quinta-feira, 25 de junho de 2015

As 400.000 alterações da Bíblia e as suas abusivas interpretações

José Reis Chaves (Belo Horizonte/SP)
   

Infelizmente, a Bíblia é uma das obras mais alteradas do mundo. Só Lutero retirou dela sete livros. E, atualmente, as suas alterações são, principalmente, para ocultar as verdades da reencarnação e do espiritismo nela encontradas com uma clareza meridiana. O americano Bart D. Ehrman, o maior biblista do mundo atual, diz, em “O Que Jesus Disse? O Que Jesus Não Disse?”, que ela tem cerca de 400.000 alterações, Prestígio Editora, Rio, (RJ), com selo da Ediouro Publicações. Acredite nesses adulteradores quem quiser! E nada ficará oculto! (Mateus 10: 26).

Jesus ensinou que, para chegarmos ao reino de Deus, nós temos que nascer “de novo” da água e do espírito (João 3: 3). Nascer “de novo” do espírito é mudança de vida para melhor ou evolução. E nascer “de novo” da água (líquido amniótico) é reencarnar. E o excelso Mestre até fez questão de reforçar a sua tese reencarnacionista dizendo: é necessário nascer “de novo” da carne, ou seja, nascer “de novo” dos pais. Ora, isso é “ipsis verbis” e “ipsis litteris” reencarnação. A prova disso é que os tradutores estão mudando a tradução da expressão “anothen” (“de novo”) para a “do Alto”, para ocultar a ideia da reencarnação. E isso porque os adversários dela estão assustados com o fato de, hoje, ¾ da população do mundo a aceitam, e, ainda, com o aval da Ciência não materialista! E por que, só agora, depois de 1.900 anos, querem mudar a tradução de “Anothen” (“de novo”) para a “do alto”? Isso demonstra o seu desespero para ocultarem a reencarnação.

Também porque nossos irmãos pastores evangélicos que, em sua maioria, não sabem hebraico, grego e latim, e, consequentemente, não têm um melhor conhecimento da Bíblia, interpretam-na erradamente para seus fiéis.

Assim, como se não bastassem as cerca 400.000 alterações da Bíblia, eles ensinam aos seus fiéis as mais absurdas interpretações dela, o que gera grandes confusões doutrinárias entre eles, levando-os a mudarem de igreja, a todo instante, como se muda de roupa!

E os maiores adulteradores da Bíblia não são, pois, os seus tradutores, mas seus intérpretes. Realmente, há líderes religiosos que abusam escandalosa e desesperadamente das interpretações bíblicas, colocando-as absurdamente como contrárias à reencarnação e ao espiritismo, com medo de seus fiéis tornarem-se espíritas. E, então, inventam cada uma de arrepiar! Por exemplo, a Bíblia afirma que nós somos deuses e filhos do Altíssimo (João 10: 34; e Salmo 82: 6). Há um pastor que interpreta essas passagens assim: “A Bíblia se refere aos juízes.” Acontece que os homens que são juízes não deixam de continuar sendo deuses, e antes mesmo de serem juízes, já eram deuses como todos nós os somos!

E, de fato, esses deuses de que fala a Bíblia são mesmo os espíritos humanos ou “daimones”, que podem ser bons ou maus e que se manifestam através dos médiuns. (Números 11: 24 a 30). Ora, se Moisés condenou o contato com os espíritos (Deuteronômio capítulo 18), é porque, certo ou errado, esse contato existe mesmo!

Além disso, o próprio Jesus se comunicou com os espíritos de Moisés e Elias (Mateus 17: 3), na sessão espírita da Transfiguração!





José Reis Chaves (Belo Horizonte/SP)

estudou para padre na Congregação dos Redentoristas, é formado em Comunicação e Expressão na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. É Escritor, durante vários anos lecionou Português, Literatura, História, Geografia e Latim. É Teósofo, parapsicólogo, biblista, e ao longo de toda a sua vida, o autor vem desenvolvendo pesquisas sobre a Bíblia, as religiões e a Parapsicologia. Por último, passou a estudar o Espiritismo, Doutrina que assimilou com facilidade, tendo em vista o seu longo tempo de estudo da Bíblia, da História e da Teologia Cristãs. Aposentado, atualmente dedica-se ao trabalho de escrever e proferir palestras na área espiritualista, mas principalmente Espírita, por todo o Brasil.

É autor dos livros, entre outros: “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência”,

“Quando chega a Verdade” e "A Face Oculta das Religiões.

e-mail: jreischaves@gmail.com


Fonte: Site Rede Amigo Espírita
http://www.redeamigoespirita.com.br/group/artigosespiritas/forum/topic/show?id=2920723:Topic:1756282&xgs=1&xg_source=msg_share_topic

sábado, 13 de junho de 2015

Harris sugere a ateus exercícios para obter espiritualidade

Harris disse que espiritualidade
não é necessariamente religiosa
O filósofo e neurocientista americano Sam Harris (foto) acaba de lançar nos Estados Unidos o livro Waking Up (Despertando) defendendo que a espiritualidade é uma coisa e a religião, outra, não havendo entre elas necessariamente uma associação, porque ateus e agnósticos também podem ter experiências espirituais.

Harris entende como espiritualidade a descoberta de sentimentos e sensações cuja origem é a natureza da consciência por meio de introspecção.

Assim, disse, “a espiritualidade é essa transcendência do “eu” que possibilita à consciência superar algumas formas de sofrimento psicológico.

O neurocientista sugere quatro exercícios com os quais céticos e pessoas em geral podem atingir essa espiritualidade. Um exercício não exclui o outro.

