quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Deus mandava matar crianças e mulheres, seria Deus mal?

O Deus de Israel (YHVH), o pai de Jesus,  mandava matar pessoas para favorecer o seu povo Israel 

Deus mandava matar
 mulheres e crianças
A vida humana é sagrada porque desde sua origem, segundo a Bíblia, ela teve a ação criadora de Deus e o Deus que criou a vida propôs ao seu povo, Israel, um mandamento em defesa da vida, "Não matarás" (Ex 20,13).

Podemos ver que o mesmo Deus que disse "Não matarás", no livro de Números 31: 17,18, Ele mandava Israel matar crianças e mulheres: "Matai dentre as crianças todas do sexo masculino e matai toda mulher que coabitou com algum homem, deitando-se com ele. Porém todas as meninas e as jovens virgens, deixai-as viver para vós".
Na Bíblia vemos muitas atrocidades a mando ou em Nome de Deus para favorecer Israel, é como se Deus tivesse partido e todos os que fossem contra o seu partido, ou povo, deveria ser mortos e exterminados da terra, tanto homens como mulheres e crianças.
Os dez Mandamentos, as maiores 
contradições de Moisés
No versículo 2 de I Samuel 15 que diz: "Assim diz o Senhor dos exércitos: Castigarei a Amaleque por aquilo que fez a Israel quando se lhe opôs no caminho, ao subir ele do Egito".

E no versículo 3 prossegue: "Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos".

Analise: 

É incrível como pessoas inteligentes conseguem defender atrocidades absolutamente ilógicas quando ficam cegas pelo fanatismo, seja por religião, seja por uma ideologia política, ou mesmo um time de futebol.
Fica difícil enxergar o simples. E o simples é: assassinar uma criança é torpe, errado, monstruoso. Não há como defender dizendo que os outros povos eram menos merecedores.
É o máximo do racismo querer afirmar que algum povo é superior ao outro.
Outra coisa bem simples: esse Deus, ou deus, simplesmente nunca existiu, foi apenas um pretexto utilizado pelo povo judeu para assassinar outros povos e dormir em paz – como fazem hoje com os palestinos.
Qualquer assassino pode inventar histórias para justificar suas barbáries – um deus vingativo, uma superioridade racial, vozes internas. A religião não é o único mal do mundo, mas com certeza é um dos mais antigos e mais difíceis de ser erradicados.






Por: Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira com apoio de Pedro Arnaut
http://martinsogaricgp.blogspot.com.br/2013/10/deus-mandava-matar-criancas-e-mulheres.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+BlogDoGariMartinsDaCachoeira+(Blog+do+Gari+Martins+da+Cachoeira)

O ateísmo Paz & Amor e um exemplo de intolerância

Uma nova geração de pensadores ateus defende a tolerância religiosa e questiona a militância do biólogo Richard Dawkins e de seus seguidores. Em contrapartida, grupo de ateus impede que evento criacionista, com especialista dos EUA, se realize na Unicamp e dificulta o debate acadêmico.

EMBATE
O arqueólogo Rodrigo Silva (à esq.), um dos palestrantes do evento cancelado, 
e o físico Leandro Tessler, que mobilizou acadêmicos contra o Fórum 
 
Um dos biólogos mais brilhantes e influentes da atualidade trocou a ciência pelas discussões religiosas. A maior parte de seu tempo é dedicada a escrever e a falar sobre Deus. Seria apenas mais um caso de fanatismo religioso, não fosse um fato: Richard Daw­kins não tem religião. Britânico de 72 anos, autor de Deus, um delírio, ele é um dos mais célebres militantes do ateís­mo. Seu estilo aguerrido e suas críticas impiedosas a diversas religiões, ocidentais e orientais, deram visibilidade aos ateus nos últimos anos – e renderam um sem-número de críticas a sua intolerância. Em agosto, uma frase sua sobre a pequena quantidade de muçulmanos vencedores do Prêmio Nobel despertou indignação nos jornais e nas redes sociais. Em resposta, o escritor Reza Aslan, muçulmano, afirmou que Dawkins era “o pior tipo de fanático”. “Ele diz que nunca leu o Alcorão, mas tem certeza de que o islã é a maior força do mal no mundo.”
A postura agressiva e muitas vezes preconceituosa de Dawkins e de seus asseclas, como o neurocientista americano Sam Harris ou o filósofo americano Daniel Dennett, começa aos poucos a ceder espaço a um ateísmo de postura mais tolerante. O filósofo britânico A.C. Grayling é um representante dessa transição. Grayling está longe de ser um fã da religião. “O mundo seria bem melhor se não acreditássemos em conto de fadas”, disse ele a ÉPOCA. “A religião é simplesmente inconsistente com a modernidade.” Mas suas obras são bem menos cáusticas que as de Daw­kins. Em março, Grayling lançou The god argument (O argumento divino, em tradução livre). O livro apresenta argumentos filosóficos contra a existência de Deus. Trata-se basicamente de um manifesto humanista. Mesmo acreditando que a religião é prejudicial à humanidade, Grayling não gasta muita energia em debates com religiosos. Em 2011, ele publicou The good book (O livro bom), uma espécie de guia de vida para ateus. Em 608 páginas, apresenta citações e conceitos de grandes pensadores, como Aristóteles, Confúcio, Cícero, Isaac Newton e Charles Darwin, em capítulos e versículos. Não bastasse isso, Grayling imita a estrutura bíblica. O primeiro capítulo, sobre a origem do Universo de acordo com a ciência, é o Gênesis – então seguido de Lamentações e Provérbios, e assim por diante. Em vez de apenas criticar as religiões, os livros de Grayling tentam construir alternativas a elas.
Um passo além de Grayling estão os ateus que desejam dialogar com religiosos. Um defensor da ideia é o americano Chris Stedman. Autor de blogs de religião no jornal Washington Post, no site da emissora CNN e no site Huffington Post, ele lançou em novembro do ano passado o livro Faitheist (trocadilho com as palavras “ateu” e fé”, em inglês). Organizador da comunidade de ateus e agnósticos da Universidade Harvard, Stedman afirma que a diversidade de opiniões deve ser celebrada. “As pes­soas fazem coisas boas ou ruins com ou sem religião”, afirma. Para ele, os ateus devem se organizar em comunidades para debater em pé de igualdade o privilégio religioso em sociedades como a americana. 
Mas sem incitar qualquer tipo de rixa. “Uma verdadeira sociedade secular precisa de pluralismo”, afirma. Para Stedman, os ateus e religiosos devem se engajar em diálogos construtivos e pacientes. “É preciso identificar valores em comum, porque a religião dificilmente sairá do mapa. A cooperação é extremamente necessária num mundo em que as vozes extremistas costumam afogar as outras”, diz. Stedman fala com conhecimento de causa. Em suas próprias palavras, ele era um “católico fundamentalista” antes de virar ateu.
O filósofo suíço Alain de Botton é ainda mais conciliador que Stedman. “Tenho um respeito profundo pela religião, apesar de não acreditar em seus aspectos sobrenaturais”, disse Botton a ÉPOCA. “As grandes religiões são enormes máquinas capazes de transmitir ideias sobre a bondade, a morte, a família e a comunidade. Não há nada parecido com isso no mundo laico, e isso é uma pena.” Em seu livro Religião para ateus (editora Intrínseca), Botton se propõe a “roubar” das religiões ideias sobre como viver. Uma de suas sugestões mais polêmicas é a construção de um templo para ateus, no centro de Londres. Dawkins, é claro, detestou a ideia. “Ateus não precisam de templos para buscar o sentido da vida”, disse ele ao jornal britânicoThe Guardian. Botton, em resposta, afirmou que a ideia era uma reação a Dawkins. “Por causa de Richard Dawkins, o ateísmo tornou-se conhecido como uma força destrutiva”, diz. “Escrevo para pessoas que não acreditam em Deus, mas, mesmo assim, reconhecem o lado positivo da religião: os rituais, a arquitetura, a música e a conexão com o passado.”
Nem todos os ateus aderiram à postura mais tolerante defendida por Botton e Stedman. Um exemplo é a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea). Ela tem 10 mil membros e arrecada R$ 2 mil por mês. Apesar dos números modestos, ganhou destaque ao organizar a primeira campanha publicitária ateísta do país em Porto Alegre. Em julho, voltou às manchetes graças a um protesto contra os gastos públicos relacionados à chegada do papa Francisco ao Brasil. “É preciso ser enérgico. Quem não é engajado ignora os males causados pela religião, como a ascensão da bancada evangélica no Brasil”, diz Daniel Sottomaior, um dos fundadores da Atea. “Até porque criar ativismo para depois ficar sentado não faz muito sentido.”
Nesse debate, uma das vozes mais sensatas é de Peter Steinberger, professor de ciência política do Reed College, em Portland, nos Estados Unidos. Steinberger lançou em julho o livroThe problem with God: why atheists, true believers, and even agnostics must all be wrong (O problema com Deus: por que ateus, crentes e até agnósticos devem todos estar errados). O livro defende uma tese antiga, mas esquecida no meio do debate religioso iniciado por Dawkins: qualquer discussão relacionada à existência divina é uma perda de tempo. “As religiões são incoerentes, mas Dawkins também é incoerente por não ter uma prova definitiva da inexistência de Deus”, diz. “Os novos ateus acham que a ciência atual é suficiente para explicar o mundo, mas isso não é possível.” Se as discussões entre religiosos e ateus se esvaziarem por falta de provas, como Steinberger sugere, os ateus moderados estarão um passo à frente dos militantes: terão sido os primeiros a abandonar um confronto inútil e a buscar maneiras de coexistir com os religiosos. “Ser ateu é como não colecionar selos”, diz Grayling. “É possível ser um ‘não colecionador de selos’ militante? Basta não colecionar selos.” 
Revista Época confecciona tabela com os 10 mandamentos do bom ateu. Confira:


Deus fora da Unicamp
Marcado para a quinta-feira 17, o “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi cancelado na véspera, sob uma enxurrada de e-mails indignados de professores da própria instituição de ensino, uma das mais respeitadas do País. O motivo? Os cinco convidados a falar sobre filosofia e ciência eram nomes ligados ao “criacionismo científico”, que nega a teoria da evolução de Charles Darwin, mas, ainda assim, busca evidências científicas para desvendar o universo – sem contradizer a existência de Deus ou os preceitos da Bíblia. “Que façam isso numa igreja”, disse o professor de física Leandro Tessler. “É embaraçoso dar credibilidade a esse tipo de doutrina não científica.” Seu blog chamou a atenção de outros professores. A pró-reitoria, que havia dado aval ao evento, recuou. O físico americano Russell Humphreys, convidado internacional, já tinha passagem comprada. Veio então a resposta dos palestrantes.“Fomos boicotados por um grupo de professores ateus”, afirma o professor de arqueologia Rodrigo Silva, da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp). “Hoje, quem discorda de Darwin é queimado na fogueira.”
Em nota oficial, a Unicamp justificou o cancelamento dizendo que “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”. Além de Silva e Humphreys, o fórum também teria a presença de um geólogo, um jornalista e um bioquímico, Marcos Eberlin, o único pertencente aos quadros da Universidade. Após a polêmica, Eberlin escreveu em um blog: “É interessante notar que, em uma universidade pública, pessoas que se autointitulam ‘guardiões do saber’ cancelem palestras”. Outro que reclamou à reitoria, o professor de matemática Samuel Oliveira, negou a “orquestração” de um “lobby ateu” nos bastidores. “Criacionistas não têm formação para falar de ciência”, diz. 
A “batalha da fé” em uma faculdade como a Unicamp, reconhecida pela qualidade da pesquisa científica, chama a atenção. Mas esse tipo de conflito não é novidade no meio acadêmico. Em 2008, depois de uma série de reclamações, a Universidade Federal de São Carlos (SP) cancelou uma palestra do físico Adauto Lourenço sobre “criacionismo e teoria da evolução”. Em 2007, o bioquímico americano Fazale Rana esteve na mesma Unicamp para falar de “design inteligente”, linha de pensamento que atribui a um criador a existência da vida na Terra. Professores conseguiram retirar o logo da universidade dos cartazes da palestra de Rana, mas não impediram a conferência. 
Com informações Revista Época / Isto É



Fonte: Genizah

Cristãos revoltados após pedofilia ser oficialmente aceita como “opção sexual”



Associação Americana de Psiquiatria muda classificação e gera polêmica

por Jarbas Aragão

Cristãos revoltados após pedofilia ser oficialmente aceita como “opção sexual”Pedofilia passa a ser oficialmente aceita como "opção sexual"


Em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças. Desde 1886 ela era tratada como um caso de saúde pública.

A Associação Americana de Psiquiatria publicou, em 1952, em seu primeiro Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais, que a homossexualidade era uma desordem ou transtorno. Após anos de debate entre psiquiatras, em 1973 a Associação Americana de Psiquiatria retirou a opção sexual da lista de transtornos mentais. Pouco depois a Associação Americana de Psicologia adotou a mesma posição.

Esse foi o primeiro passo para que a Organização Mundial de Saúde acatasse essa decisão e mudasse sua situação na classificação internacional de doenças (CID). De lá para cá ativistas LGBT fizeram sucessivas investidas para que a questão gay fosse tratada apenas como “opção sexual”. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia deixou de considerar a opção sexual como doença em 1985.

Na maioria dos países do mundo, grupos de cristãos tradicionais (evangélicos e católicos) sempre se opuseram a essa abordagem, classificando apenas como uma questão de “escolha” ou simplesmente “pecado”.

Em outubro de 2013, está começando uma nova guerra dos cristãos contra a questão do que é aceitável e inaceitável do ponto de vista médico. A Associação Americana de Psiquiatria acaba de mudar a classificação de pedofilia. De um transtorno, passou a ser uma orientação ou preferência sexual. A mais recente edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V). Trata-se de um manual para diagnóstico de doenças mentais. Ele é usado para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais.

A pedofilia é definida na nova edição como “uma orientação sexual ou preferência sexual desprovido de consumação, enquanto o ‘distúrbio pedófilo’ é definido como uma compulsão e usado para caracterizar os indivíduos que usam assim a sua sexualidade”. O referencial são crianças com menos de 13 anos de idade.

