religião existe há 1.500 anos, e outro ladrão-chefe a adotou, e todos eles foram lubrificados com óleo santo, e todos eles foram ordenados por Deus ...
E tão logo um dos ungidos ladrões-chefes deseje que o seu povo e outros comecem a se matar, os sacerdotes imediatamente preparam água benta, benzem a cruz (a que Cristo suportou e na qual morreu, porque ele repudiou tais ladrões), tomam a cruz e abençoam o ladrão-chefe em seu trabalho de abate, execução e destruição. [8
A Igreja de Roma adotou o conceito de “guerra justa” e progressivamente tenciona colocar a cruzada do dia nessa categoria. [9] Nesse meio tempo, outros ramos do “Cristianismo” também entraram no caminho “pagão” como quando Vladimir adotou o Cristianismo em 988 D.C. e fez com que o povo de Kiev se dirigisse ao rio Dniepr para ser batizados contra sua vontade. [10]
Mantenedores da Fé
Uma vez que as Igrejas foram cooptadas pelos diversos imperadores, a maioria dos “cristãos” tem se oposto à filosofia de Jesus de não resistência ao mal. No entanto, ao longo dos séculos, alguns não conformistas ousaram apoiar a filosofia moral de Jesus sob o risco de se tornarem mártires da vingança da Igreja ortodoxa. Os Batistas alemães e Menonitas, os Amigos ou Quakers, e os Shakers são exemplos. Até mesmo a Igreja de Roma tolerou a não violência dentro de algumas de suas ordens monásticas. Francisco de Assis praticou a não violência como parte de sua tentativa de levar uma vida perfeita a maneira de Jesus.
Em 1846, Adin Ballou publicou A Não-Resistência Cristã, que é uma longa defesa da filosofia moral de Jesus que mostra suas implicações libertárias. [11] Liev Tolstói, que foi influenciado pelo livro de Adin Ballou, tornou-se um famoso defensor da não violência cristã e do anarquismo. Ele usou sua influência para levantar dinheiro da Inglaterra e Quakers americanos para contratar navios, em 1899, para levar aproximadamente 12.000 Dukhobors (cristãos russos que se recusaram a portar armas e foram consequentemente perseguidos e exilados pelo governo “cristão” do Tzar) para uma grande área de terra no Canadá onde eles foram autorizados a praticar a não violência. [12]
Albert Schweitzer foi inspirado pela filosofia da não violência de Jesus. Ele a expandiu na filosofia de reverência pela vida. Depois de obter doutorados em filosofia e teologia e de se tornar o principal tocador de órgão de tubo na Europa e autoridade em Bach e também pastor e autor cristão, Schweitzer decidiu que não estava fazendo o bastante por Cristo. Então ele voltou à faculdade, tornou-se doutor em Medicina e depois se mudou para a África Equatorial para ministrar às necessidades médicas e espirituais dos africanos desafortunados. Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo francês o prendeu, trouxe-o de volta da África e o colocou num campo de prisioneiros de guerra nos Pirineus porque tecnicamente ele era um indivíduo alemão. Depois da guerra ele continuou a dividir o seu tempo entre ser médico na África, lecionando e dando recitais de órgãos na Europa. Ele ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1952.
Irmão Andrew, um cristão calvinista da Dinamarca, exemplificou outro aspecto do Cristianismo que leva a ações radicais em violação às leis do governo. Como os primeiros cristãos, Irmão Andrew tomou de coração o comando de Jesus de divulgar o Evangelho.
Veja você, eu não acredito que nosso Senhor esteja disposto a que sua Palavra e testemunho sejam mantidos fora de qualquer país por fronteiras guardadas ou decretos governamentais. Isso seria contrário tanto ao espírito e à letra do seu comando a nós a fazer discípulos de todas as nações. De fato, não faz mais sentido concentrar esforços naqueles lugares que são mais resistentes ao Evangelho, os mais dominados pelo poder do diabo?" [13]
