sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil


Adriano Couto

O tema da redação do ENEM deste ano, com sua primeira etapa realizada neste último final de semana, pegou a grande maioria dos estudantes de surpresa, tratava especificamente dos "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil". A prova teve quatro textos motivadores diferentes. Um deles incluiu dados sobre o número de alunos surdos na educação básica entre 2010 e 2016. Outro apresentou um trecho da Constituição Federal afirmando que todos têm direito à educação. Um terceiro mostrou aos candidatos uma lei de 2002, que determinou que a Língua brasileira de sinais (Libras) se tornasse a segunda língua oficial do Brasil.

Embora não tenha realizado o exame, pessoas próximas o realizaram e conversando com estas pessoas, destacamos a importância de abordar um tema de suma importância, visando à inclusão das pessoas portadoras de deficiência auditiva. Muito fala-se de inclusão, mas na prática ainda temos de muito de caminhar, iniciativas significativas vem sendo realizadas, mas ainda não são o suficientes, pois além da desinformação, é latente o preconceito em nossa sociedade em relação as pessoas portadoras das mais variadas deficiências...

O Brasil enfrenta um período difícil na educação: falta de valorização dos professores, pouco investimento na formação desses, parcelamento de salários, escolas sucateadas, infraestrutura precária, poucos recursos pedagógicos, violência nas salas de aula, greves como resposta ao descaso que os governos tratam o magistério e outros tantos problemas que muitas vezes causam desmotivação nos educadores que se vêm com muitos desafios em meio a recursos tão limitados.

Nesse contexto, surge também o maior de todos esses desafios: educar um aluno surdo e passar uma boa formação para ele com tão pouco investimento na capacitação dos educadores. Desmotivados e com poucos recursos pedagógicos, os professores apesar de seus esforços hercúleos, pouco podem fazer de fato para ajudar a estes alunos tornarem-se sujeitos protagonistas. Os professores que trabalham com pessoas portadoras de deficiências físicas, são profissionais que são apaixonados pelo que fazem e possuem dose extra de dedicação, mas sabemos que apenas a boa vontade, infelizmente não é o suficiente, faltam recursos e incentivos. Com tudo isto, o aluno surdo encontrará desafios ainda maiores na busca por um emprego, qualificação profissional, na socialização ou tornando-se dependentes de terceiros.

Faz-se necessário, uma valorização maior dos educadores, que necessitam de uma melhor formação que vise à capacitação desses alunos não só para o mercado de trabalho onde encontrarão autonomia financeira, como também para a vida, ensinando-os a independência, autonomia e a confiança em si mesmos.


Boa Sorte a todos que farão a segunda etapa do ENEM neste final de semana.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Somos realmente um país independente?


Adriano Couto

Semana passada comemoramos os festejos da Independência, segundo a historiografia oficial, nos libertamos do domínio português graças ao “grito do Ipiranga”, ato libertador do príncipe regente e a partir de então somos uma nação livre e soberana... Até que ponto esta afirmação é verdadeira?
Com o grito do Ipiranga, nasceu a dívida externa, onde a Coroa Portuguesa exigiu dois milhões libras estrelinas pelo reconhecimento da independência e como a jovem nação não dispunha de recursos, lá foi D. Pedro contrair empréstimo com a Coroa Inglesa.

Durante o período regencial, nosso país viu-se mergulhado em revoltas regionais, cada qual queria sua independência, em sua maioria, eram populações oprimidas pelas elites locais, herdeiras da administração colonial. Já no governo de D. Pedro II com a Guerra do Paraguai, mais empréstimos tomados junto à Inglaterra. Encerrando este período, dá-se o golpe republicano, onde militares descontentes “convidam” a família imperial a deixar o país, com este episódio, mais uma página de nossa história é virada sem participação popular, uma elite toma o poder da outra.

Na República Velha, as oligarquias paulistas e mineiras dominam o cenário político até a revolução de 30, onde o caudilho Getúlio toma as rédeas, permanecendo 15 anos no poder, mais uma vez, grande parcela da população acompanha de longe o desenrolar da história... Dê-lhe golpe... Em 1964, o golpe civil-militar (outro!) põe fim ao governo Jango e suas reformas bases, pois temia-se, segundo as más línguas, o comunismo. A tomada do poder mergulha o Brasil no contexto global da Guerra Fria, sob a proteção dos Estados Unidos, estando assim a salvo do espectro vermelho. Os brasileiros assistem amordaçados vinte e um anos do regime de exceção.

Convém lembrar que nosso país não tem tradição democrática, aliás, desconhece de fato o que significa a tal da democracia, pois a cada 20 ou 30 anos, sofremos alguma espécie de golpe, intervenção, impeachment. Isso devido as oligarquias que sempre estiveram no poder, quando se vêem ameaçadas, dão um basta no joguinho e derrubam o tabuleiro e tudo isso claro, sempre com as bênçãos do Tio Sam, pois o que seria da elite bananeira nacional se não fosse vassala do imperialismo Yankee? Como já dizia o embaixador Juracy Magalhães “o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”.

Nos dias de hoje está à frente dos destinos da nação, um grupo que está promovendo o desmonte do Estado, subtraindo garantias fundamentais da classe trabalhadora, além de estar entregando o nosso patrimônio e nossas riquezas naturais, vendendo a nossa soberania, cumprindo a risca a agenda neoliberal ditada pelas potencias capitalistas, isto sem falar nos escândalos de corrupção que vemos na mídia, propiciando um espetáculo sórdido, nefasto.

Com este breve resumo de nossa história como país dito independente, convido aos leitores a reverem certos conceitos relacionados a soberania, autodeterminação, liberdade, pois tais conceitos se traduzem em independência de fato e com isto lhes convido a refletirem na seguinte questão: somos verdadeiramente um país independente ou apenas trocamos de senhores?