1 – meditação

Harris indica aos céticos a meditação vipassana, que significa ver as coisas como elas realmente são. Ela é um dos ramos do budismo e é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. A pessoa tem de se sentar ereto em uma cadeira, fechar os olhos, respirar fundo e sentir o corpo. Os pensamentos não podem interferir no ritmo da respiração. A meditação deve fazer com que a pessoa testemunhe apenas emoções, sensações e sons. O próprio Harris pratica esse tipo de meditação.

2 – Combater emoções negativas

O neurocientista recomenda que se tenha uma estratégia para diluir as emoções negativas do dia a dia, como aquelas despertadas pela irritação com o congestionamento no trânsito ou com aborrecimento no trabalho. Ele sugere que a pessoa interrompa o fluxo de raiva ou de tristeza telefonando para alguém deBOM HUMOR, que lhe faça rir. A primeira coisa a fazer, nesse caso, é admitir sem resistência a presença das emoções negativas, para que seja questionada de modo a neutralizá-la.

3 – Técnica de um homem sem cabeça

Em alguns momentos, a racionalidade pode dificultar a obtenção da sensação de transcendência. Para contornar isso, Harris sugere que a pessoa relaxe e imagine que está sem cabeça. A pessoa deverá fazer várias vezes ao dia esse exercício.

4 – Meditação dupla

A meditação dupla também ajuda o desenvolvimento da espiritualidade. Segundo Harris, é a forma de a pessoa deixar de achar que ele é um “eu” separado do mundo. A meditação é assim: uma pessoa deve se sentar de frente para outra e encarar seus olhos, mantendo-se em silêncio. Provavelmente, haverá certo desconforto, que deverá ser ignorado.

Em entrevista a Rita Loiola, do site da Veja, Harris disse que as doutrinas seculares precisar arrancar das religiões “um diamante escondido”, que é a espiritualidade. A ferramenta para isso, disse, é o ceticismo militante e o uso de descobertas científicas sobre o cérebro.

Entrevista

Por que um ateu resolveu escrever sobre espiritualidade? 

Porque transcendência e amor incondicional são algumas das experiências mais importantes que as pessoas têm em suas vidas. Mas a maioria delas interpreta esses episódios pela lente da religião. Isso não faz sentido, porque cristãos, muçulmanos, judeus, budistas e ateus têm o mesmo tipo de experiências. Então sabemos que nenhuma dessas doutrinas religiosas incompatíveis pode ser a melhor explicação para seu significado.

Como funciona essa base escondida nas religiões?

A ciência não consegue localizar no cérebro uma região específica onde o eu se localiza, como fazemos com a memória ou a raiva. A ideia de que há um espaço no cérebro onde o eu, ou nossa consciência, está escondida não faz nenhum sentido anatômico ou científico. Assim, se a consciência não é um espaço delimitado, ela pode ser alterada ou expandida. A espiritualidade é essa transcendência do eu.

Se a fé revelou a espiritualidade, por que desligar essa experiência da alma ou de Deus? 

Em sua origem, espírito vem do latim spiritus, que significa respiração ou sopro. Por volta do século XIII, essa palavra foi confundida à crença de almas e fantasmas. No entanto, não há qualquer evidência que alma ou espíritos existam — mas podemos estar certos de que a consciência existe. Qualquer que seja sua relação com o mundo físico, a consciência é a base de tudo o que experimentamos. Não importa se estamos tomando um café ou tendo uma visão de Jesus, estar consciente é a condição prévia para qualquer experiência do presente. Na minha visão, espiritualidade é um processo de descoberta de algumas coisas sobre a natureza da consciência por meio da introspecção.

Ou seja, é uma experiência mental. Ela também nos levará a responder as questões fundamentais da existência, como ‘de onde viemos’ ou ‘qual o sentido da vida’?

Quando falo de espiritualidade, estou me referindo à figura da primeira pessoa da consciência e a possibilidade de superar alguns tipos de sofrimento psicológico, como aqueles vindos da necessidade da satisfação constante dos desejos ou da percepção de que, mesmo tendo uma família amorosa, dinheiro, saúde e comida, algo ainda está faltando. Esses são fatos empíricos sobre a mente humana, testados pela ciência. As religiões tendem a fazer especulações sobre a origem do cosmo, a existência de mundos e seres invisíveis e sobre a origem divina de alguns livros. Mais que isso, fazem essas afirmações com base em montanhas de evidências contraditórias. Há uma enorme diferença entre falar que, se alguém usar sua atenção de certa forma, como durante a meditação, vai perceber algo muito interessante sobre sua mente e dizer que um carpinteiro do século I nasceu de uma virgem e estará voltando dos mortos. A espiritualidade não é importante apenas para ter uma boa vida. Ela é importante para entender a mente humana.

Quais são as pesquisas científicas nos ajudam a compreender a subjetividade humana?

Sabemos que a mente humana é produto do cérebro humano. No entanto, a consciência não pode ser definida de acordo com critérios externos. Um famoso trabalho de Roger Sperry, que ganhou o Nobel de Medicina em 1981, mostrou, com o auxílio de pacientes que sofreram acidentes cerebrais, que os dois hemisférios do cérebro têm habilidades distintas e podem funcionar de maneira independente. E há razões científicas para acreditar que eles são também independentemente conscientes. As habilidades cognitivas que nos fazem humanos, como a reflexão ou a capacidade de julgamento, estão no hemisfério direito, no entanto, apenas o hemisfério esquerdo possui a habilidade da linguagem. Isso indica que é problemático falar que cada um de nós tem um único eu, uma consciência indivisível, ou uma alma responsável por nossa individualidade.

Como assim? 

