quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Lógica é Suicida

Se você estiver aberto...
e é isto que um discípulo deve ser: um apogístico. E a maior abertura vem com a rendição. Mas o que um apogístico deve ter? Como deve estruturar sua mente para estar-aberto?
Deve ter menos razão e mais confiança, menos praticidade e mais aventura, menos prosa e mais poesia.
Seja ilógico - do contrário, a felicidade não será para você.
A lógica é o inimigo.
A lógica prova que a vida é uma miséria.
A lógica prova que não existe nada significativo.
A lógica prova que não existe nenhum Deus.
A lógica prova que não existe nenhuma possibilidade de êxtase.
A lógica prova que a vida é apenas um acidente, e que nesse acidente não há nenhuma possibilidade.
Entre o nascimento e a morte, você pode, no máximo, arranjar algum jeito de existir. Isto é o suficiente.
A lógica é suicida.
Se você for com ela, no final ela lhe dará a chave para sair da vida. No final, ela dirá que o suicídio é o passo mais lógico a ser dado - porque a vida não tem significado.
O que você está fazendo aqui?
Repetindo a mesma rotina?
De manhã, saindo de casa, desnecessariamente, porque você levanta todos os dias, e nada acontece.
Portanto, para que se levantar hoje novamente? Você toma seu desjejum - você tem feito isto sua vida inteira e nada aconteceu.
Você lê seu jornal, vai para o escritório, volta do escritório e faz as mesmas coisas sem sentido! Come sua comida, vai dormir, e a manhã chega novamente...
um círculo repetitivo, que não leva a lugar algum, que o faz movimentar-se numa trilha. Se você for lógico, sua mente dirá: Suicide-se!
Por que prolongar todo esse absurdo?
A lógica o leva ao suicídio; a fé o leva para a vida suprema.
E a fé é ilógica - não pergunta, não argumenta, simplesmente entra no desconhecido, e tenta experimentar.
Experimentar é o único argumento para um homem de fé.
Ele tenta saborear as coisas, tenta experenciá-las.
Sem experimentar, ele não diz nada. Ele não decide - permanece aberto.
Dando um passo, outro passo e mais outro, a fé o leva à rendição - porque quanto mais você procura com fé, quanto mais conhece, mais experiência ganha. Sua vida torna-se intensa.
Cada passo lhe diz:
Vá além, há muito mais escondido além. O além torna-se a meta - transcenda tudo e vá além.
E a vida torna-se uma aventura, uma contínua descoberta do desconhecido. Então mais confiança é criada.
Quando cada passo dado para o desconhecido lhe dá um vislumbre de felicidade, quando cada passo dado na loucura lhe dá uma forma mais alta de êxtase, quando cada passo dado no desconhecido ajuda-o a compreender que a vida não consiste da mente, que a vida é um fenômeno total, orgânico. Todo seu ser é solicitado e chamado - então, pouco a pouco, seu ser interno é convencido.
E não é uma convicção lógica.
É a sua experiência, é experimental, ou você pode dizer que é existencial, não intelectual - é total.
E um momento vem no qual você pode-se render.
A rendição é o maior risco.
Render-se significa por a mente completamente de lado. Render-se significa ficar louco.
Eu digo que render--se significa ficar louco, porque todos aqueles que vivem em sua lógica e em sua mente pensarão que você ficou louco.
Para mim, não é loucura.
Para mim, a loucura, este tipo de loucura, é o único caminho corajoso da vida.
Para mim, esta loucura é o salto mais profundo.
Para mim, esta loucura é tudo o que um homem é chamado para ser.
Mas para os lógicos, sua confiança parecerá louca.
Este é um dos fenômenos que terá de penetrá-lo muito profundamente.
Todas as grandes religiões nascem em torno de algum louco.
Jesus é um louco, um perfeito insano.
Buda é um louco!
Mas as pessoas que se juntam ao redor não são todas Muitos vêm que não são apogísticos, que são intelectuais.
Eles também são atraídos por Jesus e Buda.
O próprio ser de Buda é tão magnético, tão repleto de infinita energia, que eles são atraídos.
E suas mentes, raciocinam:
algo foi obtido por esse homem.
Mas eles não são apogísticos:
eles são não-apogísticos.
Intelectualmente, ficam atraídos.
O próprio fenômeno de um Buda e seu ser torna-se um argumento lógico para eles. Eles ouvem Buda, racionalizam seus dizeres, criam metafísicas ao seu redor –
Mm? - então nasce uma religião.
Na base existe um louco, mas na estrutura estão os lógicos.
Eles são pessoas contraditórias, totalmente contraditórias, opostas a Buda.
Eles criam a organização.
Criam o budismo e as filosofias.
Jesus é um louco.
São Paulo não é.
Ele é um lógico perfeito.
A igreja foi criada por São Paulo, não por Jesus. Todo o cristianismo foi criado por São Paulo, não por Jesus.
E esta é unia das coisas perigosas que está sempre acontecendo.
E não há jeito de impedi-la.
Está na natureza das coisas.
Se Jesus nascer agora.
a igreja o negará imediatamente.
A igreja não aceitará nenhum louco.
Seja Eckhart ou Boehme.
a igreja os negará - eles são loucos. Ela os expulsará da organização. Eles não serão permitidos, porque poderão se revelar destrutivos. Eles dizem cada coisa, que se as pessoas os ouvirem e acreditarem neles, eles destruirão toda a estrutura, toda a organização.
A religião nasce, na base, com um louco, e então é tomada pelos lógicos que são o oposto.
E são eles que criam todas as organizações.
Os apogísticos dão à luz, e a criança é adotada pelos não-apogísticos.
Assim, toda religião na sua fonte original é bela, mas depois nunca mais o é.
Ela torna-se feia.
Na realidade, torna-se anti-religiosa.
Osho

Fonte: Humaniversidade
http://www.humaniversidade.com.br/logica.htm

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