quinta-feira, 8 de maio de 2014

O BANDO DOS CARAS TAPADAS — Quem são os manifestantes baderneiros do black bloc, que saem às ruas para quebrar tudo

Ricardo Setti


23/08/2013
 


BLACK TROPICAL -- Na Europa, onde o grupo surgiu, coturnos e preto total fazem parte do uniforme dos mascarados; na versão brasileira, entraram as sandálias Havaianas e as camisetas de time (Foto: Luan Corrêa)
BLACK TROPICAL -- Na Europa, onde o grupo surgiu, coturnos e preto total fazem parte do uniforme dos mascarados; na versão brasileira, entraram as sandálias Havaianas e as camisetas de time (Foto: Luan Corrêa)
Reportagem de Bela Megale e Alexandre Aragão, com colaboração de Pâmela Oliveira, publicada na edição de VEJA que está nas bancas
O BLOCO DO QUEBRA-QUEBRA
Com slogans anarquistas na cabeça e coquetéis molotov na mão, os black blocs se espalham pelo Brasil e transformam protestos em arruaça. Jovens da periferia, punks e até universitárias de tênis Farm compõem o bando
No começo, quase ninguém notou a chegada deles. Em 20 de abril de 2001, o mesmo dia em que grupos anarquistas no Canadá protestavam contra a criação da Alca, em Quebec, na Avenida Paulista, em São Paulo, um bando de arruaceiros com o rosto coberto destruía a marretadas agências bancárias e uma loja do McDonald’s. Era a primeira arruaça black bloc no Brasil.
Embora, àquela altura, pouca gente soubesse o que era isso, o bando de inspiração anarquista, defensor da “destruição consciente da propriedade privada” e autodeclarado inimigo do capitalismo, começava a se organizar no país. Hoje, os militantes, por assim dizer, não chegam a duas centenas por aqui. É um grupo pequeno, mas que, engrossado por vândalos de ocasião, em algumas capitais tem transformado a baderna e a violência em uma assustadora rotina.
VIROU ROTINA -- Mascarado destrói vitrine de loja de carros em São Paulo. A cena se repete há mais de dois meses também no Rio de Janeiro, sem que haja quase nenhum baderneiro preso (Foto: Fabio Braga / Folhapress)
VIROU ROTINA -- Mascarado destrói vitrine de loja de carros em São Paulo. A cena se repete há mais de dois meses também no Rio de Janeiro, sem que haja quase nenhum baderneiro preso (Foto: Fabio Braga / Folhapress)
Na semana passada, os black blocs estiveram por trás de todas as manifestações violentas que explodiram no Rio de Janeiro e em São Paulo, com exceção da tentativa de invasão do Hospital Sírio-Libânes, esta uma obra de sindicalistas. Na quinta, no Rio de Janeiro, cerca de 200 mascarados depredaram agências bancárias, pontos de ônibus e arremessaram um banheiro químico no meio da rua.
A Avenida Rio Branco, uma das principais vias da cidade, ficou parada por quase sete horas. No dia anterior, em São Paulo, black blocs haviam queimado uma catraca, que levaram durante toda a manifestação como troféu. Na sequência, invadiram o prédio da Câmara Municipal e destruíram suas vidraças.
Por princípio herdado dos seus precursores europeus, muitos dos black blocs desprezam qualquer movimento político organizado, à direita ou à esquerda, o que inclui até os, atualmente em voga, Fora do Eixo eMídia Ninja. Mas, ao menos no Brasil, o fato de saberem do que não gostam não quer dizer que saibam o que querem.
Exemplo disso ocorreu durante a invasão da Câmara Municipal de São Paulo, quando um black bloc abordou aos berros o presidente da Casa, o petista José Américo: “O senhor é a favor da tarifa zero? Quem matou o Amarildo? Abriria mão do seu salário? É contra a Constituição?”.
MISTURA EXPLOSIVA -- Aos black blocs das periferias de grandes cidades se juntaram punks e universitários de classe média, que engrossaram as fileiras do bando nos confrontos com a polícia em São Paulo (Foto: Fernando Cavalcanti)
MISTURA EXPLOSIVA -- Aos black blocs das periferias de grandes cidades se juntaram punks e universitários de classe média, que engrossaram as fileiras do bando nos confrontos com a polícia em São Paulo (Foto: Fernando Cavalcanti)
Se os vândalos paulistanos não conseguiram ainda eleger seu alvo, os do Rio já o fizeram. Há mais de um mês, black blocs lideram um acampamento na porta da casa do governador Sérgio Cabral. Dentro de suas tendas, entre um baseado e um gole de vodca, exigem a renúncia do político.
Por trás dos lenços – pretos, na versão original; de qualquer cor que estiver à mão, na versão brasileira – estão principalmente moradores de periferia. Mas punks e egressos de movimentos sociais decadentes, como o MST, engrossam as fileiras do bando.
Nessa combinação, a adesão dos primeiros – com suas calças justas e coturnos de cadarços pretos, vermelhos ou amarelos (os brancos são abominados pela associação com os inimigos neonazistas) – contribuiu para aumentar o grau de violência do grupo e levar para dentro dele outros elementos deletérios, como vinho barato e cocaína.
Em São Paulo, completam a babel social estudantes de universidades como USP, PUC e Faap. Na semana passada, uma aluna de ciências sociais da USP engrossava o bloco do quebra-quebra calçando tênis da grife Farm, em média 250 reais o par. “É ótimo para manifestações”, justificava.
Manifestantes pela queda do governador do Rio, Sérgio Cabral (Foto: Marcos Arcoverde / Estadão Conteúdo)
Manifestantes pela queda do governador do Rio, Sérgio Cabral (Foto: Marcos Arcoverde / Estadão Conteúdo)
Na capital paulista, essa turma heterogênea se reúne em uma casa na Zona Oeste, em festas regadas a cerveja e ao som de cumbia – ritmo nascido na periferia de Buenos Aires. Ao final, assistem a filmes comoBrad, Uma Noite Mais nas Barricadas, uma ode ao produtor de vídeo americano morto por um grupo paramilitar durante uma manifestação no México.