Grupos cristãos estão se manifestando nos EUA, temendo que ocorra o mesmo processo que aconteceu com a homossexualidade, onde o primeiro passou foi justamente a mudança de classificação da Associação Americana de Psiquiatria.

Por outro lado, associações defensoras da pedofilia, como a B4U-ACT, aprovaram a medida. Paul Christiano, porta-voz do grupo afirma que ficará mais fácil distinguir quem sente atração sexual e quem comete a violência (configurando crime). Christiano, que é formado em psiquiatria, defende a “autonomia sexual” das crianças, e acredita que “mais educação sexual nas escolas iria ajudá-los a compreender melhor seus limites”.

Sandy Rios, da ONG evangélica Associação da Família Americana, disse em comunicado oficial: “Assim como a Associação Americana de Psiquiatria declarou a homossexualidade uma ‘orientação’ após uma tremenda pressão de ativistas homossexuais em meados dos anos 1970, agora, sob pressão dos ativistas pedófilos, declararam o desejo de fazer sexo com crianças também uma ‘orientação’. Não é difícil ver onde isso vai levar. Mais crianças se tornarão presas sexuais se não agirmos”.

No Brasil, em meio ao debate do Projeto de lei PLC 122, proposto pelo PT, o senador Magno Malta, declarou: “Se aprovarmos um projeto desses, de você ser criminoso por não aceitar a opção sexual de alguém, é como se você estivesse legalizando a pedofilia, o sadomasoquismo, a bestialidade… O advogado do pedófilo vai dizer, senhor juiz a opção sexual do meu cliente é criança de nove anos de idade. O juiz vai decidir como, se está escrito que é crime?”

Esta semana, nos EUA, o Dr. Gregory Popcak , do Instituto de Soluções Pastorais, organização católica dedicada a tratar, do ponto de vista da fé, questões relacionadas ao casamento e a família, alerta: “se chamarmos de ‘orientação’ algo que pode ser utilizado por algum grupo de defesa, acabaremos ouvindo que a pedofilia é “apenas mais uma expressão normal do desejo sexual, o que seria extremamente problemático”.

No início deste ano, um Tribunal Federal da Holanda aprovou a existência da Associação Martijn, defensora do sexo consensual entre crianças e adultos. O veredito oficial reconhece que o trabalho da associação é “contrário à ordem pública, mas não há uma ameaça de desintegração da sociedade”. Com informações Charisma News e Women of Grace.




Fonte: Site Notícias Gospel Prime

http://noticias.gospelprime.com.br/revoltados-pedofilia-opcao-sexual/

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pesquisa revela interação entre funk e gospel na cena musical brasileira


 Hélio Pariz

Se você é um daqueles que há tempos anda inconformado com a música que ouve nas rádios e nos programas populares da televisão, é melhor não ler este artigo.

É que na sua última edição (nº 805, 28 de outubro de 2013, págs. 86-90), a revista Época trouxe uma matéria interessante sobre a mudança no gosto musical do brasileiro nas últimas décadas.

A pesquisa foi conduzida pelo Ibope, com o título “Tribos musicais", e foi realizada entre agosto de 2012 e agosto de 2013".

O universo investigado é grande: 20.000 ouvintes de rádio procedentes de todas as faixas etárias e classes sociais, que foram entrevistados nas capitais brasileiras.

A razão para se eleger o rádio como, digamos, veículo-padrão do que se ouve no país é que 73% da população brasileira afirma ouvi-lo com frequência, e esse público se distribui da seguinte forma (as respostas são múltiplas):
  • Música – 96%
  • Notícias – 70%
  • Esportes – 31%
  • Humor – 21%
Logo, a probabilidade de que o leitor deste blog seja um ouvinte assíduo de rádio é muito grande, pelo que ele não se surpreenderá com os resultados apresentados pelo Ibope.

Entre 2012 e 2013, cerca de 2/3 das músicas que foram tocadas nas rádios brasileiras pertenciam ao gênero sertanejo.

Thiago Magalhães, assistente da pesquisa, conclui que “o que une todos é a música. O Brasil é um país movido a música. Queiramos ou não, hoje ele é movido a música sertaneja”.

Os antigos campeões de sucesso radiofônico, a MPB e o pagode, ficaram na poeira.

A música sertaneja responde por 65% do que as ondas sonoras levam ao público espalhado por todo o território brasileiro.

No distante segundo lugar está o pagode, que ocupa 19% da programação musical das rádios do país.

O funk desponta na terceira colocação, com 5% da preferência nacional. Na rabeira, com 3% cada um, estão o rock e a MPB.

A matéria da Época traz a opinião do produtor e empresário Tom Gomes, que lista entre as razões pelas quais o sertanejo suplantou os demais gêneros, em especial a MPB, a sua flexibilidade e onipresença.

Por flexibilidade, entenda-se a facilidade com que os músicos sertanejos se adaptam a outras tendências regionais, como axé, pagode e forró, gerando um certo Frankenstein conhecido por “pancadão”, por exemplo.

Já a onipresença dos cantores sertanejos é sentida em todo o território nacional, diz Gomes, para quem eles “são trabalhadores incansáveis. Fazem shows diante de dezenas de milhares de pessoas todos os dias do ano, ao passo que Chico Buarque faz um show a cada cinco anos para uma plêiade de eleitos. Não admira que Paula Fernandes seja mais popular que ele”.

Estranhamente, a revista não questiona se uma das razões para esse domínio sertanejo é a repetição exaustiva do gênero nos programas populares da TV. Talvez porque a dona dela é a família Marinho, da Globo.

O “jabá”, aquele gordo cachê que - dizem - gravadoras e produtores colocam na mão de apresentadores e diretores de rádio e TV para promover determinado artista, sequer é mencionado na matéria, talvez porque não seja de bom tom tocar nesse assunto.

O artigo poderia ter sido, portanto, muito mais abrangente, mas há informações valiosas que merecem destaque.

Um dado interessante sobre a divisão dos gêneros musicais no gosto do brasileiro médio é que as tribos de fãs de um e de outro não são excludentes.

Desta maneira, sertanejos e pagodeiros têm uma ótima relação entre eles. Enquanto 61% dos primeiros ouvem pagode, 81% dos fãs deste curtem sertanejo.

Fãs de rock e MPB pertencem às classes sociais mais altas e praticam o mesmo intercâmbio entre esses dois gêneros, e a surpresa é que os adeptos do funk e da música gospel têm uma relação bastante íntima.




O pesquisador Magalhães chegou a uma conclusão curiosa: “a gente pode dizer que os roqueiros ouvirão MPB quando ficarem mais velhos, assim como os funkeiros que gostam de Anitta um dia ouvirão mais o gospel de Aline Barros”.

Pois é, a maioria dos ouvintes de funk e gospel pertence às classes D e E e eles não chegaram a completar o ensino fundamental.

Os funkeiros se concentram na faixa etária entre 12 e 19 anos, enquanto os religiosos são mais facilmente encontrados entre os 25 e 34 anos de idade.

No Brasil, lugar de funkeiro é no Rio de Janeiro e em Salvador, enquanto os fãs de gospel têm suas trincheiras localizadas nas capitais nordestinas.

No intercâmbio entre os gêneros, 38% dos funkeiros apreciam música gospel, e 22 % dos religiosos ouvem funk.

