domingo, 4 de outubro de 2015

Ricardo Setti da VEJA: “A volta dos militares não é solução, nunca foi, jamais será. Não se cura um doente aplicando veneno na veia dele"



Por: Ricardo Setti  



Sinceramente me preocupa a tendência simplista e perigosa que o esgarçamento das instituições republicanas está provocando em diversos comentaristas. E não só aqui, no blog de Ricardo Setti. Creio que são honestos os que pensam assim, desanimados e revoltados. E por isso me arrisco a oferecer uma outra visão.É cada vez mais comum ver quem defenda a “volta” dos militares como solução.




Não é - Nunca foi -  Jamais será:


A Constituição determina qual o papel das Forças Armadas. Entre estas funções nunca esteve -ou está – a substituição do poder civil.Que não se confunda o Estado de Direito e as instituições democráticas com quem faz mal uso das mesmas. Não se cura um doente aplicando veneno na veia dele. Quem viveu a ditadura sabe disto. Quem sofreu com desaparecimentos e ou exílios, sabe o que custou caminhar até aqui.



Nós, o povo, conseguimos não só derrubar uma ditadura como impedir que uma outra (estalinista) fosse colocada no lugar.Infelizmente a atual face do poder está conseguindo até mesmo roubar a história.



Eles só estão onde estão, no poder, e só retornaram ao Brasil por que houve uma resistência popular e pacífica que lutou pela anistia e por eleições livres. Hoje se apresentam como os artífices de uma história em que participaram muito pouco, e quando o fizeram, foi em nome de uma outra ditadura: a do proletariado como consta em todos os documentos dos grupos da época.



Abomino as duas! São só as faces da mesma moeda



Devemos ter muito cuidado para que esta confusão de valores não se fortaleça. Este seria o maior de todos os crimes cometidos pelo lulo-petismo. Esta sim a herança maldita! Fortalecer sentimentos totalitários que a sociedade brasileira sepultou em uma luta de 21 anos.



A democracia convive e suporta crises. Sobrevive a Amorins e Jobins


A ditadura usa os mesmos para ocultar crises existentes.Quero ter o direito de criticar, no limite da civilidade e democracia, este desgoverno instalado. Este sindicalismo-pseudo-esquerdista que na verdade é somente uma ação entre amigos. A falta de ética de quem deveria ser guiado por ela. O falso moralismo em que fins justificam meios e onde mesmo roubar, se “em nome do partido”, é desculpável e isento de punição. E por isso, incentivado.



Mas JAMAIS vou apoiar uma interrupção de um processo histórico de conquistas. Como da democracia.



Não quero mais ver mães não poderem enterrar filhos. Ou filhos que não puderam conviver com pais. Pelo crime de discordar.



Não, os militares não estão voltando, como li em um comentário aqui. Eles estão na caserna, cumprindo a função constitucional de profissionais da segurança do estado brasileiro. Que fiquem lá. Somos gratos pelo profissionalismo.E também não precisamos de gritos vindo de quartéis.


Precisamos de gritos, certamente. Vindos das ruas. Como fizemos na anistia, nas Diretas Já, no impeachment de Collor e em outros momentos que a cidadania mostrou a importância de um povo mobilizado. Mesmo que este grito seja, como disse Ulysses, a voz rouca das ruas!


Não precisamos de tutores ou salvadores de ocasião. Nem queremos. Precisamos ter consciência de quem somos e do que podemos.



“A lição já sabemos de cór. Só nos falta aprender!”



Fonte: Ricardo Setti – Revista Veja – Post do leitor
Blog Beraká
http://berakash.blogspot.com.br/2015/10/ricardo-setti-da-veja-volta-dos.html

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