A ideia de alma surge da sensação de que nossa subjetividade tem uma unidade, simplicidade e integridade que deve transcender as engrenagens bioquímicas do corpo. Mas a ciência mostra que nossa subjetividade pode ser dividida em, pelo menos, duas. Pesquisas feitas na última década também mostram que há partes do nosso cérebro trabalhando sob o consciente que afetam nossa vida cotidiana. Isso significa que a consciência pode ser expandida em novas direções para termos uma percepção mais clara da realidade, sem a necessidade de que isso seja reflexo de uma entidade superior operando. Se olharmos de perto para essa sensação de que somos um eu indivisível, ela desaparece. E esse é um experimento que pode ser feito no laboratório de sua própria mente.

Há técnicas que podemos usar para isso? 

Ao contrário de muitos ateus, passei longos anos da minha vida buscando experiências como as que deram origem às religiões do mundo. Estudei com monges, lamas, iogues e com pessoas que passaram grande parte de suas vidas em reclusão meditando. Ao todo, passei dois anos em retiros de silêncio, em períodos de uma semana a três meses, praticando técnicas variadas de meditação de doze a dezoito horas por dia. Posso afirmar que quem passa tanto tempo aperfeiçoando técnicas de respiração, meditação e pensamento dirigido tem experiências normalmente inacessíveis a quem não tem acesso a essas práticas. Acredito que esses estados mentais dizem muito sobre a natureza da consciência e as possibilidades de bem-estar humano.

O início de Waking Up traz sua experiência com o MDMA (metilenodioximetanfetamina, mais conhecida como a droga ecstasy). Foi ela quem abriu as portas da espiritualidade em sua vida? 

Sim. O MDMA provou para mim que era possível ter uma percepção radicalmente diversa de mim mesmo, do mundo e de minhas conexões éticas com os outros. É claro que não recomendo que todos usem a droga, porque isso traz consequências à saúde e é ilegal. Mas preciso ser honesto sobre o papel que ela desempenhou em meu próprio desenvolvimento espiritual.

Como o senhor vivencia sua espiritualidade? 

Faz muitos anos que usei drogas psicodélicas e minha abstinência está relacionada aos riscos para a saúde de seu uso. Tenho momentos espirituais todos os dias, em lugares santos, em meu escritório ou enquanto escovo os dentes. Isso não é um acidente, é o resultado de anos da prática de meditação com o propósito de acabar com a ilusão do eu. A espiritualidade continua sendo o grande vazio das doutrinas seculares, do humanismo, do racionalismo, do ateísmo e de todas as outras posturas defensivas que homens e mulheres assumem diante da presença da fé irracional. Pessoas dos dois lados se dividem imaginando que experiências transcendentes não têm lugar na ciência, a não ser em um hospital psiquiátrico. Mas há um caminho do meio entre fazer da espiritualidade uma experiência religiosa e não ter espiritualidade alguma. Não precisamos de mais dados científicos para dizer que a transcendência é possível. Está em nossa capacidade mental acordar do sonho de um ser único e indivisível e, assim, nos tornarmos melhores em contribuir para o bem-estar dos outros. 


Fonte: Paulopes

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2014/12/harris-sugere-a-ateus-exercicio-para-obter-espiritualidade.html#ixzz3czcYITGs
Paulopes informa que reprodução deste texto só poderá ser feita com o CRÉDITO e LINK da origem. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

As 7 vezes que você não teve vergonha de concordar com o PCO




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Partido da Causa Operária faz parte daquilo que nós podemos chamar de esquerda hardcore. Formado por militantes da corrente Causa Operária do Partido dos Trabalhadores, seus membros foram expulsos do PT nos início dos anos 90 por discordarem das alianças do partido com aquilo que, já naquela época, eles entendiam como “setores da burguesia”. O partido trostkista tem em Rui Costa Pimenta sua principal referência e defende abertamente uma revolução socialista.
Completando duas décadas de fundação, o PCO jamais elegeu um único deputado e tem algo próximo dos 2.560 filiados – ainda assim, conta em 2015 com R$ 1,4 milhãoem caixa do Fundo Partidário. A organização anticapitalista fechou 2014 com lucro de R$ 59.380,84.
Aqui, separamos as 7 vezes que você não teve vergonha de concordar com o PCO.

1) QUANDO ELES DEFENDEM, COMO NENHUM OUTRO PARTIDO EM ATIVIDADE, A LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

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Não, nenhum partido brasileiro em atividade defende a liberdade de expressão como o PCO. Para eles, absolutamente nada justifica calar o que alguém diz.
“A liberdade de expressão, completa e irrestrita é uma condição sine qua non para a existência das outras liberdades democráticas, ela é uma liberdade que engloba toda a sociedade e que precede todas as liberdades individuais. O primeiro dos direitos democráticos deve ser o de pensar, e naturalmente transmitir suas ideias sem medo de repressão, e para isso não pode estar entre os poderes do Estado decidir o que os cidadãos devem pensar e qual conteúdo pode ou não ser veiculado, não é atribuição do Estado decidir como podem ou não ser transmitidas essas ideias”, defendem.
E nada disso é gratuito, discurso vazio. Mesmo não concordando com o teor do discurso, o PCO saiu em defesa de Levy Fidelix, um candidato de direita, tanto em 2014, assim que Fidelix causou comoção com seu discurso homofóbico num debate de televisão, quanto quando Fidelix foi condenado a pagar uma multa de R$ 1 milhão pelo discurso.
E a defesa não se mantém presa a Fidelix. O partido vive questionando aquilo que interpreta como censura por setores da nova esquerda. O PCO já saiu em defesa de Danilo Gentili, por acusações de racismo; de Marcos Mion, por acusações de homofobia; assim como de Rafinha Bastos, quando foi questionado de atacar o direito das mulheres; e de Rachel Sheherazade, pelo seu comentário sobre os linchamentos no ano passado. Para o PCO, “todo cidadão deve ter direito de falar o que pensa, por mais que isso ofenda outras pessoas e por mais ofensivo que seja. Caso contrário não há liberdade de expressão, que se transforma em “liberdade” para falar tudo aquilo que for considerado politicamente correto”.
“Em todos esses casos, trata-se da tentativa de instituir o crime de pensamento. A expressão de ideias torna-se assim o crime e não mais as ações. Isso significa que os juízes estarão autorizados a julgar com base em sua própria subjetividade. Se um juiz achar que tal expressão (vídeo, música, texto, expressão verbal) foi uma ofensa, que fulano se sentiu oprimido, que as ideias são um crime, então ele condena o réu. A lei se transforma, assim, em um cheque em branco na mão dos juízes, para condenar e absolver quem quiserem, já que não há critério objetivo para o julgamento”, dizem.
A defesa apaixonada da liberdade de expressão é um marco da Constituição dos Estados Unidos. Para o PCO, “a Constituição dos EUA é, como a Francesa, uma constituição revolucionária; é uma constituição que versa sobre os direitos e não sobre as proibições. A brasileira, ao contrário versa sobre as proibições, sobre aquilo que o cidadão não pode fazer, que acaba em uma lista imensa de proibições às quais se acrescentam inúmeras outras a cada dia”.

