sábado, 28 de fevereiro de 2015

A fé que move a China

No país mais populoso do mundo, 3 doutrinas se influenciam para formar uma religião que só existe lá - e explica o jeito chinês de ser

por Texto José Francisco Botelho


"Todo chinês é taoísta em casa, confucionista na rua e budista na hora da morte”. Para muitos estudiosos, esse ditado chinês resume a complexa espiritualidade da nação mais antiga do mundo. Em seus 5 mil anos de história, a China teve a alma moldada pelos livros dessas 3 doutrinas, surgidas há mais de 20 séculos. Por isso, apesar do vertiginoso crescimento econômico que moderniza o país a toque de caixa, quem quiser entender a China de hoje precisa voltar o olhar para o passado distante. Enquanto arranha-céus e canteiros de obras mudam a face das milenares metrópoles chinesas, Confúcio, Tao e Buda ainda explicam muito sobre os chineses e sua relação com o mundo. Em vez de se excluírem, essas doutrinas se misturam como ingredientes de uma poderosa salada espiritual – a chamada “religião tradicional chinesa”, que inclui de filosofia e regras de etiqueta a magias, talismãs e reencarnação. Nas próximas páginas, você vai entender como se formou essa tríade sagrada, cujas origens se perdem na lenda e cujos ensinamentos regem a vida de mais de 1 bilhão de pessoas.
Num país em que sabedoria conta mais que santidade, nenhum sábio desfruta de tanto prestígio quanto Kung-Fu-Tzu – o “Venerável Mestre Kung”, também conhecido por seu nome latinizado, Confúcio. Nascido no século 5 a.C. – uma época de guerras, fome e miséria –, Confúcio estava mais interessado em reformar o mundo dos homens do que em desvendar os mistérios do Universo. E buscou o antídoto para os problemas sociais em clássicos da civilização chinesa: ao longo da vida, ele compilou, editou e comentou um conjunto de obras hoje conhecidas como Clássicos Confucianos (leia mais na página 24). Nos séculos seguintes, discípulos e seguidores reuniram os ensinamentos do mestre nos Analectos e transformaram o confucionismo na ideologia oficial do império.
A filosofia de Confúcio se baseia no conceito de ren, termo que pode ser traduzido por “benevolência” ou “humanismo”. Para ele, um sábio deve medir suas ações tendo em vista o bem da humanidade – tanto as gerações presentes quanto as futuras. Esse apelo ao altruísmo universal se resume na máxima cunhada pelo mestre 400 anos antes de Jesus Cristo: “Não faças aos outros o que não desejes que te façam”. Outro conceito essencial do confucionismo é o li, que pode ser traduzido como “ordenamento social”. Confúcio acreditava que só poderia haver harmonia entre os homens se cada indivíduo seguisse à risca as normas de sua sociedade – incluindo respeito à hierarquia e etiqueta.
“Socialmente – ou seja, ‘na rua’ – o chinês moderno ainda é profundamente confuciano”, diz o sinólogo André Bueno, do Departamento de História e Filosofia da Faculdade Estadual de União de Vitória, Paraná. O apreço pelas regras de etiqueta pode parecer estranho aos olhos de outros povos – um tipo de choque cultural que ocorre com freqüência entre empresários ocidentais que vão fazer negócios na China. Um exemplo bem atual da obsessão confuciana por esses protocolos: entre os chineses, cartões comerciais devem ser apresentados com os braços estendidos, uma suave reverência com a cabeça e a palma das mãos voltadas para o interlocutor. Quem entrega seu cartão com displicência se arrisca a arruinar transações milionárias. Exagero? Não, confucionismo.
Apesar de sua influência sobre a espiritualidade chinesa, o confucionismo está mais para filosofia ética do que religião. Confúcio nada disse sobre vida após a morte, e há quem diga que era ateu. Para Kung-Fu-Tzu, o sábio deveria fazer o bem pelo bem, sem esperar recompensas divinas. O que soou muito estranho para os missionários cristãos que chegaram à China a partir do século 15 e passaram a descrever o confucionismo como “religião oficial” do país. É verdade que o cético e pragmático mestre Kung pregava o respeito aos cultos tradicionais como forma de coesão social. Mas foi nas outras duas faces da tríade, o taoísmo e o budismo, que a alma chinesa saciou seu apetite pela transcendência.
Manancial de superstições
Para alguns estudiosos, o taoísmo é a viga mais forte do templo espiritual chinês, e sua influência sobre práticas típicas da cultura chinesa, como o feng shui e o tai chi chuan, são provas disso. A palavra Tao – “caminho” ou “curso” em mandarim – indica a força primordial que mantém o Universo em equilíbrio. Não é uma divindade antropomorfa, à maneira judaico-cristã, mas uma espécie de energia impessoal que se move por trás de tudo que existe. Segundo o taoísmo, o fluxo do Tao é regido pela transição entre yin e yang, os pares de opostos que formam o cosmos: macho e fêmea, luz e sombra, quente e frio etc. Essas idéias são antigas como a China e remetem aos xamãs da Pré-História – mas o primeiro a elaborá-las em forma de filosofia foi Lao-tsé. Embora não se saiba ao certo se ele viveu uma geração antes ou 100 anos depois de Confúcio, todas as referências concordam que ele foi o autor do primeiro cânone do taoísmo, o Tao Te Ching ou “Clássico do Caminho e da Virtude”.
