quarta-feira, 29 de abril de 2015

Existencialismo Espírita

1. FILOSOFIAS DA EXISTÊNCIA
Nicola Abbagnano, existencialista italiano, entende que as Filosofias da Existência podem ser divididas em três grupos, tomando-se como critério o sentido e o emprego que dão à categoria filosófica do possível.
Abbagnano estabeleceu a seguinte divisão:
grupo da impossibilidade do possível, formado por Kierkegaard, Martin Heidegger, Karl Jaspers e Jean Paul Sartre, como figuras exponenciais;
grupo da necessidade do possível, com Louis Lavelle, Rene le Senne e Gabriel Marcel;
grupo da possibilidade do possível, iniciado pelo próprio Abbagnano. O Existencialismo Espírita se aproxima mais da posição de Abbagnano (1).
2. EXPLICAÇÃO DO PROBLEMA
Para o primeiro grupo as possibilidades humanas são irrealizáveis;
para o segundo grupo são realizáveis e mais do que isso, necessariamente se realizam graças ao Absoluto, ao Transcendente que supera a Existência (aceitação dos conceitos metafísicos do Ser do Valor numa perspectiva religiosa);
para o terceiro grupo, as possibilidades são o que são, ou seja, possíveis em si mesmas, de maneira que não podem tornar-se impossíveis, nem apresentar-se como necessidades. A frustração de um possível não o anula, pois ele continua como possível.
A posição de Abbagnano representa uma síntese, uma solução dialética dos impasses em que caíram os dois grupos anteriores. E por isso se aproxima da posição espírita (1).
3. A FACTICIDADE
Com o nascimento, o homem aparece feito no mundo.
Sua Facticidade se compõe do seu corpo e do seu psiquismo (corpo e espírito), de sua afetividade e sua liberdade( sua capacidade de percepção e seu livre-arbítrio) e esta facticidade está carregada de possíveis, das possibilidades que irão se desenvolver na existência.
O homem parte do nascimento para a morte. Não há, portanto, uma essência no homem, mas apenas possibilidades.
Sartre define a essência do homem como um suspenso na sua existência, pois a essência humana vai ser elaborada através da sua vivência no mundo. Esta essência, portanto, só se completa com a morte, com o fim da existência. O homem permanece no mundo como um fato cultural (1).
4. ÊXTASE EXISTENCIAL
A Filosofia Espírita, em sua êxtase existencial, ilumina os problemas obscuros do Existencialismo.
A facticidade misteriosa se explica pelo fazer anterior do Ser, através do desenvolvimento do princípio inteligente e sua projeção na existência como ser humano.
Atravessando a existência, como um projétil (o projeto existencial) o homem completa na morte, não o seu próprio Ser, mas o ser do corpo que chegou aos limites de suas possibilidades, nem a sua própria essência, mas apenas a essência de uma existência, através da vivência das experiências necessárias ao seu atualizarprogressivo (1). 
5. O CONCEITO DE MEDIUNIDADE
A mediunidade ilumina também a existência terrena, dando-lhe uma nova dimensão.
existente ou homem no mundo adquiriu a condição espírita de interexistente ou homem no intermúndio. Oexistente, com a atualização dos seus possíveis espirituais, torna-se um interexistente, um ser nointermúndio.
Mas o intermúndio não é um conceito espacial e sim um conceito hipostático, não é quantitativo, mas qualitativo.
Deve-se acrescentar que a Filosofia Espírita da Existência coloca o problema da mediunidade em termos de moralidade - não o fenômeno em si, mas o desenvolvimento de suas potencialidades espirituais (1).

EXISTENCIALISMO E ESPIRITISMO

Existencialismo - Aplica-se esse nome às idéias filosóficas de Heidegger, Kierkegaard, Sartre e  outros. Caracteriza-se pela negação do abstracionismo racional de Hegel. Para Kierkegaard, por exemplo, um sistema lógico de idéias não alcança a existência, o individual. Faz abstração deste, tem por objetivo as essências, os possíveis, e não o existente, o indivíduo, que não se explica, não se deduz, nem se demonstra.
As concepções de existência e de essência auxiliam-nos a compreender o tema. A existência vem de ex-sistência (estar aí, ex, fora das causas), o que se acha na coisa, in re. Existência é o fato de ser da essência. Difere da essência, pois, a existência consiste no fato de ser da essência. A essência, por outro lado, é o “fundo” do ser, metafisicamente considerado. 
A base do existencialismo está na discussão do possível. Para Sartre: “A existência precede a essência”. É a tese da impossibilidade do possível. Ele retoma a fórmula de Lequier: “Fazer e, ao faze, fazer-se”. É a expressão metafísica da crença na liberdade absoluta segundo a qual o ser vivo e pensante faz a si mesmo tanto quanto lho permitem certas determinações já tomadas. Além do exposto, Abbagnano acrescenta o grupo da necessidade do possível e o grupo da possibilidade do possível.
O existencialismo espírita aproxima-se da possibilidade do possível. De acordo com os princípios codificados por Allan Kardec, a essência (possível) é o princípio inteligente (Espírito na fase humana), que se atualiza em cada existência. O elo de ligação é a reencarnação, em que se processa a união da essência ao corpo físico, através do perispírito. O ir-e-vir dá consistência à essência, deixando-a cada vez mais purificada.
A mediunidade apresenta-se, também, como ponto de ligação entre a essência e a existência. Por intermédio dela, as essências, fora da existência, podem se comunicar com as essências, na existência. Prova-se, assim, que a essência não só precede a existência, como continua depois de ter estagiado na existência. Nesse sentido, o verdadeiro mundo é o mundo das essências, ou seja, o mundo espiritual.
O existencialismo espírita é como um projétil do ser, que passa por esta existência, rumo à perfeição da essência.
QUESTÕES
1) O que é o Existencialismo?
2) Quais são os três grupos da Filosofia da Existência, segundo Abbagnano?
3) O que se entende por Facticidade?
4) Defina êxtase existencial.
5) O que é a mediunidade?
TEMAS PARA DEBATE
1) Possibilidade do possível.
2) Essência, existência e mediunidade.
3) O Ser como um projétil rumo à perfeição.
4) Existencialismo e Existencialismo Espírita.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
(1) PIRES, J. H.  Introdução à Filosofia Espírita.
São Paulo, dezembro de 1996
19.ª Aula do Curso de Introdução à Filosofia Espírita:http://www.sergiobiagigregorio.com.br/apostila/introducao-filosofia-espirita.htm




Fonte: Site do Sérgio Biagi Gregório
http://www.sergiobiagigregorio.com.br/filosofia/existencialismo-espirita.htm

Nenhum comentário:

Postar um comentário