Portanto, não deve demorar muito para que o funk invada mais igrejas evangélicas por aí. É só uma questão de tempo...

Para consolar os saudosistas e defensores do bom gosto de plantão, talvez seja a hora de cantar “apesar de você, amanhã há de ser outro dia...”




Hélio Pariz é colaborador do Genizah


Fonte: Genizah

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2013/10/pesquisa-revela-interacao-entre-funk-e.html#ixzz2jEQywLQH
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Profissão candidato

Por Igor Resende - Edição Acredito - dezembro de 2012
Já passava das quatro da tarde do dia 16 de outubro quando José Maria Eymael terminou a reunião em que estava e se disponibilizou para a conversa que já estava atrasada. Na sala de entrada da sede do Partido Social Democrata Cristão (PSDC) em São Paulo, a secretária Tainá tentava se dividir entre o que estava fazendo, o telefone que parecia não parar de tocar e as outras muitas missões que recebia. O motorista Fernando também estava no local. Bem-humorado, consultava na internet uma possibilidade de conseguir outro emprego, perto de casa e que pudesse complementar a renda. Está no partido há um ano e meio e sabe que o trabalho mais pesado acabara de passar.
É Samuel de Oliveira, presidente da comissão diretora do partido no município de São Paulo, quem anuncia que Eymael estava livre para conversar. A sala fica no segundo andar de um prédio na zona Oeste da capital paulista. De um lado, bandeiras do Brasil, do estado, do município e do partido. Do outro, um quadro com um busto do próprio Eymael, presente de um pintor pernambucano que o admira. No centro, uma mesa com tampa de granito que comporta confortavelmente oito pessoas. É uma sala comum de reuniões, sem nenhum grande luxo. São as bandeiras que dão ao local um tom um pouco mais político. Além da pilha de papéis da última campanha eleitoral sobre a mesa.
Eymael está sentado, ainda terminando a conversa com um dos dirigentes do partido que estava na reunião. Está vestido com roupas confortáveis, mas sérias: uma calça cinza e uma camisa social listrada em azul e branco. Nenhum tipo de terno, blazer ou paletó. Tem as mangas da camisa dobradas e aparenta ser uma pessoa não muito vaidosa, mas admite que às vezes se pega admirando o quadro com o seu rosto. “É como olhar no espelho”, diz.
O clima no partido é completamente diferente do que era duas semanas atrás. Quinze dias antes, no começo de outubro, Eymael muito provavelmente nem estaria ali naquele horário. “Estaria na 25 de março, fazendo carreata na Cidade Tiradentes”, fazendo a política de rua, de corpo a corpo, que tanto gosta. As urnas, porém, o deixaram muito longe de qualquer chance de se credenciar para uma disputa de segundo turno para a prefeitura de São Paulo. Foram apenas 5.382 votos, correspondentes a 0,09% do eleitorado paulistano, a segunda pior marca entre os 12 candidatos.
Foi a terceira derrota de Eymael em uma eleição para a prefeitura de São Paulo – fora derrotado em 1985 e 1992, ainda pelo extinto PDC (Partido Democrata Cristão). Também tem três candidaturas frustradas para a Presidência da República. Tentou o cargo máximo da política brasileira em 1998, em 2006 e em 2010. Em nenhuma delas, porém, conseguiu passar da marca de 0,25% dos votos. Foi deputado federal duas vezes, eleito em 1986 e reeleito em 1990, e se orgulha de conquistas pelo trabalhador, mas é mais famoso pelo jingle, criado logo em sua primeira aventura política como candidato.
Não fosse a música, Eymael certamente entraria nas eleições de 1985 com outro nome. Talvez nunca tivesse ficado tão conhecido e acabaria sem a chance de disputar outras eleições. “Estávamos com uma certeza: o nome na urna poderia ser José Maria, JR, mas em nenhuma hipótese seria Eymael. Era um nome muito difícil, tinha um ‘Y’ no meio”, conta. Coube ao alfaiate e militante do PSDC José Raymundo de Castro a ideia da música. Hoje, 27 anos depois, o famoso “Ey, ey, Eymael! Um democrata cristão” já ganhou várias versões. O site oficial da campanha para a prefeitura de São Paulo, por exemplo, disponibilizava a música em ritmos de axé e pagode. O jingle também acompanha todas as campanhas de rua.
“Se transformou no jingle de maior sucesso de todos os tempos. Uma vez um sanfoneiro tocou a música no centro da cidade. Foi lindo”, se orgulha o ex-candidato a prefeito. “Foi o que chamou a atenção, mas o que me ajudou mesmo a ficar conhecido foi a eleição para deputado federal em 1986, com mais tempo na televisão”, completa rapidamente puxando para um dos assuntos de que mais gosta de falar: o período em que foi deputado constituinte e aprovou 145 propostas, “que fazem parte do dia a dia do brasileiro hoje, incluindo a maior parte dos avanços trabalhistas do país.” São dele, por exemplo, as leis que reduziram a jornada de trabalho para 44 horas, que dão direito ao trabalhador ao lazer e que garantem um aviso prévio de no mínimo 30 dias para qualquer demissão que não seja por justa causa.
É justamente por esta visão política que Eymael e o PSDC decidiram “sair de cima do muro” e apoiarem Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), no segundo turno da eleição para a prefeitura de São Paulo. O apoio se inspirou “na história de cada um dos partidos, que têm em comum a luta incessante pelos avanços sociais dos trabalhadores.” Durante a conversa, porém, Eymael parecia ter uma visão diferente, de neutralidade, “para não se comprometer com alianças no futuro”. Ele mesmo, porém, também já falava de sua admiração pela presidente Dilma Rousseff. “É uma mulher centrada, determinada. Está fazendo um grande trabalho. E já é um incentivo para as mulheres entrarem no processo político”, diz.
Gaúcho de nascimento e mais velho dos sete filhos de um servidor público, José Maria Eymael começou sua vida política em Porto Alegre como presidente do centro acadêmico da Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Também cursou direito na mesma instituição de ensino. Depois, ainda comandou a Federação dos Estudantes Particulares do Rio Grande do Sul. Aproximou-se da democracia cristã quando se filiou à Juventude Operária Católica (JOC) – “um movimento de jovens, pelos jovens e para os jovens com ações para intervir em problemas sociais”. “Foi a grande responsável pelo início da sindicalização dos trabalhadores do estado”, conta.
Eymael tem muitas frases decoradas na cabeça. Para alguns assuntos, já tem a resposta na ponta da língua. “O trabalho não é mera mercadoria, mas a expressão da dignidade humana”, explica quando perguntado sobre a doutrina da JOC, citando um trecho da Encíclica Rerum Novarum de Leão XIII, na qual se baseia. “É a primeira carta dos trabalhadores do mundo”, diz. A encíclica também aparece no manifesto do PSDC, o partido que ele mesmo fundou para “salvar a democracia cristã” em 1995.
Nas palavras do próprio Eymael, a doutrina política quase foi extinta por duas vezes no Brasil. A primeira em 1962, quando o segundo Ato Institucional do regime militar acabou com todos os partidos do país, entre eles o PDC, para criar a dualidade entre Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Depois, quando o mesmo PDC decidiu se fundir com o Partido Progressista Reformador (o PPR, que depois se transformaria no PPS de Paulo Maluf), em 1993.
Eymael não participou do que chama de “primeira tragédia” da democracia cristã, mas tentou liderar uma resistência em 1993. Acabou vencido. “Nós tínhamos quase 500 diretórios em São Paulo. Na noite do dia 3 não tinha mais nenhum. Sabe o que é ter um exército e no dia seguinte não ter mais nada? Nada? Zero! A democracia cristã pagou um preço altíssimo por isso.”
É o próprio Eymael que refunda a doutrina no Brasil dois anos mais tarde e já com a sigla PSDC. “Nunca aceitei a extinção da democracia cristã. Nunca. Tanto é que às 3 horas da tarde do dia da convenção que acabou com o PDC eu peguei uma folha de papel e escrevi o seguinte. ‘São 3 horas da tarde do dia 3 de abril de 1993. Eu velo solitário à também solitária e imensa e triste agonia da democracia cristã. No passado, foi a mão fria do regime militar que lhe negou a existência. Hoje são os próprios dirigentes que lhe cortam a vida quando tinham o poder de perpetuá-la. Mas no amanhã que será próximo ela renascerá. E quando renascer, será eterna’”, discursa politicamente para contar como fundou o seu partido em 1995.
