sábado, 14 de março de 2015

Interpretar o mundo através de boas leituras

entrevista com Mempo Giardinelli, publicada na edição 454, março de 2015.

Mempo Giardinelli
Mempo Giardinelliescritor e ativista cultural argentino.http://www.fundamgiardinelli.org
Ler vai além da apropriação do código escrito: é uma forma de se reconhecer no mundo, de ampliar a criatividade, a criticidade e de sonhar um mundo melhor. Mas nem todos tiveram a oportunidade de descobrir a “virtude da leitura”, e muitos jovens sequer têm acesso a obras literárias de qualidade, seja por dificuldades econômicas, seja pela falta de estímulo. O jornal Mundo Jovem conversou com o escritor e ativista cultural argentino MEMPO GIARDINELLI, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, RS, para compreender melhor a relação da leitura como um direito social.
  • Qual é a importância da leitura para o desenvolvimento de um país?
    Comecei a ler e escrever quando era ainda pequeno, e já com 20 anos de idade comecei a compreender que a questão não era somente escrever. Pode-se frequentar alguma oficina literária, receber algum conselho, mas a essência da literatura está no ato de ler, na leitura, no livro. O embrião da literatura é a leitura. A sociedade da América Latina é muito atrasada, não somente porque aqui existe fome, atraso cultural, muita interferência da televisão, mas é também porque os povos não têm acesso à literatura. A boa literatura existe nestes países, mas o povo não chega até ela. No Brasil, por exemplo, um dos maiores escritores, João Guimarães Rosa, não é popular. Na Argentina, Jorge Luis Borges é conhecido porque é famoso, esteve na televisão, mas sua obra literária não é conhecida pela maioria dos argentinos. Há meio século, quando deixamos de ser uma sociedade leitora, passamos ao terror, à censura, à perseguição, à ditadura, ao medo, à queima de bibliotecas e de editoras. E, assim, o paradigma de ascensão social, que era a leitura, foi destruído e substituído pelo paradigma do individualismo e da especulação, que hoje impera em vastos setores sociais.
  • ¿Cuál es la importancia de la lectura para el desarrollo de un país?
    Empecé a leer y a escribir cuando todavía era pequeño y ya con 20 años de edad comencé a entender que la cuestión no era solamente escribir. Se puede asistir a algún taller literario, recibir algún consejo, pero la esencia de la literatura no está en el acto de leer, en una lectura, en un libro. El embrión de la literatura es la lectura. La sociedad de América Latina está muy atrasada, no sólo porque haya hambre, atraso cultural, mucha interferencia de la televisión, pero es también porque las personas no tienen acceso a la literatura. La buena literatura existe en estos países, pero la gente no llega a ella. En Brasil, por ejemplo, uno de los más grandes escritores, João Guimarães Rosa, no es popular. En Argentina, Borges es conocido porque es famoso, estuvo en la televisión, pero su obra literaria no es conocida por la mayoría de los argentinos. Hace medio siglo, cuando dejamos de ser una sociedad lectora, pasamos al terror, a la censura, a la persecución, a la dictadura, al miedo, a la quema de bibliotecas y editoriales. Y, así, el paradigma de la ascensión social que era la lectura, fue destruido y sustituido por el paradigma del individualismo y la especulación, que hoy prevalece en vastos sectores sociales.
  • Como desenvolver a prática da leitura?
    À sistematização do pensamento e das ações que ajudam a formar e sustentar uma sociedade que lê de modo consistente e habitual, chamo "Pedagogia da Leitura". E com certeza é uma pedagogia que capacita o cidadão para exercer, controlar e melhorar a democracia. Defendo que deve existir uma estruturação das políticas de leitura em nossos países [da América Latina], onde as bibliotecas sejam um espaço de combate à exclusão social, uma vez que conduzem à reflexão, à crítica e ao questionamento, pois somente assim os leitores-cidadãos poderão intervir nos destinos de sua comunidade, de sua cidade, de seu país e, ao mesmo tempo, poderão conhecer os acontecimentos mundiais que, num mundo globalizado, afetam o seu futuro. E há algo mais que se pode fazer na América Latina nesse sentido: a especialista colombiana Sílvia Castrillón aconselha que "as bibliotecas estabeleçam um objetivo político, social e cultural muito claro e, a partir dele, formulem seus planos de trabalho, suas programações e atividades, pois é indispensável reconhecer o caráter político da educação e da leitura, da escola e das bibliotecas como centros motores de transformação social desta árdua realidade que nos circunda".
