domingo, 19 de julho de 2015

ANTONIO ROSSI: “NUM DISCO VOADOR VISITEI OUTRO PLANETA".

ANTONIO ROSSI

Reside no Estado do Rio de Janeiro.
Em seu livro “Num disco Voador visitei outro Planeta” da Editora Nova Era Ltda. O General Levino Cornélio Wischral fez o Prefácio em São Paulo, 12 de Abril de 1957.
O autor na época dos fatos vivia na pacata cidade de Paraibuna, no Vale do Paraíba.
Rossi, pessoa bastante simples, foi metalúrgico na cidade de São Paulo.
No seu livro narra de forma bastante simples o seu contato ocorrido quando pescava.
Espantoso relato de uma viagem feita a outro Planeta num Disco Voador. Evolução e Progresso de uma humanidade avançada que ultrapassa a tudo quanto se possa conceber. Seres descritos como de diferente compleição física , nus e desprovidos de órgãos sexuais, muito altos pensando cerca de 120 kg, tinham somente dois dedos em cada mão e um nos pés. Desprovidos de cabelos. Seu contato se deu com um ser denominado Dr. Jânsle.


Esta é o relato de uma viagem a outro planeta. Também é uma entrevista história com o último viajante do cosmos da “Era Adamskiana”: Antonio Rossi. Depois de mais de 50 anos daquela aventura, o ancião confirma tudo que disse em seu livro e revela um novo contato com o Dr. Jânsle, um médico de outros mundos.
Por Pablo Villarrubia Mauso
Houve uma época em que algumas pessoas anunciaram ter viajado a bordo de um disco voador a outros planetas. O verdadeiro “boom” ocorreu nos anos 50 do século passado, quando o polonês radicado nos Estados Unidos, George Adamsky, admitiu, publicamente, que fora contatado por seres altos e loiros supostamente do planeta Venus e com eles teria viajado ao espaço exterior, orbitando a Lua e outros astros.
A maioria duvidou das suas palavras e das suas fotos obtidas nas imediações do célebre observatório do Palomar, na Califórnia. Curiosamente, logo depois, começaram a surgir nos EUA e em outros países, pessoas que afirmavam haver realizado aventuras semelhantes. O Brasil não foi alheio a esta situação e apareceram alguns cidadãos, como o professor de direito, o Dr. João Freitas Guimarães - em 16 de junho de 1956 - ou do metalúrgico Antonio Rossi em 1957. A imprensa destacou as peripécias do acadêmico, mas pouco falou sobre o proletário que teve a coragem de publicar em 1959 um livro intitulado “Num disco voador visitei outro planeta”. 
As declarações de Guimarães e as de Rossi mostravam duas opiniões totalmente diferentes: uma que apontava a uma possível farsa ou mesmo loucura; a outra de que estes dois cidadãos não teriam porque arriscar a sua credibilidade na sociedade em que viviam especialmente o professor de direito pela sua condição de homem público.
Se hoje a ufologia é algo que muitos já aceitam naturalmente, não era assim há mais de 50 anos. Coragem ou desvario, a determinação destes e de outros homens de falar aos meios de comunicação de então sobre a possibilidade de vida fora da Terra é, no mínimo, admirável. Nada tinham que ganhar – o livro de Rossi teve escassa repercussão e a maioria dos exemplares foram presenteados aos amigos – e sim muito que perder tanto no seu âmbito social.
Estes “heróis” de época áurea de ufologia foram totalmente esquecidos. Mas um belo dia de dezembro de 2005 quem escreve estas linhas conseguiu localizar, telefonicamente, ao senhor Antonio Rossi. Na verdade já não esperava encontrá-lo com vida, pois haviam passado muitos anos desde sua ousada experiência cósmica. Confesso que não pude reprimir a emoção ao escutar do outro lado da linha (eu estava em Madri, na Espanha) a voz do homem que dizia ter viajado a um estranho planeta habitado por seres altamente inteligentes e desenvolvidos.
Hoje, transcorridos mais de 50 anos desde sua experiência, Antonio Rossi, com quase 89 anos, continua afirmando peremptoriamente e com naturalidade que viveu tudo aquilo que contou no seu raríssimo e esquecido livro. Sem mudar uma vírgula... O subtítulo de sua obra era sugestivo: “espantoso relato de uma viagem feita a outro planeta, num disco voador. Evolução e progresso de uma civilização avançada que ultrapassa a tudo quanto se possa conceber”. Isto era muito mais que um subtítulo, pois destilava um conceito que remontava às antigas viagens medievais, quando tudo era “espantoso e maravilhoso”, ao mesmo tempo em que deixava aberta uma porta para o futuro, para a evolução e modernidade.
O prefácio da obra foi escrito pelo general Levino Cornélio Wischral, importante militar do exército no estado de São Paulo. Ele contava o seguinte: “conhecemos perfeitamente o autor. Metalúrgico, homem simples, trabalhador, prestativo, de caráter virtuoso, exemplificando, tanto no lar como na rua. Por isso mesmo, digno de estudo é o relato de Antônio Rossi, especialmente à luz do Evangelho, que nos diz que “na casa de meu Pai há muitas moradas”... São Paulo, 12 de abril de 1957”.
Mas vamos ver, finalmente, o aconteceu com Antonio Rossi.

No interior do disco voador.

