segunda-feira, 8 de junho de 2015

As 7 vezes que você não teve vergonha de concordar com o PCO




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Partido da Causa Operária faz parte daquilo que nós podemos chamar de esquerda hardcore. Formado por militantes da corrente Causa Operária do Partido dos Trabalhadores, seus membros foram expulsos do PT nos início dos anos 90 por discordarem das alianças do partido com aquilo que, já naquela época, eles entendiam como “setores da burguesia”. O partido trostkista tem em Rui Costa Pimenta sua principal referência e defende abertamente uma revolução socialista.
Completando duas décadas de fundação, o PCO jamais elegeu um único deputado e tem algo próximo dos 2.560 filiados – ainda assim, conta em 2015 com R$ 1,4 milhãoem caixa do Fundo Partidário. A organização anticapitalista fechou 2014 com lucro de R$ 59.380,84.
Aqui, separamos as 7 vezes que você não teve vergonha de concordar com o PCO.

1) QUANDO ELES DEFENDEM, COMO NENHUM OUTRO PARTIDO EM ATIVIDADE, A LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

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Não, nenhum partido brasileiro em atividade defende a liberdade de expressão como o PCO. Para eles, absolutamente nada justifica calar o que alguém diz.
“A liberdade de expressão, completa e irrestrita é uma condição sine qua non para a existência das outras liberdades democráticas, ela é uma liberdade que engloba toda a sociedade e que precede todas as liberdades individuais. O primeiro dos direitos democráticos deve ser o de pensar, e naturalmente transmitir suas ideias sem medo de repressão, e para isso não pode estar entre os poderes do Estado decidir o que os cidadãos devem pensar e qual conteúdo pode ou não ser veiculado, não é atribuição do Estado decidir como podem ou não ser transmitidas essas ideias”, defendem.
E nada disso é gratuito, discurso vazio. Mesmo não concordando com o teor do discurso, o PCO saiu em defesa de Levy Fidelix, um candidato de direita, tanto em 2014, assim que Fidelix causou comoção com seu discurso homofóbico num debate de televisão, quanto quando Fidelix foi condenado a pagar uma multa de R$ 1 milhão pelo discurso.
E a defesa não se mantém presa a Fidelix. O partido vive questionando aquilo que interpreta como censura por setores da nova esquerda. O PCO já saiu em defesa de Danilo Gentili, por acusações de racismo; de Marcos Mion, por acusações de homofobia; assim como de Rafinha Bastos, quando foi questionado de atacar o direito das mulheres; e de Rachel Sheherazade, pelo seu comentário sobre os linchamentos no ano passado. Para o PCO, “todo cidadão deve ter direito de falar o que pensa, por mais que isso ofenda outras pessoas e por mais ofensivo que seja. Caso contrário não há liberdade de expressão, que se transforma em “liberdade” para falar tudo aquilo que for considerado politicamente correto”.
“Em todos esses casos, trata-se da tentativa de instituir o crime de pensamento. A expressão de ideias torna-se assim o crime e não mais as ações. Isso significa que os juízes estarão autorizados a julgar com base em sua própria subjetividade. Se um juiz achar que tal expressão (vídeo, música, texto, expressão verbal) foi uma ofensa, que fulano se sentiu oprimido, que as ideias são um crime, então ele condena o réu. A lei se transforma, assim, em um cheque em branco na mão dos juízes, para condenar e absolver quem quiserem, já que não há critério objetivo para o julgamento”, dizem.
A defesa apaixonada da liberdade de expressão é um marco da Constituição dos Estados Unidos. Para o PCO, “a Constituição dos EUA é, como a Francesa, uma constituição revolucionária; é uma constituição que versa sobre os direitos e não sobre as proibições. A brasileira, ao contrário versa sobre as proibições, sobre aquilo que o cidadão não pode fazer, que acaba em uma lista imensa de proibições às quais se acrescentam inúmeras outras a cada dia”.

2) QUANDO ELES SÃO CATEGORICAMENTE CONTRÁRIOS AO DESARMAMENTO CIVIL.

