terça-feira, 12 de setembro de 2017

Somos realmente um país independente?


Adriano Couto

Semana passada comemoramos os festejos da Independência, segundo a historiografia oficial, nos libertamos do domínio português graças ao “grito do Ipiranga”, ato libertador do príncipe regente e a partir de então somos uma nação livre e soberana... Até que ponto esta afirmação é verdadeira?
Com o grito do Ipiranga, nasceu a dívida externa, onde a Coroa Portuguesa exigiu dois milhões libras estrelinas pelo reconhecimento da independência e como a jovem nação não dispunha de recursos, lá foi D. Pedro contrair empréstimo com a Coroa Inglesa.

Durante o período regencial, nosso país viu-se mergulhado em revoltas regionais, cada qual queria sua independência, em sua maioria, eram populações oprimidas pelas elites locais, herdeiras da administração colonial. Já no governo de D. Pedro II com a Guerra do Paraguai, mais empréstimos tomados junto à Inglaterra. Encerrando este período, dá-se o golpe republicano, onde militares descontentes “convidam” a família imperial a deixar o país, com este episódio, mais uma página de nossa história é virada sem participação popular, uma elite toma o poder da outra.

Na República Velha, as oligarquias paulistas e mineiras dominam o cenário político até a revolução de 30, onde o caudilho Getúlio toma as rédeas, permanecendo 15 anos no poder, mais uma vez, grande parcela da população acompanha de longe o desenrolar da história... Dê-lhe golpe... Em 1964, o golpe civil-militar (outro!) põe fim ao governo Jango e suas reformas bases, pois temia-se, segundo as más línguas, o comunismo. A tomada do poder mergulha o Brasil no contexto global da Guerra Fria, sob a proteção dos Estados Unidos, estando assim a salvo do espectro vermelho. Os brasileiros assistem amordaçados vinte e um anos do regime de exceção.

Convém lembrar que nosso país não tem tradição democrática, aliás, desconhece de fato o que significa a tal da democracia, pois a cada 20 ou 30 anos, sofremos alguma espécie de golpe, intervenção, impeachment. Isso devido as oligarquias que sempre estiveram no poder, quando se vêem ameaçadas, dão um basta no joguinho e derrubam o tabuleiro e tudo isso claro, sempre com as bênçãos do Tio Sam, pois o que seria da elite bananeira nacional se não fosse vassala do imperialismo Yankee? Como já dizia o embaixador Juracy Magalhães “o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”.

Nos dias de hoje está à frente dos destinos da nação, um grupo que está promovendo o desmonte do Estado, subtraindo garantias fundamentais da classe trabalhadora, além de estar entregando o nosso patrimônio e nossas riquezas naturais, vendendo a nossa soberania, cumprindo a risca a agenda neoliberal ditada pelas potencias capitalistas, isto sem falar nos escândalos de corrupção que vemos na mídia, propiciando um espetáculo sórdido, nefasto.

Com este breve resumo de nossa história como país dito independente, convido aos leitores a reverem certos conceitos relacionados a soberania, autodeterminação, liberdade, pois tais conceitos se traduzem em independência de fato e com isto lhes convido a refletirem na seguinte questão: somos verdadeiramente um país independente ou apenas trocamos de senhores?



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