2) QUANDO ELES SÃO CATEGORICAMENTE CONTRÁRIOS AO DESARMAMENTO CIVIL.

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Usualmente a discussão em torno do direito civil ao porte de armas e à legítima defesa é considerada uma bandeira de direita – especialmente porque o desarmamento sempre foi uma bandeira muito cara à esquerda (graças a tiranos como Stálin, Pol Pot, Mao Tsé-Tung, Idi Amim e Kim Il-sung, que desarmaram suas populações). Mas para o PCO, esse é um direito inalienável.
“Quem ganha com a proibição? O crime organizado continua armado, bem como o Estado, evidentemente. A população, por sua vez, sofre indefesa. Se um criminoso é pego, esteja ele com arma ou sem arma, será preso. Portanto, para ele, tanto faz estar armado como desarmado. A lei que proíbe o porte de armas, portanto, não é para o criminoso, pois não o afeta em nada. Essa lei é para o cidadão inocente e desprotegido. É ele, e somente ele, quem não pode portar armas. A proibição do porte de armas, medida adotada por tantos governos logo antes de golpes de estado, tem como objetivo deixar a população incapacitada de reagir a qualquer agressão”, questionam.
O Partido da Causa Operária realiza constantes críticas ao governo brasileiro por desrespeitar o resultado do referendo do desarmamento, rejeitado pela população em 2005, como por continuar impondo barreiras ao direito ao porte de armas pela população.

3) PORQUE VOCÊ SE DIVERTE TODA VEZ QUE ELES BATEM NO PSOL…

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Certamente nenhum partido político brasileiro é mais agressivo ao PSOL quanto o PCO. Como disse à nossa publicação o candidato à presidência pelo partido, Rui Costa Pimenta, para seu partido o PSOL representa “um socialismo de classe média, um socialismo pequeno burguês”.
Seja questionando institucionalmente ou atacando diretamente cada um de seus principais políticos – especialmente Luciana Genro, candidata à presidência pelo partido em 2014, e Marcelo Freixo, um dos principais nomes do PSOL carioca – para o PCO, o Partido Socialismo e Liberdade é “um fracasso em todos os sentidos“.
“(…) a linha política deste partido pequeno-burguês é dada exclusivamente pela adaptação de preconceitos esquerdistas vagos e de ideias típicas das classes médias à política dirigida peloGRANDE CAPITAL e o imperialismo.”
Para o Partido da Causa Operária, “o Psol, partido constituído a partir das dissidências do PT, tem se revelado uma cópia ruim do partido do qual se originaram”. Em outras palavras: o PSOL é apenas mais um retrato da velha esquerda festiva que atende a interesses da classe média.

4) … E QUANDO ELES QUESTIONAM O USO POLÍTICO DO FEMINISMO.

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O PCO se identifica como um partido em defesa do empoderamento das mulheres, mas critica duramente o modo como a esquerda lida politicamente com o feminismo no país, questionando a validade de bandeiras como a “marcha das vadias” ou as campanhas nas redes sociais contra o machismo.
“Outra “batalha” é a travada pela censura de tudo que se considere “machista”. Como o termo machista é bastante amplo e indefinido, quase tudo pode ser encaixado nesse conceito. Palavrões, que são essencialmente machistas, por exemplo, não poderiam mais ser pronunciados. Recentemente, uma banda foi impedida de tocar em uma festa promovida por um centro acadêmico por se chamar “Bandidos da Luz Vermelha”. A explicação foi que o bandido da luz vermelha era um estuprador e dar esse nome à banda seria em si machista. A lista de atitudes e falas machistas é cada vez mais ampla, e também cada vez mais subjetiva”,afirmam.
Num artigo assinado por quatro mulheres, o PCO ataca o uso político do feminismo na “esquerda burguesa”, em defesa de um militante seu, acusado de “machista” pelo PSOL e o PSTU.
“Um homem pode não expressar nenhuma palavra de conteúdo machista, mas ter uma atuação contrária à luta pela libertação da mulher, assim como o inverso também pode ser verdadeiro. Impedir a expressão de uma determinada ideia não significa eliminar a ideia, mas apenas camuflá-la. Por isso, a censura nunca foi a arma dos oprimidos. Para os oprimidos, o que importa é o esclarecimento. Se se quer modificar as ideias, como um subproduto de uma modificação na realidade material, a única maneira é esclarecer e debater amplamente, não censurar e hostilizar de maneira indiscriminada.”
O partido também questiona campanhas como as que pretendem “trocar o plural formado por “o” pelo plural com “x” ou “@”. Para o PCO, “a ideia de transformar o vocabulário para transformar a vida, só pode contentar a pessoas que acreditam que sua vida material já está resolvida, ou seja, burgueses e pequeno-burgueses. Uma mulher que tem cinco filhos para criar e ainda precisa trabalhar vai reivindicar creche, escola pública de qualidade, licença-maternidade, e não se preocupar com o uso de “@” nos textos”.