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Usualmente a discussão em torno do direito civil ao porte de armas e à legítima defesa é considerada uma bandeira de direita – especialmente porque o desarmamento sempre foi uma bandeira muito cara à esquerda (graças a tiranos como Stálin, Pol Pot, Mao Tsé-Tung, Idi Amim e Kim Il-sung, que desarmaram suas populações). Mas para o PCO, esse é um direito inalienável.
“Quem ganha com a proibição? O crime organizado continua armado, bem como o Estado, evidentemente. A população, por sua vez, sofre indefesa. Se um criminoso é pego, esteja ele com arma ou sem arma, será preso. Portanto, para ele, tanto faz estar armado como desarmado. A lei que proíbe o porte de armas, portanto, não é para o criminoso, pois não o afeta em nada. Essa lei é para o cidadão inocente e desprotegido. É ele, e somente ele, quem não pode portar armas. A proibição do porte de armas, medida adotada por tantos governos logo antes de golpes de estado, tem como objetivo deixar a população incapacitada de reagir a qualquer agressão”, questionam.
O Partido da Causa Operária realiza constantes críticas ao governo brasileiro por desrespeitar o resultado do referendo do desarmamento, rejeitado pela população em 2005, como por continuar impondo barreiras ao direito ao porte de armas pela população.

3) PORQUE VOCÊ SE DIVERTE TODA VEZ QUE ELES BATEM NO PSOL…

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Certamente nenhum partido político brasileiro é mais agressivo ao PSOL quanto o PCO. Como disse à nossa publicação o candidato à presidência pelo partido, Rui Costa Pimenta, para seu partido o PSOL representa “um socialismo de classe média, um socialismo pequeno burguês”.
Seja questionando institucionalmente ou atacando diretamente cada um de seus principais políticos – especialmente Luciana Genro, candidata à presidência pelo partido em 2014, e Marcelo Freixo, um dos principais nomes do PSOL carioca – para o PCO, o Partido Socialismo e Liberdade é “um fracasso em todos os sentidos“.
“(…) a linha política deste partido pequeno-burguês é dada exclusivamente pela adaptação de preconceitos esquerdistas vagos e de ideias típicas das classes médias à política dirigida peloGRANDE CAPITAL e o imperialismo.”
Para o Partido da Causa Operária, “o Psol, partido constituído a partir das dissidências do PT, tem se revelado uma cópia ruim do partido do qual se originaram”. Em outras palavras: o PSOL é apenas mais um retrato da velha esquerda festiva que atende a interesses da classe média.

4) … E QUANDO ELES QUESTIONAM O USO POLÍTICO DO FEMINISMO.

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O PCO se identifica como um partido em defesa do empoderamento das mulheres, mas critica duramente o modo como a esquerda lida politicamente com o feminismo no país, questionando a validade de bandeiras como a “marcha das vadias” ou as campanhas nas redes sociais contra o machismo.
“Outra “batalha” é a travada pela censura de tudo que se considere “machista”. Como o termo machista é bastante amplo e indefinido, quase tudo pode ser encaixado nesse conceito. Palavrões, que são essencialmente machistas, por exemplo, não poderiam mais ser pronunciados. Recentemente, uma banda foi impedida de tocar em uma festa promovida por um centro acadêmico por se chamar “Bandidos da Luz Vermelha”. A explicação foi que o bandido da luz vermelha era um estuprador e dar esse nome à banda seria em si machista. A lista de atitudes e falas machistas é cada vez mais ampla, e também cada vez mais subjetiva”,afirmam.
Num artigo assinado por quatro mulheres, o PCO ataca o uso político do feminismo na “esquerda burguesa”, em defesa de um militante seu, acusado de “machista” pelo PSOL e o PSTU.
“Um homem pode não expressar nenhuma palavra de conteúdo machista, mas ter uma atuação contrária à luta pela libertação da mulher, assim como o inverso também pode ser verdadeiro. Impedir a expressão de uma determinada ideia não significa eliminar a ideia, mas apenas camuflá-la. Por isso, a censura nunca foi a arma dos oprimidos. Para os oprimidos, o que importa é o esclarecimento. Se se quer modificar as ideias, como um subproduto de uma modificação na realidade material, a única maneira é esclarecer e debater amplamente, não censurar e hostilizar de maneira indiscriminada.”
O partido também questiona campanhas como as que pretendem “trocar o plural formado por “o” pelo plural com “x” ou “@”. Para o PCO, “a ideia de transformar o vocabulário para transformar a vida, só pode contentar a pessoas que acreditam que sua vida material já está resolvida, ou seja, burgueses e pequeno-burgueses. Uma mulher que tem cinco filhos para criar e ainda precisa trabalhar vai reivindicar creche, escola pública de qualidade, licença-maternidade, e não se preocupar com o uso de “@” nos textos”.

5) QUANDO ELES CRITICAM O CORPORATIVISMO DO ESTADO BRASILEIRO.