Se o ideal de Confúcio era reformar a sociedade, o de Lao-tsé era harmonizar o ser humano com o Cosmos. “O homem segue a Terra, a Terra segue o Céu, o Céu segue o Tao, e o Tao segue a si mesmo” – é um dos versos mais famosos de sua fascinante e obscura obra. Mais individualista que Confúcio, Lao-tsé pregava uma vida simples, em comunhão com as energias da natureza e longe das turbulências da política. Essa busca de equilíbrio entre o indivíduo e o Universo é o que rege, ainda hoje, a disposição das mobílias segundo o feng shui, os movimentos do tai chi chuan e os exercícios de disciplina das artes marciais chinesas.
“Até o século 4, o taoísmo era uma filosofia de vida, principalmente. Depois, tomou ares de religião”, explica o sinólogo Bueno. Em sua vertente mística, o taoísmo se aproxima do animismo – a idéia de que todas as coisas, incluindo pedras e plantas, são dotadas de “espírito” e “poder”. Daí a multidão de feitiços, encantamentos e simpatias que o taoísmo assimilou com o tempo. Na Idade Média, os sacerdotes taoístas não se limitavam a meditar: praticavam a alquimia, buscavam a imortalidade em elixires mágicos e diziam ter superpoderes, como o de voar pelos céus à noite. Ao lado da vertente filosófica, muitas superstições do panteão taoísta continuam vivas até hoje. Um exemplo: quando um chinês tem problemas domésticos, costuma pôr a culpa na presença de gênios mal-humorados em sua casa. O jeito é contratar os serviços de algum sacerdote taoísta especializado em exorcismos – cujos rituais se parecem com os da umbanda brasileira, com direito a banhos de sal grosso e golpes de folha de arruda nos exorcizados. “Mesmo para quem vem de um país como o Brasil, a quantidade de crenças e superstições populares que existem na China é enorme”, diz a antropóloga especialista em China Rosana Pinheiro Machado, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A salvação da alma
Mas com todos seus feitiços e meditações o taoísmo nada diz sobre a vida após a morte. E é aí que entra o budismo, fundado também por volta do século 5 a.C., na Índia. Siddharta Gautama (o Buda) viveu na época de Confúcio e Lao-tsé – mas foi só por volta do século 1 a.C. que obras budistas chegaram à China, com viajantes que cruzavam o Himalaia. Entre os conceitos budistas que “colaram” na China está o “nirvana”, estado de elevação espiritual em que todo sofrimento desaparece, e o “samsara”, que pode ser entendido como reencarnação. Durante séculos, monges chineses traduziram obras em línguas indianas e compuseram seus próprios tratados em mandarim – o resultado disso tudo é a coleção conhecida como Grande Tesouro das Escrituras, compilado no século 10.
O budismo original se dividia em duas escolas: o Theravada, mais cético e filosófico, e o Mahayana, uma espécie de caldeirão de crenças que aceita a existência de deuses, espíritos e criaturas fantásticas, como demônios e serpentes falantes. Foi esta versão que fez sucesso no país de Confúcio, dando origem a duas formas de budismo típicas da China. Uma é o chan, ou zen, que misturou crenças budistas a práticas de meditação do taoísmo. A outra é o “terra pura”, ramo mais popular, que venera diversos espíritos iluminados em vez de um único Buda.
E assim deciframos a última parte do enigmático provérbio citado lá no início. Pois é na hora da morte que o pragmático chinês renuncia às preocupações desse mundo e chama monges budistas para recitarem os sutras – textos sagrados que garantem sorte na próxima encarnação. “O raciocínio é simples: se corremos o risco de reencarnar, então é melhor chamar um especialista”, resume o sinólogo Bueno. Mais chinês, impossível.
A tríade espiritual passaria por maus bocados a partir de 1949, quando o país foi dominado pela ditadura comunista de Mao Tsé-tung. Por sua ênfase na reflexão individual, o confucionismo virou ideologia “burguesa”. Enquanto isso, as práticas budistas e taoístas eram descartadas como “superstições abomináveis”. Os livros foram proibidos e muitos queimados. Mas a repressão mal afrouxou, na década de 1980, e a borbulhante religiosidade chinesa voltou à tona, com resultados muitas vezes irônicos. É o caso do destino póstumo de Mao Tsé-tung. Alguns anos após sua morte, o ditador ateu passou a ser venerado como espírito do panteão taoísta. Hoje, quase todos os táxis de Pequim têm um amuleto no retrovisor, onde se vê a fotografia de Mao cercada de franjas e sininhos – uma simpatia contra acidente de trânsito.
Assim como sua efígie, a ideologia de Mao também foi virada pelo avesso por seus sucessores. Quando abriu a economia chinesa, por volta de 1988, o reformista Deng Xiaoping justificou sua traição ao marxismo com uma tirada tipicamente chinesa: “Não importa se o gato é preto ou branco. Importa que cace ratos”. Nos anos seguintes, o onívoro dragão chinês, que já tinha digerido a doutrina de Marx, fez o mesmo com o capitalismo – transformando essas duas ideologias ocidentais em algo, digamos, bem chinês. O que não é de estranhar no país de Confúcio, que também cunhou outra máxima famosa: “Devemos copiar o que admiramos, para depois superá-lo”.