Nesta época, Eymael já tinha sua vida toda construída em São Paulo. Mudou-se para a capital paulista em 1964, contratado por uma empresa multinacional após ser o melhor da turma de Direito da PUC-RS. Desembarcou em terras paulistanas com a esposa, uma filha de seis anos e um pequeno patrimônio físico. “Tinha um carro velho, um Taurus importado. Mas sempre acreditei muito no meu trabalho”, diz. Hoje, 48 anos depois, tem um patrimônio declarado de R$ 4.396.720. “Tudo fruto do meu trabalho”, garante. Entre as riquezas declaradas aparecem três casas, um apartamento, quatro carros e uma lancha, além de investimentos e das participações no posto de gasolina e nas duas empresas que possui - a companhia de relações públicas Grunase (Grupo Nacional de Serviços), que fundou logo em 1968, e a imobiliária TerraSul.
Em apenas dois anos, entre a eleição para presidente de 2010 e o pleito para prefeito de São Paulo em 2012, Eymael enriqueceu mais de um milhão de reais. Declarou à Justiça Federal na última vez que concorreu a um cargo público um patrimônio de R$ 3.113.866. A diferença de R$ 1.282.854 surpreende, mas é tratada com naturalidade pelo político. “Esse salto de patrimônio foi fruto da venda de um imóvel. Há alguns anos comprei um terreno na região de Alphaville e construí. Agora vendi e ganhei dinheiro. Naquele tempo o terreno era mais barato”, explica sem se abalar. O imóvel foi vendido pela própria TerraSul.
Nos últimos anos, Eymael vem sendo figura cativa nas principais eleições do país. Como político, diz que sempre entra em uma disputa com a pretensão de ganhar. Aos poucos, porém, admite que a possibilidade de assumir um cargo tão alto quanto os quais pretendia não chegou a passar pela sua cabeça. “Quando você entra em uma eleição também sabe o subproduto que você vai ter se não eleger. É o adensamento da imagem do partido”, diz.
Durante todos esses anos, o objetivo parecia ser claro na cabeça do presidente do PSDC. Eymael não acreditou que se tornaria presidente do Brasil, mas pensou que seu partido teria um espaço maior no cenário nacional. “A gente que saiu de tanta dificuldade chegar nesse patrimônio... agora é só crescer”, diz, sem esconder a alegria.
Por duas vezes na carreira, Eymael diz que só se candidatou para mostrar que a democracia cristã estava viva – à prefeitura de São Paulo em 1986 e à presidência da república, 12 anos depois. Até por isso, o presidente do PSDC não tira da cabeça os números da eleição que acabara de passar. Foram eleitos 432 vereadores, com presença em 11 capitais do país, além de mais oito prefeitos. A expectativa do partido é que no mínimo 15 deputados federais do partido sejam eleitos em 2014, o que aumentaria o tempo de televisão do partido em 2016, criando um “efeito cascata” de melhores performances políticas. Esperanças que são fruto do bom desempenho neste ano. Até hoje, o PSDC só teve um federal eleito, mas o carioca Reinaldo Betão se filiou ao PL antes de assumir o cargo. A melhoria nos números e a boa expectativa já fazem Eymael falar em encerrar a sua carreira como candidato.
“Eu acredito que meu ciclo já foi cumprido. O PSDC já está andando, crescendo, é um partido que consegue vereadores em 11 capitais brasileiras. Esse período do desbravamento já foi vencido”, diz. Nem a possibilidade de ele mesmo se eleger como deputado federal o faz mudar de ideia. “Não tenho mais vocação para o parlamento. Na vida, tudo tem tempo. Hoje minha grande missão é continuar fazendo com que o partido se desenvolva. Eventualmente ainda posso cumprir alguma missão eleitoral, mas não é esse meu horizonte”, explica.
Por colocar sua imagem à serviço do partido, Eymael é alvo de brincadeiras. O jornalista José Simão, colunista da Folha de S. Paulo, ironizou o fato de o presidente do PSDC só aparecer a cada dois anos – período eleitoral do Brasil. “Minha grande dúvida é: para onde vão o Levy Fidelix e o Eymael, que só aparecem na eleição? Acho que eles vão pra Tanzânia, para as grandes migrações, e voltam a cada dois anos. Eles migram pra Tanzânia”, escreveu.
Eymael não gosta muito de tocar no assunto. “É duro... é um jornalista que não sabe das coisas. Não sabe nada. Mas não é só ele não. Se beneficiam das coisas que eu fiz e não sabem. Se ele soubesse tudo que fiz pelo país não escreveria isso. Ele usa das coisas que consegui e nem sabe...”, diz. É o único assunto que parece realmente incomodar o político durante toda a entrevista. Sempre que podia, voltava a falar sobre Simão e elencava todas as conquistas para os trabalhadores que havia conseguido como deputado constituinte.
O presidente do PSDC não gosta nem mesmo de ser comparado com Levy Fidelix. Levy tem um perfil que se assemelha ao de Eymael. É candidato a cada dois anos nas principais eleições do país, é o grande nome do partido que ele mesmo fundou – o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) - e também tem as suas marcas registradas: um pomposo bigode e a ideia de construir um aerotrem.
Eymael, porém, usa o seu passado como deputado para evitar a comparação. A própria assessora de imprensa do PSDC, Luciana Paulino, já havia avisado que este não era um assunto que o ‘chefe’ gostava de ouvir. “São histórias políticas diferentes, carreiras bem opostas”, explicou. Para driblar a situação desconfortável, o presidente do Partido Social Democrata Cristão recorre a uma história de quando era deputado federal. Na época, ajudou um grupo de aviadores da Força Aérea Brasileira (FAB) que havia tido os direitos políticos e os direitos de exercer a profissão cassados durante o período de ditadura militar. “É mais uma história que, se o Simão tivesse lido, teria vergonha de escrever o que escreveu”, diz.
Quando não é candidato, Eymael realmente não aparece tanto, mas continua com atividades relacionadas à política. Com as suas duas empresas já bastante desenvolvidas, ele deixa o comando delas nas mãos de outras pessoas e libera tempo para se dedicar ao cargo de presidente do PSDC. “Não sou mais tão exigido nos meus negócios. Minha vida é o partido. Minha vida é a democracia cristã”, diz. Ele viaja, faz reuniões e busca apoios, sempre pensando nas eleições que estão por vir.
No futuro, é possível até que um novo Eymael apareça no cenário político brasileiro. José Carlos Selbach Eymael, filho do atual presidente do PSDC, já tentou se eleger como vereador em 2008, mas não teve sucesso. “Ele não se esforçou como devia. Política tem que ser feita na rua. Vamos ver se agora vai”, brinca o pai, que garante que não tem nenhuma influência sobre a decisão do filho em manter a família na política. A família, aliás, é um dos grandes pilares do PSDC. Eymael diz se esforçar “para manter uma relação intensa com sua mulher e os dois filhos”.
Com a palavra “cristã” no nome da doutrina e do partido, é de se esperar que também haja uma grande aproximação com a Igreja. Eymael, porém, é contra isso. “Utilizar a Igreja como instrumento politico é um erro. Cada um de nós tem sua religião e isso diz respeito às pessoas”, diz. “A democracia cristã não é criada com ligação a nenhuma igreja. Na Itália surge com um líder católico. Na Alemanha, com um evangélico. Já no nascedouro não há um comprometimento com religião. A democracia cristã tem um compromisso vertical com liberdade, justiça e solidariedade, que são os princípios do cristianismo. Eu mesmo sou católico e meu candidato à vice era evangélico”, explica.
Além de político, Eymael é também um sonhador. E tem em Juscelino Kubitschek sua grande inspiração. “Compreensão do presente, mas com os olhos do futuro. Um visionário”, diz. Depois de se colocar a frente de missões que ele mesmo considerava quase impossíveis nas últimas eleições, o presidente do PSDC sonha com um futuro diferente para a doutrina política que ajudou a construir. “Nós somos uma onda. E quando essa onda se move, todos se movem juntos. Essa onda um dia vai ser tão forte que nada mais vai poder suportá-la”.
Em uma analogia com o xadrez, Eymael é ao mesmo tempo um peão e um rei. Coloca-se à disposição para desbravar territórios, mas ao mesmo tempo é a peça mais importante de toda a engrenagem que move o PSDC. É a cara de toda uma doutrina política. “É um sentimento de muita responsabilidade”, admite. Ao mesmo tempo, porém, não tem papas na língua para divulgar ainda mais o seu partido e seguir fazendo com que ele cresça. Termina a entrevista com um convite. “As portas do PSDC sempre estarão abertas para você se filiar”, diz sem esconder o sorriso.


