terça-feira, 26 de julho de 2016

Capturados pelos Pokemóns: o fenômeno mundial é uma fuga à realidade tão antiga quanto o ser humano



Ao estimular a caça aos bichos virtuais, fenômeno digital nos transporta a mundo padronizado, em mais uma forma de fuga da realidade factual.

O artigo é de Sérgio Telles, psicanalista e escritor, em artigo publicado por O Estado de S. Paulo, 24-07-2016.

Eis o artigo.

O videogame Pokémon já vendeu mais de 200 milhões de itens da marca e até março deste ano faturou US$ 46,2 bilhões. O jogo consiste na captura dos Pokémons – pequenas criaturas imaginárias – por seres humanos, que os treinam para lutar entre si. Seu mais recente produto, o Pokémon Go, foi lançado essa semana nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, e tem alcançado enorme sucesso. Graças ao uso da realidade aumentada, os Pokémonsse escondem não mais no espaço interno do próprio jogo, e sim em inesperados lugares das cidades – ruas, praças, logradouros públicos, etc. – onde os jogadores os localizam por meio de seus celulares.

Desde o recente lançamento, foram relatadas várias ocorrências que mostram a intensidade da imersão dos jogadores na realidade virtual. Em suas andanças pela cidade em busca dos Pokémons, eles se esquecem da realidade factual e seus perigos, e assim se expõem a sérios riscos – como o trânsito e ladrões oportunistas.

São incidentes que tendem a se multiplicar, na medida em que o jogo seja lançado nos demais países, incluindo o Brasil. Eles retomam a antinomia entre realidade virtual e realidade factual. Seriam elas antagônicas e inconciliáveis? Antes de tirar conclusões, talvez devêssemos enfocar uma questão prévia, e nos perguntar sobre o que é mesmo isso que chamamos de realidade. Veríamos então que equivocadamente a tomamos como um dado autoevidente, sem notar que essa é uma noção complexa, nada fácil de apreender e que tem largas implicações filosóficas.

De forma ingênua, a primeira ideia que nos ocorre sobre a realidade é que ela é aquilo que captamos diretamente através de nossos órgãos de percepção ou das próteses que para eles construímos com o objetivo de lhes aumentar a potência, como microscópios, telescópios e apetrechos correlatos.

Mas a mente humana não funciona como um instrumento que registra exata e imparcialmente o que está à sua frente, como faria uma máquina fotográfica ou cinematográfica. Nossa percepção passa por filtros afetivos conscientes e inconscientes que podem distorcer bastante o que se nos apresenta. Nossa memória também é pouco confiável, alterando o passado com frequência em função de vivências do presente.

Ao mesmo tempo em que dispomos de recursos poderosos para reconhecer a realidade e nela intervir, transformando-a em nosso benefício, como mostram as conquistas nos mais variados campos que nos têm proporcionado uma vida mais segura, saudável e confortável, temos também idêntica capacidade de negá-la, com consequências as mais desastrosas.

Há diferentes níveis de negação da realidade. A forma mais radical é a psicótica, que a substitui por um delírio que satisfaz sem restrições os desejos e fantasias que se recusam a abandonar o princípio do prazer. Na neurose, a negação da realidade é mais branda, ocorre parcialmente, sendo os fragmentos negados substituídos por fantasias, devaneios, mini delírios que conciliam as exigências da realidade e as pressões narcísicas.

As variações no manejo da realidade descritas pela psicanálise rompem com a rigidez da divisão entre realidade virtual e factual. Mostram que não estão tão distantes uma da outra, e que o próprio conceito de realidade virtualpopularizado pela tecnologia e informática tem um substrato mais arcaico e universal.

Sempre vivemos, cada um de nós, em “realidades virtuais” próprias, singulares, secretas, privadas, íntimas, na medida em que fazemos recortes muito precisos apagando alguns aspectos da realidade, de modo a adequar suas restrições a nossos desejos inconscientes infantis, dos quais não queremos ou podemos abrir mão.

Enquanto cada um de nós cria uma realidade virtual singular fantasmática, que atende às especificidades únicas do próprio desejo inconsciente, a tecnologia, pelo contrário, produz uma realidade virtual padronizada e massificada, materializada num programa de computador a ser processado num gadget, como ocorre com o Pokémon Go.

A tendência a negar os fatos e mergulhar em realidades virtuais é tão antiga quanto o próprio homem e evidencia a dinâmica entre o princípio do prazer e o princípio da realidade. Freud dizia que não toleramos um contato ininterrupto com a realidade. Precisamos diariamente cortar o contato com ela e nos refugiar no mundo dos sonhos. O sonho é a “realidade virtual” onde realizamos de forma disfarçada e simbólica os desejos que a realidade nos obriga a abandonar. Não é de hoje que se usam substâncias que criam estados alterados de consciência, afastando-nos da realidade e nos levando para paraísos artificiais (virtuais).

As artes e, especialmente as narrativas, como a literatura e o cinema, também criam realidades virtuais. Tais estruturas narrativas, ainda que ficcionais, ou seja, “não reais”, “virtuais”, mesmo assim possibilitam o acesso a importantes verdades humanas que sem elas nos seriam inacessíveis.

Ao reconhecer esse fato, recuperamos o aspecto positivo desses construtos. Eles não se prestam apenas à fuga da realidade através do entretenimento, como faz o Pokémon Go.