Genealogia das escrituras chinesas

As religiões chinesas têm vários cânones religiosos, os ching, em mandarim. Mas seu conteúdo não é considerado a palavra de Deus, e sim o repositório de milênios de sabedoria humana. Confira a história dos principais livros que deram forma e sentido à espiritualidade chinesa.
I CHING (Cerca de 3000 A.C.)
Considerado o livro mais antigo da China, foi escrito por Fu Hsi, imperador legendário que viu um dragão emergir das águas com símbolos geométricos gravados nas costas: os 64 hexagramas do I Ching. Mais tarde, sábios escreveram interpretações para os sinais, formando o livro I Ching. Nessa obra, surgiu o conceito de yin-yang, base de todo o pensamento chinês. Os hexagramas são usados até hoje para adivinhações na China e na Coréia.
TAO TECHING (cerca de 500 A.C.)
Muitas lendas envolvem Lao-tsé – suposto autor do maior clássico do taoísmo. Segundo a mais famosa, o sábio teria abandonado a China para viver como eremita em terras ocidentais. Lao teria escrito o Tao Te Ching a pedido de um guarda da fronteira, quando deixava sua província. A obra fala da relação entre o ser humano e o Tao – força primordial que move o Cosmos. Para historiadores, o Tao Te Ching foi escrito por diversas pessoas entre os séculos 4 e 3 a.C..
CLÁSSICOS CONFUCIANOS (500 A.C.)
Confúcio passou boa parte da vida comentando as obras mais importantes da tradição chinesa. O I Ching é o primeiro dos Clássicos Confucianos como ficou conhecido o conjunto da obra, que serviu de base à educação chinesa durante milênios. A obra tem no total 13 livros. Os 5 principais, incluem, além do I Ching, o Chu Ching (“Clássico da História”), o Chi Ching (“Clássico da Poesia”) e o Shi Ching ("Clássico da Música").
ANALECTOS (500 a 200 a.c.)
Após a morte de Confúcio, seus seguidores acrescentaram ao cânone os Analectos – coleção de diálogos e ditos do mestre, compilados por seus discípulos em 22 capítulos.
O TRIPITAKA (100 a.C.)
Siddharta Gautama, o Buda, elaborou sua doutrina entre os séculos 6 e 5 a.C. – mas não deixou nenhuma palavra por escrito. Seus ensinamentos foram memorizados por um assistente e em seguida preservados pela tradição oral entre monges budistas. No século 1 a.C., monges do Sri Lanka os transcreveram, dando origem ao Tripitaka (“Os Três Cestos”, em páli). A obra trata de questões teológicas, sermões do Buda sobre a moral e o destino e regras de disciplina para os monges. O texto é o cânone do Teravada, versão mais tradicional e filosófica do budismo.
SUTRAS MAHAYANAS (100 A.C. a 100)
Outra vertente budista, o Mahayana, surgiu por volta do século 1 a.C. Mais mística que o Teravada, e fonte principal do budismo chinês, ela inclui a crença em seres fantásticos como demônios, fantasmas e serpentes gigantes. Seus textos sagrados são os “Sutras Mahayanas”, escritos no início da era cristã, no idioma sânscrito.
GRANDE TESOURO DAS ESCRITURAS (983)
No século 1 a.C. os textos budistas começaram a ser levados à China por viajantes que cruzavam o Himalaia, cadeia de montanhas que separa o país da Índia. Nos séculos seguintes, os eles foram traduzidos para o mandarim, dando origem a formas de budismo típicas da China, como o chan (ou zen) e a vertente conhecida como “terra pura”. Em 983, as escrituras em chinês foram reunidas no Grande Tesouro das Escrituras, que integra mais de 2 mil textos individuais e também influenciou o budismo no Japão e no Tibete.


Fonte: Site da Revista Superinteressante
http://super.abril.com.br/religiao/fe-move-china-447673.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_supe
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Saudação de Spock vem de rito judaico e significa 'Todo Poderoso'


Nimoy se inspirou em ritual de
culto judeu para criar saudação
O ator judeu Leonard Nimoy se inspirou no rito judaico para criar o gesto de saudação do seu personagem Sr. Spock (foto), na série “Jornada nas Estrela” (Star Trek), que se tornou cult. Nimoy morreu no dia 27 de fevereiro de 2015, aos 83 anos em decorrência de doença pulmonar.

Quando teve de criar o gesto, Nimoy lembrou-se que, quando criança, sempre lhe chamava a atenção durante o serviço religioso o momento em que os rabinos abriam as mãos e separava os dedos (ver ilustração ao abaixo).

Origem do gesto está na
"Benção dos Cohanim"
A origem desse gesto está na "Bênção dos  Cohanim" (plural de Cohen), ou "Birkat Kohanim", em hebraico.  Formam  os Cohanim  uma casta de sacerdotes judeus (é uma linhagem familiar),  que seriam descendentes de Aarão, o irmão mais velho de Moisés  —  hoje identificados pelo haplotipo chamado Cohen Modal Haplotype (CMH). 

Acompanhado de três versos, o gesto é feito com ambas as mãos. E reproduz a sefiroth (letra hebraica) Shih, que significa "Todo Poderoso".

Gestual reproduz "Todo
 Poderoso" em hebraico
Nas sinagogas, os rabinos de linhagem cohen fazem o gesto, mas quem pronuncia os versos é o chazan (cantor litúrgico), e só então os cohanim os  repetem:  “Que D'us te abençoe e te guarde! / Que a face de D'us brilhe sobre ti e que Ele faça que encontre graça (a Seus olhos)! / Que D'us erga Sua face para ti e te dê a paz!”

É curioso que Nimoy tenha recorrido à religião para compor o personagem de orelhas pontiagudas que é a antítese de um religioso.

O mestiço de vulcano com humano Spock, oficial de ciência da nave, se diferencia dos demais integrantes da Enterprise por ser extremamente racional. Suas orientações ao capitão Kirk são com base em informações lógicas, sem qualquer tipo de contaminação da emoção ou de alguma fé. Spock é apresentado como uma espécie de símbolo da superioridade da razão absoluta.

Gesto é usado por uma casta de sacerdotes judeus
Em uma entrevista à Veja em outubro de 2003, Nimoy disse ter estranhado que os judeus ortodoxos nunca tenham reclamado do uso por Spock do gesto dos rabinos.

Ainda mais porque ele, Nimoy, foi criticado por religiosos ortodoxos por ter feito um livro de fotografias, o Shekhina, com modelos femininas vestidas com objetivo rituais tradicionalmente masculinos, como o xale de orações.

“O meu livro eleva as mulheres ao mais alto patamar do judaísmo, e isso perturba alguns homens”, disse Nimoy na entrevista.

Ele contou que chegou a ser “desconvidado” pela Federação Judaica em Seattle (EUA) para um jantar e uma palestra na qual falaria sobre o livro.

Outra curiosidade é que, nos anos 60, os fundamentalistas religiosos americanos fizeram uma campanha para que o seriado “Jornada nas Estrelas” não fosse levado ao ar porque Spock era a representação do Satanás.

“Jornada nas Estrelas” abordou diretamente o tema “deus” no roteiro Who Mourns for Adonais, exibido em 1967.

No episódio 33, a nave é aprisionada por um ser poderoso que se identifica como Apolo, o deus grego-romano.

Apolo comunica ao capitão Kirk que pode libertar a nave e proporcionar uma vida de prazer aos seus integrantes, desde que eles o adorem.

Kirk rejeita a proposta porque conclui que Apolo quer, na verdade, transformá-los em escravos de luxo. E o capitão dá um jeito de se livrar do suposto poderoso Apolo.

Derrotado, Apolo não consegue entender porque a sua proposta generosa foi recusada.

Kirk responde com a lógica de Spock: “Crescemos, e a humanidade não mais precisa de deuses”.

Em outro episódio, uma referência à divindade cristã, o próprio Spock diz: “Se isto é seu deus, ele não é muito impressionante. Ele tem problema psicológicos e é tão inseguro que existe que seus fiéis o louvem sete dias por semana. Ele criou homens imperfeitos e depois os culpa pelos seus próprios erros. Para um ser supremo, ele realmente deixa muito a desejar”.
Com informação de Veja, deste site e outras fontes e fotos de divulgação.


