terça-feira, 13 de maio de 2014

Religião: “A Última Borboleta" de Roldão Mangueira o profeta dos Borboletas Azuis



(Irmã Tereza)
Os Borboletas Azuis são um marco histórico na Paraíba. Neste dia 13 de maio do corrente ano, faz exatamente 34 anos da previsão cataclísmica de Roldão Mangueira o pai dos Borboletas Azuis. 

Fundado em Campina Grande pelo empresário Roldão Mangueira de Figueiredo, os Borboletas Azuis passaram a se identificar com os atos messiânicos em 1977, ano em que se apresentaram vestidos de um timão azul e branco impecável. Roldão pregava que o mundo seria destruído por um dilúvio na década de 80. Houve uma dramática redução do número de fiéis depois do fiasco do dilúvio anunciado, o número de seguidores passou de aproximadamente 700 para somente 67 pessoas.

A seita primava pelo misticismo religioso, misturando várias práticas religiosas, como o Catolicismo, Espiritismo e Protestantismo, seu líder pregava que o mundo seria destruído num dilúvio que ocorreria em 13 de maio de 1980: “Uma enorme bola de fogo cruzará o céu, o Sol girará por três vezes consecutivas, um ensurdecedor trovão ecoará por toda a Serra da Borborema. Em seguida choverá ininterruptamente por 120 dias”, foi o que disse Roldão Mangueira a seus fiéis que acreditavam cegamente nele.


Esperando o fim do mundo, novos membros dessa seita venderam seus bens para aderir a nova religião, eles se reuniam na chamada “Casa da Caridade Jesus no Horto”, localizada no Bairro do Quarenta. O funcionamento desta Casa de Caridade ocorria através da união de sessões espíritas, realizadas sobre a “Mesa de Caridade” no interior da casa e de orações do Ofício de Nossa Senhora e demais preces católicas. Os seguidores de Roldão Mangueira eram orientados por normas de comportamentos que condenavam cores berrantes, esporte, a prática da medicina e atos mundanos. Um dos costumes mais conhecidos do grupo era o fato de andar com os pés descalços para ter contato com a terra.


Na época da profecia de Mangueira, o Diário de Pernambuco publicou o seguinte: “A cidade vive dias de expectativas. Nesta semana (maio de 1980), cresceu a hostilidade da população contra os Borboletas Azuis. As autoridades temem que haja um linchamento dos integrantes da seita...”, passou os anos 80 e nada de fim do mundo, a realidade é que ao entrar no mês de maio de 1980, Roldão Mangueira simplesmente sumiu, quando a imprensa de Campina chegou a especular que ele estaria internado numa clínica psiquiátrica de João Pessoa. Não é preciso dizer que nada aconteceu em Campina Grande, no dia 13, por que parece que os Borboletas viraram lagartas e ficaram meios sumidos, ficando visto pela cidade apenas um 'cabeleiro - barbeiro' que tinha sua 'barraca salão de beleza', na Antiga Feira de Troca, na Av. Canal e no antigo 'Pela Porco' onde é hoje é o CESC - Centro, perto do viaduto. 

O mestre da seita não durou muito e e morreu nos anos 80, logo após a morte de Roldão, em 1982, o novo líder do grupo passou a ser  Antônio de França, que mesmo com a decadência da Seita, ainda tentava chamar atenção para a “Casa da Caridade”, como de fato ocorreu em matéria publicada na “Gazeta do Sertão” de 29 de setembro: “Hoje os adeptos são pouco mais de vinte, mas a fé na religião e nos princípios é a mesma”.

Com o passar dos anos, os integrantes ou foram morrendo, ou simplesmente retornaram as suas vidas normais, fazendo com que a seita fosse se esvaziando até ficar apenas com duas adeptas, ainda na “Casa da Caridade”, que foi doada por Roldão Mangueira à “Fundação Casa de Caridade Jesus no Horto”. Todas as noites, a aposentada Maria Tereza e Helena Fernandes se encontravam para orar e confirmar sua fé, dizendo que ainda esperavam o surgimento de um novo líder religioso, isso com uma foto de Roldão Mangueira na parede.