A realidade virtual produzida pela tecnologia pode ser usada para fins terapêuticos, como mostram relatos recentes de tratamentos experimentais de fobia de avião realizados na França. O paciente, usando óculos especiais que recriam a experiência de voo, é acompanhado por um psicanalista que segue o desenvolvimento de sua angústia no processo e procura usar dos recursos analíticos e cognitivos para ajudá-lo a superar o sintoma.

É um campo promissor. Se as condições de voo podem ser recriadas virtualmente, permitindo que o fóbico as vivencie de forma assistida e controlada junto a seu analista, outras situações traumáticas semelhantes ou mais complexas poderiam ser também recriadas, ampliando o arsenal terapêutico.

Aplicada no entretenimento, como o Pokemon Go, ou na terapêutica, como no tratamento de fóbicos, a tecnologia mostra a versatilidade desse mais recente exemplar de uma longa e rica tradição.




Fonte: IHU Online

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/558128-capturados-pelos-pokemons-o-fenomeno-mundial-e-uma-fuga-a-realidade-tao-antiga-quanto-o-ser-humano

domingo, 10 de julho de 2016

Livro revela a ESCANDALOSA VIDA SEXUAL de Gandhi: Gandhi: Naked Ambition (Gandhi: a ambição nua)







O livro escrito pelo historiador britânico Jad Adams, conta sobre a vida de Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como Mahatma, a grande alma. Apesar do voto de castidade, heroi da independência da Índia dormia com jovens nuas.O novo livro deve causar polêmica na Índia; historiador conta que Gandhi tinha o costume de reter o esperma, que considerava fonte da energia espiritual


No mais novo livro sobre Mahatma Gandhi, herói da independência da Índia, revela que o famoso voto de abstinência sexual não impedia que ele dormisse com jovens nuas, ao lado das quais testava sua integridade na renúncia ao prazer.O livro acaba de ser publicado no Reino Unido e chegará em breve às livrarias da Índia.O perfil da intimidade de Gandhi foi elaborado a partir de seus escritos e dos depoimentos de pessoas próximas. O livro pode causar polêmica na Índia onde ele é praticamente considerado um santo, 60 anos após sua morte. Jad Adam disse que uma das coisas surpreendentes que descobriu sobre Gandhi é a quantidade de vezes ele que escreveu sobre sexo.






Vemos que havia uma sexualidade perfeitamente normal na primeira parte de sua vida. Mas o que me interessou é que a partir de um momento, ele decide que é uma boa ideia ser casto. Seis anos mais tarde Gandhi faz votos [de abstinência] e os coloca em prática, porém é a partir dai que o seu relacionamento com o sexo se torna estranho.



De acordo com o livro, Gandhi se banhava às vezes com adolescentes, era massageado nu e dividia a cama com uma ou várias seguidoras. O historiador disse que não há provas de que ele tenha quebrado os votos de abstinência, apesar desta definição de Gandhi ser bastante restrita e confusa.




Ele se refere à penetração, mas define o sexo de uma maneira tão restrita que deixa de lado atividades muito sensuais que muitas pessoas qualificariam de sexuais.Jad Adams acredita que Gandhi esperava que as mulheres o estimulassem sexualmente para poder demonstrar sua resistência.



Manu Nayar, irmã de Sushila, secretária particular do pai da nação indiana, foi uma das mulheres. As mulheres dos homens que frequentavam seu ashram eram chamadas às vezes para dividir as noites, apesar de não terem o direito de dormir com os maridos.Para o autor do livro, estas práticas eram uma forma de strip-tease, nas quais se podia ver e brincar, mas não tocar.O livro também conta que Gandhi  tinha o costume de reter o esperma, que considerava fonte da energia espiritual.


O costume não foi seguido por seus simpatizantes políticos. O primeiro-ministro Jawaharlal Nehru os considerava anormais.A mulher de Gandhi, com quem se casou quando tinha 13 anos, teria aceitado, de boa ou má vontade, a abstinência de Mahatma, assim como os experimentos sexuais.



Gandhi com as suas sobrinhas com quem alegadamente dormia por vezes nu


GANDHI E AS CRIANÇAS




Este guru da atualidade dos progressistas, realmente tinha práticas um pouco estranhas. Entre alguns votos que decidiu fazer estava o de castidade, e pouco a pouco o sexo transformou-se num dos temas principais dos seus discursos, demonstrando uma certa obsessão por ele. Uma obsessão que alcança um nível doentio quando descobres que para aprender a controlar o seu celibato dormia nu com meninas - eventualmente, as suas sobrinhas - para ver se podia aguentar-se. Sempre assegurou que não houve penetração – claro, o que é que ia dizer? - mas não nos enganemos, todos sabemos perfeitamente que o sexo não é só penetração – ele próprio dizia que a prova consistia em sentir e ver o corpo nu, e ainda assim evitar cair em tentação - , e que coisas como o auto-controle não se alcançam do dia para a noite, o que nos faz pensar que talvez tenha havido um período de "tentativa e erro" - em que o erro é ter relações sexuais com crianças – antes de alcançar esse suposto controle. Igualmente, mesmo que não tivessem relações nem se tocassem, não deixa de ser repugnante que dormisse com adolescentes menores de idade.Para isto se utilizava de mulheres jovens virgens ou recém-casadas tomadas de cobaias, todas elas do seu círculo íntimo de discípulos , o que faz lembrar as práticas sexuais dos líderes de algumas seitas.



