quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Movimento Espírita vive momento ‘especial’ com avanço na Europa

Ismael Gobbo / Cláudia Santos
O Movimento Espírita vive um momento especial na Europa, com países estruturando-se e organizando-se para se fortalecer na divulgação da Doutrina. É o caso da Bielo-Rússia, Polônia, Dinamarca e, em casos mais ativos, Bélgica, França, Suíça, Reino Unido, Portugal e Espanha. O Conselho Espírita Internacional (CEI) esforça-se em produzir obras espíritas em todos os idiomas. Tudo isso para poder oferecer a literatura e os europeus buscarem e aprimorarem nela seus conhecimentos. E os divulgadores fazem o que podem em seus países para que o Espiritismo chegue ao Velho Continente. Não é fácil, certamente, há um longo caminho a se percorrer para a disseminação da Doutrina, mas as perspectivas são as melhores.
“Os companheiros que atuam no Movimento Espírita de outros países têm muito valor, pois lutam com muitas dificuldades e diante de fatores adversos, em condições muito diferentes daquelas do Brasil. Mas tem havido expansão de atividades e de núcleos espíritas, agora caminhando, por exemplo, para vários países do Leste Europeu”, conta César Perri, presidente do Conselho Espírita Internacional.

Antonio Cesar Carvalho (Brasil), Claudia Bonmartin e Charles Kempf (França), Konrad Jerzak (Polônia), Elsa Rossi (Reino Unido), Spartak Severin
(Bielo-Rússia) e Nestor Masotti (Brasil)
Para se ter uma ideia de que forma está traçado o mapa das casas espíritas no continente, na França existem atualmente 50 centros espíritas. Outros 13 estão no Reino Unido, 2 na Dinamarca, 6 na Suécia, 1 na Escócia, 9 na Suíça, 70 na Espanha, 140 em Portugal, 13 na Bélgica, 1 em Luxemburgo, 7 na Itália, 2 na Bielo-Rússia, 1 na Polônia, 2 na Áustria e 2 na Estônia.
De acordo com Perri, a recente Reunião Ordinária do CEI em Liège, na Bélgica, e curso desenvolvido em Brasília (DF), mostram claramente o interesse e a dedicação dos companheiros de outros países e também a expectativa de apoio institucional, segundo ele, “doutrinariamente seguro e fiel a Kardec”. “O Conselho Espírita Internacional, fundado em 1992, surgiu como solicitação desses países e, desde então, tem pautado sua diretriz de ação nas Obras da Codificação Kardequiana”, informa.

Pessoas de vários países participaram de curso recente, promovido em
Brasília (DF)

Perri, Masotti e Charles Kempf em curso do CEI na Bélgica
Dentre os recentes instrumentos criados pelo CEI para a difusão do Espiritismo na Europa estão a webtv TVCEI (www.tvcei.com, agora também em satélite) e a EDICEI, atualmente com 100 títulos em cinco idiomas, difundindo as obras de Kardec e as psicográficas de Chico Xavier. “Nossos seminários e cursos visando à preparação de trabalhadores espíritas são pautados nessas diretrizes. É notório, nos 33 países que integram o CEI, o crescente interesse em melhoria e expansão de atividades espíritas”, declara Perri.
Agora, melhor estruturado, o CEI, em sua nova sede em Brasília, está mais capacitado para expandir suas atividades.
Persistência
“Somos muito otimistas, mas as coisas não devem ocorrer em curto prazo. Milagres não acontecem mesmo!”, declara a paranaense Elsa Rossi, segunda secretária do Conselho Espírita Internacional e uma das responsáveis pelo trabalho desenvolvido no Reino Unido. “Há ainda muitas restrições por confundirem o Espiritismo com espiritualismo, o mais conhecido no Reino Unido, por exemplo. Em alguns casos não somos vistos com bons olhos, mas, em contrapartida, o esforço de realizarmos eventos conjugados com médicos britânicos da área científica nos rende um pouco mais de credibilidade local. Isso no nosso caso, aqui na Inglaterra”, revela. “Perseverança, paciência e, sobretudo, aprimoramento da aprendizagem do idioma do país para, assim, haver diálogo com confiança, evitando-se a formação de núcleos de brasileiros com conhecimento estancado”, são algumas orientações que Elsa dá aos que estejam trabalhando em prol da divulgação da Doutrina fora do Brasil.
Mediunidade levou à formação de grupo na Espanha