  • ¿Cómo desarrollar la práctica de la lectura?
    La sistematización del pensamiento y de las acciones que ayudan a construir y a mantener una sociedad que lee de manera consistente y habitual, es llamada "pedagogía de la lectura". Y con certeza es una pedagogía que capacita a los ciudadanos para ejercer, controlar y mejorar la democracia. Sostengo que debe existir una estructuración de políticas de lectura en nuestros países [de América Latina], donde las bibliotecas sean un área de lucha contra la exclusión social, puesto que conducen a la reflexión, a la crítica y al cuestionamiento, pues solamente así los ciudadanos lectores podrán intervenir en el destino de su comunidad, de su ciudad, de su país y, al mismo tiempo, podrán conocer los eventos del mundo que, en un mundo globalizado, afectan su futuro. Y hay algo más que se puede hacer en América Latina en este sentido: la especialista colombiana Silvia Castrillón aconseja que "las bibliotecas establezcan un propósito político, social y cultural muy claro y, a partir de él, formulen sus planes de trabajo, sus horarios y actividades, porque es fundamental reconocer el carácter político de la educación y de la lectura, de la escuela y de las bibliotecas como centros motores de transformación social de esta dura realidad que nos rodea."
  • Como se relacionam leitura e conhecimento?
    A leitura é o único caminho para o conhecimento. Se você quer saber alguma coisa, se quer chegar a um entendimento, se quer compreender, tem que ler. Se você não ler, não poderá saber. Pode até ter uma vaga ideia, uma informação através de alguém, mas, sem ler, você não sabe. A aprendizagem deve ser lenta, pausada, serena, porque só assim é profunda (não superficial), e o pensamento resultante dela tem perspectiva de qualidade. Para alcançar o conhecimento, para saber, tudo o que temos que fazer é ler. Não existem atalhos, não há substituição possível. Aprender literatura não vai por outro caminho senão o de ler muito e ler o melhor.
  • ¿Cómo se relacionan la lectura y el conocimiento?
    La lectura es el único camino al conocimiento. Si quieres saber algo, si quieres llegar a un entendimiento, si quieres comprender, tienes que leer. Si no lees, no podrás saber. Puedes incluso tener una vaga idea, una información a través de alguien, pero, sin leer, no sabes. El aprendizaje debe ser lento, pausado, y sereno, porque sólo así es profundo (no superficial) y su pensamiento resultante tiene perspectiva de calidad. Para lograr el conocimiento, para saber, todo lo que tenemos que hacer es leer. No hay atajos, no hay sustitución posible. Aprender literatura no va por otro camino que leer mucho y leer lo mejor.
  • No meio juvenil, se lê pouco hoje em dia?
    Em parte, sim, mas não é totalmente uma verdade. É uma ideia injusta, porque é uma forma de culpar os estudantes, quando nós sabemos que quase sempre o problema começa pelos adultos. As crianças querem ler, valorizam e gostam das leituras que provêm dos adultos, e os adultos que não leem é porque não conhecem a simples virtude da leitura. Porém esta pergunta aponta que é fundamental para bibliotecários e professores de língua e literatura regressarem à boa leitura e urgentemente voltarem a ensinar literatura. Creio, inclusive, que a carência disso é parte do grande problema pedagógico atual, o que não é uma crítica à docência, mas um reconhecimento de que fomos vítimas de ditaduras, autoritarismo, censura e de um novo instrumento de má educação que se impôs desde os anos 1960-1970: a televisão. Nos tempos modernos, o principal educa¬dor da sociedade é a televisão, e é o principal mal educador. Então, temos que auxiliar bibliotecários, professores, estudantes e a sociedade de um modo geral, que foram submetidos nos últimos anos a estas questionáveis "modas pedagógicas" que fizeram do prazer literário um trabalho pesado.
  • En el medio juvenil ¿se lee poco hoy en día?
