segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Jaqueline Brendler: Pacto sexual: qual o seu?



*Sexóloga e médica, Jaqueline adora ajudar as pessoas a melhorar a vida sexual

A história nos relata que a primeira fidelidade sexual cobrada foi a da mulher, pela honra do homem e para garantir a provável paternidade. Mais recentemente, para a maioria dos casais, há um pacto implícito de fidelidade sexual no casamento, um pacto não verbal, no qual a mulher seria fiel e o homem iria tentar. Desde as duas últimas décadas do século 19, no novo pacto implícito, os dois serão fiéis.

Na paixão, é fácil manter a exclusividade sexual, pois o outro é idealizado e muito valorizado. Sabemos que não há como impedir sexo extraoficial, se ele for desejado. O mundo se tornou globalizado, com imensa oferta e facilidade para sexo casual, via internet ou com contato corporal. Contudo, ainda impera o pacto implícito da época dos nossos avós, para a maioria dos casais.

Que tipo de fidelidade é desejada e será cobrada? A sexual, do corpo a corpo? Espiar, olhar terceiros do convívio próximo, repetidamente, na internet, será problema? Mensagens ambíguas ou sedutoras são permitidas? Para uns, embora "não seja anunciada", a escapada sexual será tolerável, pois o verdadeiro temor é um provável envolvimento afetivo. Por outro lado, o "pular a cerca" pode ser o primeiro passo para uma ligação afetiva externa ao casal.

Há pessoas com uma essência mais fiel do que de outras. Por outro lado, sabemos que há relacionamentos nos quais a opção foi pela "abertura sexual". São exceção e minoria.

A exclusividade sexual, assim como a infidelidade, tem um preço. Muitos que vivem sob o pacto não verbal de fidelidade relatam em situações de sexo extraconjugal: fui fiel a minha mulher. O natural, se deixarmos o instinto agir, é a infidelidade, pois a atração sexual irá acontecer por outros, além do parceiro oficial. A fidelidade sexual é uma escolha, uma decisão racional. A exclusividade sexual visa a proteger o relacionamento, missão nada fácil considerando longas uniões, mas possível para pessoas maduras que decidiram investir no casamento.

Somos contraditórios. Vida externa contemporânea, vida íntima conservadora, na medida em que valorizamos a exclusividade sexual. Penso que o sonho maior está além: é sermos únicos no amor e no sexo. Utopia? Na vida real, o faz de conta, o não conversar sobre terceiros, pode ser incompatível com o futuro da relação.




Fonte: Site do Jornal Zero Hora

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