Fonte: Paulopes

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2015/02/saudacao-de-spock-vem-do-rito-judaico.html#ixzz3T4PeUKQb
Paulopes informa que reprodução deste texto só poderá ser feita com o CRÉDITO e LINK da origem. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O novo retrato da fé no Brasil

Pesquisas indicam o aumento da migração religiosa entre os brasileiros, o surgimento dos evangélicos não praticantes e o crescimento dos adeptos ao islã

Rodrigo Cardoso
Conheça em vídeo a história de Silvio Garcia, que era pastor da igreja evangélica e hoje é pai de santo :
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Acaba de nascer no País uma nova categoria religiosa, a dos evangélicos não praticantes. São os fiéis que creem, mas não pertencem a nenhuma denominação. O surgimento dela já era aguardado, uma vez que os católicos, ainda maioria, perdem espaço a cada ano para o conglomerado formado por protestantes históricos, pentecostais e neopentecostais. Sendo assim, é cada vez maior o número de brasileiros que nascem em berço evangélico – e, como muitos católicos, não praticam sua fé. Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram, na semana passada, que evangélicos de origem que não mantêm vínculos com a crença saltaram, em seis anos, de insignificantes 0,7% para 2,9%. Em números absolutos, são quatro milhões de brasileiros a mais nessa condição. Essa é uma das constatações que estatísticos e pesquisadores estão produzindo recentemente, às quais ISTOÉ teve acesso, formando um novo panorama religioso no País. 

Isso só é possível porque o universo espiritual está tomado por gente que constrói a sua fé sem seguir a cartilha de uma denominação. Se outrora o padre ou o pastor produziam sentido à vida das pessoas de muitas comunidades, atualmente celebridades, empresários e esportistas, só para citar três exemplos, dividem esse espaço com essas lideranças. Assim, muitas vezes, os fiéis interpretam a sua trajetória e o mundo que os cerca de uma maneira pessoal, sem se valer da orientação religiosa. Esse fenômeno, conhecido como secularização, revelou o enfraquecimento da transmissão das tradições, implicou a proliferação de igrejas e fez nascer a migração religiosa, uma prática presente até mesmo entre os que se dizem sem religião (ateus, agnósticos e os que creem em algo, mas não participam de nenhum grupo religioso). É muito provável, portanto, que os evangélicos pesquisados pelo IBGE que se disseram desvinculados da sua instituição estejam, como muitos brasileiros, experimentando outras crenças.

É cada vez maior a circulação de um fiel por diferentes denominações – ao mesmo tempo que decresce a lealdade a uma única instituição religiosa. Em 2006, um levantamento feito pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) e organizado pela especialista em sociologia da religião Sílvia Fernandes, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), verificou que cerca de um quarto dos 2.870 entrevistados já havia trocado de crença. Outro estudo, do ano passado, produzido pela professora Sandra Duarte de Souza, de ciências sociais e religião da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), para seu trabalho de pós-doutorado na Universidade de Campinas (Unicamp), revelou que 53% das pessoas (o universo pesquisado foi de 433 evangélicos) já haviam participado de outros grupos religiosos.
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ALÁ
Nogueira, muçulmano há um ano: no Rio, os convertidos
saltaram de 15% da comunidade para 85% em 12 anos
“Os indivíduos estão numa fase de experimentação do religioso, seja ele institucionalizado ou não, e, nesse sentido, o desafio das igrejas estabelecidas é maior porque a pessoa pode escolher uma religião hoje e outra amanhã”, afirma Sílvia, da UFRRJ. “Os vínculos são mais frouxos, o que exige das instituições maior oferta de sentido para o fiel aderir a elas e permanecer. É tempo de mobilidade religiosa e pouca permanência.” Transitar por diferentes crenças é algo que já ocorre há algum tempo. A intensificação dessa prática, porém, tem produzido novos retratos. Denominadores comuns do mapa da circulação da fé pregam que católicos se tornam evangélicos ou espíritas, assim como pentecostais e neopentecostais recebem fiéis de religiões afro-brasileiras e do protestantismo histórico. Estudos recentes revelam também que o caminho contrário a essas peregrinações já é uma realidade. 

Em sua dissertação de mestrado sobre as motivações de gênero para o trânsito de pentecostais para igrejas metodistas, defendida na Umesp, a psicóloga Patrícia Cristina da Silva Souza Alves verificou, depois de entrevistar 193 protestantes históricos, que 16,5% eram oriundos de igrejas pentecostais. Essa proporção era de 0,6% (27 vezes menor) em 1998, como consta no artigo “Trânsito religioso no Brasil”, produzido pelos pesquisadores Paula Montero e Ronaldo de Almeida, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Para Patrícia, o momento econômico do Brasil, que registra baixos índices de desemprego e ascensão socioeconômica da população, reduz a necessidade da bênção material, um dos principais chamarizes de uma parcela do pentecostalismo. “Por outro lado, desperta o olhar para valores inerentes ao cristianismo, como a ética e a moral cristã, bastante difundidas entre os protestantes históricos”, afirma.

