terça-feira, 18 de outubro de 2016

Wikileaks revela complô em campanha de Clinton contra a Igreja e bispos reagem assim

Capitólio em Washington D.C., Estados Unidos. Foto: Flickr Andrew Walker (CC BY-NC-ND 2.0).

WASHINGTON DC, 17 Out. 16 / 06:00 pm (ACI).- Após uma série de vazamento de e-mails de importantes personagens políticos sobre um possível movimento de “Primavera Católica” que buscava plantar “sementes da revolução” dentro da Igreja, os Bispos dos Estados Unidos criticaram a interferência e asseguraram que o Evangelho está a serviço do bem comum e não de agendas políticas. Esta “Primavera Católica” equivaleria à “Primavera Árabe”, uma série de manifestações antigovernamentais ocorridas anos atrás no Oriente Médio e no norte da África.

“Houve relatórios recentes de que algumas pessoas poderiam ter procurado interferir na vida interna da Igreja para um ganho político a curto prazo”, disse o presidente da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos e Arcebispo do Louisville, Dom Joseph Kurtz. “Se for verdade, isto é preocupante para o bem-estar das comunidades de fé e o bem de nosso país”.

“Em nossa fé e em nossa Igreja, Cristo nos deu um precioso dom. Como católicos, apegamo-nos a nossas crenças que vêm de Jesus, não de um consenso falsificado por normas contemporâneas”, disse no dia 13 de outubro.

“Também esperamos que as autoridades públicas respeitem os direitos do povo a viver sua fé sem interferência do Estado”, acrescentou o Arcebispo. “Quando as comunidades de fé perdem este direito, a própria ideia do que significa ser um americano está perdida”.

Dom Kurtz não mencionou diretamente a controvérsia sobre uma troca de e-mails de 10 e 11 de fevereiro de 2012, entre o John Podesta, atual chefe de campanha da candidata presidencial do Partido Democrata Hillary Clinton, e Sandy Newman, presidente da organização progressista ‘Voices for Progress’ (Vozes para o Progresso).

Newman parece ter iniciado a troca de e-mails, com o título “A abertura para uma Primavera Católica? Apenas pensando”, e se referiu à controvérsia sobre as objeções católicas à cobertura obrigatória de anticoncepção nos planos de saúde de empregadores do mandato do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) impulsionado por Barack Obama, que obrigaria católicos a prover, entre outras, substâncias causadoras de abortos.

“É preciso ter uma Primavera Católica, na qual os católicos exijam o fim de uma ditadura medieval e o início de um pouco de democracia e respeito pela igualdade de gênero na Igreja Católica”, disse Newman, perguntando se a cobertura anticoncepcional poderia ser um ponto de encontro para um movimento assim.

Newman disse a Podesta que tem uma “total falta de compreensão da Igreja Católica”, acrescentando que, “inclusive se a ideia não for louca, não qualifico para estar envolvido e não pensei tudo sobre como ‘plantaria as sementes da revolução’, ou quem as plantaria. Somente me perguntava…”.


Por sua parte, Podesta sugeriu que as duas organizações políticas estavam interessadas em um ativismo deste tipo.

“Criamos ‘Catholics in Alliance for the Common Good’ (Católicos em Aliança pelo Bem Comum) para se organizar para um momento como este. Mas acredito que careça da liderança para fazê-lo agora”, disse Podesta. “Do mesmo modo, ‘Catholics United’ (Católicos Unidos). Como a maioria dos movimentos Primavera, creio que este terá que ser de baixo para cima”.

Podesta sugeriu consultar Kathleen Kennedy Townsend, ex-tenente governadora do estado de Maryland e filha do Robert F. Kennedy. Ela trabalhou na mesa diretora do ‘National Catholic Reporter’ e fez um discurso em 2008 na conferência nacional do ‘Call to Action’, que discorda dos ensinamentos da Igreja em temas de sexualidade e ordenação sacerdotal de mulheres.

O vazamento dos e-mails foi feito pelo site Wikileaks. Podesta responsabilizou agentes russos de inteligência por ter hackeado o conteúdo e disse que alguns dos e-mails poderiam ser falsos.

Para Dom Kurtz, a controvérsia é uma ocasião para refletir sobre a situação da vida política e exortou os católicos e todas as pessoas de boa vontade a ser “bons custódios” dos direitos dos norte-americanos.