Tudo acontece em uma tarde primaveril de 1954, quando Rossi tinha 35 anos. Juntamente com alguns amigos metalúrgicos, se dirige ao norte do estado de São Paulo, a Paraibuna, às margens do rio homônimo. O jovem estava entretido em uma pescaria quando, ao girar a cabeça, topou-se com duas estranhas criaturas a uns 30 metros de distância. A primeira impressão do pescador foi de pavor. Quando os entes se aproximam mais pode ver que estavam absolutamente nus. Não possuíam órgãos sexuais aparentes, eram altos, com dois metros de altura e tinham somente dois dedos em cada mao e pé, sendo desprovistos de cabelos. O corpo era atlético, não se notavam sinais de ossos.
Rossi acalmou-se quando percebeu que ambas as personagens sorriam. Tinham olhos exageradamente grandes e pupilas amareladas– não tinham sobrancelhas - e de seus rostos emanava um ar de bondade. O nariz era minúsculo e achatado. As orelhas eram pequenas e a cabeça um pouco maior que as nossas, de forma ovalada. “Desejam alguma coisa?”, ousou pronunciar o terráqueo, mas as entidades não lhe responderam. O que estava mais à frente somente levantou o braço e apontou para seus próprios olhos. Entretanto, Rossi percebeu, dentro de sua cabeça, alguns sons, embora os seres não falassem com os seus grossos lábios. “Escutou” algo como que eles vinham em paz e que eram habitantes de outro planeta.
- “Tenha confiança em nós que viemos convidá-lo para visitar nosso mundo. Não estamos exigindo, apenas convidamos. Se aceitar será de sua espontânea vontade; dentro de poucas horas lá chegaremos... Garantimos trazê-lo de volta com a mesma saúde e disposição em que agora se encontra; então poderá relatar aos seus semelhantes tudo o que viu e aprendeu...” – disse um dos seres, conforme se narra no livro.
Depois de muito vacilar, Antônio Rossi acedeu ao convite, confiando na honestidade de seus estranhos interlocutores. Foi quando o conduziram até um verdadeiro disco-voador, de cor cinza pálido de uns 30 metros de diâmetro. Sua altura, na parte central, onde havia uma cúpula, seria de uns 9 metros e pairava no ar, livre de contato com o solo, a meio metro de altura. Rossi entrou por uma porta, subindo por uma escada e no interior do aparelho encontrou outro ser com as mesmas características dos anteriores.
Quando visitei Rossi, em julho de 2007, em sua humilde casa num bairro periférico do Rio de Janeiro, este rememorou aquela aventura impressionante.
- Um dos seres me estendeu a mao com uma espécie de copo, enchendo-o com um líquido grosso como o mel. Disse-me para bebé-lo, pois era imprescindível para estar preparado para a longa viagem. Pensei se era um veneno ou entorpecente para agüentar a travessia espacial. Bebi, pois achei que morto eu não serviria de nada para eles... - me disse Antônio Rossi, um afável ancião cuja face e gestos externos transbordam de serenidade e bondade.
A sala onde se encontravam os três seres tinha oito metros de diâmetro, era completamente redonda, de paredes lisas, com teto curvo em formato de cúpula, e bem iluminado. Apesar da claridade, Rossi não pode localizar a origem da luz, “intensiva e difusa em todos os ângulos”, perfeitamente homogênea. Por todos os lados não se projetava uma única sombra, dando a impressão que a luz provinha de todas as paredes do disco voador.
É interessante perceber que em outros casos ou de convites para viajar em naves espaciais - supostamente extraterrestres – se dão estas duas condições: a do passageiro beber um líquido para prepará-lo para a travessia e a existência de uma iluminação homogênea e que parece proceder de todos os lados... simples coincidências?
Voltemos à descrição do interior da nave. No centro havia uma mesa circular de dois metros de diâmetro e umas doze banquetas fixas ao solo, de 60 centímetros de altura. Tinham um único pé e se espalhavam simetricamente por toda a volta da sala, exceto do lado de um misterioso painel. Este possuía três metros de comprimento e 1,80 metros de altura e uma série de “estrias, alavancas e botões, tendo no centro uma tela ovalada de uns 70 centímetros de ponta a ponta”. Seguindo a descrição, os botões eram como sintonizadores, uns opacos e outros mais luminosos. Por mais que olhasse, o viajante terrestre não encontrou fios, ligações, ponteiros, tomadas ou relógios de registro como os utilizados nos nossos aviões.
- Parecia que tudo estava fabricado em um único bloco de um mesmo material. As alavancas pareciam correr em estrias ou caneletas e havia outros dispositivos desconhecidos, tendo, por baixo, assinalação de pequenos traços – recorda Rossi apertando seus pequenos olhos, como se estivesse tentando ver novamente o interior da nave.
Rodeando a sala havia uma série de pequenas janelas, entremeadas de linhas divisórias. Eram ovaladas, com cerca de 25 centímetros, dispostas a uma altura de 1,80 metros. Em vão Rossi tentou descobrir alguma porta, mas uma abriu-se no sentido de “correr” mas as suas reentrâncias haviam desaparecido ao fechar-se.Tudo que Rossi podia ver possuía formas arredondas, não havia absolutamente nada quadrado ou com ângulos retos.
Em determinado momento, os seres chamam ao passageiro para olhar para a tela do painel. Aparece então uma bola esverdeada no centro da imagem que foi aproximando-se, pouco a pouco, onde se observavam rios, montanhas, lagos e logo o que parecia ser a cidade de São Paulo com os seus edifícios e o aeroporto de Congonhas com espantosa nitidez e proximidade.
Enquanto discorria a viagem pelo espaço, os seres “conversavam” mentalmente com Antônio Rossi. Diziam que costumavam praticar esportes no seu planeta, com uma vida ao ar livre e salutar alimentação.  De fato, os seres são vegetarianos e abominam a carne de animais e tem horror aos insetos.

Chegando ao planeta

Quando a nave se aproximou do planeta dos seres, Rossi vislumbrou uma cidade em forma oval que parecia ser feita toda de vidro. A nave pousou suavemente e lá fora havia uma comitiva para receber ao terrestre. Este, vestido de calças de pescaria, camisa rasgada, mangas arregaçadas e um velho sapato de borracha, com um facão à cinta, se sentia incômodo com um vestuário tão andrajoso. Homens, mulheres e crianças davam as boas vindas ao visitante, acenando e sorrindo. Alguns se aproximavam e o abraçavam.
- Naquele momento percebi uma ausência total de ruídos, parecendo estar tudo envolto por uma sutil e misteriosa música. Também observei que as ruas tinham formato de tubos de um material parecido ao vidro, talvez com 180 metros de largura e as calçadas com uns 40 metros de largura. As casas eram invariavelmente redondas, transparentes, eqüidistantes, com jardins floridos, mas sem janelas – recorda Rossi.
Nesse momento o terrestre percebeu a diferença entre homens e mulheres pelo comportamento de maior delicadeza do sexo feminino, embora não possuíssem seios aparentes e outros sinais sexuais externos. Tampouco viu pessoas obesas. Observou numerosos veículos transitando nas ruas ou avenidas. Mais tarde seus anfitriões lhe contaram que os “volitores coletivos” circulavam a 1.500 kms por hora. Assemelham-se a um cilindro vertical de cinco metros de altura encimado por uma cúpula com dez metros de diâmetro. São semitransparentes e no seu bojo existem numerosas banquetas redondas que se localizam na periferia interna. No centro há uma mesa redonda, e não precisam condutores: cada qual marca o seu destino nos botões de painéis.
No centro das avenidas existem plataformas onde pousam os discos voadores. Para atravessar as largas avenidas, os habitantes se servem de pequenos veículos transparentes, de uns 4 metros de diâmetro. No planeta não existem veículos particulares, somente coletivos. Na verdade, o visitante saberia, mais tarde, que a população daquele mundo extraterreno vivia uma espécie de socialismo avançado que “facilitava a recuperação moral e física dos menos favorecidos pela sorte”. De fato, aquela civilização não usa dinheiro e quase todos os serviços são coletivos, gratuitos. Não tem guerras nem disputas extremas entre eles.
Um dos seres se apresentou a Rossi como sendo o doutor Jânsle, um médico que trataria de ciceronear ao novo amigo terrestre. Entre muitas coisas que comentou, Jânsle destacou que o seu povo se reproduzia de uma forma peculiar: através do “ósculo germinativo”, isso é, a partir de uma espécie de prolongado beijo... Ao não possuírem órgãos sexuais, a mulher é dotada de uma bolsa para a gestação, bem como uma pequena incisão para permitir o nascimento do filho. Outra das características peculiares daqueles entes e que não possuem pulmões: respiram pela pele.
- Além dos esportes, uma das atividades mais apreciadas pelos habitantes daquele planeta é o cultivo de flores, que soem viver entre 180 e 220 anos. São de uma inigualável beleza – relata Rossi.
Nos parques, que visitaria mais tarde, as árvores possuíam folhas de tom amarelo-avermelhadas, como se estivessem quase secas. Eram profusamente floridas, com flores do tamanho de um prato.
Outro dos aspectos curiosos das urbes é que são iluminadas pela noite com projetores denominados “futuores”. Lançam para o alto fortes jatos de gases que se inflamam produzindo luz fria e estabelecendo uma grande abóbada a uns 100 metros de altura. A claridade penetra nas residências transparentes.
Em relação à alimentação, os seres do planeta de Jânsle (cujo nome não quis revelar) se valem de “sucos vitamínicos” produzidos por frutos das árvores.  Não dispõem de dentes e saboreiam os alimentos na boca durante alguns minutos. Tampouco possuem um sistema de excreção, tanto de líquidos como de sólidos.
Jânsle levou ao visitante a um hospital. Lá se admirou com uma cirurgia, “totalmente limpa”.
- As partes desagregadas de um ferimento, como o sangue e tecidos danificados, eram extraídos por sucção por um aparelho. Com outro instrumento, com o bico, ejetava um líquido incolor que cobria a ferida, completando a desinfecção. Com um terceiro instrumento projetou outro líquido transparente, pegajoso, que se acumulava nas cavidades da ferida, uma espécie de plasma que cicatrizava a ferida – relembrava Rossi.