Fonte: Site Revista Babel Acredito
http://www.eca.usp.br/babel/exibir2.php?edicao_id=1&materia_id=48

TEMPOS LÍQUIDOS, O TABU DA MORTE E A INDÚSTRIA CULTURAL

A Morte pode ser experimentada de diversas maneiras. É o que Zygmunt Bauman, um dos sociólogos mais influentes da atualidade, afirma. Como então, podemos retirar exemplos de sua análise dos produtos da indústria cultural? É aqui que as grandes produções funcionam como pontes para esclarecer pontos nebulosos de nossa época.

A morte é um tema tabu. Ela é um tabu. Para Bauman, a sociedade é um dispositivo que visa tornar a noção da morte menos temerosa e angustiante. É aí que entram as experiências de morte: podem ser numeradas em três tipos (três graus): 1) morte propriamente dita, 2) a morte de alguém com quem nos relacionávamos - esta seria experiência primária de morte, a mais perto da morte propriamente dita que alguém pode ter - e 3) a quebra de um laço, de um relacionamento (em outra palavras, a exclusão).
Por que estou escrevendo este texto? Basicamente para falar que, mesmo sendo a morte um tema tabu, há duas maneiras que a nossa sociedade tenta nos acalmar perante este certo destino: a banalizando/espetacularizando (um exemplo são os reality shows, que promovem a exclusão como condição necessária para sua existência – afinal, se quase todos não forem excluídos, como um vai ganhar? Outro exemplo são os programas de jornalismo policial sensacionalistas ou os filmes de guerra e conflito ao estilo Tropa de Elite e Rambo) e a desconstruindo (ou seja, dando detalhes das causas da morte para tornar viável a frase "viu, poderia ter evitado!").
Indústria Cultural é sempre uma fonte boa de exemplos:
Em House, sua incapacidade e má vontade para se relacionar com seus companheiros de trabalho pode ser muito bem traduzida no despreparo para a quebra de relacionamentos duradouros. House se conecta às pessoas, justamente para ter a facilidade em se desconectar quando necessário (ou seja, quando ele quiser). Não firma nenhum laço mais forte exatamente porque aquilo que ele representa é a sociedade em que não há equipamentos muito bem postos à disposição das pessoas para saber como lidar com as incertezas de qualquer tipo de relacionamento.
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Os filmes e seriados de Zumbi, como Walking Dead, são uma prova clara (e bota clara nisso!) de que a morte está num processo rápido (à passos larguíssimos!) de ser colocada como algo do cotidiano. Os zumbis estão mortos, mas mesmo assim precisam ser mortos novamente. Não estão mortos, pois estar morto ainda é, de certa forma, estar vivo. É necessário, então, matar novamente. O herói deste tipo de filme é o sujeito que mata aquilo que, apesar de já estar em outro mundo, perturba sua realidade, seu presente. O que perturba nosso presente, mesmo sem existir de maneira material? As lembranças, as memórias, que, por sua vez, levam à culpa.
Os heróis de séries e filmes de zumbis são eliminadores de culpa e memórias. São sujeitos do presente e só vivem no presente. É neste momento que a morte adquire a leveza do “morreu, antes ele do que eu!”. E a indiferença se torna um dos equipamentos para se lidar com a morte.
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Closer é um exemplo clássico da quebra do relacionamento. Da exclusão. Mas a exclusão definitiva é de Dan – que se perde nas incertezas de um relacionamento propriamente dito e, acostumado aos laços frágeis e fáceis de serem quebrados da conexão (aquela que o House adora manter com seus companheiros de trabalho), experimenta a exclusão definitiva.
Pode-se dizer que quebra de relacionamentos acontece todo dia em todo o mundo, entretanto, o significado que ela tem para uma sociedade desacostumada com a relação e acostumada com a conexão (em outras palavras, desacostumada e despreparada para a rigidez e responsabilidade de uma relação, e acostumada e confortável na fragilidade de um laço que pode ser chamado de conexão – e que é mais atraente exatamente por ser fácil e nem um pouco incômodo desconectar) é imensurável. O fim de Dan e Alice foi um fim pesado e penoso, foi um fim de relacionamento, não de conexão. Foi um tipo fim que tenta ser evitado em nossa bem aventurada sociedade líquido moderna.
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Como exemplo final e, talvez, um tanto quanto político, creio que os filmes vingança (Justiceiro e Max Payne, por exemplo) são importantes de se falar. Este filmes fazem da morte de segundo grau, a número 2, lá no primeiro parágrafo, algo possível de ser superado... Desde que haja alguma ação de limpeza. O que isso quer dizer?
Estes filmes dizem que a morte pode ser superada (ou seja, há como o sujeito que experimenta a morte de um parceiro, por exemplo, viver em paz após este fato), mas só se o indivíduo tomar como projeto de vida a aniquilação daquilo que levou seu companheiro. O que isso pode significar? Um movimento reacionário à modernidade líquida.
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É o grito daqueles que querem se manter no mundo panóptico moderno. A vingança dos personagens deste tipo de filme é uma vingança contra um malfeitor ou contra grupos de malfeitores que só existem em uma sociedade de fácil mobilidade (são os traficantes que viajam de país a país, são os grupos que sequestram adolescentes para vender no mítico leste europeu, são as gangues russas dentro dos Estados Unidos e etc e etc). Este tipo de filme é o urro do conservador que gostaria de guardar uma espingarda em baixo da cama para proteger a família de um assalto. Típica reivindicação patriarcal.