GANDHI SIMPATIZANTE DO NAZISMO



Para além das miúdas, o Gandhi também gostava de outras coisas, como de braços em riste e da superioridade racial ária. Sempre se justificou o apoio de Gandhi a Hitler e Mussolini porque este os considerava inimigos do imperialismo. Tanto a sua visita a Mussolini em Roma – onde expressou a sua admiração pelo ditador italiano e foi convidado de honra no desfile das Juventudes Fascistas –, como aquilo da carta que escreveu ao Hitler, (do qual se despede como " Seu sincero amigo"), ou quando o aclamava, e rejeitava tanto o imperialismo britânico como o sionismo, demonstraram que era uma pessoa que tinha muito interiorizados os pilares do nazismo e do fascismo.


Gandhi abraça uns balillas, a secção infantil e juvenil do Partido Nacional Fascista italiano



Mas acima de tudo, tinha resquícios racista até justificáveis pelo hindusimo: considerava que os africanos eram povos inferiores, e na verdade, essa foi a razão pela qual iniciou a sua luta para acabar com a discriminação dos indianos na África do Sul, durante a primeira década do século XX, para que não fossem equiparados a uma raça que ele considerava inferior. Acreditava que os indianos estavam ao mesmo nível das raças dos brancos, por descender da mesma raça ária, e portanto faziam parte da mesma irmandade racial.



Nos seus apontamentos fala de sobre como acreditava na raça da mesma maneira que os sul africanos, e que por isso deviam ser os brancos a governar o país, e que deixar entrar crianças negras nas escolas para crianças indianas era injusto para as segundas, porque os negros estavam apenas um grau acima dos animais, etc. Uma imagem muito diferente daquela que nos entra pelos olhos todos os dias pela propaganda progressista.




GANDHI O VIOLENTO ?



Se há um aspecto que define Gandhi é o seu pacifismo e a sua luta contra a violência. O mito que se criou à sua volta – mesmo antes da sua morte – considerava que o que engrandeceu a sua luta foi que evitou o confronto brutal com os britânicos – embora haja quem acredite que mitificá-lo tenha sido uma estratégia dos impérios para que as colónias iniciassem esse tipo de resistência, e não se lançassem às armas. Mas se aprofundar o estudo de sua vida, se constata que ele não foi assim tão pacifista, pelo menos no que diz respeito aos paquistaneses e às mulheres.Durante a guerra entre o Paquistão e a Índia, que aconteceu depois da independência, Gandhi pôs de lado a não-violência e o pacifismo para apoiar a Índia numa guerra que nalguns lugares foi uma autêntica limpeza étnica, e tudo por causa de uma bandeira.



No que diz respeito às mulheres, além de usa-las como cobaias de suas experiências sexuais, Gandhi maltratava fisicamente a sua mulher - e também os seus filhos. Deixou-a morrer de pneumonia porque a proibiu de usar penicilina (visto que a considerava indigna), pois ele era apologista de que a medicina tradicional indiana era superior à ocidental.



11 Controvérsias Sobre Mahatma Ghandi


Mohandas Karamchand Gandhi, herói da independência da Índia, através do seu movimento pacifista, é uma das figuras mais reverenciadas pela história, principalmente pelos progressistas de plantão, ávidos por novidades, de uma vida gloriosa da nação, aquele em que procuram a paz e sabedoria há décadas. Ele é conhecido como "Mahatma", ou "grande alma", um título reservado apenas para os mais justos e mais venerados dos homens.




Então, novamente, é importante notar também que ele era apenas um ser  humano e que todo ser humano erra. Ao longo dos anos, os historiadores e críticos têm encontrado certas peculiaridades controversas da vida deste homem. O que se estranha da parte dos progressistas, é querem divinizar demais Gandhi, escondendo suas falhas e humanizar demais a Cristo, colocando-o quase no mesmo nível de Gandhi.


1)- A Sua Vida Sexual



"Gandhi foi gay?", questionaram vários jornais em todo o mundo, quando a correspondência privada entre ele e um ex-associado, Hermann Kallenbach, veio à tona em 2013. Gandhi e Kallenbach viveram juntos entre 1907-1909 na África do Sul. As cartas de Gandhi para Kallenbach continham afirmações como "Meu querido", para Kallenbach e eram assinadas "O seu superior da casa."Os críticos, é claro, observaram que as histórias anteriores sobre travessuras sexuais de Gandhi figuravam quase escandalosamente em círculos históricos e políticos. O homem era famoso por dormir com outras mulheres. Em muitos casos, estas mulheres eram casadas, extremamente novas, ou com ambas. Como a sua sobrinha-neta, de 18 anos, e Abha, a mulher de seu sobrinho-neto, de 16 anos, dormia nua ao lado dele. Em algumas noites, ele teria ambos totalmente nus na sua cama. De certa forma, essa prática deixou o Gandhi fora de auto-controle. As opiniões variam quanto à forma de ver esses atos. Eles eram aceitáveis, ou eram simplesmente perversões de um velho sujo? Será que Gandhi usava a sua posição para explorar sexualmente mulheres jovens?