Religião e esporte no planeta de Jânsle

Como não podia deixar de ser, o médico Jânsle falou sobre religião para o seu anfitrião terrestre. Falava na “grandeza e poder infinitos de Deus” ao qual se aproximavam com um maior conhecimento do Universo. As suas “igrejas” ou “campo de culto” eram formados por quarenta grandes abrigos arredondados, sem paredes laterais, cujos telhados, em forma de cúpula, eram sustentados por colunas dispostas em simetria.
Estes abrigos comportavam centenas de banquetas dispostas em filas como nas nossas igrejas. Em um plano mais elevado, salientavam-se oito banquetas maiores dispostas em linha reta onde se acomodavam os sacerdotes. No centro, em uma mesa redonda, via-se uma espécie de aparelho de televisão (“fone-visao”) onde se projetavam imagens de ensinamentos religiosos, como o do “amai-vos uns aos outros”, por exemplo.
Consideram que a “vida é uma só e eterna”, e fazem “estágios” atravessando as “fases da vida pelos diversos planetas, quase sempre repetindo a lição três, quatro, oito e até dez vezes, vivendo no mesmo orbe”, segundo as palavras de Jânsle. Seria algo semelhante às “viagens astrais”?
O médico também explicou que os “volitores” espaciais podem alcançar velocidades entre 2.600 e 85.000 kilômetros por hora. Em ocasiões excepcionais, alcançariam 300.000 km por hora.
As atividades de lazer não escapam aos habitantes daquele mundo. Rossi foi levado a uma espécie de estádio onde se desenvolvia um jogo curioso. Sobre o campo viam-se no chão círculos eqüidistantes a 90 centímetros, distribuídos sobre toda a superfície. Cada “time” possuía 23 jogadores, sendo 12 atacantes e 11 defensores. O jogo consiste na movimentação rápida e constante dos jogadores sobre os círculos por todo o campo, cabendo aos defensores impedir os atacantes, que surgem pulando de círculo em círculo, de atingir sua meta, localizada na meia-lua final de cada extremo do campo. O atacante deve sempre pisar dentro dos círculos e, se pisar a borda, é penalizado.
Embora não usem armas, aquele povo dispõe de uma espécie de “raio laser”, chamados raios guítricos. Seriam como raios luminosos, potentíssimos, de baixa e alta freqüência, com alto poder destruidor. Seria capaz de desintegrar a Terra em 20 minutos. Porém os habitantes do planeta de Jânsle, graças ao seu comportamente pacifista, jamais utilizavam estas armas com fins destrutivos.
O doutor Jânsle também mostrou ao seu convidado uma sala com 12 capacetes que funcionavam como “projetores mentais”.  Uma luz atingiu o rosto de Rossi com o capacete posto na cabeça e, nesse momento, lhe foi sugerido criar um “desenho mental”. O terrestre pensou no morro do Corcovado, do Rio de Janeiro e, abrindo os olhos, viu, na tela posta diante de uma mesa, o contorno do Corcovado com o Cristo Redentor no alto, tal como havia mentalizado...

O regresso

Chegou o momento de voltar à Terra. Tal como na ida, Rossi tomou o mesmo líquido viscoso para a sua preparação. Jânsle aconselhou ao terrestre escrever um folheto relatando a sua aventura naquele planeta situado em algum lugar do Universo. Prometeu voltar futuramente para propiciar-lhe outra viagem para visitar outros três planetas. Um deles tem 96 por cento da superfície coberta de água, onde os habitantes lutam contra a escassez de alimentos. Estes são exímios nadadores e mergulhadores, mas se enfrentam terríveis e devoradores monstros marítimos, semelhantes aos extintos brontossauros e dimetrodons.
Em outro planeta que Rossi deveria visitar – a promessa não se cumpriu até hoje – os seus habitantes são “semimateriais”. Vivem cerca de 3.600 anos e dispensam alimentos sólidos ou líquidos, mas absorvem nutrientes de atmosfera através da respiração. Sua atividade é basicamente mental.
A nave espacial ou “volitor” voltou ao mesmo lugar do rio onde haviam recolhido Antônio Rossi. Na verdade o terrestre se despediu de seus cicerones com lágrimas nos olhos. Consultou o relógio que marcava, precisamente, 17:06 horas do dia anterior e estava parado. Pela altura do sol, deveriam ser umas dez horas da manha. Calculou que a sua viagem de ida demorou umas 4 horas, outras tantas para voltar e que ficaram outras quatro no planeta. O atordoado metalúrgico caminhou um pouco até encontrar os companheiros de pescaria que, preocupados, perguntaram onde ele havia passado a noite, pois não o haviam encontrado.
Rossi calou-se, pois fez uma promessa a Jânsle de guardar segredo sobre sua aventura durante os oito dias posteriores à viagem. Disfarçadamente disse que passou toda a noite pescando em outra parte do rio. Passados esses dias, o metalúrgico decidiu reunir os seus amigos de trabalho à hora do café para contar-lhes o sucedido.
- Me disseram que eu havia sonhado; outros que só se alimentar de líquidos não servia...ou seja, ninguém acreditava na minha história – me dizia Rossi encolhendo os ombros.
Durante quase dois dias em que estive junto com Antonio Rossi e sua esposa, confirmei que era um homem de vida normal, e me surpreendeu sua vivacidade e prodigiosa memória a pesar da idade. Dizia-me que, em parte, isso se devia aos alimentos líquidos que havia ingerido no longínquo planeta, que lhe deram um alento tão grande que até hoje se sente robustecido.


Profecias do doutor Jânsle

Jânsle também adiantou alguma “profecia” a Antônio Rossi, como que no ano 2030 haverá uma “verdadeira metamorfose moral e física, ao lado de uma mudança radical em todos os setores da vida humana”.
O médico extraterrestre assegurou que o país onde um simples rebitador for um engenheiro, o plantador de hortaliças um médico, ou o consertado de rádios, um professor, são os que ditarão a paz do mundo. “A evolução se obtém pela prática de boas ações, pela tolerância e bondade mental; em suma pelo nosso amor ao semelhante, qualidade que somos obrigados a usar, senão pelo livre arbítrio”, teria dito Jânsle a Rossi.
O nascimento de uma nova raça terrestre, pela fusão das existentes, era outro dos pontos analisados pelo médico cósmico. No futuro, a nova raça deverá consumir somente sete por cento da atual quantidade de alimentos que consome. Se hoje ingere um kilo por dia, por exemplo, passará a se satisfazer com somente 70 gramas diárias. As atuais zonas geladas do planeta Terra se converterão em terras férteis e os recursos naturais poderão, racionalmente, cobrir as necessidades de 16 bilhões de seres humanos que poderiam viver uns 40 anos mais que a média atual.
O médico alienígena alertava para a proteção da fauna e da flora terrestre – já nos anos 50 – e que deveríamos evitar a devastação das selvas. Também deveríamos abolir a carne na nossa alimentação.
Uma das coisas mais interessantes reveladas ao terráqueo é que o câncer seria provocado por vírus e que as pesquisas médicas deveriam dirigir-se nesse sentido.


BOX: A volta do doutor Jânsle e o livro inédito de Rossi.