Em busca desses valores, o serralheiro paraibano Marcos Aurélio Barbosa, 37 anos, passou a frequentar a Igreja Metodista há um ano e meio. Segundo ele, nela o culto é ofertado a Deus e não aos fiéis, como acontecia na pentecostal Assembleia de Deus, a instituição da qual Barbosa foi devoto por 16 anos, sendo sete como presbítero. O serralheiro cumpria à risca os rígidos usos e costumes impostos pela denominação. “Eu não vestia bermuda nem dormia sem camisa, não tinha tevê em casa, não bebia vinho, não ia ao cinema nem à praia porque era pecado”, conta. Com o tempo, o paraibano passou a questionar essas proibições e acabou migrando. “Na Metodista encontrei um Deus que perdoa, não um justiceiro.”
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AMÉM
É cada vez mais comum ex-pentecostais, como o atual metodista Barbosa,
que foi pastor da Assembleia de Deus (acima), aderirem às protestantes históricas
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A teóloga Lídia Maria de Lima irá defender até o final do ano uma dissertação de mestrado sobre o trânsito de evangélicos para religiões afro-brasileiras. A pesquisadora já entrevistou 60 umbandistas e candomblecistas e verificou que 35% deles eram evangélicos antes de entrar para os cultos afros. Preterir as denominações cristãs por religiões de origem africana é outro tipo de migração até então pouco comum. Não é, porém, uma movimentação tão traumática, uma vez que o currículo religioso dos ex-evangélicos convertidos à umbanda ou ao candomblé revela, quase sempre, passagens por grupos de matriz africana em algum momento de suas vidas. Pai de santo há dois anos, o contador Silvio Garcia, 52 anos, tem a ficha religiosa marcada por cinco denominações distintas – e a umbanda é uma delas. Foi aos 14 anos, frequentando reuniões na casa de uma vizinha, que Garcia, batizado na Igreja Católica, aprendeu as magias da umbanda. Nessa época, também era assíduo frequentador de centros espíritas. Aos 30, ele passou a cursar uma faculdade de teologia cristã e, com o diploma a tiracolo, tornou-se presbítero de uma igreja protestante. Um ano depois, migrou para uma pentecostal, onde pastoreou fiéis por seis anos. “Mas essas igrejas comercializam a figura de Cristo e eu não me sentia feliz com a minha fé”, diz. 

A teóloga Lídia sugere que os sistemas simbólicos das religiões evangélica e afro-brasileira têm favorecido a circulação de fiéis da primeira para a segunda. “Há uma singularidade de ritos, como o fenômeno do transe. Um dos entrevistados me disse que muito do que presenciava na Igreja Universal (do Reino de Deus) ele encontrou na umbanda”, diz. Em suas pesquisas, fiéis do sexo feminino foram as que mais cometeram infidelidade religiosa (67%). Os motivos que levam homens e mulheres a migrar de religião (leia quadro à pág. 60) foram investigados pela professora Sandra, da Umesp. Em outubro, suas conclusões serão publicadas em “Filosofia do Gênero em Face da Teologia: Espelho do Passado e do Presente em Perspectiva do Amanhã” (Editora Champanhat).
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SALVAÇÃO
Homens pensam em si quando buscam uma nova crença:
Higuti, pastor da Bola de Neve, queria se livrar das drogas
Uma diferença básica entre os sexos é que as mulheres mudam de religião em busca de graça para quem está a sua volta (a cura para filhos e maridos doentes ou a recuperação do casamento, por exemplo). Já os homens são motivados por problemas de fundo individual. Assim ocorreu com o empresário paulista Roberto Higuti, 45 anos, que se tornou evangélico para afastar o consumo e o tráfico de drogas de sua vida. Católico na infância, budista e adepto da Igreja Messiânica e da Seicho-No-Ie na adolescência, Higuti saiu de casa aos 15 anos e se tornou um fiel seguidor do mundo do crime. Sua relação com as drogas foi pontuada por internação em hospital psiquiátrico, prisão e duas tentativas de suicídio. Certo dia, cansado da falta de perspectivas, viu uma marca de cruz na parede, ajoelhou-se e disse: “Jesus, se tu existes mesmo, me tira dessa vida maldita.” Há cinco anos, o empresário é pastor da neopentecostal Igreja Bola de Neve, onde ministra dois cultos por semana. “Quero, agora, ganhar almas para o Senhor”, diz. 

Antes de se fixar na Bola de Neve, Higuti experimentou outras quatro denominações evangélicas. Mobilidades intraevangélicas como as dele ocorrem com aproximadamente 40% dos adeptos de igrejas pentecostais e neopentecostais, segundo a especialista em sociologia da religião Sílvia, da UFRRJ. Os neopentecostais, porém, possuem uma particularidade. Seus fiéis trocam de igreja como quem descarta uma roupa velha: porque ela não serve mais. São a homogeneização da oferta religiosa e a maior visibilidade de algumas denominações que produzem esse efeito. “Esse grupo, antigamente, era o tal receptor universal de fiéis, para onde iam todas as religiões. Hoje, a singularidade dele é o fato de receber membros de outras neopentecostais”, diz Sandra, da Umesp. “Quanto mais acirrada a concorrência, maior a migração.” A exposição na mídia, fundamentalmente na tevê, é a principal estratégia dos neopentecostais para roubar adeptos da concorrente direta. E cada vez mais as pessoas estabelecem uma relação utilitária com a religião. De acordo com a pesquisadora Sandra, se não há o retorno (material, na maioria das vezes), o fiel procura outra prestadora de serviço religioso. Estima-se, por exemplo, que 70% dos atuais adeptos da Igreja Mundial – uma dissidente da Universal – tenham migrado para lá vindos da denominação de Edir Macedo. “Entre os neopentecostais não se busca mais um líder religioso, mas um mago que resolva tudo num estalar de dedos”, diz Sandra. “Essa magia faz sucesso, mas tem vida curta, uma vez que o fiel se afasta, caso não encontre logo o que quer.”
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SEM LAÇOS
Lucina não segue nenhum credo, mas quando quer alcançar uma graça
procura algum serviço religioso: 30% fazem o mesmo anualmente
Cansada de pular de uma crença para outra, a artesã paulista Lucina Alves, 57 anos, não sente mais necessidade de pertencer a uma igreja. Há oito anos, ela diz ser do grupo dos sem-religião. No entanto, recorre a ritos de fé, principalmente católicos, espíritas e da Seicho-No-Ie, sempre que sente vontade de zelar pelo bem-estar de alguém. “Há um mês, fui até uma benzedeira ligada ao espiritismo para ajudar meu filho que passava por problemas conjugais”, diz. Dados do artigo “Trânsito religioso no Brasil” revelaram que 30,7% das pessoas que se encontram na categoria dos sem-religião frequentam algum serviço religioso anualmente e 20,3% fazem o mesmo mais de uma vez por mês. “Já participei de reuniões evangélicas de orações em casa de familiares”, conta Lucina. 