Assim, durante a Guerra Fria, o Irmão Andrew contrabandeou Bíblias para os países da Cortina de Ferro em violação às leis dos governos comunistas, e ele se tornou o organizador de dezenas de equipes de contrabandistas internacionais que traziam ilegalmente milhares de Bíblias e documentos cristãos às vítimas do comunismo. Ele ofereceu uma defesa cristã dessas atividades criminosas no livro A ética do Contrabando, em que ele expressa pontos de vista que estão em linha com os libertários mais radicais. Ele acreditava que para ter sucesso contra o diabo que você tem que ser tão dedicado e fanático por Jesus como os comunistas são contra ele. Ele também acreditava que para seguir a lei de Deus às vezes é necessário violar as leis governamentais.
Quero ser muito claro aqui: se somos consistentes em manter a lei de Deus, necessariamente teremos que quebrar a lei de muitos governos Neste momento, em todos os governos sem Deus e ateus, onde eles nos dizem para não ensinar, para não levar Bíblias, temos que violar essa lei ou violar a lei de Deus  [14].
O que muitos consideram como uma questão ética, dizendo, 'Oh, você não deve contrabandear, você deve seguir a lei,' nada mais é que um acordo com o diabo. No debate sobre a moralidade de contrabando, nós negamos a Deus o direito de governar o mundo. E é exatamente por isso que o diabo governa. [15]
Libertarianismo Cristão
A ligação entre o Cristianismo e o libertarianismo é muito simples. A filosofia moral cristã inclui os princípios libertários de que é errado iniciar a violência e de que é errado roubar. O Cristianismo é, portanto, uma religião libertária. Como religião, o Cristianismo vai além do libertarianismo, incluindo crenças sobre diversos assuntos, além de justiça e política. No entanto, uma vez que os cristãos aceitem as premissas do libertarianismo, eles devem, logicamente, chegar às mesmas conclusões sobre a moralidade de tributação do governo, legislação e guerra. Se for moralmente errado para um cristão roubar ou iniciar violência, também deve ser moralmente errado para um cristão defender, desculpar, recomendar, aprovar ou autorizar alguém a cometer esses crimes em seu nome. Como Tolstói disse:
Leis são regras feitas por pessoas que governam por meio da violência organizada, e cuja não observância sujeita aquele que não observou a lei a desapontamentos, perda de liberdade ou até mesmo a ser assassinado. [16]
Portanto é moralmente errado a um cristão defender, desculpar, recomendar ou aprovar a tributação do governo, punição, legislação, guerra ou violência de qualquer tipo.
A ética perfeccionista de Jesus vai além dos requisitos mínimos de admissão de libertarianismo. Tudo o que o libertarianismo requer é que você não tolere o roubo ou a iniciação de violência por parte de ninguém. Libertarianismo não exige que você não resista quando alguém o ataca. O libertarianismo permite, mas não exige, o uso da violência em legítima defesa contra agressores. Além disso, o libertarianismo permite delegar o seu direito à autodefesa para outros. Esta é a origem do desacordo entre os libertários do governo limitado e os libertários anarquistas. Os libertários do governo limitado acreditam que os governos têm de alguma forma a autoridade para proteger os nossos direitos e punir os criminosos. Os anarquistas negam isso. Os cristãos, que nem sequer acreditam em usar a violência para a autodefesa ou punição, devem, logicamente, ser alinhados com os anarquistas.
Os cristãos não podem tolerar a derrubada violenta do governo, mas o Cristianismo destruiria o governo ao retirar seu apoio.
Um homem que se recuse a matar e prender seu semelhante não pretende destruir o governo: ele simplesmente não deseja fazer o que é contrário à vontade de Deus; ele está apenas evitando o que não só ele, mas todo aquele que é acima de um bruto, considera, sem dúvida, o mal. Se, por esse meio, o governo é destruído, isso só mostra que as exigências do governo são contrárias à vontade de Deus - isto é, eles são o mal;. e, portanto, o governo, sendo em si um mal, vem a ser destruído. [17]
Nós encorajamos os cristãos a se juntar ao Libertarianismo. Nós precisamos de mais libertários radicais para equilibrar os pouco convictos estatistas mínimos. Vamos trabalhar juntos para criar um santuário para os seres humanos, um refúgio contra a violência organizada, uma terra de paz e liberdade.