“O Evangelho é oferecido para todas as pessoas por todos os tempos. Convida-nos a amar nosso próximo e a viver em paz com o outro”, continuou o Arcebispo. “Por esta razão, a verdade de Cristo nunca está desatualizada ou é inacessível. O Evangelho serve ao bem comum, não às agendas políticas”.

Os atores políticos envolvidos na troca de e-mails tiveram uma grande influência. Newman, que começou a sugerir a “Primavera Católica”, há alguns anos contratou o jovem Barack Obama para que executasse um projeto de registro de votantes no estado de Illinois, em 1993.

Podesta é ex-presidente do laboratório de ideias ‘Center for American Progress’ e trabalhou como chefe de pessoal do ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

Há alguns anos, no ‘Center for American Progress’, recebeu centenas de milhares de dólares em subsídios da Fundação Arcus para “reclamar” a liberdade religiosa como um valor progressista que “inclui a igualdade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) e direitos e saúde reprodutiva”.

Além disso, o ‘Center for American Progress’ tem como membro sênior o bispo episcopaliano abertamente homossexual Gene Robinson.

Em declarações ao Grupo ACI em 12 de outubro, Christopher Hale, atual diretor executivo do ‘Catholics in Alliance for the Common Good’, disse que os e-mails “não refletem a missão da organização”.

“Acredito que provamos durante o tempo em que estou aqui que somos um forte mensageiro de todo o magistério da Igreja católica”, disse. “Lutamos contra o mandato HHS, lutamos contra Planned Parenthood quando foram divulgados os vídeos em 2015. Lutamos várias vezes pela dignidade da criança por nascer”.

“Se nosso trabalho é ser um grupo de fachada do Partido Democrata, então estamos fazendo um trabalho terrível”, disse.

Hale reconheceu que no passado a organização que dirige recebeu financiamento do ativista liberal e filantropo George Soros, mas assinalou que isto não ocorreu nos últimos 10 anos.

Entretanto, ‘Catholics United’, grupo associado à entidade dirigida por Hale, recebeu dinheiro de enriquecidos ativistas LGBT como a Fundação Gill, criada pelo rico empresário Tim Gill, e a Fundação Arcus.

Os e-mails de Newman e Podesta implicam o mandato HHS do governo de Obama, anunciado no final de 2011, que estabelece que os planos de saúde devem incluir esterilização e anticoncepcionais, entre eles substâncias que podem causar abortos. A medida causou rechaço entre os católicos, obrigando Obama a realizar modificações graduais.

Hobby Lobby, que é propriedade de uma família cristã com objeções a anticoncepcionais abortivos, desafiou com êxito o mandato de Obama, ganhando por 5 votos contra 4 na Suprema Corte, em 2014.

Entretanto, algumas organizações católicas, diocese e outras instituições de caridade ainda estão lutando contra o mandato de Obama com base na liberdade religiosa. Entre estes, figuram as Irmãzinhas dos Pobres e a organização matriz do Grupo ACI, EWTN Global Catholic Network.


Fonte: Site ACI Digital
http://www.acidigital.com/noticias/wikileaks-revela-complo-em-campanha-de-clinton-contra-a-igreja-e-bispos-reagem-assim-61164/

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Que tipo de Católico é você? Conservador, Tradicionalista, Progressista, ou Carismático?







Tradicionalistas, conservadores, carismáticos, progressistas – quem são?




De maneira periódica somos interpelados, seja na internet, seja na vida real, sobre as divisões internas da Igreja. Algumas pessoas querem saber como se portar diante delas, outras pretendem simplesmente negar que pertencem a uma (pois aderem à idéia de que “um católico é apenas um católico”), e, de modo mais constante, me perguntam sobre como conceituar os diferentes grupos e como enquadrar as pessoas neles.Há uma explicação famosa do conhecido Pe. Paulo Ricardo sobre o tema, mas para mim ela está enviesada, isto é, pende para o lado que mais o agrada. Nela o Pe. Paulo, que é um neoconservador (calma, já já explico o que isso quer dizer), considera como “conservador” aquilo que historicamente os tradicionalistas defendem, e como “tradicionalista” apenas os integrantes caricatos desse último grupo. Não aceito isso e vou explicar o motivo, de modo que futuros leitores deste texto não venham tentar contrapor a ele o pensamento do Pe. Paulo como que usando um argumento falacioso da autoridade fosse suficiente para convencer em tudo.