A artesã não cultua santos, crê em Deus, Jesus Cristo e acende vela para anjos. No campo das ciências da religião, manifestações espirituais como as dela são recentes e vêm sendo tema de novos estudos. A migração de brasileiros para o islã é outro fenômeno que cresce no País. O número de convertidos na comunidade muçulmana do Rio de Janeiro, por exemplo, saltou de 15% em 1997 para 85% em 2009. Ex-umbandista que hoje atende por Ahmad Abdul-Haqq, o policial militar paulista Mario Alves da Silva Filho tem um inventário religioso de dar inveja. Batizado no catolicismo, aos 9 anos estreou na umbanda em uma gira de caboclo e baianos. Um ano depois, juntando moedas que ganhava dos pais, comprou seu primeiro livro, sobre bruxaria. Aos 14, passou a frequentar a Federação Espírita paulista, onde fez cursos para trabalhar com incorporações e psicografia. Aos 17 anos, trabalhou em ordens esotéricas ao mesmo tempo que dava expediente na umbanda. O policial, mestrando em sociologia da religião na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), decidiu se converter ao islã quando fazia um retiro de padres jesuítas. Em uma noite, sonhou com um árabe que o indicava o islã como resposta para suas dúvidas. Aos 29 anos, ele entrou em uma mesquita e disse que queria ser muçulmano. Saiu dela batizado e, desde então, faz cinco orações e repete frases do “Alcorão” diariamente. “Descobri que sou uma criatura de Deus e voltarei ao seio do Criador.”
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MECA
Migração atípica: o policial Filho, de currículo
religioso extenso, trocou  a umbanda pelo islã
Faz dez anos que o número de convertidos ao islã no País aumentou. E não são os atentados às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, que marcam esse novo fluxo, mas a novela “O Clone”, da Globo. Foi ela que “introduziu no imaginário cultural brasileiro imagens bastante positivas dos muçulmanos como pessoas alegres e devotadas à família”, como defende Paulo Hilu da Rocha Pinto em “Islã: Religião e Civilização – Uma Abordagem Antropológica” (Editora Santuário), de 2010. “De lá para cá, a conversão de brasileiros cresceu 25%. Em Salvador, 70% da comunidade é de convertidos”, diz a antropóloga Francirosy Ferreira, pesquisadora de comunidades muçulmanas da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto.

Assistente financeiro, o paulista Luan Nogueira, 23 anos, tornou-se muçulmano há um ano. Por indicação de um amigo, passou a pesquisar o islã e descobriu que o discurso estigmatizado criado após o 11 de setembro, que relacionava a religião à intolerância e à violência, não era verdadeiro. “Encontrei na mesquita e no “Alcorão” a ética da boa conduta”, diz. “Me sinto mais próximo de Deus no islã.” Para o professor Frank Usarski, do Centro de Estudo de Religiões Alternativas de Origem Oriental, da PUC-SP, o atrativo do islã é o fato de não ter perdido, diferentemente de outras religiões, a competência da interpretação completa da vida. “Ele oferece um guarda-chuva de referências para esferas como economia e ciência”, diz Usarski.
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ORIXÁS
Ex-liderança evangélica, Garcia largou os cultos cristãos (abaixo) para se tornar pai de santo
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Segundo o escritor Pinto, que também é professor de antropologia da religião na Universidade Federal Fluminense, o islã permite aos adeptos uma inserção e compreensão sobre questões atuais, como, por exemplo, a Palestina, a Guerra do Iraque e segurança internacional, para as quais outros sistemas religiosos talvez não deem respostas. “Se a adoção do cristianismo em contextos não europeus do século XIX pôde ser definida com uma conversão à modernidade, a entrada de brasileiros no islã pode ser vista como uma conversão à globalização”, escreve ele, em seu livro.

É cada vez mais comum, no País, fiéis rezando com a cartilha da autonomia religiosa. Esse chega para lá na fé institucionalizada tem conferido características mutantes na relação do brasileiro com o sagrado, defende a professora Sandra, de ciências sociais e religião da Umesp. “Deus é constituído de multiplicidade simbólica, é híbrido, pouco ortodoxo, redesenhado a lápis, cujos contornos podem ser apagados e refeitos de acordo com a novidade da próxima experiência.” Agora é o fiel quem quer empunhar a escrita de sua própria fé. 
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Fonte: Site ISTOÉ Independente
http://www.istoe.com.br/reportagens/152980_O+NOVO+RETRATO+DA+FE+NO+BRASIL

Igreja do Monstro Espaguete Voador alemã quer ser legalizada


Weida, o Irmão Espaguete, diz
que às vezes tem dúvida sobre a
divindade do Monstro Voador
Rüdiger Weida (foto), 63, está decidido a tornar legal a Igreja do Monstro Espaguete Voador na Alemanha. Ela também é conhecida como pastafarianismo: uma junção de ‘pasta’ (massa, em italiano) com o movimento ‘rastafári’. Os crentes dessa "religião" são incentivados a comer espaguete e a beber cerveja, porque acreditam que é assim que vão obter a salvação.

A Igreja é uma sátira às religiões e aos seus rituais. Ela foi criada em 2005 por Bobby Henderson em protesto contra Kansas (EUA), que pretendia substituir nas escolas públicas o ensino da biologia evolucionista pelo criacionismo. Tem adeptos entre ateus militantes de todo o mundo. Alguns deles conseguiram tirar foto para documento oficial, como carteira de motorista, com seu chapéu religioso, um escorredor de macarrão.

Weida fundou em Templin, uma pequena cidade no nordeste da Alemanha, o primeiro templo da Igreja do Monstro Espaguete Voador.

As orações realizam-se às 10h de cada sexta-feira e os ritos são semelhantes aos do catolicismo. O pão e o vinho, corpo e sangue de Jesus para os católicos, é no pastafarianismo espaguete e cerveja. A hóstia é um fio de macarrão. E o "amém" (que significa ‘assim seja’) é "ramen": um tipo de massa consumida no Japão.

Placa indica a proximidade
da Igreja do Monstro Voador
Rüdiger Weida, conhecido nos meios do pastafarianismo como o Irmão Espaguete, disse que às vezes tem dúvidas sobre a divindade do Monstro Espaguete Voador.

“É uma questão difícil para um pastafari. É como termos duas pessoas cá dentro. Uma acredita, claro, mas a outra sabe que não existe.”

O Irmão Espaguete disse que a sua igreja merece o mesmo tratamento que as outras organizações religiosas, que na Alemanha se beneficiam de algumas condições favoráveis.