    En parte, sí, pero no es totalmente cierto. Es una idea injusta, porque es una forma de culpar a los estudiantes, cuando sabemos que el problema comienza casi siempre por los adultos. Los niños quieren leer, valorizan y disfrutan de las lecturas que provienen de los adultos, y adultos no leen porque no conocen la simple virtud de lectura. Sin embargo, esta pregunta señala que es crucial para los bibliotecarios y profesores de lengua y literatura volver a la buena lectura y regresar urgentemente a enseñar literatura. Creo que, inclusive, la falta de esto es parte del gran problema pedagógico actual, que no es una crítica a la enseñanza, sino un reconocimiento de que fuimos víctimas de las dictaduras, autoritarismo, censura y de un nuevo instrumento de malos modales que se impuso desde los años 1960-1970: la televisión. En los tiempos modernos, el educador principal de la sociedad es la televisión y es el principal mal educador. Entonces, tenemos que ayudar a los bibliotecarios, profesores, estudiantes y la sociedad en general, que fueron sometidos los últimos años a estas cuestionables "modas pedagógicas" que hicieron del placer literario un trabajo pesado.
  • O uso da internet interfere na questão da leitura?
    Não, a internet não tem nada a ver com isso: ela é uma possibilidade tecnológica bem-vinda. Aliás, a internet não é problema para a não leitura e também não é solução para a leitura. Não faz nenhum sentido seguir pensando e dizendo que o problema da falta de leitura deve-se à tecnologia da modernidade.
  • ¿El uso de Internet interfiere con el tema de la lectura?
    No, internet no tiene nada que ver con eso: es una posibilidad tecnológica bienvenida. De hecho, internet no es un problema para no leer como tampoco es una solución para la lectura. No tiene sentido seguir pensando y diciendo que el problema de la falta de lectura es debido a la tecnología moderna.
  • E sobre a interdisciplinaridade?
    Concordo que as disciplinas escolares devem andar juntas. O estudo da História, das Ciências da Educação, da Filosofia e de outras disciplinas mais, prescinde cada vez mais da grande Li-teratura Universal. Por exemplo, como saber sobre a Grécia sem ler Homero, a Odisseia, a Ilíada? O conhecimento implica em leitura e em ler bem, e ler melhor a produção intelectual do seu país e do mundo, e de todas as épocas. Portanto a leitura das produções literárias de áreas diversificadas, e não só das áreas relacionadas à literatura, é fundamental para a formação e o conhecimento.
  • ¿Y sobre la interdisciplinaridad?
    Estoy de acuerdo que las materias escolares deben ir juntas. El estudio de Historia, de Ciencias de la educación, de Filosofía y de otras materias más, cada vez más necesitan de la gran Literatura Universal. Por ejemplo ¿cómo saber sobre Grecia sin leer Homero, la Odisea, la Ilíada? El conocimiento implica lectura, leer bien y leer mejor la producción intelectual de su país y del mundo y de todas las edades. Por lo tanto las lecturas de las producciones literarias de diversos ámbitos y no sólo de áreas relacionadas con la literatura, son fundamentales para la educación y el conocimiento.
  • A pessoa é o que ela lê?
    Sim, a pessoa é o que lê, e a sociedade também. Uma sociedade que lê é uma sociedade que tem conhecimento. Uma sociedade que não lê é embrutecida: não se apropriou do saber. Toda gente sabe que é importante ler, porém nem todos leem. O drama dos nossos países latino-americanos é a evidência de que muitos profissionais de diferentes áreas e atividades deixaram de ler. Quem lê resgata a maravilhosa consciência do descobrimento do saber e a alegria da liberdade que nos dá a leitura!
  • ¿La persona es lo que lee?
    Sí, la persona es lo que lee, y también la sociedad. Una sociedad que lee es una sociedad que tiene conocimiento. Una sociedad que no lee está embrutecida: no se apropia del conocimiento. Todo el mundo sabe que es importante leer, pero no todos leen. El drama de nuestros países latinoamericanos es la evidencia de que muchos profesionales de diferentes áreas y actividades dejaron de leer. ¡Quien lee rescata el maravilloso sentido del descubrimiento del conocimiento y la alegría de la libertad que nos da la lectura!
  • O que existe hoje na sua biblioteca particular?
    Muita variedade. Muito de histórias, por exemplo. Sempre digo que sou escritor porque houve biblioteca em minha casa: algo assim de simples e de magnífico. Minha casa, em Chaco, era um lugar humilde, porém lá minha mãe e minha irmã (mais velha do que eu) liam todo o tempo. O móvel mais importante da sala de jantar era uma estante com todos os livros que podíamos tomar para ler, julgar e até desfazer-se deles, caso fossem inconvenientes. E eu descobri todos, um por um, e cito aqui alguns que achei adoráveis, de Monteiro Lobato, traduzidos e impressos numa preciosa edição ilustrada que ainda conservo. A literatura me legou suas palavras, sentimentos, impulsividade, e assim me fiz leitor de Júlio Verne, Kafka, Salgari, Stevenson, depois de Dostoiévsky, Melville, Lagerkvist, Faulkner e Hemingway. Desde então minha vida não tem sido outra coisa do que levar minhas bibliotecas, como um caracol leva sua concha. E por ser um leitor aficcionado, aprendi que nós, seres humanos, somos em verdade o que temos lido. Porém, desafortunadamente, somos também o que não lemos.
