sábado, 26 de março de 2016

População católica e evangélica no Brasil serão iguais até 2028

Por: João Cruzué/Blog Olhar Cristão


Dados estatísticos do IBGE combinados com cálculos de projeções da população católica e evangélica para 2016 e 2020 de autoria de João Cruzué, para o Blog Olhar Cristão, em 7.1.2016.

Complementando o trabalho do post anterior,  apresento aqui as projeções do mapa religioso do Brasil com foco nas duas  principais correntes religiosas. Considerações técnicas:

Os dados da população brasileira de 1970 a 2020 vieram dos Censos do  IBGE, [1970-2000], da tabela 1.4.2 [2010] e das projeções da população até 2060 revisadas pelo IBGE em [2013].

Os dados das populações católica e evangélica de 1970 a 2010 vieram dos Mapas Religiosos de 1970-2010, publicados pelo IBGE - [1970-2000 -] e tabela 1.4.2 [2010].

Antes de concluir, com prudência quero opinar que dados quantitativos de crescimento desta ou daquela religião não significam que houve o equivalente crescimento qualitativo na moral e no caráter de seus fiéis - o que seria muito desejável.

As projeções das populações católica e evangélica para 2016 e 2020, vieram de meu trabalho de cálculo com estatísticas. Para o cálculo da projeção dos evangélicos utilizei a taxa de crescimento anual (média) de 1991-2010 - 6,32%. Para as projeções de taxa de queda anual da população católica de 2016 e 2020, repeti a mesma taxa obtida no Censo IBGE 2010 de -12,6%, calculando 6 anos para 2016 e 10 anos para 2020.

É importante, também, esclarecer que o IBGE não realiza uma contagem sistemática, domicílio por domicílio, os fiéis desta ou daquela religião. Ele trabalha com questionários diferentes, sendo que no aspecto religioso é feito um cálculo estatístico sobre amostras coletadas. Dessa forma, as populações informadas nos mapas do IBGE e  de outros Institutos de pesquisa são dados estatísticos e não contagens exatas.

Tendo feito estas considerações para justificar minhas projeções conservadoras, uma vez que Institutos de Pesquisa [1] já informavam números semelhantes ao desta tabela há alguns anos, deixo à disposição dos leitores e pesquisadores os dados do meu trabalho que tem como propósito divulgar a informação da maneira mais científica possível.

Assim, de acordo com os dados da minha tabela, é possível que no Censo IBGE 2020 a população evangélica represente 36,8% da população brasileira, enquanto que o número dos católicos decresça  de 12,6% no mesmo período. Dessa forma, em 2020 católicos ainda estariam em vantagem, todavia, neste ritmo, possivelmente em 2028,  o número de pessoas que vai se declarar evangélicas no Brasil será maior que o de católicos.


Convite à interação: comente, critique, corrija, opine. Sua participação é muito importante para o desenvolvimento desta fonte de informação.

cruzue@gmail.com


Fonte: Blog Academia de Blogueiros Evangélicos
http://academiablogsevangelicos.blogspot.com.br/2016/01/populacao-catolica-e-evangelica-no.html

As igrejas da Antártida





"Mesmo na Antártida* se pode encontrar igrejas e templos. Os valentes pesquisadores do continente gelado também precisam de apoio espiritual, inclusive talvez, mais do que outras pessoas...
Este post apresenta os locais mais meridionais de culto do mundo...

*(Veja nota sobre o nome na wiki: A Antártida, também denominada no Brasil porAntártica, ver questão do nome... NDT. rusmea.com)


A capela das neves
A capela cristã não confessional, é um dos templos mais austrais do mundo. Sob a autoridade da Estação McMurdo dos EUA na Antártida, localizada na ilha de Ross, é um templo não muito afortunado.
Apesar de ter sido construída em uma paisagem congelada e desolada, a capela foi duas vezes destruída pelo fogo.

A construção original, foi devastada em um incêndio que começou na sala de aquecimento, enquanto que a sua substituta, pegou fogo durante uma forte tempestade, após ter ficado abandonada por vários anos.

O detalhe do vitral com o desenho do continente.

