terça-feira, 5 de novembro de 2013

Entre a crença e a dúvida

4 de novembro de 2013 | N° 17604

PAULO SANT’ANA

Sobre acreditar ou não em Deus, tenho algumas considerações a fazer.


Há quem acredite em Deus cegamente e há quem acredite em Deus e reza para ele levando em conta que possivelmente ele exista.


Eu confesso exatamente que não sei bem o que é fé. A gente tem de ter firme opinião de que Deus existe ou a gente fica em dúvida sobre a sua existência e, por via das dúvidas, reza para ele? Qual das duas posições implica fé? Ambas podem implicar?


Eu até penso que a fé que uma pessoa nutra não necessita de prova de que Deus existe. Ou seja, nunca se teve um sinal material ou físico de que Deus existe e mesmo assim se crê nele inabalavelmente.


Ou seja, não se cultiva nenhum critério de verificação de que Deus existe e assim mesmo se acredita nele incondicionalmente.


Esta me parece a verdadeira fé.


Parece-me impossível duvidar e ter fé ao mesmo tempo. Isto é, só pode ter realmente fé quem não duvida de que Deus existe.


É o caso aquele da história de São Tomé, de ver para crer: no meu sentido, São Tomé exigia de Cristo que esse provasse que era filho dileto e direto de Deus.


Ou seja, sempre me pareceu que São Tomé, enquanto Cristo não provasse que era filho ungido de Deus, não acreditaria nele.


Mas se São Tomé acabou sendo apóstolo de Cristo, então é porque de alguma forma o Messias mostrou a Tomé que era membro da Santíssima Trindade. Sendo assim, Cristo comprovou materialmente a Tomé que era o ungido, e Tomé se entregou afinal à crença inamovível que estava diante do Messias.


Mas então eu pergunto: qual a fé mais legítima? A de quem nunca viu sinais materiais de que Deus existia e assim mesmo crê nele, ou a de quem viu com seus olhos e notou com seus sentidos de que Deus existia? A fé mais integral para mim é a de quem nunca viu sinais materiais da existência de Deus e mesmo assim proclama-o como Senhor do Universo.


Não pode ter fé quem desconfia de que Deus existe. Para ter fé, é preciso apostar que Deus existe. “Aposto minha vida em que Deus existe ou aposto todos os meus bens em que Deus existe”, esse tipo de pessoa me parece que tem fé concreta em Deus.


Já São Tomé precisava ver para crer. E a legítima fé não necessita de ver para crer, basta que ela se verifique ao acreditar por lógica, por sentir, por pressentir que Deus existe.


Mas até entre os apóstolos se deu esse drama do crer ou não crer em Jesus como Deus: não foi só com Tomé, com Pedro também aconteceu a dúvida, tanto que ele negou Jesus por três vezes enquanto o galo cantava.


E eu faço uma pergunta incômoda, talvez até cretina: se até entre alguns apóstolos que conviveram com Jesus havia dúvidas, que vão deixar para nós que não apalpamos Cristo, que não convivemos com ele e só soubemos dele pelos Evangelhos?


Podem me criticar, mas eu gostei do Grêmio. Claro que empate em casa é coisa ruim. Mas o Botafogo perdeu para o Goiás e recompensou esse tropeço gremista.


Imaginem, tive que torcer desesperadamente para o Inter ganhar do Atlético Paranaense, o que daria ao Grêmio o segundo lugar na classificação.



A vida tem disso, às vezes ela nos obriga a nos abraçarmos com o rival.


Fonte: Blogger da Keyla

Nenhum comentário:

Postar um comentário