É assim que a indústria cultural acaba sendo parte do dispositivo que tenta fazer da vida menos angustiante, entretanto, transformando a morte em algo banal, digno de indiferença; espetacular, digna de consumo; mas também mostra as reações conservadoras a este tipo de sociedade líquida moderna, que é a morte digna de vingança, uma vingança que, na realidade, nunca é alcançada.

Fonte: Site Obvious

3 MINUTOS COM BAUMAN: AS AMIZADES DE FACEBOOK

Sociólogo polonês preocupado em compreender a sociedade pós-moderna, Zygmunt Bauman, 87 anos, autor de vários livros em que explica as relações sociais na contemporaneidade, comenta em 3 minutos, em uma de suas conferências que foi concedida para o Fronteiras do Pensamento, porquê nossas relações de amizade no facebook são tão atrativas, fáceis e superficiais.

Leia o trecho:
"Um viciado em facebook me confessou - não confessou, mas de fato gabou-se - que havia feito 500 amigos em um dia. Minha resposta foi: eu tenho 86 anos, mas não tenho 500 amigos. Eu não consegui isso!

Então, provavelmente, quando ele diz "amigo", e eu digo "amigo", não queremos dizer a mesma coisa, são coisas diferentes. Quando eu era jovem, eu não tinha o conceito de redes, eu tinha o conceito de laços humanos, comunidades... esse tipo de coisa, mas não de redes.
Qual a diferença entre comunidades e rede?
A comunidade precede você. Você nasce em uma comunidade. De outro lado temos a rede, o que é uma rede? Ao contrário da comunidade, a rede é feita e mantida viva por duas atividades diferentes: conectar e desconectar.
o-ZYGMUNT-BAUMAN-facebook.jpgZygmunt Bauman
Eu penso que a atratividade desse novo tipo de amizade, o tipo de amizade de facebook, como eu a chamo, está exatamente aí: que é tão fácil de desconectar. É fácil conectar e fazer amigos, mas o maior atrativo é a facilidade de se desconectar.
Imagine que o que você tem não são amigos online, conexões online, compartilhamento online, mas conexões off-line, conexões reais, frente a frente, corpo a corpo, olho no olho. Assim, romper relações é sempre um evento muito traumático, você tem que encontrar desculpas, tem que se explicar, tem que mentir com frequência, e, mesmo assim, você não se sente seguro, porque seu parceiro diz que você não têm direitos, que você é sujo etc., é difícil.

Na internet é tão fácil, você só pressiona "delete" e pronto, em vez de 500 amigos, você terá 499, mas isso será apenas temporário, porque amanhã você terá outros 500, e isso mina os laços humanos."

Fonte: Site Obvious

O mito da excelência da medicina em Cuba cai de podre

San Miguel Molina Cobas, o aluno proscrito e expulso da Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba

A propósito da maravilha do sistema de saúde em Cuba, e dos abnegados e competentíssimos médicos cubanos, o Notalatina apresenta um vídeo que mostra a realidade dos hospitais da Ilha, aqueles feitos para o povão, que precisa levar seus próprios lençóis, toalhas, alimentos, água, produtos de asseio pessoal e limpeza, e até colchão e remédios. Porque os membros da Nomenklatura, amigos dos “donos da Ilha” e turistas endinheirados, vão mesmo é para o CIMEQ, Cira García, CIREN, ou em edificações especiais do Hermanos Ameijeiras e Frank País.

O “grande êxito” do sistema de saúde cubano deve-se apenas à propaganda oficial. Segundo María Werlau, diretora da excelente organização Archivo Cuba, criado pelo Dr. Constantine Menges, “a saúde em Cuba é péssima para o cidadão a pé por falta de recursos. Existe um apartheid que favorece a elite governante e os estrangeiros que pagam em dólar e euros, enquanto nega-se atenção médica aos presos e alguns dissidentes por motivos políticos”.

Também o Dr. Darsi Ferrer, um médico cubano refugiado político nos Estados Unidos desde 2012, assegura que o sistema de atenção primária, aquela da qual os cubanos que foram importados para o Brasil se ufanam tanto, “está praticamente desarticulado, os consultórios estão vazios, seus profissionais foram enviados às lucrativas missões internacionais, sobretudo na Venezuela”, e eu acrescento, agora também ao Brasil. Berta Soler, líder das Damas de Branco que é técnica em microbiologia, trabalhou até 2009 no hospital América Arias de El Vedado, hoje “semi-fechado”. Ela afirma que “a saúde não é gratuita: isso é um mito. Às vezes os profissionais sugerem que se peça os medicamentos aos familiares no exílio” porque não se encontram nas farmácias.

Bem, voltei a falar neste assunto porque essas denúncias feitas pelo estudante do 2º ano de medicina, da Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba, San Miguel Molina Cobas, renderam-lhe a expulsão não só desta faculdade, mas de qualquer universidade existente em Cuba. Hoje ele é um proscrito, que foi execrado em sessão especial dentro da universidade, onde participaram o reitor, alunos, funcionários e até agentes do MinInt num grande linchamento moral, cujo vídeo apresentarei em minha palestra amanhã, no auditório do Hospital Maria Lucinda em Recife e depois aqui no blog.

Assistam ao vídeo e entendam porquê a maravilha da medicina cubana é um mito macabro. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro




Fonte: Blog Notalatina

“PT entrou para o clube dos privatistas e varreu a bandeira do Petróleo É Nosso”, diz cientista político



O leilão do campo petrolífero de Libra, na segunda-feira da semana passada (21), provoca debates internos e ganha destaque nos encontros entre os candidatos ao cargo de presidente nacional do partido. Também repercute nas redes sociais a decisão de Emanuel Cancella de abandonar a legenda. Secretário-geral do Sindipetro do Rio de Janeiro, ele divulgou carta na qual afirma que o leilão foi “a gota d’água que faltava para me afastar definitivamente de um partido que, a cada dia, se torna mais entreguista e neoliberal”.
O debate interno, porém, não irá muito longe, na avaliação do cientista político César Sanson. Para ele, o PT vem abandonando seus princípios programáticos desde que chegou ao poder, em 2002; e hoje os grupos localizados à esquerda do petismo já não têm mais força.
“Há muito tempo e em doses homeopáticas, o partido foi acostumando-se com as concessões programáticas e assimilando alianças que chegaram a incluir Paulo Maluf”, afirma o especialista na entrevista abaixo. “Libra é apenas um capítulo a mais nessa história.”