5) QUANDO ELES CRITICAM O CORPORATIVISMO DO ESTADO BRASILEIRO.

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O PCO faz duras críticas à política do BNDES. Para o partido:
“O dinheiro disponibilizado para o BNDES é uma transferência direta de dinheiro público, arrecadado da população por meio de impostos, para os bolsos dos capitalistas que vão lucrar às custas da população trabalhadora.”
Para o partido, o governo do PT é o sonho dos banqueiros que, não por acaso, estão enriquecendo mais com os governos Lula e Dilma que em qualquer outro período republicano.
O PCO também critica o modo como o Partido dos Trabalhadores financia as principais montadoras do país e a JBS-Friboi.

6) QUANDO ELES PEDIRAM AO GOVERNO BRASILEIRO ASILO A EDWARD SNOWDEN.

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No último ano, o PCO lançou uma dura campanha em defesa de Edward Snowden, ex-analista de inteligência da NSA, envolvido numa batalha contra a vigilância internacional desde que revelou detalhes de como o governo americano agia em detrimento da privacidade.
O partido lançou editorial, divulgou petição online para tentar convencer as autoridades, tratou Snowden como herói.

7) TODA VEZ QUE ELES CRITICAM QUANDO O ESTADO TENTA INTERFERIR NA VIDA PRIVADA DOS INDIVÍDUOS.

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Apesar de não enxergar a liberdade econômica como algo que diga respeito exclusivamente à vida privada dos indivíduos, o PCO mantém uma forte posição pela defesa das liberdades individuais. É pela luta contra a interferência estatal na vida privadas dos indivíduos que o partido se mantém contrário à Lei da Palmada.
“O que é preciso entender é que por mais que se condene essas atitudes, elas não justificam a brutal interferência que o Estado pretende realizar na vida privada dos cidadãos. Condenar uma determinada conduta não implica em tornar a sua opinião uma lei. Isso significa também dar ao Estado capitalista, corrupto e opressor o poder de dizer a cada cidadão se ele é ou não um pai ou mãe competente e se esses devem ou não manter a guarda dos seus próprios filhos.
Além da punição, a lei prevê também multa para os médicos, professores e servidores públicos que tiverem conhecimento e não denunciarem casos de agressão, estimulando claramente a delação. Trata-se de todo um arcabouço de um Estado policial.”
E o partido vai além.
“Muitas dessas medidas, como a “lei da palmada”, vêm travestidas para dar a ilusão de que são de esquerda, progressistas. É o caso, por exemplo, das leis do racismo e da homofobia, no que diz respeito a punir pessoas que apenas expressem ideias racistas e que tem servido, no caso da primeira, para censurar livros considerados racistas.
Ou seja, em nome de preceitos morais e de valores em grande medida subjetivos, como são o racismo, a “homofobia”, o combate à corrupção etc., anula-se garantias e direitos da população.
Querem convencer a população que desse modo a democracia estaria avançando. Mas se não há direito de dizer o que bem se entende, se a privacidade dos indivíduos vai ser violada, assim como estão violando os domicílios dos moradores da Rocinha, se a polícia e o Estado poderão ter vigilância e controle estritos sobre a população, bem como um poder enorme de interferir na vida privada de cada um, que direitos democráticos são esses que estão sendo assegurados?”
É com esse mesmo argumento que o PCO se mantem veemente contrário às leis antifumo.
“Desde a década de 1990 vêm se aprofundando as medidas abusivas em torno do problema. O que começou com uma proibição de fumar em determinados locais acabou se estendendo para a absurda proibição de se realizar livre propaganda do produto e chegou ao extremo agora, no estado de São Paulo, de proibir o cidadão de fumar em quase todo e qualquer lugar, proibindo, na prática, que se fume. A lei chegou ao absurdo de permitir demissão por justa causa do funcionário que for pego fumando no estabelecimento, repassando a multa para ele, e de estimular a delação dos locais que permitem o fumo e pessoas que desrespeitarem a lei. Esta proíbe inclusive que se fume em cena, em peças de teatro e novelas e terceiriza a punição, pois um estabelecimento pode ser multado pela ação de uma pessoa que esteja no local.
Diante de tantas calamidades de que é vítima o país, chama a atenção o fato de o governo dispensar tanta atenção ao problema do fumo, realizando uma ampla campanha, contratando centenas de fiscais, estimulando a perseguição aos fumantes e inclusive a delação.”
Sim, todas essas ideias são defendidas pelo Partido da Causa Operária, o partido mais hardcore da esquerda tupiniquim. E você provavelmente não tem vergonha de concordar com a maioria dessas bandeiras.
A menos que você seja eleitor do PSOL, claro.