No Brasil, os primeiros integrantes dos black blocs viviam nos moldes das antigas comunidades hippies, em bairros como Perus, na Zona Norte de São Paulo. Politizados e interessados por história, liam livros como Manual do Guerrilheiro Urbano, de Carlos Marighella, e The Black Bloc Papers, que conta o histórico do bando.
Ele surgiu nos anos 80, na Alemanha da Guerra Fria sacudida por protestos antinucleares. Naquele tempo, os black blocs diziam ter um objetivo diferente do atual: o de servir de “escudo humano” para os manifestantes que desafiavam a polícia e apanhavam dela.
Mas o contexto mudou. No fim da década de 90, com o Muro de Berlim despedaçado, o marxismo em baixa e o anarquismo em alta, os black blocs aterrissaram nos Estados Unidos e no Canadá com bandeiras já enegrecidas e gritos bem mais radicais: pela destruição da propriedades, do governo e das empresas privadas.
McDonald’s e Starbucks viraram imediatamente os alvos preferenciais da turma – e até hoje não escapam ilesas de nenhum protesto em que haja um mascarado. Em 2011, os black blocs participaram do Occupy Wall Street, em Nova York.
A violência do grupo assustou os manifestantes comuns e serviu para abreviar o movimento – o mesmo processo que pode ter acontecido com as manifestações que começaram em junho no Brasil.
Em reunião do G* na Alemanha, em 2007, manifestantes bloquearam rodovias para dificultar o acesso aos chefes de estado (Foto: Patrick Lux / AP)
Em reunião do G* na Alemanha, em 2007, manifestantes bloquearam rodovias para dificultar o acesso aos chefes de estado (Foto: Patrick Lux / AP)
Por aqui, a tática usada pelo grupo nos últimos atos obedece ao padrão de ação dos precursores europeus e americanos. Em turmas de cerca de 100 pessoas, os black blocs assumem a linha de frente dos protestos, a pretexto de compor uma barreira entre os manifestantes e os policiais.
De braços cruzados, movem-se como uma massa uniforme em direção às barreiras de segurança. Quando a polícia se aproxima, emitem em coro e de forma ritmada grunhidos semelhantes a um grito tribal. Nesse momento, alguns membros lançam morteiros, coquetéis molotov e pedras com estilingues.
O objetivo é provocar a polícia. Quando ela reage, eles se dividem: uma turma parte para cima e a outra foge para pichar muros, atear fogo em latões de lixo e destruir estabelecimentos, preferencialmente bancos, concessionárias de carros, lanchonetes de cadeia e tudo o que considerarem “símbolos do capitalismo”.
Placas de sinalização viram armas e orelhões, escudos. Na cartilha apreendida pelo delegado Marco Duarte de Souza, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, um grupo de black blocs descreve seus alvos: “bancos, grandes empresas e a imprensa mentirosa”.
Devem ser evitadas, segundo o texto, depredações de “carros particulares e pequenos comércios”. Os black blocs acham isso muito bonito e nobre – orgulham-se de dizer que não praticam o que chamam de “vandalismo arbitrário”.
Para eles e seus admiradores confessos – entre os quais professores universitários pagos com dinheiro público -, destruir uma agência bancária a marretadas ou golpes de extintor de incêndio não é vandalismo, mas uma “ação simbólica”, que, inserida na “estética da violência”, simularia a “ruína do capitalismo”. Embora haja uma definição mais precisa para isso – e ela pode ser resumida na palavra crime -, quase nenhum black bloc está preso hoje no país.
Em dois meses de manifestações, mais de 200 agências bancárias foram depredadas, o que causou um prejuízo superior a 100 milhões de reais. No comércio, foi de 38 milhões de reais. Em São Paulo, o governo e a prefeitura gastaram até agora 350.000 reais para consertar vidraças das estações de metrô destruídas, placas de rua e pontos de ônibus. No Rio de Janeiro, o prejuízo superou 1,5 milhão de reais.
Com toda essa destruição, por que não há vândalos presos? Para que uma pessoa tenha a prisão cautelar ou preventiva decretada nos flagrantes de vandalismo, é necessário comprovar que, solta, representaria risco à ordem pública. Essa decisão tem de partir de um juiz, que, para tomá-la, precisaria estar amparado numa investigação policial – que até hoje não foi feita, ao menos de forma sistemática.
OCUPA E AFUGENTA -- A presença de black blocs no occupy Wall Street afugentou os manifestantes comuns e ajudou a abreviar o movimento, fenômeno que pode ter ocorrido com os protestos que começaram em junho no Brasil: o uso da violência isola o grupo (Foto: John Minchillo / AP)
OCUPA E AFUGENTA -- A presença de black blocs no occupy Wall Street afugentou os manifestantes comuns e ajudou a abreviar o movimento, fenômeno que pode ter ocorrido com os protestos que começaram em junho no Brasil: o uso da violência isola o grupo (Foto: John Minchillo / AP)
Outra opção seria enquadrar os arruaceiros pelo crime de formação de quadrilha, além de dano ao patrimônio. Ocorre que, também nesse caso, é necessário haver uma investigação prévia que comprove que as pessoas se juntaram de modo estável e contínuo para cometer os delitos.
O anarquismo, do qual derivam os black blocs, prega a organização da vida em sociedade fora da moldura do estado – segundo creem, a fonte de todos os males. Os black blocs, no entanto, assimilam apenas o subproduto desse ideário: a improvisação, a baderna e a tolerância para com certos crimes. Tudo aquilo de que o Brasil está louco para se livrar.
A contar pela intensidade da ação policial e da disposição do grupo, inversamente proporcionais, isso não ocorrerá tão cedo. Integrantes dos black blocs já anunciaram que o pior ainda está por vir – e deram até a data, 7 de setembro, quando estão previstas, em dezenas de cidades brasileiras, manifestações de nome preciso e autoexplicativo: Badernaço.