2)- Um Marido Muito Estranho


Como mencionado, as perversões sexuais de Gandhi eram, segundo ele, um meio de resistir à tentação carnal. No entanto, também praticava o celibato no seu casamento (Prática não Cristã para os casados). A Kasturba, a sua esposa de mais de duas décadas, foi-lhe negado sexo por anos, depois de ter os seus filhos. Os críticos também apontaram como Gandhi havia maltratado a sua esposa. Em alguns casos, tinha proibido Kasturba de manter presentes que foram feitos por ela. No início da sua vida de casados, Gandhi teria comparado a sua esposa a uma vaca. Gandhi disse que não suportava olhar para o rosto de Kasturba, porque dava a impressão de uma "vaca mansa" que tentava dizer alguma coisa.Em 1943, quando Kasturba contraíu uma doença e teve uma hemorragia, Gandhi supostamente escreveu-lhe: "A minha luta não é meramente política. É religiosa e, portanto, muito pura. Não importa muito se a pessoa morre ou vive. Espero e esperamos que você também vá pensar da mesma forma e não será infeliz." Gandhi também proibiu os médicos de darem penicilina à sua esposa, argumentando que era um medicamento estrangeiro e afirmando que: "Se Deus quiser, ele vai mantê-la cá". A sua esposa teria morrido a 22 de Fevereiro de 1944, depois de meses de sofrimento.



No entanto, quando Gandhi contraiu malária, resistiu a princípio à ideia de tomar quinino para o seu tratamento. No entanto, posteriormente com o agravamento da enfermidade,permitiu que os médicos administrassem medicamentos químicos da medicina tradicional para sua cura e o mesmo vir de fato a sobreviver, o que se certa forma, mostra uma incoerência no tratamento dele dado a sua esposa.


3)- A sua relação conturbada de pai com seu filho Harilal



Gandhi teve uma amarga discussão com o seu filho mais velho, Harilal.O jovem desejou ter uma vida própria, que o grande Mahatma não compreendia. Ele queria que os seus filhos seguissem os seus passos, contra os seus próprios desejos. Para Gandhi, o seu filho mais velho refletiu a sua falta de disciplina e sentido na vida quando tinha sido mais jovem. Para Harilal, a ideologia do seu pai era uma "ilusão", uma "iluminação chamada erroneamente." Harilal tinha escrito para o já mencionado Hermann Kallenbach, dizendo-lhe como o seu pai se tinha simplesmente esquecido que tinha uma família.




Harilal viria a converter-se ao islamismo e a denunciar o seu pai em público; Enquanto isso, Gandhi achou por bem negar Harilal, até mesmo instruindo outros membros da família a não compartilhar nada com seu filho. Quando um filho mais novo deu ao seu irmão mais velho, um pouco de dinheiro, Gandhi praticamente o baniu. Apesar dos apelos de membros da família para os dois consertarem o seu relacionamento, não era para ser.


Após o assassinato do seu pai, um Harilal despenteado juntou-se ao cortejo fúnebre. Dizia-se que ele estava num estado tão mau que, a princípio, a sua família não o reconheceu. Harilal morreu apenas alguns meses após o seu pai.Mais histórias da relação tensa entre pai e filho têm persistido. Uma dessas histórias envolve Gandhi a acusar Harilal de violar a própria filha em 1935 e, posteriormente, dizer que preferia ver o filho morrer do que beber álcool. Claro, isso aconteceu décadas depois de Harilal ter cortado os seus laços com a sua família e o relacionamento tinha chegado a um ponto de ebulição. E na realidade Harilal não violou a sua filha, mas sim a sua irmã-de-lei, o que também são se justifica.


4)- Visualizações Sobre a Educação e o Progresso



O desacordo grave que Gandhi teve com o seu filho Harilal foi sobre o tema da educação. Harilal queria ser advogado, assim como o seu pai. O conceito de "seguir os seus passos" de Gandhi era menos sobre a sua antiga profissão e mais sobre a sua visão do futuro. Na verdade, Gandhi tinha negado a educação aos seus filhos por causa das suas opiniões políticas.Gandhi poderia ter enviado os seus filhos para escolas exclusivas que teriam prontamente aceite, devido à posição social de Gandhi. Ele também poderia tê-los matriculado em escolas dirigidas por missionários cristãos. Em vez disso, ele simplesmente rejeitou essas ideias, porque acreditava que "as crianças não devem ser separadas dos seus pais." Ele também não queria os seus filhos internados em escolas que haviam rejeitado anteriormente outras crianças indianas. Da mesma forma, viu essas instituições de ensino como sendo inclinadas para o Ocidente e, portanto, prejudiciais à sua postura de pró-independência nacionalista.



Gandhi também defendia o conceito de "desaprender", afirmando em 1909 que" a salvação da Índia consiste em desaprender o que aprendeu durante os últimos 50 anos. O ferrovias, telégrafos, hospitais, advogados, médicos, todos." Jawaharlal Nehru, que se tornou o primeiro primeiro-ministro da Índia, em 1947, discordou veementemente. As inclinações socialistas de Gandhi eram, em certo sentido, enraizadas na herança da cultura e da tradição, mas isso também pode ter sido um extremo.



5)- Tem Culpa na Divisão da Índia e do Paquistão?



Vários críticos e historiadores acreditam que as desgraças que a Índia, Paquistão e Bangladesh sofreram nas últimas décadas podem ser responsabilizadas exclusivamente sobre Mahatma Gandhi. Devido à sua atitude de apaziguamento e crenças de que os hindus e os muçulmanos poderiam encontrar um terreno comum e reconciliar-se. Foi um esforço louvável, mas alguns críticos acreditam que tais ações deixaram os muçulmanos chegar ao poder e permitiram que Muhammad Ali Jinnah reivindicasse o Paquistão em 1947. Finalmente, uma visão bastante rebuscada detida por teorias da conspiração, é que Mahatma Gandhi era um peão Illuminati. De acordo com este conto entrelaçado, Gandhi era um maçom empregado por MI6 e o seu papel principal era montar a partição da Índia. Este evento deveria culminar numa série de conflitos através dos quais a "Nova Ordem Mundial" iria criar o "Governo Mundial" para restaurar a paz. Soa familiar?