Quatro ou cinco anos depois da viagem de Antônio Rossi a outro mundo, quando ele já residia no Rio de Janeiro, se encontrava com um vizinho na praia de Sepetiba quando viram um Ovni aproximar-se. Pensando tratar-se de seus amigos extraterrestres, correu ao seu encontro, mas, decepcionado, viu o objeto levantar vôo e afastar-se, desaparecendo...
Não seria até 1987 quando receberia nova visita. Eram duas horas da madrugada de um dia de janeiro daquele ano quando Rossi acordou...
- O meu cérebro recebeu como que um clarão, como os clarões que recebo quando o doutor Jânsle me orienta. Minha cabeça parece que fica maior, como quando recebemos uma injeção de anestesia para extrair um dente, mas tudo é claro e fácil de assimilar – diz o ancião.
Então começaram a formar-se imagens em sua mente de uma pedreira, de algumas construções e, ao lado esquerdo, de um caudaloso rio. Aos poucos estas imagens foram se aclarando até tomar forma mais nítida. Repentinamente Rossi reconheceu o lugar, pois costumava passar por ele uma vez por semana para fazer entregas de água mineral para várias empresas. Tratava-se de um montículo de colunas de pedra e concreto, jogados à beira da estrada, entre duas fábricas.
Depois de identificar o lugar, apareceu na mente de Rossi a imagem do doutor Jânsle, sorrindo.
- De um salto pus-me de pé, coloquei qualquer calça e camisa que vieram à mao, calcei um par de, isto tudo rapidamente, joguei água no rosto, alisei os cabelos, apanhei meu carro, um velho fusquinha 65, e sai com a alma e a mente voando pelo espaço... pensei que ia ver o doutor Jânsle e viajar novamente com ele pelo espaço – diz recuperando a emoção daquele momento.
Quando entrou no Rio-Santos, o fusquinha ia a 100 por hora e o coração de Rossi a “mil por minuto”. Na zona industrial de Santa Cruz (periferia do Rio de Janeiro) passou diante de várias fábricas e parou perto dos escombros vistos mentalmente. Foi então que viu o doutor Jânsle de pé, em cima de uma pequena pedra. Aproximou-se sem cerimônia, apertou suas mãos e se abraçaram emotivamente.
- Desculpando-se por ter me tirado da cama, disse-me: “estávamos passado por aqui perto e, graças a esta lua clara, podemos conversar por duas horas, em prosseguimento do nosso primeiro encontro”. Então perguntei por seus familiares, sobre o disco voador e seus tripulantes. Em resposta, disse-me que o disco estava lá perto e dentro de duas horas vinham buscá-lo – relatou o exmetalúrgico.
Após o tempo previsto de conversação, o médico cósmico despediu-se de Rossi e este perguntou quando se veriam novamente. A resposta foi: “isto vai acontecer centenas e centenas de vezes, sempre que quisermos. Será quando estivermos despojados da matéria, a nível de evolução”.
A partir daquela nova conversa, Antonio Rossi escreveu um novo livro, ainda não publicado (atenção editoras!) intitulado“A mulher: ensinamento de um doutor de outro planeta”,onde trata de assuntos tão variados como a importância das mulheres em nossa sociedade, os governos e os exércitos, a educação da criança, e a possibilidade de “reformar o homem e obter um ser superior”.

Pablo Villarrubia Mauso, é autor do livro “Mistérios do Brasil” 


Fonte: Blog Resposta da Luz
http://respostadaluz.blogspot.com.br/2011/04/antonio-rossi-num-disco-voador-visitei.html

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Entre as correntes religiosas, o espiritismo é das mais numerosas

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Por ser a religião mais atacada, tem-se a falsa impressão de que o espiritismo é uma das menores correntes religiosas. Suas verdades básicas são bíblicas e universais: a reencarnação, a mediunidade e o contato com os espíritos.

Proporcionalmente, ele é a religião da elite cultural, filosófica e científica do Brasil, com cerca de 300 editoras. E hoje, exceto nas cidades pequenas, é difícil encontrar-se um católico que não crê no espiritismo e não frequente um centro espírita. Segundo o IBGE, as religiões com mais adeptos no Brasil são: a primeira é a Igreja; a segunda é a Assembleia de Deus; e a terceira é o espiritismo. No mundo, em sua maioria, as pessoas aceitam também os principais postulados espíritas. Por exemplo, com relação à reencarnação: Estônia (92%); Letônia (84%); Albânia (78%); Kosovo (83%); e Bulgária (94%). Para saber mais, recomendo “O Espiritismo na Atualidade”, de Ademir Luiz Xavier Júnior, doutor em física pela Unicamp, pós-doutor em laboratório pela Universidade de Freiburg, Alemanha, e pesquisador sênior do Centro de Pesquisas Avançadas Werner Von Braun; Jáder dos Reis Sampaio, catedrático de psicologia da UFMG; Alexandre Fontes da Fonseca, mestre e doutor em física pela USP e Unicamp, pós-doutor pela University of Texas, em Dallas (EUA), e professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho; Anna Lívia Gomes, graduada pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro; Jeferson Batarello, mestre em ciências da religião pela PUC-SP; e Marco Antônio Figueiredo Milani Filho, economista, mestre e doutor em controladoria e contabilidade pela USP, pós-doutor pela Escola de Administração de Políticas da Carleton University, Canadá, e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Ed. Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo, São Paulo (SP); www.ccdpe@org.br; (11) 5072-2211.

Faz uns 30 anos que a Igreja parou de atacar o espiritismo. Mas os nossos irmãos evangélicos, não os protestantes, são os que ainda mais atacam a doutrina codificada por Kardec, “o bom senso encarnado”, segundo o filósofo e acadêmico francês Leon Dénis.

Mas o espiritismo é mais ciência e filosofia do que religião, pois é uma religião somente no sentido de adotar uma moral, que é “ipsis litteris” a mesma dos quatro evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, e que formam “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Kardec. E o espiritismo leva muito a sério essa sua moral cristã. Daí que ele é chamado também de cristianismo redivivo.
E assim é que o espiritismo se torna, cada vez mais, uma das mais numerosas correntes religiosas cristãs. É o Ocidente se unindo com o Oriente, formando um só rebanho e um só Pastor!

- Em 12.10.2013, o 5º Encontro Paulista de Monitores do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (Esde), da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE-SP), com o apoio da USE Municipal de Osasco. www.usesp.org.br; (11) 2950-6554.

- Na TV Mundo Maior, canal aberto e a cabo em algumas regiões, por parabólica digital e www.tvmundomaior.com.br, o “Presença Espírita na Bíblia”, com Celina Sobral e este colunista, às 20h das quintas-feiras, e às 23h dos domingos. Perguntas e sugestões: presenca@tvmundomaior.com.br.

- E, na Rede TV, o “Transição”, aos domingos, às 16h15.

- Com tradução deste colunista, está sendo lançado “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Kardec, pela Ed. Chico Xavier. www.editorachicoxavier.com.br; (31) 3636-7147 / 0800-283-7147.