Em primeiro lugar, cabe um vôo panorâmico sobre o que ocorreu nas últimas décadas.
No Vaticano II tínhamos três tendências disputando a influência na formulação dos textos:

1)- Os tomistas, que aderiam à teologia tradicional da Igreja e ao ethos construído em torno disso ao longo dos séculos.


2)-  Os da patrologia, que defendiam o que consideravam ser uma volta às fontes da Fé.


3)- E finalmente, os que se ligavam à teologia moderna, uma espécie de neomodernistas.



Durante o Concílio, os adeptos da patrologia se juntaram aos neomodernistas, numa estratégia política para fazer valer suas opiniões, e isso pode ser percebido nos textos conciliares, onde parágrafos se contradizem, remetendo à necessidade de uma exegese sistemática, holística. Ou seja, é como se o centro tivesse se juntado com a esquerda.



Mas, para a surpresa do segundo grupo, logo na segunda metade dos anos 60 passamos a ver, devido ao poder monetário e midiático, além do “agrado” que certas propostas davam ao homem contemporâneo, uma divulgação crescente de uma interpretação neomodernista do Vaticano II; e as coisas foram ficando tão radicais que o grupo tomista passou a ser visto como uma categoria inexistente de tão non sense, e o grupo da patrologia foi alçado para a direita.



Portanto, os conservadores no sentido dado a essa expressão por Burke ou Russel Kirk (conservador é aquele que adere às lições e formas do passado para um desenvolvimento orgânico da vida social), são os herdeiros do grupo tomista, os atuais tradicionalistas,e os ligados à patrologia só podem ser chamados de neoconservadores, já que representam historicamente uma quebra com a tradição e só foram alçados à condição de direita pelo fato da Igreja ter caminhado excessivamente para a esquerda.



No meio disso tudo, apareceu um quarto grupo, o dos carismáticos, que tem, ao mesmo tempo, alguns aspectos híbridos dos outros grupos e alguns que são inéditos. Certas parcelas do carismatismo estão muito próximas do neconservadorismo, em especial no que se refere à obediência à autoridade; outras dos tradicionalistas, como no que se refere à disciplina eclesiástica (uso de roupas clericais); e, em vários aspectos, eles inovaram, como na maneira de se organizarem em comunidades de vida e aliança.



Chegando neste ponto, alguém pode perguntar: mas isso tudo não seriam apenas categorias políticas? Não é um reducionismo com a Igreja? Eu não me enquadro em nenhuma delas e algumas pessoas parecem se enquadrar em mais de uma, como você explica tal fato? Todo progressista é um neomodernista?


Respostas: De fato, isso são categorias políticas, ou melhor, sociológicas, mas que se refletem na política eclesial (e ninguém venha me dizer bovinamente que não há política na Igreja, pois há, é natural que exista, já que Cristo fundou uma sociedade de fiéis e em toda sociedade a política é necessária); não estou tratando de categorias teológicas, pois a suposição aqui é que todas elas sejam católicas (se alguém defende que alguma não é, então que leve às últimas conseqüências sua conclusão).



Isso é assumidamente reducionismo, pois tudo não passa de um instrumental didático para se tentar organizar um pouco a complexidade do real. Algumas pessoas, de fato, podem estar fora de todas elas (embora eu particularmente não conheça ninguém), mas a maioria vai se inserir preponderantemente, mas não exclusivamente, num dos grupos citados. Nem todo progressista é um neomodernista, mas o progressismo atual tem seus antecedentes no trabalho de pessoas que ignoravam os conselhos e mandamentos de São Pio X (assim como nem todo tradicionalista é lefebvrista, mas todos tem seus antecedentes na luta desse santo bispo).