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O PCO faz duras críticas à política do BNDES. Para o partido:
“O dinheiro disponibilizado para o BNDES é uma transferência direta de dinheiro público, arrecadado da população por meio de impostos, para os bolsos dos capitalistas que vão lucrar às custas da população trabalhadora.”
Para o partido, o governo do PT é o sonho dos banqueiros que, não por acaso, estão enriquecendo mais com os governos Lula e Dilma que em qualquer outro período republicano.
O PCO também critica o modo como o Partido dos Trabalhadores financia as principais montadoras do país e a JBS-Friboi.

6) QUANDO ELES PEDIRAM AO GOVERNO BRASILEIRO ASILO A EDWARD SNOWDEN.

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No último ano, o PCO lançou uma dura campanha em defesa de Edward Snowden, ex-analista de inteligência da NSA, envolvido numa batalha contra a vigilância internacional desde que revelou detalhes de como o governo americano agia em detrimento da privacidade.
O partido lançou editorial, divulgou petição online para tentar convencer as autoridades, tratou Snowden como herói.

7) TODA VEZ QUE ELES CRITICAM QUANDO O ESTADO TENTA INTERFERIR NA VIDA PRIVADA DOS INDIVÍDUOS.

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Apesar de não enxergar a liberdade econômica como algo que diga respeito exclusivamente à vida privada dos indivíduos, o PCO mantém uma forte posição pela defesa das liberdades individuais. É pela luta contra a interferência estatal na vida privadas dos indivíduos que o partido se mantém contrário à Lei da Palmada.
“O que é preciso entender é que por mais que se condene essas atitudes, elas não justificam a brutal interferência que o Estado pretende realizar na vida privada dos cidadãos. Condenar uma determinada conduta não implica em tornar a sua opinião uma lei. Isso significa também dar ao Estado capitalista, corrupto e opressor o poder de dizer a cada cidadão se ele é ou não um pai ou mãe competente e se esses devem ou não manter a guarda dos seus próprios filhos.
Além da punição, a lei prevê também multa para os médicos, professores e servidores públicos que tiverem conhecimento e não denunciarem casos de agressão, estimulando claramente a delação. Trata-se de todo um arcabouço de um Estado policial.”
E o partido vai além.
“Muitas dessas medidas, como a “lei da palmada”, vêm travestidas para dar a ilusão de que são de esquerda, progressistas. É o caso, por exemplo, das leis do racismo e da homofobia, no que diz respeito a punir pessoas que apenas expressem ideias racistas e que tem servido, no caso da primeira, para censurar livros considerados racistas.
Ou seja, em nome de preceitos morais e de valores em grande medida subjetivos, como são o racismo, a “homofobia”, o combate à corrupção etc., anula-se garantias e direitos da população.
Querem convencer a população que desse modo a democracia estaria avançando. Mas se não há direito de dizer o que bem se entende, se a privacidade dos indivíduos vai ser violada, assim como estão violando os domicílios dos moradores da Rocinha, se a polícia e o Estado poderão ter vigilância e controle estritos sobre a população, bem como um poder enorme de interferir na vida privada de cada um, que direitos democráticos são esses que estão sendo assegurados?”
É com esse mesmo argumento que o PCO se mantem veemente contrário às leis antifumo.
“Desde a década de 1990 vêm se aprofundando as medidas abusivas em torno do problema. O que começou com uma proibição de fumar em determinados locais acabou se estendendo para a absurda proibição de se realizar livre propaganda do produto e chegou ao extremo agora, no estado de São Paulo, de proibir o cidadão de fumar em quase todo e qualquer lugar, proibindo, na prática, que se fume. A lei chegou ao absurdo de permitir demissão por justa causa do funcionário que for pego fumando no estabelecimento, repassando a multa para ele, e de estimular a delação dos locais que permitem o fumo e pessoas que desrespeitarem a lei. Esta proíbe inclusive que se fume em cena, em peças de teatro e novelas e terceiriza a punição, pois um estabelecimento pode ser multado pela ação de uma pessoa que esteja no local.
Diante de tantas calamidades de que é vítima o país, chama a atenção o fato de o governo dispensar tanta atenção ao problema do fumo, realizando uma ampla campanha, contratando centenas de fiscais, estimulando a perseguição aos fumantes e inclusive a delação.”
Sim, todas essas ideias são defendidas pelo Partido da Causa Operária, o partido mais hardcore da esquerda tupiniquim. E você provavelmente não tem vergonha de concordar com a maioria dessas bandeiras.
A menos que você seja eleitor do PSOL, claro.

Fonte: Site Spotinik
http://spotniks.com/as-7-vezes-que-voce-nao-teve-vergonha-de-concordar-com-o-pco/

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