“As leis permitem que as igrejas contratem ou despeçam com base nas crenças das pessoas. Além disso, as principais religiões recebem financiamentos governamentais para desempenhar certas atividades”, disse Rüdiger Weida.

Ele disse que o prefeito de Templin, Detlaf Tabbert, não vai criar obstáculos ao movimento religioso: “Vivemos numa comunidade tolerante e não discriminamos as minorias. Além disso, as pessoas têm de saber resolver as situações com espírito crítico e humor”, afirmou Tabbert.

Hóstia do pastafarianismo é fio de macarrão
Telejornal mostra templo da igreja



Com informação e texto do PT Jornal.


Fonte: Paulopes

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2015/02/igreja-do-monstro-espaguete-voador-alema-quer-ser-legalizada.html#ixzz3SuHubpih
Paulopes informa que reprodução deste texto só poderá ser feita com o CRÉDITO e LINK da origem. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ele voltou! Fantasma aparece no velório de David Miranda


Circula avidamente no Whatapp pentecostal a imagem acima, pretensamente tirada no velório de David Miranda. O autor da postagem é um pastor pentecostal.

Obviamente (Oi?) é alguma armação (será?) de humor negro, mas levando-se em conta o perfil dos fiéis da denominação que são proibidos do assistir TV, mas estão virados na internet e nas teorias da conspiração a coisa já assusta.

Tudo indica que a sucessão será ectoplasmática.


Vamos aguardar.



Dica do Zilton Alencar




Fonte: Genizah
http://www.genizahvirtual.com/2015/02/ele-voltou-fantasma-aparece-no-velorio.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Genizah+%28Genizah%29

Meditações sobre David Miranda, sua seita, as maldições de seus seguidores e as Sagradas Escrituras



POR Rilda Santos



“O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre.” Lucas 6:40

Desde domingo, quando o blog Genizah anunciou o falecimento do líder da “Igreja Pentecostal Deus é Amor”, temos sido bombardeados, especialmente eu e o editor chefe Danilo Fernandes, por palavras ditas “amorosas”, “afáveis” e “edificantes”. Algumas delas “alertando-nos” sobre o mal que poderá nos sobrevir se não respeitarmos o mugido, quer dizer, “ungido” do Senhor, outras desejando-nos passear pelo inferno, e por aí vai. 

Não acredita?

Acesse aqui e leia tudo na íntegra:



Ao ver tantas pessoas preocupadas com nossa salvação, o destino eterno de nossas almas; tantas pessoas preocupadas com o nosso bem estar, tantas palavras de ânimo, passei a questionar-me sobre o tipo de mensagem que os seguidores do falecido senhor seguem. Considerem que o discípulo passa a assemelhar-se a seu mestre.

Bem, qual então é o perfil do “evangelho” que se prega lá? Vejamos:








Nesses áudios, vemos claramente David Miranda ameaçando ao povo da seita com a morte! Ameaçando até quem tem TV em casa! Ora, que espírito do diabo foi esse que revelou aquilo a ele? O Espírito Santo é que não foi nobres irmãos e irmãs em Cristo. DEUS NÃO COMPACTUA COM A MENTIRA! 

Onde, nas Sagradas Escrituras, está escrito que Deus ama alguma placa denominacional? Onde está que a IPDA é superior às demais? O próprio Jesus disse, certa vez quando questionado sobre o porvir: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei.” João 2:19. Percebam que o templo de Salomão era o lugar onde o próprio Deus era cultuado. Mas o Mestre está dizendo que Ele é superior ao templo. Noutro momento, Ele mesmo disse o seguinte sobre ter que ir a Jerusalém para cultuar a Deus: “Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.” João 4:21. Notem que Jesus está simplesmente, desfazendo o conceito de que somente num templo se pode adorar a Deus. Deus é acima de tudo isso meus nobres! Então, se o próprio Jesus foi contra isso, como pode o Espírito Santo revelar algo contrário às Sagradas Escrituras? Está acaso Deus dividido? Com base nisso afirmamos: David Miranda foi um falso profeta!

Agora parem e pensem, os que frequentam essa seita e conseguem ainda raciocinar: No primeiro áudio ele diz que o Espírito Santo revelou-lhe que quem ousasse sair, iria morrer em breve. A Palavra de Deus diz: “Mas o profeta que ousar falar em meu nome alguma coisa que não lhe ordenei, ou que falar em nome de outros deuses, terá que ser morto'. "Mas talvez vocês se perguntem: 'Como saberemos se uma mensagem não vem do Senhor?' Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele.” Deuteronômio 18:20-22. 

O próprio Deus está advertindo que haveria pessoas levantando-se para falar em nome Dele. E alerta que Ele não cumpriria tal profecia, haja vista Ele não ter pacto com a mentira, o erro, o engano. “E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.”1 João 1:5. Irmãos, Deus não necessita da mentira para atrair os que são Seus por meio de Jesus Cristo. Ao ler as palavras do Senhor Jesus, não se vê esse tom de ameaça para com as Suas ovelhas. Seu tom de advertência era justamente para com os falsos profetas, que colocavam jugo pesado sobre as ovelhas, sendo que eles mesmos não o carregavam (acabei de recordar-me de um fato interessante, como David Miranda proibir o uso de televisões e ele mesmo possuir várias em sua casa, por exemplo). 

Ainda no primeiro áudio, David Miranda distorce a passagem sobre Ananias e Safira relatada em Atos dos Apóstolos capítulo 5. A resposta se encontra nos versículos 3 e 4: mentiram ao Senhor! Eles venderam um terreno e afirmaram que ofertaram o valor total da venda para ajudar os irmãos pobres, querendo parecer pessoas generosas, mas, ao mesmo tempo, querendo ficar com uma parte do dinheiro. Decidiram mentir, dizendo que sua OFERTA foi o valor integral da venda do terreno. Deus não obrigou ninguém a vender terras ou a dar o valor total de suas propriedades. Pedro reconheceu o direito de Ananias e Safira de ficar com o seu terreno: “Conservando-o, porventura, não seria teu?” (5:4). Uma vez que decidiram vender, não foram obrigados a doar o valor total. Pedro acrescentou: “E, vendido, não estaria em teu poder?” (5:4). Ananias e Safira queriam o “crédito” por uma doação generosa, sem o sacrifício de perder todo o valor do terreno. Eles não prometeram nada a Deus! 