Agora, feita toda essa introdução, posso esquematizar minhas respostas a certas colocações/perguntas que já li:


1) O que cada grupo (tradicionalistas, neoconservadores, carismáticos e progressistas) defende?



a)- Tradicionalistas: as formas litúrgicas e disciplinares anteriores ao Vaticano II, a teologia neotomista.



b)- Neoconservadores: a posição oficial de Roma em relação a tudo, os resultados da terceira fase do movimento litúrgico, a “teologia das fontes”.


c)-Carismáticos: a valorização da experiência com o sagrado(ou seja,com a misericórdia de Deus), envolvendo a emoção (Amarás o Sr Deus com todo teu coração),na vida eclesial, em paralelo a “teologia das fontes” com uma moral racional neotomista (com todo teu entendimento), e no uso dos carismas (e com todas as tuas forças).



c)- Progressistas: a busca da harmonização entre a doutrina católica e a filosofia moderna, a “teologia das fontes” com uma leitura toda particular e com reflexos na liturgia e nas regras disciplinares.



2) Qual o posicionamento de cada um em relação ao Vaticano II?



a)- Tradicionalistas: variado, da simples negação (que tende ao cisma) à leitura escolhida por eles mesmos de partes do Depósito da Fé mais compatíveis às suas próprias exigências (nesse caso, com resultados que variam segundo o valor que se dá ao concílio: dogmático ou pastoral).



b)- Neoconservadores: aceitam a exegese oficial e suas justificativas.



c)- Carismáticos: em geral, aceitam a exegese oficial e suas justificativas, mas em alguns pontos aderem ao chamado “espírito do Vaticano II” e em outros possuem uma visão próxima a dos tradicionalistas moderados.



d)- Progressistas: o Vaticano II deve ser aproveitado segundo seu “espírito”, isto é, segundo o desejo de mudança e harmonização com a realidade atual que se depreende mais da vontade dos padres conciliares que da letra dos textos.



3) Acredito que a questão política é semelhante à questão eclesial, modificando apenas alguns termos específicos no que tange o funcionamento do Estado em relação ao que ocorre na Igreja.



Não, a questão política não tem nada haver com a eclesial.Todos os tradicionalistas, se forem tradicionalistas de verdade, são conservadores no campo político. Já os neoconservadores eclesiológicos podem ser conservadores ou social democratas no campo político.


Eclesiologicamente:


a) Os conservadores, que querem conservar as formas que passaram no teste do tempo e, ao mesmo tempo, aceitam as mudanças orgânicas, são aqueles que fizeram resistência ao caos pós-conciliar. São os tradicionalistas.


b) Já os neoconservadores são os que não aceitam essa resistência, mas que também não levam até o fim os princípios nos quais as diretrizes do pós-concílio se apoiam, são os oficialistas acima de tudo.


4) Esquematize as posições das várias “tribos católicas” sobre os assuntos que você acha mais importantes.



Tradicionalistas:


1) Ênfase histórica na reforma tridentina e Concílio Vaticano I.
2) Afinidades: Com os ortodoxos bizantinos;
3) Fontes de reflexão pastoral: Magistério anterior ao Vaticano II + vida dos santos;
4) Ênfase catequética: Magistério, Tradição(seletiva) e Escritura;
5) Revelação (foco): Tradição com elementos escolhidos a dedo, e não toda a tradição da Igreja.
6) Uso de ferramentas científicas: não;
7) Ética: moralista;
8) Inserção sócio política: direita;
9) Liturgia: ritualista;
10) Questões divisivas (valor do Vaticano II, maneira de obedecer ao Magistério contemporâneo, rubricas usadas no rito gregoriano, aparicionismo): tendência à separação.

Neoconservadores:



1) Ênfase histórica: Padres;
2) Afinidades: ortodoxos bizantinos;
3) Fontes de reflexão pastoral: Magistério posterior ao Vaticano II + vida dos santos;
4) Ênfase catequética: Magistério, Escritura, Tradição;
5) Revelação (foco): Escritura;
6) Uso de ferramentas científicas: sim, com reservas;
7) Ética: moralista moderada/social;
8) Inserção sócio política: direita
9) Liturgia: ritualista;
10) Questões divisivas (relação com outros grupos eclesiais, ecumenismo, interpretação do Vaticano II): obedecem à última palavra do superior.