6)- Discriminação Racial



Uma estátua para homenagear as contribuições de Mahatma Gandhi para a sociedade Sul-Africano, revelou-se, em Joanesburgo, em 2003, e desencadeou uma onda de controvérsia. Era suposto ter representado a oposição de Gandhi ao racismo e ao preconceito no país durante a sua estadia lá a partir do final de 1800 até ao início de 1900. Em vez disso, os críticos foram lembrados das muitas vezes em que Gandhi tinha realmente feito comentários racistas em público.Gandhi dirigiu uma reunião pública em 1896, dizendo que:


“Os europeus procuravam degradar índios para o nível de "kaffir cru", natives da África. "Kaffir" também é um termo depreciativo. Para Gandhi, a única ocupação que os africanos nativos conheciam era caçar, a sua única ambição era a de recolher o gado para comprar uma esposa e a sua única alegria na vida era passá-la em "indolência e nudez."




Gandhi também considerou os nativos incrivelmente preguiçosos, pensando que eles não eram tão trabalhadores como os indianos e que praticamente evitavam o trabalho por completo. Gandhi lutou por um registo prejudicial dos trabalhadores indianos, embora aceitasse que o mesmo acontecia com as pessoas negras. Gandhi, em muitas publicações, exaltou as virtudes dos seus colegas indianos e humilhantemente ridicularizou pessoas negras. Gandhi afirmou que os nativos deram pouco benefício ao país, devido a sua prosperidade em relação aos índianos. Da mesma forma, ele acreditava que os negros não eram bons cidadãos, ao passo que a "classe dos menores indianos" era muito mais respeitável.



7)- A Rebelião Bambatha



Um evento adicional fornece-nos um vislumbre do passado: A Rebelião Bambatha de 1906. Zulus protestaram contra as taxas impostas pelos britânicos após o fim da Guerra Boer. Os britânicos responderam com um massacre de milhares de Zulus. Entre 3000-4000 Zulus foram mortos, 7.000 foram presos e 4.000 foram violentamente açoitados. As perdas britânicas totalizaram apenas 25 homens.



O papel de Gandhi durante o conflito foi altamente controverso. Antes de recrutar voluntários para lutar na "terra de ninguém" durante a Primeira Guerra Mundial, tinha realmente incomodado os britânicos para recrutar índios como parte do exército contra os Zulus. Isto foi em parte devido ao seu objetivo de ganhar o favor dos senhores britânicos e, de fato, ajudar a legitimar a cidadania dos índios. Os críticos também insistiram que isso foi motivado pelo racismo. Gandhi comandou um destacamento de voluntários que levavam os feridos em macas, embora sentisse que essa atividade era um desperdício de homens. Gandhi queria que os índios tivessem a "oportunidade de uma formação completa para a guerra real".




8)- A Morte de William Francis Doherty


Um outro livro intitulado : Gandhi - Behind the Mask of Divinity, descreve um certo incidente que envolve Gandhi e uma viúva americana, Annette Doherty, esposa do engenheiro William Francis Doherty. Ela foi reclamar o corpo do seu marido, morto durante um motim de apoiantes de Gandhi a 19 de Novembro de 1921 e, posteriormente, reuniu-se com o líder político famoso. Durante aquele dia fatídico, o Sr. Doherty estava no seu caminho para o trabalho quando os manifestantes de repente se lançaram sobre ele, arrancando-lhe os olhos e deixando-o quase morto. Por mais de uma hora e meia, Doherty esteve na rua sob o sol escaldante, cego e a morrer, antes de ser levado a um hospital, onde morreu em poucos minutos.




Mais tarde, na reunião da Sra Doherty com Gandhi evidenciou uma reviravolta ainda altamente disputada no escandaloso evento.De acordo com o seu depoimento, ela inicialmente reuniu-se com um dos representantes de Gandhi, que estava preocupado com a constatação pública americana sobre um assassinato. O emissário teria pedido para ela dizer um preço para se manter o silêncio sobre o assunto. Mais tarde, quando a viúva se encontrou com o próprio Gandhi, ela disse-lhe que ele e o seu movimento tiveram a simpatia do público norte-americano e que não queria mais detalhes a emergir que pudessem levar a um tratamento prejudicial.




9)- Sua política de NÃO VIOLÊNCIA sugeriu a rendição aos Invasores (Japão e Inglaterra), e deixar a Índia entregue a Anarquia




As batalhas esquecidas de Imphal e Kohima eram em grande parte não celebradas na Índia, apesar da bravura dos índios na defesa da sua terra natal contra o ataque japonês. Isso ocorreu devido a II Guerra Mundial impulsionar a Índia a lutar por uma potência europeia e não pela sua própria sobrevivência. Gandhi fez a sua parte na solidificação desta opinião durante as décadas seguintes. A sua jogada ousada durante os anos mais negros da Segunda Guerra Mundial era lançar uma campanha massiva de desobediência civil para com os Ingleses: "Fique quieta Índia. Não importa que os japoneses já estejam na sua porta...”



Gandhi, assim como tinha feito durante a agonia da sua esposa, preferia que o destino da Índia fosse deixado para Deus. Se não pudesse ser deixado para um poder divino, então Gandhi preferia que fosse deixado à anarquia mesmo. Gandhi sentiu que a Índia poderia, eventualmente, resolver os seus próprios problemas. Os críticos ao longo dos anos tornaram-se horrorizados com este ponto de vista, porque Gandhi, talvez estivesse fora do contato com a realidade, sem conseguir ver quanta morte e destruição a anarquia traria ao país.