Black bloc em hora de recreio
MARX NO INTERVALO -- Emma: entre as assembleias, livros e beijos (Foto: Leo Corrêa)
MARX NO INTERVALO -- Emma: entre as assembleias, livros e beijos (Foto: Leo Corrêa)
No começo do século XX, nos Estados Unidos, o rosto de Emma Goldman, nascida no que hoje é a Lituânia, era uma das faces mais conhecidas do anarquismo. Neste começo de século XXI, no Brasil, os olhos claros de outra Emma (pelo menos esse é o nome que ela escolheu para se apresentar ao mundo) foram os mais compartilhados nas redes sociais quando o assunto era a ala feminina dos black blocs.
Sempre coberta por uma camiseta enrolada em torno da cabeça, a Emma brasileira ganhou ensaio fotográfico amigo e entrevista no Mídia Ninja e ainda teve imagens suas circulando na internet nas quais discute com um policial, com quem quase chegou às vias de fato. Junto com duas dezenas de estudantes e até mendigos, ela está acampada há duas semanas nas proximidades do prédio onde mora o governador do Rio, Sérgio Cabral.
Pelo depoimento que deu, ficou-se sabendo que Emma tem 25 anos e foi “educada para ser uma burguesinha otária”. Saiu de casa aos 16, para morar em uma favela. Trabalhou por algum tempo num banco – onde “via aquela gente soberba, milionária, muita coisa bizarra” – e parou de trabalhar lá por “desobediência civil”.
Na sua opinião, os black blocs “têm origem e intenção contra o capitalismo” e “não querem ser heróis de ninguém”. Mais Emma não diz. Entre os black blocs, o combinado é que não se fala com “a grande mídia” e, quando se fala alguma coisa, isso não inclui detalhes da vida pessoal de ninguém.
Da sua tenda, instalada ao lado de outras três em frente à Praia do Leblon, Emma dispara constantes convocações de “assembleias” para os acampados. Podem ser para discutir coisas como a distribuição de comida, na maior parte doada por moradores da vizinhança, ou a recepção a recém-chegados.
É ouvida com respeito e atenção – mas, às vezes, a turma se rebela e não se mexe, alegando que “é hora de lazer”. Nos intervalos entre as assembleias, lê o livro História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, uma provável concessão autonomista, já que a obra enfoca a história econômica sob a ótica marxista.
Mas Emma também preza os momentos de lazer: namoradeira, foi vista “ficando” com dois acampados num mesmo dia. Afinal, como já dizia a outra Emma, a lituana que se apresentava como defensora de todas as liberdades: “Se eu não posso dançar, essa revolução não me interessa”.