A igreja atual, também foi construída pelos residentes da estação e possui um curioso vitral personalizado, com uma mancha com o formato do continente gelado.
Durante o inverno, a estação abriga cerca de 200 pessoas, enquanto que no verão, às vezes chega a ter 1.000 visitantes.

A igreja das neves, também trata de atender os fiéis de todas as religiões e o Padre Michael Smith, ficou conhecido por conduzir serviços budistas e cerimônias Baha'i.



Igreja da Santíssima Trindade.
Construída na Rússia na década de 1990 com pinho siberiano, foi transportada em um navio de abastecimento até a estação Russa (da antiga União Soviética), Bellingshausen na ilha Rei George. Dois monges de um mosteiro Russo, primeiramente ofereceram cultos na igreja durante todo o ano e desde então, há um rodízio de sacerdotes durante o ano todo.


Desafiando o poder destrutivo dos ventos polares, a estrutura de madeira com entalhes, está a 15 metros de altura. A Igreja Ortodoxa pode acomodar até 30 visitantes e atende às necessidades espirituais dos russos, poloneses, chilenos e coreanos residentes nas estações próximas. Alguns serviços são na verdade, realizados em espanhol.

Os deveres dos sacerdotes incluem também, orar pelas almas dos 64 russos que perderam suas vidas em diversas expedições. Embora raramente fique lotada, a igreja realizou uma cerimônia de casamento entre pesquisadores da Rússia e do Chile, assim como um ocasional batismo.




A capela de gelo em Belgrano II Base de Dados.
A igreja mais austral do mundo encontra-se em uma gruta de gelo na base Argentina Belgrano II.
Dia e noite, aqui são alternados em intervalos de 4 meses, e no céu da noite se pode observar a aurora australis.


A igreja de São Francisco de Assis
A Estação Base Esperanza, uma das 13 bases de pesquisa da Argentina na Antártida, é considerada pelos argentinos como a 'cidade' (Apesar de que o lugar está mais para uma aldeia...) mais meridional do mundo.


A base de investigação possui além da igreja, uma escola permanente com professores, um museu, um bar e um hospital com instalações de maternidade permanentes, onde já nasceram vários cidadãos Antárticos.

E enquanto é claramente importante para os pesquisadores ficarem perto de Deus durante o seu tempo na Antártica, eles também não veem mal algum em ter um cassino (que também serve como centro da comunidade).



Capela de São Ivã de Rila.
Localizada na ilha Livingston, a Igreja ortodoxa construída na estação polar búlgara, possui quatro pesquisadores fixos desde o ano 1988.


Apesar da simplicidade, possui inclusive um sino real, doado pelo ex-primeiro ministro da Bulgária, quem certa vez, trabalhou como médico da estação.



Capela Santa María Reina de la Paz.
Talvez esta seja a única igreja no mundo, construída de contentores de carga.
As cerimônias religiosas são realizadas por um diácono que vive na base.
Situada no maior assentamento na Antártida, Villa las Estrellas, aqui vivem durante todo o ano, as famílias dos trabalhadores da base militar chilena. A população no verão pode chegar até 120 pessoas e 80 no inverno. A base possui uma escola, um albergue, um escritório de correios e um banco.




Capela de Nossa Senhora de Luján.
A capela se encontra em outra base argentina, a base Marambio.
Posando para a foto, em frente da capela católica estruturada em aço, o Padre Nicholas Daniel Julián aparece bem trajado em um casaco de frio. Ele ajudou a construir a igreja na base permanente.

Durante a construção, foi criada a primeira pista de pouso na Antártida, e ainda é utilizada com muita frequência.
Devido a isso, a estação também é chamada de 'A porta de entrada à Antártida.'





A Igreja dos baleeiros.
Uma igreja que merece atenção, apesar de não estar na Antártida, mas localizada bem perto do Círculo Polar Sul, é a Igreja dos baleeiros.
Esta igreja luterana norueguesa foi construída no povoado baleeiro de Grytviken, na Georgia do Sul, em 1913.

Foi construída pelos próprios marinheiros e é o único edifício no povoado, que ainda é utilizado para o seu propósito original. A estação baleeira foi abandonada em 1966.