Fonte: Site O Tempo
http://www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/jos%C3%A9-reis-chaves/entre-as-correntes-religiosas-o-espiritismo-%C3%A9-das-mais-numerosas-1.721179

O católico deve ser distributivista?

bellocgkA leitura das encíclicas papais sobre justiça social econômica revela que isso é verdade. Os católicos devem ser distributivistas.
Acredito que agora estamos entrando em um momento de completo colapso econômico e social, o que naturalmente levará ao colapso político também, não apenas para os Estados Unidos, mas para as nações ao redor do mundo. As tendências atuais que agora estão sendo relatados na China indicam uma enorme bolha econômica está prestes a aparecer no mercado imobiliário chinês. Isso provavelmente vai resultar na implosão e colapso completa da economia chinesa, seguida pelas economias ao redor do mundo e, talvez, dar o golpe final necessário para implodir as economias europeias e americanas também. É isso aí! Tanto o capitalismo liberal como o socialismo de Estado falharam. Os modelos econômicos pós-iluministas deixaram o mundo inteiro em ruína financeira!
Em uma tentativa desesperada de recuperar o controle após o colapso inevitável que logo virá, podemos olhar para a frente pelo surgimento de estados policiais big-brother no mundo ocidental, empregando estratégias de aplicação da lei semelhantes às usadas ​​na China comunista e na velho União Soviética. Mesmo os Estados Unidos abriram o caminho para isso por meio de recente legislação aprovada pelo Senado, e em seu caminho para ser assinado pelo presidente Obama. Os governos do Ocidente estão se preparando para breve Armagedon econômico! No meio desta convulsão social e do Estado-policial a seguir, não sei se este site será capaz de se manter na Internet. Podemos orar, e eu certamente vou tentar mantê-lo on-line por tanto tempo quanto possível. No entanto, quando se vive sob um governo que teme ideias que contradizem o status quo, e tem agora os meios legais para silenciar essas ideias, eu não acho que será improvável que o TioSAM (ou qualquer sistema autoritário socialista) talvez encerre este empreendimento em um futuro não muito distante. Se isso acontecer, quero que os meus leitores comecem a pensar sobre o futuro. Quando isso finalmente acontecer, vamos ter que reconstruir, e eu quero que você tenha essa ideia com você. Após a implosão dos modelos econômicos que nos foram dados pelo Iluminismo (capitalismo e socialismo), vamos todos voltar para os ensinamentos da Igreja sobre a economia, porque o que é a economia, afinal de contas, senão a moralidade como outro nome?
(Wikipedia) – Distributismo (também conhecido como distribucionismo, distributivismo) é uma filosofia econômica de terceira via formulada por pensadores católicos como G. K. Chesterton e Hilaire Belloc para aplicar os princípios da doutrina social católica articulada pela Igreja Católica, especialmente pela encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII e mais expansivamente explicado pela encíclica Quadragesimo Anno de Pio XI.
De acordo com distributismo, a propriedade dos meios de produção deve ser espalhada o mais amplamente possível entre a população em geral, ao invés de ser centralizada sob o controle do Estado (socialismo de Estado) ou a algumas grandes empresas ou ricos particulares (capitalismo liberal). Um resumo do distributismo é encontrado na declaração de Chesterton: “muito capitalismo não significa que muitos capitalistas, mas muito poucos capitalistas.”
Essencialmente, o distributismo distingue-se pela sua distribuição de bens (não deve ser confundido com a redistribuição da riqueza). Enquanto o socialismo não permite que os indivíduos possuam a propriedade produtiva (tudo estar sob o estado, comunidade ou controle dos trabalhadores), o própria distributismo pretende garantir que a maioria das pessoas vai se tornar donas de propriedade produtiva. Como Belloc declarou, o estado de distribuição (o estado que aplicou o distributismo) contém “uma aglomeração de famílias de diferentes graus de riqueza, mas de longe o maior número de proprietários dos meios de produção.” Esta distribuição mais ampla não se estende a toda a propriedade, mas apenas para a propriedade produtiva, isto é, que a propriedade que produz riqueza, ou seja, as coisas necessárias para o homem, para sobreviver. Isto inclui terra, ferramentas, etc
O distributismo tem sido frequentemente descrito como uma “terceira via”, em oposição tanto para o socialismo eo capitalismo. Thomas Storck afirma que “tanto o socialismo e o capitalismo são produtos do Iluminismo europeu e, portanto, são forças modernas e anti-tradicionais. Em contraste, o distributismo procura subordinar a atividade econômica para a vida humana como um todo, a nossa vida espiritual, nossa vida intelectual, nossa vida familiar”.
Alguns já viram isso mais como uma aspiração, que foi realizada com sucesso no curto prazo, compromisso com os princípios de subsidiariedade e solidariedade (estes sendo construídos em cooperativas locais independentes financeiramente e em pequenas empresas familiares), embora os defensores também citem esses períodos como o Idade Média como exemplos da viabilidade histórica de longo prazo do distributismo ….
Site Logos Apologética
http://logosapologetica.com/catolico-distributivista/

Angela Merkel e o carinho dos alemães

Por André,

Texto de Marcus Vinícius Motta.


Outro dia eu li uma excelente reportagem da New Yorker sobre a chanceler alemã Angela Merkel, onde o jornalista buscava entender as razões para o seu sucesso - chega a ser chamada de "mutti" (mãe) pelos alemães - num país que tomou aversão por cultos à personalidade.

E desde a sua juventude até o atual período como comandante da nação, uma característica é sempre presente: a monotonia. Sim, Angela Merkel é uma mulher comum, uma pessoa "sem graça", no entanto é justamente isso que faz seu sucesso, porque as pessoas podem saber o que esperar dela e a enxergam como uma delas.

Em 1991 o fotógrafo Herlinde Koelbl começou uma série de fotografias chamada "Traços do Poder" onde retratava políticos alemães e observava como mudavam ao longo de uma década. O fotógrafo conta que homens como o ex-chanceler Gerhard Schröder ou o ex-ministro das relações exteriores Joschka Fischer pareciam cada vez mais tomados pela vaidade, enquanto Merkel, com seus modos desajeitados, não passava nenhuma idéia de vaidade, mas de um poder crescente que vinha de dentro.

A vaidade é subjetiva enquanto a ausência desta é objetiva, daí que Merkel é tão eficiente enquanto outros políticos parecem se perder nas liturgias e rapapés do poder.

Essa normalidade é vista em vários outros países - ainda que exista a vaidade, que é de cada pessoa - como no caso de deputados suecos que moram numa espécie de república tal qual a de estudantes e lavam e passam a própria roupa.

Certa vez vi uma reportagem de um jornal britânico analisando uma foto do primeiro-ministro David Cameron lavando a louça na cozinha. A reportagem não se espantava com o fato do primeiro-ministro lavar a própria louça, já que Tony Blair fazia o mesmo e Margaret Thatcher cozinhava para o marido, mas observava uma tábua de cortar carne com a expressão "calma, querida" num canto.

A própria Angela Merkel mora no mesmo apartamento de sempre com o marido e a única mudança que houve em relação ao seu tempo fora do poder é a presença de um guarda na porta do prédio. Eles compram entradas para assistir ópera com o próprio cartão de crédito e entram no teatro junto com todos, sem nenhum esquema especial.

Daí partimos para o Brasil, onde um simples governador de estado possui jatinhos, helicópteros, ajudantes de ordem e comitivas com batedores de moto que param o trânsito para que ele passe. Pessoas que vivem em palácios, como se ainda fosse alguma corte real. Empregadas, arrumadeiras, garçons, equipes de cozinheiros, serviço de quarto, motoristas, inúmeros seguranças, esquemas especiais para entrar ou sair de algum lugar.

Essa é a diferença: a normalidade do poder, a noção de que um servidor público é apenas um servidor público, seja um escriturário ou o presidente/primeiro-ministro da nação. Eles continuam sendo homens e mulheres, maridos e esposas, pagadores de impostos, trabalhadores e cidadãos.