***
Tradução de Ronaldo Bassit. Revisão de Matheus Pacini. 



Notas
1 Reinhold Niebuhr, Why the Christian Church is Not Pacifist, p. 15. 

2 Brother Andrew, The Ethics of Smuggling (Tyndale House Publishers, Wheaton, Illinois, 1st ed. 1974), p. 44. 

3 Harnack, Militia Christi, p. 47. 

4 G.H.C. Macgregor, The New Testament Basis of Pacifism (Fellowship Publications, Nyack, NY, 1960), p. 88. 

5 Por “cristão” eu quero dizer seguidor dos ensinamentos de Jesus. 

6 Macgregor, p. 90. 

7 "Church and State," p. 149 in Tolstoi's Essays on Life (Carlton House, New York, 1928). 

8 "Church and State," pp. 151-152. 

9 Na Itália, a aprovação "cristã" da Segunda Guerra Mundial era tão forte que dizem que os bispos italianos peticionaram a Mussolini para estender a “cruzada” até a Terra Santa (Macgregor, p. 149.) 

10 Nota de rodapré do tradutor de "Church and State," p. 150, nos Essays on Life de Tolstói. 

11 Adin Ballou, Christian Non-Resistance (Universal Peace Union, Philadelphia, Pa., 2nd ed. 1910; reprinted in 1970 by Da Capo Press, New York). 

12 Nota de rodapré do tradutor de "The Emigration of the Dukhobors," p. 316, nos Essays on Life de Tolstói.. 

13 Brother Andrew, p. 29. 

14 Ibid., p. 48. 

15 Ibid., p. 51. 

16 "The Slavery of Our Times," p. 359 in Tolstoi's Essays on Life. 

17 "Persecution of Christians in Russia," p. 302 in Tolstoi's Essays on Life.
Roy Halliday recentemente se aposentou como editor técnico de uma grande companhia de Desenvolvimento de software e está trabalhando num ensaio em formato de livro sobre justiça.


Fonte: Site Libertarianismo

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Segredos de Agatha Christie

O pesquisador irlandês John Curran teve acesso a mais de 70 cadernos com anotações pessoais da dama inglesa

Natália Rangel
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O pesquisador irlandês John Curran teve acesso a mais de 70 cadernos com anotações pessoais da dama inglesa do suspense para escrever “Os Diários Secretos de Agatha Christie” (Leya). A publicação reproduz manuscritos da autora enquanto escrevia os seus romances e através deles investiga a sua vida e sua obra. Agatha Christie vendeu cerca de dois bilhões de livros, a maioria centrada no investigador Hercule Poirot. O volume traz dois contos inéditos protagonizados justamente por esse famoso personagem.
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Leia trecho da introdução do livro:
Vi os Cadernos de Agatha Christie pela primeira vez numa sexta-feira, 11 de novembro de 2005.
Mathew Prichard me convidou para passar o fim de semana em Greenway e conhecer o lugar antes que o Fundo Nacional iniciasse as longas restaurações necessárias para devolvê-lo à sua antiga glória. Ele foi me buscar na estação de trem de Newton Abbot, cena da peça teatral Personal Call [Ligação Pessoal], e percorremos de carro sob o lusco-fusco até o vilarejo de Galmpton, passando diante da escola onde Dama Agatha foi diretora e o chalé onde viveu seu amigo Robert Graves, a quem dedicou o livro Hora Zero. Subimos a estrada escura depois do vilarejo, mas a visão panorâmica do Rio Dart e do mar, vislumbrado tantos anos antes por Hercule Poirot a caminho da caça aos assassinos na Mansão Nasse, estava oculta para mim. Agora chovia bastante e a frase “uma noite escura e tempestuosa” era uma realidade e não mera figura de linguagem. Passamos pela entrada do albergue da juventude, refúgio dos estudantes estrangeiros emA Extravagância do Morto, e, finalmente, cruzamos os imponentes portões da Mansão Greenway, subindo a rampa de acesso até chegar à casa propriamente dita. As luzes estavam ligadas e havia uma lareira acesa na biblioteca, onde bebemos chá. Sentei-me na poltrona favorita de Agatha Christie e olhei, ávido, sem a menor cerimônia, para as estantes em volta – a coleção da Edição Greenway de seus romances, as versões traduzidas, as primeiras edições usadas e sem capa, os romances policiais de seus contemporâneos e os livros muito lidos durante a infância feliz em Ashfield, tão amorosamente lembrada em Portal do Destino.
Mathew me levou, então, em uma visita guiada pela casa – o ostensivo saguão de entrada com o gongo chinês (“O Espelho do Morto”), o baú com fecho de bronze (“O Mistério do Baú Espanhol”) e os impressionantes retratos de família (O Natal de Poirot); uma despretensiosa coleção de equipamentos de esporte no canto sob a escada tinha, imagino, um taco de golfe para canhotos (“Assassinato no Beco”) algumas raquetes de tênis (Hora Zero ou, menos morbidamente, Um Gato entre os Pombos) e um inocente bastão de críquete. Na sala de estar havia um grande piano (Um Passe de Mágica) e uma porta que se recusava a ficar aberta se não estivesse presa por um calço (Convite para um Homicídio); na mesinha de porcelana repousava o conjunto de imagens de Arlequim que inspiraram O Misterioso Mr. Quin. A janela por trás do piano foi de onde Hercule Poirot desceu lentamente após o chá da tarde em A Extravagância do Morto.
No andar de cima, depois de subir por uma tortuosa escada de madeira, estavam os banheiros ainda com os nomes das crianças refugiadas (Punição para a Inocência) da Segunda Guerra Mundial, escritos em etiquetas coladas nas prateleiras, enquanto a estante tinha os exemplares autografados de alguns amigos e autores da época (“Para Agatha, com emoção – Ngaio Marsh”)."