Gandhi sentia que os japoneses deviam ocupar a Índia como quisessem. Ele também queria que os colegas indianos vissem na não-violência  e na  não-cooperação um modo de tornar os invasores também,  indesejados. Render-se em face do inimigo não se limitou aos japoneses; Gandhi também disse que a Grã-Bretanha deveria render-se aos nazistas. Ele alegou que a não-violência deveria ser estendida ao ponto de convidar "Herr Hitler e Mussolini" para tomar posse da "bela ilha, com os seus muitos prédios bonitos."


10)- Favorável ao suicídio de Judeus em Massa



Como é que vamos traçar a linha entre o movimento da não-violência honrosa e da morte intencional e sem sentido?.



Nas suas cartas a Adolf Hitler, Gandhi suplicou-lhe para evitar ir para a guerra. Gandhi abordou o Fuhrer como "Caro amigo," usando bondade e compaixão para deixar Hitler saber o erro dos seus caminhos. Ele estava otimista, mas como alguns críticos têm apontado, isso beirava a loucura total. A forma mais extrema de não-violência que Gandhi tinha, era querer que os judeus da Europa fossem para a prática. Ele acreditava que a desobediência civil contra Hitler teria reforçado a sua causa; ele teria que "despertar o mundo."


Um biógrafo perguntou a Gandhi se os judeus deveriam ter cometido suicídio em massa. Gandhi disse: "Sim, isso teria sido heróico". Apesar do conhecimento das atrocidades cometidas durante o Holocausto, Gandhi respondeu dizendo que "os judeus deveriam ter-se oferecido voluntariamente para a faca do açougueiro; deveriam ter-se atirado ao mar a partir de penhascos." Quanto ao porquê de um ato tão horrível ser necessário, Gandhi respondeu que, “se os judeus tivessem seguido os seus conselhos, as suas mortes teriam sido mais significativas...”



11)- Desprezado Pelo Prémio Nobel da Paz



Mahatma Gandhi foi indicado cinco vezes para o Prémio Nobel da Paz em 1937, 1938, 1939, 1947 e 1948. Não lhe foi concedido nessas cinco ocasiões. Razões não faltam a respeito do porque o prémio lhe fora devidamente negado:


a)- O comité disse ter concluído que "ele era um nacionalista indiano",ou seja,  “que era um líder e político comum, a defender tão somente os interesses de sua nação e de sua ideologia pessoal.”


b)- A avaliação mais detalhada afirmou que Gandhi não era "nenhum político real ou defensor do direito internacional, não era portanto primariamente um trabalhador humanitário universalista e não era um organizador do Congresso Internacional da Paz."



CONCLUSÃO:


Como a maioria dos ídolos e personagens trabalhadas de forma mítica,Gandhi não era mais que uma farsa que se transformou num mito por morrer antes do tempo assassinado, o que favoreceu ainda mais o mito, e por cair nas graças das pessoas certas, que se ocuparam de vendê-lo como um produto muito bem remodelado .Por isso, por favor, deixem de partilhar a sua cara, a suas frases, e de reivindicar as suas ideias como as de um ser perfeito, a humanidade e a verdade que permanece e liberta agradecem.



Copyright AFP (Adaptado).

Fonte: Blog Beraká
http://berakash.blogspot.com.br/2016/07/livro-revela-escandalosa-vida-sexual-de.html

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O papel do Estado na economia: crítica à escola austríaca



"O Estado mínimo, como defende esta escola, significa, na verdade, oposição às políticas de direitos e garantias sociais. O capitalismo darwinista não faz política social, quem faz política social é o Estado". O comentário é de Juliano Giassi Goularti, doutorando do Instituto de Economia da Unicamp, em artigo publicado por Brasil Debate, 05-07-2015.

Eis o artigo.

Partindo do nível de abstração teórico e dentro do princípio da liberdade de expressão e da democracia, pretendemos neste artigo nos contrapor à escola austríaca. Dado a limitação de espaço, refutaremos um ponto da escola: o papel do Estado e da autoridade monetária (Banco Central).

No entendimento da escola, a intervenção do Estado prejudica o conjunto das relações econômicas, por isso defende o laissez-faire. No seu conjunto, as intervenções são vistas como uma prática equivocada, perniciosa e trazem danos e consequências desastrosas. O Estado mínimo é condição essencial para florescer o “espírito capitalista”, prevalecendo a radicalização da crença smithiana da mão invisível, na capacidade autorreguladora do mercado e na crença da lei de Say. Logo, “quem pede maior intervenção estatal está, em última análise, pedindo mais compulsão e menos liberdade”.

Partindo desta defesa, a postura da escola quanto a não intervenção do Estado é muito mais aguerrida do que os próprios clássicos. Em última instância, há por detrás deste espírito a visão de que a espada do Leviatã é uma arma opressora que apunhala as liberdades individuais. Estaria a escola defendendo o estado de natureza hobbesiano, um estado de guerra permanente de todos contra todos?

Neste debate, Ludwig von Mises dá uma atenção especial à atividade bancária. A intervenção do governo no mercado de crédito, ou seja, na sua intensificação/expansão “está fadada ao fracasso. Mais cedo ou mais tarde resultará numa catástrofe”. Ao lançar crédito no mercado, faz aumentar a quantidade de dinheiro em circulação e isso gera inflação. O mesmo se dá para os gastos “irresponsáveis” do governo, que são uma espécie de fermento para dívidas públicas e pressionam a inflação.