A ação dos mascarados, de Berlim ao Rio
Os black blocs surgiram na Alemanha e, nos últimos 26 anos, espalharam seus violentos protestos sem alvo definido
No início do grupo, em visita de Ronald Reagan a Berlim, na Alemanha, na Guerra Fria, em 1987
No início do grupo, em visita de Ronald Reagan a Berlim, na Alemanha, na Guerra Fria, em 1987
12/jun/1987 – Visita de Ronald Reagan, Berlim (Alemanha)
Nos anos 80, o movimento antinuclear na Alemanha juntou comunistas, anarquistas e punks em protestos de rua. Como tática para enfrentar a ação da polícia, esses grupos adotaram o uso de máscara, roupas pretas e passaram a marchar em bloco, sempre na dianteira dos confrontos. Surgiam assim os black blocs.
Eles compareceram em massa quando o presidente americano Ronald Reagan, em visita ao lado ocidental de Berlim, discursou em frente ao Portão de Brandenburgo. Nos arredores, 50.000 pessoas protestavam contra a Guerra Fria

17/out/1988 – Pentágono, Washington (Estados Unidos)
Os black blocs apareceram pela primeira vez nos Estados Unidos quando cerca de 1.000 pessoas foram à sede do Pentágono para protestar contra o apoio daquele país a paramilitares de El Salvador.
Ao longo dos anos 90, demonstrações parecidas – pequenas e pouco violentas – aconteceram em várias cidades americanas

30/nov/1999 – Conferência da OMC, Seattle (Estados Unidos)
No primeiro grande black bloc feito por americanos, 157 pessoas foram presas. Esse também foi o primeiro dos grandes protestos antiglobalização que ocorreriam nos anos seguintes.
Nele, black blocs destruíram a vitrine de uma loja da Starbucks. Desde então, a rede de cafeterias americana virou, junto com agências bancárias de qualquer nacionalidade, um dos alvos preferenciais desses manifestantes
Em protestos durante a conferência da OMC nos Estados Unidos, em 1999, 157 pessoas foram presas
Em protestos durante a conferência da OMC nos Estados Unidos, em 1999, 157 pessoas foram presas
20/abr/2001 – Encontro da Cúpula das Américas, Quebec (Canadá)
Carregando uma faixa em que se lia que “o capitalismo não pode ser reformado”, uma centena de black blocs chegou a derrubar a cerca de arame que separava os manifestantes dos participantes do encontro

20/jul/2001 –  Encontro do G8, Gênova (Itália)
Anarquistas vindos de diversas partes da Europa encontraram-se em Gênova, onde acontecia a reunião do G8, para protestar contra a globalização. Houve confronto com a polícia, e o anarquista italiano Carlo Giuliani, integrante dos black blocs, foi morto a tiros por um policial

6/jun/2007 – Protesto contra o G8, Hamburgo (Alemanha)
Milhares de pessoas, a maioria participante do black bloc, protestaram contra a reunião do G8 em um balneário na região norte do país. Os manifestantes bloquearam várias rodovias alemãs para dificultar o acesso aos chefes de estado

26/jun/2010 – Encontro do G20, Toronto (Canadá)
Os black blocs destruíram lojas de roupas, como a American Apparel e a Adidas, e cafeterias Starbucks. Além disso, atearam fogo em quatro carros de polícia – mais de 150 pessoas foram detidas

25/jan/2013 – Ato contra a Irmandade Muçulmana, Cairo (Egito)
Ao lado de milhares de pessoas que tomaram a Praça Tahir em protesto contra o primeiro governo eleito do Egito, os black blocs atuaram pela primeira vez em um país árabe. O governo os acusou de promover o terrorismo e mandou vários manifestantes para a prisão

11/jul/2013 – Rio de Janeiro (Brasil)
Na esteira dos protestos que dominaram o país em junho, cerca de 300 mascarados tomaram o centro da cidade, misturados a outros manifestantes, e promoveram um quebra-quebra sem alvo aparente. Pela primeira vez, chegaram às manchetes dos jornais. A partir daí, eventos parecidos ocorreram em São Paulo, Fortaleza, Distrito Federal e Porto Alegre


Fonte: Site da Revista Veja
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/o-bando-dos-caras-tapadas-quem-sao-os-manifestantes-baderneiros-do-black-bloc-que-saem-as-ruas-para-quebrar-tudo/#.U2jU7gUg4bQ.twitter

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