Fonte: Site Spotinik
http://spotniks.com/as-7-vezes-que-voce-nao-teve-vergonha-de-concordar-com-o-pco/

10 coisas que você não sabia sobre a relação entre o PT e o PSDB



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PT e PSDB são os irmãos Karamazov da política nacional. Nas últimas décadas, ambos os partidos travaram duelos apaixonados e transformaram o debate público brasileiro num imenso caldeirão, um Fla-Flu. De um lado os azuis, do outro os vermelhos. De um lado o tucano, do outro a estrela. De um lado o professor, do outro o operário.
O que poucas pessoas sabem é que há mais coisas em comum entre o Partido dos Trabalhadores e o Partido da Social Democracia Brasileira do que julga nossa vã filosofia. PT e PSDB nasceram no mesmo lugar, no coração da esquerda paulistana, com concepções políticas e econômicas muito parecidas, e com duas figuras históricas – Lula e Fernando Henrique Cardoso – que não teriam ascendido sem o outro. E tudo isso nunca foi negado por seus criadores. Pelo contrário.
“Nós estamos que nem dois jogadores de futebol, somos amigos, somos até irmãos e estamos jogando em times diferentes”, jádisse Lula sobre a relação entre os partidos.
“Nossas diferenças com o PT são muito mais em relação à disputa de poder do que sobre ideologia”, já assumiu Fernando Henrique Cardoso.
De fato, é muito difícil desassociar a história de ambos. O sociólogo francês Alain Touraine, de esquerda, ex-professor e amigo pessoal de Fernando Henrique, chegou a afirmar que o futuro do Brasil seria a união dos partidos. Em 2004, Touraine disse que os governos de FHC e Lula faziam parte de um mesmo projeto. E tal cenário é assumido por seu pupilo. Para FHC, há uma massa política atrasada no país e a polarização entre PT e PSDB serve para tirá-lo desse atraso.
“Os dois partidos que têm capacidade de liderança para mudar isso são o PT e o PSDB. Em aliança com outros partidos. No fundo, nós disputamos quem é que comanda o atraso”disse.
Aqui, 10 coisas que você não sabia sobre a relação entre os dois partidos que mais pediram o seu voto nos últimos tempos.

1) LULA JÁ GARANTIU ELEIÇÃO PARA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO. E LOGO NA ESTREIA DOS DOIS NA POLÍTICA PARTIDÁRIA.

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Foi em 1978.
Fernando Henrique Cardoso era o príncipe dos sociólogos, um membro ativo da comunidade acadêmica paulistana que havia deixado a universidade para abraçar a vida pública. Era sua estreia de gala, o candidato de esquerda na corrida ao Senado pelo maior estado do país, a nova aposta do MDB.
Lula era o sapo dos operários, um líder do movimento sindical que tinha “ojeriza” à política partidária. Convencido por alguns amigos, abriu uma exceção para a candidatura do sociólogo do Morumbi. Pediu em troca sua adesão às bandeiras econômicas dos sindicatos, prontamente atendidas. Tal qual FH, era sua primeira vez nas corridas eleitorais. E a meta era clara: somar o máximo de votos possíveis para Fernando Henrique Cardoso.
Como conta o próprio Lula:
“Acontece que em 78, primeiro ano das greves do ABC, o MDB estava lançando sua chapa de senadores. Algumas pessoas, alguns jornalistas cujos nomes não vou dizer, queriam que a gente apoiasse Cláudio Lembo, da Arena. Fui apresentado a Fernando Henrique Cardoso. Aí fomos para a campanha. Fui representar Fernando Henrique Cardoso em vários comícios.”
Lula levou FHC às portas de fábrica e rodou com ele pelo interior do estado. Era o príncipe e o sapo unidos em torno da criação do mesmo reino – a maior figura daquilo que viria a ser o PSDB com a maior figura daquilo que viria a ser o PT. Num palanque do MDB, com artistas e figuras ilustres da esquerda paulistana, o líder operário irritou-se com a festividade. Virou-se para Ulysses Guimarães e esbravejou:
“O trato é que iria pedir votos só para o Fernando Henrique Cardoso. Todo mundo sabe que sou o principal cabo eleitoral do Fernando Henrique Cardoso. Agora querem que eu peça votos também pro Montoro. Eu não vou pedir. Se não me deixarem fazer o que eu quero, eu desço e levo o palanque todo comigo, e vamos fazer o comício em outro lugar.”
Era o início de tudo. Fernando Henrique acabaria eleito primeiro suplente do senador Franco Montoro e, quatro anos depois, quando Montoro virou governador, assumiu a vaga, dando princípio à carreira política que o levaria ao cume do poder nacional. Sem o apoio de Lula em seus primeiros passos, nada disso seria possível.

2) EDUARDO SUPLICY, LULA E FHC JÁ DIVIDIRAM UMA CASA DE PRAIA EM UBATUBA

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Na década de setenta, Fernando Henrique Cardoso tinha uma casa de praia em Picinguaba, Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Em 1976, entre as indas e vindas de sua vida acadêmica dentro e fora do país, deixou o imóvel nas mãos de um amigo de longa data que conhecia desde os tempos de garoto – um sujeito chamado Eduardo Matarazzo Suplicy.
“Em 1976, aluguei uma casa em Paraty e fui conhecer Picinguaba. O Fernando Henrique Cardoso tinha uma casa lá, que acabou me emprestando por seis meses quando ele foi para a França. O filho da caseira me mostrou um terreno, onde acabei construindo minha casa, dois anos depois”,conta Suplicy. 
Um ano depois, o fundador do PSDB abriria as portas para o fundador do PT e sua esposa – Lula e Marisa – passarem um final de semana no imóvel. Lula ficou extasiado com a paisagem. Só reclamou dos mosquitos.

3) LULA E FERNANDO HENRIQUE CARDOSO QUASE CRIARAM UM PARTIDO POLÍTICO

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Fernando Henrique Cardoso no alto, à esquerda, Lula no centro da imagem.
No final da década de 1970, Fernando Henrique e Lula participaram de uma reunião no ABC paulista, com intelectuais e dirigentes sindicais, para discutir o que fazer diante da iminente redemocratização no país. Nesse espaço, discutiram a criação de um partido socialista. Mas a ideia não foi pra frente. Como contao sociólogo Francisco Weffort, fundador do PT e posteriormente ministro do governo FHC:
“Apesar das muitas afinidades, prevaleceu a divergência. Daquele grupo, uns saíram para criar o PT e outros, anos depois, o PSDB.”
Segundo Eduardo Suplicy, que reuniu Lula e Fernando Henrique diversas vezes em sua casa para discutir o futuro do país e a possível criação de uma nova legenda, ela só não nasceu pelo conflito de liderança entre os dois:
“Cada um avaliava que seria o líder maior da organização que se formasse. Tinham dificuldade de aceitar a liderança um do outro, e ficava muito difícil para ambos ficar no mesmo partido”, conta.
Por muito pouco, PT e PSDB não se tornaram um único partido.