Sanson é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e colaborador do site do Instituto Humanitas Unisinos, para o qual produz análises de conjuntura. Ele afirma que o leilão contraria tudo o que programaticamente o PT construiu desde a sua origem e representa o fim da bandeira da O Petróleo É Nosso.
Poucos dias antes do leilão do campo de Libra, o senhor escreveu que seria a maior privatização da história brasileira e que, perto dela, a privatização da Vale do Rio Doce, no governo Fernando Henrique Cardoso, seria “fichinha”. Passado o leilão, mantém essa opinião?
Eu diria mais, que o leilão do campo petrolífero de Libra já pode ser considerado a privatização do século pelos valores monetários e o significado político. A Vale marcou decisivamente e emblematicamente o governo FHC, assim como Libra marcará a era Lula/Dilma. Com Libra e na esteira das concessões de rodovias e aeroportos, o governo do PT assume que os princípios liberais de mercado são constitutivos ao seu modo de governar. Os conceitos ‘parcerias público-privado’, ‘concessões’ e, agora, o ‘regime ‘partilhado’ completam a trilogia da versão petista de privatização. Libra é mais que a Vale não apenas pelo aspecto financeiro, mas também pelo aspecto simbólico. Com Libra varre-se do imaginário a consigna O Petróleo é Nosso.
O senhor não considera o argumento de que Petrobras não reúne condições técnicas, industriais, financeiras, para tocar sozinha a empreitada e por isso adotou o regime de partilha?
Esse talvez seja o argumento mais consistente da justificativa do governo para a privatização de Libra. Há, porém, enormes controvérsias. A Petrobras detém reconhecida tecnologia na área, não dependendo de ninguém para extrair o petróleo. Por outro lado, tem capacidade de capitalização gigantesca no mercado internacional exatamente em função das descobertas do pré-sal. Tudo indica que o argumento serviu para esconder uma decisão que se orienta pela pressa do governo.
Por que teria pressa?
Tem pressa em conseguir dinheiro para o ajuste de suas contas internas e para dar respostas, mesmo que incipientes, às jornadas de junho. 
O PT chegou ao poder se contrapondo às privatizações e criticando ações do governo FHC. Acha que a decisão sobre Libra contraria o programa e as promessas de campanha PT?
A decisão contraria frontalmente tudo o que programaticamente o PT construiu desde a sua origem. Goste-se ou não, é evidente que o PT mudou muito nesses últimos anos e a senha foi a Carta ao Povo Brasileiro de 2002. Para governar, o PT deixou de lado muitos dos seus princípios. As medidas anunciadas por Dilma Rousseff de caráter privatista, o tratamento parcimonioso para com as demandas dos movimentos sociais, os investimentos parcos nas áreas sociais contrastando com recursos volumosos despendidos para o pagamento dos encargos da dívida pública, o tratamento duro com os movimentos grevistas, a tolerância para com o agronegócio, a sempre e cada vez mais ampla política de alianças, as tentativas de derrogação da legislação de demarcação das terras indígenas, entre outros exemplos, demonstram que o PT agora no poder, pouco se distingue daqueles que sempre criticou. 
O leilão terá reflexos internos no PT?
Não. Há muito tempo e em doses homeopáticas, o partido foi acostumando-se com as concessões programáticas e assimilando alianças que chegaram a incluir Paulo Maluf e hoje aceitam até Kátia Abreu em seu palanque. Os petistas foram rendendo-se ao pragmatismo, rebaixando as exigências em nome da governabilidade. Libra é apenas um capítulo a mais nessa história toda. Alguns petistas pedirão a sua desfiliação, mas não provocará nenhum abalo interno. Note-se que nenhuma liderança de peso contestou a decisão. Pior ainda, ouviram-se até patéticos argumentos de que o PT é melhor que o PSDB até na hora de privatizar.
O senhor também escreveu que o leilão de Libra seria um divisor de águas na história do PT. Por que não se falou isso quando ocorreram  as concessões de rodovias?
É um divisor de águas na medida em que o partido assume definitivamente como programa de partido o princípio da privatização também em áreas estratégicas. As concessões de rodovias e aeroportos não têm o peso e a simbologia que o petróleo tem no imaginário político brasileiro, à ideia de soberania, autonomia energética. Como já disse, a consigna O Petróleo É Nosso foi varrida com Libra.
Dilma afirmou que os recursos obtidos com o leilão irão para a área social. Não é uma boa justificativa?
É o velho argumento de que os fins justificam os meios. O governo de FHC usou o mesmo argumento para torrar o patrimônio nacional. É mesmo bastante provável que parte dos recursos, inclusive a maior parte, vá para a área social. Mas isso é o mínimo que se espera. Absurdo é usar os recursos para o ajuste fiscal – superávit primário – hipótese levantada por muitos. Mas o governo não precisava privatizar para obter recursos para a área social, os recursos viriam da mesma forma se Libra ficasse sob a integral gestão do Estado. Com o açodamento o governo ganha no curto prazo, mas perde no longo. 
Não ocorreram grandes manifestações de protesto contra o leilão. Nada que fizesse o governo se sentir pressionado. A que atribui isso? Onde estavam os movimentos sociais e sindicatos que criticam a medida?
Na verdade a sorte do pré-sal foi lançada lá atrás, quando o governo Lula arquitetou o modelo de exploração do pré-sal por petrolíferas privadas. Os protestos deveriam ter sido feitos quando Lula preparou e deferiu a legislação da qual Dilma se legitimou para privatizar Libra. Aliás, Libra é uma obra a quatro mãos, de Lula e Dilma.
Por que não protestaram lá atrás?
Ninguém protestou lá atrás porque, diga-se criticamente, os petroleiros, a FUP (Federação Única dos Petroleiros), a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) estavam com o governo. Perderam força, chegaram tarde, e a sociedade rendeu-se ao argumento de que o dinheiro servirá parar enfrentar problemas estruturais como saúde, educação e mobilidade urbana.
O leilão terá reflexos na eleição presidencial de 2014?
Terá reflexos na medida em que forças políticas, como o PSDB, devolverão o troco. Dirão que sempre foram acusados de privatistas pelos petistas e esses agora fazem o mesmo. Irão procurar desqualificar o PT como o partido que diz uma coisa e faz outra. O PT, então, terá que explicar que ‘regime partilhado’ é diferente de privatização. É diferente na forma, mas no conteúdo, o resultado final é o mesmo, o patrimônio nacional, parte dele ou integral é destinado à exploração do mercado privado. Libra, entretanto, não alterará os rumos da eleição, o que define uma eleição é o conjunto da economia, particularmente a oferta de emprego.
Está dizendo que o PT passou para o clube dos privatistas. Mas ele ainda se qualifica como partido de esquerda.
O PT passou para o clube dos privatistas embora renegue e renegará isso até o fim dos seus dias. Como disse anteriormente, o ‘regime de partilha’ completa com as ‘parcerias público-privado’ e as ‘concessões’ a trilogia privatista do PT. Depois do desmedido aliancismo, depois da flexibilização do Código Florestal, depois da destruição da política de demarcação de terras indígenas, depois do esvaziamento da reforma agrária e agora com a privatização de Libra, fica cada vez mais difícil perceber o que resta de esquerda no PT.




Blog do Gari Martins da Cachoeira