Fonte: Blog O Bico do Tentilhão
http://www.andreassibarreto.org/2015/07/por-andre-texto-de-marcus-vinicius-motta.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:%20OBicoDoTentilho%20(O%20bico%20do%20tentilh%C3%A3o)

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Homem acorda depois de passar 12 anos em ‘estado vegetativo’. E revela: ‘eu tinha consciência de tudo’


Martin Pistorius odeia Barney. Não é de admirar. Por 12 anos, enquanto ele estava num coma que os médicos descreveram como “estado vegetativo”, enfermeiras tocavam incessantes reprises de Barney – pensando que ele não podia ver ou escutar nada – enquanto ele permanecia sentado e amarrado à sua cadeira de rodas.

Mas Martin não era o “vegetal” que os médicos diziam que ele era. Na verdade, ele podia ver e escutar tudo.
“Eu sequer posso dizer a você o quanto odiava Barney”, ele disse recentemente ao NPR.

Na década de 1980, Martin era um típico jovem ativo sul-africano. Porém, quando tinha 12 anos, foi acometido por uma doença que deixou os médicos desconcertados, e que eventualmente resultou na perda da capacidade de movimentar os membros, de fazer contato visual e, finalmente, de falar.
Seus pais, Rodney e Joan Pistorius, foram informados de que ele era um “vegetal” e que o melhor que eles poderiam fazer seria levá-lo para casa e mantê-lo confortável até que ele morresse.
Mas o jovem continuou a viver, apesar do diagnóstico.

“Martin simplesmente persistia, persistia”, disse a mãe dele.

Agora, em uma nova autobiografia, “Ghost Boy: My Escape From a Life Locked Inside My Own Body” [Garoto Fantasma: Minha Fuga de uma Vida Presa Dentro do Meu Próprio Corpo], Martin revelou que, embora no início ele tivesse permanecido inconsciente tal como os médicos pensavam, depois de mais ou menos dois anos ele começou a acordar, tornando-se eventualmente consciente de tudo o que estava ao redor dele.

O pai de Martin, Rodney, cuidou do filho ao longo da provação, e relembra a rotina diária de acordar às cinco da manhã para preparar Martin para um dia num centro de tratamentos especiais.

“Oito horas depois eu o buscava, dava banho nele, alimentava-o, colocava-o na cama, programava o despertador para duas horas depois, para acordá-lo e não deixar que ele ficasse com assaduras”, disse Rodney à reportagem do NPR.

Porém, Martin se lembra de que em determinado momento sua mãe perdeu a esperança, e enquanto olhava para ele, pensando que ele não podia escutá-la, disse: “espero que você morra”.
Mas ele a escutou.

“Sim, eu estava lá, não desde o início, mas por volta de dois anos depois em que entrar no estado vegetativo, comecei a acordar”, disse Martin.

“Eu tinha consciência de tudo, assim como qualquer pessoa normal. Todos estavam tão acostumados à minha ausência, que não perceberam quando comecei a estar novamente presente. Fui atingido pela dura realidade de que eu passaria o resto da minha vida daquele jeito: completamente sozinho.”
Com seu cérebro ativo, mas com o corpo sem reação, Martin pensou inicialmente que estava preso e que assim permaneceria.

“Ninguém jamais me tratará com ternura. Ninguém jamais me amará”, ele pensou. “Você está condenado.”

Martin e sua esposa Janna
“Na verdade, não pensava sobre nada”, lembrou Martin. “Você simplesmente existe. É um lugar muito escuro para estar porque, em certo sentido, você se permite desaparecer. Minha mente estava presa num corpo inútil, meus braços e pernas não estavam sob o meu controle e minha voz estava muda. Eu não podia fazer um sinal ou emitir sons para alertar as pessoas que deu estava consciente outra vez. Eu era invisível – o garoto fantasma.”
Mas, mais uma vez, Martin não desistiu e disse que eventualmente reconciliou-se com as palavras de sua mãe.

“O resto do mundo pareceu tão distante quando ela disse aquelas palavras”, ele recordou, mas então percebeu que “com o passar do tempo, aprendi gradualmente a compreender o desespero da minha mãe. Todas as vezes que ela olhava para mim, podia ver apenas uma paródia cruel da criança que tanto amara e que fora saudável.”

Eventualmente, o corpo de Martin começou a responder a sua mente e inexplicavelmente começou a se recuperar. Ele aprendeu a se comunicar usando um computador e começou a expandir seu mundo além dos limites que o haviam obstruído.

Em 2008, ele encontrou o amor de sua vida, Joanna, e emigrou para o Reino Unido. Em 2010, ele começou seu próprio negócio.
Hoje ele tem 39 anos, está casado com Joanna e vive uma vida plenamente funcional e normal em Harlow, Inglaterra.

A história de Martin não é tão incomum quanto parece. Nos últimos anos, têm ocorrido muitos casos de pessoas diagnosticadas com “morte cerebral” ou que supostamente estavam em “estado vegetativo” e que mais tarde se recuperaram e revelaram que estavam plenamente conscientes do que acontecia ao seu redor.

Num caso particularmente “chilling”, um jovem chamado Zach Dunlap, revelou que estava plenamente consciente enquanto os médicos e seus familiares discutiam como doariam os órgãos dele. Apenas alguns momentos antes de ele ser levado à sala de operação para que seus órgãos fossem removidos, um membro da família colocou uma unha sob a unha do seu dedão do pé, causando uma reação inesperada. A cirurgia foi cancelada, e Zach se recuperou.
Casos como esses estão alimentando um debate crescente sobre a precisão dos diagnósticos de “estado vegetativo” e “morte cerebral”.



Fonte: Notifam/

Blog do Gari Martins da Cachoeira
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terça-feira, 14 de julho de 2015

A Guerra do Paraguai e a predileção automática pelo “mais fraco”

Por Lucas Berlanza
Solano López e D. Pedro II
Solano López e D. Pedro II
Em sua visita ao Paraguai, o papa Francisco se compadeceu da dor dos paraguaios no século XIX, na chamada Guerra do Paraguai. Na opinião do papa, a guerra foi “injusta”. Na mesma semana, um documentário a respeito do conflito – a maior conflagração internacional da história da América do Sul, tão significativa quanto pouco comentada no Brasil – foi exibido pelo canal fechado History Channel. Tudo isso parece vir no bojo das recordações dos 150 anos daquela luta cruenta, que começou em dezembro de 1864 e terminou em março de 1870.

O documentário foi até muito interessante e bem feito, dando a palavra a intérpretes com pontos de vista bem diferentes sobre o conflito. Estavam lá desde o historiador Julio José Chiavenato, autor de Guerra do Paraguai: Genocídio Americano, com sua visão francamente “pró-paraguaia”, até o nosso conhecido Leandro Narloch, de idéias liberais e colunista de Veja, autor de Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. A turma que externou posicionamentos reducionistas, aceitando a visão de que Solano López teria sido um líder patriota e popular com a intenção de desenvolver seu país, esmagado pela tirania imperialista e prepotente do Brasil (ou até da Inglaterra), naturalmente despreza os argumentos que Narloch expressa em sua divertida e instrutiva obra, e que achamos por bem destacar aqui, acompanhados de nossas próprias reflexões.