4) OS POLÍTICOS DE PT E PSDB SE CONFUNDEM COM A HISTÓRIA DA ESQUERDA BRASILEIRA

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A história dos principais caciques tucanos se confunde com a história dos principais caciques petistas. Juntos, ajudaram a construir a esquerda brasileira.
Fernando Henrique Cardoso sempre foi um estudioso do marxismo, por influência de Florestan Fernandes. Na década de 50, auxiliava a edição da revista “Fundamentos”, do Partido Comunista Brasileiro. Também integrava um grupo de estudos dedicado à leitura e discussão da obra O Capital, de Marx. Em 1981, ao lado de Eduardo Suplicy, ingressou numa lista da Polícia Federal. Era tratado como comunista pela ditadura.
O economista José Serra foi uma das principais lideranças estudantis de seu tempo, presidente da UNE e um dos fundadores da Ação Popular, grupo de esquerda que revelaria os petistas Plínio de Arruda Sampaio e Cristovam Buarque. Serra é amigo pessoal e conviveu por anos no exílio com a economista petista Maria da Conceição Tavares, uma das principais influências intelectuais do Partido dos Trabalhadores e referência particular de Dilma.
O tucano Aloysio Nunes, vice de Aécio Neves na última eleição, foi membro da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella – era seu motorista e guarda-costa. Aloysio realizou inúmeros assaltos à mão armada em nome da revolução socialista.
Alberto Goldman, ex-governador tucano de São Paulo, teve uma educação marxista. Foi membro do clandestino PCB durante a ditadura.
José Aníbal, uma das figuras mais proeminentes do PSDB paulista, foi amigo de adolescência de Dilma Rousseff, com quem estudava matemática depois das aulas, e seu parceiro na Organização Revolucionária Marxista Política Operária, também conhecida como POLOP. Aníbal foi um dos fundadores do PT, antes de ser presidente do PSDB.
Juntos, eles fundariam os dois partidos políticos mais relevantes do país.

5) NAS ELEIÇÕES DE 1989, O PSDB APOIOU LULA CONTRA COLLOR

Mario Covas, Lula e Brizola.
O recém formado PSDB, criado por dissidentes de esquerda do MDB, lançou o senador Mario Covas candidato à presidência em 1989. Covas alcançou pouco mais de 7 milhões de votos no primeiro turno e terminou a corrida na quarta colocação. O que pouca gente se lembra é que o PSDB apoiou Lula no segundo turno – o PMDB, de Ulysses Guimarães, tentou seguir o mesmo caminho, mas acabou rejeitado pelo Partido dos Trabalhadores. Os tucanos, por outro lado, foram acolhidos. Em almoço com o prefeito de Belo Horizonte eleito pelo PSDB, Pimenta da Veiga, Lula ouviu do tucano:
“Eu tenho também a alegria de saber que, pela primeira vez, aqui se reúnem representantes de todas as forças progressistas do país, nesta tarde, neste almoço. Eu estou certo que isso terá desdobramentos. E acho que deve ser assim, porque o Brasil deseja mudanças em profundidade. E só essas forças progressistas podem fazer essas mudanças.”
Lula perderia a eleição para Collor em poucas semanas.

6) “LULA, VENHA CONHECER A CASA ONDE VOCÊ UM DIA VAI MORAR”

Lula e FHC
Em 1993, o Brasil passou por um plebiscito sobre a forma e o sistema de governo do país. De um lado, o PT articulava a formação de uma Frente Presidencialista. De outro, o PSDB defendia a implementação do parlamentarismo. Numa conversa informal, Lula e FHC chegaram a conversar sobre um plano em que o operário se tornaria presidente e o sociólogo primeiro-ministro.
Em 1998, como revela numa conversa com o ex-senador petista Cristovam Buarque, FHC recebeu Lula no Palácio do Alvorada e arriscou uma nova previsão.
“Cristovam Buarque: Em novembro de 1998, acompanhei o Lula para visitá-lo. Quando o senhor abriu a porta do apartamento residencial no Alvorada, disse: “Lula, venha conhecer a casa onde você um dia vai morar”. Foi generosidade ou previsão?
Fernando Henrique Cardoso: Não creio que tenha sido uma previsão, mas sempre achei uma possibilidade. E também um gesto de simpatia. Eu disse ao Lula naquele dia: “Temos uma relação de amizade há tantos anos, não tem cabimento que o chefe do governo não possa falar com o chefe da oposição”. Era uma época muito difícil para o Brasil. Eu disse lá, não sei se você se lembra: “Algum dia nós podemos ter de estar juntos”. Eu pensava numa crise. E disse ao Lula: “Não quero nada de você. Só conversar. É para você ter realmente essa noção de que num país, você não pode alienar uma força”. Lula conversou comigo no dia da posse. E foi bonita aquela posse… Na hora de ir embora, o Lula levou a mim e a Ruth até o elevador. E aí ele grudou o rosto em mim, chorando. E disse: “Você deixa aqui um amigo”. Foi sincero, não é?”
Em 1999, Fernando Henrique relatou o quanto respeitava Lula. Numa conversa com Eduardo Suplicy, revelou que quando Lula aparecia na televisão falando mal dele, simplesmente desligava o aparelho.
“Fico triste, perco até o humor. Para vocês terem uma ideia do quanto eu gosto e admiro o Lula. Você sabe, Eduardo, o que eu fiz com Lula quando ele esteve comigo no Alvorada, mostrei a ele o meu quarto e disse: “Um dia isso aqui vai ser os seus aposentos”. A gente faz isso com adversário, nem com todos os amigos a gente faz isso. Pois eu mostrei a Lula as dependências da residência oficial em que moro. Mostrei o meu quarto.”
Em três anos, Lula viraria presidente. A profecia tucana se cumpriu.