Carismáticos:

1) Ênfase histórica: Igreja primitiva;
2) Afinidades: Pentecostal + ortodoxos bizantinos;
3) Fontes de reflexão pastoral: vida dos santos + Escritura;
4) Ênfase catequética: Escritura, Magistério, Tradição;
5) Revelação (foco): Escritura;
6) Uso de ferramentas científicas: não;
7) Ética: moralista;
8) Inserção sócio política: alienação/direita;
9) Liturgia: ritualista/emoções;
10) Questões divisivas (oração X ação social, uso de elementos da cultura contemporânea na evangelização, obediência ao Magistério da Igreja com ênfase no Vaticano II.


Progressistas:



1) Ênfase histórica: igreja pré-constantina e tempos modernos;
2) Afinidades fora do catolicismo: protestantes liberais;
3) Fontes de reflexão pastoral: Bíblia + ciências modernas (experiência);
4) Ênfase catequética: Escritura, Magistério, Tradição;
5) Revelação (foco): Escrituras/razão;
6) Uso de ferramentas científicas: sim, abundantemente;
7) Ética: situacional/social;
8) Inserção sócio-política: esquerda;
9) Liturgia: despojada/moderada;
10) Questões divisivas (divórcio, ordenação feminina, uniões homossexuais, aborto e métodos anticoncepcionais): tendência a uma prática pastoral complacente.
Bem, é isso, acho que com este texto os confrades e demais leitores terão um ponto inicial mais sólido para refletirem sobre as divisões internas da Igreja nos dias atuais, pois cada época tem as suas, pois a Igreja está inserida e é filha de cada tempo.


Fonte: Apologética Católica

sábado, 15 de outubro de 2016

Influência dos Conservadores entre os Sociólogos positivistas

Os conservadores ou profetas do passado – como, por exemplo, Edmund Burke (1729-1797), Joseph de Maistre (1754-1821) e Louis de Bonald (1754-1840) – cultivavam o pensamento medieval. Por um lado, admiravam a estabilidade, a hierarquia social e as instituições religiosas e aristocráticas do feudalismo e, por outro, combatiam com fervor as idéias iluministas que teriam desencadeado, segundo eles, o trágico e nefasto acontecimento do final do século XVIII – a Revolução Francesa. Aos conservadores não interessava defender o capitalismo que se acentuava cada vez mais. De maneira pessimista, enxergavam a sociedade moderna em decadência, não consideravam nenhum progresso no urbanismo, na industrialização, na tecnologia e no igualitarismo. A sociedade lhes parecia mergulhada no caos, na desorganização e na anarquia. Afirmavam que para haver ordem e coesão social, seria necessário a existência de instituições fortes, tradição e valores morais.

Ao fazer a crítica da modernidade, inaugurada por acontecimentos como a economia industrial, o urbanismo, a Revolução Francesa, os conservadores estavam tecendo uma nova teoria sobre a sociedade cujas atenções centravam-se no estudo de instituições sociais como a família, a religião, o grupo social, e a contribuição delas para a manutenção da ordem social. Preocupados com a ordem e a estabilidade, com a coesão social, enfatizariam a importância da autoridade, da hierarquia, da tradição e dos valores morais para a conservação da vida social. 

As idéias dos conservadores constituíam um ponto de referência para os pioneiros da sociologia, interessados na preservação da nova ordem econômica e política que estava sendo implantada nas sociedades européias ao final do século passado. Estes, no entanto, modificariam algumas das concepções dos "profetas do passado", adaptando-as às novas circunstâncias históricas. Estavam conscientes de que não seria possível voltar à velha sociedade feudal e restaurar as suas instituições, como desejavam os conservadores. Alguns dos pioneiros da sociologia, preocupados com a defesa da nova ordem social, chegavam mesmo a considerar algumas idéias dos conservadores como reacionárias, mas ficavam decididamente encantados com a devoção que eles dedicavam à manutenção da ordem e admiravam seus estudos sobre esta questão. 

E entre os sociólogos positivistas – Saint-Simon, Auguste Comte, Émile Durkheim – que as idéias conservadoras exerceram grande influência. Apesar de admirarem a linha de pensamento conservador, eles acreditavam que devido às novas circunstâncias históricas, seria impossível restaurar as instituições medievais; não seria adaptável. Alguns deles chegavam a afirmar que a "escola retrógrada", por eles considerada imortal, seria sempre merecedora da admiração e da gratidão dos positivistas.

Fonte: Blog Sociologia
http://sociologianaciencia.blogspot.com.br/2011/03/influencia-dos-conservadores-entre-os.html