Em primeiro lugar, cumpre acompanhar os fatos: como mostra o próprio documentário, os paraguaios atacaram primeiro. Solano López, presidente-ditador do país, confiscou, como conta Narloch, o Marquês de Olinda, um navio brasileiro que transportava um governador ao Mato Grosso, em novembro de 1864. Em seguida, perto do Natal, “7.700 soldados paraguaios, mil deles a cavalo, invadiram o pantanal brasileiro. Ganharam fácil os primeiros ataques, já que surpreenderam um exército desprotegido.” O ataque foi violento, e, mais do que o próprio livro de Narloch, o documentário registra os abusos e agressões cometidos contra a população civil brasileira. O Brasil não tinha intenção alguma de provocar uma guerra contra o Paraguai, diz Narloch – e quase todos os interlocutores do documentário, mesmo com suas posições diversas, concordam quanto a isso. “O inimigo tinha um exército com 77 mil homens, contra 18 mil militares brasileiros. O Brasil estava tão desprotegido que demorou cinco meses para iniciar uma reação.” Com muita dificuldade, o Império Brasileiro reuniu um exército, iniciou a campanha dos Voluntários da Pátria e foi encarar o vizinho invocado. Essa situação deixa um tanto claro o equívoco das versões clássicas que justificam o estouro da guerra recorrendo a uma situação anterior de envolvimento do Brasil com um conflito interno do Uruguai, alegando fazer sentido que o Paraguai receasse ser uma “nova vítima” do “imperialismo brasileiro”.

Aqui temos uma constante no pensamento de matriz esquerdista que, dialogando com os complexos de “vira-lata”, como os definiu Nelson Rodrigues, tão costumeiros no pensamento dos brasileiros, se aplica perfeitamente à questão. A aversão das esquerdas ao que elas chamam de “imperialismo” das potências – modernamente, em especial os Estados Unidos – como sendo a causa do entrave do desenvolvimento das nações “mais fracas”, cuja responsabilidade passa a ser, nessa perspectiva, quase nenhuma pelos seus insucessos, também se volta, guardadas as devidas proporções, contra o próprio Império Brasileiro, na apreciação enviesada dos fatos daquele século. Se ainda é uma potência regionalmente pelo tamanho da economia e as dimensões geográficas, embora vitimado pela fragilidade das políticas intervencionistas e obtusas de seus governos e pela submissão ideológica a um projeto que faz do país uma espécie de “capacho” de nações menores e tiranetes socialistas, àquela época, sob o Império, o Brasil era respeitado como a grande força local. Cercado por Repúblicas jovens e instáveis, com ditaduras e revoltas constantes, ele permanecia uma imensa monarquia constitucional, cujo peso não se podia questionar – conquanto fosse, e não devemos idealizar o passado, um gigante profundamente agrário. Pela lógica da esquerda moderna, portanto, o Brasil seria culpado por tudo e estaria querendo esmagar uma nação que, sob o governo de López, estaria se tornando próspera e avançada.

Outra mentira. Tanto Narloch quanto os interlocutores do documentário asseveram que o Paraguai era “rural, atrasado, opressor e burocrático”. Narloch detalha ainda que quase “todas as terras – cerca de 90 % – pertenciam à família de Solano López. Quem quisesse entrar no negócio de erva-mate tinha que ser amigo do presidente ou se submeter a um trabalho bem parecido com a escravidão. Os camponeses vendiam uma arroba (14,7 quilogramas) de erva-mate por um centavo de libra inglesa. E os figurões que tinham permissão para explorar as terras revendiam o produto por 25 libras. (…) A indústria paraguaia era pequena e existia pouco dinheiro em circulação. A exportação era nanica – em 1864 foi de 560 mil libras, seis vezes menor que a do Uruguai, que tinha a metade da população”.
O grande personagem da guerra, o ditador paraguaio que ousou encarar os três países da Tríplice Aliança que, em maio de 1865, se uniram para detê-lo (Brasil, Argentina e Uruguai – este último, levantado pelos pró-paraguaios como pivô da ousadia de invasão do Brasil), Solano López, exercia o comando com mão pesada. Narloch registra que o Paraguai tinha apenas um jornal, obviamente “controlado pelo Estado”, e que López mandou matar o próprio irmão, receoso, em paranoia, de conspirações contra seu poder. Outro fato interessante que Narloch destaca, e o documentário também foi forçado a reconhecer, é o de que a imagem de López em seu próprio país era péssima nos anos imediatamente posteriores à guerra. Narloch registra que foi “a partir dos anos 1960” que “o exemplo feudal e isolado do Paraguai foi considerado anticapitalista e caiu no gosto dos intelectuais influenciados pelo marxismo. Aconteceu assim uma bizarra união ideológica. Dentro do país, Solano López passou a ser cultuado por típicos militares sul-americanos; fora das fronteiras paraguaias, era louvado por historiadores de esquerda argentinos, brasileiros e até britânicos.” Há precedentes, portanto, para a loucura do “bolivarianismo”, do “socialismo do século XXI”, que toma emprestada a imagem de Simón Bolívar, um aristocrata influenciado pelo Iluminismo e pelas Revoluções Americana e Francesa que lutou pela emancipação dos países da América Latina, como emblema de seu movimento – a despeito de o próprio Karl Marx espezinhar Bolívar em seus escritos.

Outro mito que Narloch derrubou, e o documentário também derruba, é a idéia de que a Inglaterra, maior potência daquele tempo, estaria interessada em sufocar o emergente Paraguai e impulsionou a guerra. Pura estupidez. Primeiro porque, como já vimos Narloch demonstrar, o Paraguai não era potência emergente coisa nenhuma. Não representava ameaça à “hegemonia britânica” coisíssima nenhuma. Na realidade, por interesses relacionados ao bom e velho capitalismo, a Inglaterra, que tinha negócios na América Latina – “as empresas inglesas eram as que mais investiam em projetos de infra-estrutura no Paraguai, Brasil e Argentina” -, não tinha motivo algum para desejar uma guerra no continente. Inclusive, Narloch documenta uma tentativa do embaixador inglês na Argentina de convencer o Paraguai a não começar o conflito. Os “malvados imperialistas capitalistas” não tinham, não senhor, nada que ver com a arrogância megalomaníaca de um tirano que queria se engraçar para cima de todos os países mais poderosos de sua região, e não se podia, em sã consciência, esperar que isso ficasse sem resposta. Aos que acusam a Inglaterra de manobrar o Brasil, Narloch responde rememorando a Questão Christie – uma tensão diplomática em vigência entre os dois países, por razões pueris, mas que inviabilizaria essa suposta manipulação.

Finalmente, um ponto em que Narloch e os participantes do documentário majoritariamente divergiram: o tal do “genocídio”. Mesmo os que consideram que o Brasil não tinha a intenção sustentam que houve um verdadeiro extermínio injustificado dos paraguaios. Narloch questiona esses números, porque os censos do Paraguai não seriam confiáveis, e muitos paraguaios morreram por conta de doenças ou de fome e frio, submetidos a privações por ordens de seu próprio líder e ditador. López, morto ao fim da guerra, em vez de aceitar a derrota, colocou crianças em batalha para se proteger – e aí se diz que os soldados brasileiros foram cruéis ao avançar contra elas. Outros já dizem que isso não foi percebido de pronto. De minha parte, diria que pode ter havido um erro de proporção, mas não de natureza; se um exército de crianças vem me atacar com armas de fogo, a primeira coisa em que provavelmente pensarei será em proteger minha vida. É muito fácil condenar os soldados da Aliança hoje, analisando a história com os nossos olhos, julgando, como os grandes peritos militares que não eram, aqueles homens submetidos a uma batalha selvagem e repulsiva, longe de casa, passando privações.