Ressurgindo recentemente por meio do neoliberalismo, a escola vê malefícios da atuação da autoridade monetária. Referindo-se ao caso brasileiro, citando, com exemplo a mudança de moeda, Ubiratan Iorio entende que “literalmente, desde que foi criado, o Banco Central do Brasil nada mais fez do que destruir a nossa moeda!”. Isto quer dizer que a economia funcionaria muito melhor sem um Banco Central.

Friedrich Hayek defende uma postura ultra-radical: moedas privadas e concorrentes entre si como forma de dar maior estabilidade ao sistema. Em outros termos, não caberia ao Estado estabelecer nenhum tipo de monopólio no mercado monetário. No contexto da moeda privada, a tendência seria o caos do tipo “salve-se quem puder”. De uma forma geral, não resolveria o problema da incerteza, não traria estabilidade dos preços e aprofundaria com a velocidade de uma fecha a concentração de riqueza e ampliação das desigualdades sociais.

Desta maneira, é um mito de que a existência de concorrência entre moedas seria a saída para o problema da inflação como também para a garantia de uma maior estabilidade do regime do capital. Repassar ao mercado a função de guardião da moeda e privá-la é renunciar toda e qualquer autonomia de política monetária. Seria como estar preso a uma bola de ferro aferrolhada aos pés.

Quanto ao papel do Estado, “o capitalismo só triunfa quando se identifica com o Estado, quando ele é o Estado” (Braudel). A “sobrevivência do capitalismo tornou-se possível apenas em razão do papel jogado pelo Estado” (Przeworsky). Amiúde, o capitalismo só tornou-se o que é porque a centelha proveio do Estado.

Por excelência, é preciso entender que o Estado teve e tem papel essencial na reprodução contínua do capitalismo, isto é, o Estado é ao mesmo tempo a ossatura material e a espinha dorsal do capitalismo. O Estado não somente garante a defesa dos interesses dos capitalistas, mas também sua reprodução em escala ampliada. Por isso, cada vez mais, o capital necessita do Estado.

Não existe o auto-salvamento do capitalismo sem Estado, existe sim o suicídio. Quem salva o capitalismo de sua própria anarquia é o Estado. Se fosse trilhar por suas próprias pernas, o capitalismo ainda estaria nocauteado em decorrência de suas sucessivas crises.

Essa narrativa vulgar papagaiada da necessidade da existência do Estado mínimo significa oposição às políticas de direitos e garantias sociais. Na verdade, isto representa uma defesa do tipo de estratégia militar para rendição do Estado em fazer política de desenvolvimento social. O capitalismo darwinista não faz política social, quem faz política social é o Estado. Nesse tocante, se hoje temos direitos trabalhistas, universidades e previdência públicas, SUS dentre outros direitos sociais e serviços públicos é porque teve a intervenção do Estado.

Do contrário ao exposto, é óbvio que, se fôssemos submeter a economia política ao modelo de Estado mínimo, não haveria tais direitos sociais e os serviços seriam privados, o que privaria a ampla e esmagadora maioria da sociedade. Neste sentido categórico, o Estado mínimo nos leva a parafrasear Tucídides: “os fortes fazem o que podem, e os fracos sofrem o que devem”. Poderíamos também comparar o Estado mínimo com a pintura a óleo de Francisco de Goya“Saturno devora seu próprio filho”.

Quanto à atuação da autoridade monetária, esta foi criada para sanear as contradições internas do capitalismo. Não foi criada por vontade divina ou satânica, mas sim para garantir a estabilidade do próprio sistema capitalista, isto é, impedir sua anarquia. Não por menos, quem salvou o sistema financeiro do colapso em 2007-8 foi o socorro público pela via da socialização dos prejuízos. Caso destitua a autoridade monetária, o sistema entraria em chilique na primeira esquina.

O sistema de crédito é que permite a realização de investimentos, novas combinações, demanda efetiva, reprodução ampliada. O crédito é a força motriz da produção capitalista, que permite acelerar a dinâmica da circulação do capital, como também faz com que a articulação das relações capitalistas se propague no mercado.

O progresso técnico e o processo de inovação tecnológica seriam impossíveis de existir sem o sistema de crédito. Se fôssemos esperar pela formação da poupança para o desdobramento do modo de produção capitalista, certamente esta ainda estaria em seu estágio primitivo. Portanto, associar a expansão o crédito à inflação é uma blasfêmia.

Já quanto ao gasto governamental, assim como o crédito, é emprego, renda e, sobretudo, política social. No caso brasileiro, a dívida pública está correlacionada com as altas taxas de juros, e não com os gastos governamentais. Na prática, o gasto público é que permite a máquina capitalista continuar seu fluxo circular. Inibir o gasto público pelo mecanismo astuto de ajuste fiscal significa evocar a desgraça da ampla maioria da população, colocando-a para ser triturada pelo “moinho satânico”.

Nesta lógica, é preciso entender o sistema de crédito e de gasto governamental como fenômeno fundamental do desenvolvimento econômico e social, e não como elemento draconiano da inflação. Por essas e outras razões, a fé emocional na austeridade fiscal é uma crença vulgar na estabilidade macroeconômica, que corrói o tecido social dos “filhos deste solo”.

Para encerrar, se o pecado original do historiador é o anacronismo, o pecado original do economista liberal/ultraliberal é seu constante divórcio com a realidade – é o caso da escola austríaca.