Quando o assentamento foi estabelecido pela primeira vez em 1904, foram abatidas 195 baleias na primeira temporada.
Os baleeiros usavam todas as partes dos animais - da gordura, carne, ossos e vísceras eram extraídos o óleo e os ossos e a carne, eram transformados em fertilizantes e forragem.


Elefantes marinhos também foram caçados por sua gordura. Cerca de 300 homens trabalharam na estação durante o seu apogeu, operando durante o verão austral de outubro a março.


A população de baleias dos mares ao redor da ilha, foi substancialmente reduzida ao longo dos 60 anos de operação da estação, até que foi fechada.
Naquela altura, as populações de baleias eram tão baixas, que a sua exploração contínua era inviável.

Mesmo agora, a costa em torno de Grytviken está repleta de ossos de baleia e os restos enferrujados de plantas de processamento de óleo de baleia e navios baleeiros abandonados.

Em 1998, a igreja dos baleeiros foi reformada pelos detentores do South Georgia Museum(Museu do Sul da Georgia), que está localizado agora na casa do gerente da antiga estação baleeira.
A igreja é raramente utilizada, exceto para cerimônias ocasionais de casamento, geralmente de descendentes de baleeiros que foram enterrados no assentamento.

Vocês também podem conferir a igreja e a estação baleeira abandonada, em uma aparição no filme, premiado com o Oscar, Happy Feet (Happy Feet: O Pinguim) de 2006."























Fonte: Site Rusmea
http://www.rusmea.com/2014/06/as-igrejas-da-antartida.html

sexta-feira, 11 de março de 2016

Relação do tráfico no Rio com igrejas evangélicas em favelas é tema de livro

Autora cita templos que rejeitam e que aceitam 'salvação' de criminosos.
'Alguns pastores apresentavam a alternativa de salvação moral', relata.

Christina Vital da Cunha no lançamento do livro Oração de Traficante (Foto: Divulgação)
Autora no lançamento do livro 'Oração de Traficante' (Foto: Arquivo Pesosal/Christina Vital da Cunha)



O livro "Oração de Traficante" se propõe a discutir um tema polêmico e inédito: o crescimento das igrejas evangélicas nas periferias do Rio, chegando às associações de moradores e, finalmente, ao tráfico de drogas. A obra é da pesquisadora e professora adjunta do Departamento de Sociologia na Universidade Federal Fluminense (UFF) Christina Vital da Cunha e foi lançada em novembro do ano passado.

A tese de doutorado foi financiada e publicada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Nela, a autora mostra a resistência de certos templos pentecostais, nos quais a conversão dos criminosos era tida como imoral. Mas mostra também o outro lado: como traficantes aderiram à religião e financiaram eventos religiosos nas comunidades — distribuindo dinheiro através do dízimo.

Com idas a Acari, no Subúrbio, entre 1996 e 2009 e ao Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul, entre 2005 e 2009 a doutora chegou a testemunhar a "salvação" através da fé. Mas diz que a saída não é fácil e vê uma relação conturbada entre a religião e o crime.
Confira trechos da entrevista com a autora Christina Vital da Cunha:

MUNDO EVANGÉLICO X MUNDO DO TRÁFICO
Christina: Os evangélicos, sobretudo os pentecostais, pensam o mundo como uma guerra espiritual. A partir desta batalha, existe uma correspondência entre os mundos [do tráfico e da igreja].

REJEIÇÃO DE EVANGÉLICOS AO MUNDO DO TRÁFICO

Christina: Havia evangélicos que negavam [rejeitavam] essa proximidade com o tráfico, dizendo que [os traficantes] poluíam moralmente os 'verdadeiros evangélicos'. No termo nativo, era um 'mau testemunho' que estes cristãos estavam dando. Há tensionamentos nesta equação. Há os que aderem e os que refutam, não há um consenso sobre isso. Embora seja complexo, de algum modo punha em risco a moral ilibada dos evangélicos.