“A Doutrina vem renascendo na Espanha”
A espanhola Isabel sentia a mediunidade desde adolescente, mas não sabia seu significado. Conheceu o Espiritismo no final de 1992 e entrou na Doutrina, como muitos, pela dor. “Sentia que tudo me era familiar. Tive uma espécie de eclosão da mediunidade e via, ouvia, falava e pressentia coisas. Percebia que estava sendo guiada e inspirada para fazer muitas coisas, como compromisso assumido na espiritualidade. Sob direção dos benfeitores, em poucos meses fundei um grupo junto com dois colegas. Estudei muito, entreguei-me em corpo e alma ao conhecimento do Espiritismo e sua divulgação. Criamos um boletim e fundamos uma editora”, conta Isabel, que, por seis anos, foi presidenta do Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec, em Málaga, na Espanha, e por dois anos vice-presidenta da Federação Espírita Espanhola.
Hoje, ela tem como uma de suas mais importantes atividades a versão de obras do português para o espanhol, trabalho que estima envolver, atualmente, 26 países.
Sobre o Movimento em seu país, lembra da fundação, por Rafael González Molina, de um centro espírita e mais tarde da Federação Espírita Espanhola (FEE), anos depois de a democracia ter se restaurado na Espanha, em 1977, após 40 anos de ditadura que praticamente haviam enterrado um Espiritismo “extraordinário”, iniciado no século 19. “Desde a criação da FEE, em 1981, o Espiritismo vem renascendo no país, centros vão surgindo, tornando-se oficiais, e unindo-se à federação. Mas ainda existem muitas barreiras, claro. A primeira é a de acharem que o Espiritismo tem ligações com adivinhações e tarot, a outra é o fato de muitos buscarem fenômenos e não renovação espiritual. Por fim, as pessoas não têm hábito de leitura e isso dificulta o estudo das obras de Kardec”, avalia.
Maior empenho está no estudo da Codificação
Elsa Rossi e Isabel Porras González, do Reino Unido e Espanha, respectivamente, são mulheres que lutam pela divulgação da Doutrina em seus países. Elas vivem situações semelhantes, muitas dificuldades e sabem que há um longo caminho a percorrer:
Folha Espírita – Sob o ponto de vista legal, é fácil se fundar uma casa ou instituição espírita?
Elsa
 – Depende da legislação do país, para que se tenha uma casa aberta ao público, podendo anunciar e realizar eventos. Em alguns países, brasileiros ou estrangeiros podem fundar um grupo, mas em determinados países somente os nativos podem ser os fundadores. No Reino Unido abre-se com facilidade, desde que hajam pessoas interessadas. Prepara-se um estatuto e pronto. Mas, se quiser mesmo estar legal no país perante o governo, deve-se providenciar o registro da instituição na Companies House, como entidade sem fins lucrativos.
Isabel – Desde que se fundou a Federação Espírita Espanhola, com esforço e tempo, pouco a pouco conseguimos que a fundação de centros espíritas não fosse um problema. Mas a Igreja faz-se inimiga do que ela entende por “Espiritismo”, difundindo ideias extravagantes e infundadas, para atemorizar as pessoas. Isso todos já sabemos como funciona, e é uma prova pela qual passaram nossos irmãos nos tempos da Codificação.
FE – As reuniões são realizadas nos moldes que nós brasileiros conhecemos?
Elsa
 – Sim, mais ou menos como no Brasil. Estudo, palestras, seminários, passe, água fluidificada e evangelização infantil que, aqui no Reino Unido, chamamos de Espiritismo para crianças e jovens.
Isabel – Em termos gerais, os centros federados têm atividades de estudo de O Evangelho segundo o Espiritismo, o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE), estudo da mediunidade, entre outros. Tenta-se estudar bem a Codificação e as obras complementares, promovem-se conferências e alguns encontros fraternais.
FE – Ocorre intercâmbio entre as casas espíritas? De que forma?
Elsa
 – Sim, ocorre intercâmbio. Agora mesmo estamos preparando dois seminários para ocorrerem em fins de semana de setembro sobre mediunidade e sobre passe. Participarão como aplicadores dos seminários pessoas de várias casas espíritas. Além disso, oradores vêm e visitam várias casas, quando a convite e organização da nossa federativa britânica, a BUSS – British Union of Spiritist Societies.
Isabel – Tenta-se ter esse intercâmbio, e para isso a FEE trabalha para estimular esses contatos que são tão produtivos, mas nem sempre é fácil. Ainda não há por parte de todos os centros o hábito de encontros para trocar ideias, dar conferências, ajudar na assistência social, se conhecer melhor, etc. Acredito que isso acontecerá com o tempo, à medida que se fundem outros centros espíritas, contando também com a cooperação da juventude. Precisamos formar nossos meninos, para que ajudem a mudar esta sociedade tão indiferente e materialista. Aqui somos poucos, mas empenhados no trabalho de reforma moral e estudo da Codificação.
Agosto de 2009 - Edição número 420


Fonte: Site Folha Espírita
http://www.folhaespirita.com.br/v2/?q=node/393

Nenhum comentário:

Postar um comentário