quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ler custa caro



Fernando Duarte




A leitura de um bom livro no Brasil é absurdamente cara. Apesar de ser um mercado em nítida expansão, continua preso às amarras dos preços. Um bom livro não custa menos de R$ 50, quando for lançamento. Se custasse metade disso, teria um crescimento vertiginoso no número de leitores.

Um exemplo disso é o do americano, que lê muito e não paga caro. Ao invés de comprar um livro “na vida e outro na morte” – como é da cultura do brasileiro – o americano pode desfrutar de uma relevante leitura quando achar necessário. A internet, os tablets e os celulares inteligentes não roubam e nunca vão roubar o prazer de um livro de papel e tinta. Até porque, no Brasil, a onda dos e-books, por enquanto, não vingou.

Até parece que os representantes políticos e o empresariado gostam de ter uma população alheia ao conhecimento, a possibilidade de formar a própria opinião, já que isso é um dos “poderes” que o livro pode fornecer. Livro barato somado a uma educação – básica – de qualidade é igual a uma população inteligente, que não se dobra as sucessivas manobras diárias de quem detem o poder.

As classes “D” e “E” estão conquistando mais bens não porque os preços baixaram, mas por terem mais recursos financeiros. Se dependessem de queda nos preços para obter alguma coisa, os brasileiros mais pobres viveriam na eterna míngua. Isso é uma boa representação da leitura. Se o brasileiro aumenta o volume e a qualidade dos livros que lê – dos poucos – é porque aumentou a renda e não por “boa vontade” de alguns.

É vergonhoso, novamente comparando a outros países, o nível de leitura do brasileiro. Os empresários podem dizer que vendem os livros caros porque o brasileiro lê pouco e faz isso porque a educação é pífia. Uma teoria mais errada que certa. É certa pelo país apresentar uma educação capenga, porém é mais errada porque, se observar atentamente, há toda uma estrutura deficitária.

Por exemplo: diariamente, são propagandeados os mais diversificados tipos de automóveis, que têm direção hidráulica, airbag – este deveria estar compulsoriamente em todos os veículos -, comandos no volante, acesso a rede social, 4x4, pintura metalizada, etc.

Agora, para um livro, isso não acontece. Não existe propaganda nesse sentido: livro brochura, escrito pelo maior especialista na área, elogiado pelos mais diversificados críticos e com depoimentos de quem leu e ficou impressionado com a qualidade da escrita e do conteúdo.

Existe propaganda de cachaça, mas de um livro, nada. Como chegar ao leitor, se os que deveriam pensar nisso, se limitam a coisas – muitas delas – fúteis.

É por isso que um livro é caro.



FERNANDO DUARTE é editor de Política do Diário

fernandoduarte@diariodecuiaba.com.br



Fonte: Site Diário de Cuiabá
http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=417068

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