  • ¿Qué existe hoy en su biblioteca privada?
    Mucha variedad. Mucho de historias, por ejemplo. Siempre digo que soy escritor porque había una biblioteca en mi casa: algo así de sencillo y magnífico. Mi casa, en Chaco, era un lugar humilde, pero mi madre y mi hermana (mayor que yo) leían todo el tiempo. El mueble más importante del comedor era un estante con todos los libros que podíamos tomar para leer, juzgar y hasta deshacerse de ellos, en caso que fueran inconvenientes. Y yo descubrí todos, uno por uno, y aquí cito algunos que encontré adorable, de Monteiro Lobato, traducido e impreso en una bella edición ilustrada que todavía conservo. La literatura me legó sus palabras, sentimientos, impulsividad y así me hice lector de Julio Verne, Kafka, Salgari, Stevenson, después de Dostoyevsky, Melville, Lagerkvist, Faulkner y Hemingway. Desde entonces mi vida no ha sido otra cosa que llevar mi biblioteca, como un caracol lleva su concha. Y por ser un lector ávido, aprendí que nosotros, los seres humanos, somos en realidad lo que hemos leído. Sin embargo, lamentablemente, somos también lo que no leemos.
  • Fale algo sobre as histórias contadas oralmente.
    Cresci em meio à prática de leitura. A leitura, a literatura, a conversação, a narração constante de histórias eram como uma conversa de amigas, e sua auxiliar permanente era a biblioteca: fonte inesgotável de comparações, metáforas, sonhos e possibilidades. Os melhores momentos de minha vida passei escutando narrações de intrigas, ilusões, amores e desamores, sonhos e frustrações, da boca de mulheres que liam muito e tinham a imaginação e a criatividade bem treinadas. E a criança tem que ver que a história sai das páginas do livro. O livro é o endereço da história. Para a criança bem pequena, a história tem que ser mediada, e as avós são uma mediação maravilhosa, porque elas têm amor, têm tempo. As crianças acreditam nas pessoas velhas. Então, em Chaco, meados da década de 1990, vimos que fazia falta um trabalho de campo, para além de debater e estudar a questão da iletralidade. Criamos, então, um voluntariado para trabalhar em programas concretos. Nasceu o programa de Avós Contadoras de Contos, depois Pediatras Voluntários e, logo, Amigos Leitores. Levamos autores nas escolas, onde previamente estimulá¬vamos professores, bibliotecários e alunos para que lessem textos deles, e a resposta foi muito boa. Os assistentes para esse trabalho cresceram em quantidade e em qualidade de ideias. Acreditamos, por isso, na eficiência desta Pedagogia da Leitura. Podemos dizer, com orgulho, que a fundação que presido contribuiu para criar consciência sobre a importância da leitura, e hoje está incluída em todas as agendas culturais e educativas da Argentina. São quase 75 cidades, com mais de três mil avós trabalhando, visitando as crianças para ler histórias.
  • Cuente algo sobre las historias contadas oralmente.
    Crecí en medio de la práctica de lectura. La lectura, la literatura, la conversación, la constante narración de historias eran como una conversación de amigos, y su auxiliar permanente era la biblioteca: fuente inagotable de comparaciones, metáforas, sueños y posibilidades. Los mejores momentos de mi vida los pasé escuchando historias de intriga, ilusión, amores y desamores, sueños y frustraciones, de boca de mujeres que leían mucho y tenían la imaginación y la creatividad bien entrenadas. Y el niño tiene que ver que la historia salía de las páginas del libro. El libro es el hogar de la historia. Para un niño muy pequeño, la historia tiene que ser mediada y los abuelos son una mediación maravillosa, porque tienen amor y tiempo. Los niños creen en las personas mayores. Entonces, en Chaco, a mediados de 1990, vimos que hacía falta un trabajo de campo, además de discutir y estudiar el tema de los iletrados. Creamos, entonces, un voluntariado para trabajar en programas concretos. Nació el programa de Abuelas contadoras de cuentos, después Pediatras voluntarios y, luego, Amigos lectores. Llevamos autores a las escuelas, donde previamente estimulamos a los maestros, bibliotecarios y estudiantes para que lean sus textos, y la respuesta fue muy buena. Los asistentes para este trabajo crecieron en cantidad y en calidad de ideas. Por lo tanto, creemos en la eficiencia de esta Pedagogía de la lectura. Podemos decir, con orgullo, que la Fundación que presido ha contribuido a crear conciencia sobre la importancia de la lectura, y hoy está incluida en todos los programas culturales y educativos de Argentina. Son casi 75 ciudades, con más de 3 mil abuelos trabajando, visitando niños para leer historias.