Fonte: IHU Online

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/557367-o-papel-do-estado-na-economia-critica-a-escola-austriaca

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O estranho dia em que o FMI criticou o neoliberalismo



"Vivi para ver isso". É o que muitos dos críticos do Fundo Monetário internacional (FMI) devem ter pensado há algumas semanas quando foi publicado um relatório no site da organização.

O texto começa dizendo: "Em vez de gerarem crescimento, algumas políticas neoliberais têm aumentado adesigualdade e colocado em risco uma expansão duradoura".

É uma declaração insólita para um organismo, que, mais do que nenhum outro, é associado no imaginário popular a uma expansão de políticas econômicas ortodoxas ou "neoliberais".

A informação foi publicada por BBC Brasil, 30-06-2016.

Mas ela foi feita por três de seus altos funcionários: o vice-diretor do departamento de pesquisas Jonathan D. Ostry, o chefe divisional Prakash Loungani e o economista Davide Furceri.

Mais desigualdade

Eles assinam o documento que, entre outras coisas, diz: "Há aspectos da agenda neoliberal que não têm funcionado como se esperava".

Mencionam, por exemplo, que "os custos do aumento da desigualdade são proeminentes" e que isso "prejudica o nível e a sustentabilidade do crescimento".

A BBC Mundo fez diversos pedidos de entrevistas para os autores do artigo, intitulado "Neoliberalismo: Superestimado?", mas não obteve resposta.

Suas declarações surpreenderam por serem aparentemente uma admissão de um erro por parte de especialistas do FMI quanto às políticas impostas pelo organismo ao redor do mundo, mesmo diante da resistência a elas. E que, segundo seus críticos, foram adotadas com um elevado custo social.

Planos de ajuste

O FMI foi criado depois da Segunda Guerra Mundial para oferecer apoio financeiro temporário a países quando houvesse uma crise de divisas.

No entanto, ao longo de décadas e em especial na América Latina, o organismo ficou conhecido (e foi frequentemente criticado) pelos planos de ajuste que os países que recebiam seus créditos eram obrigados a cumprir.

Na América Latina, o FMI teve uma atuação de peso durante as crises da década de 1980. Na época, a maioria dos países da região não conseguia mais honrar as elevadas dívidas externas que haviam adquirido nos anos de bonança.

Um após o outro, eles tiveram de pedir empréstimos emergenciais ao FMI, concedidos em troca de compromissos com planos de ajustes, que exigiam, entre outras coisas, o desmantelamento de entidades estatais, sua abertura ao livre comércio e ao investimento estrangeiro, privatizações e redução do gasto público em áreas de cunho social.

Em muitos casos, estas políticas conseguiam acabar com períodos de instabilidade macroeconômica extrema pelo qual passavam esses países, sitiados pela dívida e pela hiperinflação.

Mas também são associadas a uma disparada no desemprego e uma deterioração na qualidade de vida que levou muitos a se referir a este período como a "década perdida" da economia latino-americana.

Vantagens a longo prazo

Na época, poucos questionavam as consequências de curto prazo das chamadas "terapias de choque", em que oEstado demitia milhares de funcionários e submetia subitamente os produtores locais à concorrência externa.

Tudo isso, garantia o FMI, aumentaria a longo prazo a eficiência da economia e permitiria aos países não só pagar suas dívidas, mas também incrementar o crescimento e o bem-estar de seus habitantes.

O ajuste era defendido como um remédio doloroso, mas necessário, para garantir seu sucesso econômico no futuro. Um preceito que foi colocado em dúvida pelos pesquisadores do FMI em seu recente artigo.

'Politização'
O texto provocou uma chuva de críticas ao FMI.

Vozes da esquerda o viram como uma contradição por parte do organismo que, por muito tempo, apresentou políticas ortodoxas como verdade absoluta. Mas também houve críticas intensas proferidas pela outra ponta do espectro ideológico.

"Só o uso da palavra 'neoliberal' no título do artigo já reflete uma politização da discussão", diz Steve Hanke, economista do Instituto Cato, centro americano de pesquisa de viés conservador, e que atuou como assessor de vários governos, inclusive da Venezuela e da Indonésia durante a aplicação deste tipo de políticas.

"Na América Latina, a palavra 'neoliberal' é uma expressão politizada usada pela esquerda para desacreditar seu inimigo ideológico" sem precisar recorrer a argumentos técnicos, acrescenta ele.

"Não há evidências para sustentar o que é dito pelos pesquisadores no artigo", insiste Hanke, reiterando que, em sua opinião, não há dúvida de que medidas como a privatização foram corretas.

Questão de fé


Em seu trabalho, os pesquisadores do FMI inclusive lançam dúvidas sobre a experiência chilena com o chamado "neoliberalismo", a mais pragmática na região, depois de sua implementação, a partir de 1973, sob o comando do então presidente Augusto Pinochet.

"A experiência do Chile e de outros países sugerem que nenhuma agenda fixa produz bons resultados para todos os países sob todas as circunstâncias", dizem os especialistas do organismo.

E o artigo termina com uma frase que parece ter sido retirada dos slogans que gritavam nos anos 1980 aqueles que se opunham às políticas de ajuste do FMI, qualificando-as então como uma obsessão ideológica impulsionada por dirigentes de direita.

O artigo garante que "criadores de políticas e instituições como o Fundo Monetário Internacional devem ser guiados não pela fé, mas pela evidência do que tem funcionado".


Fonte: IHU Online
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/557174-o-estranho-dia-em-que-o-fmi-criticou-o-neoliberalismo