quarta-feira, 11 de maio de 2016

Paulo VI e o acordo secreto com a URSS



Montini foi afastado da Secretaria de Estado por suspeitas de seus contatos com os soviéticos, pois, quando voltou deMilão a Roma como Papa, entrou em acordo com Moscou para que o Concílio Vaticano II não mencionasse o comunismo, permitindo assim a participação dos observadores do Patriarcado ortodoxo russo. Com documentos e testemunhos inéditos, "Paolo VI, l’audacia di un Papa", de Andrea Tornielli, reconstrói um pontificado (1963-1978) hoje esquecido, esmagado entre os "reinos" dos popularíssimos João XXIII e Karol Wojtyla.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 07-06-2009. A tradução é de MoisésSbardelotto.

Um esquecimento sacudido pelos bastidores, como o encontro secreto com Maria José, a ajuda pedida a Kennedy pai depois da eleição de JFK à Casa Branca, a profecia de Pio XII sobre Montini justamente sucessor, a intervenção deRoncalli para a sua nomeação a presidente da Conferência Episcopal Italiana, o entendimento com Fanfani contra a corrente da Democracia Cristã da Base. No imaginário coletivo, os 15 anos de Paulo VI continuam sendo parênteses, rebatizado de "Paulo infeliz" e "papa indeciso", por ser considerado fechado, complexo, incerto. O timoneiro do Concílio viveu com particular intensidade o caso Moro [1] porque entre os brigadas vermelhas envolvidos no sequestro estava o filho de um funcionário vaticano bem conhecido por ele, cujo casamento havia celebrado.

Mas o livro está envolvido em um observação que revela o mistério da clamorosa ausência de toda referência ao comunismo no Concílio. Do arquivo do cardeal Eugène Tisserant aparece uma carta de 22 de agosto de 1962 que põe luz sobre o entendimento entre a Santa Sé e a Igreja ortodoxa russa para que "o Concílio não se ocupe de política, nem direta nem indiretamente. A Igreja sempre ganhou quando permaneceu no terreno que lhe é próprio, que não é o da política".

Um outro documento também demonstra que a decisão de João XXIII de calar sobre o comunismo foi encorajada pelo cardeal Montini. O futuro Paulo VI foi o mediador e o responsável pela "apocalipticidade" do Vaticano II: em uma anotação de 15 de novembro de 1965, Montini cita explicitamente entre "os compromissos do Concílio" também o de "não falar de comunismo (1962)". A indicação da data ao lado da frase escrita por Paulo VI remete ao acordo secreto, referido por Tisserant, entre Roma e Moscou.

Notas:

1. Aldo Moro (1916-1978) foi um político italiano. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da Itália. Ativo membro da Igreja Católica, foi um dos líderes mais destacados da Democracia Cristã na Itália. Seqüestrado em 16 de março de 1978 pelo grupo terrorista Brigadas Vermelhas, foi assassinado depois de 55 dias de cativeiro.


Fonte: Site IHU Online
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-arquivadas/22939-paulo-vi-e-o-acordo-secreto-com-a-urss

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