segunda-feira, 11 de maio de 2015

UE busca uma língua comum: "inglês mal falado" em vez de esperanto

A União Europeia já tem uma moeda comum, mas está longe de ter um único idioma. Existem 23 línguas oficiais no bloco europeu, o que culturalmente pode até ser uma vantagem, mas na rotina política é uma dor de cabeça.
Cada vez mais delegados em Bruxelas usam inglês para se comunicar
Cada vez mais delegados em Bruxelas usam inglês para se comunicar
Na União Europeia (UE), cada político, de Malta à Irlanda, tem o direito de se pronunciar em sua língua materna, e todos os cidadãos europeus têm o direito de ler os documentos mais importantes da União Europeia na língua de seu país. Tradutores e intérpretes são o lubrificante que mantém a máquina da UE funcionando, mas custam cerca de 250 milhões de euros por ano.
Para reduzir as despesas, é consensual a necessidade de uma língua em que todos os europeus possam se comunicar sem problemas. Há quem defenda o esperanto como idioma comum em Bruxelas, mas na prática o idioma que tem se espalhado pelos corredores diplomáticos é o BSE: "badly spoken English", ou "inglês mal falado", em tradução livre.
O esperanto foi concebido no final do século 19 por Ludwik Zamenhof como língua universal para compreensão entre os povos. E há até quem já esteja pronto para ele em Bruxelas.
"Eu gostaria que o esperanto tivesse um papel mais forte dentro da UE. Na minha opinião o esperanto é uma língua muito regular e fácil de aprender. Aprende-se rápido", diz Sean O'Riain, diplomata irlandês e presidente da União Europeia de Esperanto.
Inglês tem mais lobby
Ludwik Zamenhof concebeu o esperanto no século 19
Ludwik Zamenhof concebeu o esperanto no século 19
O'Riain está convencido de que o esperanto esteja em ascenção, e já há em Bruxelas um círculo bastante ativo de simpatizantes do idioma. Mas uma coisa já ficou clara: ninguém em Bruxelas leva realmente a sério a ideia de transformar o esperanto na língua comum do bloco europeu.
"Já estamos acostumados a nos comunicar em inglês. A maioria das pessoas aprende a língua de alguma forma. O meu esperanto é o inglês", diz Doris Pack, especialista em cultura e multilinguismo do Parlamento Europeu.
Entre os operadores das engrenagens linguísticas da UE, o esperanto também não tem muito lobby. "Nem uma vez sequer se falou em esperanto, o idioma não tem nenhuma importância para nós", diz Hans Schindler, que há 32 anos trabalha como intérprete em Bruxelas. Ele também está convencido da vitória inexorável do inglês – ou melhor, da sua versão mal-acabada.
"De fato será o inglês mal falado. Cada vez mais delegados usam inglês para se comunicar, mesmo que para nós, tradutores, às vezes doa ouvir esse inglês. É surpreendente como as pessoas conseguem se fazer entender com um inglês totalmente desestruturado. Por isso o esperanto, que é uma língua artificial muito mais estruturada, não tem a menor chance", disse Schindler.
Sean O'Riain discorda que o esperanto seja artificial e destaca que na enciclopedia virtual Wikipedia, por exemplo, existem mais artigos em esperanto do que em certas línguas europeias oficiais. Além disso, diz ele, é injusto que alguns poucos falantes nativos de inglês levem vantagem pelo papel dominante de sua língua em todo o mundo. "Com o esperanto seríamos todos iguais", diz O'Riain.
Autor: Martin Bohne (ff)
Revisão: Carlos Albuquerque

Fonte: Site DW
http://www.dw.de/ue-busca-uma-l%C3%ADngua-comum-ingl%C3%AAs-mal-falado-em-vez-de-esperanto/a-15683471

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