Fonte: Site ISTOÉ Independente

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O Conservador não dorme, portanto, não acorda


Um excelente artigo de Paulo Briguet sobre os textos de de Aron Raymond nos tempos de caos na França:



O HOMEM SÓ


Há 45 anos, Raymond Aron tornou-se o mais solitário pensador do mundo ao qualificar os protestos na França em maio de 1968 como “psicodrama” coletivo. Foi hostilizado pela maioria da intelectualidade esquerdista. Jean-Paul Sartre chegou a declarar que Aron era “indigno de ser professor” e deveria ficar nu diante de todos (durante a Revolução Cultural, os comunistas chineses aplicavam ao pé da letra esse expediente de humilhação pública).


No Brasil, Nelson Rodrigues foi vítima de fúria semelhante. Em várias crônicas, criticou as passeatas estudantis e apontou o absurdo do slogan “É proibido proibir”, entoado por jovens que defendiam Mao Tsé-tung, Fidel Castro e Che Guevara, especialistas em proibições mortais. A essa lista também pertence o cambojano Pol Pot, que estudara em Paris nos anos 50 e mostrou na prática os resultados da “imaginação no poder”: 1 milhão de mortos em alguns meses.

Hoje sabemos que Aron e Nelson estavam certos. Eles comprovaram a máxima de Ibsen: “O homem mais forte é o mais só”. Muito mais do que aderir à multidão, o verdadeiro ato de resistência consiste em dizer que ela está errada.

Movimentos de massa só têm razão de ser quando apresentam uma causa nobre e objetiva. Protestar pacificamente contra a famigerada PEC 37, por exemplo, é legítimo; defender a queda de um ditador ou corrupto, idem. Mas, quando as rebeliões da massa alardeiam mil exigências simultâneas e contraditórias, tornam-se receitas para o caos. E caos só termina em farsa ou tragédia.

O que vimos no Brasil durante a semana passada pode ser resumido pelo título do livro de Lobão: Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Profético, Lobão! Não por acaso, Nelson Rodrigues assinalava, na fala de um de seus personagens dramáticos: “Só os profetas enxergam o óbvio”.


As manifestações brasileiras representam o descaminho de uma sociedade espiritualmente vazia e viciada em Estado. Há 80 anos, Ortega y Gasset já apontava para o perigo da “estatização da vida”. Suas palavras também são proféticas: “O homem-massa vê no Estado um poder anônimo e, como se sente um anônimo vulgo, crê que o Estado é coisa sua”. Esse personagem descrito por Ortega – o homem-massa - é um Luís XIV em miniatura: ele pensa que o Estado existe para realizar seus desejos e fantasias. Quando surge algum problema, basta invadir um prédio público ou incendiar um ônibus. O Estado resolverá depois.

Nos tempos atuais, a única passeata digna de respeito é a do homem só: aquele que levanta às 6 horas, trabalha o dia inteiro e luta pela sobrevivência da família. Ele é o verdadeiro gigante que acorda todos os dias – e bem cedo. Abençoado seja o homem que, ao ouvir “Vem pra rua!”, pensa na vida e vai para casa.


(Texto publicado na Gazeta do Povo e no Jornal de Londrina.)



Fonte: Blog Conservadorismo Brasil