Com base nisso afirmamos: David Miranda foi um falso profeta!

O que percebo no segundo áudio? Um déspota ameaçando seus seguidores. Um filho do mal lutando para não perder adeptos, mas mantê-los acorrentados sob a égide do medo e terror. Isso é o que eu percebo. Um filho das trevas que distorce Deus, colocando-O como um tirano e ditador, que tem prazer na morte e sofrimento do ímpio. Um argumento bastante parecido aos dos “falsos pais de santo” que ameaçam as vítimas, extorquindo-as cada vez mais. Mas as Sagradas Escrituras nos apresentam um Deus diferente, contrário do apresentado por David Miranda: “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” Ezequiel 18:23 e “Mas, como está escrito:As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,e não subiram ao coração do homem,são as que Deus preparou para os que o amam.” 1 Coríntios 2:9

Bem, esse foi o primeiro aspecto que eu quis trazer à reflexão de vocês, nobres irmãos e amigos. O segundo é o que já me dá maior preocupação, pois trata justamente do tipo de marca ou impressão que tal líder colocou na alma dos que o seguem. Observem atentamente esses tipos de postagens que copiamos do blog (tenham em mente o Evangelho de Lucas 6:40)
















Bem aos que quiserem saber mais das doces palavras ao estilo “sabor de mel” o blog está recheado. Até o momento dessa postagem não há uma participação sequer de algum seguidor da seita propondo ir às Escrituras, confrontar os ensinos de Jesus, dos apóstolos com os ensinos da IPDA e procurando corrigir os erros. Isso é preocupante, pois demonstra um fanatismo exacerbado, uma falta completa de leitura, compreensão das Escrituras e vida de oração. Demonstra, ademais, o que posuem no coração. Não conheceram a Jesus de fato. Não foram libertos pelo sangue do Cordeiro. Não provaram da liberdade verdadeira, que é advinda do conhecimento de Cristo através das Escrituras. São frutos podres, vindos de uma árvore seca que serve apenas para ser lançada na fornalha e queimada, como dizem as Escrituras: 

“Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;” Mateus 7:18-24. 


O verdadeiro fruto é bom, transforma vidas como afirma a Palavra de Deus: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” Romanos 12:17-21. Observem que a proposta bíblica é completamente diferente das apresentadas nos comentários dos seguidores ou simpatizantes da IPDA. Ora, se pelo fruto se conhece a árvore e as demonstrações aqui são as mais vis, com base nisso afirmamos: David Miranda foi um falso profeta!

E por último, mas não menos importante, não escrevo tais palavras com a intenção de suscitar ainda mais ódio nas pessoas que, porventura, chegarem a ler esse artigo, mas sim chamá-las à leitura bíblica, confrontação com suas motivações e ações e submissão à vontade de Cristo. Cristo veio para libertar os cativos do jugo do diabo, do jugo da escravidão do pecado. Por Cristo Jesus, insisto com vocês para que pensem com seriedade em seus corações sobre as palavras do Mestre: “O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre.” Lucas 6:40. Faço isso nutrindo respeito para com a família enlutada, digo isso com sinceridade de coração.

Quem é seu mestre? Jesus ou David Miranda? Os dois se contrapõe! Os dois ensinam coisas diferentes! Os dois não têm parte um com o outro.



Comentários de Danilo Fernandes



Alguns devem se perguntar: Por que vocês compraram um barulho destes? Por que decidem fazer tais acusações justamente no dia da morte do falso profeta?

Primeiro: -Não decidimos fazer isto hoje. Fazemos há seis anos. Fomos chamados para isto.

Segundo: -Ao longo destes seis anos atendemos, amparamos, secamos as lágrimas e apresentamos o Evangelho do Reino, o verdadeiro, que não aprisiona, mas liberta, para muitos feridos egressos desta seita maligna e de muitas outras arapucas religiosas. Aqui mesmo, entre nossos colaboradores, temos quem tem família escravizada por estas seitas. 

Terceiro: -Sabemos que este momento é crucial. As atenções se voltam para a morte do líder e muitos conjecturam acerca dos rumos da organização religiosa. Da mesmo forma, surgem os questionamentos de muitos escravos da religião que percebem que profecias não se cumpriram, seu líder não foi arrebatado, mas morreu de morte ordinária, um homem cheio de defeitos. 


Mas ai de vós, David Miranda, Edir Macedo e Valdemiro Santiago! Colocam jugo sobre o povo das suas denominações, um fardo pesado mas eles mesmos não conseguem carregar.
Mas ai de vós, David Miranda, Edir Macedo e Valdemiro Santiago! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.
Quarto: -Vai haver saque no aprisco. A principal motivação de David Miranda ao impedir seus fieis de possuírem (ou até assistirem) uma TV não é o mal que a programação maligna possa fazer ao seu rebanho, mas a concorrência de Macedo, Valdemiro e outros. É pura reserva de mercado. Agora, com o líder morto, estes outros lobos vão partir para o ataque e os perdidos sairão de uma prisão para entrar em outra.

Quinto -Sim! Nós simpatizamos com o luto das pessoas! Contudo, este luto não é mais importante do que as VIDAS ali aprisionadas. Diante destas vidas, a dor dos que estão em luto é pouco importante. Muitas almas estarão estes dias na internet em busca de notícias e respostas. Oramos para que achem bons sites que falem a verdade e as exponham ao que é de Jesus.

"Deixem que os mortos enterrem os seus mortos", disse Jesus. 

Nós do Genizah e muitos outros blogs apologéticos estamos preocupados com os parentes dos fieis da Deus é Amor que se suicidaram em função das amarras e do jugo desta seita, dos atormentados, dos pequeninos na fé, dos acorrentados da religião. Estes nos preocupam e por estes vamos seguir levando pedradas e ouvindo as reprovações dos "bons mocinhos" da religião que não fazem nada além de esquentar os bancos de suas igrejas empoeiradas e cheirar seus dedinhos molhados no próprio fedor. 

Jesus conhece nosso coração.


Fonte: Genizah
http://www.genizahvirtual.com/2015/02/meditacoes-sobre-david-miranda-sua.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Genizah+%28Genizah%29