Pelo fracasso das sua profecias, a imprensa passou a zoar de Rodão Mangueira, com humorismo e chacotas fazendo relatos de ação que não aconteceu com ele. Lembro como se fosse hoje, eu tinha 10 anos na época quando rolou o boato, ou melhor, um caso engraçado que foi à história de que Roldão Mangueira tentou andar sobre as águas do Açude Velho. Relatam o “causo” que ele não se afogou por pouco. Sobre isso, Antônio de França, um dos líderes do grupo afirmou: “Nunca existiu esse negócio de dizer que nós iríamos andar sobre as águas, nem tão pouco estávamos construindo uma arca para nos salvar do dilúvio. Tudo foi inventado e chegaram até a dizer que nós estávamos separando os casais. Apenas não aceitamos ninguém vivendo sem ser casado, pois a religião não permite”, relatou Antônio à “Gazeta do Sertão” em 1982.

Baixo reproduzo o texto de Francistone Tomaz sobre,“A Última Borboleta Azul"


Irmã Tereza e o baú que guarda
 parte da história dos Borboletas
Nascida na zona rural da cidade de Areia no brejo paraibano, Maria Tereza Vicente, hoje com 86 anos, adotou o codinome Irmã Tereza ao ingressar no movimento que ficou conhecido como  “Borboletas Azuis” surgido em Campina Grande  no final da década de 1960 e teve como fundador místico Roldão Mangueira de Figueiredo.

Ao contrario do que é divulgado até hoje, o movimento tinha como propósito levantar a doutrina católica que, segundo seu líder espiritual estaria em decadência devido ao reinado dos três últimos Papas.

Pregavam também o desapego às coisas materiais. Irmã Tereza conta que tudo teve início quando seu líder espiritual recebeu a incumbência divina para abrir uma casa de caridade nos moldes da Igreja Jesus no Horto, Igreja esta localizada na cidade de Juazeiro do Norte  no estado do Ceará.

Daí nasceu A Casa de Caridade Jesus no Horto localizada até hoje no bairro do quarenta em Campina Grande. O local foi palco de várias curas milagrosas presenciadas pela religiosa a enfermos que vinham de toda parte do país, segundo ela essas curas ocorriam através das sessões espíritas realizadas por médiuns sobre a “Mesa da Caridade” acompanhadas de orações do ofício de Nossa Senhora e demais preces católicas.


(Roldão Mangueira)
O auge do movimento teve inicio no ano de 1978, quando seus integrantes passaram a usar vestimentas nas cores azul e branco, daí o nome borboletas azuis, e começaram  a distribuir um folheto  em que alertavam à toda humanidade sobre um “dilúvio” que aconteceria precisamente no dia 13 de Maio de 1980.

O fato não aconteceu e seus seguidores que eram em torno de setecentos diariamente no templo, foram perdendo a credibilidade junto ao seu líder que foi internado em um hospital psiquiátrico da cidade por familiares, vindo a falecer em 1982, tendo sido substituído por Antônio de França, que era acompanhado por pouco mais de vinte seguidores.

Irmã Tereza, a última remanescente dos  Borboletas Azuis  se mantêm firme no seu propósito de  “levantar” a Igreja  com a chegada de um novo líder.

Alheia às piadas e comentários maldosos sobre sua maneira de viver, a fiel seguidora de Roldão Mangueira mantêm sua rotina  de orações e tarefas rotineiras no templo, como cuidar do jardim que fica em frente à  capela. E talvez seja no jardim que essa adorável senhora encontre o significado de toda sua existência, pois “borboletas azuis não andam em bandos,  são  sempre  solitárias”.









Fonte: Blog do Gari Martins da Cachoeira 
Com Blog RHCG eFrancistone Tomaz 
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