  • Há um resgate da identidade latino-americana através da leitura de histórias?
    Certamente, pois se a literatura, como penso, é a vida por escrito, e é transcurso, caleidoscópio de letras, demonstração do eterno e do infinito, isso se transmite pela leitura e pela narração. E o trabalho do escritor consiste nisso: o torturante e maravilhoso empenho, o duro e rigoroso trabalho de polir a prosa, clarificar o sentido, consolidar as ideias. Escrever para conhecer, para alcançar e buscar indagações, e oferecer ao leitor, por consequência, o resgate e a apropriação de sua identidade cultural.
  • ¿Hay una recuperación de la identidad latinoamericana mediante la lectura de historias?
    Ciertamente, pues si la literatura, como creo, que es la vida por escrito, y es transcurso, caleidoscopio de letras, demostración de lo eterno e infinito, eso se transmite mediante la lectura y la narración. Y el trabajo del escritor consiste en eso: el torturante y maravilloso empeño, el duro y riguroso trabajo de pulir la prosa, para aclarar el significado, consolidar las ideas. Escribir para aprender, para alcanzar y buscar preguntas y ofrecer al lector, por lo tanto, el rescate y la apropiación de su identidad cultural.

Ativismo em favor da leitura

Segundo o dicionário, ativista é aquele que luta por uma causa ou ideologia, e Mempo lutou tanto pela Pedagogia da Leitura como instrumento para exercer e melhorar a democracia, que suas ideias viraram política de Estado na Argentina.
Hoje, é um dos intelectuais latino-americanos mais expressivos do mundo, tendo ministrado cursos, seminários e oficinas em mais de uma centena de universidades ao redor da Europa e da América. Sua obra está traduzida em 20 idiomas e já recebeu diversos prêmios importantes, como o Rómulo Gallegos, que agracia as melhores produções literárias em língua castelhana e que já contemplou autores como Vargas Llosa e Gabriel García Márquez.
Em meados de 1990, fundou uma instituição dedicada ao fomento da leitura, à docência e aos estudos da Pedagogia da Leitura. O projeto Abuelas que Cuentan Cuentos (Avós que Contam Contos) está presente em quase 75 cidades argentinas e conta com mais de três mil avós que visitam crianças para ler histórias. É por isso que o Mundo Jovem considera Mempo Giardinelli um ativista cultural, sim, e dos bons.
Em uma breve conversa, pouco antes da sua palestra na Feira do Livro de Porto Alegre, o autor falou sobre a vocação para escrever e foi enfático ao dizer: “A essência da literatura está no ato de ler. Aprender literatura (ler, escrever e interpretar) não vai por outro caminho senão o de ler muito e ler o melhor”.
Mempo também reiterou a responsabilidade do Estado e da sociedade na construção pedagógica do ser. De acordo com o autor, é preciso reestruturar as políticas de leitura na América Latina para que a população tenha acesso ao conhecimento e assim aprenda a interpretar seu cotidiano e identificar os acontecimentos globais que afetam o seu futuro. Declarou: “Uma sociedade que não lê é embrutecida. Se você quer compreender, tem que ler”.
Para o argentino, somente a leitura pode nos conduzir à reflexão, à crítica e ao questio-namento. Ainda fez uma analogia, comparando o exercício da literatura ao ensino de violão: “Todo mundo pode tocar guitarra, mas sem estudar música você nunca tocará para além do seu círculo familiar em algum domingo”, afirmou.

Fonte: Site do Jornal Mundo Jovem

http://www.mundojovem.com.br/entrevistas/edicao-454-entrevista-interpretar-o-mundo-atraves-de-boas-leituras

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