A 'SALVAÇÃO'

Christina: Alguns pastores apresentavam a alternativa de salvação moral, de [os traficantes] se renovarem, deixarem de carregar o estigma do criminoso e se tornar uma pessoa de bem. Muitos deles [traficantes] fizeram esta passagem, mas muitos deles que entrevistei em 2009 não conseguiram sair. Não conseguiram por [conta de] um estilo de vida, pela atração dos ganhos proporcionados. É importante frisar como as pessoas têm medo desta passagem. Em termos sociais, [os traficantes] emergem como inimigo número um da sociedade. De alguma maneira, se sentem muito protegidos naquele enclausuramento que é a favela. Muitos deles têm muito dinheiro, postos de gasolina, fazendas.

FINANCIAMENTO PARA SAIR DO CRIME

Christina: Os traficantes passam a financiar cultos ao ar livre, pagar artistas de projeção nacional para irem fazer show gospel na favela. Pagavam dízimo às igrejas. Houve cultos de graça, existia engajamento dos traficantes com igrejas evangélicas locais. Operavam com a expectativa de sair a qualquer momento da vida do crime e os evangélicos ajudaram muitos traficantes.

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES

Christina: Acompanhei como as lideranças de associações de moradores começaram a ter um perfil evangélico. Todos os líderes de associação em Acari nos anos 2000 eram ligados a Igrejas Evangélicas e tinham 'empoderamento' dos evangélicos no local, com a ocupação de lugares políticos. Embora seja controverso, houve o 'empoderamento' dos evangélicos com os traficantes. [Mas] Os evangélicos não cresceram porque os traficantes se aproximaram.

SISTEMA DE PUNIÇÃO 'PACIFICADO'

Christina: O modo de vida nas favelas é sempre tenso. Há muito espaço de afetividade, de troca intensa, mas é um ambiente tenso. Antes não tinha 'desenrolo', era logo morte, quando pegavam alguém usando crack em Acari, por exemplo. [Mas] Como alguns chefes do tráfico viviam a proximidade dos evangélicos, houve a 'pacificação' de traficantes, era o que eles diziam: iam à casa do famíliar do usuário e diziam que não poderia fazer isso. Correspondia a um comportamento que não era esse de irromper a violência.

CRESCIMENTO EVANGÉLICO X QUEDA CATÓLICA

Christina: A partir dos anos 2000, a Igreja Católica começa a se redistribuir nas periferias. O padre que assumiu a paróquia de Acari era um padre midiático, fez o casamento do Luciano Huck com a Angélica. Era uma estratégia da Igreja Católica. Outra dinâmica era o retraimento de casas de umbanda e terreiros nas favelas. No Santa Marta, que era marcado por uma força católica, os festejos locais católicos começam a perder força e os evangélicos começam a ganhar mais espaço. A partir daí, comecei a entender as dinâmicas relacionadas a crime, religião e sociabilidade.

ATRAÇÃO PELO DINHEIRO

Christina: A teologia da prosperidade, por exemplo, é outra correspondência dos dois mundos. Os traficantes gostam de dinheiro e atuam na vida do crime, onde rola muito dinheiro. E os evangélicos não negam o dinheiro. Então, a passagem da vida do crime para a vida moral não implica abrir mão do que conseguiu. Todo aquele dinheiro vai ser purificado. O mundo é uma batalha, mas, por outro lado, não precisa se recusar o dinheiro. No catolicismo, a gente não deve buscar bens na terra e deve privilegiar coisas no céu. Os evangélicos dizem: não, aqui também. Mostrar o dinheiro é uma forma de mostrar a graça de Deus na vida.

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Christina: Há contextos em que traficantes expulsaram religiosos de matriz africana de certas localidades. Agora, na maior parte das favelas em que você tem relação dos traficantes com universo evangélico não aconteceu isso. Não aconteceu, mas religiosos de matriz africana são muito desprestigiados e vitimizados por intolerância religiosa não pelo tráfico, mas por muitos moradores evangélicos. Há uma identificação de que esses religiosos são moralmente inferiores e ligados ao mal. A intolerância religiosa é praticada, muitas vezes, não pelos traficantes mas pelo coletivo.

G1



Fonte: Blog O Diário Alexandrino

http://macabeuscomunidades.blogspot.com.br/2016/03/relacao-do-trafico-no-rio-com-igrejas.html