7) FERNANDO HENRIQUE FEZ CAMPANHA SECRETA PARA LULA EM 2002

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Nas eleições de 2002, FHC retaliou José Serra, candidato pelo PSDB à sucessão presidencial, por ataques feitos a Lula durante a campanha. Fernando Henrique disse também, em conversas reservadas, que foi um erro o ataque direto ao presidente do PT, o então deputado federal José Dirceu. Dirceu era o petista mais próximo de seu governo e a ordem era que se suspendesse imediatamente as críticas a ele. Seu puxão de orelha foi transmitido ao comando do marketing da campanha de Serra.
Com Lula eleito, FHC iniciou uma campanha secreta em sua defesa. A história é narrada no livro ”18 Dias — Quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush”, escrito por Matias Spektor, doutor em relações internacionais pela Universidade de Oxford e colunista da Folha de São Paulo. Como conta Spektor:
“Lula despachou José Dirceu [que viria a ser o chefe de sua Casa Civil] para os Estados Unidos e acionou grupos de mídia e banqueiros brasileiros que tinham negócios com a família Bush. Disciplinou as mensagens de sua tropa e abriu um canal reservado com a embaixada americana em Brasília. Lula não fez isso sozinho. Operando junto a ele estava o presidente brasileiro em função – Fernando Henrique Cardoso. FHC enviou seu ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, em missão à Casa Branca para avalizar o futuro governo petista. O presidente também instruiu seu ministro da Fazenda, Pedro Malan, a construir uma mensagem comum junto ao homem forte de Lula, Antonio Palocci.
Eles fizeram uma dobradinha para dialogar com o Tesouro dos Estados Unidos, o Fundo Monetário Internacional e Wall Street. Fernando Henrique ainda orientou Rubens Barbosa, seu embaixador nos Estados Unidos, a prestar todo o apoio a Lula.”
Sem esse apoio, Lula certamente não conseguira a estabilidade internacional que teve. Não fosse FHC, sua história teria tomado outros rumos. E a do Brasil também.

8) O HOMEM FORTE DA ECONOMIA DO GOVERNO LULA ERA… UM TUCANO!

No início dos anos 2000, Henrique Meirelles deixou de lado uma vida bem sucedida como executivo do setor financeiro para candidatar-se a deputado federal por Goiás. Recebeu 183 mil votos e se tornou o deputado mais votado do estado. Seu partido era o PSDB. Com o sucesso eleitoral e o respeito do mercado financeiro, foi convidado por Lula para ser o primeiro presidente do Banco Central de seu governo, cargo que ocuparia por longos 7 anos. Meirelles ainda receberia as bençãos de FHC, antes de se desfiliar do PSDB e deixar o cargo que havia sido eleito. Lula telefonou para Fernando Henrique para avisar a escolha.
Em 2003, Marcos Lisboa, outro homem forte da economia do primeiro governo Lula, declarou que a equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso merecia uma “estátua em praça pública” por ter promovido os acordos com os governos estaduais e municipais na negociação da dívida e também por ter criado a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Anos mais tarde, Fernando Henrique revelou comemorar as conquistas do governo Lula.
“Eu também comemoro a melhoria na distribuição de renda. A política dele é a minha”, disse.

9) FERNANDO HENRIQUE CARDOSO EVITOU OIMPEACHMENT DE LULA EM 2005

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Durante todo governo Lula, duas figuras construíram uma ponte entre o presidente operário e o ex-presidente sociólogo: os então ministros Antonio Palocci, da Fazenda, e Márcio Thomaz Bastos, da Justiça. Os encontros foram confirmados por ambos – Palocci confirmou que esteve pessoalmente com FHC “pelo menos cinco vezes”; Bastos disse ter conversado pessoalmente com o ex-presidente apenas uma vez, em junho de 2005, mas confirmou que os contatos por telefone eram muito frequentes. Lula sempre soube das conversas e, mais de uma vez, em momentos difíceis, sugeria a Palocci: “Vai conversar com Fernando Henrique”.
Em 2005, no auge do escândalo do Mensalão e com a pressão por impeachment, Lula orientou seus dois homens fortes para pedirem a FHC que aplacasse os ânimos da oposição. O tucano aceitou de prontidão. Na conversa com Thomaz Bastos, FHC concordou que um impeachment de Lula, à época uma ameaça real, “tornaria o país ingovernável”. Fernando Henrique dizia que não queria criar “uma cisão no Brasil”. Os tucanos acataram a ordem e a história do impeachment perdeu força.

10) NAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS, PT E PSDB ESTAVAM COLIGADOS EM 999 DISPUTAS DE PREFEITURAS

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PT e PSDB são tratados como antagonista no cenário político nacional, mas a verdade é que em pelo menos 999 cidades (o correspondente a 18% das 5.569 cidades brasileiras), os partidos fizeram parte da mesma coligação nas últimas eleições municipais. Só no estado de São Paulo, esse número foi de 54 municípios.
Em Schroeder, Santa Catarina, por exemplo, o prefeito eleito foi o tucano Osvaldo Jurck; seu vice foi o petista Moacir Zamboni. Em 149 casos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as chapas que contaram com o PT foram encabeçadas por candidatos a prefeito pelo PSDB.
Tudo como se fossem feitos um para o outro.

Fonte: Site Spotiniks
http://spotniks.com/10-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-a-relacao-entre-o-pt-e-o-psdb/