A Guerra do Paraguai foi, sem contestação possível, uma trágica manifestação da barbárie humana, lamentável sob qualquer aspecto a ser considerado. Não há o que comemorar quando um tirano, um opressor que situa seus delírios de grandeza acima das necessidades do povo que governa, se lança a um duelo fratricida com os vizinhos poderosos, trazendo morte e desespero a todos. Não há, nesse contexto, uma vitória a celebrar. Mas também não podemos deixar que as esquerdas e os vitimistas crônicos explorem esses eventos históricos como argumento para justificar os próprios fracassos e destilar sua inveja dos bem-sucedidos. Hoje, Brasil e Paraguai vivem momento bastante diferente. Mas ainda há intelectuais que culpam outros países – no nosso caso, uma conjuntura econômica internacional supostamente tenebrosa e o “neoliberalismo americanófilo” do qual sequer vemos rastro – pelas suas graves mazelas. A cantilena da virtude do lado “mais fraco” segue na moda. Enquanto for assim, não daremos o passo necessário para sair do buraco em que afundamos; permaneceremos olhando para cima, apenas insultando aqueles que já respiram os ares da liberdade, enquanto somos sufocados pela própria preguiça.


Fonte: Blog Libertatum
http://libertatum.blogspot.com.br/2015/07/a-guerra-do-paraguai-e-predilecao.html

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Espiritismo e Injustiça Social

Heitor Luz Filho

Apesar de Karl Marx haver marcado uma das maiores etapas na história do mundo, os fundamentos econômicos de sua teoria, mesmo havendo lhe granjeado uma universidade de conceitos, não trouxeram para a humanidade a desejada e necessária paz. Pelo contrário. Foi a partir de Marx que a luta se acentuou. Luta por uma chamada libertação econômica, mas que conduz, invariavelmente, os povos a uma outra forma de servidão política e cultural. Tentando igualar os homens pela posse eqüitativa dos bens materiais, acendeu a chama do ódio e do egoísmo. Desfraldando a bandeira da extinção de classes criou, nos países em que se implantou como regime de governo, uma nova classe, um novo tipo de burguesia política, pela inversão dos planos e categorias sociais. Em sua doutrina, mesmo sem cogitar do Cristianismo, apesar de não poder ignorá-lo, deu-lhe uma dimensão puramente linear ao negar a substância espiritual do homem e limitar-se ao interesse imediato no campo sensório. A sua ética, fundada no provisório, no imediatismo das condições materialistas e nos postulados hegelianos, transformou a raça humana num agrupamento de seres econômicos, em que o princípio cristão das individualidades coletivas é substituído pela coletivização do individuo, ou melhor, pela massificação operária. Pela supressão dos valores positivos que emanam do espírito ou, mais compreensivelmente, da alma humana, levou a própria sociedade aos descaminhos da desumanização. Situando o homem apenas na superfície de si mesmo como elemento de exigências estritamente primárias, colocando-o única e exclusivamente no plano biológico, Marx deu-lhe como roteiro, pela ausência de perspectivas, um catecismo de ódio. Acenando com a conquista dos bens exteriores como fim último, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, estimula um in­consciente individualismo pelo aguçamento da vaidade, do orgulho e dos fatores egoísticos imanentes na personalidade humana, anula no homem a ânsia pela conquista dos bens do espírito consubstanciados na fraternidade e no Amor. Ao contrário de Jesus, que afirmou não ser deste mundo o Seu Reino, pretendeu Karl Marx, escorado na dialética do materialismo histórico, encobrir a verdade transcendental que se contém na vida e no destino humano. Para o filósofo e economista, como para o político Lenine o homem é, apenas, máquina de produzir riqueza. Não lhes importam os valores éticos de sua formação espiritual. E se esses valores vierem, algum dia, de qualquer forma, opor obstáculos à implantação de sua ética, a solução será destruí-los, alterando-se e substituindo-se, inclusive, as estruturas políticas e sociais que os sustentam. Permanecendo no plano primário, entende o marxismo ser uma injustiça a desigualdade social. E, como injustiça, refletindo um desequilíbrio formal e substancial entre grupos humanos, deve ser reparada, mesmo à custa de sangue - pela violência e pela luta armada.

Injustiça social, como se verifica, encerra um conceito puramente materialista, emanado de uma ética divorciada da verdade cristã. Constitui-se, somente, como fenômeno restrito ao campo econômico, com as inequívocas derivações e inevitáveis conseqüências. E isso em que pese, por estranho, a adesão das religiões chamadas ortodoxas, como a Igreja Católica.

Essa identificação de conceitos que estabelece um inusitado paralelismo entre o materialismo marxista e a doutrina social da Igreja, como ressalta das inúmeras encíclicas - “Rerum Novarum”, “Mater et Magister” e “Populorum Progressio” - decorre do princípio teológico da unicidade da vida humana. Não admitindo a Igreja a preexistência do espírito, nem o marxismo, sequer a sua existência, não tiveram, todavia, um e outro, diversa alternativa senão a de atribuir os males sociais a causas atuais. Isto é, tanto para o ortodoxismo religioso. como para o marxismo, os desníveis humanos têm causa e efeito restritos, no tempo e no espaço, ao plano biológico - único plano em que repousa e se limita, para ambas as doutrinas, a existência humana.

Esse entendimento, porém, de injustiça social por parte da Igreja, não só é incompatível com o seu finalismo, como até resulta numa peremptória negativa dos atributos de Deus, ainda que se aceite, apenas em benefício de argumento, a teoria da unicidade da vida. Eis que, criada a alma humana por sopro divino no instante mesmo do nascimento do corpo material, as diferenças físicas e mentais, assim como as desigualdades sociais terão de ser levadas à conta exclusiva de Deus.  que, nascidos todos iguais, sem comprometimentos morais e espirituais de vidas anteriores, estariam os homens, feitos à imagem e semelhança de Deus, sendo objeto de tratamento discriminatório por parte do próprio Criador. E as desigualdades sociais, tidas pela Igreja e pelo marxismo,
como injustiças, teriam lugar sob o olhar complacente de Deus que, por omissão ou até mesmo por sadismo, as estaria aprovando. E até a violência, na derrubada da tirania dos grupos econômicos, teria a chancela divina, como se lê na encíclica “Populorum Progressio”:

“Certamente há situações cuja in­justiça brada aos céus. Quando populações inteiras, desprovidas do necessário, vivem numa dependência que lhe corta toda a iniciativa e responsabilidade, e também toda a possibilidade de formação cultural e de acesso à carreira social e política, é grande a tentação de repelir pela violência tais injúrias à dignidade humana”.















“Não obstante, sabe-se que a insurreição revolucionária - salvo casos de tirania evidente e prolongada que ofendesse gravemente os direitos fundamentais da pessoa humana e prejudicasse o bem comum do país - gera novas injustiças, introduz novos desequilíbrios, provoca novas ruínas”.

Aí está a razão de tantos setores da Igreja confundirem ação evangélica com ação política.
Ninguém alcançará o Reino dos Céus se não nascer de novo, disse o Cristo. Essa é a lei da reencarnação, consubstanciada na doutrina das vidas sucessivas. É a pré-existência e a sobrevivência do espírito. É a lei da responsabilidade cármica a estabelecer um elo, uma relação de causa e efeito entre os fatos e atos das vidas passadas e a vida atual de cada um e da coletividade.

Assim, é com base e fundamento na reencarnação e no principio evangélico de que cada um receberá o que merecer e que a semeadura é voluntária, mas e colheita obrigatória, que a chamada “injustiça social” não pode ter guarida na doutrina espírita. Carmas individuais e carmas coletivos, a vida humana, quer dos indivíduos, quer dos grupos, reflete sempre, na sucessão dos dias, a realização das provas a que todos somos submetidos em razão exclusiva das ações e dos pensamentos nas vidas pretéritas.

Na realidade, pois, não há injustiça social. Há desníveis humanos que podem e devem ser reparados, não pela violência, mas pelo Amor e pela reforma interior do próprio homem.
(Revista Internacional de Espiritismo - Julho - 1969)


Fonte: Site Portal do Espírito
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/comportamento/espiritismo-e-injustica.html